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Universidade Técnica de Lisboa

INSTITUTO SUPERIOR DE ECONOMIA E GESTÃO

PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO DO TRANSPORTE MARÍTIMO E


GESTÃO PORTUÁRIA
2009

DISCIPLINA
DE

MARKETING PORTUÁRIO

84
Share of Containerized Cargo in Global Trade, 1980-2000

Inventado em 1937, pelo americano Malcom Mc Lean, chegou a Roterdão em 1966.


Unitização, cheios e vazios, frigoríficos, bulkcontainers
Tendência de Evolução da frota mundial de
porta-contentores

Prof. Shoo Ma, ISEG


Conclusões – Boas Notícias

Depois da Crise,

Prevê-se que o actual ritmo de crescimento do transporte marítimo e do


movimento nos portos se mantenha ou aumente devido a:

• Globalização crescente;
• Aumento da importância das multinacionais;
• Aumento da cadeia de componentes, matérias-primas e de distribuição e
logistica;
• Aumento da procura quer nos PD, quer principalmente nos PVD.

O transporte marítimo é importante e vai continuar a ser –


é utilizado em cerca de 30% do comércio internacional intracomunitário e em
cerca de 70% do comércio extracomunitário ( Klinger)
Conclusões – Boas Notícias

Na EU,

O incremento da importância do tráfego marítimo de curta distância


está a ser incentivado como resposta ao crescimento do transporte
rodoviário na Europa, forte poluidor e motivo de congestionamento
crescente.

As cargas de maior valor são o segmento em maior desenvolvimento e


implicam meios de transporte maiores e mais modernos.
1.7 Necessidade de Portos Modernos

O aumento do transporte marítimo de cargas com grande valor implica


a existência de modernos portos com:

• capacidade para receber navios maiores e modernos;


• equipamentos eficientes e adequados;
• vastas áreas de terrapleno;
• capacidades logísticas e intermodais;
• facilidade de despacho;
• ligações terrestres rápidas;
• que funcionem como "centros de negócios";
Os portos do futuro serão "agentes multiplicadores da actividade
económica nacional e local",

servindo como o "pólos privilegiados de desenvolvimento


e importantes nós de comunicação interna e externa, de primeira
importância para os tráfegos regionais, nacionais e internacionais"

(Carvalho).
Avaliação de Benefícios de
Projectos de Transportes
• Perspectiva do Investidor
 Investimento
 Custos de Operação e Manutenção
 Previsão de Vendas, Movimento
 Receitas
 Cash-Flow e Valor Actualizado Líquido VAL Somatório dos Cash-Flows / (1+r)n

• Perspectiva do Banco
 Taxa de Juro
 Risco zero
 Garantias (bens, concessões, receitas)
• Perspectiva do Estado
 Benefícios e custos económicos (B/C)
 Externalidades negativas e Positivas
 VALE – Valor Actualizado Líquido Económico Somatório dos ( B-C) / (1+r)n
Ficha de Trabalho

1. Porque é maior o crescimento do Comércio Internacional (CI) que


do PIB ?
2. O Sector tem razão para estar optimista ? Porquê?
3. Qual o papel da globalização e multinacionais?
4. Porque cresce mais o CI em valor que em volume?
5. Porque cresce mais o transporte marítimo em volume que o CI em
volume?
6. Porque tem crescido tanto a carga contentorizada?
7. Qual a tendência nos navios de contentores?
8. Que devem possuir os portos modernos para não ficaram para
trás?
• 2. Intermodalidade e Portos Modernos

• Intermolidade- associação compatível dos modos de transporte a


processos inovadores, constituindo o sistema logístico, eficiente e eficaz,
capaz de alcançar os objectivos, com o menor uso possível de recursos.

Que implica:
• movimento de mercadorias com a utilização de mais do que um modo de
transporte;
• com mínimas rupturas da unidade de carga;
• com um responsável definido;
• com um sistema de informações completo
• ligação a serviços logísticos de elevado valor acrescentado
Especificidades dum sistema intermodal:

• equipamento de transporte;
• organização e controlo do processo administrativo e legal;
• sistema logístico, manuseamento e gestão física da mercadoria;
• plataformas intermodais;
• interfaces modais;
• infraestruturas e equipamentos de transferência modal;
• sistemas de informação;
• unidade de carga;
Principais Sistemas Intermodais:

• Rodo-Ferroviário;
• Rodo-Marítimo;
• Rodo-Ferro-Marítimo.

