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UNIVERSIDADE ANHAGUERA - UNIDERP CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA PEDAGOGIA Unidade de Ensino LITERATURA INFANTIL Titulo
UNIVERSIDADE ANHAGUERA - UNIDERP CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA PEDAGOGIA Unidade de Ensino LITERATURA INFANTIL Titulo

UNIVERSIDADE ANHAGUERA - UNIDERP

CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

PEDAGOGIA

Unidade de Ensino

LITERATURA INFANTIL

Titulo

RECONTANDO UMA HISTÓRIA

UNIVERSIDADE ANHAGUERA - UNIDERP CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA PEDAGOGIA Unidade de Ensino LITERATURA INFANTIL Titulo

Nome:

RA

Feliciano Vergara Garcia

382699

José Márcio Marques de Lima

382417

Sidney Hoffman

280079

Tutor a distância

Caio Mira

Paranhos-MS

2014

INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO O Presente trabalho visa discutir as possibilidades de desenvolvimento da linguagem oral de crianças a

O Presente trabalho visa discutir as possibilidades de desenvolvimento da linguagem oral de crianças a partir do recontar histórias em salas de aula, e analisar o tratamento dado à oralidade das crianças pelos professores como ferramenta facilitadora do ensino e aprendizagem da língua materna. A ideia de pesquisar sobre a relação da Literatura Infantil com o uso e desenvolvimento da linguagem oral das crianças surgiu da inquietude a respeito pelo fato da escola ser um local privilegiado para enfatizar a aquisição da leitura e escrita. Considerando que a linguagem oral do cotidiano é carregada de um rico arsenal de conhecimento de mundo e difere da linguagem literária contida nos livros, a ação verbal através da partilha de experiências de leituras proporcionará uma aprendizagem significativa, já que favorece a capacidade de agenciar e articular informações, uma vez que essas linguagens podem ser aproveitadas pelo professor em suas práticas educativas de forma enriquecedora. À partir dos teóricos estudados, este trabalho traz a linguagem oral como um dos elementos importantes para a ampliação das possibilidades de inserção e de participação dos sujeitos nas diversas práticas sociais e no convívio escolar. É apresentado também um breve histórico da Literatura Infantil, assim como a nova concepção dada à arte de contar e ouvir histórias, a partir da valorização dos elementos constituintes a fim de atender os anseios do leitor. E o reconto é tratado como uma proposta para o desenvolvimento oral das crianças, incluindo-se critérios de análise de suas narrativas.

INTRODUÇÃO O Presente trabalho visa discutir as possibilidades de desenvolvimento da linguagem oral de crianças a

A literatura infantil e seus caminhos:

Uma breve visão sobre a literatura infantil no contexto global

A Literatura Infantil é um produto cultural da sociedade contemporânea que oferece à criança um meio de educá-la através de fábulas ou narrativas. Contar histórias é um costume antigo, e foi a partir deste originou-se a Literatura Infantil. A Literatura Infantil da adaptação de contos populares contados por pessoas comuns em rodas de história. Antes disso, não havia preocupação em incluí-las na família ou na sociedade, porque a infância era totalmente desconsiderada, as crianças participavam, juntamente com os adultos, da vida política e social, testemunhavam as

guerras, a vida, as festas.

[...]Antes

não se escrevia para elas, porque não existia infância. (ZILBERMAN, 1985, p. 13).

O livro "infantil" mais antigo de que se tem notícia, o "Livro dos Cinco Ensinamentos", datado do século V e VI a.C., escrito em sânscrito, cujo conteúdo era ensinamentos religiosos e políticos, dirigido às crianças através de fábulas e narrativas. Na Idade Média, com objetivos de educar moral, político e religiosamente, eram escritas fábulas em manuscritos, podiam ser histórias romanceadas, contos de cavalaria, canções gesta e o bestiário (coleção de histórias sobre animais reais ou imaginários). Algumas obras foram publicadas, no século XVII, durante o classicismo francês, posteriormente classificadas como literatura infantil, como: Fábulas, de La Fontaine, editada entre 1668 e 1694; As aventuras de Telêmaco, de Fénelon, editadas em 1717; e o mais conhecido de todos, Os Contos da Mamãe Ganso, de Charles Perrault, publicado em 1697. Comênio, educador tcheco, foi um dos primeiros estudiosos a creditar que a literatura infantil deveria divertir e ensinar e lançou, em 1658, o primeiro livro infantil ilustrado O Mundo em Quatro Quadros, no qual as ilustrações tinham papel fundamental. Charles Perrault é considerado o grande precursor da literatura infantil, apesar de ter negado o gênero ao atribuir a autoria de Os Contos da Mamãe Gansa, (coletânea de vários contos como: A Bela Adormecida, O Barba Azul, O Gato de

