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INSTRUMENTOS PARA A AVALIAÇÃO

PSICOPEDAGÓGICA

Profª Maria Auxiliadora de Souza B. Castro


dorinhab.castro@gmail.com
ÁREA EMOCIONAL:
Avalia a condição afetiva do aprendiz frente a situações de
aprendizagem nos âmbitos: escolar, familiar e pessoal.

Objetivo:
-Investigar os conteúdos afetivos constitutivos do vinculo
com a aprendizagem;
- Subsidiar a análise do papel que o aprendente ocupa no
seu contexto social, as suas relações na família, na escola,
bem como, os seus conflitos, desejos, sonhos, rejeições,
tristezas, alegrias, dúvidas, medos, dentre outros
significados, inclusive da área cognitiva.
ÁREA MOTORA:
Analisa o perfil neuro-sensório motor do aprendiz;

Objetivos:
Avaliar o estágio de desenvolvimento dos sistemas: nervoso, sensorial e
motor.
Lateralidade;
Esquema corporal;
Interação espacial (orientação espacial);
Coordenação dinâmico-manual e viso-motora;
Coordenação motora ampla;
Coordenação motora fina;
Desenvolvimento da linguagem;
Desenvolvimento sensorial;
Orientação temporal;
ÁREA PEDAGÓGICA:
Avalia o processo da gênese da escrita, da leitura e do cálculo.

Objetivo:
Observar o desenvolvimento da aprendizagem do aprendente, nos
aspectos:

- Escrita – Posição do papel, postura para escrever e segurar os


instrumentos, erros ortográficos, velocidade da escrita, etapas de
desenvolvimento do grafismo, qualidade da escrita, etc.

- Leitura – Velocidade, ritmo, postura e dificuldades.

- Cálculo – Relações de tamanho, conceito de permanência de


quantidade, compreensão das quantidades e dos signos visuais
(números).
ÁREA COGNITIVA:

Avalia o estágio de desenvolvimento cognitivo


relacional do aprendente.

Objetivo: Analisar o desenvolvimento do


raciocínio lógico, o estágio das operações do
pensamento, atenção e concentração.
Atentar para os processos cognitivos básico da
aprendizagem:
Atenção

Concentração

Memória

Percepção

Autonomia
É importante saber receber bem a queixa, para
que se possa direcionar o trabalho. Receber a
queixa escolar, familiar e a do próprio avaliando,
e nunca perder o foco das queixas. Avaliar todas
as áreas como cognitiva, afetiva, pedagógica e
funcional, pois cada uma delas dará uma
resposta mostrando em que nível estará o
aprendiz. A avaliação psicopedagógica clínica
para ter um diagnóstico coerente com a
realidade do sujeito deve seguir passo a passo.
OS PASSOS PARA A AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA SÃO:

 Entrevista Familiar Exploratória Situacional, que tem


como objetivo a compreensão da queixa nas dimensões
familiar e escolar,
 Entrevista de Anamnese.
 EOCA – Entrevista Operativa Centrada na
Aprendizagem;
 Sessões lúdicas centrada na aprendizagem;
 Observação frente à produção do sujeito;
 Testes e Provas Operatórias;
 Provas projetivas;
 Provas pedagógicas.
A maioria deles também são usados em
outros áreas e não são exclusivas da
psicopedagogia. Para utilizá-los o
psicopedagogo deve ter LEITURAS de LIVROS
sobre os métodos e teoria que abordam tais
provas, para entender como aplicá-las e
interpretá-las.
ENTREVISTA FAMILIAR
É um dos momentos mais guardados, tanto pelo terapeuta, quanto pela
família.
Este encontro poderá ser composto por uma família tradicional,
formado por pais biológicos(homem e mulher), adotivos, ou pais (do
mesmo gênero), ou seja, pessoas do mesmo sexo. Cabendo ao
psicopedagogo estar preparado para atuar a frente destas questões,
sempre com comprometimento, postura e ética.
O papel do psicopedagogo deve ser livre de preconceitos e opiniões
formadas, devendo o profissional respeitar a todas as pessoas,
independente de GOSTOS, COR, CLASSE, GÊNERO, RELIGIÃO.
O psicopedagogo que conseguir ter esta postura, certamente estará um
passo a frente para alcançar o sucesso profissional.
Existem também outras questões, no qual estão presentes. Pais
separados que formam outras famílias, comparecendo a entrevista os
membros que formam esta nova família. Porém, se preciso for, solicitar
a presença do pai ou mãe no dia da entrevista familiar.
Em alguns casos, quem comparece é outro membro da família, ao invés
dos pais, vem a avó ou tia, dependendo do contexto. Como por
exemplo, morte da mãe, ou pai, ou abandono, ou até mesmo falta de
interesse pela vida do filho.
A escuta – O ouvir é uma das funções mais importantes que o
psicopedagogo precisa treinar. Estar atento a todas as informações
levadas no dia da entrevista familiar e anotar todas aquelas, que achar
importantíssimas, de preferência, após a entrevista. A gravação só
poderá ser realizada mediante autorização por escrito.
Dinâmica familiar:

