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Arte grega.

De Creta ao período clássico.


Menkaure cercado por deusas Hathor e Bat. Grauvaque Cairo Museum.
Diadúmeno, cópia romana de Policleto, 430 a. C., Metropolitan Museum of Art
Policleto, Doríforo, cópia romana de
original em bronze de c. 440 a. C.
Museu Arqueológico Nacional de
Nápoles

Policleto de Argos, ativo na segunda


metade do século V, fixa um cânon
proporcional, isto é, o princípio
estrutural da figuração estatuária.
Fixa-o numa estátua de atleta.
Arte egípcia e a apresentação da essência.

Os egípcios não consideravam as exigências da visão, em sua arquitetura e em suas


representações - que eram subordinadas a cânones rígidos e estabelecidos de
maneira abstrata. A arte grega, ao contrário, põe a visão subjetiva, a percepção do
espectador em primeiro plano.
A função da estátua egípcia não é representar a aparência, o modo pelo qual nós
percebemos as coisas e os homens: ela quer apresentar a essência atemporal de
um indivíduo. Por isso guardou durante milênios praticamente o mesmo cânone.
Arte grega e a representação da aparência. O Cânone de Policleto.

No século IV a. C. Policleto produz uma estatua que foi chamada depois de cânone,
pois nela encarnavam-se todas as regras de uma justa proporção. O princípio que
rege o Cânone não é aquele baseado no equilíbrio de dois elementos iguais, mas
sim em relações proporcionais.
O Cânone proporcional grego era diverso do cânone egípcio: os egípcios usavam
retículas em malha quadriculada que prescreviam medidas fixas - uma figura
humana deveria ter dezoito unidades de altura, automaticamente o comprimento
do pé eram três unidade, o do braço de cinco e assim por diante...
No Cânone de Policleto, ao contrário, não existem mais unidades fixas: a cabeça estará
para o corpo, assim como o corpo estará para as pernas e assim por diante. O
critério é orgânico, as relações entre as partes dependem do movimento do corpo,
das mudanças da perspectiva, das próprias acomodações da figura à posição do
espectador.
Um trecho do Sofista de Platão nos mostra que os escultores não observavam as
proporções de modo matemático, mas adaptavam-nas às exigências da visão, à
perspectiva a partir da qual a figura seja vista.
Kouros, a. 590–580 a.C. Mármore, Altura 194.6 cm. Metropolitan Museum of Art
Efebo de Kritios, Museu da Acrópole de Atenas
Grécia. Polis.

Grécia é o nome dado às terras natais de certos povos que falavam línguas similares e
concordavam em chamar-se uns aos outros de helenos. Esse tipo de comunidade
cresce na região do Egeu ao longo dos séculos de despovoamento que se seguiram
à decadência micênica.
Durante essa época, invasores vindos do norte do continente europeu enriqueceram a
composição étnica da área.
A chegada do alfabeto por volta de 730 a. C. permitiu que a frouxa comunidade
resultante que começava a florescer registrasse sua principal narrativa comum (A
Ilíada, um conto de muitas tribos que se repunem para sitiar a cidade de Troia no
nordeste do Egeu. Auxiliadas e impedidas pelos deuses..
Uma unidade independente de poder local, a cidade-Estado, conhecida como pólis,
havia se tornado a norma regional por volta de 776 a. C., quando os primeiros
jogos Pan Helênicos (“de todos os gregos”) foram conclamados em Olímpia.
BELL, Julian. Uma Nova História da Arte,p. 62.
Escultura grega e a ideia de homem