Botas, As Fadas, Chapeuzinho Vermelho, etc.) a seu filho, por temer ser ridicularizado pela Academia Francesa de Letras, da qual fazia parte, mas graças a esta obra, foi imortalizado. Quando a infância surge, com conotação sócio-econômica no seio da sociedade burguesa do século XVIII é que se enfatiza o ser infantil no âmbito pedagógico, iniciando assim, o interesse da criação de uma literatura específica, onde a adaptação dos contos populares e folclóricos alavancasse a inserção da criança culturalmente na sociedade, partindo deste ponto, pode-se dizer que realmente começam a surgir, no mercado livreiro, livros específicos para o público infantil,

isto ocorre na primeira metade do século XVIII.

Daí em diante, a Literatura Infantil passou a ser considerada uma vertente da literatura geral, expandindo da França para a Inglaterra, onde fortaleceu-se com a Revolução Industrial, que assinalou o período com atividades renovadoras nos setores econômicos, sociais, políticos e ideológicos da época. Com o apogeu do crescimento urbano, a sociedade burguesa se fortalece como classe social dominante, pregando a família como instituição, pregando a vida doméstica, deflagrando um modelo a ser seguido, com o interesse financeiro embutido ocultamente. Este estereótipo converte-se na finalidade existencial do indivíduo, tendo como beneficiário maior, a criança, impondo a preservação da infância enquanto meta de vida o que favoreceu o crescimento industrial ligado ao novo membro da família, como a industrialização de brinquedos, livros e o surgimento de novos ramos da ciência (pedagogia, psicologia infantil, pediatria). Dentro deste paradigma é que a literatura infantil emerge, atuando na educação da sociedade infantil burguesa. Alguns títulos sobressaíram neta época, livros que agradavam tanto adultos como crianças: Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, publicado em 1719 e Viagens de Guliver, de Jonathan Swift, publicado em 1726.Em meados do século XVIII, o inglês John Newberry, fundou a Biblioteca Juvenil, primeira editora de livros para crianças. Neste século, houve, também, outra grande mudança na sociedade, a escola surge como uma instituição que objetivava fortalecer a política e a ideologia burguesa. Com o crescimento e a "popularização" da escola, a Literatura Infantil adentra o século XIX com grande força. No século XIX, a literatura passa a ser escrita e reescrita, sendo precedida de sucesso no século anterior. Novos autores surgem, consagrando a literatura infantil com contos que se tornaram clássicos. Para a autora Nelly Novaes Coelho, este século é considerado renovador, pois a criança passa a ser vista como ser que necessitava de cuidados específicos para seu crescimento físico, psicológico e cognitivo, surgindo, então, novos conceitos de vida, educação e cultura, abrindo novos caminhos para a área pedagógica e literária. Pode-se dizer que é nesse momento que a criança entra como um valor a ser levado em consideração no processo social e no contexto humano. (COELHO,1985,p.108).

REFLEXÃO DO GRUPO: A Importância do trabalho educativo com ilustrações de livros de literatura infantil

Os Irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm Grimm), que escreveram seus contos baseados na memória popular

de seu povo, como narrativas de lendas, contos folclóricos e histórias de sua terra ( Alemanha ), todas conservadas

por tradição oral. Seus contos agradavam tanto os adultos como as crianças, pois continham o fantástico, a fantasia e o mítico. Sua mais famosa obra foi "Contos de Fadas para Crianças e Adultos", publicado entre 1812 e 1822, onde estavam escritos os contos: A Bela Adormecida, Os Músicos de Bremen, Os Sete Anões e a Branca de Neve, O Chapeuzinho Vermelho, A Gata Borralheira, As Aventuras do Irmão Folgazão, O Corvo, Frederico e Catarina, O Ganso de Ouro, A Alfaiate Valente, O Lobo e as Sete Cabras, O Enigma, O Pequeno Polegar, Joãozinho e Maria entre muitos outros.

