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Sujeitos da relação de trabalho

1.1 Trabalhador:

 Empregado X Trabalhador

“Toda relação de emprego é de trabalho, mas


nem toda relação de trabalho é de emprego.”
 Empregado X Trabalhador

 Trabalhador é aquele que presta um serviço.


 Logo, trabalhador é o dono de uma padaria, um advogado
que tenha seu próprio escritório, um dentista ou um médico,
que tenham seus consultórios e atendam pacientes mediante
pagamento da consulta por parte destes.
 O que interessa ao Direito do Trabalho é o trabalhador
empregado, ou seja, aquele que presta serviços de forma
subordinada a outra pessoa. Não é somente a
subordinação que caracterizará um trabalho com
vínculo de emprego.
Conceito de Empregado
Artigo 3˚ da CLT: Considera-se empregado toda
pessoa física que prestar serviços de natureza não
eventual a empregador, sob a dependência deste
e mediante salário.

Conclusão: Empregado é aquele que presta


serviço mediante 5 requisitos, já o trabalhador presta
serviço sem um ou mais dos 5 requisitos.
P Pessoa física

P Pessoalidade

H Habitualidade

S Subordinação

O Onerosidade
1.3.Requisitos de Empregado
1. Pessoa física: Isso decorre da própria natureza dos
direitos trabalhista.

2. Pessoalidade: O contrato é “intuitu persona”. O


empregado não poderá se fazer substituir.

Cuidado.: A prestação do trabalho tem efetivo caráter


de infungibilidade no que tange ao empregado.

Obs.: Excepcionalmente, um empregado pode fazer-se


substituir por outra pessoa quando há concordância do
empregador, de modo eventual, sem descaracterizar a
relação de emprego;
3 Não eventualidade: O trabalho deve ser habitual

Como a CLT não fala em trabalho sucessivo, cotidiano ou


diário:

Não é o número de dias


trabalhados na semana que
define a habitualidade.
Ex: Professor.

O teatro: Expectativa por parte do empregador de


retorno do empregado.
NÃO EVENTUAL
 Segundo o dicionário Aurélio, eventual é “aquele que
depende de acontecimento incerto, fortuito ou casual”.

 Portanto, quem trabalha apenas às segundas, mas toda a


segunda, por meses, não é eventual.
4. Onerosidade: Não existe contrato de trabalho gratuito.

Pegadinha: O que caracteriza a relação de emprego é o


intuito oneroso, e não o fato de ter recebido,
efetivamente, o pagamento; (Basta promessa de
salário)

 Obs.: trabalho voluntário (lei nº. 9.608/98 e lei nº.


10.029/00), trabalho comunitário e trabalho
filantrópico são espécies do gênero relação de trabalho
sem onerosidade.
Onerosidade = Não Gratuito
1 – Esse requisito não significa, apenas, que o
trabalhador precisa ganhar dinheiro para ser
considerado empregado. O que é preciso, isso sim,
é que a relação traga alguma vantagem econômica
para ele (salário In natura);
2 – O benefício não precisa derivar do empregador (v
gorjeta), mas do contrato.
5 Subordinação:
 Consiste, basicamente, em uma situação
jurídica na qual o empregado, acatando
ter a autonomia da vontade dele limitada,
transfere ao empregador o poder de
direção sobre a atividade desenvolvida por
ele.
DISTINÇÃO ENTRE TRABALHO ILÍCITO E IRREGULAR
(PROIBIDO)

a) Ilícito - Apontador do Jogo do Bicho; Médico em clínica de


aborto; Segurança em ponto de venda de drogas, etc.

b) Irregular - Menor de 14 anos como empregado; Menor de 18


anos trabalhando em serviço noturno, ou insalubre; Mulheres
em desrespeito ao artigo 390 da CLT); etc.
Espécies de trabalhador e empregado
1. Trabalhador autônomo (lei 8212/91, art. 12, V,
alínea h): É pessoa física que exerce por conta própria
atividade econômica, ou seja é aquele que assume os
riscos de sua atividade.