A escultura grega tem a mesma certeza implacável e jovial, a mesma aura de quem,
vindo de um plano espiritual muito diferente, entra a passos largos em nosso
mundo secularizado. A diferença óbvia é que ela está nua. No Egito, um homem
em particular, o faraó, é divino. Na Grécia, o homem é o que é: uma ideia geral,
despojada de roupas e circunstâncias.
Nas culturas antigas, os deuses eram potências que faziam tudo acontecer e a quem
deveríamos nos endereçar. Eles podiam penetrar um objeto que fabricássemos
desde que conferíssemos a este uma face apropriada – frequentemente a face do
animal pessoal do deus.
Os mitos reúnem essa pessoas divinas em histórias que falam das emoções humanas.
Todas as premissas desse arranjo, contudo, começaram a fraquejar quando a Ilíada
e o outro poema atribuído a Homero, a Odisseia, brincaram temerariamente com
os mitos ao retratar um mundo controlado por uma súcia depravada, mesquinha e
briguenta de luminosos superseres. Se os deuses podiam se parecer com os
mortais, por que não o contrário?
Foi essa fronteira indistinta entre categorias cada vez mais fluidas que a nudez mínima
das esculturas Áticas cruzou – embora se deva também mencionar o evidente
entusiasmo dos gregos antigos por corpos masculinos em boa forma e, aliás, pelo
jogo sexual entre homens. O kouros [rapaz] poderia representar o deus Apolo ou
algum jovem morto em batalha, em memória do qual a família a teria
encomendado, não há como dizer ao certo.
Como passamos em pouco mais de cem anos do Kouros ao rapaz de Critio? Lá o
mármore é dotado de carga espiritual e, todavia, ainda transmite a impressão de
ser mármore; aqui, parece de fato uma pessoa viva. Essa transição é conhecida
entre os historiadores da arte como a passagem do ‘arcaico’ para o ‘clássico’.
Outro rótulo retrospectivo para o novo principio da escultura pode ser a ‘imitação da
natureza’. Mas essa expressão precisa ser qualificada.
O que não tinha precedentes era a estratégia que adotaram. Na verdade, o kouros
anterior aponta o caminho para ela. Suas linhas esquemáticas separando o peito
do diafragma e torso dos membros sugerem que o escultor estava interessado
em analisar as diferentes partes que compõem um corpo humano.
• Bell p. 63
Sociedade grega baseada no equilíbrio entre humanidade e natureza.

Desde seu aparecimento no âmbito da civilização mediterrânea, a sociedade grega se funda


no pensamento de um perfeito equilíbrio entre humanidade e natureza: nada existe na
realidade que não se defina ou tome forma na consciência humana. As próprias leis do
Estado têm seu fundamento nas leis naturais; e ‘natural’ é o fundamento da lógica e da
ciência, da moral e da religião. Mas nem por isso a vida é equilíbrio imóvel, estagnação;
é antes aspiração contínua a uma condição ideal, de perfeita liberdade ‘natural’ – por
esse ideal de liberdade a Grécia combaterá longamente o império persa, última forma
do obscuro nepotismo asiático: longa luta histórica que nada mais será do que o
resultado da mítica luta de libertação da consciência dos opressivos terrores do mundo
pré-histórico e proto-histórico.
Na direção do equilíbrio humanidade-natureza as manifestações da arte grega encontraram
os seus alicerces numa filosofia antropocêntrica de sentido racionalista que inspirou as
duas características fundamentais : por um lado, a dimensão humana e o interesse pela
representação do homem e, por outro, a tendência para o idealismo traduzido na
adoção de cânones ou regras fixas (análogas às leis da natureza) que definiam sistemas
de proporções e de relações formais para todas as produções artísticas, desde a
arquitetura à escultura.
Argan, História da Arte Italiana vol. 1
copy after Cephisodotos or Euphranor (?) Mattei “Mattei Athena”. Mármore, cópia romana do séc I a. C., a partir de original grego
do séc IV aC Mármore, 2.3 m (Louvre Museum
Déméter. Marbre à gros grains, œuvre romaine ; la tête est une restauration moderne.
Current location
National Museum_of Rome - Palazzo Altemps
Jupiter of Smyrna Statue of a male deity, brought to Louis XIV and restored as a Zeus ca. 1686 by Pierre Granier,
who added the arm raising the thunderbolt.circa 250 AD marble 234 cm Louvre Museum
Hades & Cerberus in museum of Archeology in Crete
• ades (ᾍδης, Hádēs)/Pluto (Πλούτων, Ploutōn)
• God of the underworld and the dead. His consort is Persephone. His attributes are
the drinking horn or cornucopia, key, sceptre, and the three-headed dog Cerberus.
His sacred animals include the screech owl. He was one of three sons of Cronus
and Rhea, and thus sovereign over one of the three realms of the universe, the
underworld. As a chthonic god, however, his place among the Olympians is
ambiguous. In the mystery religions and Athenian literature, Pluto ("the Rich") was
his preferred name, with Hades referring to the underworld itself. The Romans
translated Plouton as Dis Pater ("the Rich Father") or Pluto.
Afrodite de Cnido, cópia romana de estátua de Praxíteles do século IV a.C.
Venus de Milo, atribuída a Alexandros de Antioquia, possivelmente século II a.C.
Mármore, 202cm. Museu do Louvre, Paris, França
Apolo Belvedere. Mármore, 224 cm. Museu Pio-Clementino, Vaticano.
Apollo do tipo Kassel; Séc. II (?), a partir de original de circa 460 aC.
Hera, Louvre.
Atena Varvácio, cópia reduzida da Atena Parteno de Fídias, século III a.C. Museu Arqueológico
Nacional de Atenas.
Mito como tema fundamental da arte clássica.

