Curso de Administração Pública

FILOSOFIA E ÉTICA (II)

Dra. Maria Valéria Pereira de Araújo

 A Ética é a teoria/filosofia da moral. e sobre o modo de se estabelecerem. . questionamentos e discursos filosóficos. sobre a moral.  Assim. que existe desde o surgimento da civilização. ou seja. há distinções entre os dois termos. ao contrário da moral.  A Ética é o estudo racional sobre a experiência moral dos seres humanos. normas válidas para todos. só começou a existir a ética com o nascimento da filosofia. Platão e Aristóteles. investigação sobre o que é bom e o que é mau. assim.ÉTICA (CONCEITOS):  Ética e moral embora ainda sejam considerados sinônimos. histórica e teoricamente. a qualquer tempo.  A Ética é o estudo do comportamento humano. não há ética individual. mais explicitamente com Sócrates. o Filósofo é o especialista da ética. Assim.

 Moral tem a ver com todo comportamento humano – e só com este comportamento – no qual estão envolvidos bem ou mal. . moral não é o código de normas como tal.MORAL (CONCEITOS):  Moral é o comportamento real dos indivíduos em relação às regras (escritas e/ou difusas) e aos valores que lhes são propostos. Nesta acepção. mas a maneira como os indivíduos se submetem ou obedecem. a um princípio de conduta. mais ou menos.

. tem a ver com regras cuja observação se exige para que o comportamento seja considerado moralmente correto. a análise teórica dessas regras e do fato de haver uma preocupação dos seres humanos com o bem e o mal. assim como o direito.MORAL E ÉTICA (RELAÇÕES):  A moral. enquanto a ética é o estudo.

 Por outro lado. . ninguém nasce sabendo que está submetido a regras. ninguém nasce moral.MORAL (SURGIMENTO):  Desde que há civilização.  Os seres humanos se tornam seres morais através da educação.  A moral só existe porque não vivemos sozinhos (até hoje não foi encontrada nenhuma sociedade sem moral. há regras. ou seja.  Mesmo que essas regras ou hábitos ou atitudes mudem. sem norma moral). há moral. há um conjunto de regras que regem o comportamento dos indivíduos e dos grupos humanos. ou seja. e só com base na existência da lei humana haverá bem e mal moral.

(regra moral) para reger nossa convivência?  Porque somos seres morais (seres conscientes de si e dos outros. seres livres). nunca alcançam tudo o que desejam. seres responsáveis.  Assim. ou por desejarem mais do que aquilo que podem alcançar. seres dotados de vontade ou de controlar e orientar desejos e impulsos. em suma. para viver. respondendo pelos próprios atos.Por que. . através de uma norma. temos que ter uma norma.  Porque os seres humanos se caracterizam por poder desejar tudo. um limite para os seres humanos. com consciência moral (capacidade de deliberar frente as alternativas possíveis). e por isso tendem a prejudicar os outros. nasce a necessidade de estabelecer. No entanto.

Neste caso. Na vida moderna há uma primazia do indivíduo sobre a . os seres humanos assumiram e assumem um código de regras como se fosse estabelecido por um ser superior. de maneira geral. fazer o mal é. sendo apresentadas três fontes da norma moral: os antigos. a lei moral é estabelecida pelos próprios seres humanos.E quem estabelece a norma moral?  É mais difícil definir quem estabelece a norma moral. para os cristãos. através de convenções ou consensos. cujo modo era a virtude e cujo fim é a felicidade. realizava-se pelo comportamento virtuoso entendido como a ação que era conforme à natureza. o moral torna-se mais diretamente o cumprimento de um dever estabelecido fora de nós. a moralidade humana foi e continua sendo fundamentada. a ética. nas constituições nacionais. tanto através dos hábitos estabelecidos na coletividade.  Na idade média. a idade média e os modernos. acordos internacionais. e fazer o mal é agir contra a natureza. e não tanto uma combinação entre lei da natureza e autonomia. fazer o bem significa cumprir a lei da natureza. quanto aparecendo escrita. em todo caso.  Para os antigos. Assim. por Deus. na história e no comportamento humano. e. descumprir qualquer mandamento divino. assim.  Nos modernos.

acaba a amizade. Ou seja.  Kant apresenta uma norma moral única e universal. é tido muito mais como um meio do que como um fim. No entanto. também terei um benefício: este amigo. Na amizade por virtude.  Para Kant. Nas duas primeiras formas de amizade. o amigo é visto como um fim em si. ao mesmo tempo em que é um fim para mim. tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer outro. só pode ser considerado bom para mim algo que puder ser bom para todo e qualquer ser humano. o amigo. amizade por interesse ou utilidade. sou amigo de outrem tendo em vista o bem do outro. . Só poderemos considerar como lei válida para nós se pudermos considerar válida esta lei para todos os seres humanos. será também um meio. o outro. mas sempre na presença de outros seres humanos.A norma moral: na atualidade (para KANT)  Por não vivermos sós. embora que sendo um fim. Depois de alcançar o prazer ou satisfeito o interesse. também será de algum modo meio”. por ele denominada Imperativo categórico “age de tal maneira que uses a humanidade. e amizade por virtude. temos três espécies de amizades: amizade por prazer. sempre e simultaneamente como fim e nunca simplesmente como meio. quando acontece esta amizade virtuosa.

