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2.2.

Campo elétrico
2.2. Campo elétrico
Interações entre cargas e Lei de Coulomb

Lei de Coulomb
A intensidade da força de atração ou de repulsão entre duas cargas elétricas
pontuais é diretamente proporcional ao produto dos módulos das cargas e
inversamente proporcional ao quadrado da distância entre elas.

q1 q2 q1 q2
Fe  k 2 er  Fe  k
r r2

A constante de proporcionalidade, k, designa-se por constante de Coulomb. O seu valor


depende do meio onde as cargas se encontram.
2.2. Campo elétrico
Interações entre cargas e Lei de Coulomb

No vácuo, a constante de Coulomb, k0, tem quase o mesmo valor que no ar:

k0  8, 988 109 N m2 C 2  9, 0 109 N m2 C 2


A constante de Coulomb relaciona-se com a chamada permitividade elétrica, ,
através da expressão:
1
k
4π 
No vácuo, a permitividade elétrica,  0, é mínima, sendo o seu valor:

 0  8,854 1012 N1 m2 C 2

No ar (PTN), a permitividade elétrica,  ar , é:


 ar  1, 0005  0   0
2.2. Campo elétrico
Interações entre cargas e Lei de Coulomb
Pode comparar-se facilmente a permitividade elétrica de um meio,  , com a
permitividade elétrica do vácuo, 0, através da permitividade relativa, r , que se define
pelo quociente:


r 
0
2.2. Campo elétrico
Campo elétrico
O campo elétrico, E , num ponto P é, por definição, a força elétrica, Fe , exercida por
unidade de carga, colocada nesse ponto.

𝐹𝑒
𝐸=
𝑞
1
A unidade SI de campo elétrico é o newton por coulomb, N C 1, ou volt por metro, V m .

Atendendo à Lei de Coulomb, o campo elétrico criado por uma carga pontual Qc à
distância r da carga criadora, será:

𝑄 𝑞
𝑘 𝑐2 𝑒𝑟 𝑄𝑐 𝑄𝑐
𝑟
𝐸= ֞ 𝐸 = 𝑘 2 𝑒𝑟 ֜ 𝐸 = 𝑘 2
𝑞 𝑟 𝑟
2.2. Campo elétrico

𝑄𝑐
𝐸 = 𝑘 2 𝑒𝑟
𝑟

Esta expressão mostra que o campo elétrico criado pela carga pontual, num dado
ponto:

 É tanto mais intenso quanto maior for o módulo da carga criadora.

 É tanto mais intenso quanto menor for a distância do ponto à carga criadora.

 Tem a mesma intensidade a igual distância da carga criadora do campo.

 É centrífugo, se a carga criadora do campo for positiva , e centrípeto, se a carga


criadora do campo for negativa.
2.2. Campo elétrico

O campo elétrico criado por uma carga pontual é um campo radial,


centrífugo (se Qc  0 ) ou centrípeto (se Qc  0 ) e é tanto mais intenso
quanto menor for a distância do ponto à carga criadora.
2.2. Campo elétrico
O campo elétrico, tal como o campo gravítico, pode ser representado
por linhas de campo. Estas linhas de campo são linhas imaginárias
sempre tangentes ao campo elétrico, E , em cada ponto, que indicam
a direção e o sentido do campo elétrico. O sentido indicado nas linhas
é o sentido do campo elétrico.
2.2. Campo elétrico
Linhas de campo do campo elétrico criado por duas cargas elétricas
pontuais e de módulos e cargas iguais
2.2. Campo elétrico

Linhas de campo do campo elétrico


criado por duas cargas elétricas pontuais
e de módulos iguais e sinais contrários –
dipolo elétrico

Linhas de campo do campo elétrico


criado por duas cargas elétricas
pontuais de módulos diferentes e
sinais contrários
2.2. Campo elétrico

As linhas de campo do campo elétrico criado por uma ou mais cargas:

 São sempre tangentes, em cada ponto, ao campo elétrico e indicam a


direção e o sentido do campo.

 Partem de cargas positivas e terminam em cargas negativas.

 Apresentam maior densidade nas zonas onde o campo é mais intenso.