As imagens dos deuses e heróis gregos não têm a finalidade de instruir o fiel, incitá-lo
à devoção ou se auto-proclamam materializações do divino: a religião grega não
nasce como revelação, mas como a lenta formação do mito mediante o relato
verbal, escrito ou figurado das antigas sagas sobre as origens do mundo e os
primeiros eventos do gênero humano (Kerényi por Argan).
A própria religião não é mais imposta de cima com a autoridade de um soberano e de
uma casta sacerdotal, mas vem debaixo, como expressão de um ethos popular.
Como expressão da polis, não é lei imutável, mas tem seu desenvolvimento
histórico: dos mais antigos mitos proto-históricos, ctônicos, que exprimem o temor
reverencial dos homens diante das forças incontroláveis do cosmos – Górgona, as
Fúrias, os Gigantes, os Titãs... - aos mitos olímpicos, que exprimem a harmonia
alcançada entre homens e a natureza agora amiga – a sabedoria e a cultura
(Atena), a poesia (Febo), e beleza (Afrodite),a habilidade nos negócios(Hermes), o
valor guerreiro (Áries), autoridade (Zeus)= semi-deuses, ninfas e heróis tece
comunicação contínua entre o mundo dos imortais e o dos mortais.
Mitologia grega

A atitude dos homens diante dos deuses é mais de admiração do que de devoção; a
divindade é uma humanidade ideal, forma absoluta de uma existência que na
terra é limitada e relativa. Os gregos não aspiram à transcendência, seus deuses
têm uma existência semelhante à dos homens e nem sempre é exemplar, mas feliz
porque não obscurecida pelo pensamento da morte inevitável.
Havia 12 divindades principais no panteão grego. Zeus, deus do céu e pai dos deuses,
para quem o boi e o carvalho eram sagrados; seus dois irmãos, Hades e Poseidon,
reinavam sobre o mundo inferior e dos mortos e o mar. Hera, irmã e mulher de
Zeus, era a rainha dos deuses; frequentemente representada vestindo uma tall
crown or polos. A sábia Athena, padroeira de Atenas, que tipicamente aparecia
com armadura, capacete, e lança, era também padroeira da tecelagem e da
carpintaria. A coruja e a oliveira era sagrados para ela. O jovem Apolo,
representado com uma cítara, era o deus da música e da profecia.
Considerando os muitos lugares de adoração a ele, era um dos mais importantes
deuses na religião grega. Seu principal santuário ficava em Delfos, onde os gregos
faziam perguntas ao oráculo, era considerado o centro do universo.
A irmã de Apolo, Artemis, padroeira da caça, sempre carregava arco e flecha. Hermes,
com suas sandálias com asas, era mensageiro de deus. Outras importantes
divindades eram Afrodite, a deusa do amor; Dionísio, deus do vinho e do teatro;
Ares, deus da guerra; e Hefesto, deus da metalurgia. O Monte Olimpo , a mais alta
montanha da Grécia, era o lar dos deuses.
Culturas egeias da Idade do Bronze: civilização minóica (Creta) e Civilização
Micênica.
Creta. Idade do Bronze.

