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Brasil

Primeira República

Brasil Primeira República

O que é República?

República é o regime político

em

que

o

chefe de

Estado é

eleito pelo povo de forma direta

ou indireta, assembleia

por meio de uma representativa,

para cumprir um mandato por “tempo determinado”.

O que é República? República é o regime político em que o chefe de Estado é

A república pode ser parlamentarista, sistema em que o poder se concentra no Parlamento, ou Presidencialista,

em que o Chefe de Estado detém também a chefia de governo. Por definição, a organização política republicana está voltada para a gestão do interesse comum

da sociedade.

 A república pode ser parlamentarista, sistema em que o poder se concentra no Parlamento, ou

1. A Proclamação da República

A resistência dos setores conservadores do Estado brasileiro à abolição da escravatura fazia sentido. A sobrevivência do império se entrelaçava à do escravismo, numa imagem invertida da articulação entre os movimentos abolicionista e republicano. Quando os escravos foram libertos, a vitória republicana tornou-se uma questão de tempo.

1. A Pro c lamação da República A resistência dos setores conservadores do Estado brasileiro à

Proclamação da República, pintura de Benedito Calixto, 1893

Proclamação da República, pintura de Benedito Calixto , 1893

Positivismo

Doutrina

filosófica

que

surgiu

na

França,

no

século XIX, sob orientação de Auguste Comte. O Positivismo afirma que o único conhecimento válido é aquele alcançado pela ciência. Comte defendia a ideia de que o altruísmo deveria se sobrepor ao egoísmo para a sociedade alcançar o bem comum. O positivismo teve em Benjamim Constant, participante da proclamação da República, um dos seus principais representantes no Brasil. O lema Ordem e Progresso da bandeira brasileira tem inspiração positivista.

Positivismo Doutrina filosófica que surgiu na França, no século XIX, sob orientação de Auguste Comte. O

2. Os primeiros tempos da República

A transição para o novo regime foi feita sem grandes conflitos, alterações socioeconômicas ou participação popular. O Brasil continuou a ser um país agroexportador, longe dos interesses dos que defendiam um projeto de ampla industrialização. A República brasileira também não incorporou em seu projeto político as classes menos favorecidas da população. Isso gerou descontentamentos nos grupos que desejavam modificações estruturais mais profundas com o advento do regime republicano.

2. Os primeiros tempos da República A transição para o novo regime foi feita sem grandes

2.1 A crise econômica

As reformas político-administrativas do Estado foram seguidas por medidas econômicas também necessárias ao funcionamento da República. Uma das primeiras decisões tomadas pelo então ministro da Fazenda, Rui Barbosa, em 1890, foi a política de incentivo à criação de empresas industriais e comerciais no país.

Rui Barbosa acreditava que o melhor estímulo

à industrialização

seria acabar com a falta de

crédito no país. Para isso, ele permitiu que

alguns bancos privados emitissem papel-moeda.

2.1 A crise econômica As reformas político-administrativas do Estado foram seguidas por medidas econômicas também necessárias

Encilhamento

O term0 é uma alusão ao hipódromo, local onde

os cavalos são encilhados e preparados corrida.

para

a

Encilhamento O term0 é uma alusão ao hipódromo, local onde os cavalos são encilhados e preparados

2.2 A primeira Constituição Republicana

No final de 1890, Deodoro da Fonseca convocou eleições para a Assembeia Constituinte, que no início de 1891 promulgou a Constituição Republicana do Brasil. A carta refletiu a hegemonia dos defensores do liberalismo de influência norte-americana.

Após

a

promulgação da Constituição, os

progressistas escolheram o novo presidente. Como naquela época era permitido votar em candidatos de chapas diferentes, o cargo de presidente da República foi ocupado pelo marechal Deodoro da Fonseca e o de vice-presidente pelo marechal Floriano Peixoto.

2.2 A primeira Constituição Republicana No final de 1890, Deodoro da Fonseca convocou eleições para a

A tensão cresceu quando, em 3 de novembro de

1891,

um

decreto

do

Executivo

fechou

o

Congresso, anunciando a convocação de novas eleições e uma revisão constitucional.

A resistência ao autoritarismo do governo federal foi organizada por SP, MG, RJ, PE e PA, com a apoio da Marinha e de setores do Exército. Paralelamente a essa movimentação, os ferroviários deflagraram uma greve na estrada de ferro Central do Brasil, o que trazia sérios riscos para o abastecimento da capital federal. Doente e receando uma guerra civil, Deodoro renunciou em 23 de novembro de

1891.

A renúncia de

Deodoro levou à presidência da

A tensão cresceu quando, em 3 de novembro de 1891, um decreto do Executivo fechou o

República Floriano Peixoto.

2.4 O governo de Floriano Peixoto

Para conseguir apoio popular, Floriano tomou medidas como diminuição dos preços dos aluguéis das casas dos operários, isenção de impostos sobre a carne para baratear o produto e controle dos preços dos gêneros de primeira necessidade. Outras iniciativas visavam combater os efeitos do

Encilhamento, tais

como

incentivar a

industrialização e fiscalização e aplicação do erário público. Mas essas medidas não foram suficientes para evitar uma forte oposição civil e militar sob a forma de movimentos rebeldes, como a Revolução

Federalista, no Rio Grande do Sul, e a Revolta da

2.4 O governo de Floriano Peixoto Para conseguir apoio popular, Floriano tomou medidas como diminuição dos

Armada, no Rio de Janeiro.

