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Estrutura da Matéria Postulado de De Broglie - Propriedades Ondulatórias das Partículas Solon Oliveira

Estrutura da Matéria

Postulado de De Broglie - Propriedades Ondulatórias das Partículas

Solon Oliveira

Sumário

Ondas de Matéria

Dualidade Onda-Partícula

Princípio da Incerteza Propriedades das Ondas de Matéria

Consequências do Princípio da Incerteza Aspectos Filosóficos

Ondas de Matéria

Louis de Broglie (1924) propõe a existência de ondas de matéria.

Sua hipótese o comportamento dual onda-partícula também se estende à matéria

Tanto para a radiação quanto para a matéria, a energia total estaria relacionada à frequência através de:

Ondas de Matéria • • Louis de Broglie (1924) – propõe a existência de ondas de

E o momento com Broglie

h p  
h
p 

h

p

Relação de de

Essa relação estabelece que há uma onda de matéria de comprimento associada a uma partícula material com momento p

Exemplos:

- bola de beisebol com v=10 m/s

6,6

10

35

m

6,6

10

25

A

- elétron de energia cinética igual a 100 eV

1,2

10

10

m

1,2 A

Para que os efeitos ondulatórios das partículas sejam observados é necessário que os sistemas com os quais elas interagem sejam da ordem de 1 Angstrom ou menores

(1925) Elsasser sugeriu que

um feixe

de

elétrons

poderia

ser

difratado

ao

incidir

sobre

um

sólido

cristalino

(1927) Davisson e Germer observaram esse efeito fazendo elétrons (emitidos por um filamento aquecido)

incidir sobre um monocristal de níquel

O Experimento de Davisson- Germer

• Para que os efeitos ondulatórios das partículas sejam observados é necessário que os sistemas com

O

feixe

incide

sobre

o

cristal em C.

 

O

detector D é colocado

em um dado

ângulo e

se

faz medidas do feixe espalhado para diferentes

valores

do

potencial

acelerador V.

• Para q =50 , temos um pico ao redor de V=54V • A existência desse

Para q=50 o , temos um pico ao redor de V=54V

A existência desse pico só pode ser explicada como uma interferência construtiva de ondas espalhadas pelo arranjo periódico dos átomos nos planos do cristal

Isto é análogo à reflexão de Bragg: espalhamento de raios X pelos planos atômicos de um cristal

Reflexão de Bragg

Reflexão de Bragg • Temos dois planos atômicos e dois feixes. • Se n  =
Reflexão de Bragg • Temos dois planos atômicos e dois feixes. • Se n  =

Temos dois planos atômicos e dois feixes.

Se n= 2l, então a difração será reforçada por ondas em fase.

Como l/d = cos(90 o j) = senj e 2l = 2dsenj, então temos:

Reflexão de Bragg • Temos dois planos atômicos e dois feixes. • Se n  =

Relação de Bragg

n2 d sen

Concordância de Resultados

Na figura anterior : o espaçamento interplanar d, obtido através de raios X, é 0,91 Å Para q=50 o = 90 o q/2 = 65 o

Para n=1, temos:

2 d sen20,91Asen 65 1,65A

O comprimento de onda de de Broglie para elétrons de 54

eV é:

h

p

6,6

10

34

Js

4,0

10

24

Kg m

/

s

1,65A

  • Esta concordância confirma quantitativamente a relação de de Broglie entre , h e P.

Outros Experimentos

Outros Experimentos Difração de Debye- Scherrer de raios X difratados por cristais de óxido de zircônio.
Outros Experimentos Difração de Debye- Scherrer de raios X difratados por cristais de óxido de zircônio.

Difração de Debye- Scherrer de raios X difratados por cristais de óxido de zircônio.

Outros Experimentos Difração de Debye- Scherrer de raios X difratados por cristais de óxido de zircônio.

Difração de Debye- Scherrer de elétrons difratados por cristais de ouro.

Outros Experimentos

Outros Experimentos Figura de Laue da difração de raios X por um cristal de cloreto de

Figura

de

Laue

da

difração de raios X por um cristal de cloreto de

sódio.