Hans Christian Andersen retratava em suas obras o cultivo dos valores de seus ancestrais, revelando o

valor de sua raça nórdica com grande patriotismo. Seguia a linhagem dos irmãos Grimm, porém com obras mais amadurecidas, já que começara a escrevê-las vinte anos após os Grimm. Teve 168 contos publicados entre 1835 e 1872, entre eles estão: O Patinho Feio, Os Sapatinhos Vermelhos,, O Rouxinol e o Imperador da China, O Soldadinho de Chumbo, Os Cisnes selvagens, a Roupa nova do Imperador, João e Maria, João Grande e João Pequeno, etc. A grande diferença dos contos dos Irmãos Grimm e Andersen estavam no fato de que os contos de Andersen, além

de possuírem fantasia, estavam ligados ao cotidiano. Outras obras fizeram muito sucesso e são conhecidas até hoje, como: Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol; Pinóquio, de Collodi; Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas; Vinte Mil Milhas Submarinas, de Júlio Verne; Mogli, o Menino Lobo, de Rudyard Kipling; Tarzan da Selva, de Edgard Rice Burroughs; Peter Pan, de James M. Barrie; etc.

A literatura infantil e o Brasil

Enquanto a Europa lançava seus primeiros livros infantis às vésperas do século XVIII, no Brasil, a produção e publicação foram tardias, quase no século XX, embora haja alguns registros datados do século XIX. Tudo começou com a implantação da Imprensa Régia por D. João VI, em 1808, quando algumas obras literárias voltadas para crianças começaram a ser publicadas, como a tradução de "As Aventuras do Barão Munkausen", mas foi no entre século (XIX e XX) que a produção de livros infanto-

juvenis se fortaleceu, devido à nova visão de educação que se estabelecera no país, as traduções e adaptações de livros firma-se e

a consciência de que uma literatura própria, que valorizasse o nacional se fez necessário. Inicialmente, esta mudança começou na escola, com o surgimento de "livros de literatura" e livros de educação religiosa para crianças e jovens. Estes livros foram os primeiros esforços para esta nacionalização da literatura infantil. A Literatura Infantil apresenta, no Brasil, um campo de trabalho tão extenso e desconhecido, que ocorre com o investigador o que se passou com Cristóvão Colombo: pensa-se ter descoberto o caminho para as Índias quando, de fato, mal tangenciou um continente inexplorado cujo perfil exato ainda está por ser definido. (ZILBERMAN, 1985, p.9)

O primeiro livro lançado no Brasil com grande repercussão no meio escolar foi o "Livro do Povo", escrito por Antônio Marques

Rodrigues. Nesta mesma linha, foram lançados: "Método Abílio", por Abílio César Borges; "O Livro do Nenê", por Meneses Vieira; "Série Instrutiva", por Hilário Ribeiro; entre outros. Logo após esta fase, contos para diversão da infância começaram a ser escritos por autores nacionais, como "Contos Infantis", de Júlia Lopes de Almeida, reunindo mais de sessenta narrativas em verso e prosa. "Contos da Carochinha" foi a primeira coletânea brasileira de literatura infantil, com o intuito de traduzir, para a Língua Portuguesa, contos estrangeiros de sucesso, iniciativa tomada por Alberto Figueiredo Pimentel, conquistando fama por tentar popularizar a literatura no Brasil. Mais algumas obras e autores: "Livro das Crianças", de Zalina Rolim; "Leituras Infantis", de Francisco Vianna; "Era Uma Vez", de Viriato Correia; "Biblioteca Infanto", de Arnaldo Barreto.

