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DIREITO PENAL I

“O Direito Penal é o primeiro amor dos grandes


estudantes, fascinados pelo conteúdo humano,
pela palpitação social, pela intensidade dos
dramas, pela glória das legendas. O Direito Penal
fornece a emulsão vivificante ao berçário das
vocações jurídicas”
Roberto Lyra
Módulo A
Introdução ao
Estudo do Direito Penal
Introdução
O fato social é sempre o ponto de partida na formação
da noção do Direito

fato social
ilícito jurídico ILÍCITO
contrário à
PENAL
norma

O Estado estabelece normas jurídicas com


a finalidade de combater esses ilícitos

=
Estudo
Conjunto de DIREITO - Do crime
normas - Da pena
PENAL
jurídicas - Do delinqüente
Código Penal
O Código Penal vigente é o
Decreto-Lei nº 2848
de 07 de dezembro de 1940

É dividido em:

• PARTE GERAL - dos artigos 1º ao 120

• PARTE ESPECIAL - dos artigos 121 ao 359-H


Conceito de Direito Penal
• Von Liszt define o Direito Penal como “o conjunto das prescrições
emanadas do Estado, que ligam ao crime – como fato – à pena, como
conseqüência”

Crítica: o direito penal, hoje, não se preocupa somente com a pena. Tanto que
existem as medidas de seguranças (inimputáveis)

• Damásio E. de Jesus dá uma definição mais completa de Direito Penal,


afirmando que ele consiste em:

“Um conjunto de normas que ligam ao crime, como fato, à pena


como conseqüência e disciplinam também as relações
jurídicas daí derivadas, para estabelecer a aplicabilidade das
medidas de segurança e a tutela do direito de liberdade em
face do poder de punir do Estado"
Caracteres do Direito Penal
• O Direito Penal, por regular as relações do indivíduo com a sociedade, pertence ao
Direito Público. Isso porque em um dos lados da relação jurídica nascida com a
prática do crime temos a figura do Estado, que exercerá o direito de punir e do outro
lado teremos o indivíduo, detentor do direito à liberdade.

SUJEITO
que tem o
Direito à Liberdade
prática do (princípio da legalidade)
faz nascer relação entre
crime
ESTADO
que tem o
Direito de Punir
(“jus puniendi”)

Verifica-se que mesmo nas hipóteses em que a ação se movimenta por iniciativa do
particular (AÇÃO PRIVADA),
o direito de punir continua a pertencer exclusivamente ao Estado
Caracteres do Direito Penal
O Direito Penal é ciência cultural,
normativa, valorativa e finalista
• CULTURAL porque pertence à classe das ciências do "dever-ser" e não à do "ser".
Ele diz como as coisas, em verdade, deveriam ser.
• NORMATIVA, porque tem a finalidade de estudar a norma, ou seja, a regra de
conduta.
• VALORATIVA porque o Direito coloca uma hierarquia entre as normas, não lhes
dando o mesmo valor.
• FINALISTA porque tem como fim a defesa da sociedade, através da proteção de
bens jurídicos fundamentais.
É ainda, sancionador porque através da cominação da sanção (previsão de penas),
protege outra norma jurídica
de natureza extra-penal.
E é também é dogmático porque expõe o seu direito através de normas jurídicas,
exigindo o seu cumprimento sem reservas.
Direito Penal subjetivo e
Direito Penal objetivo

SUBJETIVO OBJETIVO
É o direito de punir do Estado É o próprio ordenamento jurídico-
(“jus puniendi”). penal, correspondendo, portanto,
Esse direito tem limites no Direito à sua definição.
Penal Objetivo (= conjunto de É, justamente, o conjunto de
normas), não sendo ilimitado. normas colocadas pelo Estado
para regular as relações
humanas.

O Direito Penal tem na sanção


seu meio de ação
Direito Penal comum e
Direito Penal especial
COMUM ESPECIAL
Aplica-se a todos os cidadãos. Tem seu campo de incidência restrito
Se a aplicação do direito ao caso a uma classe de cidadãos conforme
concreto não demandar jurisdições qualidades particulares.
próprias, sua qualificação será de Se a norma objetiva somente se
norma penal comum. aplicar por meio de órgãos especiais
constitucionalmente previstos, a
norma terá caráter especial.

O critério para diferenciação entre o Direito Penal


COMUM e ESPECIAL reside no órgão encarregado
de aplicar o direito objetivo

Comum [Federal e Estadual]


JUSTIÇA
Especial [Justiça do Trabalho, Justiça Eleitoral, Justiça Militar]
Direito Penal material e
Direito Penal formal

MATERIAL FORMAL
(substantivo) (adjetivo)

É representado pela Lei Penal, É o Direito Processual Penal que


que define as condutas típicas e determina as regras de aplicação
estabelece as sanções. do Direito Penal substantivo.

• crítica: O Direito Processual Penal


não é complemento do Direito Penal
material e sim, um Direito autônomo
que não pode ser considerado
“adjetivo” do Direito Penal
Módulo B
Princípios fundamentais
do Direito Penal
Introdução
Justa interpretação e
aplicação da lei

Definição de
condutas delituosas
BRASIL

DIREITO PENAL
Estado Democrático
de Direito
Princípios Constitucionais
Princípio da legalidade
 Princípio da reserva legal
artigo 5° , XXXIX, da CF
artigo 1° do CP

"Não há crime sem lei anterior que o defina.


Não há pena sem prévia cominação legal."

CRIME LEI PENA

Portanto: a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito não podem


instituir delitos ou penas
Princípio da legalidade
• Entendimento Jurisprudencial:

“PENAL E PROCESSUAL. TRÁFICO DE ENTORPECENTES E ASSOCIAÇÃO PARA O


TRÁFICO. PENA-BASE ACIMA DO PREVISTO LEGALMENTE. AUSÊNCIA DE
FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL CARACTERIZADO.
ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. FIXAÇÃO DA PENA-BASE ACIMA DO PATAMAR
ESTABELECIDO NO ART. 8º DA LEI 8.072/90 E DE PENA PECUNIÁRIA.
IMPOSSIBILIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. ORDEM
CONCEDIDA. A aplicação da pena-base fora do patamar estabelecido pela referida
norma e a imposição de pena pecuniária aos condenados pela prática do delito de
associação para o tráfico de entorpecentes configura constrangimento ilegal, pois
viola o princípio da legalidade.”
Princípio da
anterioridade da lei
 artigo 5° , XXXIX, da CF
artigo 1° do CP

"Não há crime sem lei anterior que o defina.


Não há pena sem prévia cominação legal."

ENTROU EM VIGOR A LEI X


JOÃO PRATICOU QUE INCRIMINA A
JOÃO NÃO PODE SER
CONDUTA A CONDUTA A
PUNIDO PELA CONDUTA
A QUE PRATICOU
10/04/04 20/09/05
Princípio da irretroatividade da lei
penal mais severa
 artigo 5° , XL, da CF
artigo 2° do CP

“A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu."

