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AS VANGUARDAS EUROPEIAS

O nascimento do mundo,
de Salvador Dali
VANGUARDAS EUROPEIAS

Impressionismo
(Pontilismo)
Expressionismo As vanguardas
Cubismo vão dar origem
à Arte Moderna
Futurismo
Abstracionismo
Dada
Surrealismo
INÍCIO DE SÉCULO NA EUROPA
 As transformações tecnológicas por que o
mundo passou na virada do século modificaram
as maneiras de o homem perceber a realidade.
O automóvel, o avião, o cinema deslocaram e
aceleraram o olhar do homem moderno. Em
meio a essas transformações surgem várias
manifestações artísticas – impressionismo,
Expressionismo, Futurismo, Cubismo, Dadaísmo,
Surrealismo -, que ficariam conhecidas como
“correntes de vanguarda”, que, conjugadas,
dariam origem ao Modernismo.
Impressionismo

The Waterloo Bridge (1903), de Oscar-Claude Monet


Impressionismo

O almoço dos remadores (1874), de Pierre-Auguste Renoir


Impressionismo

L’Absinthe, de Edgar Degas (1876).


Musée d'Orsay, Paris.
Pontilhismo

Domingo à tarde na ilha de La Grand Jatte,


de Georges Seurat, 1884-1886
O palácio Papal, Avignon, de Georges Seurat, (1900)
EXPRESSIONISMO
 Paralelo ao Futurismo e Cubismo.
 Surge em 1910 pela revista “Der Sturn”.
 A arte brota da vida interior; do íntimo do
ser.
 A obscuridade do ser é transportada para a
expressão.
 As telas retratam o patético, os vícios, os
horrores, a guerra.
 Protesta contra a violência e usa cores
explosivas.
 Reflete a crise de consciência gerada pela
guerra.
Expressionismo
Na literatura:

 linguagem fragmentada, elíptica, frases


nominais;

 despreocupação quanto à organização do


texto em estrofes, ao emprego de rimas ou à
musicalidade;

combate à fome, à inércia e aos valores do


mundo burguês.
O Moinho
Encantado –
Franz Marc
A mulher com Sombrinha - Ernst Ludwig Kirchner
Expressionismo

Tarde em Nápoles (1876-1877),


de Paul Cézanne

Cézanne tinha interesse na


simplificação das formas naturais
em seus essenciais geométricos;
ele queria “tratar a natureza pelo
cilindro, pela esfera, pelo cone”.
A atenção concentrada com a
qual ele registrava suas
observações da natureza resultou
Apples and oranges (1900),
em uma profunda exploração da
de Paul Cézanne
visão binocular. Cézanne rompe
Banhistas (1894), com a perspectiva.
de Paul Cézanne
 A boba Anita
Malfatti
Expressionismo

Utilizando cores irreais, dá forma plástica


ao amor, ao ciúme, ao medo, à solidão, à
miséria humana, à prostituição. Deforma-
se a figura, para ressaltar o sentimento.

O grito (1893), de Edward Munch.

Puberdade (1894), de Edward Munch.


Expressionismo

Campo de trigo com corvos (1890), de Vincent Van Gogh.


Expressionismo

Vaso com doze girassóis (1888)

O escolar (1888)
Fragmento de poema expressionista (tradução):

Soam ventoinhas em nuvens perdidas


Os livros são bruxas. Povos desconexos.
A alma reduz-se a mínimos complexos
A arte está morta. As horas reduzidas.