 Como é a relação entre os membros da família;


 Existe um entendimento entre eles;
 Todos conseguem se expressar da mesma forma;
 Existe uma figura de autoridade, quem?;
 A criança (o sujeito) em análise consegue se expressar;
 A criança/adolescente sabe o que está fazendo ali;
 Existe afeto entre eles;
 Como eles se comunicam; no olhar, na fala, na
expressão gestual;
 Demonstram satisfação e desejo de estarem ali;
 Procuram transferir a algo, ou alguém o motivo de
estarem ali, ou o motivo da criança estar apresentando
esta “queixa” ou “sintoma”;
 Posição ao sentar;
 Localização dos membros, quem está perto de quem;
 Tom de voz;
 Olham nos olhos enquanto falam entre si e com o
terapeuta;
 Falam tudo o que desejam ou pensam antes de falar.
A queixa

 O psicopedagogo deve estar atento a queixa trazida


pela família;
 A postura da família perante a queixa;
 Se o sujeito se reconhece;
 Se existe exigência exagerada por parte da família;
 Existe aqueles pais que desejam que o filho seja
igual a ele, ou melhores;
 Se existe descaso, ou a família não aceita, alegando
que a escola não sabe lidar com as questões do seu
filho.
Enquadramento

 Tempo de atendimento;
 Dias e horários da semana;
 Valor do atendimento;
 Contrato de prestação de serviço;
 Quantidade de sessões;
 Técnicas e instrumentos.
ANAMNESE:
A anamnese é o levantamento do desenvolvimento da vida do sujeito e
do histórico escolar, o que ocorreu com o indivíduo durante toda a sua
vida escolar e quando foi detectada a dificuldade em questão. Perceber
os valores familiares, o relacionamento familiar e as reais expectativas
de intervenção. É uma fonte de grande investigação, perceber o
ambiente da criança. Geralmente os pais passam conteúdos carregados
de afetividade, ansiedade, portanto, deve-se ser cauteloso para
analisar a entrevista familiar.
O ideal para a realização da entrevista da anamnese seria após o
psicopedagogo conhecer o sujeito. A análise desta entrevista fornecerá
dados de ligação da história de vida do sujeito com a queixa
apresentada.
Registrar tudo o que for dito, levantar o maior número possível de
informações, deixando fluir de maneira descontraída.
Para uma boa coleta de dados deve-se levantar os antecedentes
natais, concepção, gestação, momento do parto, seu
desenvolvimento com o sono, hábitos alimentares, linguagem,
ambiente familiar, em caso de separação dos pais aprofundar
melhor o relacionamento do casal e dos mesmos com a criança,
desenvolvimento psicomotor, doenças, tiques e manipulações,
mudanças e acontecimentos importantes, sexualidade, atividades
diárias, comemoração do aniversário, amigos, comportamento,
aprendizagem assistemática, aprendizagem sistemática e
principalmente o histórico escolar.
De acordo com todos estes dados, o psicopedagogo poderá ter
uma visão do sujeito para que possa prosseguir com a avaliação,
partindo assim para o seu primeiro sistema de hipóteses.
EOCA
EOCA é a entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem,
elaborada por Jorge Visca, aplicada aos sujeitos em processo de
aprendizagem. É o primeiro momento do psicopedagogo com o
avaliando que traz a queixa, com o objetivo de observação e das
reações do sujeito frente à aprendizagem.

Material realizado pela EOCA:


Crianças maiores de 5 anos: folhas lisas (ofício A4...) brancas e
coloridas, lápis novo, borracha, apontador, caneta esferográfica,
régua, compasso, esquadro, lápis de cor na embalagem, caneta
hidrocor na embalagem, tesoura, cola, um texto, livro ou revista,
gibi. Podem-se incluir alguns jogos com suas regras (damas,
quebra-cabeças, vareta, resta um, etc)
Crianças menores de 5 anos: Massa de modelar na
embalagem, cubos, jogos de encaixe, livro para esta
faixa etária etc...

Com adolescentes ou adultos: Conversação


complementada com outras atividades, como papéis,
jogos, revistas, livros, técnicas de arte terapia, entre
outros.
APLICAÇÃO DA EOCA:

Diante da mesa com todos os materiais já dispostos


segue para a aplicação da EOCA, deve-se seguir as
seguintes consignas.

Consigna de abertura ou inicial, "Gostaria que você me


mostrasse o que sabe fazer e o que lhe ensinaram e o
que você aprendeu". Para isto, poderá utilizar este
material como quiser, ele está à sua disposição”. Caso o
sujeito não se manifeste, parte para a consignação
múltipla.
Consigna múltipla, "Você pode ler, escrever, pintar,
desenhar, recortar, calcular, pode fazer o que quiser".
Esta será uma opção, caso ele não responda a consigna
de abertura, onde você irá mostrar várias opções de
acordo com os materiais presentes na mesa.

Consigna fechada, "Gostaria que você me mostrasse


algo diferente do que já fez". Fazer algo diferente e
observar a iniciativa da criança.

Consigna direta, "Gostaria que me mostrasse algo de


leitura, escrita ou matemática". Esta consigna será
determinada de acordo com a queixa.
Consigna de pesquisa, "Para que serve isto, o que você
fez, que horas são, que cor você está utilizando, etc."
Esta consigna questiona vários materiais expostos, para
investigar o conhecimento do sujeito.

Deve-se anotar tudo o que for falado e feito pelo


avaliando, inclusive suas reações. Isto é um trabalho de
muita observação e sensibilidade do psicopedagogo,
respondendo somente o que lhe for perguntado e
estritamente o essencial, sem qualquer tipo de
demonstração satisfatória ou insatisfatória. Deixar o
avaliando se manifestar livremente.
Alguns fatores devem ser observados, como a temática,
ou seja, todas as falas do indivíduo. A dinâmica são
todas as manifestações não verbais, como postura,
manuseio do material, postura corporal, etc. O produto
é aquilo que o sujeito realmente produziu durante a
EOCA. A dimensão afetiva manifestada através do
comportamento do avaliando como medos, frustrações,
fugas, distração, resistência, ansiedade, choro, etc.
A dimensão cognitiva também deve ser observada
através da utilização dos materiais, estratégias utilizadas
durante a atividade, organização, planejamento, a
construção da sua produção e suas relações durante o
pensamento para execução da tarefa.
Se o sujeito não quis produzir nada, deverá ser
rigidamente analisado o motivo desta fuga.
DURANTE A APLICAÇÃO DA PROVA OBSERVAR:

 A sua postura, como senta. A má postura refletirá na sua escrita,


dentre outros aspectos;
 Se evita algum tipo de material;
 Quais aqueles que preferem;
 Se termina o que faz, ou pára na metade, por não conseguir
concluir ou por despertar o interesse por outra atividade sem
concluir a anterior;
 Mexe-se demais e não consegue ficar parado;
 Se evita tocar nos objetos, parece ter medo de “quebrá-lo”;
 Se é ansiosa, insegura e/ou apresenta baixa auto estima. Entre
outros...
FIQUE ATENTO:
 O material deve ser distribuído na mesa onde a criança
ficará sentada;
 A EOCA é realizada em uma sessão;
 Se a criança, enquanto realiza a atividade, traz a tona outros
assuntos que não tem nada a haver. Pode ser um indicativo
que tem dificuldades de se concentrar;
 Se a criança quiser pegar outro material na estante, explique
que neste dia ela irá utilizar o material disponível na mesa;
 Crianças que não aceitam atividades que envolva a leitura e
escrita, pode demonstrar um indicativo de rejeição por
leitura e escrita, e um vínculo inadequado com a
aprendizagem sistemática;
 Caso a criança fique paralisada após dar a consigna, repita;
“Você pode me mostrar as coisas que aprendeu a fazer,
como desenhos, leitura, contas ou outra coisa que quiser.”
 Verifique antes da sessão, se o material selecionado está de
acordo com a idade do paciente;
 Deixe o material na sua própria embalagem, observe se o
paciente terá a iniciativa de abri-los;
 Utilize sempre materiais conservados;
 A partir desta sessão, podemos observar a modalidade de
aprendizagem do paciente e se assimilação e acomodação
estão em equilíbrio.
 Rejeição da leitura e da escrita, normalmente
quando evitam escrever durante a sessão, dando
preferência a jogos;
 Dificuldade com planejamento e organização, ou
organiza e planeja bem;
 Não articula o pensar com o fazer;
 Modalidade de aprendizagem;
 Necessidade de agradar;
 Dificuldades para enxergar, falar e ouvir;
 Suspeita de discalculia, dislexia ou outro distúrbio;
 Entre outros...
No final da EOCA, o psicopedagogo consegue traçar o
sistema de hipóteses. Abaixo alguns pontos observáveis:
 Vínculo negativo ou positivo com aprendizagem
sistemática;
 Nível de escrita; pré-silábico, silábico-alfabético ou
alfabético;
 Nível cognitivo.
OBSERVAÇÃO LÚDICA
Esta observação lúdica é realizada através de
brincadeiras e jogos, quando o sujeito não está em
processo de aprendizagem. A partir do lúdico, a
criança revela seus pensamentos, sentimentos e seu
modo de conviver com o mundo externo. Assim
como a EOCA, traz grande base para o diagnóstico
psicopedagógico.
Os brinquedos devem ser escolhidos de acordo com
a faixa etária da criança e também pelo o que se
deseja analisar, partindo das queixas familiar e
escolar.
CAIXA LÚDICA

 Dar ao paciente a oportunidade de explorá-la


enquanto o psicopedagogo o observa: sua
reação, organização, apropriação, imaginação,
criatividade, preparação, regras utilizadas, etc
ROTEIRO DE OBSERVAÇÃO – CAIXA LÚDICA
Modo de brincar
( ) Usa o material mais ao alcance da mão, não explorando os restantes;
( ) Não explora todo o material fixando-se logo em alguma coisa;
( ) Explora todo o material e depois se fixa em alguma coisa;
( ) Estrutura uma brincadeira com começo, meio e fim, com coerência
interna;
( ) Coloca aleatoriamente os objetos sem uma antecipação e não atribui
significado;
( ) Ordena os objetos com a antecipação de significado e dá uso ao que
faz;
( ) Ordena os objetos com a antecipação de significado e não utiliza o
que faz;
( ) Tem flexibilidade no uso dos objetos, modificando-os conforme a
necessidade;
( ) Usa todo o tempo disponível numa só atívidade, sem evoluir em seu
conteúdo,
apenas repetindo-a;
( ) Mistura os objetos e os separa em função das cores;
( ) Começa uma atividade e interrompe-a, passando a outra, sem nunca
concluir a
primeira, ficando apenas na exploração de objetos;
( ) Realiza mais ações de desmanchar, separar, dividir ou cortar;
( ) Realiza mais ações de reunir, construir, colar e juntar;
( ) Faz num jogo dramático os vários papéis, ou solicita a participação do
terapeuta,
neste caso quais papéis escolhe para si;
( ) Usa o corpo na medida do necessário, movimentando-se, trocando de
posição,
ocupando bem o espaço;
( ) Usa o corpo como parte do jogo;
( ) Usa coordenação grossa e fina necessária à atividade;
Durante esta atividade lúdica, devem ser observadas a
reação da criança frente aos brinquedos, linguagem
utilizada, postura, analisando os aspectos cognitivo,
afetivo, motor e social.
Também pode ser usada por crianças com necessidades
especiais e com distúrbios de comportamento e que não
conseguem responder a outras formas de investigação.
PROVAS OPERATÓRIAS PIAGETIANAS:

A área cognitiva avalia o processo de desenvolvimento


cognitivo do indivíduo. Deve-se estar atento para
concentração, atenção, memória, autonomia e
percepção. Busca entender o processo de lógica, ou
seja, o raciocínio lógico deste sujeito, se o pensamento
equivale com a faixa etária do avaliando.
Para o uso da análise da área cognitiva, recomenda-se o
uso das provas operatórias criadas por Jean Piaget, que
são as provas de conservação, classificação e seleção.
Através destas provas pode-se ter uma visão do
diagnóstico operatório, mas jamais rotular o avaliando.
Com elas podemos perceber se o sujeito tem noção de
identidade, compensação, reversibilidade, causalidade,
quantificação, raciocínio lógico, estrutura do
pensamento, tempo e espaço.
Estas provas dão a percepção do funcionamento e
desenvolvimento das funções lógicas do sujeito.
PROVAS PROJETIVAS PSCOPEDAGÓGICAS VÍNCULOS COM
A APRENDIZAGEM - VISCA (1991)

As técnicas projetivas Psicopedagógicas têm como


objetivo geral investigar a rede de vínculos que um
sujeito pode estabelecer em três domínios;
 Vínculo escolar;
 Vínculo familiar;
 Vínculo consigo mesmo.
VÍNCULO ESCOLAR
PAR EDUCATIVO
Relação aprendente – ensinante - (a partir de 6 /7 anos)

Consigna : Desenhe duas pessoas, sendo uma ensina e outra que aprende. Solicita-se
quando tiver terminado o desenho que indique como se chama e que idade tem.

Solicite que dê um título para o desenho;


Relatar o que esta se passando nesta cena;
Citar quem são os personagens (escrever os nomes).

Registrar

Dificuldade de pensar, raciocinar o que vai desenhar ( ) Sim ( ) Não

Maneira de desenhar ( ) Atento ( ) disperso ( ) cuidadoso

Postura Corporal ( ) Adequada ( ) Inadequada.


O Tamanho total do desenho - Importância que se atribui à
aprendizagem.

Desenho pequeno ou exageradamente grande –Vínculo


negativo
Razoavelmente dimensionados – Vínculo positivo

TÍTULO DO DESENHO
Pode ser que resuma em poucas palavras ou negue.

RELATO
Em consonância com o desenho ou fala.
EU COM MEUS COMPANHEIROS

Vínculo com os companheiros de classe- (a partir de 7/8


anos)

Consigna: Solicita-se ao entrevistado que se desenhe


com seus companheiros de classe.

Registro: Com o grupo? ( ) Sim ( ) Não ( ) dentro ( ) fora.

Indique no desenho quem é você como se chamam os


outros e a idade de cada um.
VINCULO CONSIGO MESMO - O DIA DE ANIVERSÁRIO
A representação que se tem de si e do contexto físico e sócio dinâmico num
momento de transição de uma idade a outra: (a partir de 6/7 anos)

Consigna – solicita-se que realize um desenho do dia do aniversário de um


menino (ou de um rapaz se é do sexo masculino ou uma menina ou uma
moça se é do sexo feminino)..Se desenhou uma pessoa, pergunta-lhe a idade
da mesma.