Atenção: Não é empregado, pois não tem


subordinação
Exemplo: médico, advogado, arquiteto, contador e etc.
Palavras chave: Assume o risco e Sem subordinação.
Art. 12, V, “h” da lei nº 8.212/91: “É a pessoa física que exerce, por
conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins
lucrativos ou não.”
- Trabalha por sua própria conta e risco, ou seja, não está subordinado;
- Tem hábito;
2. Trabalhador eventual (lei 8212/91, art. 12, V, alínea
g): É pessoa física que presta serviço esporádico,
fortuito ou ocasional normalmente ligados a trabalhos
de curta duração.

Atenção: Não é empregado, pois não tem


habitualidade.

Exemplo: bóia-fria e chapa (descarga de caminhões).

Sem habitualidade.
3. Trabalhador Temporário (Lei 6.019/74)
“É a pessoa física contratada por empresa de
trabalho temporário, para prestação de serviço
destinado a atender à necessidade transitória de
substituição de pessoal regular e permanente ou a
acréscimo extraordinário de tarefas de outras
empresas”. Trabalhador temporário

Empresa de
Trabalho
temporário Tomador ou cliente
Três meses
4) Empregado Rural (Lei nº
5889/73, art. 2º)
“É a pessoa física que, em
propriedade rural ou prédio
rústico, presta serviços com
continuidade a empregador
rural, mediante dependência e
salário”.
5) Empregado Terceirizado Na ausência de uma
legislação que regulamente a terceirização, o TST
(Tribunal Superior do Trabalho) foi construindo ao
longo dos anos sua posição sobre a matéria por
meio de suas súmulas de jurisprudência, a qual
foi consolidada na súmula 331. Nela,
encontramos os elementos que formam a
terceirização lícita, ou seja, a que é aceita nos
tribunais trabalhistas, bem como os elementos
que caracterizam a terceirização ilícita.
Nº 331 - CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE –

 I - A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando-se o


vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho
temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974);
 II - A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera
vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou
fundacional (art. 37, II, da CF/1988);
 III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de
vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de
serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente
a pessoalidade e a subordinação direta;
 IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador,
implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas
obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das
fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista,
desde que hajam participado da relação processual e constem também do título
executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Redação dada ao inciso
pela Resolução TST nº 96, de 11.09.2000, DJU 18.09.2000)
6) EMPREGADO DOMÉSTICO
 São assegurados à CATEGORIA dos TRABALHADORES
DOMÉSTICOS os direitos previstos nos incisos

IV - SALÁRIO MÍNIMO, fixado em lei, NACIONALMENTE


UNIFICADO, capaz de atender a suas necessidades vitais
básicas e às de sua família com moradia, alimentação,
educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e
previdência social, com reajustes periódicos que lhe
preservem o poder aquisitivo, sendo VEDADA sua
VINCULAÇÃO para QUALQUER FIM;
EMPREGADO DOMÉSTICO
VI - IRREDUTIBILIDADE DO SALÁRIO, SALVO o
disposto em CONVENÇÃO ou ACORDO
COLETIVO;

VIII - DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO com base na


REMUNERAÇÃO INTEGRAL ou no valor da
APOSENTADORIA;

XV - REPOUSO SEMANAL REMUNERADO,


PREFERENCIALMENTE aos DOMINGOS;
EMPREGADO DOMÉSTICO
XVII - gozo de FÉRIAS ANUAIS REMUNERADAS
com, PELO MENOS, UM TERÇO A MAIS do que
o salário normal;

XVIII - LICENÇA À GESTANTE, sem prejuízo do


emprego e do salário, com a duração de CENTO E
VINTE DIAS;

XIX - LICENÇA-PATERNIDADE, nos termos


fixados em lei;
EMPREGADO DOMÉSTICO
XXI - AVISO PRÉVIO proporcional ao tempo de serviço,
sendo NO MÍNIMO de TRINTA DIAS, nos termos da
lei; e

XXIV - APOSENTADORIA;

 Bem como a sua INTEGRAÇÃO à PREVIDÊNCIA


SOCIAL.
7) CONTRATO DE EXPERIÊNCIA

O contrato de experiência é uma modalidade do contrato por prazo determinado, cuja


finalidade é a de verificar se o empregado tem aptidão para exercer a função para a
qual foi contratado.

