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A LITERATURA MARGINAL

A VOZ DA PERIFERIA

1.1 Literatura Contemporânea

A Literatura Brasileira Contemporânea abrange as produções do final do século XX e a primeira metade do século XXI sendo marcada por uma multiplicidade de tendências. Ela agrupa um conjunto de caraterísticas de diversas escolas literárias anteriores, revelando assim, uma mistura de tendências que irão inovar a poesia e a prosa (contos, crônicas, romances, novelas, etc.) do período. Vale lembrar que muitas características da literatura contemporânea estão relacionadas com o movimento modernista, por exemplo, a ruptura com os valores tradicionais, entretanto, a identidade nesse momento não é mais uma busca, sendo revelada por uma crise existencial do homem. A Literatura Brasileira contemporânea tem como característica vários aspectos dos movimentos literários anteriores, principalmente do movimento modernista, no qual se valorizava a quebra de valores tradicionais. Demonstrando ao publico local, acontecimentos e fatos cotidianos que lhes causava descontentamento. Buscando, por meio da literatura, uma forma de conscientizar a sociedade, bem como trazendo para ela, inovações nos recursos linguísticos com o emprego da metalinguagem e da melhor expressão da subjetividade humana. Alguns movimentos vanguardistas que assinalaram a produção contemporânea entre eles a literatura marginal. As principais características desta literatura são: Mistura de tendências estéticas (ecletismo), arte popular, prosa histórica, social e urbana, poesia intimista, temas cotidianos e regionalistas, engajamento social e experimentalismo formal .

1.2 Principais Autores e Obras

Segue abaixo alguns escritores da literatura brasileira contemporânea:

Ariano Suassuna (1927-2014): escritor paraibano, escreveu poesias e romances, ensaios e obras de dramaturgia. Desde 1990 ocupou a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras. É autor de “Auto da Compadecida” (1955) e “O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta” (1971). Antônio Callado (1917-1997): escritor e jornalista nascido em Niterói, Antônio

● Callado escreveu obras de dramaturgia, biografia e romances, dos quais se destacam os romances “A Madona de Cedro” (1957) e “Quarup” (1967); e as obras de dramaturgia “O tesouro de Chica da Silva” (1962) e “Forró no Engenho Cananeia” (1964).

● Adélia Prado (1935-): nascida na cidade de Divinópolis, em Minas gerais, Adélia Prado escreveu poesias, romances e contos. De sua produção literária destacam-se: o livro de poesias “Bagagem” (1976) e o romance “O Homem da Mão Seca” (1994).

● Cacaso (1944-1987): poeta mineiro nascido em Uberaba, Antônio Carlos de Brito foi grande destaque na poesia marginal. De suas obras destacam-se os livros de poesias “Na corda bamba” (1978) e "Mar de Mineiro" (1982).

● Caio Fernando Abreu (1948-1996): escritor gaúcho nascido em Santiago, Rio Grande do Sul, Caio escreveu contos, romances, novelas e obras de dramaturgia, das quais se destacam: o livro de contos “Morangos Mofados” (1982) e o romance “Onde Andará Dulce Veiga?” (1990).

● Carlos Heitor Cony (1926-): nascido no Rio de Janeiro, Carlos é escritor e jornalista, dono de uma vasta obra. Membro da Academia Brasileira de Letras desde 2000, ele escreveu contos, crônicas, romances, ensaios, obras infanto- juvenis, roteiros de cinema, telenovelas, documentários, dentre outros. De sua obra destacam-se os romances “Pessach: a travessia” (1975) e “Quase Memória” (1995).

● Cora Coralina (1889-1985): Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nasceu em Goiás. Escreveu poesias e contos utilizando o pseudônimo Cora Coralina. De sua obra destacam-se o livro de poesias “Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais” (1965) e o livro de contos “Estórias da Casa Velha da Ponte” (1985).