1. República da Espada (1889-1894)

1.1 Governo de Deodoro

1ª Fase: Governo Provisório

Decreto de banimento da Família Real Convocação da Assembleia Constituinte Resistências à República, na Marinha Eleição indireta de Deodoro Encilhamento (Rui Barbosa)

1. República da Espada (1889-1894) 1.1 Governo de Deodoro 1ª Fase: Governo Provisório • Decreto de

2ª Fase: Governo Constitucional

Crise econômica Oposição dos cafeicultores Fechamento do Congresso 1ª Revolta da Armada (Custódio de Melo) Renúncia de Deodoro

2ª Fase: Governo Constitucional  Crise econômica  Oposição dos cafeicultores  Fechamento do Congresso 

2.2 Governo de Floriano Peixoto

Assumiu

inicialmente

sob

cafeicultores paulistas

apoio

dos

Não cumpriu a Constituição no que tange às novas eleições

Perda do apoio dos cafeicultores 2ª Revolta da Armada

Revolução Federalista no sul do país Reconquista do apoio da elite cafeeira

de

Congelamento alimentícios

aluguéis

gêneros

2.2 Governo de Floriano Peixoto  Assumiu inicialmente sob cafeicultores paulistas apoio dos  Não cumpriu

Consolidador da República

2.3 Características da Constituição de 1891

Copiada

da

constituição

dos

Estados

Unidos Adotou o sistema presidencialista

Fim do poder moderador Legislativo federal bicameral unicameral

e estadual

Voto aberto e universal masculino para os maiores de 21 anos alfabetizados

Fim do voto censitário

Separação Igreja e Estado

2.3 Características da Constituição de 1891  Copiada da constituição dos Estados Unidos  Adotou o

Mandato de 4 anos para presidente

3. A República das Oligarquias

Enquanto

o

Exército

esmagava

os

focos

de

descontentamento

 

armado,

os

grupos

oligárquicos,

principalmente

 

o

cafeeiro,

preparavam-se

para

assumir

o

controle

da

República.

No processo sucessório à presidência, o grupo mais beneficiado foi o paulista, que apoiou Floriano e, nas eleições de 01/03/1894, elegeu Prudente de Morais, ligado ao PRP. A partir desse momento, o poder político passou a ser controlado pelas elites agrárias, notadamente de MG e SP, no período que

ficou conhecido como República Oligárquica.

3. A República das Oligarquias Enquanto o Exército esmagava os focos de descontentamento armado, os grupos

3.1 Mecanismos de sustentação política

Para garantissem-se no poder, as elites rurais criaram três instrumentos: a política dos governadores, a política do café com leite e a Comissão de Verificação de Poderes.

Constituída no governo de Campos Sales (1898-1902), a política dos governadores consistia em um acordo firmado entre o presidente da República e os presidentes de estado (governadores), para que estes apoiassem candidatos ao congresso – senadores e deputados – fiéis ao governo federal. Em troca, o Executivo não interferiria nas eleições estaduais, garantindo a permanência dos mesmos grupos no poder.

3.1 Mecanismos de sustentação política Para garantissem-se no poder, as elites rurais criaram três instrumentos: a

Para viabilizar a política dos governadores, o governo federal criou a Comissão Verificadora de Poderes. Composta por 5 parlamentares, essa Comissão ganhou o direito de diplomar os candidatos que interessavam ao governo federal e “degolar” os opositores, ou seja, impedir que eles tomassem posse. Para isso, dizia-se que candidatos haviam cometido irregularidades durante a campanha eleitoral, algo corriqueiro em um período em que fraudes e outras ilegalidades definiam

as eleições em todos os níveis. Apenas os deputados e senadores coniventes com a política federal eram legitimados para assumir cargos públicos. Desse modo, o Executivo podia contar com um Congresso, sempre

disposto a aprovar

os projetos do governo.

Para viabilizar a política dos governadores, o governo federal criou a Comissão Verificadora de Poderes .

A consolidação do compromisso entre o

governo federal e os presidentes de estado

facilitou

o

predomínio

político

dos

dois

estados mais fortes da época: MG e SP. Além

de economicamente dominantes,

eles

garantiam o

maior número de cadeiras no

Congresso Nacional. A chamada política do café com leite consistiu na alternância de

paulistas e mineiros na

presidência

da

República durante toda a Primeira República.

A consolidação do compromisso entre o governo federal e os presidentes de estado facilitou o predomínio

O Coronelismo

O coronelismo é um dos elementos fundamentais para se compreender o funcionamento da República das Oligarquias. O título de coronel surgiu no período regencial. Era normalmente concedido aos grandes fazendeiros que patrocinavam a Guarda Nacional, responsável pela manutenção da ordem interna do país, reprimindo as revoltas sociais. Com a proclamação da República e o fim da Guarda Nacional, os coronéis mantiveram o prestígio e o respeito desde então. Esses indivíduos cultivavam a prática política da troca de favores e dessa mantinham sob sua ‘proteção’ uma série de afilhados em troca de obediência.

O Coronelismo O coronelismo é um dos elementos fundamentais para se compreender o funcionamento da República

Os coronéis exerciam sua influência política na vizinhança de suas propriedades rurais – áreas

consideradas como currais eleitorais. No período de eleição, os dependentes do coronel votavam nos candidatos apoiados por ele, em uma prática que ficou conhecida como voto de cabresto. Essa

indução de escolha era

facilitada pelo sistema

eleitoral em vigor, no qual o voto era aberto. Para

votar, o cidadão dirigia-se à mesa eleitoral, escrevia o nome do candidato e assinava ao lado. Como era fácil saber em quem o eleitor tinha votado, o

coronel

podia

pressioná-lo.

Esse

sistema,

que

favorecia

a

fraude

eleitoral,

garantindo a

perpetuação das

oligarquias rurais no poder.

Os coronéis exerciam sua influência política na vizinhança de suas propriedades rurais – áreas consideradas como

O coronelismo facilitou a

corrupção e

o

uso

de

cargos públicos para conquistar privilégios privados. Essas são práticas que continuam presentes no Brasil e em vários países do mundo na atualidade.

