Núcleo de Estudos de População Elza Berquó

Observatório das Migrações - NEPO/UNICAMP
VI Programa de Capacitação em População,
Cidades e Políticas Sociais
Campinas,19 de outubro de 2015

O desperdício do
bônus demográfico e o
fim do desenvolvimento do Brasil
José Eustáquio Diniz Alves
ENCE/IBGE

Vamos começar com as
boas notícas

Crescimento da renda per capita e
desenvolvimento do Brasil

População cresceu 47 vezes
(4,5 milhões de habitantes para 212 milhões)
Economia cresceu 912 vezes.
A renda per capita cresceu 20 vezes
US$ 15 mil (em ppp) 2015

Transição
Demográfica
• Maior fenômeno social da história
• So acontece uma vez em cada país
• Traz vantagens para o avanço da
educação e a redução da pobreza

Transição demográfica no Brasil: 18722100
50 de Natalidade
Taxa Bruta
40

Crescimento

30
Taxas por mil

Decrescimento

20
10
Taxa Bruta de0Mortalidade
-10

TBN
Crescimento vegetativo

TBM

Fonte: De 1872 a 1940, Merrick e Graham (1981) e de 1950 em diante, ONU, 2015 Revision of World
Population Prospects http://esa.un.org/unpd/wpp/

Transição Demográfica
A transição demográfica é a passagem de altas para
baixas taxas de mortalidade e natalidade;
O declínio da TBM sempre ocorre primeiro em relação
ao declínio da TBN. Com isto há uma aceleração do
crescimento vegetativo;
Com a aceleração da queda da TBN o crescimento
natural diminui e pode se transformar em decrescimento
se as duas curvas se inverterem;
A transição demográfica provoca uma transição na
estrutura etária da população.

Transições urbana e demográfica:
50
Brasil 250,000

População (em mil)

200,000

40

150,000

30

100,000

20

50,000

10

0

Total

TBN e TBM (por mil)

0

Urbana

Rural

TBN

TBM

Fonte: IBGE e UN/ESA (rev. 2012)
George Martine, Jose Eustaquio Alves, Suzana Cavenaghi. Urbanization and fertility decline: Cashing in on
Structural Change, IIED Working Paper. IIED, London, December 2013. ISBN 978-1-84369-995-8
http://pubs.iied.org/10653IIED.html?k=Martine%20et%20alhttp://pubs.iied.org/pdfs/10653IIED.pdf

Taxas de mortalidade infantil e Esperança
de Vida ao Nascer (Eo), Brasil: 1950-2015
90

160

80
Esperança
de vida ao nascer (anos)

140 Taxa de mortalidade infantil (por mil)

70

120

60

100

50

80

40

60

30
20

40

10

20

0

0

1

2

3

4

Eo homens

5

6

7

Eo mulheres

8

9

10 11 12 13

Mortalidade infantil

Fonte: World Population Prospects: The 2012 Revision, http://esa.un.org/unpd/wpp/index.htm

Transição da Fecundidade
Taxa de Fecundidade Total (TFT), Brasil, 19602020
Número médio de filhos por mulher (TFT)

7 6.3
6.2
6.2
5.8
6
5
4
3

2,1 filhos = fecundidade de reposição

2
1
0

Fonte: IBGE

4.4
2.9
2.4
1.9

1.7

Transição da fecundidade nas UFs
10
1970

1980

1991

2000

2010

8
6
4
Número médio de filhos por mulher (TFT)
2
0

Fonte: Censos demográficos do IBGE
ALVES , JED, CAVENAGHI, S. Fecundidade e direitos sexuais e reprodutivos na agenda do Cairo + 20. In:
ARILHA, M, LAGO, T. Cairo+20 e políticas públicas no Brasil, consolidando e ampliando direitos, SP,
Oficina Editorial, v.1, p. 87-114

Fecundidade e IDH: países do mundo

Transição da estrutura etária
eo
Gás da pirâmide “butijão”