Figura

de

Laue

da

difração

de

nêutrons

de

um

reator

nuclear

por um monocristal de

cloreto de sódio.

Dualidade Onda-Partícula

A dualidade onda-partícula se aplica tanto à radiação quanto à matéria.

Niels Bohr: os dois aspectos não se manifestam nas mesmas circunstâncias.

Niels

Bohr

sugeriu

o

chamado

Princípio

da

Complementaridade.

 

Os

modelos

corpuscular

e

ondulatório

são

 

complementares.

 
 

Radiação partículas.

e

matéria

não

são

apenas

ondas

ou

A ligação entre esses dois modelos será feita pela interpretação probabilística.

Einstein unificou as teorias ondulatória e corpuscular no caso da radiação.

Max Born fez algo semelhante para o caso da matéria.

Interpretação Estatística

I Modelo Ondulatório I  2  2 Modelo Corpuscular I  hv N
I
Modelo Ondulatório
I 
2
2
Modelo Corpuscular
I  hv N
  • Intensidade da radiação

  • Valor médio do quadrado do campo elétrico da onda.

N Número médio de fótons por unidade de tempo que

uma propagação Einstein sugeriu que

cruzam

unidade

de

área

perpendicular à

  • 2 , quantidade proporcional à

energia radiante contida em um volume, fosse interpretado como o número médio de fótons contidos em uma unidade de volume.

Interpretação estatística de intensidade (fótons são emitidos ao acaso, por uma fonte, em todas as direções)

Igualando as duas expressões:

 1 I      c 0
1
I  
 
c
0
 ___  2  h v N   
___
2
 h v N
  
 2 N
2
N

Interpretação de Einstein:

  • 2 medida probabilística da

densidade de fótons.

De forma análoga, Max Born propôs uma interpretação probabilística da dualidade onda-partícula para a matéria.

Isso surgiu depois de Schrödinger ter proposto a Mecânica Quântica.

Funcão de Onda Y vamos associar esta função à onda de de Broglie.

Partículas movendo-se na direção x e carregando energia e momento possuem uma função de onda:

Y

x

,

t

A

sen 2

x

 

v t

 

Isto é análogo ao campo elétrico senoidal:

x

,

t

A

sen 2

x

v t    

 

 

Y

2

 

de

probabilidade

encontrar uma

partícula em uma unidade de volume em um dado ponto e em um dado instante.

Sobre o Y

(x,t) satisfaz à Equação da Onda

Y(x,t) satisfaz à Equação de Schrödinger

(x,t) é uma onda (de radiação) associada a um fóton Y(x,t) é uma onda (de matéria) associada a uma partícula

Einstein (radiação) não especificamos a localização exata de um fóton num dado instante, mas ...

Por meio de

  • 2 especificamos a probabilidade de

encontrar o fóton numa certa região num dado instante

Born (partícula) não especificamos a localização exata de uma partícula num dado instante, mas ...

Por meio de

Y

  • 2 especificamos a probabilidade de

encontrar a partícula numa certa região num dado

instante

Princípio da Superposição

Assim

como

somadas:

duas

ondas

eletromagnéticas

são

1 (x,t) + 2 (x,t) = (x,t) produzindo uma onda resultante

Da mesma forma, vamos somar duas funções de onda:

Y 1 (x,t) + Y 2 (x,t) = Y(x,t) cuja probabilidade

resultante vai estar associada a

Y

2

O Princípio da Superposição aplica-se tanto à radiação quanto à matéria.

É isto o que se observa experimentalmente no caso de interferência e difração de ondas de matéria

Princípio da Incerteza (de Heisenberg)

Considerações sobre determinismo e probabilidade em Física Clássica

Questão: podemos determinar experimentalmente, no mesmo instante, a posição e o momento de uma partícula?

Princípio da Incerteza (parte 1): “Não se pode determinar simultaneamente o valor exato do momento (p.ex. p x ) e o valor exato da coordenada correspondente x.