Da mesma forma, o empregado, na vigência do referido contrato, verificará se adapta-


se à estrutura hierárquica dos empregadores, bem como às condições de trabalho a
que está subordinado.

DURAÇÃO

Conforme determina o artigo 445, parágrafo único da CLT, o contrato de experiência


não poderá exceder 90 dias.

PRORROGAÇÃO

O artigo 451 da CLT determina que o contrato de experiência só poderá sofrer uma
única prorrogação, sob pena de ser considerado contrato por prazo indeterminado.
AUXÍLIO-DOENÇA

O empregado, durante o período que fica afastado percebendo auxílio-


doença previdenciário, tem seu contrato suspenso.

ACIDENTE DO TRABALHO

No afastamento por acidente do trabalho, ocorre a interrupção do contrato de


trabalho, considerando-se todo o período de efetivo serviço. O contrato não sofrerá
solução de descontinuidade, vigorando plenamente em relação ao tempo de
serviço.

ESTABILIDADE PROVISÓRIA

A legislação previdenciária determina que o empregado que sofrer acidente do


trabalho terá assegurada a manutenção de seu contrato de trabalho, pelo prazo
mínimo de 12 meses a contar da cessão do auxílio-doença acidentário,
independentemente da concessão de auxílio-acidente.
RESCISÃO ANTECIPADA DO CONTRATO

Qualquer das partes pode rescindir antes do prazo o contrato de experiência.


Contudo, só haverá aviso prévio se houver no contrato cláusula recíproca de rescisão
antecipada (artigo 481 da CLT):

RESCISÃO MOTIVADA PELO EMPREGADOR SEM JUSTA CAUSA


Não havendo cláusula recíproca de direito de rescisão, o empregador, ao dispensar o
empregado antes do término, fica obrigado ao pagamento de indenização igual à metade da
remuneração que o empregado teria direito até o final do contrato (Art. 479 da CLT):
"Art. 479 - Nos contratos que tenham termo estipulado, o empregador que, sem justa causa,
despedir o empregado, será obrigado a pagar-lhe, a título de indenização, e por metade, a
remuneração a que teria direito até o termo do contrato."

RESCISÃO MOTIVADA PELO EMPREGADO


O empregado, ao rescindir o Contrato de Experiência antecipadamente, deverá indenizar o
empregador dos prejuízos que resultarem desse fato. A indenização não poderá exceder a que
receberia em idênticas condições. (Art. 480 da CLT).
Esse prejuízo deverá ser comprovado materialmente, uma vez que em reclamatórias
trabalhistas os juízes têm exigido documentos comprobatórios do prejuízo causado pelo
empregado ao empregador devido a rescisão antecipada do contrato, ou seja, na prática, este
instituto é pouco usual.
"Art. 480 - Havendo termo estipulado, o empregado não se poderá desligar do contrato, sem
justa causa, sob pena de ser obrigado a indenizar o empregador dos prejuízos que desse fato
lhe resultarem.
§ 1º - A indenização, porém, não poderá exceder àquela a que teria direito o empregado em
idênticas condições."
INDENIZAÇÃO ADICIONAL

Extinção do Contrato
A indenização adicional prevista no artigo 9º das Leis nºs 6.708/79 e 7.238/84, ou seja,
quando houver rescisão do contrato de trabalho no período de 30 dias que antecede
a data-base da categoria do empregado, não será devida quando houver a extinção do
contrato de experiência, uma vez que ela só é devida quando ocorre rescisão sem justa
causa.

