Você está na página 1de 25

INTRODUÇÃO AO ANTIGO

TESTAMENTO
SEMESTRE 2010-I

Carga horária: 30 hr (22-


26 fev)
1º. ano de
teologia
Aula 2

Prof. Alberto Lázaro


Angulo Msc
Seminário Provincial Sagrado Coração de 1
Jesus Diamantina
BIBLIA ...REVELAÇÃO DE DEUS?

Doutrina da inspiração
verbal
Doutrina
escolástica
Inspiração divina literal da
sagrada escritura
Deus ditou aos escritores
bíblicos por intermédio do
Espírito Santo
Os autores escrivães,
instrumentos, médios
Limites
Não se possue o texto original, o que se tem
foi fixado no judaísmo primitivo 100 a.C
Não esta isento de erros: acréscimos e
glosas, erros por acréscimos de vogais e
consoantes, vocalização do texto
consonantal.
2
BIBLIA ...REVELAÇÃO DE DEUS?

Doutrina da inspiração do
hagiógrafo
Inspirado em
Spinoza
A Bíblia deixa de ser uma auto-
revelação de Deus, e passa a ser um
testemunho da revelação

Limites
Não se pode aplicar a todos os livros

Os livros de Jó, Salmos e Ester estão isentos

3
BIBLIA ...REVELAÇÃO DE DEUS?
Verbum Dei -III
Documento dogmático do Concilio
Vaticano II
O conteúdo da Biblia é considerado
sagrado
É Deus quem se revela, é o E.S o
inspirador do hagiógrafo. Revelação
plena em Cristo. Concepção trinitaria.
Deus é o autor, sua revelação é
confiada à Igreja
Deus agiu nos hagiógrafos e por eles, a
través de suas capacidades e
faculdades para que escrevessem
como verdadeiros autores.
Deus falou por meio dos homens e à
maneira humana.
Para compreender ao autor no mesmo
espírito com que escreveu, se deve ter
em conta os gêneros literários, tempo
e contexto do autor sagrado. 4
EL CANON DA BIBLIA HEBRAICA/ ANTIGO
TESTAMENTO
JUDAISM CRISTIANISM
O
Biblia O *
Antigo
Hebraica: Testamento
Tanak
Tora Protesta Católico Ortodoxos
nte Romano Este
Genesi Genesi Genesi Genesi
s s s s
Êxodo Êxodo Êxodo Êxodo

Levítico Levítico Levítico Levítico

Número Número Número Número


s s s s
Deuteronômi Deuteronômi Deuteronômi Deuteronômi
o o o o
* Se organiza seguindo a historia da salvação 5
que culmina em Jesus
EL CANON DA BIBLIA HEBRAICA/ ANTIGO
TESTAMENTO CRISTIANIS
JUDAISM
O
Biblia
MO
Antigo
Testamento
Livros
Hebraica:
Tanak
Protesta históricos
Católico Ortodoxos
Profet
as nte
Josué Romano
Josué 1-2 Este
Josué 1- 3
Profetas Juízes Macabeus Juízes Macabeus
antigos Juízes
Rute Rute
Josué Rute 1-2 1-2
1-2 Samuel
1-2 Samuel
1-2
Juízes Reis
1-2 Reis
1-2
Samuel
1-2 Crônicas Crônicas
Esdras 1-2
1-2 Reis
1-2 Neemia Esdras
Neemia
Samuel
Crônicas
Esdras s sEster
1-2 Reis Ester
Neemia
Tobias Tobias
sEster 6
Judite Judite
EL CANON DA BIBLIA HEBRAICA/ ANTIGO
TESTAMENTO
JUDAISM
O
Biblia
Hebraica:
Tanak Amós
Profet Abdias
as
Profetas Jonas
posteriores Miquéia
Isaías
Jeremia s
Naum
s
Ezequiel Habacu
c
1-2 Reis Sofonia
s
Ageu
Os doze
Zacaria
Oséias s
Malaqui
Joel as 7
EL CANON DA BIBLIA HEBRAICA/ ANTIGO
TESTAMENTO
JUDAISM CRISTIANIS
O
Biblia MO
Antigo
Hebraica: Testamento
Tanak Livros
Protesta poéticos
Católico Ortodoxos
Escritos