Instituições de Normas Morais.. Assim. adotando uma fundamentação da moral baseada na: “ética da responsabilidade” ou na . tornando complicada a convivência entre pessoas que adotam morais com fundamentos diferentes. nem todos os valores são compatíveis entre si. dependendo da situação histórica e cultural. ou seja. estabelecem valores. frente aos quais os seres humanos precisam se posicionar.  Toda a cultura e cada sociedade instituem uma moral. ou seja. definem o que é bom e o que é mau. há morais que privilegiam a felicidade. a utilidade. e esta moral é válida para todos os membros. e para todos os indivíduos que compõem tal grupo.  Podemos ter morais diferentes. outras que privilegiam o prazer. uma comunidade humana. não há moral que valha só para um indivíduo. mas sempre serão válidas para um grupo social.. nestes casos existe uma “luta entre deuses”. etc.  Para Weber.  As morais se distinguem dependendo do valor ao qual é dada a primazia.

: para um servidor público. fazer o bem é agir em função do resultado. Nesta perspectiva. Ex. independente do resultado que isso trará. Fazer o bem é cumprir a norma. mesmo que os resultados sejam ineficazes ou menos eficazes do que agindo de outra forma.  Weber reconhece que “ninguém pode determinar se deve agir de acordo com a ética da responsabilidade ou de acordo com a ética da convicção.: fazer um bem na administração pública é cumprir a norma vigente. mesmo que isso não traga sempre e necessariamente um benefício para o público. independente. portanto. a boa vontade. é promover o que se considera bem público. me dê felicidade.Perspectivas Éticas:  Ética da convicção: estabelece que o que vale é a intenção. . é seguir princípios considerados corretos. o que vale é cumprir a vontade de Deus ou a lei que existe. imediatos. dos resultados práticos. o que importa são os resultados. não os princípios. ou a intenção. nem quando de acordo com uma ou com outra”. independente do fato de que o cumprimento da lei me traga maior benefício. Ex.  Ética da Responsabilidade: ensina que devemos ter em conta as consequencias previsíveis de própria ação.

 Entende-se assim que o problema moral é permanente. Se apenas se trata de sobreviver agora no mundo que aí está.  Percebemos também que a crise ética depende em boa parcela da crise da ética. por que eu deveria me preocupar com os . Desde o momento em que assumimos que somos nós que fazemos a história. e não passageiro. na modernidade. perdemos o chão. a respeito do sentido da nossa existência mesmo: • Por que haveríamos de nos preocupar em agir bem se não tivéssemos alguma garantia para dizer que amanhã será melhor do que hoje? Não havendo mais esta convicção de uma melhora de qualidade de vida para amanhã. ou seja. e mais dramática. da perplexidade e da incerteza em que estamos imersos atualmente. Um sinal disso é a ausência de clareza a respeito de nosso futuro como espécie. inclusive para nos sentirmos estimulados a fazer o bem. deve valer para mim e para os outros em nossa convivência social. Esta exigência é mais premente. quando os seres humanos se põem literalmente no centro do mundo.A Ética na Modernidade:  A norma moral. tendo que assumir o peso de decidir o que vai valer e o que não vai valer em nossa inevitável convivência humana. Claro que é mais cômodo atribuir a culpa pelos mares aos outros. e por isso. e também assumimos que somos nós que decidimos sobre o que é bom e o que é mal.

.  Se os pensadores historicamente formularam éticas.. foi porque. Assim como não cabe ao filósofo fazer a história.  Nesse contexto. em geral e precipuamente eles foram grandes intérpretes do seu tempo e.Nesse contexto de mudanças. é bastante óbvio afirmarmos que há uma crise da reflexão filosófica sobre a ética. em suas práticas cotidianas. não cabe a ele determinar o que socialmente deve haver como bem e o que deve ser considerado como mal. puseram em crise os valores que valiam. As respostas sempre dependerão da qualidade e da profundidade das perguntas. interpretaram o que os seres humanos em suas relações entre si consideraram como bom ou como mau. mais do que criar uma teoria que depois foi posta em prática. . os pensadores só se propuseram enfaticamente o problema ético quando os seres humanos como tais. e não podia ser diferente.  Além disso. no contexto ético. do que aprendermos a dar respostas .  É mais importante aprendermos a fazer perguntas.

2 Links de VÍDEOS DE ÉTICA E MORAL http://www.com/watch?v=jpBj7RUxSEU&hd=1 http://www.youtube.youtube.com/watch?v=QgFI80a3-a4&hd=1 .

com/watch?v=sWrElAkk9fQ&hd=1 .1 Link de VÍDEO DE ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO http://www.youtube.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful