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O CORPO EM MOVIMENTO

Enquanto o SISTEMA NERVOSO SENSORIAL...


Transdução dos sinais físicos e químicos
Representação do mundo exterior e do estado interno do corpo
Percepção: detectar, analisar e estimar o significado dos estímulos ambientais (gnosias)

O SISTEMA NERVOSO MOTOR SOMÁTICO

Transdução dos sinais neurais em força contrátil que se manifestam na forma de


movimentos e posturas do corpo (comportamento)

MOVIMENTOS REFLEXOS (baixa complexidade)


- Evocados por estímulos específicos
- Utiliza algumas unidades de trabalho da motricidade
- Estereotipados e Inatos
- Podem ser condicionados

MOVIMENTOS VOLUNTÁRIOS (alta complexidade)


- Planejamento e estratégia (praxias)
- Amplamente modulado pela aprendizagem
- Utiliza todas as unidades de trabalho da motricidade
Motricidade Somática

SISTEMA MOTOR: todos os elementos (fibras musculares e neurônios)


envolvidos com a motricidade (somática e visceral).

As atividades motoras somáticas permitem ao organismo relacionar-se com o


ambiente :
a) Manter-se em posição, apesar da gravidade tender a aproximá-lo do chão
b) Locomover-se
c) Reagir a estímulos sensoriais específicos
d) Manipular objetos
e) Realizar comunicação (linguagem e expressão facial)

Tipos de expressões motoras somáticas


a) Reflexas (involuntárias)
b) Voluntárias
ELEMENTOS DO SISTEMA MOTOR SOMÁTICOS

EFETUADORES
os músculos esqueléticos que realizam a atividade

ORDENADORES
os motoneurônios (da medula e do tronco encefálico) que comandam as
fibras musculares

CONTROLADORES
Cerebelo e núcleos da base que modulam a atividade motora

PROGRAMADORES e INICIADORES: áreas corticais motoras associativas e


primária.
CORTEX CEREBRAL
Áreas de associação Área pré-motora
Áreas motoras
(desejo de se mover) (programas)
(iniciação)
NUCLEOS DA BASE
(inicio e ajustes
posturasi)

Lobo posterior
CEREBELO
(coordenação)
Lobo Lobo TRONCO ENCEFÁLICO
Anterior Floculo-nodular

Receptores vestibulares
(equilíbrio)

MEDULA

Fibras Intrafusais Fibras Extrafusais


Órgãos tendinosos de Golgi
FISIOLOGIA MUSCULAR

Os efetuadores da postura e do
movimento
Músculo SISTEMA
Controle MOTOR
Esquelético Voluntário SOMÁTICO
Músculo Estriado

Músculo
Cardíaco
Músculo Estriado

Controle SISTEMA
Involuntário MOTOR
VISCERAL
Músculo
Músculo Liso Liso
Fisiologia muscular esquelética
Os efetuadores da postura e do movimento
Características gerais dos
A contração muscular proporciona desenvolvimento de
músculos esqueléticos
força mecânica ou ( tensão). Essa força causa movimento
ou se opõe a uma carga (peso).

CONTRAÇÃO ISOTÔNICA CONTRAÇÃO ISOMÉTRICA

40% do peso corporal


Associados ao esqueleto
Propriedade contrátil
Contração rápida e lenta
Metabolismo aeróbico/ anaeróbico
Diferenças interssexuais
Músculos fásicos
Músculos tônicos
Outras funções dos músculos esqueléticos
Termorregulaçao
Neoglicogenese durante o jejum prolongado
SNC

Medula nervo

Raízes
Fibras musculares ventrais

Ramificação
nervosa

Junção neuromuscular
Terminação nervosa

Sarcômero
Musculatura esquelética e os
neurônios motores da medula

GRUPO MEDIAL
m. axial do tronco e m apendicular proximal
(antebraço e ombros)
Equilíbrio postural

GRUPO LATERAL
m. apendicular distal (braços, pernas, mãos e pés)
Movimentos finos das extremidades

Núcleos motores somáticos


da medula (cervical)
Aferências Aferências

Músculos Músculos
distais distais
Músculos axiais Músculos axiais
e proximais e proximais
Unidade motora: o motoneurõnio e as fibras musculares por ele inervadas.
Um músculo é controlado por mais de um motoneuronio; possui várias
unidades musculares.

Unidade motora: uma unidade


funcional onde há trocas de fatores
tróficos.

