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Profa.

Isabela Limaverde Gomes


DESNUTRIÇÃO
 A desnutrição tem como causas diversos fatores,
normalmente associados à pobreza e a falta de
alimentos dela decorrente. Está relacionada à falta de
condições mínimas de existência (OMS).

* Pobreza extrema
 Renda per capita inferior ao mínimo necessário
para aquisição de uma cesta de alimentos
regionalmente definida.
Desnutrição x Fome
Sofrem de desnutrição aqueles que manifestam sinais e
sintomas provenientes da insuficiência quantitativa ou
qualitativa da dieta ou de doenças que determinem o mau
aproveitamento biológico dos alimentos ingeridos.
(OMS/OPAS/UNICEF)

Têm fome aqueles cuja alimentação diária não aporta a energia


requerida para a manutenção e funcionamento do organismo e
para as atividades ordinárias do ser humano.

(FAO/OMS)
DESNUTRIÇÃO X MAGREZA

A magreza, ou peso abaixo do normal, pode ser originada a


partir de vários fatores, como:

•ingestão dietética em quantidade insuficiente;


•atividade física excessiva,
•transtornos alimentares;
•absorção e utilização prejudicada dos alimentos consumidos
por alguma enfermidade;
•presença de doença que acarreta perda e/ou aumento das
necessidades metabólicas,
•estresse emocional ou psicológico.
Avaliação da causa da magreza

Uma avaliação precisa permite definir a causa da magreza e o


tratamento mais adequado.

• Levantamento de história clínica


• Histórico de peso,
• História alimentar;
• Análise de exames;
• Avaliação antropométrica.
DESNUTRIÇÃO

•A desnutrição não é apenas conseqüência da pobreza, é sua


causa também, pois diminui o potencial humano em uma
sociedade.
•Crianças saudáveis tornam-se adultos mais fortes e mais
produtivos.
•Meninas bem nutridas tornam-se mães menos expostas aos
riscos da gravidez e do parto, e geram crianças com melhores
possibilidades de desenvolvimento físico e mental.
•Muitos estudos mostraram que os fatores ambientais, como
renda familiar, escolaridade materna e inserção do chefe de
família no mercado de trabalho, tem mais influência do que
fatores genéticos na estatura final do indivíduo.

(UNICEF)
DETERMINANTES
 Causas proximais ou diretas:
 Consumo inadequado de alimentos
 Composição da alimentação em calorias e proteínas
 Inadequação fisiológica dos alimentos
 Doenças que interferem no metabolismo - infecções
DETERMINANTES
 Causas distais ou indiretas:
 Pobreza e desemprego: falta de perspectiva humana e
insegurança alimentar
 Analfabetismo
 Famílias numerosas
 Moradias inapropriadas
 Falta de saneamento
 Dificuldade de acesso aos serviços de saúde e
educação
DESNUTRIÇÃO
•Grupos de Risco:

•Crianças –  do apetite,  poder aquisitivo, famílias grandes;


•Adolescentes – surtos de crescimento rápido;
•Idosos – solidão, limitação física e intelectual,  poder
aquisitivo, < acesso ao cuidado médico, doenças crônicas;
•Portadores de doenças crônicas;
•Indivíduos em dietas restritivas por períodos prolongados;
•Vegetarianos;
DESNUTRIÇÃO
•Fatores de Risco:
•Dependência de álcool ou drogas que  ingestão alimentar;
•Uso de medicação que  apetite ou  a absorção de nutrientes;
•Anorexia nervosa;
•Infecções, febre prolongada, hipertireoidismo, queimaduras,
câncer, grandes traumas e cirurgias e ainda insuficiências
orgânicas (cardíaca, hepática, renal etc);
•Longa permanência hospitalar – dor, ansiedade, mudança de
hábito, medicação e conduta nutricional inadequada.
CONSEQUÊNCIAS
 50% das mortes em crianças < 5 anos tem a desnutrição como
fator associado
 Muitas DCNTs podem ser consequência de DEP na infância
 50% das mortes por pneumonia, diarréia, sarampo, malária ou
HIV tem como causa básica a desnutrição
 Seqüelas e restrições funcionais por toda a vida: redução da
força muscular e habilidade motora, diminuindo a
produtividade do trabalho físico
 Baixa estatura na vida adulta
 Impacto na capacidade reprodutiva
DESNUTRIÇÃO
Principais causas de morte em crianças < 5 anos de idade:

• Diarréia: 19% das mortes


• Complicações no parto: 18% das mortes

•Crianças < 1 ano morrem de doenças parasitárias e infecções


perinatais, causas conhecidamente associadas à desnutrição.

