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Síndrome da

Imobilidade no Leito

Trabalho elaborado por:


• Márcia Marques
• Sílvia Ferreira
• Danizia Lopes
• Tiago Lopes
Síndrome da Imobilidade no Leito

• O síndrome da imobilidade no leito é um


conjunto de alterações que se origina pela
imobilidade prolongada no leito e repercute
negativamente no organismo.

• O aspeto dinâmico do corpo, ou seja, a


capacidade e necessidade que o corpo tem de
se movimentar, é um dos principais
responsáveis pelo bem estar da nossa saúde.

Qualquer alteração desta dinâmica, afetará mais cedo ou mais tarde, tanto os músculos como
as estruturas responsáveis pelos nossos actos motores.
• Independente da condição inicial que motivou repouso prolongado, este síndrome evolui
para problemas circulatórios, dermatológicos, respiratórios, e muitas vezes psicológicos.
Muita da morbidade e mortalidade associada ao paciente restrito ao leito, advém dessas
complicações músculo-esqueléticas e viscerais.

Classificação dos períodos de imobilização


7 - 10 Dias Período de repouso
12 – 15 Dias Período de imobilização
15< Dias Decúbito de longa duração
A imobilização limitada de algumas partes do corpo pode ser necessária para o
tratamento de uma lesão (ex.: Um fratura no braço).
Imobilidade no sistema músculo-esquelético
• A imobilidade prolongada induz a alterações importantes a nível dos ossos, cartilagens,
muculos e outros tecidos moles.

Durante o repouso completo no leito um músculo pode perder:

1 a 3% por dia 10 a 15% da sua força por


semana

Daí que uma pessoa que permaneça durante 3 a 5 semanas


inativa pode perder 50% da sua força muscular.
Entre as complicações que advêm da Imobilidade no
sistema músculo-esquelético, estão:

 Diminuição da contração muscular,


 Perda de força e atrofia da massa muscular,
 Contraturas,
 Risco de rigidez articular e osteoporose.
 Encurtamentos
 Deformidades
 Mudanças no tecido conjuntivo também podem ser encontradas

As fibras musculares sofrem atrofia devido diminuição do seu comprimento e diâmetro, e perdendo-se também
enumeras de microfibras. Como resultado destas alterações dá-se o decréscimo da contração máxima e da
resistência muscular.

Os grupos musculares que se atrofiam mais rapidamente são: os quadríceps, os flexores plantares e extensores
da coluna. Observam-se também alterações bioquímicas, ocasionando o aumento de ácido láctico no músculos.
Alterações Cardiovasculares

• As alterações principais ocorridas na sequência da imobilidade no sistema cardiovascular são


conhecidas como ― síndrome de adaptação cardiovascular.

• A frequência cardíaca em repouso aumenta cerca de 1 batimento por minuto por cada 2 dias de
inatividade, conduzindo á chamada taquicardia de imobilidade. Em resposta ao exercício submáximo
acontece um aumento da frequência cardíaca.

• Uma pessoa saudável ao alterar a sua posição de decúbito para a posição ortostática
a sua frequência cardíaca aumenta cerca de 13%
Alterações Cardiovasculares

Após repouso prolongado este aumento da frequência cardíaca, varia consoante o tempo
de repouso.

Tempo de repouso Aumento da frequência cardíaca


3 dias para 32%

1 semana para - 62%

3 semanas para - 85%

Doenças como a Trombose Venosa Profunda, e a hipotensão postural, são efeitos diretamente
relacionados com a imobilidade.
Alterações Cardiovasculares

Trombose Venosa Profunda (TVP):

• Resulta da híper-viscosidade, associada á estase sanguínea


condicionada pela lentificação da circulação dos membros inferiores.
• Outro fator que contribui para a probabilidade de ocorrência de TVP no
paciente confinado ao leito, é o estado de híper-coagulabilidade,
produzido pela redução no volume e pelo aumento na viscosidade
sanguínea.
• Se o coágulo formado pela trombose venosa se desprender, e percorrer
no sistema venoso até à artéria pulmonar, esta poderá bloquear um
vaso, e causar uma embolia pulmonar.

• Os movimentos do tornozelo são os primeiros exercícios designados ao paciente para prevenir coagulação sanguínea e
reduzir edemas nas pernas ajudando no bombeamento do sangue da extremidade inferior, e minimizando o risco de
trombose venosa profunda.
Alterações Cardiovasculares

hipotensão postural:
É a incapacidade do sistema cardiovascular se ajustar rapidamente á posição ortostática.

Quando uma pessoa se levanta do decúbito dorsal após ter sido confinada ao leito por vários dias, 500 ml de
sangue passam do tórax para os membros inferiores.

Como consequência, acontece uma diminuição do retorno venoso ao coração, que por sua vez leva á diminuição
do volume de sangue bombeado, do débito cardíaco e da pressão sistólica.

Os sinais e sintomas clínicos de hipotensão postural são:


• Formigueiro;
• queimação dos membros inferiores;
• sensação de vazio na cabeça,
• desmaios,
• vertigens,
• aumento da frequência do pulso (mais de 20 bpm), e redução na pressão do pulso.
• redução na pressão sistólica (mais de 20 mmHg)

Numa pessoa saudável o sistema circulatório é capaz de desencadear uma resposta adequada vaso-pressora
simpática e de manter a tensão arterial estável. O mesmo não ocorre numa pessoa sedentária.
Alterações pulmonares
As alterações pulmonares iniciais resultam do movimento restrito do tórax em decúbito dorsal e de
alterações induzidas pela gravidade na perfusão do sangue através de partes diferentes do pulmão.