 Nunca se cruzam.
2.2. Campo elétrico
Campo elétrico uniforme

Um campo elétrico, E , é uniforme numa dada região do espaço se for constante em


todos os pontos dessa região. As linhas de campo são paralelas e equidistantes entre si.
2.2. Campo elétrico

A força elétrica que atua numa carga pontual q colocada num campo elétrico
tem sempre a direção do campo elétrico. Tem o sentido do campo elétrico se a
carga pontual colocada nesse ponto for positiva; tem o sentido oposto ao do
campo elétrico se a carga pontual colocada nesse ponto for negativa.
2.2. Campo elétrico
Condutor em equilíbrio eletrostático

Características:

 Não há movimento orientado de cargas elétricas no


condutor.

 A carga elétrica distribui-se à superfície do condutor.

 O campo elétrico é nulo no seu interior.

 O campo elétrico é perpendicular à superfície do


condutor, em qualquer ponto.
2.2. Campo elétrico
Poder das pontas

Num condutor esférico em equilíbrio eletrostático, a densidade superficial de carga,


isto é, a distribuição de carga por unidade de área, é constante e o campo elétrico à
superfície do condutor tem o mesmo valor em qualquer ponto.
2.2. Campo elétrico
Poder das pontas
Em geral, as cargas tendem a acumular-se nas regiões pontiagudas de um condutor,
ou seja, nas regiões onde é maior a distribuição de carga por unidade de área.
Nessas regiões, o campo elétrico é muito mais intenso do que em qualquer outro
ponto à superfície do condutor em equilíbrio eletrostático.

Este fenómeno é conhecido por


poder das pontas.
2.2. Campo elétrico
Energia potencial elétrica de duas cargas pontuais

Como a força elétrica, Fe , é uma força conservativa, podemos associar-lhe uma energia
potencial elétrica sendo o trabalho realizado pela e força elétrica simétrico da variação
da energia potencial elétrica entre dois pontos de um campo elétrico.

WFe  Epe

Assim, pode associar-se a uma carga elétrica,


q, uma energia potencial elétrica devida à
interação dessa carga com a(s) carga(s)
criadora(s) do campo.
2.2. Campo elétrico
Qq
Epe  k
r
A energia potencial elétrica de um sistema de duas
cargas pontuais é:

 Inversamente proporcional à distância entre elas.

 Positiva, se as cargas tiverem o mesmo sinal. As


forças são de repulsão entre as cargas.

 Negativa, se as cargas tiverem sinais contrários.


As forças são de atração entre as cargas.
2.2. Campo elétrico
Potencial elétrico

O potencial elétrico, V, num ponto de um campo elétrico criado por uma carga pontual,
Q, é, por definição, igual à energia potencial elétrica por unidade de carga positiva
colocada nesse ponto.

Epe Q
V  V k
q r

A unidade SI de potencial elétrico é o joule por coulomb, a que se dá o nome


de volt, V.
2.2. Campo elétrico
Potencial elétrico

A diferença de potencial elétrico, VA  VB , é medida pelo trabalho que a força elétrica


efetua, por unidade de carga, ao transportar uma carga de prova de um ponto A para
um ponto B.

WAB  Fe 
WAB  Fe   q VA  VB   VA  VB 
q
2.2. Campo elétrico
Superfícies equipotenciais
As superfícies equipotenciais são superfícies onde o potencial tem o mesmo valor em
todos os seus pontos.

O campo elétrico é sempre perpendicular às superfícies equipotenciais e aponta


sempre no sentido dos potenciais decrescentes.
2.2. Campo elétrico
Campo elétrico e diferença de potencial elétrico

A diferença de potencial elétrico entre duas superfícies equipotenciais de um campo


elétrico uniforme é proporcional à distância entre essas superfícies.

VA  VB  E  d

ou

U  E d
2.2. Campo elétrico
Movimento de cargas elétricas num campo elétrico uniforme

Conhecida a aceleração de uma carga elétrica q, de massa m, num campo


uniforme e as condições iniciais de entrada no campo, podemos caracterizar
o seu posterior movimento:

 Se v0  0 , o movimento é retilíneo
uniformemente acelerado ao longo de
uma linha de campo. Se q > 0, desloca-se
no sentido do campo; se q < 0, desloca-se
em sentido contrário ao do campo.
2.2. Campo elétrico

 Se v0 tem a direção do campo, o movimento é retilíneo uniformemente


variado.

 Se v0 for perpendicular ou oblíqua relativamente à direção do campo


elétrico descreve uma trajetória parabólica no plano definido pelas
direções de E e de v0 .
2.2. Campo elétrico
Condensadores

Um condensador é um dispositivo que armazena energia elétrica.