O meu tempo, de Wilkleim Klem


Cubismo

La Guernica (1937), de Pablo Picasso


Les Demoiselles d'Avignon (1907), de Pablo Picasso
A mulher chorando (1937), de Pablo Picasso
Cubismo

Na literatura, os artistas cubistas preocuparam-


se com a construção do texto e ressaltaram a
disposição gráfica do poema. Com isso, os espaços
em branco da folha de papel passaram a ter
importância. Além disso, o cubismo caracterizou-se
por apresentar uma linguagem bem humorada, cheia
de inversões e elipses, na qual os substantivos são
dispostos de forma aparentemente anárquica e o
verbo, os adjetivos e a pontuação são desprezados.
CUBISMO
 Decomposição da realidade em figuras
geométricas.
 Manifesta-se a partir de 1917, na
literatura.
 Seu divulgador foi Appolinaire.
 Decomposição da imagem em diferentes
planos.
 Desintegração da realidade gerando uma
poesia ausente de lógica.
 Linguagem caótica.
Principais características:

* geometrização das
formas e volumes;
* renúncia à perspectiva;
* o claro-escuro perde sua
função;
* representação do volume
colorido sobre superfícies
planas;
* sensação de pintura
escultórica;

Les Demoiselles d’Avigno (1907) – de Pablo Picasso


Georges Braque
"A Arte não é a verdade. A
Arte é uma mentira que nos
ensina a compreender a
verdade".
Pablo Picasso

Mulher Chorando (1937) - Picasso


Poema “A pomba
apunhalada e jato
d’água” – de
Apollinaire
O Moinho
Encantado –
Franz Marc
A mulher com Sombrinha - Ernst Ludwig Kirchner
Cubismo

O poeta francês Guillaume


Apollinaire é o principal repre-
sentante do Cubismo na literatura.
Depois de sua morte, foi publicado
Caligrammes, poèmes de la paix et
de la guerre (1913-1916), uma
coletânea de poemas concretos
produzidos durante a primeira guerra
mundial.
Il pleut des voix de femmes comme si elles étaient
mortes même dans le souvenir
C'est vous aussi qu'il pleut merveilleuses encontres
de ma vie ô gouttelettes
Et ces nuages cabrés se prennent à hennir tout un
univers de villes auriculaires
Écoute s'il pleut tandis que le regret et le dédain
leurent une ancienne musique
Ecoute tomber les liens qui te retiennent en haut et
en bas

Chove (Apollinaire)

Chovem as vozes das mulheres como se elas


estivessem mortas mesmo na lembrança
É você também que chove gotículas de
maravilhosos encontros de minha vida
E essas nuvens turbulentas se põem a relinchar
todo um universo de cidades auricular
Escuta se chove enquanto pesar e desprezo
Leurent uma música antiga
Olhe para baixo as ligações que mantêm você
subir e descer
reconheça
essa adorável pessoa é você

sem o grande chapéu de palha

olho
nariz
boca

aqui o oval do seu rosto

seu lindo pescoço

um pouco
mais abaixo
é seu coração
que bate

aqui enfim
a imperfeita imagem
de seu busto adorado
visto como
se através de uma nuvem
Cubismo
Hípica
(Oswald de Andrade)

Saltos
records poema de influência
Cavalos da Penha cubista com a
presença de
Correm jóqueis de Higienópolis elementos como a
fragmentação da
Os magnatas realidade, a
As meninas predominância de
substantivos e
E a orquestra toca flashes
Chá cinematográficos.

Na sala de cocktails
Futurismo
FUTURISMO
 Lançado por Marinetti no manifesto “Le
Futurisme”, 1909.
 Surge entre o Simbolismo e a 1ª Guerra
Mundial.
 Exalta a vida moderna.
 Culto da máquina e da velocidade.
 Destruição do passado e do academicismo
 Liberdade de expressão.
Umberto BOCCIONI, Giacomo
BALLA e Carlo CARRÀ
 Recusavam a representação realista
(evitavam qualquer relação com a
imobilidade).

 Além de linhas retas e curvas, as cores


sugeriam movimento.

Giacomo Balla: Velocità d?automobile, 1913,Olio su cartone,


cm. 66x94, Raccolta
Grassi,Galleria d'Arte Moderna di Milano,Dono Carlo Grassi
1958
Poema futurista
Ode triunfal
Álvaro de Campos
À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu [sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos [modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
Futurismo
Vladimir Maiakóvski (1893 – 1930)

Sua obra, profundamente revolucionária na


forma e nas ideias que defendeu, apresenta-se
coerente, original, veemente, una.
A linguagem que emprega é a do dia a dia, sem
nenhuma consideração pela divisão em temas e
vocábulos “poéticos” e “não-poéticos”, a par de
uma constante elaboração, que vai desde a
invenção vocabular até o inusitado arrojo das
rimas.
Em lugar de uma carta

Fumo de tabaco rói o ar.