ENTROU EM VIGOR A LEI A LEI X


X QUE DETERMINA QUE NÃO RETROAGE
JOÃO PRATICOU A CONDUTA A TERÁ
JOÃO
CONDUTA A CUJA PENA DE 15 A 30 ANOS
JULGAMENTO , NÃO PODE
PENA ERA DE 6 A 20 SER PUNIDO
ANOS DE JOÃO
COM PENA
DE 15 A 30 ANOS
10/04/04 20/09/05 30/01/06
Princípio da irretroatividade da lei
penal mais severa
 Diferente se:

JOÃO PRATICOU ENTROU EM VIGOR A LEI Y QUE A LEI Y


CONDUTA B CUJA DETERMINA QUE A CONDUTA B RETROAGE
PENA ERA DE 8 A 12 TERÁ PENA DE 4 A 6 ANOS JULGAMENTO , JOÃO
ANOS DE JOÃO SERÁ PUNIDO
COM PENA
10/04/04 20/09/05 30/01/06 DE 4 A 6 ANOS
Princípio da insignificância

• Tal princípio está ligado aos chamados crimes de bagatela


(ou delito de lesão mínima)

• Segundo ele, o Direito Penal só deve intervir nos casos de lesão de certa
gravidade, reconhecendo a atipicidade do fato nas hipóteses de perturbações
jurídicas mais leves.
conduta
REQUISITOS DESVALOR dano
culpabilidade

Neste sentido, as seguintes decisões:


“Princípio da insignificância - Aplicabilidade - Descaminho - Aquisição de objetos no exterior em
pequena quantidade e de valores reduzidos, sem a devida documentação - Adequação social da
conduta.” (RT-753/706)
“Furto - Agente que subtrai uma cédula de um real - Aplicação do princípio da insignificância -
Absolvição decretada.” (RT-738/652)
Princípio da presunção do estado de
inocência
 artigo 5° , LVII, da CF
"Ninguém será considerado culpado até o
trânsito em julgado de sentença penal condenatória."

TRÂNSITO EM
JULGADO DE
SENTEÇA =  RÉU CULPADO
 EXECUÇÃO DA PENA
CONDENATÓRIA

NÃO CABE MAIS NENHUM RECURSO

Neste sentido:
"Rol dos culpados - Lançamento do nome do réu - Impossibilidade antes do trânsito em julgado da
sentença condenatória - Consagração do princípio constitucional da presunção da inocência."(RESE
134.320-3/4 - 4° C., j.20.6.94)
Princípio do "ne bis in idem"

• Ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo fato.

• Duplo significado:
 PENAL MATERIAL: ninguém pode sofrer duas penas em face de um mesmo
crime
 PROCESSUAL: ninguém pode ser processado e julgado duas vezes pela
mesma conduta.
EXEMPLO: = qualificadora (art.
121,2º, III)
USO DE
A MATA B EXPLOSIVO
= agravante (art.
61, II, d)

O USO DO EXPLOSIVO NÃO PODERÁ SER LEVADO EM CONTA PARA QUALIFICAR E


AGRAVAR A PENA NO MESMO CRIME.
Princípio do “in dúbio pro reo”

• O acusado da prática de uma infração penal em seu julgamento final, havendo


dúvida deverá ser absolvido.

• Corolário do campo das provas, tal princípio deve ser aplicado toda vez que houver
dúvida, a interpretação deve ser feita de maneira mais favorável ao réu.

HAVENDO DÚVIDA EM A DECISÃO TEM QUE


RELAÇÃO A QUALQUER SER NO SENTIDO DE
CIRCUNSTÂNCIA FAVORECER O RÉU
DO CASO
Princípio da Dignidade da Pessoa
Humana
“A República Federativa do Brasil, ... , constitui-se em Estado Democrático de
Direito e tem como fundamentos:
III - a dignidade da pessoa humana;” (art. 1º, III da CF)

 Este princípio é fundamento da República e do Estado


Democrático de Direito assim, o homem, antes de ser considerado
como cidadão, vale como pessoa.
 Defender a dignidade do ser humano significa protegê-lo de
ações arbitrárias e indevidas por parte do Estado ou de todos
aqueles que detém poder sobre outrem.
 A intervenção jurídico-penal jamais deve servir-se de
instrumento vexatório ou repugnante, mesmo que seja contra o
pior dos delinqüentes, devendo a razão estar acima de tudo para
tratar a criminalidade.
Convenção Americana de Direitos Humanos (1969)
(Pacto de San José da Costa Rica)

Preâmbulo
Os Estados Americanos signatários da presente Convenção, reafirmando seu
propósito de consolidar neste Continente, dentro do quadro das instituições
democráticas, um regime
 de liberdade pessoal e de justiça social,
 fundado no respeito dos direitos humanos essenciais;
 reconhecendo que os direitos essenciais da pessoa humana não derivam do fato
de ser ela nacional de determinado Estado, mas sim do fato de ter como
fundamento os atributos da pessoa humana (...);
 reiterando que, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, só
pode ser realizado o ideal do ser humano livre, isento do temor e da miséria, se
forem criadas condições que permitam a cada pessoa gozar dos seus direitos
econômicos, sociais e culturais, bem como dos seus direitos civis e políticos.
QUESTÕES DA OAB
1. O Princípio da Legalidade é também denominado de:
a) Reserva Legal.
b) Common Law.
c) Analogia Legal.
d) Liberdade Legal.

2. "É fundamental que a lei penal incriminadora seja editada antes da


ocorrência do fato criminoso." Distinga os princípios que alicerçam essa
afirmativa:
a) da legalidade e da anterioridade da lei penal.
b) da extra e da ultratividade condicional da lei penal.
c) da abolitio criminis e do in dubio pro reo.
d) da lei anterior e da lei posterior benignas.
QUESTÕES DA OAB
3. “Ninguém pode ser considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença
condenatória” – Trata-se do Princípio:
a) Ne bin in idem.
b) da Dignidade da Pessoa Humana.
c) da Presunção do Estado de Inocência.
d) da Liberdade Legal.

4. Assinale a alternativa correta:


a) Independentemente da gravidade do delito o juiz pode aplicar o Princípio da
Insignificância para não punir um réu primário .
b) A analogia pode ser usada toda vez que houver uma lacuna na lei.
c) As leis penais são aplicadas a todos os fatos ocorridos durante a sua vigência.
d) Princípio da Legalidade e Princípio da Anterioridade são sinônimos.
QUESTÃO para REFLEXÃO
Lei atentamente o caso abaixo:
“Daniella Perez foi morta com 18 facadas num matagal no Rio, aos 22 anos, a três dias do réveillon
de 1993, pelo ator Guilherme de Pádua, que contracenava com ela na novela da Globo De Corpo e
Alma, e pela mulher dele, Paula Thomaz, 19 anos, que estava grávida de quatro meses. Casada
com o ator Raul Gazolla, Daniella Perez recebeu 18 golpes de tesoura e teve quatro perfurações no
pescoço, oito no peito e mais seis que atingiram pulmões e outras regiões. Em 1997, Guilherme foi
julgado e condenado a 19 anos de prisão. Três meses depois, Paula foi condenada a 18 anos e seis
meses – mais tarde teve a pena reduzida para 15 anos. Após colher 1,3 milhão de assinaturas,
Glória conseguiu a aprovação de um projeto de lei para incluir o homicídio qualificado no rol dos
crimes hediondos, que recebem tratamento legal mais severo e impossibilitam o pagamento de
fiança e o cumprimento da pena em regime aberto ou semi-aberto. Paula e Guilherme como não
responderam por crime hediondo, ficaram presos por sete anos.”

• Qual foi o Princípio Constitucional aplicado a este caso?


