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A ÉTICA

CARTESIA
NA
DR. Lino
Batista

VIDA E OBRAS

Vida: René Descartes , 31 de março de
1596 – 11 de fevereiro de 1650.
Filósofo, físico e matemático francês.

Descartes, por vezes chamado de "o fundador
da filosofia moderna" e o "pai da matemática
moderna", é considerado um dos pensadores
mais importantes e influentes da História do
Pensamento Ocidental.
Obras: "Regras para a direção do espírito"
(1628); "O Mundo ou Tratado da Luz" (16321633); "Discurso sobre o método" (1637);
"Geometria" (1637); "Meditações Metafísicas"
(1641); "Princípios de Filosofia" (1644); "As

O que se
espera ao
estudar
ética em
Cartesio?

a
possibilid
ade de
uma ética
descrita
por
Descartes
através
de sua
conceitua
ção da
moral
com
regras
provisória
s e de
uma
moral
definitiva
que é
Sagesse
(sabedori
a), e
que, no
limite, se
identifica
com a
vontade

Assim, os
ensiname
ntos
práticos e
teóricos
de
Descartes
, colhidos
na obra
Meditaçõe
s podem
significar
a fonte da
ética.

A partir
dela, o
homem
pode
transform
ar a
atitude
inicial de
indiferenç
a em
procura
da
verdade e
do bem
supremo.

E este
gesto
metafísico
decisivo,
de
procurar
o infinito
na
finitude, e
a
perfeição
na
imperfeiç
ão, é mais
important
e para a
compreen
são do
filosofar
do que os
princípios
do
sistema
cartesian
o.

INTRODUÇAO:

Descartes não escreveu exatamente sobre ÉTICA

isso nos leva a considerar que o tema carece de um
lugar dentro de sua filosofia.
Isto foi reforçado pela tendência atual de uma
compreensão mais abrangente de sua obra,
principalmente no “Discurso do Método ” (1637), nas “
Meditações (1641), nas correspondências com a princesa
Elizabeth da Boêmia (1645) e em “ As Paixões da
Alma ” (1649), obras que oferecem uma visão ética em
Descartes, embora não apresente sua posição em detalhe.

. insiste que os benefícios práticos da sabedoria. devem considerar “ como aumentar a luz natural da razão (. que é praticamente a única felicidade nesta vida que é completa e sem problemas julgamento. em que “ o conforto da vida e o prazer são adquiridos pela contemplação da verdade. sendo que esse deve ser perseguido por sua própria causa..) a fim de que seu intelecto mostre a sua vontade de decisão em cada uma das contingências da vida” (DESCARTES. No entanto. 1987). Para Descartes. identificado como “ bom senso ” e “sabedoria universal ”. um dos objetivos principais da filosofia é o de cultivar a capacidade de B. pois outros fins podem nos distrair do curso C. podemos esperar receber os frutos legítimos das ciências.A. assim alcançados. Descartes da questão. . Desta forma.

um discurso metódico sobre os atos humanos.1. . No fundo A sua metafísica da razão teórica não foi acompanhada por uma metafísica explícita da razão prática. em paralelo com o seu discurso sobre a consciência teórica da verdade. motivo pelo qual Descartes não nos legou uma Ética. foi sempre notório a omissão de um tratado moral. O lugar da Ética na Filosofia de Descartes: • A) No conjunto da obra de Descartes. ou seja.

e debate os pressupostos. encontramos elementos sobre a possibilidade da Ética em Descartes. trata as regras morais. a qual Descartes indica como o “bom senso” e a “ sabedoria universal”. . elenca as questões principais. que enuncia os objetivos. através das cartas escritas à princesa Elizabeth da Boêmia. distribuídos por tratados.b) Em Descartes o principal objetivo da filosofia é cultivar a capacidade de julgamento das pessoas. como o Discurso do Método. Meditações. As paixões da alma e correspondências. Contudo.