Dos grandes desertos sob domínio dos déspotas orientais/faraós cuja arte permanece
quase inalterada por milhares de anos aos climas temperados do Mediterrâneo
oriental e nas costas recortadas por inúmeras enseadas das penínsulas da Grécia e
da Ásia Menor:
Essas regiões não estavam submetidas a um único senhor. Eram esconderijos de
ousados marinheiros, de reis-piratas que cruzavam os mares ao longo de seus
limites conhecidos, e acumulavam grandes riquezas em seus castelos e portos de
abrigo, produtos do comércio e de pilhagem marítima.
O principal centro dessas áreas foi originalmente a ilha de Creta, cujos reis eram,
algumas vezes, suficientemente ricos e poderosos para enviar embaixadas ao Egito
e cuja arte causou profunda impressão até na corte faraônica.
Afresco de Akrotiri, Thera, Grécia, c. 1550 AEC. Aparentemente trata-se de cena da vida
contemporânea interpretada pelo olhar de um poeta visual que vivia numa ilha do Egeu
na Idade do Bronze.
Culturas Egéias da Idade do Bronze

Civilização Minóica. Desenvolveu-se na ilha de Creta, a maior ilha do mar Egeu, com
apogeu entre 1700 a.C. e 1400 a.C., e tendo como principal centro a cidade de
Cnossos. A herança cultural minóica originou a Civilização Micênica e viria a ter
enorme influência na arte da Grécia antiga. Pinturas lindas em murais, cerâmica
pintada e metal. Embora certo grau de estilização egípcia se evidencie, por
exemplo, no modo com que se repetem esquematicamente as figuras humanas, a
representação minóica exibe um naturalismo e uma elasticidade bastante
ausentes na arte egípcia.
Civilização Micênica. Sofisticada cultura grega que se desenvolveu na Grécia
continental entre 1600 a.C. e 1100 a.C.. Principal centro era Micenas, no
continente. A história e as lendas da civilização micênica constituem o pano de
fundo para narrativas de Homero (c. 750 a.C.) cujos poemas épicos, a Ilíada e a
Odisséia, refletem a chamada “era heróica”: o fim do período micênico, que dará
surgimento ao “homem grego”. Pinturas micênicas em murais, cujos temas
incluíam cenas do cotidiano e descrições do mundo natural.
Metalurgia

O sul do Irã foi a terra natal de um dos mais influentes fatores nas civilizações da
Eurásia: o florescimento da metalurgia. Por muitos milênios as pessoas tinham se
sentido atraídas pelo adorável e caloroso brilho do ouro nativo, primeiro, e depois
do cobre que surgia quando atiravam ao fogo minérios verde-azulados como a
malaquita. No início, os artesãos martelavam essas estranhas substâncias
sobretudo para criar artigos de adorno pessoal, e não ferramentas. Mas, com o
advento da fundição do metal, descobriram que elas podiam assumir a forma de
objetos produzidos previamente em argila e pedra, tal com vasilhames e armas,
convertendo-se em algo de inaudito glamour e um símbolo de status para a elite.
Esse novo processo de modelagem já estava em evidência por volta de 4000 a. C.
os Balcãs e no Irã, onde os ferreiros também começaram a empregar a prata.
Bell, p. 46
Descoberta do bronze. A Idade do bronze.

