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D.

Dinis
O sexto castelo é dedicado a D. Dinis.

D. Dinis é apresentado como poeta (… escreve um seu Cantar de amigo) – Rei


Trovador - e plantador de naus a haver, - O Lavrador; os dois cognomes por que
ficou conhecido este rei.

plantador de naus a haver é, claramente, uma alusão ao pinhal de Leiria.

D. Dinis, sem o saber, como convém ao mito, planta a madeira que servirá para
construir as naus que, mais tarde, protagonizariam as viagens dos Descobrimentos.

O poema é todo elaborado por meio de comparações, de metáforas e oximoros,


num processo dialético de passado/presente/futuro; terra/mar; vida/morte em
perfeita interação entre os primeiros tempos do rei como alicerce para as futuras
navegações e para a era dos descobrimentos, intersecionando os planos do Rei
Trovador e do Rei Lavrador.
No plano da heroicidade, D. Dinis configura-se como força conciliadora da
predestinação divina e da vontade humana, pois como plantador de naus a
haver, inconscientemente, mas de forma providencial e com visão administrativa,
realiza uma tarefa sem a qual não teriam sido possíveis as navegações e a
transformação de Portugal de Reino a Império.

Estaria D. Dinis a adivinhar o domínio futuro dos mares pelos portugueses?

A verdade é que parece haver um pressentimento, por parte do rei, de algo


grandioso, relacionado com os pinhais (É o rumor dos pinhais, […]/E a fala dos
pinhais) que estaria para vir (o oceano por achar, […]/o som presente desse mar
futuro).

D. Dinis, em atitude reflexiva, ouve um silêncio múrmuro consigo que é o barulho


dos pinhais que ondulam (veja-se a ligação ao mar), sem se poder ver (porque,
mais uma vez, é uma projeção futura).
A comparação dos pinhais a um trigo de Império explica-se também pelo seu
relacionamento com as descobertas e com a riqueza que esse empreendimento
trouxe ao nosso país: “trigo” é pão, é fartura, é riqueza, e foi essa madeira dos
pinheiros que, como matéria-prima para os barcos, contribuiu para que, na época
dos Descobrimentos, viesse muita riqueza para Portugal, nessas naus que, vindas
do Oriente, chegavam a Lisboa com as especiarias

A segunda estrofe inicia-se com a imagem do regato/ribeiro que busca o oceano


por achar, exprimindo a força e a vontade dos portugueses que, com persistência
e determinação, chegaram à Índia.

O verso final É a voz da terra ansiando pelo mar indicia que o povo português
recebeu o chamamento do mar. Na verdade, depois das batalhas que levaram à
conquista do território, os portugueses teriam que se expandir por mar e,
correspondendo a esse apelo, iniciaram as viagens marítimas.

D. Dinis é, então, o profeta que soube intuir, de forma sibilina,


o grande império das descobertas.