● Dalton Trevisan (1925-): escritor paranaense nascido em Curitiba, Dalton é um dos mais destacados contistas da literatura contemporânea. Por ser uma figura excêntrica e misteriosa Dalton Trevisan ficou conhecido pelo nome o “Vampiro de Curitiba”. De sua obra merecem destaque o livro de contos “O Vampiro de Curitiba” (1965) e a recente obra de minicontos denominada “111 Ais” (2000).

● Ferreira Gullar (1930-2016): escritor maranhense nascido em São Luís, Ferreira Gullar é membro da Academia Brasileira de Letras desde 2014. Escreveu poesia, contos, crônicas, ensaios, memórias, biografias, das quais se destacam os livros de poesias “Poema Sujo” (1976) e “Em Alguma Parte Alguma” (2010). Sem dúvida seu ensaio mais conhecido é a “Teoria do não-objeto” (1959).

Lya Luft (1938): nascida na

cidade de Santa Cruz do

Sul,

no

estado do Rio

Grande do Sul, Lya é escritora, tradutora e professora. Possui uma vasta obra

literária desde romances, poesias, contos, ensaios e livros infantis das quais se destacam: “Canções de Limiar” (1964) e “Perdas e Ganhos” (2003).

● Millôr Fernandes (1923-2012): nascido no Rio de Janeiro, Millôr Fernandes é um artista multifacetado. Foi escritor, jornalista, dramaturgo e desenhista (cartunista). Sua obra literária está repleta de ironia, humor e sarcasmo, da qual se destaca: “Hai- Kais” (1968), “Millôr Definitivo: A Bíblia do Caos” (1994) e “A Entrevista”

(2011).

● Murilo Rubião (1916-1991): escritor e jornalista mineiro, Murilo foi redator de jornal e revista, se destacando na literatura com sua obra de contos: “O ex-mágico” (1947), “O pirotécnico Zacarias” (1974) e “O Convidado” (1974).

● Nélida Pinõn (1937-): escritora nascida no Rio de Janeiro, Nélida Piñon foi jornalista e editora. Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1989, Nélida escreveu ensaios, romances, contos, crônicas, e obras de literatura infantil, das quais se destacam o romance “A casa da paixão” (1977) e o livro de contos “O pão de cada dia:

fragmentos” (1994).

● Paulo Leminski (1944-1989): escritor curitibano pertencente à geração mimeógrafo ou literatura marginal, Paulo escreveu poesia, ensaios, romances, contos, obras de literatura infantil. De sua obra merecem destaque o livro de poesia “Distraídos Venceremos” (1987) e o romance “Agora é que são elas” (1984).

● Rubem Braga (1913-1990): nascido no Espírito Santo, no município de Cachoeiro de Itapemirim, Rubem Braga é considerado um dos maiores cronistas do país. De sua obra destacam-se “Crônicas do Espírito Santo” (1984) e “O Verão e as Mulheres” (1990).

1.3 Contextualização histórica da Literatura Marginal

De acordo com a pesquisadora e escritora Heloisa Buarque de Hollanda, a Literatura marginal surgiu no final do século XX, período caracterizado por um crescente índice de violência dos grandes centros urbanos de todo o Brasil. Conforme ressalta Hollanda, fatos chocantes marcaram a sociedade na época, como as chacinas da Candelária e a do Vigário Geral, ambas acontecidas em 1993, e posteriormente outras chacinas ocorreram, no morro do Borel (2003); na Via Show (2003); e na Baixada Fluminense (2005), que resultou ao todo cerca de sessenta e seis mortos. De acordo com as autoras Maria Fernanda Tourinho Peres e Patrícia Carla dos Santos a década de 1990 é marcada “pela ineficiência dos órgãos de segurança pública e pela crise dos sistemas judiciário e penitenciário” (2005, p.59)

1.4 Definição de Literatura Marginal

Definindo literatura marginal, Antônio Candido conceitua como a produção escrita de toque poético, épico ou dramático que dá a origem a um sistema simbólico de obras ligadas por denominadores em comum, tais como: características internas (língua, temas, imagens) um conjunto de escritores mais ou menos conscientes de seu papel, um conjunto de receptores e um mecanismo transmissor. Já o termo marginal pode designar diversos significados, vejamos:

Pessoas que estão em condição de marginalidade em relação a lei ou a sociedade, possuindo sentido ambivalente, referindo-se aos indivíduos delinquentes, ou sociologicamente aos sujeitos vitimados por marginalização social, como pobres, desempregados, migrantes ou membros de minorias éticas e raciais.