Explique e fundamente.
Módulo C
Fontes do Direito Penal
Introdução
lugar de onde
provém
a norma de FONTES DE PRODUÇÃO
Direito
(MATERIAL)

FONTES
DIREITO PENAL
FONTES DE
CONHECIMENTO
(FORMAL)
FONTES DE PRODUÇÃO
Quem é o órgão competente para a produção das leis penais?

FONTE = órgão encarregado da elaboração


MATERIAL da norma penal

ESTADO
O Brasil é composto de alguns
compete à União entes federativos:
legislar sobre • União
Direito Penal (artigo • Estados-membros
22, I da CF) • Municípios
• Distrito Federal
FONTES DE CONHECIMENTO
Como o direito penal se revela?

fonte formal
imediata LEI
FONTES
FORMAIS
costumes e
fonte formal princípios
mediatas gerais do
direito
Fonte Formal IMEDIATA
A única fonte imediata de conhecimento é a lei
Através dela, o Direito se revela imediatamente, de forma direta.
NORMA LEI
 Mandamento de um  ato em que se expressa a
comportamento normal, função legislativa do Estado
retirado do senso comum da  texto
coletividade  simples veículo de norma
 refere-se ao conteúdo
 pode estar em um ou mais
dispositivos legais
A lei é o texto como expressão formal. Compõe o dispositivo. A
norma é o significado jurídico desta, é a expressão do dever ser
jurídico.
O texto é o veículo, enquanto a norma é o dever ser veiculado.
Classificação
das normas penais
As normas penais classificam-se em:

1. normas penais incriminadoras


2. normas penais não incriminadoras:

 permissivas
 explicativas
(ou finais ou complementares)
Normas Penais Incriminadoras

• descreve uma conduta ilícita (contrária ao direito, ao ordenamento


jurídico), impondo uma sanção ao agente.
preceito primário preceito
norma penal
incriminadora
= + secundário

definição do exposição da
sanção que se
comportamento associa à conduta
humano ilícito

EXEMPLO: o legislador não diz expressamente que "matar é crime". Ele descreve a
conduta "matar alguém", estabelecendo determinada sanção. Assim, o princípio
imperativo que deve ser obedecido (não matar ninguém) não está de maneira expressa
na norma penal.

Somente quando uma conduta se amolda a uma norma penal incriminadora é que o
Estado adquire o direito concreto de punir.
Normas Penais
Não Incriminadoras
• PERMISSIVAS:
determinam a licitude ou a não punibilidade de certas condutas, embora
estas sejam típicas em face das normas incriminadoras. Exemplos: arts. 20
a 27, 28, parágrafo segundo e art. 128 do CP.

gravidez
resultante de
A PRATICA ABORTO COM B estupro
CONSENTIMENTO
MÉDICA GESTANTE
art. 126 art. 128, II
norma penal incriminadora norma penal permissiva

TORNA A CONDUTA LÍCITA


Normas Penais
Não Incriminadoras
• EXPLICATIVAS:
 Também chamadas finais ou complementares
Esclarecem o conteúdo das outras, ou delimitam o âmbito de sua
aplicação
Exemplos: artigos 4°, 5°, 7°, 10 a 12, 33, 327 do CP.

Peculato - Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de


dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou
particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo,
em proveito próprio ou alheio:

Art. 327 - Considera-se funcionário público,


para os efeitos penais, quem, embora NORMA
transitoriamente ou sem remuneração, exerce EXPLICATIVA
cargo, emprego ou função pública.
Normas Penais em Branco
 Necessitam de complementação (de outro diploma) para que
se possa compreender o âmbito de aplicação de seu preceito
primário.

Sebastián Soler: “No entanto, a lei penal em branco não pode ser entendida
como uma carta branca outorgada a determinado poder para que assuma
funções repressivas, e, sim, deve ser entendido como o reconhecimento de
uma faculdade meramente regulamentar.”
Fonte Formal MEDIATA

1. Costume
conjunto de normas de comportamento a que pessoas obedecem de
maneira uniforme (ELEMENTO OBJETIVO) e constante pela convicção de
sua obrigatoriedade (ELEMENTO SUBJETIVO)
Fonte Formal MEDIATA

2. Princípios gerais do direito

• o artigo 4° da LICC permite que, nas hipóteses em que a lei


for omissa, o juiz poderá utilizar-se dos princípios gerais de
direito, para solucionar a questão.

• No entanto, somente pode suprir as normas penais não


incriminadoras. Não pode criar crimes nem cominar penas.
QUESTÕES DA OAB
1) Analise as afirmações abaixo e escolha a alternativa correta:

I – Lei Penal em branco é aquela que necessita de um complemento normativo.


II – Excluída uma droga da lista das substâncias proibidas, o crime de tráfico dessa
droga deixa de ser crime.
III – O juiz, ao analisar o caso concreto, pode completar a norma penal em branco
de acordo com seu discernimento.

a) As afirmações I e II estão corretas.


b) As afirmações I e III estão corretas.
c) As afirmações II e III estão corretas.
d) Todas as afirmações estão corretas.
QUESTÕES para REFLEXÃO
1). Suponha que em algum lugar do Brasil, a comunidade tenha como costume
constante expulsar da cidade os que cometem crime de roubo (art. 157 do Código
Penal). Levando isso em conta, o juiz pode aplicar, além da pena privativa de
liberdade, a pena de banimento para esse fato?
Explique e fundamente.

2). O juiz, ao analisar o caso concreto, pode completar a norma penal em branco de
acordo meramente com seu discernimento?
Explique e justifique.
Módulo D
INTERPRETAÇÃO DA LEI
PENAL
Introdução
 Interpretar é retirar o significado e a extensão de uma norma em relação à realidade. É
buscar o verdadeiro significado e alcance da lei
afim de aplicá-la aos casos concretos da vida real.

 Por mais clara que seja a letra da lei penal, ela não prescinde de interpretação
tendente a explicar-lhe o significado, o justo pensamento, a sua real vontade.

O que se busca com a interpretação?


A vontade da lei ou do legislador?

Há duas correntes:
1. A primeira afirma que o intérprete deve perseguir a vontade do legislador.
(Escola Exegética).
2. Já a segunda sustenta a busca da vontade da lei.

NOSSO ENTENDIMENTO: A lei independe de seu passado,


importando apenas o que está contido em seus preceitos.
ESPÉCIES DE INTERPRETAÇÃO

QUANTO AO QUANTO QUANTO AO


SUJEITO AO MODO RESULTADO

• autêntica • gramatical • declarativa

• doutrinária • lógica • restritiva

• jurisprudencial • extensiva
Quanto ao sujeito
autêntica doutrinária jurisprudencial
= legislativa • Feita pelos = judicial
emana do legislador estudiosos do
Direito em livros,
• contextual artigos, teses... Feita pelos Tribunais,
Feita no próprio texto mediante a reiteração
da lei (art. 150 e §4º • Doutrina = de seus julgamentos
do CP – “casa”) conjunto de
estudos jurídicos
de qualquer
• não contextual natureza
Feita por outra lei de
edição posterior
Quanto ao modo
gramatical lógica
= literal ou sintática = teleológica

• O intérprete deve recorrer ao • Consiste na indagação da


que dizem as palavras vontade e da finalidade da lei

• No entanto, a simples análise • A interpretação teleológica se


gramatical, muitas vezes, não é vale dos seguintes elementos:
suficiente, porque pode levar a "ratio legis“ (razão da lei)
conclusão aberrante sistemático
histórico
Direito Comparado
extra penal (político-social)
extrajurídico
Ocorrendo contradição entre as conclusões da interpretação literal e
lógica, deverá prevalecer a segunda, uma vez que atende às
exigências do bem comum e aos fins da lei.
Quanto ao resultado

declarativa restritiva extensiva

• Dá à lei seu sentido • A linguagem da lei • O texto legal diz


literal – sem extensão, diz mais do que o menos do que
nem restrição. pretendido pela sua queria dizer.
vontade.
• Corresponde • Mostra-se
EXTAMENTE ao intuito • Mostra-se necessária a
do legislador. necessária a ampliação do
restrição do alcance alcance das palavras
das palavras da lei da lei para que a
até o seu real letra corresponda à
significado. vontade do texto
Princípio "in dubio pro reo" em matéria de
interpretação da lei penal
O que fazer quando persiste a dúvida quanto à vontade da norma?