O quarto –
um capítulo do inferno de Krutchônikh .
Recorda –
atrás desta janela
pela primeira vez
apertei tuas mãos, atônito.
Hoje te sentas,
no coração – aço.
Um dia mais
e me expulsarás,
talvez, com zanga.
No teu hall escuro longamente o braço,
trêmulo, se recusa a entrar na manga.
Sairei correndo,
lançarei meu corpo à rua.
Transtornado,
tornado
louco pelo desespero.
Não o consintas,
meu amor,
meu bem,
digamos até logo agora.
De qualquer forma

o meu amor
– duro fardo por certo –
pesará sobre ti

onde quer que te encontres.


Deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.
Quando um boi está morto de trabalho
ele se vai
e se deita na água fria.
Afora o teu amor
para mim
não há mar,
e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.
Quando o elefante cansado quer repouso
ele jaz como um rei na areia ardente.
Afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei onde estás e com quem.
Se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos – rodopiante carnaval –
dispersarão as folhas dos meus livros...
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?
Deixa-me ao menos arrelvar numa última carícia teu passo que se apressa.
Futurismo
Trechos do Manifesto Futurista de 1912,

O Manifesto Técnico da Literatura

 destruição da sintaxe, dispondo os substantivos ao acaso, como nascem;

 uso do o verbo no infinitivo, para que se adapte elasticamente ao substantivo e não o


submeta ao eu do escritor, que observa ou imagina. O verbo no infinitivo pode, sozinho,
dar o sentido da continuidade da vida e a elasticidade da intuição que a percebe;

 abolição do adjetivo para que o substantivo desnudo conserve a sua cor essencial. O
adjetivo é incompatível com a nossa visão dinâmica, uma vez que supõe uma parada,
uma meditação;

 abolição do advérbio, velha fivela que une as palavras umas às outras. O advérbio
conserva a frase numa fastidiosa unidade de tom;

 a da pontuação, que será substituída por sinais da matemática (+, -, =, #, ˂, ˃) e


pelos sinais musicais;

 destruição do eu psicologizante.
Ode triunfal (Fernando Pessoa)

À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica


Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
[...]
Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!
Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento
A todos os perfumes de óleos e calores e carvões
Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável! !
[...]
Manifesto Intervencionista, de Carlo Carrá ,1914.
Colagem sobre papelão. Encontra-se em milão.
Mar dança, de Gino Severini
Abstracionismo

Composição VIII – 1923, de Wassily Kandinsky Composição VII


Capricho – 1930 – Óleo sobre tela de Kandinsky
Amarelo, vermelho, azul – Kandinsky
DADAÍSMO
 Surge em 1916, em Zurique.
 Promove um certo terrorismo cultural.
 Contraria todos os valores vigentes até
então.
 Valoriza o niilismo (descrença absoluta)
 Mundo ilógico.
 Cultua a realidade mágica da infância.
 Seu principal divulgador foi Tristan Tzara.
Dadaísmo
Na literatura:

 Agressividade;
 improvisação;
 desordem;
 rejeição a qualquer tipo de racionalização e equilíbrio;
 livre associação de palavras (técnica de escrita automática,
que mais tarde seria aproveitada pelo Surrealismo);
 invenção de palavras com base na exploração apenas de
sua sonoridade.
 FONTE - MARCEL DUCHAMP
1917, porcelana. 33,5 cm. Indiana University
Arte Museum, Bloomington
O elefante Celebes (1921) – Max Ernst
Dadaísmo

A técnica do ready-made consiste em


transformar em obra de arte objetos do
cotidiano, satirizando o mito
mercantilista do capitalismo. Essa
técnica deu origem à Arte Pop.