(Ketuvim) nte
Jó Romano
Jó Este

Salmos
Salmos Salmos Salmos
Provérbio
s
5 Provérbio Salmo 151
Provérbio
rolos
Cântico dos s
Cântico dos s Oração de
Cântico dos
cânticos
Eclesiaste cânticos Manases
Provérbio
Eclesiaste cânticos
s
Rute Eclesiaste s
s Cântico dos
Lamentaçõ s
Sabedoria cânticos
es
Ester Eclesiaste
Eclesiástic s
Daniel Sabedoria
o
Esdras-
Eclesiástic 8
Neemias
1-2 Crônicas
EL CANON DA BIBLIA HEBRAICA/ ANTIGO
JUDAISM
TESTAMENTO CRISTIANIS
O Antigo
MO
Biblia
Testamento
Livros
Hebraica:
Tanak Protesta Católico
proféticos Ortodoxos
Isaia
5 nteIsaías
Jeremia
Isaia
Romano
Jeremi s Este
Jeremi
rolos dos
Cântico s Lamentaçõ
Lamentaçõ
s Lamentaçõ
as as
cânticos
Rute Ezequiel Baruch Baruch
es Carta de
es es Ezequiel
Daniel Ezequiel
Lamentaçõ
Oséias Daniel + Daniel + Jeremias
es
Eclesiaste Joel Oséias Oséias
ad
ad Joel
s
Ester Amo Joel
Abdia Amo Amo
s Abdia
Daniel Jona
s s
Abdia s
Esdras- Miquéi
s Jona Jona
s
Naum s Miquéi
Neemias
1-2 Crônicas as Miquéi
s s
Habac Naum Naum
as
Sofoni as Habac
uc Habac
Age
as Sofoni Sofoni
uc
Zacari uc Age
u Age
as as 4
as
Malaqui Zacari Zacari
u
u Macabeus
9
as as
Malaqui as
Malaquia
Festa dos ázimos (Ex 23, 15; 34,18) =
origem Cananéia
Páscoa e cabana (Dt 16, 1-8; Lv 23,43)
= festa nômade de pastores

Livros proféticos re interpretados e


aumentados, ex
Is 32,9ss (promessas escatológicas)

Processo governado não


ao azar ...
... mais por regras
hermenêuticas
talmúdi haláqui
ca ca

PROCESO DE
INTERPRETAÇÃO
Seminario Provincial Sagrado
10
Coração de Jesus-Diamantina
Toda interpretação tem
intenção
Judaísmo Cristianis
tardio mo
Existe conexão entre a expectativa
messiânica veterotestamentaria e
Jesus o Cristo?

Tora Crist
o
O messias
esperado
Mencionado pelos profetas
nas promessas messiânicas

As promessas mesiânicas
(soberania de YHWH na terra e
salvação) do exílio e pós-exílio
tinham concepções diferentes:
Is 9,1-6; 16,5; Jr 23, 5-6;
33,15ss; Ez 17,22-24; Mq 5,1-
3; Ag
Seminario Provincial 2,20-23; Zc 9,9-10
Sagrado
11
Coração de Jesus-Diamantina
Toda interpretação tem
intenção
Judaísmo Cristianis
tardio mo

Tora Crist
o
No A.T (antigo respeito à visão
cristã) contém 12 promessas
messiânicas.
Logo o tema messiânico não é o
núcleo da profecia escatológica
veterotestamentaria
No pós-exílico a salvação eterna
como soberania de Deus = novo
reino israelita
Existe conexão entre a expectativa YHWH soberano verdadeiro, o
messiânica veterotestamentaria e Jesus o messias regente e vicário na
Cristo? terra.
Expectativa desde os setores fiéis
à monarquia da casa de Davi, o
vicário tinha que ser desta casa.

Seminario Provincial Sagrado


12
Coração de Jesus-Diamantina
Toda interpretação tem
intenção
Judaísmo Cristianis
tardio mo

Tora Crist
Revelação o
independente
O A.T surge no
processo de

transformação
histórica da fé
Se deve partir da
veterotestamentaria
autocompreensão dessa fé, seu
Existe conexão entre a expectativa desenvolvimento e transformação
messiânica veterotestamentaria e histórica
Evitar o N.T como norma
Jesus o Cristo? exegética
Evitar visão do A.T de
provisório e não completo

Seminario Provincial Sagrado


13
Coração de Jesus-Diamantina
O Antigo Testamento
como unidade
Múltiples concepções da
existência e experiência de
revelação num contexto e
historia
Contêm uma palavra ou ação
divina que falaram para os
homens de aquela época e
continua falando hoje.
A mensagem é transmitido no
contexto de fé, num período
determinado, e no âmbito de
uma teologia que é a formulação
histórica dessa fé.
Existe conexão entre a expectativa
messiânica veterotestamentaria e
Jesus o Cristo?