C) A moral provisória descrita por Descartes na terceira parte do Discurso do Método. numa carta escrita por ele à princesa Elisabeth em 4 de agosto de 1645. que aparece como uma moral de valor permanente. como necessidade para todos os que quisessem dedicar-se ao estudo da sagesse. não pode ser considerada como uma mera peça auxiliar da construção filosófica de .

enquanto expressão da virtude vem a integrar-se nessa construção. ou seja. . uma forma da virtude. Toda a moral provisória já é o testemunho escrito do que Descartes chama mais tarde a virtude de generosidade. a moral pro visória.D) Ao contrário. com algumas modificações. na medida em que consiste em empreender e executar o que parece o melhor (e não poderíamos executar o que parece o melhor sem ter a livre disposição de nossas vontades).

Mas. que tirou do método essas regras de sua moral provisória.2. as quatro máximas aparecem nessa terceira parte do Discurso como “normas particulares . no seu resumo do Discurso. isto é. O Discurso do Método e o código da moral provisória: seu Discurso do Método que Descartes nos participa as máximas da moral provisória que formou para si mesmo e ele declara. como todo Discurso do Método. um caráter pessoal. não podemos esquecer que essa moral tem.

menos por serem verdadeiras do que pelo fato de sua observação lhe proporcionar mais possibilidades de viver feliz.B) Para Descartes a vida impele a filosofia a agir antes de estar de posse de uma moral. . por isso adota provisoriamente algumas regras práticas. enquanto espera conhecer melhores.

e a isso resolveu consagrar-se. A terceira. uma vez que as escolhesse como tivessem sido muito garantidas. seguindo o seu método. conservando a religião da infância e seguindo. mais do que a ordem do mundo. com quem tinha de viver. em tudo. cultivando a razão e avançando o mais que pudesse no conhecimento da verdade. . a opinião mais modera da dos homens sensatos. tendo examinado todas as ocupações a que os homens se dedicavam. mais do que vencer a fortuna.C) As regras: A primeira era obedecer às leis e aos costumes do s eu país. ser o mais firme e o mais resoluto possível nas ações e seguir com igual constância as opiniões mais duvidosas. procurar sempre vencer-se. Por último. A segunda. Descartes concluiu que não existia nenhuma que fosse mais importante do que filosofar. e mudar os seus desejos.

D. a de seguir as leis e costumes tradicionais. dado que é preciso orientar-se pelos que melhor sabem articular a condição humana.A primeira máxima da moral provisória vale como uma deliberação prévia. olhando mais os que praticam do que os que apenas dizem. embora sejam importantes os votos e os contratos feitos com bom senso. como regra de prudência. não devem nunca tolher a nossa . e vale como regra de aperfeiçoamento porque.1) . O caráter provisório equivale primeiro.

entre a indeterminação e . Também aqui.D. trata-se de adotar a regra prudencial de que a resolução na ação deve suprir a imperfeição nos juízos que a ela nos conduziu. As opiniões mais prováveis devem ser seguidas quando não está ao nosso alcance saber as verdadeiras. a resolução é o meio termo virtuoso que deve guiar a nossa ação. pois em vez de adotar teimosamente uma decisão de uma vez por todas.2) . a segunda máxima é do âmbito da decisão. Mas o aperfeiçoamento é possível.Já.

Trata-se de delimitar os desejos. no que está ao nosso alcance. de modo a que não influenciem a vontade. . escapamos ao domínio da fortuna e procuramos o contentamento em nós mesmos. Fazendo da necessidade virtude. ou melhor.se constitui na regra sobre o desejo.

propriamen te de uma máxima ou de uma . portanto. não se tratando.quarta e última máxima da moral provisória é apenas a expressão da escolha feita por Descartes.

mas porque é necessário esperar pela aplicação do método. visto que este já existe. tal como ele se apresenta antes da constituição da ciência. donde sairão as ciências que servirão de fundamento à moral definitiva. Podemos então dizer que a moral provisória resulta de uma aplicação da inteligência ao problema da conduta.1) As máximas e o discurso do método: estejam à espera da constituição do método. E a discriminação entre os problemas que devem de início ser perfeitamente determinados (os científicos) e os que não o podem ser (os da .2.