Roda de bicicleta
Marcel Duchamp (1913)

La Gioconda con bigotes (1919)


Dadaísmo
“Receita" para se fazer um poema dadaísta segundo Tristan Tzara:

Para fazer um poema dada

Peque um jornal.
Peque a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar
a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que
formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas
do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma
sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.
Dadaísmo
Veja um exemplo de poema dessa proposta

Die Schlacht (A batalha), de Ludwig Kassak

Berr... bum, bumbum, bum...


Ssi... Bum, papapa bum, bumm
Zazzau... Dum, bum, bumbumbum
Prä, prä, prä... Ra, hä-hä, aa...
Harol...
SURREALISMO
 Surge em 1924 com o Manifesto
Surrealista de André Breton.
 Propõe que o homem se liberte
da razão, da crítica, da lógica.
 Adere a filosofia de Sigmund
Freud.
 Expressa o interior humano
investigando o inconsciente.
Poema Surrealista
As realidades No trono havia uma vez
Era uma vez uma realidade um velho rei que se aborrecia
com suas ovelhas de lã real e pela noite perdia o seu manto
a filha do rei passou por ali e por rainha puseram-lhe ao lado
E as ovelhas baliam que linda a re a re a realidade.
que está CAUDA: dade dade a reali
a re a re a realidade. dade dade a realidade
Na noite era uma vez A real a real
uma realidade que sofria de idade idade dá a reali
insônia
ali
Então chegava a madrinha fada
a re a realidade
e realmente levava-a pela mão
era uma vez a REALIDADE.
a re a re a realidade.
(Louis Aragon)
Poema surrealista
 Mamãe vestida de rendas
Tocava piano no caos.
Uma noite abriu as asas
Cansada de tanto som,
Equilibrou-se no azul,
De tonta não mais olhou
Para mim, para ninguém!
Cai no álbum de retratos.
 In: MENDES, Murilo.. Poesia Completa e
Prosa. Organização, preparação do texto e
notas, por Luciana Stegagno Picchio. Rio
de Janeiro: Nova Aguilar, 1995.
Surrealismo
Surrealismo
Surrealismo
Surrealismo

No Brasil, vários escritores foram Pré-História


influenciados pelas ideias
surrealistas, tais como Mário de
Andrade, Oswald de Andrade,
Murilo Mendes
Murilo Mendes e Jorge de Lima.
Mamãe vestida de rendas
No poema ao lado de Murilo Tocava piano no caos
Mendes, pode-se perceber Uma noite abriu as asas
algumas características do Cansada de tanto som,
Surrealismo, como o ilogismo, o
Equilibrou-se no azul,
absurdo, as imagens
surpreendentes, a atmosfera De tonta não mais olhou
onírica. Para mim, para ninguém!
Cai no álbum de retratos.
Vanguardas Européias

“Entende-se, com este termo – vanguarda -, um movimento


que investe um interesse ideológico na arte, preparando e
anunciando deliberadamente uma subversão radical da
cultura e até dos costumes sociais, negando em bloco todo o
passado e substituindo a pesquisa metódica por uma ousada
experimentação na ordem estilística e técnica”
(Giuliuo Carlo Argan)
René Magritte, Madame Récamier de David, 1950
A Persistência da Memória – Salvador Dalí (1931)
The Son of Man,
1926, Magritte.

"Tudo o que vemos


esconde outra coisa, e
nós queremos sempre
ver o que está
escondido pelo que
vemos.”
O carnaval de Arlequim (1925) – Joan Miró
Referências:

TUFANO, Douglas. Estudos de língua e


literatura. 5. ed. Volume 3. São Paulo:
Moderna, 1998.
CEREJA, William Roberto; COCHAR, Thereza.
Português: linguagens. São Paulo: Atual,
2003.
TELES, Gilberto Mendonça. Vanguarda europeia e
Modernismo brasileiro. 10 ed. Rio de Janeiro:
Record, 1987.
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