A fusão do cobre com o minério de estanho para produzir a liga muito mais robusta
chamada bronze parece ter surgido no Irã e no Iraque por volta de 2800 a. C., e
assumido uma forma bastante diversa na China cerca de um milênio mais tarde
(vaso ritualístico Shang).
Bronze era excelente não só para rituais, mas graças a sua dureza, também para cortar
coisas e pessoas. Ele teve um impacto tecnológico tão grande que o período após
sua introdução – e antes que surgisse o aço, uma liga ainda mais dura – é chamado
de Idade do Bronze (cujas datas variam de região para região).
Momentos de crise em regiões do indo e da Ásia Central.
Outro fator que estimulou a mudança foi a nova tecnologia da carruagem puxada a
cavalo, que então se difundia pela Eurásia a partir das estepes em tornos dos
montes Urais, na Rússia, rumo ao Iraque e ao Egito. Ao chegar a essa parte do
mundo, ela acelerou as disputas pelo poder, convertendo regimes apegados ao
costume e às convenções em impérios militares.
Bell, Julian. Uma nova história da arte, p. 49
Durante esses séculos, as mais surpreendentes variações sobre os modelos de arte
conhecidos surgiram na periferia noroeste dessa região, entre as ilhas do mar Egeu
situadas além do alcance dos invasores montados. Os povos de Creta – minóicos –
e em seguida os das cíclades, mais ao norte, adotaram em grande escala o
comércio marítimo e a vida urbana, como parece mostrar mural de Thera (...)
Nos séculos em torno de 1600 a. C. Os pintores também criavam panoramas de
serenidade dentro ads tumbas egípcias, e, com efeito, esse glamouroso e sublime
azul é pigmento importado do Egito. Lá, desenhos podiam ser primorosamente
caligráficos ...
O regulamento dos egípcios foi substituído na pintura egeia pelo amor aos meandros
e pequenos atrativos para o olhar - arabescos, fitas ilusionistas, mulheres e jovens
bonitos.
Deusa das serpentes. Santuário de
Cnossos, 1750-1570 a. C. Cerâmica
policromada, altura 34 cm. Museu
Arqueológico de Heraclion Creta

Estatueta votiva de terracota colorida


ou de bronze. Já estamos num mundo
em que a ideia do divino associa-se à
realidade da vida e toca, com o tema
dominante da Deusa Mãe, os
sentimentos populares (a fecundidade
da mulher e da terra, os costumes das
cidades, os jogos). Argan, p. 44.
Afrescos de Akrotiri , em Santorini (cíclades) Frescos de lutadores de boxe (Possivelmente
garotas) e gazelas no Museu Nacional Arqueológico de Atenas.
Apanhador de açafrão, afresco em
Akrotiri, Thera.
Jogo do touro, decoração mural de Cnosso, Museu Arqueológico de Heraclion, Creta.
Afresco do "Palácio de Minos", Cnossos, Creta.
Civilização Minóica.

O arqueólogo britanico Sir Arthur Evans escavou material em Cnossos, e caracterizou a cultura de
Creta na Idade do bronze como minóica a a partir do legendário rei Minos.
Por volta de 1900 a.C., essa civilização alcançou seu apogeu com o estabelecimento de palácios
que concentravam poder político e economico e atividade artística. Os principais palácios
foram construídos em Knossos e Mallia ao norte de Creta, em Phaistos no sul, e em Zakros
ao leste. Suas paredes e pisos eram quase sempre cobertos por afrescos coloridos que
representavam rituais ou cenas da natureza.
Com os palácios chega desenvolvimento da escrita: eram empregados hieróglifos cuja inspiração
foi provavelmente o Egito e uma escrita linear, linear A, talvez inspirada pela cuneiforme no
leste mediterrâneo. Primeira metade do segundo milênio a. C. era tempo de prosperidade e
período de comércio ativo com outras civilizações em torno do Meditrrâneo: exportavam
alimentos, tecidos, azeite de oliva, e bens luxuosos; importavam cobre, ouro, prata e pedras
preciosas, marfim de objetos manufaturados.
A partir de 1500 B.C. houve crescente influência da cultura micênica do continente das terras
gregas, e evidência arqueológica da destruíção da lha por volta de 1450 a.C. Se os micênicos
não foram responsáveis por essa destruioção, eles certamente traram vantagem dela –
registros administrativos desse período são escritos em Linear B, a escrita dos gregos
micênicos.
Ânfora funerária ática com decoração
geométrica, necrópole do Dipylon,
século VII a. C., cerâmica pintada,
altura 155 cm. Museu Nacional,
Atenas.
Afresco sec. XIII a. C. em Micenas, participante em procissão religiosa,
Museo Nacional de Arqueología de Atenas.
Máscara funerária, que é, por vezes, atribuída a Agamémnon, 1500 a.C.,
26 cm de altura, Museu Arqueológico Nacional de Atenas
Sopra: affresco miceneo - scene di caccia; a sinistra: tavoletta lineare B e,
sotto a destra scrittura
Jarro de Terracota com polvo, ca.
1200–1100 a.C. Alt. 26 cm; diâmetro
21.5 cm. Metropolitan Museum of Art.