Seminario Provincial Sagrado


14
Coração de Jesus-Diamantina
Os meios da revelação no
A.T
Ûrim (maldito) e Tummîm
(inocente):
1 Sm 28, 3-6

Oráculo do destino, o sacerdote os


jogava ao azar
Meio de revelação antigo, de
pouca importância no final do
judaísmo antigo

Seminario Provincial Sagrado


15
Coração de Jesus-Diamantina
Os meios da revelação no
A.T
SONHO Gn 37,5; 40,8; Dn
2,1
Utilizado em relatos onde Deus se
dirige ao homem
Seu uso se limitava a círculos
especiais: estrato eloístico do relato
do Génesis, reino do Norte
Profecia cultual ligada aos
santuários
Profecia do período tardio e
apocalíptica
Em alguns casos vinculado a
falsos profetas: Jr 23; 27; 29

Seminario Provincial Sagrado


16
Coração de Jesus-Diamantina
Os meios da revelação no
A.T
O mensageiro de YHWH

Presente nos relatos do Gênesis 16;


22; Êxodo, Nm, Jz

Concepção primitiva que logo


desaparece. Não aparece nos livros
proféticos
É uma manifestação do próprio
Deus, a modo de embaixador no
Oriente Antigo, que representava
uma visível manifestação de
Deus.
O mensageiro se pode identificar
com YHWH como se pode
distinguir dele

Seminario Provincial Sagrado


17
Coração de Jesus-Diamantina
Os meios da revelação no
A.T
KABÔD a Gloria de YHWH Ex
33, 18-23
Forma autônoma de manifestação de
Deus em função de sua revelação

Segundo a concepção sacerdotal essa


Gloria é um reflexo de Deus, sinal
pelo qual manifesta sua presença no
Templo ou na tenda da Aliança

Seminario Provincial Sagrado


18
Coração de Jesus-Diamantina
Os meios da revelação no
A.T
YHWH o nome de Deus Ex
3,13-15

O nome se encontra ligado à


característica pessoal do sujeito,
existência e essência
O conhecimento do nome permite
relação efetiva com quem leva esse
nome, e dispor de sua presença
O conhecimento do nome de
YHWH garante a presença divina

O templo de Jerusalém foi o lugar


onde se manifestava o nome de
YHWH Jr 7, 1-15

Seminario Provincial Sagrado


19
Coração de Jesus-Diamantina
Os meios da revelação no
A.T
Espírito de Deus 1Rs 19, 9-
18
É considerado uma força que emana
de Deus

É uma força impessoal, um soprar por


parte de Deus, vida e dons divinos,
pode pegar os profetas e levá-los
embora (1Rs 18,12; Ez 3,12; 8,3),
pode induzir a fazer alguma coisa (Jz
Pode
3,10; encher
1Sm 11,alguém
16) de força Jz
14,6.19

Pode inspirar a pregar Nm 24,2; Is


61,1; Ez 11,5

Seminario Provincial Sagrado


20
Coração de Jesus-Diamantina
Moisés autor do Antigo
Testamento?
Judaísmo Pre Moisés Como conseguiu descrever
moderno e tradição autor
(até S.XVII sua34,5-
Dt morte?
cristã d.C) 12

Crítica autoria Hobbes, T Gn 12,6; Dt 34,6


(1588-1679) anacronismos
Escritas depois de Moisés
Moisés Spinoza, B
(Protestante) sec. V a.C
(1632-77)
Pentateuco tem datas
Crítica autoria Simon, R históricas posteriores a
Moisés (1678) Moisés
(Católico)
Geográficas contradições
Dt1,1; Dt 34,1
Crítica autoria Astruc, J (1684- Em Gn Deus se refere de
Moisés 1766) duas
YHWHformas
e Elohim, narrativas
distintas
Moisés usou duas fontes?