Admitir que a dúvida deva ser resolvida contra o


agente ("in dubio pro societate")

Admitir que seja resolvida contra o agente ou contra a


CAMINHOS sociedade, segundo o livre convencimento do
intérprete

Resolver a questão da forma mais favorável ao agente

NOSSO ENTENDIMENTO: no caso de irredutível dúvida entre o espírito


e a letra da lei, é força acolher, em matéria penal, irrestritamente, o
princípio "in dubio pro reo".
Interpretação Progressiva
= adaptativa ou evolutiva

• Faz-se adaptando a lei às necessidades e concepções do presente. Afinal, não


pode o juiz ficar alheio às transformações sociais, científicas e jurídicas.

• A lei deve acompanhar as mudanças do ambiente, assim como sua evolução. Ela
não pode parar no tempo. Entretanto, não podemos, a todo momento, alterá-la,
devendo haver as devidas adequações.

• Os limites dessa interpretação, perfeitamente legítima, restam determinados pela


interpretação extensiva.

da psiquiatria
DEVEM
"doença mental" SEGUIR
EXEMPLOS OS
da indústria
AVANÇOS
"coisa móvel"
Interpretação analógica
• A interpretação analógica é permitida toda vez que após uma seqüência
casuística segue-se uma fórmula genérica, que deve ser interpretada de
acordo com os casos anteriormente elencados.

EXEMPLO:

Art. 121, §2º, IV, do CP


Se o homicídio é cometido: seqüência casuística

“à traição, emboscada, ou mediante dissimulação ou


outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido.”
fórmula genérica

Assim, o outro recurso deve ser semelhante à traição,


emboscada ou dissimulação (caráter insidioso).
Trata-se de uma hipótese de interpretação analógica, em que a
própria lei determina que se estenda seu conteúdo.
Analogia
ANALOGIA INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA
fundamento da natureza jurídica requisitos da
analogia da analogia analogia
“ubi eadem legis ratio, • forma de auto- 1. fato analisado não regulado
ibi eadem legis integração da lei pelo legislador.
dispositio” 2. legislador, no entanto, tenha
• não é fonte mediata regulado situação semelhante.
= onde há a mesma do Direito Penal 3. semelhança entre a situação
razão, aplica-se o regulada e a não prevista.
mesmo direito

Aplicar a uma hipótese Na interpretação, o legislador


não regulada por lei deixa claro que a lei deseja que
disposição relativa a a norma abranja casos
um caso semelhante semelhantes aos já descritos
Espécies de Analogia
“in bonam partem” “in malam partem”
= em benefício da parte = em malefício da parte
no caso de leis penais não não pode ser usada para criar
incriminadoras é perfeitamente crimes ou penas, os quais o
permitido o uso da analogia a legislador não
favor da parte tenha determinado
(princípio da reserva legal)
EXEMPLOS: Art. 269 do CP - Deixar o médico de
denunciar à autoridade pública doença
Art. 128 do CP - Não se pune o aborto cuja notificação é compulsória
praticado por médico:
I - se não há outro meio de salvar a
vida da mãe Se um fisioterapeuta deixar de denunciar nesse
caso, ele não pode ser punido
Também não se pune se a enfermeira pratica = ANALOGIA in malam partem
o aborto= ANALOGIA in bonam partem
QUESTÕES DA OAB
(EXAME 125/SP)
56. A fonte formal direta no Direito Penal
(A) pode ser a lei e a eqüidade, esta somente no tocante à fixação da pena.
(B) pode ser a lei, os costumes e os princípios gerais do direito.
(C) pode ser a lei e a analogia in bonan partem.
(D) é somente a lei.

(EXAME 123/SP)
66. O art. 269 do Código Penal: “Deixar o médico de denunciar à autoridade
pública doença cuja notificação é compulsória”
(A) pode ser aplicado, por analogia, ao dentista.
(B) prevê crime que admite tentativa.
(C) prevê crime omissivo puro.
(D) não configura norma penal em branco.
QUESTÕES para REFLEXÃO
1). É possível a aplicação da analogia às normas incriminadoras quando se vise, na
lacuna evidente da lei, favorecer a situação do réu?
Explique e fundamente.

2). Posso afirmar que usar ANALOGIA para dar sentença em um caso criminal é a
mesma coisa que fazer uma INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA? Por que?
Explique e justifique sua resposta.
Módulo E
APLICAÇÃO DA LEI PENAL
EFICÁCIA DA
LEI PENAL NO TEMPO

Continuar no ANKI daqui


Introdução
 a LEI PENAL nasce, vive e morre

sanção promulgação publicação revogação

é o ato pelo qual o ato pelo qual se ato pelo qual a lei expressão genérica
Presidente da atesta a existência da se torna conhecida que traz a idéia de
República aprova e lei e se determina a de todos, cessação da
confirma uma lei. todos que a tornando-se, assim, existência de regra
Com ela, a lei está observem. Sua seu cumprimento obrigatória
completa. Ela finalidade é conferir- obrigatório
transforma um lhe autenticidade
“projeto de lei” em
“lei”
sanção promulgação publicação revogação

Em regra, o fato, para • derrogação


ser punido, deve ser autoridade da lei cessa
em parte
cometido entre o
• ab-rogação
momento em que a lei a lei se extingue
nasce – tornando-se totalmente
obrigatória – até o
momento em que ela tácita
morre – é revogada o novo texto é expressa
incompatível com o a lei, expressamente,
"tempus regit anterior ou regula determina a
actum" inteiramente a cessação da vigência
matéria precedente da norma anterior
Tempo do crime
Em que momento podemos dizer que a infração foi praticada?

teoria da atividade: momento em que o agente


executa a conduta criminosa – ação ou omissão –
independentemente do momento do resultado

teoria do resultado: momento da produção do


TRÊS resultado, independentemente do momento da
TEORIAS ação ou da omissão.

teoria da ubiqüidade: tanto o momento da ação ou


da omissão quanto o momento do resultado.