Transição da Estrutura Etária
A trajetória da população brasileira, na primeira metade deste
século, tanto em termos de seu volume, quanto de sua estrutura
etária, já está praticamente definida, pois, tanto a transição de
mortalidade quanto a da fecundidade já se encontram muito
avançadas. Enquanto a população idosa (65 e +) aumentará a
taxas altas (2% a 4% aa), a população jovem tenderá a decrescer.
Segundo projeções das Nações Unidas, de 3,1% da população
total, em 1970, a população idosa brasileira deverá passar a
aproximadamente 19%, em 2050. Paralelamente, conviverão
dentro das populações jovem e adulta subgrupos etários com
crescimento negativo e positivo. A transição etária brasileira gera
oportunidades e desafios que, se não aproveitados e enfrentados,
no momento devido, levará o país a seriíssimos problemas, nas
próximas décadas.
Carvalho e Wong, Cad. Saúde Pública vol.24 no.3 RJ Mar. 2008
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-311X2008000300013&script=sci_arttext

80 e +
75-79
70-74
65-69
60-64
55-59
50-54
45-49
40-44
35-39
30-34
25-29
20-24
15-19
10-14
5-9
0-4

80 e +
75-79
Mulheres 70-74
65-69
60-64
55-59
50-54
45-49
40-44
35-39
30-34
25-29
20-24
15-19
10-14
5-9
0-4

Homens

-8

80 - +
75-79
70-74
65-69
60-64
55-59
50-54
45-49
40-44
35-39
30-34
25-29
20-24
15-19
10-14
5-9
0-4

-6

-4
-2
0
2
Brasil CENSO 1970

4

6

-8

8
80 - +
75-79
70-74
Mulheres65-69
60-64
55-59
50-54
45-49
40-44
35-39
30-34
25-29
20-24
15-19
10-14
5-9
0-4

Homens

-8

-6

-4

-2

0

2

Brasil CENSO 2000

Fonte: IBGE

Homens

4

6

8

-6

Mulheres

-4
-2
0
2
Brasil CENSO 1980

4

6

8

Homens

-8

-6

-4

Mulheres

-2

0

2

4

6

Brasil Censo 2010 %

8

2010

Fonte: IBGE, 2011

População brasileira por grupos etários
250,000
População por grupos etários (em mil)
200,000
150,000

0-24 anos
87 milhões

100,000
50,000
0

60 +

25-59

15-24

Fonte: UN/ESA rev. 2012 – hipótese média da fecundidade

5-14

0-4

Janela de oportunidade demográfica

Bônus Demográfico: breve histórico
O livro de Coale e Hoover (1958) foi o primeiro a chamar a atenção para
as implicações econômicas da mudança da estrutura etária (eles
falavam em ônus da estrutura jovem);
Bônus = dividendo = janela de oportunidade;
O livro Population Matters (2001) de Nancy Birdsall, Allen C. Kelley,
Steven W. Sinding recolocou o debate sobre o bônus demográfico;
Projeto Ronald Lee, Andrew Mason - National Transfer Accounts (NTA) http://www.ntaccounts.org/web/nta/show
Bônus demográfico no Brasil: - Discussão na lista P & P da ABEP 2005
- Reportagem do Antônio Gois na Folha de SP (jan. 2006)
- Diversos artigos de personalidades...
- Tema central do XV Encontro da ABEP de 2006
- Conquistando a mídia se chegou ao governo....
- Hoje a preocupação é com o fim do primeiro bônus e a possibilidade de
um segundo bônus...

Brasil vive seu melhor momento
demográfico
100
90
80
70
60
% 50
40
30
20
10
0

Razão de dependência
Fonte: UN/ESA, Revisão 2012

População em Idade Ativa

Bônus demográfico, Brasil
Fonte: UN/ESA, Revisão 2012

100
90
80
70
%
60
50
40
30
20
10
0

Total

Jovens

Idosos

ALVES, JED, A janela de oportunidade demográfica do Brasil, Recife, Revista Coletiva, FJN, No 14, mai/ago,
2014 http://www.coletiva.org/site/index.php?option=com_k2&view=item&layout=item&id=198&Itemid=76

Transferências Intergeracionais

Fonte: Aula Inaugural, Cassio Turra, mar 2014

1 BÔNUS DEMOGRÁFICO
É o aproveitamento do momento em que a
estrutura etária da população atua no sentido de
facilitar o crescimento econômico. Isso acontece
quando há um grande contingente da população
em idade produtiva e um menor percentual de
crianças e idosos no total da população.
O primeiro Bônus é temporário e refere-se ao
crescimento da renda resultante do aumento da
razão entre produtores e consumidores na
população, decorrente das transições
demográfica e da estrutura etária.

