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OS FILHOS DA

HOMOPARENTALIDADE:
ELEMENTOS PARA
PENSAR PROCESSO DE
SUBJETIVAÇÃO
O QUE É HOMOPARENTALIDADE?

Neologismo criado em 1997 pela associação de pais e futuros pais


Gays e Lésbicas (PPGL), em paris, para nomear a situação na
qual pelo menos um adulto que se autodesigna homossexual é (ou
pretende ser) pai ou mãe de no mínimo uma criança, a partir da
soma do radical “ homo” com a palavra de origem
“parentalidade”.
IMPASSES E SAÍDAS NA FORMAÇÃO DA FAMÍLIA
HOMOPARENTAL

À medida que os homossexuais vão conquistando espaço nas diferentes


redes sociais, tornam-se mais visíveis suas formas de casamentos, família e
parentalidade, demandas que são comuns a qualquer cidadão. Ocorre que,
embora haja em nossos dias mais liberdade de expressão, a homoafetividade
ainda é objeto de preconceitos, nos diferentes tipos de relações sociais, na
mídia e, infelizmente, no âmbito “psi” onde, muitos profissionais, valendo-se
de argumentos ditos científicos, procuram ocultar um moralismo exacerbado
e uma visão de mundo que em nada combina com o cerne da ocupação, que
é compreender o ser humano e trabalhar em prol de sua saúde psíquica.
Desde já, a leitura do texto desenvolvido por Perelson (2006): “ A
parentalidade homossexual: uma exposição do debate
psicanalítico no cenário francês atual. "Nele, encontramos uma
síntese que consiste da discussão que vem ocupando alguns
psicanalistas. Embora se trate de um debate francês, essa síntese é
muito ilustrativa das preocupações na nossa realidade brasileira,
onde a questão surge mais recentemente.
Aqui nos interessa, principalmente, sistematizar as principais
ideias desse debate, para que ele nos auxilie na proposição central
do trabalho que é discutir possíveis repercussões da
homoparentalidade no processo de subjetivação dos filhos. E
verificar quais são as peculiaridades que se refletem na existência
das crianças geradas nesses contextos.
Para tanto, é necessário evidenciar alguns aspectos que
caracterizam a família homoparental:
 É preciso considerar o desejo do casal ter filhos.
Questão da indiferenciação sexual
Considero muito esclarecedora a contribuição de Prokhoris (apud Perelson,
2006,p.726) para o debate da diferenciação entre os sexos. Para ela, a questão só
vai avançar se nos ocuparmos da distinção entre a:
 Diferença sexual
 Sexuação
Diferença sexual
Nessa perspectiva, enquanto a noção de diferença entre os sexos refere-se à
concepção da identidade masculina e feminina e possui uma sustentação
social muito forte.
Sexuação
Diz respeito àquilo que o sujeito constitui paulatinamente sem que esteja,
necessariamente, articulada à noção de diferença. Estaria assim mais
relacionada à sua própria constituição intra-subjetiva e, portanto, aos lugares
que o sujeito dimensiona para si, nos diferentes espaços que coabita.