1.4 Definição de Literatura Marginal Definindo literatura marginal, Antônio Candido conceitua como a produção escrita de

Na literatura este termo adquiriu diferentes significados de acordo com cada escritor ou por uma definição dada por estudiosos em um determinado contexto. O primeiro significado se refere à produção dos autores que estariam a margem do corredor comercial oficial de divulgação de obras literárias, considerando-se que os livros se igualam a qualquer bem produzido e consumido nos moldes capitalistas- e circulariam em meios que se opõem ou se apresentam como alternativa ao sistema editorial vigente. Já o segundo significado está associado aos textos com um tipo de escrita que recusaria a linguagem institucionalizada ou os valores literários de uma época, como nos casos das obras de vanguarda. Enquanto o terceiro significado encontra-se ligado ao projeto intelectual do escritor de reler o contexto de grupos oprimidos, buscando retrata-los nos textos. (NASCIMENTO, 2006, p.11) Com a descrição crítica de três edições especiais da literatura marginal da revista caros amigos pretende-se ressaltar que, embora utilizando alguns recursos que são explorados por escritores de diferentes grupos sociais na atual produção literária brasileira a saber: a seleção dos temas, cenários e personagens relacionados a contextos de marginalidade-, os autores que publicaram nas revistas se distinguem dos demais porque são também autores dos espaços retratados nos textos, e, portanto, sujeitos marginais que estão inserindo suas experiências sociais no plano cultural. Não se tratando, no caso dos escritores estudados não apenas representações de uma certa realidade de espaços e sujeitos na literatura, mas de modo como querem se “auto- representar” (p.34).

1.5 Principais Escritores

Os escritores que exerceram alguma influência ou são referência para atividade literária tem sido citados os escritores: Herman Hesse, Charles bukowski, Machado de Assis, João Antônio, Mario Quintana, Clarice Lispector, Esmeralda Ribeiro, Solano Trindade, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Fernado Sabino, André Torres, Cecilia Meireles, Fernando Pessoa, Henry Miller, Arthur Rimbaud; dos contemporâneos Ferréz, Paulo Lins, Luiz Alberto Mendes e Fernado Bonassi (p.40). Os autores publicados em revistas somam 48 participações: os escritores:

Alessandro Buzo, Erton Moraes, Ferréz, Jocenir, Sérgio Vaz, Edson Veóca, Zeca, Klévisson, Dona Lauram Geraldo Brasileiro, Almir Cutrim Junior, Cláudia Canto, Saraiva Júnior, Professor Marquetti, Jonilson Montavão, Jorge Clavak, Marco Antônio, Robson Ferreira, Káli Arunoé, Maria Inzine, Tico, Clóvis de Carvalho, Santos da Rosa, Duda, Santiago Dias, Cernov, Maurício Marques, Lutigarde, Sacolinha, Elizandra Souza, os rappers Cascão,Mano Brown, Atrês, Preto Ghóez, GOG, Eduardo, Dugueto Shabazz, Gato Preto, Oni, Paulo Lins, os escritores Plinio Marcos, João Antônio e Solano Trindade, Subcomandante Marcos e Maria da Conceição Paganele (p.37).

Texto 1. O Grande Assalto

Avenida Santo Amaro. Às 13 h. Um homem mal vestido para em frente a uma concessionária de automóveis fechada e nota as bolas promocionais amarradas à porta. Um policial desce da viatura, olha para todos os lados e observa um suspeito parado em frente a uma concessionária. O suspeito está mal vestido e descalço. Uma senhora sentada no banco do ônibus que pára na avenida para pegar passageiros comenta com a moça sentada ao seu lado que tem um mendigo todo sujo parado em frente a uma loja de automóveis. Um senhor passa por um homem todo sujo. segura a carteira e começa a andar

apressado. Logo que nota a viatura estacionada mais à frente, se sente seguro, amenizando os passos.

Texto 1. O Grande Assalto Avenida Santo Amaro. Às 13 h. Um homem mal vestido para

Um jovem tenta desviar de trás do ônibus parado, os policias que ele vê logo à frente lhe trazem desconforto, pais seu carro está repleto de drogas que serão comercializadas na faculdade onde estuda. O homem malvestido resolve agir, dá três passos à frente, levanta as mãos e agarra duas bolas promocionais; faz a conta rapidamente e se sente realizado, quando pensa que ao vender as bolas comprará algo para beber. Uma moça alertada pela senhora ao seu lado no ônibus, chama a atenção de vários passageiros para o homem que, segundo ela, é um mendigo, e diz alto que ele acabou de roubar algo na concessionária. Um jovem com o carro cheio de drogas para vender na sua faculdade nota o homem correndo com duas bolas e dá ré no carro ao ver os policiais vindo em sua direção. Um policial alcança o homem mal vestido e bate com o cabo do revólver em sua cabeça várias vezes; o homem tido como mendigo pelos passageiros de um ônibus em frente cai e as bolas rolam pelo asfalto. Um motorista que dirige na mesma linha há oito anos tenta ficar com o ônibus parado para ver os policiais darem chutes e socos em um homem malvestido que está caído na calçada, mas o trânsito está livre e ele avança passando por cima e estourando duas bolas promocionais (Ferrez).

1.6 Análise do estilo literário presente nesta veia da literatura contemporânea

O texto literário apresentado por Ferréz retrata características importantes da literatura marginal, entre elas, é possível notar a verossimilhança do relato em relação ao ambiente urbano dos grandes centros e por consequência o engajamento social quando vinculado a crítica implícita nesta produção. Há também a presença de um elemento comum a periferia, seja observado na descrição de espaços marginalizados, ou como se pode observar neste caso, a inserção de um personagem visto como marginal. No relato, constata-se a narração de um mendigo que se depara com balões promocionais em frente a uma concessionária. Ao perceber que poderia vendê-los e com o dinheiro comprar algo para beber, o mendigo imediatamente os rouba. Policiais que observam a ação do mendigo o perseguem e o agridem. Para contar tal fato é utilizado diversos focos narrativos: o ponto de vista dos policiais, da senhora e o da moça sentadas dentro do ônibus, um homem que passa pelo mendigo em frente a loja de carros, o rapaz que se encontra dentro de um carro munido de drogas e um motorista. Toda esta alternância de focalização é obtida por meio de um narrador em terceira pessoa que descreve a situação com total onisciência e onipresença. Assim, a medida em que o leitor tem consciência dos fragmentos narrados consegue abstrair a crítica social embutida na trama entre o policial, o mendigo e o rapaz dentro de um carro repleto de drogas: grafita-se o alerta para as injustiças sociais cometidas pelas figuras de maior poder, que punem de forma desequilibrada alguns por míseros motivos como a aparência e pequenos delitos, enquanto outras ações mais graves passam de forma impune pelas mesmas autoridades.