As necessidades práticas da conduta e a urgência dos seus problemas não eliminam a atividade da mente. é em suma. pois a moral provisória exige do espírito o esforço constante de procurar o melhor.A terceira parte do Discurso do Método é o tratamento provisório das questões provisoriamente indeterminadas. uma forma da virtude. sem que lhe ofereça um critério certo. .

que são: A noção de virtude. como um estado mental do sentir-se bem. Descartes elabora uma relação entre estas duas ideias.No Discurso do Método estão expressas as ideias mais relevantes com respeito à Ética em Descartes. Em sua correspondência com a princesa Elisabeth. que pode ser alcançado através da prática da virtude. Descartes não dá menos relevância para a importância da felicidade. como a disposição da vontade de escolha baseada em um bom julgamento e a noção de felicidade. sendo importante notar que. . embora seja a virtude que une a ética para o grande objetivo do cultivo da razão.

3. a imortalidade da alma. As Meditações e a Ética da crença Nas Meditações de Filosofia Primeira. em expressamente mostrar preocupações práticas. Esta obra se distingue das outras obras de Descartes. uma narrativa da existência pessoal em relação com Deus. . a extensão do universo e a participação da pessoa num bem social comum.

mesmo que esta possibilidade da ética não se . Mas a filosofia prática de Descartes admite que o dever seja derivável do ser.Decerto que a ruptura cartesiana com a metafísica das formas substanciais da Escola Aristotélica privou a meditação sobre os atos humanos de um fundo conceitual teleológico.

ou vontade. são os objetivos da possibilidade da ética. fim e felicidade. ou intelecto. ou apetite sensorial. a bondade e a maldade como qualificativos morais das ações humanas resultam da existência do livre arbítrio. Assim. as paixões são forças naturais a serem dominadas pela vontade. intelecto e vontade refletem-se nas três regras da moral provisória. e a . os três princípios dos atos humanos apetite sensitivo. entre as virtudes sobressai a generosidade como abnegação do indivíduo no bem comum. fim e felicidade. preceda a regra da decisão.A meditação cartesiana nunca perde de vista as questões centrais de bem. e a do desejo. mesmo que as desenvolva segundo uma peculiar ordem de razões. embora a regra da deliberação. as noções centrais de bem.

conteúdo e sanção . ditadas pelo desaparecimento da metafísica das formas substanciais e pela ruptura com a visão teleológica da realidade. Para a Escola. é Deus. e para Tomás de Aquino em particular. regra. O princípio externo da moralidade. externo. Tomás apropriou-se da doutrina aristotélica sobre o hábito para a doutrina cristã da vida e da graça.Descartes e a Escola. os atos humanos pressupõem princípios interiores e externos. pela Sua lei confere norma. mas superior ao homem. Os princípios interiores são as virtudes naturais e sobrenaturais que sustentam e fortificam de modo durável as potências da alma no seu movimento para o fim derradeiro. Por um lado. Ao hábito bom opõe o pecado que afasta o homem do seu fim último. são fundas e significativas.

ao observar os movimentos do coração. Enquanto um Tomás de Aquino compreendeu a importância da doutrina dos sentimentos para a ética. que por ser verdadeiramente cristão é santo.Enquanto na antropologia da Escola o homem é síntese de corpo e alma. Donde a ausência de uma teoria dos sentimentos morais. para Descartes. e o apetite sensível com suas emoções e afetos exercem poderosa influência sobre a vida e as tendências morais. a impossibilidade de ligar virtudes éticas e teologia. Descartes não tem uma doutrina dos sentimentos. razão e vontade são as faculdades principais da ação moral e a sensibilidade desempenha um papel secundário. nem observações sobre o homem bom. . e a diminuição do catálogo de virtudes.

. A primeira incide sobre a deliberação. ou seja. E só na terceira é que vem referida. o desejo ou sensibilidade. e ainda assim de modo circunscritivo. a uma metafísica sem teleologia corresponde a uma ética sem tabela de virtudes. A existência de Deus foi acolhida como princípio interno decorrente da busca da verdade na alma. Significativa ainda é a própria ordem de precedência das regras da moral provisória. sem doutrina dos sentimentos. e sem referência a princípios internos e externos de ação. sobre propriedade da razão. Neste sentido. A segunda sobre a decisão. que é propriedade da ordem da vontade.Da meditação cartesiana desapareceu qualquer princípio externo da moralidade.

ou “liberdade de escolha”. para afirmar ou negar. consiste na nossa capacidade de fazer ou não fazer algo (ou seja. perseguir ou evitar). uma investigação. apesar de termos uma percepção do verdadeiro ou do bem. Em geral. a vontade.Na verdade. porém. Descartes assume a operação da vontade de ser parte integrante da ação e do julgamento. que está intimamente relacionada com a ética: a disposição adequada da vontade. nas Meditações. . somos livres para tomarmos nossas decisões. temos um contexto teórico.