O coronelismo facilitou a corrupção e o uso de cargos públicos para conquistar privilégios privados. Essas

Voto de Cabresto

Voto de Cabresto
Voto de Cabresto

3.1 A primazia do setor primário

Durante a

Primeira República, o

estímulo às

atividades agroexportadoras esteve entre as prioridades do governo federal. O café , o “ouro verde”, representou o principal produto de exportação. No início do século XX, o café já havia se expandindo para diversas áreas de cultivo além de São Paulo, como por exemplo, Minas Gerais.

A cultura cafeeira beneficiou-se da abertura de

linhas

de

crédito, dos preços favoráveis no

mercado internacional e do grande contingente de

imigrantes europeus, empregados como mão de

obra nos cafezais.

3.1 A primazia do setor primário Durante a Primeira República, o estímulo às atividades agroexportadoras esteve

A

maioria

dos

imigrantes utilizados nas

fazendas de café provinha de regiões rurais do continente. Eles entraram no país durante

o fim do século XIX e início do XX e

contribuíram para

aumentar

o

número

da

população brasileira. Nesse período, o Brasil

recebeu

grande quantidade de italianos,

espanhóis,

portugueses,

entre

outros,

que

foram trabalhar nos cafezais de SP, MG e RJ.

Com o passar dos anos, muitos dos imigrantes abandonaram os cafezais e seguiram em

A maioria dos imigrantes utilizados nas fazendas de café provinha de regiões rurais do continente. Eles

direção às cidades, em busca de melhores

condição de vida e trabalho.

 

no

início do

entre

1901

e

1909,

a

lavoura

cafeeira

século XX, enfrentou

momentos

 

de

crise

provenientes

da

superprodução,

responsável

pela

queda

nos

preços

e

pelos

gastos

com

o

armazenamento do produto. Por isso, os governos estaduais decidiram interferir no mercado e garantir um preço mínimo para o café.

Para evitar prejuízos aos cafeicultores, o governo federal firmou em 1906, na cidade paulista de Taubaté, um acordo com os presidentes de estado de SP, MG e RJ. O Convênio de Taubaté determinou

que os governos dos três estados comprariam a safra

prevista de café por um preço fixado com antecedência, de maneira que evitasse a desvalorização;
prevista
de
café
por
um
preço
fixado
com
antecedência,
de
maneira
que
evitasse
a
desvalorização;

que seriam solicitados empréstimos no exterior para os governos estaduais, a fim de que estes

pudessem adquirir o

produto;

e

que

os estoques

seriam armazenados e fornecidos mais tarde ao

mercado de acorde com a procura.

Com esse mecanismo, ao cofres públicos seriam onerados, uma vez que os estados teriam de contrair dívidas no exterior para a compra das safras, e os gastos seriam repassados ao povo por meio do aumento dos impostos.

Além

do

café,

o

Brasil exportava em grande

quantidade borracha, cacau e cana-de-açúcar. Desde os tempos do império, o látex era extraído de

que seriam solicitados empréstimos no exterior para os governos estaduais, a fim de que estes pudessem

seringueiras espalhadas pela floresta amazônica.

Porém,

no

início

do

século

XX,

o

crescimento

da

indústria

 

automobilística

favoreceu

e

bom

preço

da

borracha

no

mercado

externo

e,

com

isso,

levou

ao

aumento

ao

aumento

do

extrativismo,

especialmente entre 1905 e 1913.

Mas,

a

partir desse ano, a produção brasileira entrou

em declínio

por

causa da concorrência da

produção

dos

seringais cultivados na

Ásia

pelos ingleses.

Porém, no início do século XX, o crescimento da indústria automobilística favoreceu e bom preço da

3.4 O desenvolvimento industrial

Em decorrência da própria estrutura econômica do país, predominantemente agrícola desde os tempos coloniais, nas quatro décadas da Primeira República a indústria brasileira esteve relegada ao segundo plano.

Entretanto, a concentração de capitais acabou contribuindo para a expansão da atividade industrial em algumas cidades (São Paulo e Rio de Janeiro) e regiões brasileiras (RS, PE, MG, PR, BA e SC). Foram basicamente iniciativas localizadas, por vezes complementares à agricultura, que não

representaram uma industrialização efetiva.

3.4 O desenvolvimento industrial Em decorrência da própria estrutura econômica do país, predominantemente agrícola desde os

O dinheiro necessário às instalações industriais provinha de investidores brasileiros, principalmente cafeicultores, imigrantes enriquecidos e do capital financeiro internacional. À medida que aumentava o

número de empresas, cresciam o mercado de

trabalho, a população urbana, prestação de serviços.

A

maior

concentração

de

o

comércio

e

a

estabelecimentos

industriais ocorreu no RJ e em SP. Pode-se afirmar que,

em SP, o capital industrial nasceu do capital cafeeiro:

as crises periódicas de superprodução de café abriram caminho para o deslocamento de capitais para novas áreas de investimentos, entre elas o setor industrial. Foi o caso da indústria têxtil, que se originou, em

O dinheiro necessário às instalações industriais provinha de investidores brasileiros, principalmente cafeicultores, imigrantes enriquecidos e do

grande parte, do comércio de tecidos.

Mulheres e crianças formavam um segmento importante da mão de obra empregada nas

fábricas e em geral recebiam salários mais baixos

para

tarefas

similares

homens adultos.

àquelas exercidas pelos

As condições de trabalho eram rigorosas, às vezes brutais: a jornada variava entre 10 e 12 horas diárias e os operários constantemente eram punidos multas ou agressões físicas. Não havia legislação trabalhista que garantisse ao assalariado descanso semanal, férias ou remunerações.

O tamanho das fábricas variava: desde pequenas oficinas até indústrias que reuniam centenas de

operários.
operários.