Quando um deles morre o outro sofre


atrofia.
JUNÇÃO NEURO-MUSCULAR

RELAÇÃO DE INERVAÇAO

Alta: PRECISÂO
1: poucas fibras

Baixa : POTENCIA MECANICA


1: muitas fibras

A sinapse neuromuscular ocorre na região


do sarcolema denominada placa motora
para onde os NT são liberados.
Elementos estruturais de uma fibra muscular esquelética

SARCÔMERO: unidade contrátil da fibra muscular

Os filamentos finos deslizam-se sobre os grossos


na presença de Ca.
Banda I Banda I

Banda A

Z M Z
Zona H
Filamento fino

Filamento grosso
Sarcômero Sarcômero Sarcômero

Pontes
cruzadas
Filamento Grosso

A molécula de miosina possui um sitio de


ligação para actina e outro para a ATPase.

FILAMENTO FINO

Dupla hélice de Actina


Tropomiosina
Cada molécula de actina possui um sitio de
ligação para a cabeça de miosina. Nessa
condição está obstruída pela tropomiosina

Troponina

Fig. 8-6, p.319


No estado de repouso (músculo relaxado) a
miosina não consegue se ligar à actina porque os
sítios de ligação estão obstruídos pela
tropomiosina.
O Cálcio liga-se à troponina e remove a tropomiosina
liberando os sitios de ligação da actina para a cabeça
da miosina.

A ligação da miosina com a actina, traciona a cabeça


da miosina no sentido da linha M

O filamento fino desliza sobre o grosso


Presença de Ca
Disponibilidade de ATP

1) A miosina se liga à actina


Inicio da contração

2) Primeiro ciclo de deslizamento

3) Desligamento

4) Reinicio do ciclo
Ciclo das pontes cruzadas

- a miosina liga-se a actina (forma a ponte cruzada)


- o ATP é hidrolisado
- a cabeça da miosina inclina em direção à linha M
- deslizamento do filamento fino sobre o grosso
- o sarcômero se encurta

Enquanto houver Ca++ e ATP disponíveis, o ciclo


se repete e o sarcômero encurta.
O sarcômero pode variar o comprimento

Se as pontes cruzadas continuarem a se formar, os


filamentos finos continuam a deslizar sobre os grossos.

As linhas Z se aproximam uma da outra, o sarcômero


encurta. Se todos os sarcômero se encurtarem, a
miofibrila como um todo encurta-se e ocorre a contração
do músculo.
CICLO DAS PONTES
CRUZADAS
Calcio ++ dependente
ATP dependente
Quanto mais tempo dura o PA no
sarcolema, mais tempo dura o Ca++ no
mioplasma.

Quanto mais vezes o ciclo se


repete, maior será o grau de
deslizamento.
Rigor Mortis (Rigidez cadavérica)

• Começa apos 3 to 4 h da morte e atinge o pico máximo em 12 h. Diminui dentro de 48 h.


• A deterioração do reticulo sarcoplasmático libera Ca
• Estimula a formação de pontes cruzadas
• Não há ATP para causar o relaxamento

Rigidez cadavérica
Junção neuromuscular
Acoplamento eletro-mecânico
FIBRAS MUSCULARES

Excitáveis como os neurônios (geram e propagam PA ).


Contráteis (encurta-se quando estimulado)
Extensiveis (pode ser estirado)
Elásticos (retorna ao seu comprimento de repouso após o
estiramento)
JUNÇAO NEURO-MUSCULAR ESQUELÉTICA

PA no axônio EVENTOS DA NEUROTRANSMISSAO

1. Chegada do PA nos terminais


2. Liberação de Acetilcolina
3. Complexo receptor nicotinico-Ach
4. Abertura de canais Na pós-sinápticos
5. Potencial pós-sináptico (Potencial de Placa)
6. Abertura de Canais Na e K voltagem
dependentes no sarcolema
7. Geração e propagação do PA pelo sarcolema

As fibras musculares são células excitáveis


como os neurônios: geram PEPS (potencial de
placa) e PA.

Forma rápida de transmitir os comandos


neurais.

Fibra muscular
Superficie do sarcolema

Miofibrilas
Reticulo
sarcoplasmático

Cisternas Túbulos (T)


Laterais transversos
Para que servem os túbulos
T?

Os túbulos T conduzem a onda de


despolarização até as cisternas do reticulo
sarcoplasmático

ACOPLAMENTOELETRO-MECÂNICO

1. Condução do PA pelo sarcolema


2. Despolarização dos Túbulos T
3. Abertura de Canais de Ca++ do retículo sarcoplasmático
4. Difusão de Ca++
5. Aumento de [Ca++ ] no mioplasma
6. Inicio da contração muscular
O sensor de voltagem é um canal de cálcio
(receptor de DHP acoplado a um canal de
cálcio do retículo sarcoplasmático (receptor de
rianodina
O acoplamento no músculo cardíaco difere
do acoplamento no músculo esquelético
Quanto o maior número ciclos de
pontes cruzadas, maior será o grau de
contração muscular
RESPOSTAS MECÂNICAS DO MÚSCULO