. apesar da inadequação de grande parte do nosso conhecimento. Em seus escritos mais tarde. que mostra como podemos ter a certeza da nossa capacidade de fazer as escolhas certas. ele apresenta um relato da virtude.Descartes não acredita que essa condição é irremediável. ou agir de forma virtuosa.

ao responder às réplicas e tréplicas da Princesa. dentre eles que. . enfim. A correspondência com a Princesa Elizabeth. particular reconhecia na aptidão para o debate das questões morais. princesa vários motivos. prometeu-lhe e escreveu o Tratado das Paixões da Alma e dedicou-lhe os Princípios de Filosofia . Descartes dainterlocutora Boêmia. a felicidade e a generosidade numa analise ética O debate da ética cartesiana surge claramente na correspondência do filósofo O acervo das cartas é importante por Descartes com Elizabeth. medindo a importância do tema. elabora os pressupostos da sua ética. a virtude.4.

a beatitude consiste numa perfeita satisfação interior e um contentamento do espírito que os sábios adquirem sem os favores da fortuna. .1) Descartes e o bem Entre os filósofos estudados por Descartes há três opiniões sobre o que é o bem: Epicuro identifica-o ao prazer. Mas como é isto possível? Os filósofos antigos eram obrigados a fazer da necessidade virtude.4. a) Descartes ocupa-se em particular do bem supremo Afinal. Zenão à virtude. e Aristóteles ao conjunto das perfeições de corpo e espírito. A virtude cristã aceita a vontade de Deus porque vê nela a origem do bem.

Por outro lado. Mas o pressuposto é inaceitável porque seria preciso julgar absolutamente bem. Para estimar os bens é preciso conhece-los. Concorda com Descartes que “o hábito de estimar os bens conforme podem contribuir para o contentamento (.. como definir as paixões? Se umas perturbam. outras ajudam a razão. Como as submeter à razão? Até onde se deve seguir o que a natureza nos diz? ..) os garantirá de muitas falhas”.b) A primeira objeção de Elizabeth dirige-se contra o preceito de que “basta julgar bem para bem proceder”. e para conhecê-los perfeitamente seria necessária uma ciência infinita.

sempre que a ocasião se proporciona. .c) A respos ta de Descar tes O essencial da resposta de Descartes consiste em lembrar como os preceitos provisórios devem ser postos em tensão com a meditação da verdade. O segundo pólo da ética exige dois procedimentos complementares: a aquisição de conhecimento verdadeiro e o hábito que nos faz seguir esses conhecimentos.

Como só Deus sabe tudo. A segunda coisa a conhecer é a natureza da alma. da sociedade e da família. embora cada indivíduo tenha interesses distintos. criador de decretos infalíveis.c) Quais os conteúdos verdadeiros fundamentais? O primeiro é que existe um Deus. o que nos desprende do temor da morte e destaca das coisas do mundo. do estado. e mais particularmente umas das partes da terra. e esta para servir o homem. e nascimento. somos uma das partes do universo. não subsistimos isolados. juramentos. a que nos ligamos por moradas. mais nobre que a do corpo. Enfim. A terceira verdade é de que a extensão do universo ajuda a pensar que os céus são feitos para o serviço da terra. contentemo-nos .

o discurso ético cartesiano destaca como o hábito é necessário para bem julgar. as virtudes são hábitos. Se. Além do conhecimento da verdade. na prática. um firme hábito de acreditá-lo.d) O hábito Tal como a Escola salientou. Enquanto examino as verdades aumento o meu hábito e a meditação da verdade torna-a uma prática. em teoria. falta-nos. temos conhecimento do que se deve fazer. . A frequente meditação imprime nos nossos espíritos as razões que nos persuadiram das verdades fundamentais.