Papel do modo rodoviário:


• habitualmente é o primeiro e o último a ser utilizado (distribuição e recolha
capilar);
• permite o porta a porta, per si;
• "amigo" do cliente;
• flexível;
• fiável;
• por vezes, possui o preço mais baixo;
• exige menores investimentos relativos
• é incluído em todos os sistemas intermodais.
Ter em conta nas Plataformas Intermodais:

• Infra-estruturas suficientes com as diversas zonas de actividade;


• equipamentos adequados;
• o tipo e valor da carga;
• a disponibilidade de operações logísticas na segunda linha;
• o modelo de operação e organização eficiente;
• a dimensão adequada;
• as zonas de interface;
• equipamentos de transporte interno;
• a velocidade e fiabilidade nas operações;
• o espaço disponível para expansão rápida;
• os sistemas de informação modernos e compatíveis;
A intermodalidade muda algumas coisas na actividade de
transporte:

• capital intensiva;
• nova filosofia de negócio;
• Implica a lógica de sistema e de integração;
• aposta num melhor binómio preço e qualidade;
• Implica a globalização e abrangência dos diferentes modos de
transporte;
• importa o domínio dos interfaces, portos e plataformas intermodais;
• sistemas de legais e de informações devem ser integrados;
• novas aptidões humanas são necessárias.
Transportation Modes
Road Rail Air Maritime
• Local • Internatio • Global • Global
nal

• Speed • Capacity • Speed • Capacity

• Price • Price • Value • Price


Performance Comparison for Selected Freight Modes
Vehicle Capacity
1500 Tons Truck Equivalency
52,500 57.7
Bushels (865.4 for 15 barges in
Barge tow)
453,600
100 Tons
Gallons
3,500
Hopper Bushels 3.8
10,000
30,240 Tons
car
350,000
Gallons
Bushels 384.6
100 car train 3,024,000
26 Tons; 910
unit Gallons
Bushels
7,865 Gallons 1
Semi-trailer 9,000 for a tanker
truck truck
5,000
2,116
Post-panamax TEU
containership
300,000 tons
2 million barrels of 9,330
VLCC oil

124 tons 5
747-
400F
Ficha de Trabalho

• Qual o papel da rodovia?


• Quais as vantagens da rodovia e do rodo-marítimo?
• Como devem ser as plataforma intermodais?
• O que muda com a intermodalidade?
• Quais as especificidades do sistema intermodal?
• O que é a intermodalidade?

• Debater em grupo 15 m e responder na aula.


Different Components of Transport Time
Tim Transport Time Timing
e
Tempo
Pontualidade
Sincronização
Frequência
Janelas de
Serviço
Velocidade
Consumo
Horários
Dias de Saída e de Distanc
Chegada e
Espera
Tempo de Serviço Punctuality Frequency
Tempo em Porto
3. Os Portos de Portugal
3.1 Posição face à Europa:

• extremo ocidental do continente europeu;

• periférico em relação aos centros de decisão política e empresarial;

• periférico em relação ao eixo industrial e populacional da Europa;

• periférico em relação aos grande portos europeus intercontinentais;

• Possui portos com um hinterland de carácter regional e nacional;

• As empresas portuguesas têm um custo acrescido na colocação


dos seus produtos (mais uma grande viagem feeder ou longas
jornadas por rodovia ou ferrovia);

Assim, a importância do transporte marítimo no comércio externo


é elevada, embora decrescente a favor da rodovia.
3.2 Posição face aos mercados americano, asiático, europeu e
africano:

• posição central, no cruzamento dos grandes eixos de transporte


marítimo intercontinentais;

• Posição intermédia na rota marítima de ligação entre a Europa


Norte e Sul;

• Potencialidade para a realização de operações de transbordo e


plataforma giratória;
No entanto, Portugal ainda não tirou partido desta posição
estratégica:

• razões políticas;
• infraestruturas;
• comerciais;
• dimensão de mercado;
• ambientais;
• organização;
• capacidade empresarial;
Nas Ligações Intercontinentais

Muitas cargas Portuguesas utilizam os grandes portos do Norte


(Roterdão, Antuérpia, Bremen) ou do Sul (Marselha, Barcelona).

Que fazer?
• Alargar o hinterland até Madrid?
• Investir em novas e modernas infra-estruturas e cooperar com
parceiros de nível mundial – Lisboa ou Setúbal?
• Desenvolver mais uma plataforma intercontinental - Objectivo do
terminal XXI de Sines?
• Melhorar os terminais existentes em Lisboa, Leixões e Setúbal?
Acompanhando os portos Espanhóis.
• Deixar as Cidades tomarem os Portos?
3.3 É Necessária uma Visão Estratégica para Portugal

As opções de política nos transportes, em especial no transporte


marítimo, têm consequências estruturantes de grande alcance no
sector dos transportes e na economia.

• Porque facilitam ou dificultam a competitividade das empresas e


indústrias;
• Porque envolvem grandes investimentos de longo prazo de
recuperação;
• Podem ter efeitos internacionais;
• Podem afectar todo o País e as populações.
Como deverá Portugal integrar os sub-sistemas de transportes
num sistema intermodal?

• tendo em conta o seu modelo de desenvolvimento industrial?


• tendo em conta as infraestruturas portuárias e terrestres
existentes ?
• tendo em conta a posição geo-estratégica em relação à Europa e
ao resto do mundo ?
• tendo em conta o crescimento dos grandes fluxos marítimos
mundiais que passam junto à costa nacional?
• apostar tudo no porto de transbordo de Sines ?
Conclusão:

• É necessário definir uma estratégia integrada de desenvolvimento


para os diferentes modos de transporte e para os portos
portugueses, reavaliando as respectivas vocações e apostando
mais no marítimo. Já Existe?