PA ABALO: tensão mecânica isolada do músculo


neurônio

ACh

Fibras musculares
Contração forte

Abalos Somação Tétano Tétano


Isolados Mecanica incompleto completo

Fenômeno
de escada

A força de contração pode ser aumenta


aumentando-se a freqüência dos PA, a duração
Mais Ca no mioplama do estimulo e recrutando cada vez mais fibras
Maior o encurtamento
do músculo em atividade.
Recrutamento de Unidades Motoras
O desempenho mecânico da contração depende
do comprimento inicial do músculo a partir do
qual a contração é iniciada
ANABOLIZANTES
Drogas sintéticas da testosterona (hormônio
O constante uso do músculo estimula a masculino)
síntese de proteínas contráteis.
Entre os vários efeitos causa hipertrofia
muscular
HIPERTROFIA aumento da área de secção
transversal e maior potencia mecânica
http://www.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/
ATROFIA: redução da massa muscular decorrente
de lesões dos neurônios motores.
EXERCICIO PARA MELHORAR A RESISTENCIA
Cargas leves são movidas continuamente por longos períodos de tempo
Corridas de longa distância

Metabolismo aeróbico
Aumento de mitocôndrias e na densidade de capilares
Fibras lentas

EXERCICIO PARA MELHORAR A FORÇA


Cargas pesadas são movidas por pequeno período de tempo por determinado
grupo de músculo
Corridas de curta distância

Metabolismo anaeróbico
Hipertrofia muscular (aumento de proteinas contrateis)
Fibras rápidas
A ENERGIA necessária para
a contração (e
relaxamento) provem da
hidrolise de ATP

Fontes de ATP
1) Fosfato de creatina
2) Glicólise
3) Fosfolrialaçao oxidativa
Todos os músculos dependem do consumo de ATP
O ATP é disponibilizado pela síntese de
– Fermentação anaeróbica (produção rápida mas limitada): não
necessita de O2 mas produz ácido lático
– Respiração aeróbica (produz mais ATP mas lentamente): requer
disponibilidade continua de O2
Tipos de fibras musculares

As fibras de uma unidade motora são todas do mesmo tipo

Fibras de abalo lento


Muita mitocôndrias, muitas mioglobinas e bem vascularizado
Adaptada para realizar a respiração aeróbica e resistente à fadiga
Ex: musculatura postural

Fibras de abalo rápido


Ricas em fosfagênios e realiza o metabolismo anaeróbico
O reticulo sarcoplasmático libera Ca rapidamente
Ex: gastrocnêmico
As fibras musculares de uma unidade motora são
todas do mesmo tipo mas ficam dispersas no músculo.
Um músculo é formado de vários tipos de fibras
musculares, portanto é controlado mais de um
motoneurônio.
Tipos de Unidades Musculares
RF = rápidas fatigáveis
RRF = rápidas resistentes a fadiga
L = lentas

E ABALO MUSCULAR
Propriedades Tipo L Tipo R Tipo RRF
(I) (IIb) (IIa)
Cor Vermelho Branco Intermediário
Suprimento sanguíneo Rico Pobre Intermediário
No mitocôndrias Grande Baixo Intermediário
Grânulos de Glicogênio Raros Numeroso Freqüentes
Quantidade de mioglobina Alta Baixa Média
Metabolismo Aeróbico Anaeróbico Médio
Velocidade de contração Lenta Rápida Rápida
Tempo de contração Longo Curto Intermediário
Força contrátil Pouco potente Muito potente Potencia Média

maratonista velocista
Tipos de Unidades motoras e sua correlação com fibras
motoras
Propriedades Tipo L Tipo RF Tipo RRF
Unidades musculares Lentas Rápidas Intermediarias
Motoneurônios Pequenos Grandes Médios
Axônios Finos Calibrosos Médios
Limiar de excitabilidade Baixo Alto Médio

Velocidade de condução Baixa Rápida Média

Freqüência de disparo Baixa Alta Média


Tempo de contração Longo Curto Intermediário
Velocidade de contração Lenta Rápida Rápida

Força contrátil Pequena Grande Média


Resistência a fadiga Alta Baixa As unidades Alta
motoras cujo tamanho
do motoneuronio é menor são
recrutadas primeiro pois são mais
excitáveis.
Fadiga: fraqueza progressiva e perda da capacidade de contratilidade
pelo uso prolongado.