Grande parte dos esforços para a popularização dos livros para crianças deve-se aos nomes acima citados e a muitos outros, porém, o principal escritor que demarcou a literatura infantil entre o ontem e o hoje foi Monteiro Lobato, que veio a completar o que faltava nesta corrente área no Brasil. Iniciou sua carreira na literatura infanto-juvenil com o livro "A Menina do Narizinho Arrebitado", publicado por sua própria editora, a Monteiro Lobato & Cia, e com o sucesso desta obra, logo surgiram outros títulos, que misturavam o real e o maravilhoso, de forma a não separa-los mais e (con) fundi-los, como os personagens do famoso e lendário "Sítio do Pica-Pau Amarelo", onde personagens reais (Narizinho, Pedrinho, Dona Benta, Tia Nastácia, etc.) interagem com personagens irreais (Emília, Visconde, Rabicó, Saci, etc.) e ambos existindo na mesma verdade, dentro do universo do faz-de-conta lobatiano, perdurando durante o tempo e fazendo que várias gerações morem no Sítio. Ando com ideias de entrar por esse caminho: livros para crianças. De escrever para marmanjos já me enjoei.

Bicho sem graça. Mas para criança um livro é todo um

mundo[...]

(LOBATO apud COELHO, 1985, p. 187)

Outras obras de Monteiro Lobato, publicadas entre 1920 e 1942: "O Saci" "Fábulas" "O Marquês de Rabicó" "A Caçada da Onça" "A Cara de Coruja" "Aventuras do Príncipe" "O Noivado do Narizinho" "O Circo de Cavalinho" "A Pena de Papagaio" "O Pó de Pirlimpimpim" "As Reinações de Narizinho" "Viagem ao Céu"" As Caçadas de

Pedrinho" "Emília no País da Gramática" " Geografia de Dona Benta" "Memórias de Emília" "O poço de Visconde" "O Pica-Pau Amarelo" "A Chave do Tamanho", entre várias adaptações de contos clássicos da literatura infantil mundial.

Após Monteiro Lobato, a literatura infantil foi contemplada, no Brasil, com a contribuição de novos autores, multiplicando- se, assim, seus valores pedagógicos, com interesse no desenvolvimento intelectual e na diversão infantil, como algumas

obras lançadas nas décadas de 80 e 90: O Menino Maluquinho, de Ziraldo; Marcelo Marmelo Martelo, de Ruth

Rocha; Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque; A Bolsa Amarela, de Lígia Bojunga Nunes; A Arca de Noé, de Vinícius de

Moraes, e muitas outras.

A prática da leitura no contexto escolar

A partir de todas essas perspectivas sobre o conceito de leitura e pensando nas diversas facetas da prática da mesma, podemos olhar para as instituições escolares e considerar seu importante papel na formação dos leitores e suas

práticas. A escola é, ainda hoje, uma das principais agências de letramento (Kleiman, 1995; Soares, 1998) e esse fato não

pode ser ignorado quando se foca a prática de leitura com crianças pequenas. Dessa forma podemos considerar as inúmeras formas de se utilizar a atividade de leitura no período escolar. Desde as séries iniciais e mesmo na educação infantil a leitura pode e deve fazer parte do cotidiano das crianças. Segundo Abramovich (1997), escutar histórias é o início da aprendizagem de ser leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descobertas e de compreensão do mundo (p.16).O contato com os livros deve-se fazer presente, portanto, desde o ingresso da criança na instituição escolar. A literatura infantil exerce uma fascinação sobre as crianças, pois elas se identificam com os diversos personagens das histórias, entram no mundo da fantasia e se imaginam dentro dos livros. Esse campo da imaginação é fértil, principalmente quando mediada por atividades de leitura oral dos livros. É durante o ato de ler e escutar histórias que a imaginação flui, e apesar de a literatura ser uma complexa atividade de lidar com palavras, exigindo capacidades crescentes de abstração, criança e literatura combinam muito bem, pois seu encontro realiza-se no âmbito da arte, do sensível, lúdico, enfim, do imaginário. É decorrente deste contato inicial, criança literatura, que a curiosidade sobre os livros, sobre a leitura possa aparecer como algo prazeroso, ou mesmo cansativo por vezes ou como uma atividade totalmente nova, e por isso, às vezes,

amedrontadora para as crianças. Nas séries iniciais do ensino fundamental as atividades de leitura se diversificam ainda mais. Principalmente pelo fato de que, durante este tempo a criança começa a dar significações ao que está lendo, pois está em pleno processo de alfabetização. O ingresso nas primeiras séries do ensino fundamental geralmente causa uma grande expectativa sobre a aquisição da língua escrita, com a alfabetização. Em decorrência de vários percalços que podem ocorrer no processo, muitas crianças têm o processo de alfabetização como algo penoso, muitas vezes até sofrido. Fraisse (1998), em seu livro Representações e Imagens da Leitura, discorre sobre isso.