A capacidade de um condensador, C, é igual à razão constante entre o módulo


da carga Q das placas e a diferença de potencial elétrico U entre elas.

Q
C
U

A unidade SI de capacidade elétrica é o farad, F. Como o farad é uma unidade


muito grande, as capacidades dos condensadores são normalmente expressas em
submúltiplos do farad, como o microfarad, F, o nanofarad, nF, e o picofarad, pF.

1 μF  106 F; 1 nF  109 F; 1 pF  1012 F


2.2. Campo elétrico

No caso de um condensador plano, a capacidade do condensador depende da área


A das placas e da distância d entre elas; é tanto maior quanto maior for a área das
placas e quanto menor for a distância entre elas.

A expressão que traduz esta relação é:

A
C 
d
sendo  a permitividade elétrica do meio isolador entre as placas.
2.2. Campo elétrico

A energia elétrica armazenada num condensador é dada pela expressão:

Q
Como C  , podemos ainda escrever:
U

1
E  QU
2
2
1 1 Q
E  C U2  E 
2 2 C
2.2. Campo elétrico
Descarga de um condensador
Consideremos um condensador carregado, ligado a uma resistência e a um
interruptor que, inicialmente, está aberto.

Fechando o interruptor, a descarga do condensador origina uma corrente elétrica,


através da resistência, provocada pelo deslocamento de cargas da placa positiva
para a placa negativa do condensador. Neste processo, a carga do condensador e a
corrente elétrica diminuem ao longo do tempo.
2.2. Campo elétrico

A carga do condensador decresce exponencialmente com o tempo:

t t
 
Q  t   Q0 e RC  Q t   Q e 
0

Na descarga de um condensador:

 Quanto menor for a constante de tempo, ,


mais rapidamente o condensador
descarrega.

 Quanto maior for o valor da resistência, R,


maior é a constante de tempo, , e mais
tempo o condensador demora a
descarregar.
Exercício
1. Associou-se em série um condensador de
20 nF, inicialmente carregado com uma
energia de 8,1 × 10-7 J, com uma resistência
de 5,0 M e, após fechar o circuito,
deixou-se descarregar o condensador.

Determine:

1.1. A diferença de potencial elétrico nos terminais do condensador, quando a


descarga se iniciou.
1.2. A carga elétrica inicialmente armazenada no condensador.
1.3. A corrente elétrica inicial.
1.4. O tempo correspondente a uma diminuição de 37% da carga elétrica.
1.5. A carga elétrica existente no condensador após 200 ms de descarga.
Exercício – resolução
1. Associou-se em série um condensador de
20 nF, inicialmente carregado com uma
energia de 8,1 × 10-7 J, com uma resistência
de 5,0 M e, após fechar o circuito,
deixou-se descarregar o condensador.

Determine:

1.1. A diferença de potencial elétrico nos terminais do condensador, quando a


descarga se iniciou.

1 2 E0
E0  C U02  U0 
2 C
Substituindo pelos valores, vem:

2  8,1107
U0  9
 U0  9, 0 V
20 10
Exercício – resolução
1.2. A carga elétrica inicialmente armazenada no condensador.
1 Q02
E0   Q0  2 E0 C
2 C
Substituindo pelos valores, vem:

Q0  2  8,1107  20 109  Q0  1,8 10 7 C


1.3. A corrente elétrica inicial.
Q0
Ι0 
RC
Substituindo pelos valores, vem:
1,8 107
Ι0  9
 Ι 0  1,8 106 A
5, 0 10  20 10
6

1.4. O tempo correspondente a uma diminuição de 37% da carga elétrica.


O tempo correspondente a uma diminuição de 37% da carga elétrica é, por
definição, igual à constante de tempo . Assim:
  R C    5, 0 106  20 109    0,10 s
Exercício – resolução
1.5. A carga elétrica existente no condensador após 200 ms de descarga.

Na descarga de um condensador, a carga decresce exponencialmente


com o tempo, de acordo com a expressão:
t

Q  t   Q0 e 

Neste caso, temos:


t

Q  t   1,8 10 e 7 0 ,10
 SI

Assim, 200 ms após o início da descarga, a carga elétrica existente será de:

200103

Q  200 103   1,8 107 e  Q  200 103   2, 4 10 8 C



0 ,10
Verifique o que aprendeu, págs. 171 a 173 do Manual.

Aplique o que aprendeu, questões págs. 186 a 188 do Manual;

Questões de aplicação, págs. 40 a 60 do Caderno de Atividades