Se desenhou outras pessoas, pergunta-lhe a idade e que relação tem com


quem aniversaria.
Pergunta-se que outras coisas aconteceram nesse dia.
Realizam-se as perguntas complementares que se considerem convenientes.
Para todas as técnicas usam as consignas adequadas a
cada uma delas e o material é sempre o mesmo para
todas, como papel ofício, lápis grafite, apontador,
borracha e régua. Não é necessário aplicar todas as
técnicas, pois o psicopedagogo irá escolher as que
devem ser aplicadas seguindo suas hipóteses para o
diagnóstico, de acordo coma queixa do sujeito.
ORIENTAÇÕES DE INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

Uma criança de seis a sete anos com seu desenvolvimento


cognitivo normal e uma boa formação já consegue realizar
esta atividade sem problemas por isso uma criança com
essa idade ou superior ou até mesmo adolescentes e
adultos que a não conseguem realizar devem ter algo de
errado. Vejamos o que buscamos saber em cada questão.
1ª questão:
Uma criança aprende a fazer o seu nome, geralmente no infantil 1 (1º período)
com quatro anos. Algumas conseguem fazer o nome todo, outros parte deles
e em letras de forma (dependendo da orientação da escola). Queremos
analisar em que grau cognitivo a criança se encontra, então vamos observar:
 escreve o nome corretamente;
 mistura maiúsculo com minúsculo;
 postura como escreve, como pega no lápis;
 tem a grafia comprometida (letra incompreensível) ou se apresenta algum
distúrbio motor.
Escrever o nome é uma tarefa simples mas pode revelar aspecto inconsciente
que o psicopedagogo deve estar atento, tais como:
 Ansiedade e medo de errar;
 Negação ao eu, a quem a criança é, por se negar a escrever seu próprio nome
por um conflito interno.
 Agressividade ao se negar fazer uma atividade tão simples;