Art. 4°: "Considera-se praticado o crime no momento da ação ou


omissão, ainda que outro seja o momento do resultado"
= teoria da atividade
Regra de aplicação da Lei Penal no
Tempo
NÃO RETROAGE NÃO ULTRA-AGE

EFICÁCIA DA LEI

ENTRADA EM
FATO VIGOR FATO REVOGAÇÃO
FATO

• REGRA "tempus regit actum“


a lei penal NÃO retroage e NÃO ultra-age

• EXCEÇÃO salvo para beneficiar o réu


(art. 5º, XL da CF e art. 2º p. único do CP)

CONCLUSÃO a lei penal não retroagirá, salvo


para beneficiar o réu
Conflitos de lei penal no tempo
1) a lei nova suprime normas incriminadoras anteriormente existentes
= (abolitio criminis)
2004 - “P” pratica 2005 – LEI “A” = “P” não será = abolitio
conduta “X” conduta “X” deixa de ser crime punido criminis
2) a lei nova incrimina fatos antes considerados lícitos, permitidos
= (novatio legis incriminadora)
2002 - “M” pratica 2004 – LEI “B” = “M” não será = novatio legis
conduta “Y”
conduta “Y” passa a ser crime punido incriminadora
3) a lei nova modifica o regime anterior, agravando a situação do sujeito
= (novatio legis in pejus)
2000 - “J” pratica 2003 – LEI “C” = “J” será punido com = novatio legis in
conduta “W” com pena conduta “W”
de 4 a 6 anos pena de 10 a 15 anos pena de 4 a 6 anos pejus

4) a lei nova modifica o regime anterior, beneficiando o sujeito


= (novatio legis in mellius)
2001 - “K” pratica 2002 – LEI “D” = “K” será punido com = novatio legis in
conduta “Z” com pena conduta “Z”
de 7 a 9 anos pena de multa pena de multa mellius
Abolitio Criminis
lei posterior que deixa de considerar um fato como crime
(art. 2º, caput do CP)
• Fundamento:
A ab-rogação de lei penal incriminadora supõe que o Estado já não mais considera aquele
fato contrário aos interesses da sociedade.

• Natureza jurídica:
Constitui fato jurídico extintivo da punibilidade (art. 107, III do CP).
O Estado, portanto, perde a possibilidade de punir o agente.

• Exclusão de todos os efeitos jurídico-penais:


1) Se a persecução criminal ainda não foi movimentada, o processo não poderá sequer ser
iniciado.
2) Se o processo estiver em andamento, deverá ser trancado mediante decretação da
extinção da punibilidade.
3) Se já existe sentença condenatória com trânsito em julgado, a pretensão executória não
pode ser efetivada.
4) Se o condenado está cumprindo pena, deve ser decretada a extinção da punibilidade,
devendo o sujeito ser solto.
5) Cessam todos os efeitos da condenação.
Novatio Legis in Pejus
1. A sanção imposta hoje ao crime é mais grave em qualidade que a da lei
precedente.
2. A sanção imposta hoje, embora da mesma qualidade, é mais severa quanto à
maneira de execução.
3. A quantidade da pena em abstrato é aumentada.
4. A quantidade da pena em abstrato é mantida, mas a maneira de sua fixação é mais
rígida que a determinada pela lei anterior.
5. Inclusão de qualificadoras antes inexistentes.
6. Lei nova suprime benefícios determinados pela lei anterior, referente à suspensão
ou interrupção da execução da pena.
7. Lei nova exclui causas de extinção da punibilidade.
8. Lei nova exclui escusas absolutórias anteriormente existentes.
9. Lei nova exclui causas de exclusão da ilicitude ou da culpabilidade.

ATENÇÃO! todas as vezes que a lei nova


prejudica o sujeito, ela não poderá retroagir
Novatio Legis in Mellius
• Lei nova inclui circunstâncias que beneficiam o sujeito.
• Lei nova cria causas extintivas da punibilidade não reconhecidas pela lei
anterior.
• Lei nova permite a obtenção de benefícios não permitidos ou facilita sua
obtenção.
• Lei nova acresce causas de exclusão da ilicitude, da culpabilidade, ou
escusas absolutórias, antes inexistentes.
• Lei nova exclui a concessão de extradição.
• Lei nova que comina penas menos rigorosa (em qualidade, quantidade ou
modo de execução).

ATENÇÃO! O princípio da retroatividade da lei mais benéfica é


incondicional, podendo aplicar-se aos fatos anteriores, ainda que
decididos por sentença condenatória transitada em julgado
(art. 2º, p. único do CP)
Lei Intermediária

APLICA-SE A TODOS OS
LEI MAIS BENÉFICA FATOS OCORRIDOS
DURANTE A SUA VIGÊNCIA
2003 2004 2005
Lei “A” Lei “B” Lei “C”
pena de pena de pena de
3a6 1a4 9 a 12 anos
anos anos

FATO
REGRA:
VIGÊNCIA E
APLICAÇÃO
RETROAGE PARA BENEFICIAR O RÉU APLICANDO- DA LEI “C”
SE A FATOS PASSADOS
Leis Penais
Temporárias e Excepcionais
Leis com vigência previamente estipulada pelo
TEMPORÁRIAS legislador – com dia determinado para início e fim
de sua aplicação
Leis promulgadas em casos excepcionais
EXCEPCIONAIS (calamidade pública, guerras, revoluções,
epidemias...) com vigência restrita à duração do caso

“A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou


cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante a
sua vigência.“
(art. 3º do CP)
• Fundamento: Esse dispositivo visa impedir que, tratando-se de leis previamente
limitadas no tempo, possam ser frustradas as suas sanções por expedientes
astuciosos no sentido de retardamento dos processos penais.

EXEMPLO:

APLICA-SE A
FATOS OCORRIDOS
Lei EXCEPCIONAL ou
TEMPORÁRIA DURANTE A SUA
VIGÊNCIA

FATO JULGAMENTO
Essa LEI (ainda que mais BENÉFICA) não retroagirá para alcançar fatos ocorridos
anteriormente a sua vigência.

Nenhuma outra LEI (ainda que mais BENÉFICA) retroagirá para alcançar fatos ocorridos
durante a vigência de leis
excepcionais ou temporárias.
Contagem de prazo
• O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo.
Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum.
(art. 10 do CP)
 O dia é o lapso temporal entre meia-noite e meia-noite.
 O mês é contado de determinado dia à véspera do mesmo dia do mês seguinte, terminando às 24
horas, pouco importando quantos são os dias de cada mês.
 O ano é contado de certo dia às 24 horas da véspera do dia de idêntico número do mesmo mês do
ano seguinte, não importando seja bissexto qualquer deles.

• Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações


de dia.
(art. 11 do CP)

EXEMPLO:
06 25 terá cumprido
condenado Janeiro Janeiro a pena
a A
2000 2003
3 anos e 20 A
dias
QUESTÕES DA OAB
(EXAME 120/SP)
51. No atinente aos prazos penais, é correto dizer que
(A) dia do começo inclui-se no cômputo do prazo.
(B) eles são improrrogáveis.
(C) que são desprezadas as frações de dia em seu cômputo.
(D) todas as alternativas estão corretas.

(EXAME 119/SP)
52. Lei posterior que passa a cominar ao crime pena menor
(A) não tem aplicação aos fatos anteriores porque cometidos anteriormente à sua vigência.
(B) tem aplicação aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em
julgado.
(C) tem aplicação aos fatos anteriores, desde que não tenha ocorrido o trânsito em julgado da sentença
condenatória.
(D) tem aplicação aos fatos anteriores, desde que não tenha ocorrido o trânsito em julgado da sentença
condenatória para a defesa.
QUESTÕES DA OAB
1. Caio nasceu às 20 horas do dia 08 de maio de 1984. No dia 08 de maio de 2002, às 14 horas,
praticou um roubo a uma loja de brinquedos. Caio:
a) é menor de dezoito anos para efeitos penais.
b) deve ser considerado inimputável, ante o fato de não ter completado dezoito anos.
c) deve ser considerado semi-imputável, uma vez que, biologicamente, não completou dezoito anos.
d) deve ser considerado penalmente responsável, pois praticou a infração no dia em que
comemorava seu 18º aniversário.

