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Os Lusíadas

Portentosa…magnífica…
única…
Luís Vaz de Camões

A obra e o seu escritor representam


ao mais alto nível a literatura
portuguesa e marcaram,
decididamente, a literatura universal.
Sobre o autor:

Luís Vaz de
Camões
Dados relevantes:
Nascimento datado para 1524 ou 1525, em zona incerta
do país. Filho de Simão V. de Camões e Ana de Sá.
Pressupõe-se que tenha frequentado a Universidade de
Coimbra, já que a sua vastíssima erudição revela um
estudo regular e orientado.
[…]
Viveu em Lisboa, frequentou o Paço; participou numa
expedição a Ceuta; esteve na Índia e em Macau;
estanciou 1 ano em Moçambique e regressou ao reino em
1569, onde o aguardava uma vida de pobreza, injustiça e
indiferença. 3 anos depois logra publicar o seu poema
épico, testamento poético e testemunho da sua longa
experiência e honesto estudo.
Curiosidades:
• Quando nasceu, ainda Gil Vicente animava a corte!
• Em Lisboa já estava construída a torre de Belém;
• As pedras dos monumentos já reflectiam o sentir e o pensar de Portugal;
• A Europa mergulhava em ódios e fanatismos extremos (pessimismo;
desconcerto do mundo);
• Triunfo da força das armas;
• Nos seus tempos de estudante, o Latim era a língua internacional e nela
se entendiam as pessoas cultas;
• Nos saraus da corte as “lindas mulheres” encantavam-se com os seus
dotes poéticos (vide poemas );
• Vida conflituosa que o levou a alistar-se para uma expedição militar no
Norte de África;
…continuando:
• No regresso a Lisboa, levou uma vida de sofrimento. Fazia
poemas a troco de bens.
• Esteve preso 9 meses, depois de uma rixa com Gonçalo
Borges. O mesmo escreveu, posteriormente, uma Carta de
Perdão, mas teria de ir para a Índia servir el-rei (1553). Foi a
sua experiência pessoal que o pôde levar a pôr na boca de
Vasco da Gama os sentimentos que lhe iam na alma ao
abandonar a sua Pátria. A vastidão sufocante do mar
acentuava no poeta o impulso de escrever.
• Em 1570, depois de uma vida muito atribulada no Oriente,
regressa a Lisboa com o propósito de publicar a sua obra. A
obra foi custeada por D. Manuel de Portugal. Frei Bartolomeu
Ferreira, o censor destacado pela Inquisição, mostrou-se
invulgarmente tolerante, permitindo a impressão da Epopeia
por mostrar-se nela “muito engenho e erudição nas ciências
humanas”
Sublime…
As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino , que tanto sublimaram;
Sublime…
As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino , que tanto sublimaram;
Soberbo!
As armas e os barões assinalados
Que,/ da o/ci/den/tal/ pra/ia/ Lu/si/ta/(na),
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
No/vo /Rei/no /, que /tan/to /su/bli/ma/(ram);
O Poema Épico:
Os Lusíadas como epopeia épica, representam
uma maneira sublime de tratar um tema tão
grandioso como os feitos heróicos do povo
português. Esta era, aliás, a forma mais elevada,
mais excelente, de se escrever entre os antigos.

Virgílio recitando a Eneida

Obra prima escrita por Homero na


Antiguidade
Clássica
Epopeia Lusa
• Um poema épico, ou Epopeia é um poema heróico narrativo
extenso, uma colecção de feitos, de fatos históricos, de um ou de
vários indivíduos, reais, lendários ou mitológicos. A Epopeia
estrutura-se em verso, e narra, através de uma linguagem
cuidada, os feitos grandiosos de um herói com interesse para toda
a humanidade.

• A Epopeia eterniza lendas seculares e tradições ancestrais,


preservadas ao longo dos tempos pela tradição oral ou escrita. Os
primeiros grandes modelos ocidentais de epopeia são os poemas
homéricos a Ilíada e a Odisseia, os quais têm a sua origem nas
lendas sobre a guerra de Tróia.

• A Epopeia pertence ao género épico, mas embora tenha


fundamentos históricos, não representa os acontecimentos com
fidelidade, geralmente reveste os acontecimentos relatados com
conceitos morais e actos exemplares que funcionam como
modelos de comportamento.
Uma Epopeia, escrita com rigor, deve
respeitar:
• Grandeza do assunto
• Grandeza e majestade do protagonista (herói)
• Unidade de acção
• Acção concentrada no tempo e no espaço
• Divisão em partes: Proposição / Invocação
Dedicatória / Narração
• Divisão em cantos
• Intervenção do maravilhoso
• Uso de narrações retrospectivas (analepses) e profecias
• Existência de episódios (pequenas unidades poéticas)
• Considerações do poeta
• A acção começa in media res
Características da Epopeia Camoniana:

• Unidade – todos os factos narrados estão intrinsecamente


ligados;
• Variedade – apresentada por vários episódios: bélicos;
mitológicos; líricos; naturalistas; simbólicos;
• Verdade – o assunto é quase na sua totalidade real, com
alguns momentos de verosimilhança;
• Integridade – a narrativa pode ser dividida em 3 momentos
determinantes: Introdução ( Canto I, est. 1 a 18);
Desenvolvimento (Canto I, est. 19 a Canto X, est. 144) e
Conclusão (Canto X, est, 145 e 156);
• A acção começa in media res (vide manual escolar, Canto
I, est. 19)
• Camões faz algumas intervenções na narrativa, sobretudo
no início e final dos cantos, mas são breves.
Sobre a obra:
Poema épico (1572) de inspiração clássica
(segundo a Eneida, de Virgílio) mas de manifesto
saber contemporâneo, colhido na observação. É
constituído por dez cantos compostos de décimas
em decassílabos heróicos, e vive de uma
contradição esteticamente harmonizada entre a
acção das divindades pagãs (que ajudam ou
prejudicam o progresso dos Portugueses na
viagem marítima para a Índia, tema do livro) e a
tutela do sentimento cristão e da expansão da fé,
que anima um ardor de conquista e de possessão
do mundo.
…mais:
Vasco da Gama é o herói que representa o povo português,
Vénus a sua deusa protectora e Baco o adversário temido -
mas a «lusa gente» chega à Índia, dá «novos mundos ao
mundo», e o Poeta narra este empreendimento insigne
alternando a fogosidade do entusiasmo e da crença com o
desengano do reconhecimento da mesquinhez humana,
«mísera sorte, estranha condição».

Escrito com mestria narrativa exemplar, o poema representa o


exercício em perfeição da língua portuguesa, moderna, dúctil
e rica em complexidade expressiva e em matizes líricos de
excepção
Conceitos a saber:
• Humanismo # Teocentrismo
• Renascimento
• Classicismo
• Antiguidade Clássica
• Epopeia
• Estrofes Oitavas
• Versos decassilábicos
• Acentuação heróica
• Rima cruzada e emparelhada
• Estrutura Interna # Estrutura Externa da Obra
Fontes de pesquisa:

http://pwp.netcabo.pt/0511134301/lusiadas.htm

Buescu, Maria Leonor Carvalhão, Apontamentos de Literatura


Portuguesa, Porto Editora, 1972

Nascimento, Zacarias, Chamo-me Luís de Camões, Didáctica


Editora, 2007

Abeillard, Susana, Língua Portuguesa 9ºAno, Colecção


Essenciais, Porto Editora, 2000
10 de Junho de 1580…