1.7 Relação periferia e literatura

A antropóloga Érica Peçanha, referência dos estudos sobre cultura da periferia, faz considerações sobre a expansão dos saraus e da literatura marginal periférica na cidade de São Paulo. A cultura da periferia fala mais alto. Na cidade de São Paulo, a literatura marginal periférica ecoa com crescente vigor sobretudo a partir do final dos anos de 1990. A multiplicação de saraus por toda a cidade reforça a cena (ou movimento), também influenciada pelo Hip-Hop. Referência nos estudos da produção cultural das periferias, Érica Peçanha do Nascimento é antropóloga e autora de Vozes marginais na literatura (2009). Em seu doutorado pela USP, estudou estratégias de produção, circulação e consumo cultural na periferia paulistana a partir do trabalho desenvolvido pela Cooperação Cultural da Periferia (Cooperifa), que tem como principal atividade a realização de saraus literários. Território e identidade são palavraschave para Érica. “Uma vez que há coletividade, uma vez que há sociedade, sempre vai haver produção de identidade”. A relação entre território e identidade existe desde sempre. Uma vez que há coletividade, uma vez que há sociedade, sempre vai haver produção de identidade e isso independe de um movimento cultural ou artístico com determinados objetivos. Do ponto de vista externo, abordando o processo de formação das periferias daqui de São Paulo a partir dos anos de 1940 e 1950, sempre houve esse marcador de diferença entre o centro e a periferia.

Então o território da periferia, o espaço social da periferia também acho que virou adjetivo para uma série de coisas. Durante muitas décadas morar na periferia era sinônimo de ser pobre, restrição do acesso ao ensino; tem uma certa maneira de falar, já que as periferias de São Paulo abrigaram muitos migrantes nordestinos e muitas pessoas vindas do interior de Minas Gerais nas últimas cinco décadas. Nos anos de 1970 e 1980, principalmente por conta das organizações políticas, por meio dos movimentos sociais reivindicatórios, sobretudo por conta da infraestrutura, houve uma movimentação forte nas periferias na luta por creche, transporte coletivo, escolas, melhores condições de moradia e, principalmente, pela atuação das associações de amigos de bairro. Havia uma forte atuação de mulheres por questões que estavam mais ligadas ao ambiente doméstico, a postos de saúde, da creche para os filhos, enfim. Houve certo avanço nos últimos anos em relação a esses temas. Agora, nos últimos anos, os movimentos culturais vêm trazendo outros tipos de reivindicações. E o Hip-Hop tem essa coisa de dar voz a alguns direitos que o Estado em negando, ou denunciar os altos índices de violência na periferia, de repressão policial. Surge uma afirmação positiva em ser da periferia. Ser da periferia não é só ser associado ao precário, ao ruim, ao violento. Assume-se uma identidade periférica no sentido de reverter esse estigma, dar outro significado a ele no sentido de dizer que ser da periferia é ter orgulho de ter sido criado neste território, ter orgulho de dar voz a outras pessoas, de expressar desejos e demandas de uma coletividade e, mais recentemente também, é ter orgulho de ter uma cultura específica.

Pensando no contexto de São Paulo, esse que eu acompanhei mais, e acho que tem uma efervescência de fato dessa coisa de movimentos de literatura marginal periférica, acho que devemos pensar do ponto de vista histórico: quando é que essas coisas voltam à tona? Tem a ver com a publicação das edições especiais da revista Caros Amigos, a partir de 2001; e tem a ver, um pouco antes, com a publicação de Capão Pecado, do Ferréz, em 2000.

2. Projetos culturais na periferia de São Paulo e o Impacto social provocado.

Cooperifa

De acordo com o poeta Sergio Vaz, em entrevista concedida para a Uol , em 2011, referente aos dez anos de

Cooperifa, este projeto cultural tem como objetivo levar literatura à periferia e assim garantir o exercício da cidadania. O poeta é fundador e pioneiro do Cooperifa que atualmente é o maior movimento cultural da periferia de São Paulo. Em comemoração aos dez anos em 2011, o sarau promovido contou com cerca que 500 pessoas e diferentes manifestações culturais.

Projetos Inquérito: Polaróide poética e #pinospoeticos, desenvolvidos pelo Rapper Renan Inquérito

Inquérito é o nome dado a dupla de músicos composta por Renan Inquérito, líder e fundador e o backing vocal Pop Black. Juntos fazem do rap um instrumento para levar literatura e conteúdo crítico para escolas, bibliotecas, presídios e universidades. Tais projetos surgiram junto com o Inquérito na região metropolitana de Campinas, São Paulo, sempre se valendo de poesia e hip hop para a realização de seus espetáculos, entre eles o ‘Ópera Rap Global’. Dentre os prêmios recebidos destacam-se:

Disco “Corpo e Alma” entre os melhores de 2014 pela Rolling Stone, UOL, Melhores Discos, Audiograma, Na

Mira

do

Groove,

Rap

Nacional

Download,

– 8º Festival Internacional do Audiovisual de Atibaia (2014) – melhor fotografia para o clip ‘Meu Super Herói’.

