Você está na página 1de 10

Política Pública, Saúde Pública e

Saúde Coletiva
Nilson do Rosário Costa
DCS
Programa de Políticas
Públicas e Saúde
Mestrado da Ensp
Argumentos para uma análise desta
relação em três níveis

 Formação de Agenda de PP no SUS


 Produção de Conhecimento (Pesquisa)
 Difusão de Ciência Normal (Ensino)
Função das PP em Geral

 Provisão de bens públicos ou coletivos (uso das noções de


“público ou coletivo” nesta perspectiva é irrelevante);
 Bens públicos ou coletivos: são os bens que podem ser
utilizados por qualquer indivíduo; são os bens para os quais
não existem barreiras de acesso pela natureza intrínseca de
bem público ou pela opção pela distribuição universal feita
“pacto social” de uma nação (Swaan);
 Neste sentido: os benefícios distribuídos pelas políticas sociais
são bens públicos ou coletivos.
Agenda da Saúde Coletiva Brasileira

 Bem sucedida na formação e implementação de uma agenda de provisão de bens


públicos por meio da reforma sanitária e a construção do SUS;
 Formação de uma “comunidade política” orientada por idéias, interesses e instituições;
 Comunidade política que compartilha um conjunto de valores sobre o papel do Estado,
sobre a relação público privado, as relações federativas, nação e globalização – por
exemplo – que deram uma forte consistência a experiência setorial do SUS;
 Os interesses se expressam no crescimento do papel dos Executivos Federais, Estaduais
e Municipais no manejo de fundos públicos e organizações públicas;
 As instituições se expressam no notável crescimento e institucionalização da comunidade
política da saúde coletiva nos nichos institucionais da C & T (evidenciado por carreiras
funcionais vitalícias ou estáveis, congressos, editoras, periódicos e programas de pós-
graduação);
 Passados 20 anos de institucionalidade reformista (CF 1988): é legitimo – portanto
aceitável - o desafio de transformar a PP do SUS em também objeto da reflexão crítica da
saúde coletiva?
 É possível difundir funções de “comunidade epistêmica” para equilibrar as “paixões e os
interesses” da “comunidade política” da saúde coletiva?
Comunidade Política e Comunidade
Epistêmica

 Equilíbrio entre interesses e conhecimento;


 Comunidade epistêmica: admite-se a possibilidade de uma espaço de dialogo
entre pares - e impares - não exclusivamente fundado na fé, na crença ou na
identidade de grupo;
 Este espaço de dialogo pode ser favorecido pela busca de mais evidência e
método e menos argumentos de reiteração de crenças cognitivas;
 Um desafio, portanto, para a análise da PP do SUS é a ampliação dos
formatos e opções de verificação e refutação da produção científica na área;
 O grande desafio para a área de estudo de PP na saúde: transformar o SUS
em objeto e não somente a agenda do setor (que tem criado um certo vazio de
reflexão nos Congressos da Abrasco a despeito da alta participação);
 Distanciamento; separação; análise crítica; “desencantamento com o mundo” –
possibilidade de recriação de novas esperanças para a ação política orientada
para os interesses coletivos.
Distanciamento ou Ruptura na Relação de
Conforto com o Executivo?

 O ambiente da Democracia Partidária Competitiva – e as


tradições culturais da ação política patrimonial e clientelista das
elites brasileiras – parecem exigir tal insulamento da
“comunidade epistêmica” da saúde coletiva em relação ao
poder Executivo na saúde.
 Minimização das funções de comunidade política pode
significar um maior esforço de monitoramento, avaliação,
formulação de alternativas e articulação com a sociedade civil
e estruturas cívicas;
 O sistema político partidário e os Executivos na federação
(gestores) perderam a capacidade de promover e sustentar
inovações – como observado no período da transição
democrática;
Déficit de Monitoramento e Avaliação

 Federalismo: descentralização do SUS, os Municípios e o Sistema Partidário: a


hipótese da dinâmica exógena para as decisões no SUS;
 Federalismo e o Papel do MS (vigilância epidemiológica e controle de
endemias; epidemia de dengue)
 Modelo do PSF: sustentabilidade e efetividade;
 Hospitais Públicos e Privados: qualidade e responsabilidade (governança
corporativa);
 Regulação e Dinamismo das Empresas de Plano de Saúde: hegemonia
privada a longo prazo;
 Produção Pública de Medicamentos e Insumos Estratégicos: eficiência e
sustentabilidade na inovação das empresas públicas e semi-públicas;
desenvolvimentismos, proteção do mercado interno e complexo econômico da
saúde.
Desafio do Conhecimento?

 Saúde Coletiva: ciências humanas sem fronteiras


(“ciências da saúde”) ou ciência social aplicada?
 Dilema que precisa ser desafiado para superar a
confusão as competências essenciais da “ciência
normal coletiva” buscados nos diversos níveis de
formação (graduação e pós-graduação); exemplo de
vulnerabilidade: Tratado de Saúde Coletiva (Hucitec
& Abrasco, 2006) para a graduação
Competências Essenciais
Diferenciadas no Campo

 Epidemiologia = alta padronização oferecida pela difusão de modelo


bem sucedido internacionalmente;
 Boas competências com métodos e desenhos de pesquisa;
 Boa difusão e aceitação de métodos quantitativos;
 Tendência a autonomização pela força das competências básicas;
 Porém excessiva modelagem “fordista” na formação: baixa
capacitação, por exemplo, em economia, finanças e políticas públicas
- em contexto pós-fordista;
 A PP do SUS em algumas áreas anda à frente desta fragmentação:
pacto de indicadores da atenção básica; o contrato de gestão de
hospitais públicos ou governança da vigilância da saúde, por
exemplo, que exigem competências múltiplas para a análise das
situações concretas.
Competências Estratégias de uma Ciência Social Aplicada
para PP & Saúde no Mestrado e Doutorado?

Competências Adicionais ao Modelo Existente:


1. Método e desenho de pesquisa (qualitativa e quantitativa);
2. Análises quantitativas e capacidade de manejo de grandes
bancos de dados;
3. Teoria do desenvolvimento econômico;
4. Economia,gestão (planejamento) e direito público;
5. Teoria social e política contemporânea;
6. Sistemas de proteção social.