2. Pelo princípio tempus regit actum:


a) todos os fatos que ocorrem na vigência de uma lei são regidos por ela.
b) depois de revogada, a lei ainda continua sendo aplicada aos casos que ocorreram durante a
vigência dela.
c) o sujeito pode ser condenado mesmo que sua conduta não seja mais considerada crime, se
quando a praticou era tipificada pelo Código Penal como tal.
d) Todas as anteriores estão corretas.
QUESTÃO para REFLEXÃO
Suponha que havia no Brasil em 1950 uma lei “A” que cominava pena de 10 a 30 anos para
o crime de homicídio. Em 1964, em virtude do golpe militar entrou em vigência uma lei
excepcional “B” que teve vigência até o fim do golpe militar em 1980 e cominava pena de
15 a 45 anos para o crime de homicídio. Em 2000, já em vigência uma lei “C” que
cominava pena para o homicídio em no mínimo 6 e no máximo 20 anos, descobriu-se que
durante o golpe, em 1965, João cometeu um homicídio contra José.
Qual lei deve ser aplicada para o caso em tela?
Explique e justifique.
Módulo F
APLICAÇÃO DA LEI PENAL
EFICÁCIA DA
LEI PENAL NO ESPAÇO
Lugar do Crime
Art. 6°: "Considera-se praticado o crime no lugar em que

ocorreu a ação ou omissão , no todo ou em parte , bem

como onde se produziu ou devia produzir-se o resultado."

= teoria da ubiqüidade

CRIME CRIME EFEITO


CONSUMADO TENTADO INTERMÉDIO

ONDE ACONTECERAM TODOS OS ATOS EXECUTÓRIOS


LUGAR DO ONDE ACONTECEU ALGUM DOS ATOS EXECUTÓRIOS
CRIME ONDE ACONTECEU O RESULTADO
ONDE ACONTECEU O IMPEDIMENTO PARA O RESULTADO
Eficácia da Lei Penal no Espaço
 Existem cinco princípios, previstos no Código,
para tentar solucionar os conflitos penais no espaço

Princípio da A lei penal somente tem aplicação no território do


Estado que a criou.
territorialidade
Princípio da A lei penal do Estado é aplicável a seus cidadãos,
não importando onde eles se encontrem. O que
nacionalidade importa é a nacionalidade do sujeito.
Princípio da Tal princípio leva em conta a nacionalidade do
bem jurídico lesado pelo crime, sem se importar
defesa com o local de sua prática ou com a nacionalidade
do agente.
Princípio da Determina o poder de cada Estado punir qualquer
crime, pouco importando a nacionalidade do
justiça penal delinqüente e da vítima, ou onde ele foi
universal praticado.
Princípio da a lei penal de determinado Estado também é
aplicada aos delitos cometidos em aeronaves e
representação embarcações privadas, quando
realizados no estrangeiro e aí
não venham a ser julgados
Princípios adotados pelo CP
princípio da
REGRA ART. 5º CP
territorialidade

princípio da Art. 7°,I,


E proteção e § 3° do CP
X
C princípio da justiça
universal Art. 7°,II,
E “a” do CP
Ç
Õ princípio da Art. 7°,II,
E nacionalidade ativa “b” do CP
S
princípio da Art. 7°,II,
representação “c” do CP
Territorialidade
Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de
direito internacional, ao crime cometido no território nacional.

O solo ocupado pela corporação política com limites


reconhecidos

Regiões separadas do solo principal


território Rios, lagos e mares interiores
nacional
Golfos, baías e portos

A faixa de mar exterior, que corre ao longo da costa e constitui o


"mar territorial“ (= 12 milhas)

Todo espaço aéreo correspondente

conceito jurídico: o Embarcações e aeronaves, em determinadas situações


território abrange todo o
espaço em que o Estado
exerce sua soberania
Embarcações e Aeronaves
PÚBLICAS TERRITÓRIO
EMBARCAÇÕES ou BRASILEIRO
a serviço do SÃO Em qualquer lugar
AERONAVES GOVERNO que estiverem
BRASILEIRO
Art. 5º, §1º CP
TERRITÓRIO
MERCANTES ou BRASILEIRO
EMBARCAÇÕES de Apenas em
SÃO
AERONAVES PROPRIEDADE território
PRIVADA nacional

TERRITÓRIO
EMBARCAÇÕES de BRASILEIRO
AERONAVES PROPRIEDADE SÃO Quando estiverem
PRIVADA em território
Art. 5º, §2º CP nacional
ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL :

“Crime cometido a bordo de navio mercante estrangeiro em águas territoriais


Brasileiras - Prática que importa perturbação da tranqüilidade da nação - Aplicação
da lei penal nacional - Incidência do art.301 do Código de Bustamante* afastada,
tanto mais quando os países de nacionalidade de autor e vítima e da bandeira do
navio não são signatários da Convenção de Havana de 1928.”

* Convenção de Direito Internacional Privado, de Havana, de


13/08/1929 assinada pelo Presidente Washington Luis Pereira De
Sousa
Extraterritorialidade
INCONDICIONADA – ART. 7º, I

• Ficam sujeitos à lei brasileira – INDEPENDENTEMENTE DE QUALQUER


CONDIÇÃO – embora cometidos no estrangeiro:
 Os crimes contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
 Os crimes contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de
Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista,
autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público;
 Os crimes contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
 O crime de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;
Extraterritorialidade
CONDICIONADA – ART. 7º, II

• Ficam sujeitos à lei brasileira embora cometidos no estrangeiro:

 crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;


 crimes praticados por brasileiro no estrangeiro;
 delitos praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou
de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam
julgados;
Desde que cumpridas as seguintes CONDIÇÕES:
(TODAS)
Entrar o agente do Ser o fato punível,
Estar o crime incluído
delito, em território também, no país em que
entre aqueles pelos
nacional – pouco foi ele cometido – pouco
quais a lei brasileira
importando se o ingresso importando se o ingresso
admite a extradição –
é ou não voluntário, se é ou não voluntário, se
A Lei de Estrangeiro (Lei
sua presença é longa ou sua presença é longa ou
n° 6.815/80) impede a
rápida, se veio a passeio rápida, se veio a passeio
extradição em alguns
ou a negócio, legal ou ou a negócio, legal ou
casos.
clandestinamente. clandestinamente.