Segundo o autor, “Trata-se, de fato, de suportar a passagem dolorosa do livro imaginário à banalidade objetiva do relato escrito por adultos para crianças dóceis. Ainda em seu relato, fala que essa “passagem iniciática” torna-se sofrida para muitas crianças. Isso por que, por diversas vezes, a criança é “ensinada” a ler, de uma forma considerada correta, e acaba perdendo a fantasia, o encanto com a leitura.

Sobre isso Fraisse (1989) relembra uma autobiografia e relata o caso de uma menina, Françoise, de cinco anos, que era encantada com a leitura de livros. Ela sonhava com as imagens, até que um dia

sua mãe contrata uma preceptora para ensiná-la a ler. Essa moça passa a utilizar métodos de ensino que fazem com que o desejo de aprender da menina se torne frustração. O autor ainda afirma: “A iniciação na dimensão simbólica do texto passa pela aprendizagem da cifra do código alfabético. Ela exige esforço e provoca decepção. O adulto (o método, a escola, a cultura letrada) impõe temporariamente a renúncia ao imaginário e destrói a ilusão de um acesso imediato à mensagem, às imagens, ao mundo feérico do livro” (p.33). Essa nova fase da criança pode se tornar traumática dependendo do método utilizado e também da maneira como essa aprendizagem é tratada.

A escola e a família têm, portanto, a responsabilidade de tornar este momento da criança em algo que lhe possa ser significativo ou que mostre sua importância para ela. Podendo, então, tornar-se especial e em algo que irá refletir durante toda sua vida. A revolução dos meios de produção dos livros e a nova era eletrônica também podem causar grande efeito na história dos leitores iniciantes. Segundo análise da história da leitura feita por Roger Chartier, em 1945, a revolução eletrônica transformou significativamente não apenas a produção, a transmissão e o consumo dos textos, mas principalmente a relação do leitor com os mesmos. Em seu livro “A aventura do livro do leitor ao navegador”, Chartier (1999) faz referências sobre as mudanças da relação entre o leitor e o texto lido. De acordo com o autor, a revolução provocada pela invenção do livro eletrônico é uma revolução nas estruturas do suporte material do escrito assim como nas maneiras de ler. “O texto eletrônico torna possível uma relação (entre leitor e objeto livro, texto) muito mais distanciada, não corporal. O mesmo acontece com quem escreve”(p.16).

Segundo ele, nós podemos perceber a dimensão desse distanciamento quando nos voltamos aos tempos antigos durante os quais o autor que utilizava a pena para escrever seu texto produzia uma grafia diretamente ligada a seus gestos corporais. Contudo, na nova era, a era do computador, essa ligação, essa aproximação corporal com a escrita não acontece mais, pois à medida que o autor digita, ou mesmo datilografa, seu texto, se distancia (corporalmente falando) de seu produto. Chartier (1999) afirma que esta nova posição de leitura une técnicas, posturas, possibilidades que, na longa história da transmissão dom escrito, permaneciam separadas. Goulemot (1996) também abordará sobre as posturas dos leitores em relação ao livro. Segundo ela, “somos um corpo leitor que cansa ou fica sonolento, que boceja, experimenta dores, formigamentos, sofre de câimbras. Há mesmo uma instituição do corpo que lê”(apud Chartier, 1996, p. 109). Um aspecto curioso e que se apresenta como fator de descontinuidade dentro dos conceitos tradicionais que costumamos ter a respeito da leitura, diz respeito ao próprio ato de ler, como Goulemot (1996) e Chartier (1999) citam. Antigamente, a imagem de uma leitura considerada proveitosa, ou de uma boa forma de leitura, certamente estaria ligada ao recolhimento e ao silêncio, como em um ambiente calmo e solene como o de uma biblioteca. Entretanto, ainda de acordo com a autora, “As relações com o livro, isto é, a possibilidade de constituir sentido, dá-se por meio dessas atitudes de leitor. Inversamente, o livro, tomado como gênero, dá a

