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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL

UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ


INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS E ENGENHARIAS
FACULDADE DE ENGENHARIA DE MINAS E MEIO AMBIENTE
TRATAMENTO DE MINÉRIO III

FLOTAÇÃO DE COBRE

Discentes: Marcus Barros


Vitor Coutinho
Italo Balbinot
Juliana Maisy
Cleber Brito
Laercio Lino

Março - 2017
SUMÁRIO

 INTRODUÇÃO COBRE
 PRINCIPAIS MINERAIS DE  USINA JAGUARARI –
COBRE MINERAÇÃO CARAÍBA
 SUPERFÍCIE MINERAL  USINA DO SOSSEGO – CVRD
 COLETORES PARA FLOTAÇÃO  REAGENTES – SOSSEGO
DE COBRE
 REFERÊNCIAS
 ESPUMANTES
 MODIFICADORES
 CIRCUITO TÍPICO DE
BENEFICIAMENTO DE SULFETO
 USINAS DE FLOTAÇÃO DE
INTRODUÇÃO

• A recuperação de partículas minerais finas (<38 μm) é um dos


principais problemas que afetam as usinas concentradoras de
minério de cobre sulfetado. As plantas de beneficiamento,
geralmente, são projetadas para recuperar partículas de
tamanho médio e com alta cinética de flotação. Além disso,
com o aumento da demanda por bens minerais e o
esgotamento dos depósitos de alto teor, há a necessidade
beneficiar minérios finamente disseminados e com baixo teor.
Dessa forma, é necessária uma moagem mais fina para que
ocorra a liberação do mineral de interesse (Oliveira et. Al,
2015).
PRINCIPAIS MINERAIS DE COBRE

• AZURITA: óxido de cobre. Mineral secundário.


Associação: malaquita. Porcentagem de cobre: 55,3%.
• BORNITA: sulfeto de cobre. Porcentagem de cobre:
63,3%.
• CALCOPIRITA: sulfeto de cobre e ferro. Associação:
pirita, pirrotita, esfarelita e galena. Porcentagem de cobre:
34,6%.
• CALCOCITA: sulfeto de cobre. Associação: calcopirita e
bornita. Porcentagem de cobre: 79.9%.
• CRISOCOLA: silicato de cobre hidratado. Mineral de origem
secundária. Porcentagem de cobre: 32,5 a 42,2%.

• COVELLITA: sulfeto de cobre. Mineral de minério de cobre


de importância secundária. Porcentagem de cobre: 66,5%.

• CUPRITA: óxido de cobre. Associação: malaquita e azurita.


Porcentagem de cobre: 88,2%.

• ENARGITA: sulfoarsenieto de cobre. Porcentagens: 19,1% de


As e 48,3% de Cu.

• MALAQUITA: carbonato básico de cobre. Associação:


azurita e cuprita. Porcentagem de cobre: 71,9%.

• TENNANTITA: sulfoarsenato. Porcentagem de cobre: 47,5%.


SUPERFÍCIE MINERAL

• As características das superfícies dos minerais apresentam as


informações próprias de cada um deles.
• O processamento mineral envolvendo sulfetos é, geralmente,
dominado por reações de oxidação, redução e de adsorção.
• A seletividade de flotação pode ser controlada através da
manipulação do potencial redox da polpa.
• Esta seletividade é possível desde que estejam bem
estabelecidas as interações entre os minerais e o meio de
flotação.
• Isso ocorre por mecanismos de transferências de cargas e de
reações correspondentes a cada potencial eletroquímico.
• Esse potencial pode ser variado por métodos químicos ou por
forças externas.
• Os minerais presentes no sulfeto, suas associações minerais
ao minério e as características do circuito são características
que podem proporcionar a seleção eficaz do reagente do
coletor de flotação.
COLETORES PARA FLOTAÇÃO DE COBRE
Xantato
• Etil Xantato de Sódio (SEX)
• Isopropil Xantato de Sódio
(SIPX)
• Isobutil Xantato de Sódio (SIBX)
• Amil Xantato de Sódio (PAX)
• Praticamente não apresenta ação
espumante;
Figura: Etil Xantato de Sódio
• Elevada Solubilidade em água;
• Adsorção predominantemente
Química;
COLETORES PARA FLOTAÇÃO DE COBRE
Ditiofosfato;
• Flotação mais seletiva que os
Xantatos;
• Possui pouca solubilidade em
água;

