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CULTURA

ORGANIZACIONAL
EDUCAÇÃO (Ricoeur)
“A educação, no sentido forte da
palavra, talvez seja somente o justo
e difícil equilíbrio entre o exercício
de objetivação – quer dizer de
adaptação – e a exigência de
reflexão e de desadaptação; é este
equilíbrio tenso que mantém o
homem de pé.”
CULTURA
Uma sociedade possui uma cultura, no sentido
profundo da palavra, somente quando é
capaz de engajar-se a serviço de certos
ideais, de certos mitos, de certas crenças.
Ter uma cultura é saber situar-se em relação
ao universo e aos outros homens, ao
passado e ao futuro, ao prazer e ao
sofrimento, à vida e à morte.
Pierre Thuillier
CULTURA: PRIMEIRO
SIGNIFICADO
 A cultura é o espelho do modo de existência de uma
sociedade.
 Cícero faz a transposição da palavra cultura do trabalho dos
campos (labor, pena) para o otium (lazer), onde o pensamento
se afasta de toda dependência em relação às necessidades da
vida, à produção de objetos e à criação de obras de arte.
 Cícero usa a expressão: excolere animos doctrina (cultivar os
espíritos pela instrução): o homem culto sabe cuidar da própria
alma, como o camponês cuida do próprio campo, para habitar
o mundo como um ser humano e não como um animal.
 A cultura está articulada num trabalho íntimo com a natureza,
assim como o espírito com a terra e o homem com o mundo.
 Segundo Cícero: Cultura animi philosophia est (é a filosofia
que é a cultura da alma).

Fonte: Mattéi
CULTURA: AMPLIAÇÃO DO SIGNIFICADO
 No século das Luzes (XVIII), a palavra “cultura” designa não só o
cuidado do espírito que demarca seu campo de estudo por um método
apropriado (Descartes), mas também o conjunto dos conhecimentos
humanos.
 A cultura designa tanto um saber sistêmico quanto o trabalho de
educação do espírito que elabora este sistema.
 Nietzsche colocou em evidência dois aspectos aparentemente opostos,
porém convergentes da cultura do nosso tempo:
– Seu espalhamento indefinido que a difunde para um círculo de pessoas cada
vez mais amplo
– Seu enfraquecimento generalizado que a foca em objetos cada vez mais
diversificados, de tal modo que abandona aos poucos sua pretensão à elevação
do homem e à sua excelência.
 A antiga cultura da alma que definia os traços essenciais do ser humano
foi esvaziada para reduzir-se à cultura formal desse ser novo: o homem
massificado.

Fonte: Mattéi
TRÊS NÍVEIS DE REFLEXÃO SOBRE
O HUMANO: 1. SOCIAL HISTÓRICO
 É o lugar da invenção humana.
 É mais maleável do que a natureza e não obedece
à mesma temporalidade.
 Nesse nível, sempre temos domínio e podemos
desfazer e refazer diferente, até um certo ponto.
 Assim, no aspecto político, um outro mundo é
sempre possível.
TRÊS NÍVEIS DE REFLEXÃO SOBRE
O HUMANO : 2 NATUREZA
 Termo limite dificilmente identificável.
 Necessariamente postulado pelas nossas ações que
se chocam com ela.
 Quando falamos em natureza, falamos
– Seja de processos (atividade do sol) sobre os quais não
temos nem podemos ter algum domínio
– Seja de processos que, embora desencadeados pela
ação humana, têm vida própria e sobre os quais
perdemos o domínio uma vez desencadeados.
TRÊS NÍVEIS DE REFLEXÃO SOBRE O
HUMANO : 3 NATUREZA-CULTURA
 É a realidade na qual vivemos no dia a dia.
 É um mix dos dois elementos formadores
(social-histórico de um lado e a natureza do
outro lado).
 Nesse nível as conseqüências dos nossos
atos começam a escapar:
– São induzidas pela sociedade
– Se desenvolvem segundo processos e numa
escala que não é mais da sociedade.
CULTURA E ÉTICA
 Chamamos de cultura um conjunto de idéias e de
atitudes por serem o fruto do progressivo cultivo das
possibilidades humanas.
 Denominamos ética o aspecto pelo qual os membros de
um mesmo grupo descobrem e formulam regras, do
conviver de tal sorte que, em vez de se tratar como
ameaça recíproca, tenham a efetiva possibilidade de
compartilhar os mesmos bens e vantagens, sem se armar
um contra o outro e sem se ameaçar.
 Nesse sentido, a ética é o aspecto da cultura pelo qual se
tenta superar o clima de violência entre os humanos.
IMAGINÁRIO
 Castoriadis vê o imaginário como princípio fundador da sociedade pois
toda sociedade cria seu próprio mundo ao criar um conjunto de
significados sociais que lhe são próprios.
 A origem, o ponto de partida dessas significações está no imaginário que é
compartilhado pelos membros de uma sociedade.
 O imaginário é o espaço da representação, das formas e das imagens, a
partir do qual é possível conceber o projeto, o desejo, a fantasia, o sonho
de construir a si mesmo e o mundo.
 Captar o simbolismo de uma sociedade é captar as redes de significação
que ela constrói e atualiza em suas práticas. O modo como uma sociedade
se vê, o que ela define como seus problemas, as relações que ela
estabelece como mundo e seu lugar nesse mundo, tudo isso é possível
porque ela é capaz de imaginário.