posição de sua leitura”(1996, p. 109). Assim, Goulemot (1996) afirma que, dependendo do gênero do livro que se está lendo, a atitude do leitor, ou melhor, sua postura diante do livro, será diferente. O livro indica com frequência (ou incita a escolher) o lugar de sua leitura. O ambiente em que a atividade da leitura acontece também traz interferências em sua dinâmica. Por fim, a autora ainda escreve que o corpo do leitor pode ser fruto de uma livre escolha e de uma imposição, uma vez que revela atitudes-modelo, ou tipos de determinismos biológicos. Como por exemplo, quando um leitor lê um livro ao andar de skate na praça (no

caso da livre escolha) ou quando lê sentado de forma ereta na cadeira, em frente a uma escrivaninha que é

uma postura normalmente ligada a uma imposição de leitura. Fraisse(1997) apresenta as mudanças ocorridas na evolução da relação leitor objeto através da observação de imagens ao longo dos tempos. A maioria dessas imagens revela a leitura como uma prática social, que cada vez mais foi se exercitando de forma livre e tomando expressão em locais públicos. Ao mesmo tempo, tendo em vista os relatos autobiográficos, como o de Sartre, descrito no livro, a leitura aparece também como algo mais íntimo e solitário.

. O Gato de botas: Na Versão “Gato de ouro”
.
O Gato de botas:
Na Versão “Gato de ouro”
. O Gato de botas: Na Versão “Gato de ouro” Há muito tempo, um velho moedor

Há muito tempo, um velho moedor de cereais, que tinha trabalhado a vida inteira, chamou seus três filhos e distribuiu sua

herança.

Entregou o moinho ao primogênito, deu o burro para o segundo e para o terceiro, que

era o caçula, sobrou só o gato. Quando os três filhos ficaram sozinhos, o mais velho combinou viver e trabalhar junto com o segundo irmão.

Sendo assim, tinham uma combinação

perfeita, um moía e o outro revendia com o animal

Mas o irmão mais novo, que só tinha um gato, entristeceu muito, mas concordou, afinal melhor

Mas o irmão mais novo, que só tinha um gato, entristeceu muito, mas concordou, afinal melhor é obedecer que sacrificar. Mas e agora, apenas com um gato de

coleira!!! O que fazer?

Então ele pensou, eu tenho um Deus

que tudo me fortalece, não desanimar agora, não sou dono do mundo, mas sou filho do Dono.

Mas o irmão mais novo, que só tinha um gato, entristeceu muito, mas concordou, afinal melhor
Mas o irmão mais novo, que só tinha um gato, entristeceu muito, mas concordou, afinal melhor

Então, em um palácio próximo dali,

pediu emprego, afinal ele precisará cuidar do gato que era o xodó do

velho

Pai. Um

gato

muito

arteiro e

danado, que usava uma coleira com

pingente em forma de coração.

O

gato dissera ao dono: - Pra que

trabalhar, eu posso calçar uma bota e

fazer

coisas

incríveis

que

nem

imaginas, mas ele permanecia firme e dizendo ao gato que não podes fazer coisas erradas, porque Deus

não gosta.

Sempre ia trabalhando e se alfabetizando com a filha do Rei, a Princesa Luciana, que dava aulas gratuitas aos funcionários, mas o tempo que tinha ensinava boas novas ao Gato. Ensinou ao gato que não podia mentir, pois quem mente peca e pecado não é

bom. Ensinou ao gato que se quiser crescer na vida tinha que

trabalhar, estudar e confiar em Deus.