Causas
– Queda na disponibilidade de ATP
– Alteração no potencial de membrana
– Inibição enzimática pelo acúmulo de ácido lático (pH ácido)
– Acumulo de K extracelular
– Esgotamento de acetilcolina
Tônus Muscular: tensão mecânica de repouso
Fadiga muscular: incapacidade gerar e manter a força requerida ou
esperada de contração muscular
Tremor muscular: contrações musculares assincronicas
Paralisia muscular (plegia): incapacidade de contração muscular
Paresia muscular: diminuição da força muscular

Fasciculaçâo: ativação espontânea de uma única unidade motora


Fibrilação: ativação espontânea de uma única fibra muscular

Há diferentes tipos de fibras musculares


BIOMECÂNICA
TIPOS DE CONTRAÇÃO
MUSCULAR
• CONTRAÇÃO MUSCULAR ESTÁTICA
– MÚSCULO CONTRAI E COMPRIMENTO NÃO
SE ALTERA
– SEM TRABALHO FÍSICO
– PRODUÇÃO APENAS DE CALOR
• CONTRAÇÃO MUSCULAR DINÂMICA
– MÚSCULO CONTRAI E COMPRIMENTO
DIMINUI
– OCORRE TRABALHO FÍSICO DO TIPO F x d
• CONTRAÇÃO MUSCULAR DINÂMICA
– EX: CAMNHADA, FLEXÃO-EXTENSÃO DO
BRAÇO
– CARACTERIZADA PELA CONTRAÇÃO E
EXTENSÃO DO MÚSCULO
– ALTERNÂNCIA ENTRE CONTRAÇÃO E
RELAXAMENTO
– TRABALHO FORNECIDO PELO MÚSCULO

W=Fxd
• CONTRAÇÃO MUSCULAR ESTÁTICA
– MÚSCULO SOB TENSÃO PROLONGADA
SEM VARIAÇÃO DO SEU COMPRIMENTO
– EX: MANTER O PESO COM A MÃO
ESTICADA
– CARACTERIZADA POR W=0
– CUSTO ENERGÉTICO : ENTRAVA A
ELIMINAÇÃO DE DEJETOS (ACÚMULO DE
ÁCIDO LÁTICO)
Potenciação da força muscular
O encurtamento dos sarcômeros gera tensão mecânica

Os sarcômeros se encurtam tanto nas


contrações isotônicas ou isométricas.

A diferença está em como a energia mecânica


gerada é utilizada.
MÚSCULO LISO
MÚSCULO LISO

Célula Relaxada
Área densa
Corpo denso

Núcleo

Fibras de actina
e miosina

Célula Contraída
MÚSCULO LISO
Célula
contraída

Membrana
celular

Membrana
celular

corpo denso
filamento de miosina
filamento de actina
pontes cruzadas
MÚSCULO LISO

Músculo esquelético:
filamento fino regulado pela troponina e tropomiosina
tropomiosina

actina

miosina

Músculo liso:
filamento fino regulado por Ca+-calmodulina
tropomiosina

actina
MÚSCULO LISO

Ca+ + Calmodulina
RE

Ca+Calmodulina

MLC
ATP
MLCK

MLCK = Miosina Kinase


MÚSCULO LISO

Ca+ + Calmodulina
RE

Ca+Calmodulina
AMPc

MLC
ATP
MLCK

Fosfatase

MLCK = Miosina Kinase


MÚSCULO LISO

Hormônio ou Neurotransmissor

Proteína
Proteína G
Efetora
MÚSCULO LISO
Contração do músculo liso

Acetilcolina - receptor muscarínico


Fosfolipase C
Proteína Gs

Ativação Miosina Kinase Fosfolipídeos


Trifosfato de
Inositol (IP3) de membrana

Ativação de canais de Ca+ e liberação de


Ca+ do RE
MÚSCULO LISO
Relaxamento do músculo liso

Noradrenalina - receptor beta-adrenérgico

Adenilil
Proteína Gs Ciclase

Inibição Miosina Kinase AMPc ATP


(Ca+-Calmodulina)
MÚSCULO LISO

Músculo liso unitário

Trato gastrointestinal
Músculo liso - pequenos vasos sanguíneos

Despolarizações espontâneas -
atividade marcapasso
MÚSCULO LISO
MÚSCULO LISO

Músculo liso Neurotransmissor Neurotransmissor

Potencial de membrana (mV)


unitário excitatório inibitório

Tensão
MÚSCULO LISO

Músculo liso unitário

Junções abertas
MÚSCULO LISO

Músculo liso multiunitário

Poucas junções abertas

Íris (olho)
Músculo liso - grandes vasos sanguíneo
Vias aéreas
Músculo piloeretor (pele)
Contração
Bibliografia: muscular
Berne R.M., Levy M.N. Fisiologia, 4a ed. 1998.
Ed.
Guanabara Koogan.

Costanzo L. Fisiologia, 1998. Ed. Guanabara


Koogan.

Schauft C., Moffett D., Moffett S. Fisiologia


Humana, 1993. Ed. Guanabara Koogan.