Você está na página 1de 11

MINHA ADORADA NOIVA:

Ontem, depois de lhe escrever, tornei a ler a sua carta - e


não fiquei um pouco surpreendido ao verificar que ela não
continha a single little loving word. Reli-a novamente. Sacudi o
papel pensando que the little word teria ficado emaranhada
nas linhas entrecruzadas; rebusquei sobre a mesa, que ela
não se tivesse extraviado entre os papéis; procurei pelo
tapete; olhei o tecto que, ao abrir o envelope, ela não tivesse
voado e pousado no estuque; esquadrinhei os cantos do sofá
voltei para fora o bolso do peito, não a tivesse eu
distraidamente guardado no coração - Alas! The poor little
loving word was not to be found! (...) Estou esperando outra
carta sua, possa ela chegar e trazer-me the little loving word.
My little word é sempre a mesma - que a amo e que, quanto
mais penso neste amor, mais o sinto a sério e grande. Il
mérite un peu de retour. Não que isso seja necessário para
que ele viva, e mesmo para que cresça — mas enfim, como
recompensa de ser verdadeiro, num mundo e num tempo em
que quase tudo é postiço. São sempre difíceis de acabar as
minhas cartas - porque não ouso escrever os finais como os
sinto. (..). E depois a sua proud reserve assusta-me um pouco.
E assim só digo que te adoro, meu querido amor.
que me possui.

A razão principal é o meu


amor e o facto de não me habituar a
estarmos tão longe um do outro.
Acontece então que passo
acordado a maior parte da noite,
pensando em ti; e de dia, quando
chega a hora em que te visitava, os
meus passos levam-me, verdade seja
dita, ao teu quarto, mas não te
encontrando aí, regresso de coração
triste e desconsolado, qual amante
rejeitado. Pensa tu o que tem sido a
minha vida, quando só encontro o
meu repouso na labuta, e o meu
consolo no infortúnio e na angústia.
Adeus.

Deplínio, O novo (61d.C-112 d.C)


Para Calpurnia, sua mulher
QUERIDA MULHERZINHA: tenho vários pedidos
a fazer. Peço-te que: não estejas triste; olhes pela
saúde e tenhas cuidado com as aragens
primaveris; não saias sozinha - de preferência não
saias de todo; tenhas a certeza absoluta do meu
amor. Até agora não te escrevi uma única carta
sem ter diante de mim o teu querido retrato; peço-
te para que a tua conduta seja cautelosa, não só
para a tua honra e a minha, mas pelas aparências.
Não te zangues por te pedir isto. Devias amar-me
ainda mais por dar valor à tua honra, e, por
último, peço-te que me envies mais pormenores
nas tuas cartas. Gostaria muito de saber se o
nosso cunhado Hofer nos visitou no dia da minha
partida? Se os Langes aparecem de vez em
quando? Se o retrato está adiantado? Que coisas
tens feito? Tenho uma curiosidade natural por
todas estas coisas.
Minha Querida e amada Emma:
o sinal foi dado que a frota inimiga saiu
do porto. Há pouco vento, por isso não os
espero antes de amanhã. Possa o deus das
batalhas coroar os meus esforços como êxito!
Em todo o caso, tudo farei para que o meu
nome seja sempre o mais querido para ti e
Horatia [filha de ambos], a quem eu amo tanto
como a minha própria vida; e como a minha
última carta antes da batalha é para ti, espero
em Deus que viva para a terminar depois dela.
Possa o céu guardar-te, reza o teu Nelson e
Bronte.
Bom dia! Todavia, na cama se multiplicam os
meus pensamentos em ti, minha amada imortal; tão
alegres como tristes, esperando ver se o destino quer
ouvir-nos. (…) Quero ir bem longe até que possa voar
para os teus braços e sentir-me num lugar que seja só
nosso, podendo enviar a minha alma ao reino dos
espíritos envolta contigo. (…)Oh, Deus! Por que viver
separados, quando se ama assim? (…)
Hoje e sempre, quanta ansiedade e quantas lágrimas
pensando em ti… em ti… em ti, minha vida… meu
tudo! Adeus… queiras-me sempre! Não duvides jamais
do fiel coração de teu enamorado Ludwig.
Eternamente teu, eternamente minha, eternamente
nossos.