Prêmio

Cultura

HipHop

DINA

DI

(2012)

Livro #PoucasPalavras

– Prêmio no Festival Nacional de Cinema CurtAmazônia (2011) – videoclipe “Um Brinde”.

Considerações Finais

Assim podemos concluir que a importância desse trabalho se deu por causa das

definições conferidas por estudiosos e dos sentidos atribuídos pelos escritores estudados à expressão “literatura marginal”, com a qual se pôde depreender que a união dos termos literatura e marginal criou uma categoria polissêmica e, no entanto, falha como noção explicativa se não tiver contextualizada. A literatura marginal objetiva uma releitura da tradição literária no Brasil, a qual troca o singular pelo plural. A literatura marginal, como revela Ferréz, não intenciona

seguir o padrão “[

...

]

não é ser o empregado que vira o patrão, não, isso não, aqui

ninguém quer humilhar, pagar migalhas nem pensar, nós sabemos a dor por recebê- las” (Idem, 2005, p. 9). Esse movimento da literatura não quer o espaço invadido por “outras literaturas”, ele solicita o seu espaço e, acima de tudo, a democratização cultural, para que haja dimensão para todas as culturas.

2706-perifatividade-faz-2-anos-de-resistencia-cultural-em-sp.

Acesso em: 14 de fevereiro de 2017.

ANISTIA.

-chacina-da-candelaria-nao-vamos-esquecer/. Acesso em: 17 de fevereiro de 2017.

PERES, Maria Fernanda Tourinho; SANTOS, Patrícia Carla dos. Mortalidade por Homicídios no Brasil na década de 90:: o papel das armas de fogo. Saúde Publica, São Paulo, p.58-66, 2005.

HOTSITES. Disponível em:

http://www.hotsitespetrobras.com.br/cultura/upload/project_reading/0_Miolo_completo

_VozesMarginais-Miolo-05.pdf. Acesso em: 17 de fevereiro de 2017

NEV. USP. Pesquisa sobre atitudes, normas culturais e valores em relação a violência em 10 capitais brasileiras. Disponível em: http://nevusp.org/blog/1999/10/28/pesquisa-sobre- Atitudes-normas-culturais -e-valores-em-relao-a-violncia-em-10-capitais-brasileira/ Acesso em: 17 de fevereiro de 2017.

HELOISABUARQUEDEHOLANDA. Disponível em: http://www.heloisabuarquedehollanda.com.br/ category/artigos/periferia-artigos/. Acesso em: 17 de fevereiro de 2017.

FERREZ. O grande assalto. Disponível em: http://ferrez.blogspot.com.br/2004/10/

o-grande-assalto-conto_22.html.

Acesso em: 14 de fevereiro de 2017

FONSECA. Rubens. O cobrador. Disponível em: http://www.releituras.com/rfonseca_cobrador.asp. Acesso em: 17 de fevereiro de 2017.

CIENCIAHOJE. Disponível em:

http://www.cienciahoje.org.br/noticia/v/ler/id/778/n/literatura_da_periferia_em_ascensao

. Acesso em: 14 de fevereiro de 2017.

Outros links:

https://www.youtube.com/watch?v=6NApzVJiA7w

http://www.textoterritorio.pro.br/site/index.php/literaturas/prosa/874-ganhando-meu-pao

https://www.brasildefato.com.br/node/26996/

http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa280342/ferrez

http://www.ufjf.br/revistaipotesi/files/2011/05/7-Literatura.pdf

http://souinquerito.com.br/projeto/pe-de-poesia/