Rescisão Antecipada
Ocorrendo rescisão antecipada do contrato de trabalho por parte do empregador,
entende-se que o empregado fará jus à indenização adicional do art. 9º das Leis nºs
6.708/1979 e 7.238/1984, além da indenização citada no art. 479 da CLT, uma vez que a
rescisão antecipada é uma rescisão sem justa causa

VERBAS RESCISÓRIAS,
O § 6º do artigo 477 da CLT dispõe que o pagamento das parcelas constantes do
instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverá ser efetuado nos seguintes prazos:
- até o primeiro dia útil imediato ao término do contrato; ou
- até o décimo dia, contado da data da notificação da demissão, quando da ausência do
aviso prévio, indenização do mesmo ou dispensa de seu cumprimento. Quando o dia do
vencimento recair em sábado, domingo ou feriado, o termo final será antecipado para o
dia útil imediatamente anterior.
Em virtude do exposto, quando há extinção do Contrato de Experiência, faz-se o
pagamento das verbas rescisórias no primeiro dia útil imediato ao término do contrato.
8) Estagiário (LEI 11.788/08)

“O estágio deve proporcionar experiência prática na


linha de formação profissional do estagiário.” “O curso
deve ser, portanto, compatível com a atividade
desempenhada pelo estagiário na empresa, com as
tarefas desenvolvidas, de modo a se fazer a
complementação do ensino.”
-Triângulo: estagiário – instituição de ensino – empresa.
-Firmado o termo de compromisso pela relação
triangular.
-Facultatividade da bolsa.
O estagiário não é empregado, desde que cumpridas as
determinações da Lei no 6.494/77;

Exigências legais:

- O estagiário esteja matriculado na escola e tenha frequência;

- Horário do estágio compatível com as aulas na escola (art. 5o);

- Firmado o termo de compromisso entre as partes;

- Termo de compromisso por escrito (art. 3o);


- O estágio deve proporcionar experiência prática na linha de
formação profissional do estagiário.
PERGUNTA ....
Mônica, objetivando resolver
problemas particulares, faltou ao
serviço, mas enviou a sua irmã no
seu lugar, a título de não ser
descontada pelo dia de falta. O
empregador, não aceitou que sua
irmã trabalhasse no seu lugar e a
descontou o dia do seu pagamento.

Analise e justifique a atitude do


empregador
1 - O elemento que distingue a relação de emprego
das relações afins é a:
(A) dependência pessoal.
(B) dependência social.
(C) dependência técnica.
(D) subordinação jurídica.
(E) subordinação intelectual.
2 - Diana é empregada de uma república de estudantes;
Danilo é vigia da residência de João, presidente de
uma empresa multinacional; Magali é governanta da
residência de Mônica: e Márcio é jardineiro da casa de
praia de Ana. Nesses casos:
A) apenas Márcio é considerado empregado doméstico.
B) apenas Magali e Márcio são considerados empregados
domésticos.
C) apenas Diana, Magali e Márcio são considerados
empregados domésticos.
D) todos são considerados empregados domésticos.
E) apenas Magali é considerada empregada doméstica.
3 - A existência da relação de emprego pressupõe:
A) A pessoalidade na prestação de serviços.
B) Solenidade prevista em lei para admissão do
empregado.
C) Prazo determinado para a duração do contrato.
D) Prestação de serviços com exclusividade.
E) Eventualidade na prestação de serviços.
4 - Ciro trabalha como taxista para uma empresa que
explora o serviço de táxi de um município, sendo o
automóvel utilizado em serviço por Ciro de
propriedade da mencionada empresa.
Em face da situação hipotética apresentada, de acordo
com a legislação trabalhista, Ciro é considerado

A) empresário.
B) trabalhador avulso.
C) trabalhador autônomo.
D) empregado.
5 - José foi contrato em dia 12 / 04 / 2009, pela empresa Americana
Ltda., no contrato de trabalho individual indeterminado, exercendo à
sua função de balconista, no horário de 8.00 as 17.00, de 2ª a 6ª
feira, com intervalo de uma hora para refeição de descanso. Tendo
uma excelente conduta profissional. Ocorre, que há
aproximadamente um ano, José, vem apresentado conduta imprópria
na empresa, como: faltas habituais, atrasados habituais e falta de
desinteresse na função exercida. O empregador já utilizou de todas
as medidas próprias, tais como, advertência verbal e escrita,
suspensão, porém nada parece modificar a conduta de José que
permanece ausentando-se injustificadamente.

Pergunta-se: O empregador não deseja mais continuar com o


vínculo de emprego. Analisando as hipóteses de terminação do
contrato de trabalho, explique qual a forma de extinção contratual que
a empresa pode utilizar para demitir o funcionário José?