Os investimentos concentravam-se em indústrias leves de bens de consumo – setores têxtil, de alimento, bebidas, calçados, chapéus e fumo – que tinham custos iniciais relativamente pequenos e não demandavam tecnologia sofisticada.

Durante a 1ª Guerra Mundial, a necessidade de

substituir

importações

acabou

ampliando

a

variedade

de

itens

produzidos,

tais

cimento, ferro,

aço,

e papel.

Nos anos

como

1920,

algumas

finalizar

empresas

no

Brasil

estrangeiras

produtos

chegaram

químicos

a

e

farmacêuticos;

outras

estabeleceram

se

ramos de carnes
ramos de carnes

congeladas e de mineração.

nos

3.5 A modernização nas cidades

Entre o fim do século XIX e início do século XX, cidades brasileiras como Rio e São Paulo passaram por um processo de modernização, inspirado no que ocorreu em Paris entre 1853 e 1870. A capital francesa urbanizada servia de modelo para outras cidades do mundo, com seus bulevares, ruas largas repletas de cafés e butiques. O contraste entre o cenário luxuoso de Paris e as vielas estreitas, sujas, sem saneamento e iluminação do Rio de Janeiro era

evidente.

3.5 A modernização nas cidades Entre o fim do século XIX e início do século XX,

Apesar

disso,

homens

de

negócios, grandes

proprietários, altos funcionários e políticos influentes, acompanhados de suas famílias, exibiam hábitos e moda europeus. Essa atitude, que vinha desde os últimos anos do império, acentuou-se durante a fase republicana.

Graças ao esforço modernizador empreendido pelos governos, verificamos a criação de novos bairros, a expansão de serviços de esgotos, água canalizada e transporte coletivo nas principais cidades do Brasil. Em MG, um projeto urbanístico gestado por engenheiros deu origem a Belo Horizonte.

No centro do Rio, áreas ocupadas desordenadamente foram desapropriadas e as habitações coletivas

demolidas para dar espaço às novas avenidas e aos

estabelecimentos.
estabelecimentos.

Havia um esforço para eliminar tudo o que representasse entrave ao progresso e fugisse dos padrões de beleza e higiene.

Alguns dos indivíduos desalojados durante as reformas foram abrigar-se nas recentes vilas operárias, nos subúrbios da cidade. Outros se transferiram para as encostas dos morros e beira dos rios, em locais desvalorizados. Os antigos e decadentes casebres deram lugar a imponentes edificações e a ruas mais largas, propícias para a circulação dos bondes elétricos, de finais do século XX, e para o incipiente fluxo de automóveis, introduzidos no início do século XX

Havia um esforço para eliminar tudo o que representasse entrave ao progresso e fugisse dos padrões

nas grandes cidades brasileiras.

Ainda no Rio, em 1904, surgiu a Avenida Central (atual Avenida Rio Branco), planejada para dar maior acessibilidade ao porto da cidade. Em São Paulo, foram feitos grandes projetos arquitetônicos, liderados por Ramos de Azevedo. Também data dessa época a ocupação mais efetiva da Avenida Paulista.

As

principais

cidades

brasileiras, agora

reformuladas, tornaram-se locais

de

intensa

circulação de pessoas, ideias e mercadorias – estas últimas expostas em profusão nas vitrines das lojas. Os artigos de luxo, considerados da “última moda”, chegavam da Europa nos portos do Rio e de São Paulo e impulsionavam as vendas. Nesse período, eram

importados roupas, móveis,

decoração etc.

Ainda no Rio, em 1904, surgiu a Avenida Central (atual Avenida Rio Branco), planejada para dar

livros,

objetos de

Apesar dos esforços empregados na modernização, as grandes cidades da Primeira República enfrentavam problemas com a criminalidade e com a inundações. As enchentes preocupavam os moradores, como denunciava Lima Barreto, falando sobre o Rio de Janeiro em 1915.

Apesar dos esforços empregados na modernização, as grandes cidades da Primeira República enfrentavam problemas com a

As enchentes no Rio de Janeiro

“As chuvaradas de verão, quase todos os anos, causam no nosso Rio de Janeiro, inundações desastrosas. Além da suspensão total do tráfego, com uma prejudicial interrupção das comunicações entre os vários pontos da cidade, essas inundações

causam desastres pessoais lamentáveis, muitas perdas de haveres e destruição de imóveis. De há muito que a nossa engenharia municipal se devia ter compenetrado do dever de evitar tais acidentes urbanos. [ ] ... O Rio de Janeiro, da avenida, dos squares [praças], dos freios elétricos, não pode estar à

mercê de chuvaradas, mais ou menos violentas, para viver a sua vida integral. Como está acontecendo
mercê de chuvaradas, mais ou menos violentas,
para
viver
a
sua
vida
integral. Como está
acontecendo atualmente, ele é função da chuva.
Uma vergonha! [ ]

O Prefeito Passos, que tanto se interessou pelo embelezamento da cidade, descurou completamente de solucionar esse defeito do nosso Rio.

Cidade cercada

de

montanhas

e

entre

montanhas, que recebe violentamente grandes precipitações atmosféricas, o seu principal defeito a vencer era esse acidente das inundações.

Infelizmente,

porém,

nos

preocupamos muito

com os aspectos externos, com as fachadas, e não com o que há de essencial nos problemas da nossa vida urbana, econômica, financeira e social.”

BARRETO, Lima. Vida urbana. P. 18. Versão digitalizada do site

Domínio Público. Disponível em www.dominiopublico.gov.br. Acesso em 28 nov. 2009.

O Prefeito Passos, que tanto se interessou pelo embelezamento da cidade, descurou completamente de solucionar esse

Rio de Janeiro A cidade republicana

A Capital Federal Centro político e financeiro do país

Quais os mitos fundadores? Em quem se inspirar? Qual o melhor modelo republicano?