• O novo Plano Estratégico de Transportes (PET) não integra os


modos de forma adequada. Como deveria ser em termos de
marketing?
3.4 Que fazer em Portugal?

É necessário realizar elevados investimentos, como Espanha fez?


• nos portos, tendo e conta as vocações, acessos, dimensão, áreas
de expansão, custos e adequação às características modernas;
• nas infraestruturas de gestão, nos sistemas de informação,
controlo, regulação, coordenação;
• na identidade e imagem do sistema portuário e na aplicação duma
nova filosofia de marketing;
• No “combate” comercial em Espanha;
• na formação e qualificação profissional marítimo-portuária e
cooperação com as universidades e entre portos.
• na cooperação científica e comercial entre:
o transportadores e portos;
o operadores de serviços integrados;
o transportadores de diferentes modos;
o portos e plataformas logísticas;
o diferentes portos;
o portos e universidades;
o comunidades portuárias
o entidades regionais.
Ficha de Trabalho

• Que fazer para desenvolver os portos


portugueses em termos de produto, de preço e
de comunicação?
4. Sistema de Transportes

Transporte - meio de locomoção para a deslocação de


cargas/mercadorias ou pessoas

4.1 Características do Sector dos Transportes (e logística):

• Importante sector económico;


• A outra face da economia;
• Tendência para uma crescente exigência de rapidez e serviços
complementares de elevado valor acrescentado.
O que diferencia os modos de transporte?

• especificidade e adequação a diferentes meios físicos - mar, ar,


terra;
• adequação a maior ou menor quantidade de cargas;
• adequação tecnológica a certos tipos de cargas;
• adequação económica a certos tipos de cargas ou distâncias;
Transportation Modes
Road Rail Air Maritime
• Local • Internatio • Global • Global
nal

• Speed • Capacity • Speed • Capacity

• Price • Price • Value • Price


4.2 Questões que se colocam sobre a fraca ligação entre modos?
• infraestruturas de cada modo deverão ser construídas sem ter em
conta a interligação e complementaridade no sistema de
transportes?
• Será que um novo investimento como um novo aeroporto, um novo
terminal portuário ou uma nova linha, não deverá ser avaliado no
quadro de um sistema em rede?
• Não deverão estes investimentos ter em conta também os centros
de concentração industrial e populacional ou de consumo, como é o
caso de Alcântara? Ou não, como é o caso Sines?
A política de transportes não deverá ser entendida na perspectiva mais
ampla do desenvolvimento económico e empresarial do país?
4.3 Principais factores de competitividade dos transportes:
(os sistemas comportam-se como seres vivos)

• a velocidade - uma resposta em tempo útil às necessidades do


mercado;

• o sistema - estruturar processos em rede e garantir sincronia e


controlo;

• Eficiência - racionalizar recursos e custos e garantir alternativas.


Quem influencia o Sistema de Transportes ?
Principais funções do transporte (em termos macrologísticos):

• Integração da actividade económica;

• Proporcionar condições de fluidez dos bens para o mercado;

• Proporcionar fluidez dos factores de produção (mão-de-obra e


equipamentos) e matérias primas para as empresas;

• Proporcionar a troca de componentes entre empresas;

• Garantir a operacionalidade, velocidade, acondicionamento,


interligação e controlo de cargas e passageiros.
4.5 Como se pode avaliar um sistema de transportes:
(Os sistemas de transportes são avaliados pelos utilizadores antes
de serem escolhidos)
• Eficiência e eficácia, especialização;
• Modos incluídos;
• grau de integração e controlo e cultura/normas do sistema;
• modelo de regeneração e reestruturação;
• dimensão;
• Infra-estruturas e interface entre modos;
• serviços complementares de elevado valor acrescentado;
• interligação às a outras redes;
Sistemas Concorrentes
ópticas de avaliação económica dos sistema de transporte:

• Nível Macroeconómico - orientações políticas gerais, europeias,


apoios estruturais, influências externa, países e indústrias servidas;

• Nível do Sector de Actividade - os transportes – regulação do


sector e das orientações políticas de transportes e para cada modo;

• Nível da Unidade Empresarial - organização de cada sistema, de


cada empresa, implantação no mercado, capacidade para competir,
estratégia de marketing empresarial.
Network Structures

Centralized Decentralized Distributed


Network Strategies to Service a Set of Locations

A B C

D E F
Logistic Distance

10 km 30
minutes
Evolution of Logistical Integration, 1960-2000
Pedidos ao segundo
Demand Produção no transporte, nos portos
Forecasting 1980
Plataformas logísticas
Purchasing s Pequenas entregas
Requirements Materials Puxado pela procura
Planning Management
Production Planning
1990
Manufacturing
s
Inventory 2000
Warehousing s
Supply Chain
Materials Handling Logistics
Management
Packaging
Inventory
Distribution
Planning Information
Physical
Order Processing Distribution Technology
Transportation Marketing

Customer Service Strategic Planning


Redes Complexas
Localizações complexas
Vários modos
Redes dinâmicas
Regras e sistemas comuns SI
Valor acrescentado na rede
Changes in the Relative Importance of Logistical Functions in Distribution Systems