Tais jarros, fáceis de transportar e


estocar, eram normalmente usados
para transportar vinho e óleo através
do Mediterrâneo. Apesar desse vaso
ser produtos da cultura micênica, sua
imagem marinha deriva da arte de
Creta. O controle do mar era essencial
aos micênicos para que ganhassem e
mantivessem poder sobre seu vasto
domínio.
O tamanho do vaso e a decoração com
o polvo testemunham a importância
do mar como meio de comunicação e
fonte de comida e riqueza.
Civilização Micênica

Civilização descrita nos poemas homéricos. Termo deriva de Micenas no Peoloponeso, onde se
sitiava um grande palácio fortificado. Micenas é celebrada por Homero como o lugar do rei
Agamemnon, que guiou os gregos na guerra de Troía.
Base das monarquias que governam as cidades-estado helênicas ainda é patriarcal, mas agitada
por nebulosas tragédias dinásticas e familiares que têm em comum a vontade de luta contra
os últimos redutos da expansão asiática no Mediterrâneo.
Na arqueologia mdoerna, o lugar ganhou renome através das excavações de Heinrich Schliemann
em meados de 1870.
Durante o período micênico, a Grécia viveu era de prosperidade em lugares como Micenas,
Tebas, e Atenas. Oficinas locais produziam objetos utilitários de cerâmica e bronze, e
produtos de luxo, como pedras esculpidas, joias, vasos em metal precioso, e ornamentos de
vidro.
O contato com Creta teve papel decisivo na formação e desenvolvimento da cultura micênica,
especialmente nas artes. Além de serem bons comerciantes, os micênicos eram guerreiros e
grandes engenheiros que projetaram pontes, muros fortificados, e sistemas de irrigação.
Marfim, 750 a.C. Obra fenícia (Líbano)
de Nimrud. British Museum.

Os resquícios de suas realizações são


relativamente poucos, pois suas
cidades foram sistematicamente
arrasadas pelos conquistadores –
primeiro os assirios, depois os gregos
sob Alexandre e finalmente os
romanos, que destruírama a base
fenícia de Cartago, na Africa
setentrional.
Síria, Fenícia, Assíria, Persia.

O colapso dos grandes impérios do Egito e do sudoeste da Ásia por volta de 1000 a. C.
permitiu que outras entidades políticas menores emergissem entre os velhos
centros de poder. As cidades da Síria e da Fenícia – atualmente a costa
mediterrânea do Líbano – já agiam como intermediárias no comércio e por essa
altura suas oficinas se tornaram líderes no fornecimento de artigos de luxo.
A peça foi levada provavelmente como espólio de guerra para um palácio assírio em
Nimrud, no norte do Iraque. Nos séculos que se seguem a 880 a Assíria estava se
erguendo para tornar-se a potência dominante na região. É um império que
recebe tratamento particularmente negativo na Bíblia, livro produzido pelos
israelitas que viviam ao sul da síria.
Assírios eram povo de língua semítica com uma cultura intensamente literária. Reis
assírios compilaram escritos que remontavam ao Gilgamesh sumério, e não apenas
em suas bibliotecas, mas também nos relevos das paredes de seus palácios,
revendo e expandindo ambições descritivas de Naram-sin, 1400 anos antes.
Relevo representa o último grande rei assírio, Ashurbanipal 668-631 a.C.
Persas e gregos.