Não ter sido absolvido no estrangeiro ou não ter aí Não ter sido o sujeito perdoado no
cumprido a pena - se o agente foi absolvido ou estrangeiro ou, por outro motivo,
cumpriu a pena no estrangeiro, ocorre uma causa de não estar extinta a punibilidade,
extinção da punibilidade. Se, por sua vez, a sanção foi segundo a lei mais favorável.
cumprida parcialmente, novo processo pode ser
instaurado no Brasil (art. 8º CP)
Crime cometido por estrangeiro
contra brasileiro fora do Brasil (art. 7º, §3°)

Aplica-se a lei brasileira desde que cumpridas as seguintes CONDIÇÕES:

 que não tenha sido pedido ou tenha sido negada a extradição


 que haja requisição do Ministro da Justiça

Cumulativamente com TODAS as CONDIÇÕES anteriores:


1. Entrar o agente do delito, em nosso território.
2. Ser o fato punível, também, no país em que foi ele cometido;
3. Estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira admite a extradição;
4. Não ter sido absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena;
5. Não ter sido o sujeito perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar
extinta a punibilidade, segundo
a lei mais favorável.
Pena cumprida no Estrangeiro

A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo


mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando
idênticas. (Art. 8º CP)
 FUNDAMENTO: proibição do "bis in idem"

EXEMPLOS:
“A” recebeu pena de multa no estrangeiro e
PENAS uma pena de reclusão, no Brasil. A pena de
ATENUA multa que foi paga no estrangeiro atenua,
DIVERSAS
obrigatoriamente, a pena privativa de liberdade
imposta no Brasil.

“A” recebeu pena de detenção de 2 anos


no estrangeiro e uma pena de detenção de
PENAS IDÊNTICAS COMPUTA 5 anos, no Brasil. A pena de detenção que
foi cumprida no estrangeiro é computada,
(5 – 2 = 3) obrigatoriamente, na pena de
reclusão imposta no Brasil (=DETRAÇÃO).
QUESTÕES DA OAB

(EXAME 124/SP)
54. O Código Penal adotou
(A) a teoria do resultado, em relação ao tempo do crime, e a teoria da ubiqüidade,
em relação ao lugar do crime.
(B) a teoria da atividade, em relação ao tempo do crime, e a teoria da ubiqüidade,
em relação ao lugar do crime.
(C) a teoria da atividade, em relação ao tempo do crime, e a teoria do resultado, em
relação ao lugar do crime.
(D) a teoria do resultado, em relação ao tempo do crime, e a teoria da atividade, em
relação ao lugar do crime.
QUESTÕES DA OAB
(EXAME 124/SP)
51. São princípios que regem a aplicação da lei penal no espaço:
a) da territorialidade, da defesa, da justiça universal, da nacionalidade e da
continuidade.
b) da territorialidade, da defesa, da representação, da justiça universal e da
nacionalidade.
c) da defesa, da justiça universal, da nacionalidade, da representação e da
continuidade.
d) da territorialidade, da defesa, da justiça universal, do espaço mínimo e da
continuidade.
QUESTÕES DA OAB
1. Assinale a alternativa correta, diante do caso concreto:
Um brasileiro nato cometeu um crime de genocídio na Austrália.
a) Por ser um brasileiro nato, aplicam-se as regras pertinentes ao Direito Penal
Internacional, com julgamento pelo Tribunal Penal Internacional.
b) A lei do território estrangeiro é soberana, eis que foi lá o crime praticado,
aplicando-se então o princípio da territorialidade.
c) O agente fica sujeito à lei brasileira, embora o crime tenha sido cometido no
estrangeiro, pois se aplica o princípio da extraterritorialidade.
d) É exclusivamente competente para julgar o lugar do crime em que ocorreu a ação
ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-
se o resultado.
QUESTÕES DA OAB
2. Assinale a alternativa correta, partindo da premissa de que o Presidente da
República do Brasil possa ser vítima de crime de homicídio quando de viagem ao
exterior.

a) Aplica-se o princípio do lugar do crime em que ocorreu a ação ou omissão, no


todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
b) Aplica-se o princípio da territorialidade, pelo qual a lei do território estrangeiro é
soberana, eis que foi lá o crime praticado.
c) Nesta hipótese, por ser Presidente da República que goza de prerrogativa de foro
em virtude da função, aplicam-se as regras pertinentes ao Direito Penal
Internacional, com julgamento pelo Tribunal Penal Internacional.
d) Aplica-se o princípio da extraterritorialidade, ficando sujeito à lei brasileira,
embora cometido no estrangeiro.
QUESTÕES para REFLEXÃO
1. Qual é a diferença entre a TEORIA DA ATIVIDADE (adotada para TEMPO DO CRIME)
e a TEORIA DA UBIQÜIDADE (adotada para LUGAR DO CRIME)?

2. Podemos afirmar que o nosso Código Penal adotou exclusivamente o Princípio da


Territorialidade?
Explique e justifique.

3. Suponha que “A” cometeu um crime “x” e sendo processado no Brasil e nos EUA,
recebeu uma pena de 10 anos de reclusão nos EUA e 20 de reclusão no Brasil.
Tendo cumprido os 10 anos nos EUA, “A” voltou para o Brasil.
Pergunta-se: “A” deverá cumprir pena no Brasil?
Explique e justifique.
Módulo G
Teoria Geral do Crime
INTRODUÇÃO

CONTRAVENÇÃO PENAL = Espécie de INFRAÇÃO PENAL


de pequeno potencial ofensivo
(Decreto-Lei 3688/41)
CONCEITO DE CRIME
•Materialmente tem-se o crime sob o ângulo ontológico. Procura-se explicar porque o
legislador colocou determinada conduta como infração, sujeitando-a a uma sanção
penal.
Para Manzini, no sentido material: “o delito é a ação ou omissão, imputável
a uma pessoa, lesiva ou perigosa a interesse penalmente protegido, constituída de
determinados elementos e eventualmente integrada por certas condições, ou
acompanhada de determinadas circunstâncias previstas em lei.”

•Formalmente conceitua-se o crime sob o aspecto da técnica jurídica, do ponto de


vista da lei.

CRIME = FATO TÍPICO + ILÍCITO

OU
CRIME = FATO TÍPICO + ILÍCITO + culpável
Requisitos, elementos e
circunstâncias do crime
• Faltando um dos requisitos NÃO há crime.
• São REQUISITOS GENÉRICOS porque estão presentes em todos os crimes.

VERBO (que descreve a conduta)

ELEMENTOS OBJETO MATERIAL (bem protegido)

SUJEITO ATIVO e SUJEITO PASSIVO

• São peças que, se retiradas, fazem desaparecer o crime (= atipicidade


absoluta) ou o transformam em outro crime (= atipicidade relativa).

dados que aumentam ou diminuem as conseqüências


CIRCUNSTÂNCIAS
jurídica

• Mexem, portanto, na pena do delito.


O CRIME na
Teoria Geral do Direito
acontecimento SEM capacidade de
produzir EFEITOS JURÍDICOS NATURAL FENÔMENOS DA NATUREZA

NÃO JURÍDICO
AÇÃO HUMANA

FATO NATURAL FENÔMENOS DA NATUREZA

ATO JURÍDICO
JURÍDICO com efeito jurídico
acontecimento
VOLUNTÁRIO
COM capacidade
de produzir ATO ILÍCITO
EFEITOS AÇÃO HUMANA
JURÍDICOS

com efeito jurídico


INVOLUNTÁRIO CRIME
Sujeito ativo do crime
• CONCEITO
Sujeito ativo do delito é aquele que pratica o fato descrito na norma penal
incriminadora.
Somente o homem pode delinqüir, não podendo ser sujeitos ativos de crimes
animais ou coisas.