Rio de Janeiro A cidade republicana  A Capital Federal  Centro político e financeiro do

A cidade republicana

= ORDEM + PROGRESSO!!! (?)

Inspiração

!?  Europa, França, Paris ...
!?
 Europa, França, Paris ...

A cidade republicana

Obstáculo s ...

Geográficos: morros, mangues, umidade ... Arquitetônicos: vielas, ruas estreitas,

sobrados ...  Sociais: pobreza, cortiços, prostituição, negros ...  E ainda: lixo, falta de sistema
sobrados ...
 Sociais: pobreza, cortiços, prostituição, negros ...
 E ainda: lixo, falta de sistema de água e
esgoto, doenças, mortes...

“Há tradições grosseiras, irritantes, bestiais, que

devem ser impiedosas e inexoravelmente demolidas, porque envergonham a Civilização. Uma delas é esta ignóbil festa da Penha, que todos os anos; neste mês de outubro, reproduz no Rio de Janeiro as cenas mais tristes das velhas saturnais romanas, transbordamentos tumultuosos e alucinados dos instintos da gentalha. ” (BILAC, 1906).

“Há tradições grosseiras, irritantes, bestiais, que devem ser impiedosas e inexoravelmente demolidas, porque envergonham a Civilização.

Mudanças na cidade ...

Antes e depois da Reforma Urbana ...
Antes e depois da Reforma
Urbana ...

Antes

Antes Cortiço na Rua dos Inválidos, final do século XIX
Cortiço na Rua dos Inválidos, final do século XIX
Cortiço na Rua dos Inválidos, final do século XIX

Antes

Cortiço no Centro do Rio
Cortiço no Centro do Rio

Durant

e O “Bota-abaixo”
e
O “Bota-abaixo”

Durant

e

O “Bota-abaixo”
O “Bota-abaixo”

Durant

e Demolição do Morro do Castelo ...
e
Demolição do Morro do Castelo ...

Depois

Abertura da Avenida Central, início do século XX (atual Avenida Rio Branco)
Abertura da Avenida Central, início do século XX
(atual Avenida Rio Branco)

Depois

Abertura da Avenida Central (atual Avenida Rio Branco)
Abertura da Avenida Central
(atual Avenida Rio Branco)

Depois

Abertura da Avenida Central, 1905 (atual Avenida Rio Branco)
Abertura da Avenida Central, 1905
(atual Avenida Rio Branco)

A Revolta da Vacina (1904)

Durante o governo de Rodrigues Alves (1902- 1906), o saneamento e a modernização do Rio de Janeiro tornaram-se prioridades. Nessa época, os serviços públicos urbanos eram muitos precários. A falta de tratamento de água e esgoto, principalmente nos arredores das cidades e nos cortiços, agrava a falta de higiene. Tais condições contribuíram para a disseminação de doenças e epidemias – sarampo, febre tifoide, tuberculose, varíola –

que vitimavam milhares de pessoas.

A Revolta da Vacina (1904) Durante o governo de Rodrigues Alves (1902- 1906), o saneamento e

As benfeitorias eram necessárias até mesmo para melhorar a imagem da capital federal no exterior.

Para efetivá-las,

o

presidente recorreu a

empréstimos estrangeiros.

O prefeito do Rio, Pereira Passos, mandou derrubar casebres e cortiços para abrir avenidas, expulsando parte da população, que se mudou para os morros. Praças, cemitérios e canais de drenagem foram reformados, proibiu-se a circulação de mendigos e animais e foram instituídas visitas domiciliares de agentes sanitaristas para remover tudo que fosse considerado prejudicial à higiene. A população se revoltava com as vistorias nas casas

feitas sem nenhum esclarecimento.

As benfeitorias eram necessárias até mesmo para melhorar a imagem da capital federal no exterior. Para

O combate as epidemias foi

entregue ao

médico sanitarista Oswaldo Cruz, que passou a implementar uma série de medidas de higiene pública com o objetivo de combater a febre amarela, a peste bubônica e a varíola.

No Congresso e na imprensa surgiram manifestações contrárias ao “despotismo sanitário” de Oswaldo Cruz. Em 1904, a aprovação do projeto de vacinação obrigatória

contra a varíola para os brasileiros com mais de seis meses de idade acendeu o estopim da revolta popular, que culminou em novembro

com a Revolta
com a Revolta

da Vacina.

Durante mais de uma semana a população enfrentou a polícia nas ruas, organizando barricadas, lutas corporais e quebradeiras. Depois de retomar o controle da cidade, o governo prendeu mais de mil pessoas e as deportou para o território do Acre.

Durante mais de uma semana a população enfrentou a polícia nas ruas, organizando barricadas, lutas corporais

4. Os movimentos sociais na República das Oligarquias

Durante o período que compreende a República Oligárquica ocorreu uma série de movimentos sociais que refletia a frustração da sociedade com política implementada pelas elites brasileiras. Por meio deles, camponeses, operários, marinheiros e pobres expressavam suas reivindicações, normalmente associadas às precárias condições de vida e de trabalho.

Os movimentos populares da Primeira República revelavam, também, o enorme descaso do governo diante das necessidades básicas dos setores menos

favorecidos da população.

4. Os movimentos sociais na República das Oligarquias Durante o período que compreende a República Oligárquica

4.1 Movimentos rurais

Nas três primeiras décadas da República, o Brasil era um país tipicamente agrário. Calcula-se que cerca de 70% da população habitava o campo nesse período. Homens, mulheres e crianças viviam em condições de miséria e sofrimento, vinculados às atividades agrícolas. A maioria dos produtores rurais não era proprietária das terras em que trabalhava e não tinha acesso à assistência médica e à educação. Esse cenário desfavorável contribuiu de forma significativa para a origem das agitações sociais que ocorreram na zona rural durante a

Primeira República.