A precisão está fundamentalmente limitada pelo

processo de medida em si, de forma que:

Dp

  • x Dx / 2

h

2

onde Dp x e Dx expressam o grau de incerteza relativo a essas quantidades.

Princípio da Incerteza (parte 2): esta parte do

princípio relaciona-se a medida da energia E e do

tempo t necessário à medida:

DE Dt / 2

onde DE é a incerteza do nosso conhecimento da energia de um sistema e Dt é o intervalo de tempo característico da rapidez com que as mudanças ocorrem nesse sistema.

As relações de Heisenberg são consequências do postulado de de Broglie e de propriedades comuns a todas as ondas.

Papel da constante de Planck quando h 0 recupera-se o caso clássico

Experiência Imaginária (de Bohr)
Experiência Imaginária (de Bohr)
Experiência Imaginária (de Bohr) • Só o ato de observarmos o elétron já o perturba. •
Experiência Imaginária (de Bohr) • Só o ato de observarmos o elétron já o perturba. •

Só o ato de observarmos o elétron já o perturba.

 

Devido

à

luz

incidente,

o

elétron

sofre

um

espalhamento de Compton. Para reduzir esse efeito, podemos usar uma luz fraca (um fóton) Este fóton pode ser espalhado em qualquer direção dentro de 2q

O momento do elétron no eixo x pode variar de

psenqa psenqA incerteza após o espalhamento é

  • D p

  • x 2

p

q  

sen

2

h

q

sen

A imagem do elétron é, de fato, uma figura de difração (difusa).

Tomando a largura do máximo central como medida de Dx (poder de resolução do microscópio):

 D x  sen q 
D
x
sen
q

O fóton espalhado virá de algum lugar da região com essa largura.

Tomando o produto das incertezas:

 2 h     D p D x   sen q 
 2 h
 
D
p
D
x
 
sen
q
 
  2 h
x
  sen
q

Não podemos simultaneamente tornar Dp x e Dx tão pequenos quanto queiramos.

P.ex.: tomando menor (raios g) podemos reduzir Dx (ver expressão), mas isso aumenta o recuo do elétron e Dp x.

NB: o Princípio da Incerteza é resultado da quantização da radiação o fóton é indivisível O que dizer a respeito de energia e tempo?

2 m m E   D E  D p x  v x D
2 m
m
E
D
E
D
p
x
v
x
D
p
x
p
x
p
x
2
D x D x  v D t  D t  x v x
D x
D
x
v
D
t
D
t
x
v
x
D x D E D t  v D p D p D x x x
D x
D
E
D
t
v
D
p
D
p
D
x
x
x
x
v
x
• • • • A imagem do elétron é, de fato, uma figura de difração (difusa).

DE Dt / 2

Propriedades das Ondas de Matéria

Vamos obter os princípios da incerteza a partir das relações de de Broglie e Einstein.

p = h/e E = h

Velocidade de propagação (ou velocidade de fase) de

uma onda

w v

Para uma onda de de Broglie:

h E E w   v   p h p
h E
E
w   v 
p
h
p

Se a partícula estiver se movendo com velocidade

não-relativística

v

potencial zero:

em

uma

região

de

energia

E m  2 / 2  w    p m  2
E
m
2
/ 2
w 
p
m
2

Resultado estranho parece que a onda de matéria não consegue acompanhar a partícula à qual está relacionada.

Se uma partícula move-se ao longo do eixo x, a onda associada a ela também se move nessa direção.

Se fosse possível “medir” a amplitude dessa onda, algo como o visto pela figura seria observado

A amplitude deve ser modulada de forma que seja

diferente de zero apenas na região próxima a partícula

A onda de matéria representada aqui está na forma de um “pacote de ondas”

A medida que a partícula se desloca, o pacote de ondas move-se com a mesma velocidade

• Se uma partícula move-se ao longo do eixo x , a onda associada a ela

Velocidade de Grupo X Velocidade de Fase

A

velocidade

de

grupo

(g)

é

diferente

da

velocidade de fase (w) das ondas individuais

 

Queremos

mostrar que g

é igual à velocidade

da

partícula.