Sempre ia trabalhando e se alfabetizando com a filha do Rei, a Princesa Luciana, que dava
Sempre ia trabalhando e se alfabetizando com a filha do Rei, a Princesa Luciana, que dava

Passaram-se alguns anos, ele já tinha guardado

um dinheiro, mas o gato e nem ninguém sabia e já tinha estudado tudo o que a filha do Rei tinha para ensinar, então conversou com o gato e resolveu ir para a cidade

grande para fazer faculdade de Pedagogia. O gato então

perguntou: - E como vamos sobreviver lá? Aqui a

Princesa me trata com tanto carinho e lá na cidade grande ela não vai estar lá pra me dar carinho. Mas ele então disse ao gato que tem um tempo determinado pra tudo,

sendo assim, como ele já havia buscado de Deus, foi até o

palácio para agradecer ao Rei pelo emprego e por tudo quanto tinha feito por ele e a princesa ouviu tudo, pois estava atrás da porta e começou a chorar. Adivinha porque ela chorou? Ela estava amando aquele antigo moedor, que

agora já era quase um Professor.

Quando ele já estava com suas malas prontas, pronto pra partir, com coração apertado, pois também amava a princesa, porém não a pedia em casamento por ser pobre e sabia que o rei não aceitaria, disse ao gato: - Assim que comprarmos uma casa eu voltarei e levarei a Princesa Luciana comigo, então o Gato disse a ele: - Busque-a e leve contigo, pois apenas confie, Deus é provedor, afinal o gato já havia conhecido a verdade e se arrependido de tudo de mal que fizera, pois quem faz coisas erradas Jesus não gosta. Mas ele ainda insistia, pois queria dar conforto a quem tanto amava. Mas o gato insistiu e disse: - Vá agora e pede a em casamento que o resto Deus proverá.

Quando ele já estava com suas malas prontas, pronto pra partir, com coração apertado, pois também
Quando ele já estava com suas malas prontas, pronto pra partir, com coração apertado, pois também
Quando ele já estava com suas malas prontas, pronto pra partir, com coração apertado, pois também
Então lá foi ele... Quando estava a caminho avistou a princesa Luciana que vinha com sua

Então lá foi

ele...

Quando estava a caminho avistou a princesa Luciana que

vinha com sua carruagem com suas malas e disse a ele que muito o amava desde o primeiro dia que aparecerá para pedir emprego ao Rei, que ia embora com ele, não importava com luxo, apenas queria ser feliz ao lado de quem tanto amava. Ele ficou muito surpreso, mas como rejeitar aquele amor recíproco? Mas como casar sem o consentimento do pai dela? E como pedi-la

em casamento sendo que não podia dar o conforto que ela tinha na casa dos

País, mas o

gato...

Ah!!! O gato aprenderá tanto com o dono que já movido

pelo poder de Deus, conseguiu ler os seus pensamentos e disse ao seu dono:

Meu amigo, tire a minha coleira e abra este pingente em forma de coração.

Então lá foi ele... Quando estava a caminho avistou a princesa Luciana que vinha com sua
Então já sabe... Foi um Quando ele abriu casamento maravilhoso e todos da redondeza foram convidados.
Então já sabe... Foi um Quando ele abriu casamento maravilhoso e todos da redondeza foram convidados.
Então já sabe... Foi um Quando ele abriu casamento maravilhoso e todos da redondeza foram convidados.
Então já sabe... Foi um Quando ele abriu casamento maravilhoso e todos da redondeza foram convidados.
Então já sabe... Foi um Quando ele abriu casamento maravilhoso e todos da redondeza foram convidados.

Então já sabe...

Foi um

Quando ele abriu

casamento maravilhoso e todos da redondeza foram convidados. Enquanto ele

estudava, o belo palácio era construído. Depois de

tudo pronto

foi

criado a

Paideia no próprio

palácio.

Depois

disso

o

gato ficou conhecido como o Gato de ouro, que depois de algum tempo, no tempo de Deus,

conheceu uma gatinha e... Todos viveram felizes para sempre.

FIM.

Moral

da

História:

Não

importa

como

e

nem

quando,

apenas

faça

o

bem.

adivinha o que

tinha

dentro?

Várias e belas pérolas, qual dava

pra comprar várias

províncias,

disse

ao

Porque

mostrou

então

gato:

-

me

isso

somente agora?