4.1 Movimentos rurais Nas três primeiras décadas da República, o Brasil era um país tipicamente agrário.

Para

o

historiador

Boris

Fausto,

esses

movimentos podem divididos em três grandes

grupos:

“os

que combinaram conteúdo

religioso

com

carência

social;

os

que

combinaram conteúdo religioso com

reivindicação

reivindicações

religioso”.

social;

os

sociais

que

sem

expressaram

conteúdo

Para o historiador Boris Fausto, esses movimentos podem divididos em três grandes grupos: “os que combinaram

Guerra do Canudos (1893-1897)

O movimento de Canudos ocorreu em 1893, no

interior da Bahia, em um arraial fundado pelo beato Antônio Vicente Mendes Maciel, conhecido como

Antônio Conselheiro.

Nascido em Quixeramobim, no Ceará, em 1830, Conselheiro foi comerciante, caixeiro e escrivão. Abandonado pela esposa, decidiu sair pelo sertão como pregador. Em meados de 1874, já caminhava pelo interior acompanhado de alguns fiéis e nos dez anos seguintes percorreu os sertões do Ceará, Pernambuco, Sergipe e Bahia construindo e

reformando capelas, igrejas e cemitérios.

Guerra do Canudos (1893-1897) O movimento de Canudos ocorreu em 1893, no interior da Bahia, em

Criticado

pela

Igreja,

Conselheiro

e

seus

seguidores fixaram-se numa fazenda abandonada, próxima ao Rio Vaza-Barris, interior da Bahia. Nesse lugar, conhecido com Canudos, fundaram o arraial de Belo Monte.

Formado por casas construídas em regime de mutirão, dividindo os frutos do trabalho na

terra e amparando os idosos e doentes, o povoado atraiu muita gente. A população do núcleo chegou a atingir 30 mil pessoas.

Marcada

por

forte

misticismo, essa gente

acreditava que Conselheiro era um enviado

Criticado pela Igreja, Conselheiro e seus seguidores fixaram-se numa fazenda abandonada, próxima ao Rio Vaza-Barris, interior

divino que traria a paz, a fartura e a felicidade.

Além da agricultura, o povoado dedicava-se ao artesanato e criava animais, que complementavam a alimentação e forneciam couro, utilizado como matéria-prima. O excedente da produção era vendido nos municípios vizinhos. No arraial havia duas escolas, lojas, oficinas e diversas moradias. A administração era da competência de Conselheiro e de doze chefes, que cuidavam das finanças, das construções, dos registros de nascimento, entre outras atividades. Não

havia polícia nem impostos.

Além da agricultura, o povoado dedicava-se ao artesanato e criava animais, que complementavam a alimentação e

Aos olhos dos fazendeiros, do governo e do clero, a comunidade de Canudos era um péssimo exemplo. Os fazendeiros temiam perder a mão de

obra, o governo não aceitava a autonomia de Canudos e a Igreja ressentia-se da liderança espiritual
obra, o
governo
não aceitava a autonomia
de
Canudos e a Igreja ressentia-se da liderança
espiritual de Conselheiro.
Quatro
expedições
foram
organizadas
pelo
governo estadual e federal e enviadas à região para
prender
Antônio
Conselheiro
e
acabar
com
a
comunidade de Canudos entre 1896 e 1897. As três
primeiras falharam
em
seus
objetivos.
Os
sertanejos mostravam grande coragem e
habilidade
militar,
fustigando
as
tropas
com
ataques inesperados.

A repercussão da terceira derrota foi enorme, e não tardou para que a imprensa e políticos atribuíssem a Conselheiro a intenção de restaurar o império. Foi nesse clima de franca hostilidade que o governo federal resolveu destruir o arraial. Para isso, organizou nova expedição, comandada pelo general Artur Oscar de Andrade Guimarães. Cerca de 7 mil soldados com 18 canhões investiram contra Canudos. Os combates iniciaram-se em junho, e em agosto chegou à região o ministro da Guerra, Carlos Machado Bittencourt, à frente de

A repercussão da terceira derrota foi enorme, e não tardou para que a imprensa e políticos

mais 3 mil soldados.

Em outubro, quando ocorreu a ofensiva final

contra

Canudos,

praticamente toda a

população local já havia sido exterminada. Os

poucos sobreviventes prisioneiros.

foram

feitos

A

Guerra

de

Canudos

foi

relatada

pelo

engenheiro

e

escritos

Euclides

da

Cunha,

enviado em 1897 pelo jornal O Estado de S.

Paulo

para

cobrir

os

acontecimentos na

região. Dessa experiência, surgiu a obra Os sertões.

Em outubro, quando ocorreu a ofensiva final contra Canudos, praticamente toda a população local já havia

A Guerra do Contestado (1912-

1916)

Situada entre os rios Uruguai, Iguaçu e Negro e a fronteira da Argentina, a região do Contestado era disputada por Santa Catarina e Paraná por causa da rica floresta existente e da extensa plantação de erva-mate. A área atraiu grandes companhias, que expulsavam os posseiros locais.

A situação agravou-se com a construção de um trecho da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande do Sul.

A Guerra do Contestado (1912- 1916) Situada entre os rios Uruguai, Iguaçu e Negro e a
A Guerra do Contestado (1912- 1916) Situada entre os rios Uruguai, Iguaçu e Negro e a

No

final

da

obra,

grande

parte

dos

trabalhadores contratados tinha o projeto de

permanecer na região.

Contudo,

os

especuladores

 

e

as

grandes

companhias

madeireiras exigiram a saída imediata deles, impedindo-os de ocupar os trechos próximos à ferrovia.