Ludwig van
Beethoven
(Compositor Erudito Alemão, 1770—1827)
Cleópatra, não sei escrever cartas
Nunca escrevi nenhuma carta de amor o
que não significa que
não tenha amado.
Se alguma vez amei a sério . Não sei. O que é amar a
sério?
Mas se o tivesse feito teria escrito uma carta como esta por
exemplo
que aqui lhe deixo para juntar às restantes que aqui tem,
qual delas a melhor, a mais sentida, a mais vivida. Pobre
de mim que não lhe sei deixar uma da minha autoria. (…)
“Não passo um dia sem te desejar, nem uma noite sem te
apertar, nos meus braços; não tomo uma chávena de chá
sem amaldiçoar a glória e a ambição que me mantêm
afastado da vida da minha vida. No meio das mais sérias
tarefas, enquanto percorro o campo à frente das tropas, só
a minha adorada Josefina me ocupa o espírito e coração,
absorvendo-o por completo o pensamento. Se me afasto de
ti com a rapidez da torrente de Ródano, é para tornar a
ver-te o mais cedo possível. Se me levanto a meio da noite
para trabalhar, é no intuito de abreviar a tua vinda, minha
amada. (…) Enfada-me não te chamar pelo teu nome, mas
Minha querida kitty:
Cheguei são e salvo, excepto pelo vazio do meu
coração, que tu provocaste, como uma querida e
encantadora desmazelada que és. E agora, minha
querida, querida rapariga! Deixa-me assegurar-te da
mais verdadeira amizade por ti, que alguma vez um
homem teve por uma mulher. Agradeço-te a amável
prova que me deste do teu amor, e do teu desejo de
amaciar o meu coração, negando-te a quem sabes,
enquanto me sinto tão triste por estar separado da
minha querida, querida Kitty (...). Tenho tanta fé e
confiança em ti como se estivesse à tua ilharga –
pudesse, por Deus, ser neste momento! Mas estou
sentado sozinho e solitário no meu quarto (dez da
noite, depois do teatro) e daria um guinéu por uma
carícia da tua mão. Envio a minha alma
constantemente para ver como estás — pudesse
também enviar o meu corpo. Adieu! Querida e gentil
rapariga, e crê-me sempre como teu amável amigo, e o
OH COMO GOSTARIA DE PASSAR
METADE DO DIA ajoelhado aos teus pés, com a
cabeça no teu regaço, sonhando belos sonhos,
contando-te os meus pensamentos com langor,
em enlevo, por vezes em silêncio, mas beijando o
teu robe!... Ó minha bem amada Eva, dia dos
meus dias, luz das minhas noites, minha
esperança, minha adorada, minha inteiramente
amada, minha única querida, quando te verei? É
tudo uma ilusão? Ter-te-ei visto? Oh deuses!
Como amo a tua pronúncia, ligeiramente
carregada (…) Ah! Respirar no teu cabelo, pegar
na tua mão, apertar-te nos meus braços - é destas
coisas que retiro a minha coragem! (…) Um beijo,
meu anjo da terra, um beijo saboreado
lentamente, e boa noite!

Honoré de Balzac (1799-1850)


para a condessa Ewelina Hanska,
Minha amiga.
É verdade que eu parto, e para uma viagem muito longa e
remota, que será como um desaparecimento. E é verdade
ainda que a empreendo assim bruscamente, não por
curiosidade de um espírito que já não tem curiosidades – mas
para findar do modo mais condigno e mais belo uma ligação,
que, como a nossa, não deveria nunca ser maculada por uma
agonia tormentosa e lenta. (…) Para perpétuo orgulho do
nosso coração é necessário que desse amor, que tem de
perecer como tudo o que vive, mesmo o Sol – nos fique uma
memória tão límpida e perfeita que ela só por si nos possa dar,
durante o porvir melancólico, um pouco dessa felicidade e
encanto que o próprio amor nos deu quando era em nós uma
sublime realidade governando o nosso ser. (…) O nosso amor,
minha amiga, será assim como uma flor milagrosa que
cresceu, desabrochou, deu todo o seu aroma – e, nunca
cortada, nem sacudida dos ventos ou das chuvas, nem de leve
emurchecida, fica na sua haste solitária, encantando ainda
com as suas cores os nossos olhos quando para ela de longe
se volvem, e para sempre, através da idade, e perfumando a
nossa vida. (…) Adeus, minha amiga. Pela felicidade
incomparável que me deu – seja perpetuamente bendita.
(...) O amor é tão monótono, querida.
Porque ele é o cimo sensível de uma
imensidade de coisas que se esqueceram.
Como falar desse mínimo que é o vértice de
todo um mundo que o sustenta? Falar de nada,
que é o todo nele? Sandra. Podia dizer o teu
nome infinitamente na multiplicação do que
nele me ressoa. E é assim o que mais me
apetece, dizê-lo dizê-lo. E ouvir nele o
maravilhoso que me abala todo o ser. (…)Dizer
o meu enlevo e a razão de ele me existir. As
tuas mãos nas minhas. O incrível miraculoso de
eu dizer o teu rosto. O ardor de um meu dedo
na tua pele. Na tua boca. O terrível dos meus
dedos nos teus cabelos. O prazer horrível até à
morte da minha entrada no teu corpo.
Nunca esperei carta tua com tanta
ansiedade como a que experimento desde
ontem: nunca vi aproximarem-se as horas de a
receber com tanto sobressalto e agitação como
agora.
O que me dirás?
Escreves-me talvez neste momento em que eu
ainda sem ter recebido a tua carta, principio a
escrever-te a que deve ser a resposta! (…)
Deus, na sua bondade infinita permitiu que eu
tivesse com antecipação o pressentimento da
impressão que ia receber, como se quisesse -
por um excesso d’amor - preparar-me para ela.
E do meu coração que se ergue até ao Seu
trono um louvor infinito pela força que me dá, e
que parte para ti, um agradecimento imenso e
profundo pela delicadeza com que procuras
fazer-me ver a verdade. (…) e por isso o
sentimento que te dou, a ninguém o dei, e de