Uma mudança da posição ereta para o decúbito dorsal resulta em uma redução de:
• 2% na capacidade vital,
• 7% na capacidade pulmonar total,
• 19% no volume residual
• 30% na capacidade residual funcional.

Os movimentos diafragmáticos e intercostais são diminuídos com posterior perda de


força muscular.

A respiração fica mais superficial e a respiração alveolar é reduzida com o aumento


relativo de dióxido de carbono nos alvéolos, aumentando a frequência respiratória.

As secreções da mucosa tendem a acumular, e a tosse pode ser ineficaz originando


infeções respiratórias. Justificando uma das mais temidas complicações, a
broncopneumonia, que ocorre em cerca de 15% das pessoas idosas acamadas.
Efeitos da imobilidade no sistema gastrointestinal
e geniturinário
As alterações no aparelho intestinal e urinário são frequentes e significativas, pelo desconforto e
alteração na independência da pessoa e são muitas vezes negligenciados ou minimizados na sua
importância.
Alterações Geniturinária
Estas são alterações que ocorrem e comprometem as funções físicas e metabólicas do trato
urinário.

O repouso prolongado no leito contribui para aumento da incidência de cálculos na bexiga e


nos rins (pedras nos rins) e de infeções do trato urinário.
O esvaziamento da bexiga é comprometido pelo decúbito dorsal, devido à dificuldade de gerar
pressão intra-abdominal nessa posição, ocorrendo:

• enfraquecimento dos músculos abdominais


• restrição nos movimentos diafragmáticos
• relaxamento incompleto da zona pélvica, provocando a retenção urinária.
Alterações Gastrointestinais
As alterações gastrointestinais decorrentes da imobilidade por vezes passam
despercebidas como:

• perda de apetite,
• Anorexia (associada à diminuição da taxa de absorção)
• velocidade de absorção mais lenta
• inapetência por alimentos ricos em proteínas que levam à hipo-proteínemia
nutricional
Efeito da Imobilização do sistema cutâneo e
tegumentar
No imobilismo é comum encontrarmos atrofia de pele e
úlceras de decúbito influenciadas por:

Pressão; idade; humidade; estado nutricional; edema; perda


hídrica; alterações na elasticidade da pele; condições
metabólicas; alterações sensitivas; aplicação de forças
transversais associadas ao aumento da fragilidade da pele;
distúrbios neurológicos; colchão inadequado e higiene corporal
inadequada.
Efeitos da imobilidade no sistema endócrino
• A falta de atividade física pode levar a alterações das
respostas hormonais.
• Acontece uma significativa intolerância aos hidratos de
carbono, que surge precocemente e está diretamente
relacionada com a ineficaz captação periférica de glicose,
que pode diminuir cerca de 50% após 15 dias de
inatividade.
• Este facto acontece devido á resistência à ação da
insulina, com consequente aparecimento de hiperglicémia
e hiperinsulinémia.
• Os níveis de colesterol total também aumentam com a
imobilidade.
Efeitos da imobilidade no sistema nervoso
O isolamento social de pessoas ativas pode causar alterações emocionais, mas geralmente não provocam
alterações intelectuais.
No entanto a imobilidade prolongada pode causar alterações das funções intelectuais, em especial da
concentração e da orientação temporal e espacial.

Do ponto de vista psicológico a imobilidade prolongada pode provocar:


• ansiedade
• depressão
• insónia
• agitação
• irritabilidade
• desorientação no tempo e no espaço
• diminuição da concentração
• diminuição da tolerância à dor.

Podem ainda surgir alterações do equilíbrio e da coordenação, associados a alterações neuronais.


PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA SÍNDROME DO IMOBILISMO

A prevenção do imobilismo deve ser preconizada,


evitando-se o repouso prolongado no leito.

Quando necessária, a imobilização deve ser


limitada à região do corpo lesionada, e deve ser
revertida o mais precocemente possível.

Quando o repouso é prescrito ou o paciente não


consegue se mover, deve-se ficar atento para o
seu adequado posicionamento, visando à
prevenção de úlceras por pressão, o equilíbrio
entre o comprimento e a tensão de músculos
antagonistas.
Prevenção:
Reabilitação precoce com abordagem multidisciplinar
Cuidados de enfermagem
Fisioterapia
Terapia ocupacional
Orientações nutricionais

Tratamento:
-Utilizar sondas quando necessário para: nutrição, hidratação e incontinência urinária
-Controlar a dor
-Oxigénio quando indicado
-Posicionar e mudar regularmente de decúbito para prevenção de úlceras
-Manter higiene regular
-Controlar as inter-corrências agudas: fecaloma e infeções
Conclusão
• Neste trabalho pudemos concluir que o repouso
prolongado no leito pode causar efeitos adversos em
vários órgãos e sistemas, e que a mobilização precoce
pode ajudar a diminuir grande parte dessas
complicações.
• Ficamos ainda a conhecer os efeitos da imobilidade nos
vários sistemas do nosso corpo.
• Não nos podemos ainda esquecer que o treino na
utilização das ajudas técnicas é essencial para que o
doente possa beneficiar em pleno das suas
potencialidades que devem ser utilizadas pelos
profissionais de saúde na tarefa de movimentação e
transferência de doentes.
Síndrome da Imobilidade no Leito

Trabalho elaborado por:


• Márcia Marques
• Sílvia Ferreira
• Danizia Lopes
• Tiago Lopes

2018