A multiplicação do número de trabalhadores sem-terra criou um clima propício a agitações e conflitos. Foi nesse contexto que surgiu Miguel Lucena Boaventura, ex-soldado do Exército que se fazia chamar de “monge” José Maria.

No final da obra, grande parte dos trabalhadores contratados tinha o projeto de permanecer na região.

Beato e curandeiro, o “monge” ajudava os caboclos e pregava uma sociedade igualitária. Seu propósito era resistir aos que pretendiam expulsar a população que seguiu o líder confiante na promessa de justiça divina.

Os primeiros choques armados ocorreram em 1912. De um lado, a milícia da Monarquia Celeste, cujos integrantes raspavam o cabelo e ficaram conhecidos como “pelados”; do outro, os “peludos”, que eram jagunços contratados pelas empresas, policiais e

Beato e curandeiro, o “monge” ajudava os caboclos e pregava uma sociedade igualitária. Seu propósito era

soldados do Exército.

Apesar

de

inferiorizada

em

armas

e

equipamentos, a irmandade cabocla resistiu até 1915, quando o general Setembrino de Carvalho, à frente de 7 mil soldados e com o apoio da artilharia e da aviação, forçou os sobreviventes a renderem-se.

A Guerra dos Pelados estendeu-se por mais de 250 mil quilômetros quadrados e matou cerca de 6 mil pessoas.

Apesar de inferiorizada em armas e equipamentos, a irmandade cabocla resistiu até 1915, quando o general

O cangaço

O

movimento

conhecido

como

cangaço

teve início no final do século XIX, estendendo-

se até meados da década de 1940. Os

cangaceiros

integravam

grupos

violentos,

que

sobreviviam

por

armados

meio

de

saques e pilhagens. Em geram, homens e mulheres do sertão aderiam ao cangaço para fugir da miséria ou para vingar-se de alguém poderoso.

O cangaço O movimento conhecido como cangaço teve início no final do século XIX, estendendo- se

Os primeiros bandos de cangaceiros atuavam vinculados às ordens de um coronel, na defesa constante ou esporádica de seus interesses. Esses jagunços agiram muitas vezes em conflitos que envolviam brigas entre famílias e rivalidades entre oligarquias locais.

No final do século XIX, formaram-se bandos de cangaceiros independentes, que não se subordinavam a nenhum chefe local.

Dentre

Virgulino

estes

últimos,

Ferreira

da

o

mais

Silva,

conhecido

é

o

Lampião,

personagem de aventuras cantadas nos versos

de literatura

de

cordel.

Lampião

liderança do seu
liderança do seu

grupo em 1922.

assumiu

a

Alguns escritores afirmam ter sido Lampião uma espécie de Robin Hood da caatinga, alguém que atacava e roubava os fazendeiros em nome dos pobres. Entretanto, outros pesquisadores do cangaço não compartilham dessa opinião.

Os bandos de cangaceiros eram perseguidos pelas “patrulhas volantes” das polícias estaduais, mas conseguiam esgueirar- se pela caatinga. Essa forças policiais agiam com tanta brutalidade quanto os cangaceiros, e no meio dessa luta as maiores vítimas eram

os sertanejos.
os sertanejos.

Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros morreram numa emboscada em 1938. O cangaço perdeu força na década seguinte, quando o governo federal organizou melhor a repressão e as indústrias do Sudeste absorveram mão de obra nordestina. Ao criar novas oportunidades de trabalho, as fábricas atraíram sertanejos que deixaram de ver no cangaço um meio de sobrevivência.

Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros morreram numa emboscada em 1938. O cangaço perdeu força na

4.2 Movimentos urbanos

A aceleração do desenvolvimento industrial

foi

acompanhada

pelo

processo

de

crescimento das cidades, principalmente no Sul e Sudeste. A população carioca quase triplicou entre 1900 e 1920, chegando a mais de 1,4 milhão de habitantes. São Paulo passou de 40 mil para 889 mil e Porto Alegre de 74 mil para 256 mil habitantes no mesmo período. Belém, Recife e Salvador também apresentaram crescimento expressivo.

4.2 Movimentos urbanos A aceleração do desenvolvimento industrial foi acompanhada pelo processo de crescimento das cidades,

As

cidades

brasileiras possuíam uma

composição social bastante diversificada, com operários, burguesia industrial, mercantil e financeira, camadas médias (professores, médicos, advogados, engenheiros), funcionários públicos, intelectuais, setores populares e segmentos marginalizados, como

os moradores de rua. A modernização difundida entre o

fim

do

século XIX e início do século XX nos grandes

centros urbanos não contemplou todas as

regiões e camadas sociais da mesma maneira.

As cidades brasileiras possuíam uma composição social bastante diversificada, com operários, burguesia industrial, mercantil e financeira,

Ao

contrário,

muitos indivíduos pobres

viram-se desajolados de suas habitações, pressionados pelo desemprego, pelas péssimas condições de vida e pelos baixos

salários.

Foi nesse

população urbana

contexto que parte da menos privilegiada

demonstrou sua insatisfação por meio dos movimentos sociais que ocorreram durante a

Primeira República.

Ao contrário, muitos indivíduos pobres viram-se desajolados de suas habitações, pressionados pelo desemprego, pelas péssimas condições

A Revolta da Chibata

(1910)

No início do século XX, os marinheiros de baixa patente levavam uma vida de parcos salários, exaustiva jornada de trabalho e castigos corporais por desobediência ao regulamento da Marinha – uma penalidade abolida desde a proclamação da República, mas que, na prática, continuava a vigorar na frota de guerra brasileira.

Os

marinheiros

eram

mestiços,

geralmente

na

maioria negros e

recrutados

à

força

e

pressionados pela famílias a ingressar nas Forças

Armadas.