Janela de oportunidade e Bônus
educacional

Artigo de CUARESMA, LUTZ e SANDERSON (2013) faz uma
análise empírica sobre a associação entre o crescimento
econômico, mudanças na estrutura etária, participação da força
de trabalho e educação. Usando um painel global de países, os
autores consideram que depois de controlado o efeito do capital
humano não existem evidências de que as mudanças na estrutura
etária afetariam a produtividade do trabalho.
Os resultados sugerem que as melhorias no níveis educacionais
são a chave para explicar a maior produtividade da economia e o
crescimento da renda. Para eles, parte substancial do bônus
demográfico é, na verdade, um bônus educacional.
CUARESMA, Jesús Crespo, LUTZ, Wolfgang, SANDERSON,
Warren. Is the Demographic Dividend an Education Dividend?
Demography, 04 December 2013

População Economicamente Ativa (PEA) como
% da população total, Brasil: 1950-2010
240

60
1970-2010
Bônus demográfico

Milhões de pessoas

50
40
%

120

30
20
10

0

1

2

3

4

5

Fonte: IBGE, Censos demográficos de 1950 a 2010

6

7

0

Bônus Demográfico Feminino
e
Redução da pobreza

Redução do hiato de gênero no mercado de
trabalho Taxa de participação na PEA por
sexo e grupos etários, Brasil: 1970-2000
90
80
70
60
50
% 40
30
20
10
0

80.8

77.2

72.4

71.8

71.5

69.6

67.1

44.1
26.6
13.6

16.5

18.5

1

2

3

Homem

4
Mulher

48.9

32.9

5

6

Diferença H - M

te: Censos Demográficos de 1970, 1980, 1991 e 2000 e 2010, do IBGE

7

100
90

Taxas de atividades específicas Mulheres
Brasil: 1950, 1970, 1980, 1991, 2000 e
2010

80
70
60
%

50
40
30
20
10
0
10 a 14 15 a 19 20 a 24 25 a 29 30 a 39 40 a 49 50 a 59 60 a 69 70 e +
1950

1970

1980

Fonte: censos demográficos do IBGE

1991

2000

2010

Taxas de atividades específicas - Homens
Brasil: 1950, 1970, 1980, 1991, 2000 e
100
2010
90
80
70
60
%

50
40
30
20
10
0
10 a 14 15 a 19 20 a 24 25 a 29 30 a 39 40 a 49 50 a 59 60 a 69 70 e +
1950

1970

1980

Fonte: censos demográficos do IBGE

1991

2000

2010

Taxas de atividades específicas
Homens e Mulheres - Brasil: 1950 e 2010
100
90
80
70
60
% 50
40
30
20
10
0
10 a 14 15 a 19 20 a 24 25 a 29 30 a 39 40 a 49 50 a 59 60 a 69 70 e +
Homem 1950
Homem 2010
Mulher 1950
Mulher 2010
Fonte: censos demográficos do IBGE

Bônus feminino no mercado de trabalho

22%

5%

Reversão do hiato de gênero nos cursos
de doutorado, Brasil: 1996-2008

Fonte: CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos). “Doutores 2010: estudo da
demografia da base técnico-científica brasileira”.

Bônus Demográfico Feminino
A queda das taxas de fecundidade e de mortalidade infantil têm um
efeito sobre toda a sociedade, mas transformam em especial a vida das
mulheres. Tendo de dedicar menos tempo às tarefas de reprodução e
de cuidado dos filhos, as mulheres passam a ter mais tempo para cuidar
de si próprias e de se incorporar à população economicamente ativa
(PEA). Adicionalmente, o aumento da esperança de vida eleva o ciclo
de vida produtivo da mulher e, juntamente com o aumento das taxas de
escolaridade, aumenta o capital humano feminino.
Neste sentido, as mudanças demográficas e sociais ocorridas no Brasil
possibilitaram o surgimento de um bônus demográfico feminino, pois as
mulheres passaram a se dedicar mais tempo às atividades produtivas,
elevando o montante de trabalho em termos quantitativos e qualitativos.
A queda da fecundidade possibilita um maior empoderamento das
mulheres e o maior empoderamento reforça o processo de redução do
número de filhos.
Os maiores ganhos no trabalho e na educação vieram das mulheres!