O psicopedagogo é um investigador e deve estar atento aos


pequenos detalhes, até aquilo que ache insignificante. “Observe
que a criança fala enquanto faz atividade, tente não interferir na
forma como ela faz, toda fez que ela perguntar: - Tá bom? Você
deve ser responder com outra pergunta que instigue o cliente.-O
que acha, você gostou? Acha que pode ser melhor?
Lembre-se você quer o natural do seu cliente, se influenciar em
seu comportamento durante a avaliação não terá sucesso no
resultado. ( O que é diferente na intervenção onde você deverá
interferir na resistência, na negação e comportamentos
disruptivos).
Nesta questão você vai perceber também o conhecimento de
associação das palavras, fonemas e figuras que a criança faz.
Nesta atividade a criança ao ver as figuras ela relaciona imagem ao
que já tem em seu banco de memória, palavras, sons e fonemas
então escreve o resultado de todo o processamento desta
informação. Pela resposta da criança podemos encontrar dois
possíveis transtornos e déficit cognitivo.
1-Crianças com dislexia escrevem da forma como processam o
som dos fonemas (distúrbio fonológico) por isso elas escrevem F
no lugar de V, B no lugar de P ou vice versa) nesses casos o
processo de intervenção deve ter ajuda da fonoaudióloga para
trabalhar os sentidos da audição e a consciência fonológica.
2- A omissão de letras não indica necessariamente um transtorno
e sim uma dificuldade, crianças com problemas emocionais, ou
mal alfabetizadas tendem a escrever as sílabas complexas com
omissões, por exemplo: elefate, coelo, tataruga por mais que elas
falem corretamente, escrevem erradas.
Aqui o processo de intervenção é orientar a criança escrever
corretamente as sílabas complexas e os dígrafos. Uma criança
sem transtornos de aprendizagem consegue superar esta
dificuldade em poucos exercícios de intervenção.
Nesta questão estamos buscando noção de sequência lógica se de
espaço temporal da criança analisada.
Uma criança com desenvolvimento cognitivo normal deverá dizer ou
escrever onde a menina está, o que o menino está fazendo, qual é o
animal que está levando a menina.
Se a criança investigada não consegue fazer esta relação da imagem
com um tempo e espaço numa sequencia lógica já é sinal de um
problema a ser investigado.
Se você achar que já tem é o suficiente para ser analisado não
precisa fazer a questão 5.
Lembrando sempre que as atividades pedagógicas são as mais
difíceis de realizar durante as sessões de avaliação, pois as
crianças não querem repetir o que fazem na escola, em casa ou
na aula de reforço. Por isso sempre tenha a preocupação de não
realizar quantidade a qualidade e busque resultados nos detalhes
no que seu cliente conseguiu produzir.
Na 6ª questão temos uma avaliação de leitura e o objetivo é
perceber como o aluno lê.
 se reconhece a escrita;
 se entoa as palavras corretamente;
 a frequência das sílabas;
 e Interpreta o que leu.
 Crianças com déficit cognitivo dependendo do grau
conseguem ler mas não relacionam a sequência lógica da
interpretação.
O texto é bem simples de fácil leitura e entendimento.
Na interpretação queremos saber apenas três coisas:
Quem é Lelé? Por que o Lelé é mané? Que bicho é
Lelé?
Se o cliente não consegue ler, leia para ele em voz alta e
depois da primeira leitura faça as perguntas todas de
uma vez, e volte para a primeira. Uma criança com
apenas dificuldades de leitura e até mesmo transtorno
de leitura e escrita conseguirá interpretar o texto. Se a
criança ouve duas ou três vezes a história, e não
consegue responder nem com a escrita e nem
oralmente é porque um déficit cognitivo leve ou severo
deve existir.
A 7ª questão é para realmente tirar todas as dúvidas sobre
dificuldades, dislexia, disortográficas ou déficit cognitivo. Use
palavras estratégicas:
 bala, fala, sala, tala;
 chapéu, folha, piolho
 também, bombom;
 armário, pedra, credo, vidro;
 borboleta, liquidificador.

Analise cada palavra escrita, grafia, erros, acertos e compare com as


outras questões. Se você perceber que a pessoa acertou algo que
em outra questão errou, tenha bastante atenção e analise porque
ela errou. Leve em conta o stress emocional, se está a vontade com
você, se sentiu estímulo, se está mantendo um mecanismo de
defesa para não o analisada. As pessoas fazem isto
inconscientemente e o terapeuta deve estar preparado para
entender quando isto acontecer.
Lembre –se durante a avaliação é muito importante:
 Que sua expressão do rosto mostre serenidade e tranquilidade;
 Não beije ou abrace seu cliente durante as sessões, seu vínculo com ele
não pode ser igual a professora, a mãe ou uma tia, mas sim de
terapeuta com cliente, de confiança, e respeito, de afeto no olhar, no
sorriso, na compreensão do seu limite com o outro.
 Lembrando que seu papel é descobrir o que impede o normal
desenvolvimento do seu cliente e prepará-lo para a sua vida normal.
 Não mostre ansiedade, caso seu cliente não lhe dê resultado naquela
sessão;
 Cada cliente é diferente e deve ser tratado com suas especificidades;
 Seja criativo, pois você pode fazer todas as análises com simples folhas
de papel, canetinha, giz de cera, lápis, borracha.
PROPOSTA ATIVIDADE - PRÁTICA

Agora é com vocês !


ESCOLHA UM INSTRUMENTO...
Elabore uma atividade para ser utilizada no processo de
avaliação psicopedagógica.

CASO : Camila é uma menina de 11 anos que , retida no terceiro


ano do ensino fundamental , foi encaminhada para avaliação
Psicopedagógica.
Apresenta as seguintes características: leitura silabada e sem
compreensão, e troca de letras com grafia parecidas tanto na
leitura como na escrita. Tem dificuldades com a utilização de
noções de direita e esquerda e não gosta de praticar esporte.
Seu caderno é desorganizado e sua letra é grande com tendência
a diminuir.