Problemas na atuação dos coletores


principais:
• Diminuição dos teores dos
depósitos de cobre;
• Aproveitamento de partículas
mistas;
• Necessidade de granulometrias
mais finas;
COLETORES PARA FLOTAÇÃO DE COBRE

Utilização de Coletores auxiliares


para a flotação de Cobre;

• Flotação Extensora;
Geralmente é utilizado Diesel e
Querosene. Mas há opções de óleos
renováveis. Figura: Agregação das partículas de cobre pelo óleo
de caráter hidrofóbico
ESPUMANTES

Os espumantes têm a responsabilidade de minimizar os


efeitos de coalescência e produzir camadas de espumas
estáveis. Quanto menor é a tensão superficial na interface
líquido/gás mais estável é a espuma (Veras, 2010).

Um bom espumante permite que os minerais de ganga


escoem pela película de água da espuma até a polpa (Veras,
2010).

• Os espumantes são divididos em iônicos e não iônicos


(neutros).
ESPUMANTES
Metil Isobutil Carbinol (MIBC)
• constituído por 6-8 átomos de
carbono;
• bom desempenho em relação a
outros reagentes químicos;
• Baixo custo;
• Atividade na superfície do
mineral quase inexistente;
• Sub película estacionaria
pequena; Fórmula química:
• Facilidade de colapso da espuma (CH3)2CHCH2CH(OH)CH3
na descarga;
• solubilidade de até 17,0 g/L.
ESPUMANTES

Óleo de Pinho (Terpinol)


• Derivado da resina de pinho;
• Constituído de 10 átomos de carbono
em cadeia cíclica;
• Apresenta entre 60% a 70% de
Terpinol;
• Leve atividade na superfície do
mineral, atribuído a uma pequena
quantidade de ácido orgânico;
• Forma espuma com dificuldade de
drenagem;
• Solubilidade de 2,09 g/L.
ESPUMANTES

Éteres Poliglicólicos
• Padronização na qualidade;
• Não apresenta ação coletora;
• Maior abaixamento da tensão
superficial; Fórmula química:
CH3(OC3H6)nOH
• Maior poder de espumação;
• Bolhas mais estáveis;
• Solubilidade depende do peso
molecular.
MODIFICADORES
• Cal
– Regulador de Ph
– Depressor

Figura(): Recuperação de Cobre em função do Ph (resultados obtidos a


partir de Xantato e Ditiofostato)
MODIFICADORES

• Fatores que ditam a quantidade de Cal


– Flotabilidade de Cobre a diferentes Ph
– Flotabilidade das partículas médias (200 μm)

Figura(): Recuperação de cobre na fracção mais 150 m em função do pH


MODIFICADORES

• Cal
– Depressor

• Ex: Depressão da Pirita no caso de Minério tipo Pórfiro


– Calcosita (Ph-11,5) e Calcopirita (Ph-10,5;11)

• Eficácia
– Cal como depressor da pirita
• Não excede 29% Cu (Liberação insuficiente durante a re-moagem)
MODIFICADORES

• Depressão da Pirita
– Cianeto de Sódio (NaCN)
• Depressor de Sulfetos
• Maior estabilidade dos complexos formados com Zn, Cu, Fe, Ni e Ag

– Carboximeticelulose (CMC)
• Reação de Eterificação
• Adsorção através do grupo OH (hidroxidos metálicos) e COO (catións metálicos)
MODIFICADORES

• Depressão da Pirita
PIONERA BioPolymer X Cianeto de Sódio

Figura: Relação Cobre / Ferro para recuperação em teste de flotação para 150g / t Pionera F-250
MODIFICADORES