 

Seja

uma

onda

senoidal

de

freqüência

e

comprimento , de amplitude constante e que se move no sentido de x positivo.

Esta onda pode ser representada por:

  x  Y  x t ,   sen 2   
x

Y
x t
,
sen
2
vt


Ou também por:

1 Y  x,t   sen 2    x  vt  onde
1
Y
x,t
sen 2
 x
vt

onde

Velocidade de Fase

Y x,t sen2 x vt

Esta expressão significa que:

Para x fixo, a função oscila senoidalmente no tempo com frequência e amplitude igual a 1. Para t fixo, a função tem dependência senoidal em x com comprimento de onda ou número de onda Os zeros da função (nós da onda) correspondem às posições x n dadas por:

2    x  vt    n n  0,  1,
2
 
x
vt
n
n
0,
1,
2, ...
n
n
v
ou
x
t
n
2

Os nós (e todos os demais pontos da onda) movem-se com velocidade:

Note que

=

1/

dx v n w   w  dt 
dx
v
n
w 
w
dt

Velocidade de Grupo

Para estudar o caso de um “pacote de ondas” vamos considerar.

Y

(

x t

,

)

 Y

1

(

x t

,

)

Y

2

(

x t

,

)

onde :

Y 1
Y
1

(

x t

,

)

sen

(2

[

kx

vt

]) e

Y

2

(

x t

,

)

sen

(2

[(

k

dk x

)

(

v

dv t

) ])

sen A sen B 2 cos[(A B) / 2]sen[(A B) / 2]

teremos:

Y

x t

,

2cos 2

d

2

  • x

    • dv

2

t

sen2

  • 2

d

2 v

dv

t

x

  • 2

2

Como: d<<2e d<<2, então:

 d  dv  Y  x , t   2 cos 2 
 d
dv
Y
x
,
t
2 cos 2
x
t
sen 2
 vt
2
2

  x

• A onda resultante é tipo Y 1 , mas modulada pelo termo em co-seno. •
A onda resultante é tipo Y 1 , mas modulada pelo
termo em co-seno.
Tanto os grupos como as ondas individuais movem-
se para a direita.
A velocidade w das ondas individuais sai do termo
em seno
v
w 
k
A velocidade g dos grupos sai do termo em co-seno.
dv / 2
dv
g 
d
/ 2
d
• A onda resultante é tipo Y 1 , mas modulada pelo termo em co-seno. •

Pode-se mostrar

que

mesmo

para um número

infinitamente grande de ondas a velocidade de fase w e a velocidade de grupo g são dadas pelas expressões

anteriores.

Das relações de Einstein e de de Broglie temos

vE/h dv  dE / h e e  1/  p/h d  dp /
vE/h
dv  dE / h
e
e
 1/  p/h
d  dp / h
Portanto:
e
m
2
Como:
E 
e
p
m
2
dE
m
d
então:
dp
md
ou seja
g
dv dE g   d  dp
dv
dE
g 
d
dp

Conclusão: a velocidade de grupo das

ondas de

matéria é exatamente igual à velocidade da partícula

Superposição de várias ondas

Superposição de várias ondas 1 D x  D   1 12 1 D x
1 D x  D   1 12 1 D x D   12
1
D
x
D
 1
12
1
D
x
D
12

Conseqüências do Princípio da Incerteza

Experiência de Young: dupla fenda interferência de luz

 

Modelo ondulatório

onda original é dividida em duas ondas coerentes

a

superposição

dessas

ondas

produz

franjas

de

interferência sobre a tela Experiência de Young com elétrons

 
Conseqüências do Princípio da Incerteza • Experiência de Young: dupla fenda  interferência de luz •
Conseqüências do Princípio da Incerteza • Experiência de Young: dupla fenda  interferência de luz •
(a) 28 e - (b) 1.000 e - (c) 10.000 e - (d) milhões de e
(a)
28 e -
(b)
1.000 e -
(c)
10.000 e -
(d)
milhões de e -