As narrações bíblicas não são


de testemunhas, autores
Hipótese Wellhausen, J
(1844-1918) posteriores.
O Pentateuco tem 4 fontes: J,
documentaria Seminario Provincial Sagrado
Coração de Jesus-DiamantinaE, D, P 21
O autor
Javista (J)
Uso constante de YHWH para
oleir
denominar a Deus YHWH o
YHWH é descrito com rasgos Gn 2,4b- como jardinei
3,24 ro
alfaiate
antropomórficos
YHWH caminha no
YHWH é acessível e Gn 3,8; 11,5; 18, 1- jardim e visita
próximo 8. 22-33 humanidade
Ex 4, 24
A geografia usada na narrativa corresponde ao
território de Judá
Os limites da terra prometida coincidem com a
extensão do Reino do Sul em tempos de Davi e
Salomão. J pode ser de sec. X a.C
Em J o sogro de Moisés é Reuel (Ex 2,18) e recebe a Lei
no Sinai (Ex 19,18)
Tema principal 3 promessas por parte de Terr Descende Bênçã
YHWH a Abraão a ntes o
A temática de J abarca desde a criação até a
conquista da terra
O J se encontra em: Gn, Ex, Nm, Provincial
Seminario Dt, Js Sagrado 22
menos em Lv Coração de Jesus-Diamantina
O autor
Eloista (E)
Uso constante de Elohim para
denominar a Deus
Sua versão original truncada por que se misturou com J. É uma
fonte fragmentada sonhos Gn 20,3;
Em E Deus é mais remoto, se revela 28,12
mensageiros divinos (Gn 21,17;
indiretamente 22,11; Ex 3,2)
O uso do termo profeta é Gn 20,7; Ex 15,20; Nm
característico de E 11,29; 12,6
Em E o sogro de Moisés é Jetró
(Ex 3,1; 18,1)
O lugar de revelação a Moisés é no Horeb
(Ex 3,1;12-50
Em Gn 33,6)o lugar geográfico é o Norte, o Reino do Norte,
chamado Israel.
Centrado na tribo de Efraim a diferença de J
centrado em Juda

O E se encontra em: Gn, Ex, Nm, Dt, Js


menos em Lv Seminario Provincial Sagrado
23
Coração de Jesus-Diamantina
O autor Deuteronomista (D)
Sua obra histórica compreende os livros históricos: Dt, Josué, Juízes,
1 e 2 Samuel; 1 e 2 Reis
Abrange desde a conquista da terra sec XIII a.C (Dt, Js, Jz), até o
exílio em Babilonia sec VI a.C (1-2 Rs)
Os sete livros constituem argumen linguag Interpretação
uma unidade to em histórica
D é um balanço da história de Israel depois da destruição de
Jerusalém e do exílio de Babilônia
documentos oficiais: Memoriais oficiais: 2Rs
D como fontes 2 Sm 8, 16-18; 20, 22, 3-20; 23,1-3. 21-23
utiliza: 23-26;oficiais:
anais 23, 8-391 Rs 11,41;
14, 19.29
D para interpretar a história faz
Dt 1-3; Js 1; 23; 1 Sm
intervir os protagonistas com um 12; 1 Rs 8
discurso Fidelidade à Aliança = repouso na
O critério de avaliação histórica é a terra, salvação
Aliança que acolhe por enteiro (Dt Infidelidade à Aliança =
5-28). maldição, desgraça
Para D o arrependimento é sinal de Fidelidade de YWHW à sua
esperança, o retorno depende disso promessa feita aos patriarcas
24
O autor
É chamado P pelo
Sacerdotal (P)ênfase em matérias de observância religiosa e
ritual.
OrigemFonte mais
sec. VI a.Crecente.
com o fim de preservar e consolidar Ex 2, 23-24;
a tradição no exílio em Babilônia. O exílio chave 6,6s; 7,3 s;
hermenêutica da história e teologia de P, volta à terra 11,9; Dt 34,9
prometida, paraíso. Livro de esperança e confiança em
P enfatiza um Deus transcendente que se
YHWH. Ex 25,8;
manifesta em sua Gloria, esta é a imagem que 29,42s
revela a presença divina. Teologia da presença e
manifestação.
Si em J e E a Aliança é descrita no Sinai/Horeb, em P existem
diversos momentos de Aliança
Gn 9, 12-17. Arco Iris Aliança com Noé e
é
Gna 17,
sinal
7.11. Circuncisãodescendentes
Aliança com
é
Exa31,
sinal a Abraão
12-17. Sabbath é Aliança entre Deus e Israel, no Sinai que é o
sinal monte da revelação
P edita J, E, D e as enquadra numa narração 1º. Capítulo e final Dt,
histórica continua. 34 são P
O mais importante são as instruções divinas sobre rituais e
observância religiosa, derivados da tradição do Templo em
Jerusalem e círculos sacerdotais. Ex 35 –Nm 10;
Programa litúrgico para restauração religiosa da 19, 28-30;25Lv
comunidade pós-exílica.