• HQS

Fosfato de
Silicato de Sódio
Sódio Mono-
básico

• Amidos e Dextrinas
Oxidados Quebracho
MODIFICADORES

• Sulfeto de Sódio
(Na2S)
Dextrina Cianeto
de Sódio

• Sulfito de Sódio
(Na2SO3) Quebracho

• DDS4
MODIFICADORES

Tipo de minério e principais minerais de ganga Depressor e modificadores pH


Minério de hipogene com um teor de pirita de 30%, grosso a fino Cal + NaCN 10.5
Cal + Na2SO3 ou
Minérios de média a fina, calcopirita. Pirita e pirrotita 9.5
Cal + Na2S2O5
Na2CO3 + SO2 ou
Parcialmente oxidado calcopirita. Pirita, pirita ativada. 10.5
Cal + DDS4
Sulfetos com muita argila, calcopirita + covellita, bornita. Pirita 8-
Na2S, Cal , Na2SiO3 Natural
15% ,rocha andesita + argila
Cobre sulfetado Scarn, alumino silicato, dolomite, quartzo, pirita
Cal ou NaCN 11
10-15% .
Minério de cobre secundário dissolvido com cloritas, tufo Dextrin + Na2S ou
Natural
vulcânico, silicato de alumínio, pirita 5-10% Cal + Dextrin
Cal + guar ou
Minério com ganga flotável (talco, cloritas) pirita 10-20% Natural
Cal + CMC
CIRCUITO TÍPICO DE BENEFICIAMENTO
DE SULFETO
• Os sulfetos metálicos têm um comportamento na flotação
muito semelhante. Existem duas técnicas operacionais para
separá-los :

• Flotação seletiva: Quando uma única espécie mineral é flotada.

• Flotação bulk (coletiva): Flota todos os sulfetos em conjunto e


depois deprime seletivamente um por um.
USINAS DE FLOTAÇÃO DE COBRE

• Principais no Brasil:
 JAGUARARI – MINERAÇÃO CARAÍBA – BA

 SOSSEGO – CVRD – PA

 SALOBO – CVRD – PA

 MARACÁ – YAMANA GOLD – GO


USINA JAGUARARI – MINERAÇÃO
CARAÍBA
• Localizada no município de
Jaguarari, distante 450 km de
Salvador -BA.

• Cobre na forma de sulfetos.


Com cerca de 185 milhões de
toneladas de minério a 1% Cu,
em média.

• Mineral de interesse:
Calcopirita e Bornita

• Ganga: hiperstênio, diopsídio,


plagioclásio e biotita.
USINA JAGUARARI – MINERAÇÃO
CARAÍBA
• O tratamento de minério consiste de uma série de processos
seguindo as seguintes etapas:

 Fragmentação
 Moagem
 Hidrociclonagem
 Flotação
 Espessamento e Filtragem
USINA JAGUARARI – MINERAÇÃO
CARAÍBA
• O hiperstênio, FeMg(SiO3)2, é a
principal fonte de contaminação
dos concentrados por flotação
inadvertida devido ao Cátion
ferroso;

• Necessitando do Amido
Modificado (dextrina) como
depressor.

• Flotação realizada com xantato


como coletor em Ph=10;

• O espumante utilizado é do tipo


MIBC.
USINA JAGUARARI – MINERAÇÃO
CARAÍBA
• O circuito é constituído das
seguintes
etapas: Rougher, Scavenger do
Rougher, Cleaner, Recleaner e
Scavenger do Cleaner.
• Sendo 42 células:
 12 Rougher de 14,15 m3;
 12 Scav. do Rougher de 14,15 m3;
 6 Cleaner de 8,5 m3;
 2 Recleaner de 8,5 m3;
 10 Scav. do Cleaner de 8,5 m3.
1.
3. OOconcentrado
4. concentrado
final
da Rougher
Cleaneréda
de cobre
etapa
obtido na as
alimenta
flotação etapa
vai Recleaner,
duas
paracélulas enquanto
Recleaner,
a etapa Cleaner,
oenquanto
rejeitooo rejeito
enquanto dessa é segue
rejeito retorna
conduzido à
à etapa
etapa Cleaner.
Scavenger do Cleaner, onde o
Scavenger do Rougher.
concentrado retorna à alimentação
2. O concentrado Scavenger retorna à
da etapa Cleaner e o rejeito à
alimentação do Rougher, enquanto o
alimentação do primeiro estágio da
rejeito Scavenger é descartado como
etapa Rougher.
rejeito final do processo.
USINA DO SOSSEGO – CVRD

• Localizada a cerca de 37 km do
município de Canaã dos Carajás, no
estado do Pará.