De todas as crianças desnutridas que morrem no mundo, 75%


têm apenas desnutrição leve ou moderada, que, apesar de suas
graves conseqüências não apresentam sinais visíveis aos olhos de
um observador ocasional.

(Ministério da Saúde; FUNASA; CENEPI)


DESNUTRIÇÃO
DESNUTRIÇÃO
DESNUTRIÇÃO

Identificação e Diagnóstico

•Indicadores antropométricos (comparação dos valores de peso e


estatura de um determinado indivíduo ou de uma população com
uma curva de referência, controlando-se a idade e sexo).
•Sinais clínicos (exames físicos).
•Indicadores bioquímicos.
•Indicadores dietéticos.
DESNUTRIÇÃO

Classificação da desnutrição energético-protéica

A desnutrição energético-protéica é classificada como primária


ou secundária.
•Primária: é decorrente de ingestão alimentar insuficiente ou
inadequada,
•Secundária: é resultante de problemas digestivos ou de absorção
e de outras patologias não nutricionais que acabam por debilitar
o organismo desnutrindo-o, tais como doenças crônicas por
exemplo.
DESNUTRIÇÃO
Classificação

Em nível clínico a desnutrição pode ser leve, moderada ou grave,


segundo a intensidade das perdas de peso nas crianças e adultos.
Desnutrição grave:
Marasmo ou Kwashiorkor.
DESNUTRIÇÃO

Marasmo – desnutrição energética e protéica


• Causa: doenças crônicas, baixa ingestão energética (fome aguda e
jejum), dieta restritiva, anorexia;
• Mais comum em crianças 0 -1 ano (levando a um déficit no crescimento)
e idosos, mas pode ocorrer em adultos;
• Exame clínico: aspecto emagrecido, sem reserva de gordura subcutânea,
atrofia muscular, pele frouxa, costelas proeminentes;
• Perfil da avaliação nutricional: peso < 60% do ideal, PCT < 3mm, CMB <
15 cm;
• Tipo mais comum de desnutrição.
DESNUTRIÇÃO

Kwashiorkor – desnutrição predominantemente protéica


• Caracterizada por edema, distúrbios metabólicos e infecções
freqüentes;
• Mais comum em crianças após 18 meses de vida (desmame,  proteína
e  CHO)
• Exame clínico: edema, hepatomegalia, alteração de cabelo e pele
(dermatose típica), hipoalbuminemia, imunidade deprimida, ruptura
de pele, má cicatrização;
• Falsa idéia de bom estado nutricional.
DESNUTRIÇÃO

Kwashiorkor marasmático – forma intermediária

• Crianças com edema que pesam entre 60-80% de peso esperado para
a idade são classificadas como tendo kwashiorkor.
• Crianças sem edema pesando menos que 60% de peso esperado para
a idade são consideradas marasmáticas.
• Crianças com edema e menos de 60% do peso esperado para a idade
são classificadas como tendo kwashiorkor marasmático
DESNUTRIÇÃO
Conseqüências

Risco de doenças crônico-degenerativas na


Desnutrição
vida adulta: obesidade, hipertensão,
infantil
cardiopatias e diabetes.

Um estudo realizado em favelas do município de São Paulo mostrou a


coexistência de crianças desnutridas com adultos obesos dentro de uma
mesma família.
Outro estudo em população moradora em favelas, verificou-se uma alta
prevalência de meninas adolescentes obesas com baixa estatura.
Estudos em adultos no Rio de Janeiro, em Maceió, no estado de Alagoas
e em outros lugares do Brasil mostraram alta prevalência de obesidade,
hipertensão e dislipidemias em indivíduos com baixa estatura
(desnutrição crônica na infância).
PREVENÇÃO
 Prevenção de doenças infecciosas e diarréias