Então respondeu o

Gato:

-

Caso me

matasse ou se não

me

ensinasse

o

bem, nunca tu

ficaria

sabendo

disso, mas aquele que faz o bem, recebe o bem.

Relatório Final Sistematização e Organização do Trabalho

O percurso da revisão bibliográfica explicitado neste estudo apontou o ato de recontar histórias como propiciador de habilidades discursivas pelas crianças e o educador como criador de situações estimuladoras concretas e contextualizadas para que as mesmas possam adquirir tal desenvolvimento. A

singularidade deste trabalho é abordar o papel da Literatura Infantil como agente estimulador das locuções

pela interação entre as crianças e delas com o docente que, como mediador deve explorar e valorizar a participação da criança nos momentos de fala.

Na análise de dados dos alunos pode-se perceber que as crianças expostas há mais tempo às atividades que favoreçam este tipo de desenvolvimento narrativo apresentaram um discurso verbal mais elaborado do que as crianças que estão iniciando neste processo. Aquelas argumentaram e reconstruíram a trama negociando ações, inclusive utilizando de perguntas para que os demais colegas respondessem;

estas durante a observação participativa expuseram que apesar do contato frequente com contação e leitura

pela pesquisadora necessitaram de intervenções em suas falas. Diante da dificuldade em organizar as cenas da história contada e relatá-las segundo os aspectos temporais e causais, algumas situações puderam ser notadas como: crianças que optaram em ficar caladas, seja por não querer se expressar, por temer errar na construção ou até mesmo não compreender como elaborar estratégias e recursos para tal. Ocorria também das crianças serem constantemente influenciadas pelos outros em sua apresentação. Essa relação falante-ouvinte proporcionava essa alteração e contribuía para o desenvolvimento no discurso

narrativo delas.

E de forma lúdica e diversificada ofereceu mecanismos para que os sujeitos desenvolvessem

sua linguagem oral com a ajuda do corpo docente das instituições. Isto a partir da possibilidade de aplicar a proposta do reconto de histórias respeitando o ritmo e características específicas de cada classe a fim

de alcançar uma produção mais autônoma pelas crianças.

O questionário às professoras contribuiu com informações sobre a compreensão que possuem do tema e de que forma se dá a sua aplicabilidade. Ao considerar a atuação da professora A percebe-se que relaciona os relatos, troca de ideias e opiniões com o reconto. Enquanto que, a professora B já criava condições para que as crianças reportassem as narrativas das histórias contadas por meio da interação social na sua forma oral e de representações através do desenho (um personagem ou algo que mais agradou). Esta evidenciou, portanto, a intencionalidade da elaboração e planejamento deste tipo de

atividades. Desse modo evidencio a importância da discussão do quadro teórico apresentado

anteriormente para a elaboração de uma proposta significativa para a participação ativa das crianças sobre o que viram e ouviram das histórias, procedimento, este, que possibilita as crianças refletirem sobre os conteúdos das histórias, além de ampliar seu repertório linguístico. Destaco que a utilização dessa prática pedagógica mostrou elementos importantes no processo de aprendizagem, da linguagem oral destas crianças. E pode-se concluir que o processo do conhecimento é mais importante do que seu produto, assim como o ato de contar e recontar é mais importante que após a leitura de histórias.

CONCLUSÃO

Através deste trabalho procurou-se abordar o tema-problema a partir do seguinte roteiro: um contexto cultural, historicidade da literatura infantil a nível global e local (Brasil) assim como sua aplicação em sala. Dessa forma a abrangência do trabalho a partir da leitura da bibliografia (ver

referências) ficou bastante completa para o estudo do tema.

Ficou claro através de tantos estudos a importância para o futuro dos jovens que a literatura trará em tão diversos pontos, a semente que é plantada na infância quando bem trabalhada traz lindos frutos. E claro, para a formação de um pedagogo esse tema é e sempre será de uma importância muito relevante. Acredita-se que deve-se haver continuo estudo sobre o tema já que, a literatura infantil abre as portas das crianças para o mundo que se segmenta em tantos setores.

REFERÊNCIAS

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REFERÊNCIAS ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 1991. BETTELHEIM, Bruno. A Psicanálise