• Produz aprox. 460.000 t de concentrado


com teor médio de 30% de cobre, a
partir do processamento de 15 milhões
t/ano de minério com a média de 1%
(Nankran, 2006).

• Mineral de interesse: calcopírita, com


pequena presença de bornita e calcocita;

• Ganga compreende silicatos e


magnetita, óxidos e carbonatos em
quantidade menores.
USINA DO SOSSEGO – CVRD

• O tratamento de minério consiste de uma série de processos


seguindo as seguintes etapas:

 Fragmentação
 Moagem
 Ciclonagem
 Flotação/ Remoagem
 Espessamento e Filtragem
USINA DO SOSSEGO – CVRD

• A principio o éster xântico era o


coletor utilizado.

• A partir de 2006, concentrados


de 30% começaram ser obtidos;

• Devido à substituição por reagentes a base de ditiofosfato de


sódio e pelo aumento da água de lavagem das colunas (de
um valor máximo de 80 m3/h para 120 m3/h).
USINA DO SOSSEGO – CVRD

• A flotação é constituída das


seguintes etapas: Rougher,
Cleaner e Scavenger do
Cleaner;

• Sendo 26 células:
 14 Rougher de 160 m3;
 6 Cleaner de 200 m3; (4,27x14)
 6 Scav. do Cleaner de 160 m3;
1.NoO Scavenger
2.3. Orejeito
Afundado
dadoetapa do
Cleaner Rougher
Cleaner,
o material
com
FLUXOGRAMA - SOSSEGO
corresponde
flotado
teor e não aflotado
aproximado 95%dedo rejeito
seguem
4% final;
depara osO
cobre,
concentrado
mesmos
alimenta a Rougher
destinos
etapa tem um teor do
do concentrado
Scavenger ede
cobre variando
afundado
Cleaner etapaentre
daenquanto 13
o a flotado
Rougher; 17% e vai é
• O circuito de flotação encaminhado
possui capacidade
para ciclonagem; etapa para
parao aUnderflow da
de
ciclonagem segue
espessamento para dois moinhos
e filtragem.
processar 1.841 t/h (base seca) deenquanto
verticais minério, num
o overflow (44 teor
µm)
de cobre médio da ordem desegue
1%; para a etapa de concentração
Cleaner;

A flotação possui uma recuperação mássica que está entre


• 65% retido
3,5-4,0% com a em 0,210 demm
recuperação cobre eem torno
densidade
de 93%,de
aproximadamente 3,0 g/cm 3;
que chega a picos de 98% em situações ótimas.

• pH médio da alimentação em torno de 8,7.


REAGENTES - SOSSEGO

• ESPUMANTES: MIBC para produzir bolhas maiores (maior


seletividade) e o propileno para produzir bolhas menores
(maior arraste de ganga).

• COLETORES: Xantato para maior recuperação e o


ditiofosfato (substituto do éster xântico) para maior
seletividade.

• Cal é usado para corrigir o pH nos casos de alimentação com


material oxidado. O uso contínuo deste reagente tem mostrado
também ganhos no consumo de reagentes da planta.
REFERÊNCIAS

• LUZ, A. Benvindo da; SAMPAIO, João Alves; FRANÇA, Silvia Cristina


Alves. Tratamento de Minérios. 5. ed. Rio de Janeiro: CETEM/MCT, 2010.

• NANKRAN, M., BERGERMAN, M., MIRANDA, A., OLIVEIRA, J.,


SOUZA, M., BATISTA FILHO, J., CARDOSO, W. Controle operacional da
usina do Sossego, In: ENCONTRO NACIONAL DE TRATAMENTO DE
MINÉRIOS, 22. Ouro Preto, Brasil, Novembro de 2007.

• OLIVEIRA, D. R., NERES, M. R., GALVÃO, R. O., SOUSA, D. M., COSTA,


D. S., BRAGA, P. F. A. Flotação de Minério de Cobre da Mina do Sossego
com uso de Óleo de Palma como Auxiliar de Coletor. In: ENCONTRO
NACIONAL DE TRATAMENTO DE MINÉRIOS, 26. Poços de Caldas – MG,
Brasil, outubro de 2015.
OBRIGADO!!