A consciência humana do movimento da graça divina em direção ao humano tem a sua . Faz parte de uma narrativa iniciada por Deus. entre a parte e o todo. Evidencia-se através de uma meditação que não é fruto da subjetividade de qualquer pensador. mediante ideais factícias e adventícias. o humano e o divino. ao articular a consciência da sua busca da verdade como ato de participação do finito no infinito e do imperfeito no perfeito. mesmo que esse pensador seja da estatura de Descartes. mas sim de uma meditação. A sabedoria não é uma informação disponível em qualquer tempo e espaço: é um vínculo a conseguir entre o finito e o infinito. origem das ideais inatas e continuada pelo homem.e) O ponto central da possibilidade da ética O conhecimento da verdade não resulta de uma informação.

a extensão do universo destaca-nos das pequenas coisas. que é fundamento da teologia. mas não das impostas pelos homens cujo arbítrio parece livre. mas separa a ideia cartesiana de Deus da providência particular. Admite que sermos parte do todo é fonte de generosidade.4. Mas . Argumenta que a existência de Deus nos consola de infelicidades da natureza.2 A Princesa Elizabeth tradição metafísica e as objeções da E na sua réplica objeta sobre o modo de conciliar a vontade de Deus com a liberdade humana. a imortalidade da alma consola-nos da morte. mas não das desgraças presentes.

Enquanto o egoísta apenas frui de bens particulares. o homem virtuoso participa em bens que são comuns. O tempo é necessário para bem deliberar. Descartes começa por distinguir entre o bem supremo que é exercício da virtude. O nosso espírito precisa relaxar para procurar verdades.Na resposta as objeções. a posse de bens cuja aquisição depende de liberdade e a satisfação e contentamento que daí se segue. deve-se procurar uma visão razoável. Embora não exista ciência infinita para conhecer todos os bens. ou seja. .

Continua ndo a responde r às objeções. causa tanto dos efeitos que dependem do nosso livre arbítrio como dos que não . Afirma Descartes que “nada se passa que não seja a vontade de Deus.

mas se pensarmos na potência infinita de Deus. paradoxo do livre arbítrio. Ser livre é fazer o bem .A tréplica da Princesa mostra que o livre arbítrio está dependente de Deus no ser. este é independente se pensarmos só em nós. Ser livre não é ser indiferente. Liberdade humana e onipotência divina não são incompatíveis. mas não no operar. O que experimentamos em nós é distinto da realidade vista sob a espécie de Deus. tudo depende Deste. a indiferença é o grau inferior da liberdade e mais parece defeito no conhecimento do que perfeição na vontade.

.4. é um esforço. para Descartes. porém não é apenas esforço para bem agir de acordo com os melhores juízos possíveis. uma conquista da vontade. mas também um esforço de bem pensar o que diz respeito ao bem.3) Sobre as virtudes: Agora no que concerne a virtude.

o bem não é propriedade privada.Ainda sobre a virtude. A amizade é partilha de bens. Descartes é cúmplice da visão segundo a qual a educação para a virtude ensina que o meu bem como ser humano é idêntico ao de outros seres humanos. O egoísta é sempre alguém .

não existem atos com valor moral.Conclusão: Descartes é um pensador da ética porquanto sabe que . sem liberdade. . nem sequer ação propriamente humana. Atinge esta conclusão ao contrastar costume e senso comum com a vontade de Deus.

não é a moralidade. necessário e impossível. Descartes antecipa a crítica espiritualista às posições triunfantes no Iluminismo. Descartes coloca a questão ética como um subproblema do problema ontológico da busca da verdade. (desenvolvidas a partir da segunda metade do século XVII). ao mesmo tempo.Ao estabelecer a possibilidade da ética como a elaboração da consciência da tensão nos atos humanos livres. Perante os que consideravam o homem egoísta por natureza. em que o finito participa do infinito. identificando conteúdo moral e altruísmo. tornandose este. . mas sim a verdade que é a solução para o problema do egoísmo individual. Para ele.

a . E. Analytica. (Coleção Os Pensadores). São Paulo: Brasiliense. Discurso do Método. 1996. As Paixões da Alma. 1987. vol. HENRIQUES. 1987 Os Pensadores). Ensaio sobre a moral de Descartes. 2. 10.M. substância e atributo essencial no sistema cartesiano”. e TEIXEIRA. “Dualismo. Descartes Possibilidade da Ética. Mendo Castro. René. 2006: 9-105. no. Lisboa: UCP. ROCHA. L. São Paulo: Nova Cultural. 1990. (Coleção São Paulo: Nova Cultural.Bibliografia: DESCARTES.