Redução da pobreza no Brasil

RD, Renda per capita e Pobreza
80
14
no Brasil
12

50
40

44,4

10

38,4

33,0

30

8

33,9

19,1

27,3

20 6,0

9,83

6

10
2026

2024

2022

2020

2018

2016

2014

2012

2010

2008

2006

2004

2002

2000

1998

1996

1994

1992

1990

1988

1986

1984

1982

1980

4
1978

0
1976

% de pobres

60

PIB per capita ano (US$ mil)

12,4

70

Razão de dependência

PIB per capita

% de pobres

Linear (% de pobres)

Linear (Razão de dependência)

Linear (PIB per capita)

EADATA, 2010 e estimativa até 2025 (crescimento da renda per capita em 2,5% aa e redu
o ano da pobreza. Nota: não houve aplicação da PNAD nos anos de 1980, 1991, 1994 e 20

Brasil: 4ª Potência
mundial?

The race ahead, Jan 10th 2011, by The Economist online

Brasil
decolando...
.

Novembro 2009

Agora as noticias ruins e
as razões para o pessimismo

"Otimista
é um pessimista
mal informado!"
“Perder uma ilusão torna-nos
mais sábios do que encontrar
uma verdade” Ludwig Borne

Engrandecimento e
apequenamento
da economia brasileira: 1820-2020

Desempenho passado
não é garantia de
desempenho futuro

Desindustrialização e “especialização
regressiva”

Fonte: Fernando Nogueira
https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2015/03/27/pib-em-2014-varia-01-e-totaliza-r552-trilhoes/#more-37731

O Brasil tem um problema crônico de baixas taxas de poupança!

Carga tributária brasileira

Fonte: http://www.ibpt.com.br/img/uploads/novelty/estudo/2142/05EvolucaoDaCargaTributariaBrasileira.pdf

Baixa poupança;
Baixo investimento;
Alta carga tributária;
Crise fiscal

Baixa produtividade e competitividade

Queda do valor das exportações em
2015
Abaixo de 1% das exportações mundiais

Enorme déficit em transações
correntes

Dívida Externa Bruta

Financeirização da economia brasileira
Dilma gasta três Bolsas Família contra variação do dólar

Dívida Interna Bruta

Dívida Interna Bruta: fatores do
crescimento
Aumento dos juros da dívida
pública;

• Aumento dos subsídios dos BNDES (Bolsa empresário) e
desonerações fiscais;
• “Swap cambial”: o Banco Central registrou prejuízo de R$ 72 bilhões
de janeiro a agosto de 2015;
• Corrupção e desvios de recursos;
• Preços administrados e prejuizos das estatais (Petrobras e energia)
• Aumento do déficit da previdência e do welfare state (aumento do
salário minimo pela inflação + variação do PIB);
• Inchaço do Estado e dos gastos públicos;
• Recessão provoca queda da arrecadação e aumento dos gastos.

Dívida Interna Bruta (% do
PIB)

Brasil Submergente

Em 1980
Brasil tinha uma renda per capita de US$ 4,8 mil.
Coréia = US$ 2,2 mil
China = US$ 302,00

Venezuela, Brasil e a América Latina:
2015

CEPAL, julio de 2015
http://repositorio.cepal.org/bitstream/handle/11362/38713/1500454_es.pdf?sequence=62

Estagflação

Passou o ciclo
do boom das
commodities
Estagnação

A pobreza voltou
a subir na ALC

Estagflação revisitada
Venezuela e Brasil puxaram o PIB da
ALC para baixo

https://www.oxfam.org/en/pressroom/pressreleases/2015-09-30/200-million-latin-america-risk-poverty-again

Pior octênio (2009-2016) em 116
anos

Pib = -3%, 2015 e -1,5%, 2016

Setembro 2013

Violência
IDH
Ambiente e críse hídrica

152.013 mortes violentas em 2012
151.683 óbitos em 2013

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
Brasil: 1980-2013
1.000
0.900
0.800
0.700
0.600
IDH
0.500
0.400
0.300
0.200
0.100
0.000
1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010 2015

Fonte: http://hdr.undp.org/en/content/table-2-human-development-index-trends-1980-2013

“A floresta precede os povos e o deserto os
segue”
(Chateaubriand)
A destruição das florestas de São
Paulo: 1 dos motivos da críse hídrica