Ninive e Nimrud foram incendiadas quando uma aliança liderada pela Babilônia
derrubou os assírios em 612 a. C. Setenta anos mais tarde, o poder deslocou-se
mais para o leste, quando um novo superestado, o império persa baseado no Irã
derrubou a Babilônia. A cultura fenícia que eles rememoram avançou para o oeste
através do Mediterrânea transferindo sua sede para a cidade norte-africana de
Cartago e transmitindo seu ágil sistema de escrita, o alfabeto, para a Grécia.
A chegada do alfabeto por volta de 730 a. C. permitiu que a frouxa comunidade
resultante que começava a florescer registrasse sua principal narrativa comum – a
Ilíada, um conto de muitas tribos que se repunem para sitiar a cidade de Trpoia no
nordeste do Egeu, auxiliadas e impedidas pelos deuses.
Grécia é o nome dado às terras de povos que falavam línguas similares e chamavam
uns aos outros de helenos. Esse tipo de comunidade cresceu ao longo dos séculos
de despovoamento que se seguiu à decadência micênica.
Pintor de Triptólemos fl 460 a.C. Kylix: luta entre soldado grego e um guerreiro
persa (National Museums of Scotland)
Relevo no Palácio de Xerxes, Persépolis a. 470 a. C. (destruída pelo rei macedônio
Alexandre o Grande em 330).
Persas e gregos.

Kylix mostrando luta entre persas e gregos.


A figura caída representa o invasor que os gregos, liderados por Atenas, haviam
acabado de rechaçar. Seu quepe vem da Frígia, atual Turquia. Suas roupas, dos
citas mercenários e errantes; ele é em todos os sentidos um oriental,
representando o exército de ‘um milhão de homens’ da Persia. Desde a Turquia e a
Bulgária, até o Egito, passando pelo Iraque até as fronteiras da Índia, um único e
vasto Império persa se estendia: seu coração estava no planalto central do atual
Irã.
O imperador Xerxes continuava a empregar operários gregos na execução de relevos
para o palácio imperial em Persépolis. Os dignatários aí são persas, mas ‘todos os
tipos de gente’ figuravam nos frisos que flanquevam as escadarias do palácio e os
imponentes saguões, cada um com sua própria e distintiva indumentária, cada um
trazendo suas oferendas locais à serena luz da verdade, da justiça e do governo
imperial.
Arte não tinha nada da agressividade e angústia realista dos relevos leoninos de
Assurbanipal assírios; era tranquila e idealizada.
Partenon, c. 447-432 a. C.
Partenon

Péricles decide construir um grande templo na Acropole para substituir o santuário


queimado pelos invasores persas de 490 a. C. Incumbiu o construtor e escultor
Fídias de projetar um templo para a protetora da cidade, Atena.
Entre a tradição ‘dórica’ grega, implacável e de estilo guerreiro, e os instintos mais
curvilíneos e fluidos da cultura helênica (jônicos). Suas colunas de canto foram
engenhosamente feitas mais largas do que as vizinhas, dando a impressão de que
se agigantavam contra o céu ensolarado; aceitação de distorções óticas e do que
hoje chamaríamos de efeitos de perspectiva era uma sofisticação recente nesse
mundo artístico analítico, crítico e antropocêntrico.
Julian Bell, Uma nova História da arte.
Partenon
Simplicidade e harmonia do conjunto: se os construtores tivessem usado simples
pilares quadrados ou cilíndricos, os templos poderiam eventualmente parecer
pesados e feios. Entretanto, pelo contrário, eles preferiram modelar as colunas de
modo que houvesse uma leve protuberância na parte central e um afuselamento
em direção ao topo. O resultado é que as colunas dóricas ganham uma aparência
quase elástica, como se o peso do telhado as estivesse comprimindo ligeiramente
sem, no entanto, chegar a deformá-las.
Transmitem remotamente a ideia de criaturas viventes sustentando suas cargas sem
esforço. Embora alguns desses templos sejam vastos e imponentes, não atingem
as colossais dimensões das construções egípcias. Sente-se que foram edificadas
por seres humanos para seres humanos.
Friso das Ergastinas, no Louvre, em Paris, França
Elgin mables. British Museum. Ritmo.
Fídias e auxiliares, grupo de cavaleiros (detalhe), do friso setentrional do Partenon, século V. a. C.
Mármore do Pentélico, altura 106 cm, British Museum.
A Atena Varvakeion, cópia reduzida da
Atena Partenos. Museu Arqueológico
Nacional de Atenas.