A Revolta da Chibata (1910) No início do século XX, os marinheiros de baixa patente levavam

Em 1910, os marinheiros dos encouraçados Minas Gerais e São Paulo revoltaram-se no Rio de Janeiro, chefiados pelo gaúcho João Cândido Felisberto, apelidado Almirante Negro, e reivindicavam o fim dos castigos corporais, folgas semanais e melhores salários. Os rebeldes enviaram um telegrama ao presidente da República, Hermes da Fonseca (1910- 1914), comunicando a decisão de bombardear a cidade do Rio de Janeiro caso não fossem atendidas suas solicitações.

A

revolta

recebeu

o

apoio de deputados de

oposição, que pressionaram o governo federal a ceder às exigências dos marinheiros. O Congresso

votou o fim dos

castigos corporais na Marinha e

Em 1910, os marinheiros dos encouraçados Minas Gerais e São Paulo revoltaram-se no Rio de Janeiro,

anistiou os participantes da revolta.

Entretanto,

o

decreto

de

anistia

foi

descumprido e o governo passou a perseguir e prender os marujos. Uma suposta revolta também integrada por marinheiros na Ilha das Cobras foi o fato culminante para a perseguição e prisão dos rebeldes.

O governo ordenou que o Exército atacasse a ilha e derrotasse seus opositores. Os poucos sobreviventes foram deportados para a Amazônia, para trabalhos forçados nos seringais. O Almirante Negro foi julgado em

1912 e inocentado.

Entretanto, o decreto de anistia foi descumprido e o governo passou a perseguir e prender os
Charge de Loureiro publicada Malho, 1910. em O Revolta da Chibata: diante da ameaça de bombardeio
Charge
de
Loureiro
publicada
Malho, 1910.
em
O
Revolta da Chibata:
diante da ameaça de
bombardeio do Rio de
Janeiro, o governo
concedeu anistia aos
revoltosos,
mas
retrocedeu
posteriormente.

4.3 O movimento operário

A

Constituição

de

1891

pouco

se

preocupava com questões sociais. Por isso, as

relações de trabalho nas cidades eram definidas pela emergente burguesia industrial, mercantil e financeira. O operariado brasileiro foi formado basicamente pelos imigrantes, somados a trabalhadores provenientes de regiões mais pobres do Brasil.

4.3 O movimento operário A Constituição de 1891 pouco se preocupava com questões sociais. Por isso,

Num primeiro momento, surgiram as ligas operárias e as sociedades de resistência. De modo geral, reivindicavam melhores salários, menor jornada de trabalho, assistência ao trabalhador doente ou acidentado e

regulamentação do trabalho feminino e infantil. Logo em seguida começaram a ser organizados sindicatos, primeiro por ofício e depois por uma mesma atividade econômica, que atuaram por meio de greves e manifestações de caráter acentuadamente reivindicatório. À frente dessas mobilizações, militantes anarquistas e socialistas desenvolviam um importante trabalho de

conscientização
conscientização

política.

4.4 As influências do anarquismo e do socialismo

O

PSB

foi

fundado

em

1902

com

um

programa marxista. Nas suas lutas no Brasil, os

socialistas daquela

época

enfatizaram

problemas econômicos e

a

necessidade

de

mudanças sociais.

O anarquismo foi a mais importante corrente organizatória do movimento operário no início da República. Propunha mudanças na estrutura da sociedade para substituir o Estado burguês por uma forma de cooperação entre indivíduos

livres.

4.4 As influências do anarquismo e do socialismo O PSB foi fundado em 1902 com um

Além

de

sindicatos,

criarem ligas de resistência e

os

militantes

anarquistas

organizaram greves que visavam reivindicações imediatas e o fortalecimento

da

solidariedade

entre

os

trabalhadores.

Também fizeram da imprensa operária um meio eficaz de difusão e propaganda. Dentre os periódicos anarquistas, destacaram-se: A Lanterna (1873), La Battaglia, publicado de

1904 a 1912, e La Barricata (1904-1919). Os

socialistas, por

sua

vez,

publicaram entre

1900 e 1915 o semanário Avanti (mais tarde

Além de sindicatos, criarem ligas de resistência e os militantes anarquistas organizaram greves que visavam reivindicações

Avante), que chegou a circular diariamente.

4.5 As greves

As mobilizações e greves operárias durante a República Oligárquica giraram em torno de reivindicações salariais, melhores condições de trabalho, reconhecimento dos direitos trabalhistas e sindicais e uma legislação previdenciária. Elas representaram o principal instrumento de resistência dos trabalhadores desde o início do regime republicano até aproximadamente os anos 1920.

4.5 As greves As mobilizações e greves operárias durante a República Oligárquica giraram em torno de

A maior mobilização do proletariado brasileiro

no período viria com

a Greve

Geral de

julho de

1917, iniciada na

cidade

de

São Paulo

e

com

repercussões no restante do país. Dela

participaram

operários

da

indústria

têxtil

e

alimentícia, gráficos e ferroviários. Em São Paulo os grevistas entraram em choque com forças policiais, e deste confronto resultou a morte de um operário, cujo enterro paralisou a cidade.

O movimento terminou com um acordo de aumento salarial e a promessa do atendimento de outras reivindicações dos trabalhadores. As paralisações de inspiração anarquista estenderam-

A maior mobilização do proletariado brasileiro no período viria com a Greve Geral de julho de

se até 1919, em São Paulo e em outros estados.

Durante os anos 1920, ocorreram greves

em reação às péssimas condições de

trabalho,

aos

salários baixos

e

ao

custo de

vida elevado. Algumas categorias obtiveram conquistas, mas o país continuou sem ter uma legislação trabalhista até 1943, quando foi promulgada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Durante os anos 1920, ocorreram greves em reação às péssimas condições de trabalho, aos salários baixos