Cem anos de devastação: revisitada 30 anos
depois/Ministério do Meio Ambiente.
Secretaria de Biodiversidade e Florestas:
Mauro Antônio Moraes Victor... [et al.]. –
Brasília: 2005

http://www.historiaambiental.org/biblioteca/ebook
s/cem_anos_de_devastacao_2005.pdf#page=1&zoom=6
0,803
Ministério do Meio Ambiente. Mata Atlântica.
http://www.mma.gov.br/biomas/mata-atlantica
ALVES, JED. O crime de ecocídio e a devastação das
florestas de São Paulo, Ecodebate, RJ, 22/11/2013
http://www.ecodebate.com.br/2013/11/22/o-crime-de-eco
cidio-e-a-devastacao-das-florestas-de-sao-paulo-artig
o-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

Crise no mercado de trabalho
e
Desperdício do bônus demográfico

O fim do Bônus segundo PNAD

Geração “nem-nem”, Brasil: 2009 e
2012

50

Jovens de 15 a 24 anos fora da PEA e da escola
40
30
%

20
10
0

2009

2012

Homens

Mulheres

A geração nem-nem (jovens que nem estudam e nem trabalham entre 15 e 29
anos) era cerca de 10 milhões em 2013, sendo 70% mulheres (IBGE, 2014)
Fonte: PNADs 2009 e 2012 do IBGE

http://oglobo.globo.com/economia/em-quase-20-dos-lares-do-pais-nenhum-morador-tem-emprego-17748202

Estagnação do mercado de trabalho

População Economicamente Ativa (PEA) como
% da população total, Brasil: 1950-2030
Projeção necessária para colher o bônus
240

70
60

Milhões de pessoas

50
40%

120

30
20
10

0

1950 1960 1970 1980 1991 2000 2010 2020 2030

Fonte: IBGE, Censos demográficos de 1950 a 2010

0

Estagnação do emprego nas 6 RMs
Queda da taxa de ocupação

Crise do emprego com carteira de
trabalho

Crise do emprego formal, Brasil: póseleição

Crise do emprego na RM de São
Paulo

Crise do emprego na RMSP: governo
Dilma

Desemprego na RMSP: governo
Dilma

Muitas pessoas sairam da PEA
Se a taxa de ocupação ficasse em 57,2% (dez/2010)
então haveria mais 600 mil desempregados

Queda da taxa de ocupação feminina - 6 RMs
Depois de 60 anos o emprego feminino para de
25,000
48.0
crescer
47.0

Número de pessoas (em mil)
20,000

46.0
15,000

%
45.0

10,000
44.0
5,000

43.0

0

42.0

PO/PIA
Fonte: PME do IBGE

PIA

PO

Fim precoce do bônus demográfico
feminino

- A queda da taxa de atividade feminina
é um retrocesso histórico;
- Isto vai desempoderar as mulheres;
- Terá impacto na economia e nas
condições de vida das famílias e da
população.

O inevitável
envelhecimento
brasileiro
Será possível enriquecer
antes de envelhecer?

Déficit da Previdência

%
PIB

Fonte: Transição demográfica e o impacto fiscal na previdência brasileira, Paulo Tafner,
Carolina Botelho, Rafael Erbisti. (Camarano, AA. Novo Regime Demográfico, 2014)

Cenários da População Brasileira
1950-2100

350
300

Milhões de habitantes

250
200
150
100

50
0
Pop 1950-2015
Proj. média

Proj. alta
Proj. baixa

Fonte: ONU, 2015 Revision of World Population Prospects http://esa.un.org/unpd/wpp/

Cenários das taxas de fecundidade (TFT)
Brasil: 2010-2100
2.5
2.0
Filhos por mulher

1.5
1.0
0.5
0.0

Fecundidade alta
Fecundidade baixa

Fecundidade média

Fonte: ONU, 2015 Revision of World Population Prospects http://esa.un.org/unpd/wpp/

O inevitável envelhecimento populacional
Idade mediana, segundo TFT, Brasil: 2010-2100

70
60
Idade mediana em anos
50
40
30
20
10
0
2010

Fecundidade
alta 2050 Fecundidade
2020
2030 2040
2060 2070 média
2080 2090
Fecundidade baixa
Fonte: ONU, 2015 Revision of World Population Prospects http://esa.un.org/unpd/wpp/
Hipótese média de fecundidade

O Brasil vai envelhecer em qualquer cenário. Vai envelhecer mais se
taxa de fecundidade diminuir e vai envelhecer menos se a fecundidade
aumentar. Mas o envelhecimento já está contratado.