Fonte: M E Freitas
IMAGINÁRIO DAS ORGANIZAÇÕES
 O social precede o técnico e, para poder cogitar de qualquer técnica ou
aparato técnico, é necessário que o imaginário social se junte, se
fabrique e se construa.
 Temos pois que entender as organizações como um produto da
sociedade, e o que ocorre dentro delas tem um significado sancionado
socialmente.
 Quando as organizações tentam criar um imaginário próprio é ainda no
social que elas vão encontrar as mensagens que tenham significados
para seus públicos específicos.
 Uma das características marcantes das sociedades modernas é enfatizar
a racionalidade extrema ou ilimitada: mas essa racionalidade extrema
não é apenas objetiva, pois tem seu lado mitológico, onde se cultuam
alguns deuses.
 O primado econômico, na sua pretensão de englobar todas as outras
esferas do ser e do fazer sociais, acaso, não está ele próprio
completamente povoado de imaginário e simbolismo?

Fonte: M E Freitas
COMPONENTES DO IMAGINÁRIO

Normas Regras

Valores Mitos
IDEOLOGIA E CULTURA

 As ideologias se parecem com máquinas para


fazer pensar em conformidade com um grupo de
pertença. Ocultam toda motivação subjetiva. Pode
se apresentar como um sistema fechado e acabado.
 A cultura não dissocia o equipamento racional das
preocupações relativas à liberdade do sujeito
individual. Por isto apresenta sempre um lado
inacabado.

fonte : Ollivier
PLURALIDADE CULTURAL
 A confrontação entre culturas faz progredir
a lucidez dos diagnósticos.
 A confrontação traz elementos que
contribuem para constituir ou consertar um
clima de confiança.
 O progresso da subjetivação favorece o
desenvolvimento da criatividade no grupo.
CULTURA GERENCIAL
Alguns tópicos para pensar:
 O ecletismo e a confusão.
 Abreviações e pensamento a gavetas superpostas.
 O elogio do relativismo: os seres humanos são
condicionados. É preciso ter resposta para tudo sem ser
convencido de nada! O que vale é o resultado prático.
 A aprendizagem do desprezo: winner vs. Looser.
 O cinismo dos fortes.
 Aprender a aprender, o que supõe solucionada a pergunta:
aprender o que e em vista do que?
ORGANIZAÇÃO COMO SISTEMA
CULTURAL, SIMBÓLICO E IMAGINÁRIO
 As organizações procuram traduzir uma realidade como se a vida
social fosse aquilo que foi definido pelos seus fundamentos ou aquilo
que se passa dentro de seus limites.
 O conjunto de normas, regras, valores e mitos produzidos na vivência
organizacional assume o caráter de realidade, mesmo para as outras
esferas externas à organização, ditando o comportamento e
contaminando o pensamento e as atitudes.
 A organização se apresenta como um lugar fértil, o único onde os
desejos e os projetos podem realizar-se. O narcisismo individual terá
toda a liberdade de expressar-se e de realizar a ilusão de ser um ego
forte e coeso.
 Por outro lado, na medida em que o sujeito valoriza o que a
organização lhe apresenta como “ideal comum”, ele corre o risco de
abraçar um “ideal de ego” que é o da organização e com o qual ele
pode acabar por confundir e misturar o seu próprio.
Fonte: M E Freitas
PARADOXOS DA MODERNIDADE CULTURAL

 Cinco paradoxos constitutivos da modernidade cultural:


– A superstição do novo
– A religião do futuro
– A mania teórica
– O apelo para a cultura de massa
– A paixão do renegamento
 Isto faz aparecer quatro traços que afetam a maior parte das
formas culturais contemporâneas:
– O não acabado
– O fragmentário
– A insignificância
– A autonomia.

Fonte: Mattéi
IDEOLOGIA E CULTURA

 As ideologias se parecem com máquinas para


fazer pensar em conformidade com um grupo de
pertença. Ocultam toda motivação subjetiva. Pode
se apresentar como um sistema fechado e acabado.
 A cultura não dissocia o equipamento racional das
preocupações relativas à liberdade do sujeito
individual. Por isto apresenta sempre um lado
inacabado.

fonte : Ollivier
CULTURA E COMUNIDADE
 Cultura é comunidade: é resultante de como
as pessoas se inter-relacionam.
 São padrões alicerçados e construídos sobre
interesses comuns e obrigações mútuas.

Rob Goffee e Careth Jones


COMUNIDADE
 A comunidade pode ser vista sob dois
prismas distintos:
 SOCIABILIDADE: é um medidor da
genuína amizade, “amicabilidade” entre
membros de uma comunidade.
 SOLIDARIEDADE: é um medidor da
capacidade da comunidade de perseguir,
rápida e eficazmente, objetivos
compartilhados.
Rob Goffee e Careth Jones
DUAS DIMENSÕES E QUATRO
CULTURAS
alta
S
O
C
I Em rede Comunal
A
B
I
L
I
D
A
D
Fragmentada Mercenária
E

baixa
SOLIDARIEDADE
baixa alta

Rob Goffee e Careth Jones

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