• TERMINOLOGIA
 Para o Código Penal = “agente”
 No inquérito = “indiciado”
 Durante o processo = “acusado”, “denunciado” ou “réu”
 Aquele que sofreu sentença condenatória = “sentenciado” ou
“condenado”
 Na execução da pena privativa de liberdade: “preso”, “recluso” ou
“detento”
 Sob o ponto de vista biopsíquico = “criminoso” ou “delinqüente”
Sujeito ativo do crime
 direito concreto de punir
ESTADO
 obrigação de impor a sanção penal
 agindo de acordo com os moldes
determinados em lei

PRÁTICA DA
CONDUTA
PUNÍVEL

SUJEITO ATIVO  direito à liberdade


 presunção de inocência
 obrigação de não obstacularizar a imposição
da pena
Sujeito ativo do crime
• Capacidade Penal
Capacidade penal é o conjunto de condições necessárias para que
alguém possa tornar-se titular de direitos ou obrigações no
campo do Direito Penal.

CAPACIDADE PENAL IMPUTABILIDADE

Refere-se a momento anterior ao Verifica-se no momento da


crime prática do delito (tempo da
ação/omissão)

• Incapacidade Penal
Ocorre nos casos em que não há a qualidade de pessoa humana viva
e quando a lei não se aplica a determinada classe de pessoas.
Sujeito ativo do crime
• Capacidade especial do sujeito ativo

PODE SER EXEMPLOS:


CRIME PRATICADO POR
• homicídio
• furto
COMUM QUALQUER PESSOA • lesão corporal

EXIGE DETERMINADA EXEMPLOS:


CRIME POSIÇÃO JURÍDICA • peculato
OU DE FATO DO • auto-aborto
PRÓPRIO • concussão
AGENTE

CAPACIDADE
ESPECIAL DO
SUJEITO ATIVO
Sujeito passivo do crime
• CONCEITO
Sujeito passivo do delito é o titular do interesse protegido.
Assim, deve-se, a priori, perguntar qual o interesse tutelado pela lei penal
incriminadora, para depois chegarmos ao seu titular.

 FORMALMENTE
Estado = titular da regra proibitiva desrespeitada
sujeito passivo constante
(genérico, formal, geral)
ESPÉCIES
 MATERIALMENTE
Sujeito = aquele que teve seu bem jurídico lesionado
passivo eventual
(particular, acidental ou material)

• Todo homem (criatura viva) pode ser sujeito passivo (incapaz, recém-
nascido, menor de idade, demente, ...)
• Também, a pessoa jurídica pode ser sujeito passivo, desde que o tipo
não exija a qualidade de pessoa física.
Objeto do crime
objeto jurídico EXEMPLOS:
OBJETO bem ou interesse que a • vida
contra o • integridade física
norma penal tutela
• honra
qual se
• patrimônio
dirige a
conduta
objeto material EXEMPLOS:
humana • homem vivo – no homicídio
coisa ou pessoa sobre a qual
criminosa • coisa – no furto
recai a conduta criminosa
• documento – na falsificação

Pode haver crime sem objeto material (por exemplo: falso testemunho ou ato obsceno),
mas nunca haverá crime sem objeto jurídico.
TEORIAS DO CRIME
TEORIA CAUSALISTA DA AÇÃO
• Foi a primeira que surgiu para definir o crime. Começou no final do
século XIX e ultrapassou o começo do século XX.
• Dizia que a conduta é o simples comportamento humano que causa
resultado independentemente de qualquer valoração.
• Tem no jurista alemão Von Liszt seu principal seguidor.
• Para esta teoria, crime é fato típico, antijurídico e culpável.
• Segundo seus adeptos, o dolo e a culpa estão na culpabilidade, razão
pela qual, ausente o dolo ou a culpa, ausente está o crime.
• Assume, portanto, concepção obrigatoriamente tripartida a respeito do
conceito formal de crime.
TEORIA FINALISTA DA AÇÃO
• Surgiu por volta de 1937, tendo como expoente Hans Welzel.
• Os adeptos desta teoria conceituam crime como fato típico e ilícito, isto em
sua acepção bipartida.
• Para os finalistas, o dolo e a culpa estão na conduta do agente, sendo que a
conduta integra o fato típico.
• O crime é fato e a culpabilidade recai sobre o sujeito e não sobre o fato, ou
seja, não há fato culpável, mas sim sujeito culpável.
• A doutrina majoritária entende que o Código Penal adotou a teoria finalista
da ação (conduta).
• Coerente com a reforma penal operada no ano de 1984, uma vez que, para o
Código Penal, a ausência de culpabilidade acarreta a isenção de pena
(subsistindo o crime, em todos os seus elementos, como típico e ilícito).
DIFERENÇAS ENTRE A
TEORIA FINALISTA DA AÇÃO
E A TEORIA CAUSALISTA DA AÇÃO

●A grande diferença entre as duas teorias reside no fato de que para a


teoria CAUSALISTA o dolo e a culpa estão na CULPABILIDADE,
enquanto os FINALISTAS consideram a CONDUTA como sendo dolosa
ou culposa.

●Em face da complexidade do assunto, estudaremos mais


profundamente a diferença entre as duas teorias quando estudarmos
o primeiro elemento que compõe o fato típico: a CONDUTA
TEORIA CAUSALISTA
CRIME = FATO TÍPICO
+ ILICITUDE +
CULPABILIDADE

TEORIA FINALISTA
CRIME = FATO TÍPICO
+ ILICITUDE
QUESTÕES DA OAB
(EXAME ABRIL/2006 – MG)
60. Com relação à classificação doutrinária do crime de assédio sexual (o
artigo 216-A do Código Penal brasileiro assim define o crime de assédio sexual:
“Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento
sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou
ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função:”), pode-se
afirmar que ele é:
a) próprio, formal e instantâneo.
b) próprio, material e instantâneo.
c) comum, formal e instantâneo.
d) comum, material e permanente.
QUESTÕES DA OAB
1. Assinale a afirmativa correta.
São elementos do fato típico:

a) conduta humana voluntária, nexo de causalidade, punibilidade, resultado.


b) conduta humana voluntária, resultado, nexo de causalidade, punibilidade,
ilicitude.
c) tipicidade, resultado, conduta humana voluntária, nexo de causalidade.
d) ilicitude, culpabilidade, conduta humana voluntária, nexo de causalidade.
QUESTÕES DA OAB
2. Por capacidade especial do sujeito ativo entende-se que:
a) certos crimes somente podem ser efetuados por intermédio de interposta pessoa que
possua capacidade especial.
b) certos crimes só podem ser praticados por pessoa imputável.
c) certos crimes só podem ser praticados por agente que possua determinada posição
jurídica ou de fato.
d) o sujeito ativo deve praticar o crime em face de certos destinatários especiais da
norma penal incriminadora.

3. Segundo a teoria da tipicidade:


a) Típico é o fato que encontra se amolda aos costumes de determinado local e, por
isso, só punidos se cometidos naquela região.
b) Tipo é o conjunto de elementos descritivos do crime contidos na lei penal.
c) Atípico é o ato praticado pelo sujeito, sem que este saiba que o mesmo constitui
crime.
d) As alternativas a e c estão corretas.
QUESTÕES para REFLEXÃO
1). Em todos os crimes o conceito de VÍTIMA e o conceito de SUJEITO PASSIVO são
coincidentes?
Por que? Explique e justifique.

2). Dizer que CRIME é fato jurídico e ato jurídico é a mesma coisa? Por que?
Explique e justifique.

3). Todo fato típico é crime? Por que?


Explique e justifique.