2100

Razão de dependência (RD)
demográfica
Brasil:+2010-2100
(15-64)/(0-14)
(65 e mais)

120
100
80
%

60
40
20
0
2010

2020
2030 2040
2060 2070 média
2080 2090
Fecundidade
alta 2050 Fecundidade

2100

Fecundidade baixa
Fonte: ONU, 2015 Revision of World Population Prospects http://esa.un.org/unpd/wpp/

Trade off: Se a fecundidade cair muito diminui a RD no médio prazo, mas aumenta
muito no longo prazo. Se a fecundidade aumentar eleva a RD no médio prazo mas
fica em nível mais baixo no longo prazo. O cenário médio fica mais equilibrado.

Tsunami Grisalho
2070
80 milhões

2030
40 milhões
2010
20 milhões

De pirâmide (1985) para
retângulo populacional (2085)

80+
75-79
70-74
65-69
60-64
55-59
50-54
45-49
40-44
35-39
30-34
25-29
20-24
15-19
10-14
5-9
0-4
10,000

5,000

0

Brasil 1985

5,000

85 +
80-84
75-79
70-74
65-69
60-64
55-59
50-54
45-49
40-44
35-39
30-34
25-29
20-24
15-19
10-14
5-9
0-4
10,000

10,000

5,000

0

5,000

Brasil 2085

Fonte: ONU, 2015 Revision of World Population Prospects http://esa.un.org/unpd/wpp/
Hipótese média de fecundidade

A coorte 0-4 anos de 1980-85 foi a maior da história brasileira (4 milhões de
nascimentos por ano); Entre 2080-85 devem nascer 2 milhões de bebês por ano.

10,000

Envelhecimento do
envelhecimento

160,000,000

Aumento
dos idosos e
diminuição
da PIA

140,000,000
120,000,000
100,000,000
80,000,000
60,000,000
40,000,000
20,000,000
0

15-59 anos

60 anos e +

Variação anual dos dois grupos etários

2,500,000

Crise
Estrutural
da
Previdência

2,000,000
1,500,000
1,000,000
500,000
0
-500,000
-1,000,000
-1,500,000

Fonte: Projeções IBGE
Revisão 2013

15-59 anos

60 anos e +

Problemas da economia brasileira












Recessão e Inflação = estagflação
Aumento do desemprego e da pobreza;
Queda das exportações e déficit em transações correntes
Déficit fiscal (nominal e primário);
Dívida interna em crescimento;
Aumento da taxa de juros básica;
Volta da dívida externa e volta do FMI em pouco tempo;
Elevação do dólar e desvalorização cambial;
Desindustrialização e reprimarização da economia;
Perda de competitividade e baixa produtividade do trabalho;
Déficit da previdência;
Baixa qualidade da educação e baixa produtividade;
Envelhecimento e aumento da razão de dependência;

• Fim do 1º bônus demográfico

Brasil no
Atoleiro
28/02/15

FSP, Nouriel Roubini, 13/10/215
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/10/1693223-brasil-esta-a-beira-do-precipicio-mas-crise-podeser-evitada-diz-economista.shtml

Baixa produtividade econômica e do trabalho
• Atraso na incorporação de novas tecnologias/inovações
• Baixa taxa de matrícula no ensino médio e baixa
qualidade da educação;
• Deficiências de infraestrutura;
• Custo da legislação trabalhista complexa e desatualizada.
• Alto número de acidentes de trabalho e de licenças por
doença;
• Imobilidade urbana - pessoas gastam horas no
deslocamento casa/trabalho;
• Dificuldades no ambiente de negócios e na eficiência das
instituições;
• Rebaixamento das expectativas de investimento;
• Baixas taxas de poupança e investimento;
• Práticas generalizadas de corrupção;
• Críse hídrica e ambiental;

Fim do desenvolvimento brasileiro?
O fim dos bônus demográficos em um quadro de baixa
produtividade do capital e do trabalho pode fazer o país
cair na armadilha da renda média e submergir…

No curto prazo há um “déficit
fiscal crônico”
No longo prazo seria preciso
fazer reformas estruturantes!

Como evitar a desordem e o regresso?

FIM

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