 Prolongar aleitamento materno

 Controlar ciclo:
 NUTRIÇÃO – INFECÇÃO – POBREZA
 MUDANÇAS POLÍTICAS + ECONÔMICAS + SOCIAIS
DESNUTRIÇÃO
Objetivo da dietoterapia:

• Repor as reservas corporais;


• Recuperar o peso corporal progressivamente;
• Prevenir complicações – infecções;
• Evitar a síndrome de realimentação;

Síndrome da realimentação
Alterações eletrolíticas que se seguem após a introdução de
nutrientes após longo período de privação. Ela é caracterizada
intolerância a glicose, disfunção gastrointestinal e arritmias
cardíacas.
AVALIAÇÃO
História nutricional pregressa :
•História da amamentação: duração do aleitamento materno
exclusivo e idade da suspensão total do aleitamento materno;
•Início da introdução de alimentos complementares ao leite
materno;
•Dieta habitual (tipo, freqüência e quantidade);
•Perda de apetite recente;
•Modificações da alimentação em função da doença da criança;
•Pessoa que cuida/alimenta a criança;
AVALIAÇÃO
História nutricional pregressa :
•Utensílios utilizados para alimentar a criança (tipo e
higienização);
•Prática de estocagem de alimentos já preparados e sua
administração à criança;
•Prática de administração de sobras/restos de alimentos de uma
refeição para outra;
•Alimentos habitualmente disponíveis no domicílio e utilizados
para a alimentação da criança;
•Alimentos habitualmente consumidos pela família, mas que não
são dados à criança e razões para a sua não administração;
•Alimentos preferidos pela criança.
AVALIAÇÃO
Antecedentes:
•Peso e estatura da criança ao nascer;
•Condições de preenchimento da Caderneta de Saúde da Criança
•Marcos de desenvolvimento atingidos (sentar, ficar em pé, etc);
•Doenças e internações anteriores, particularmente por
desnutrição e infecções;
•Tratamento nutricional recebido, acompanhamento após a alta e
reinternações;
•Ocorrência de diarréia e vômitos atual e nas duas últimas
semanas (duração, freqüência e aparência);
•Cor da urina e hora em que urinou pela última vez;
AVALIAÇÃO
Antecedentes:
•Contato com sarampo e tuberculose e, em áreas endêmicas,
malária;
•Participação em programas de saúde e sociais, inclusive
recebimento direto de alimentos ou transferência direta de
renda;
•Uso habitual de medicamentos;
•Histórico de alergia.
AVALIAÇÃO
Exame Físico:
•Peso e comprimento ou altura;
•Nível de atividade física;
•Reação ao exame físico;
•Distensão abdominal, movimentos peristálticos intestinais;
•Panículo adiposo e massa muscular (observar se existe redução,
principalmente na região das nádegas e face interna das coxas);
•Edema;
•Palidez grave;
AVALIAÇÃO
Exame Físico:
•Aumento ou dor hepática ao toque, icterícia;
•Presença de vínculo mãe/criança (olhar, toque, sorriso, fala);
•Sinais de colapso circulatório: mãos e pés frios, pulso radial
fraco, consciência diminuída;
•Temperatura: hipotermia ou febre;
•Sede;
•Olhos encovados recentemente (examine e pergunte a mãe);
•Olhos: lesões corneais indicativas de deficiência de vitamina A
•Ouvidos, boca, garganta: evidência de infecção;
AVALIAÇÃO
Exame Físico:
•Pele: evidência de infecção ou de petéquias;
•Freqüência respiratória e tipos de respiração: sinais de
pneumonia ou insuficiência cardíaca;
•Aparência das fezes.
ALGUMAS ORIENTAÇÕES NUTRICIONAIS
-ACRÉSCIMO DE ÓLEO VEGETAL OU AZEITE DE OLIVA NAS
PRINCIPAIS REFEIÇÕES

-OFERTA DE VITAMINAS DE FRUTAS COM LEITE INTEGRAL

-AUMENTO DO APORTE CALÓRICO (LEITE EM PÓ + LEITE


LÍQUIDO INTEGRAL)

-ALIMENTAÇÃO EM PEQUENOS VOLUMES E MAIOR


DENSIDADE CALÓRICA VÁRIAS VEZES AO DIA

-SE POSSÍVEL SUPLEMENTAR (OPÇÕES DE SUSTAGEM,


NUTREN, ENSURE, ETC).