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Prof. Dr. João A.

Wohlfart

A FILOSOFIA DO IDEALISMO ALEMÃO


 A filosofia do Idealismo Alemão é uma corrente
filosófica de curta duração cronológica, que
começou na década de 90 do século XVIII e
culminou na década de 30 do século XIX.
 Os expoentes fundamentais deste período foram
Johann Gottlieb Fichte (1762-1814), Wilhelm
Joseph von Schelling (1775-1854) e Georg Wilhelm
Friedrich Hegel (1770-1831).
 Karl Marx (1823-1883), por seu estilo de
pensamento integrador, também pode ser
considerado um idealista.

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 Em relação à tradição filosófica anterior, a
concepção de filosofia, o modelo de pensamento
filosófico do Idealismo Alemão caracteriza uma
estrutura dialética entre consciência e realidade,
método e sistema filosófico, Sistema Filosófico e
História Filosófica.
 O Idealismo Alemão conjuga sinteticamente a
objetividade do paradigma do ser dos gregos e
medievais e o paradigma da subjetividade da
Filosofia Moderna, particularmente de Descartes e
de Kant.

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 Um dos principais objetos filosóficos do Idealismo
Alemão é a conciliação dialética entre subjetividade
e objetividade, não como duas esferas justapostas
e separadas, mas cada qual é constituída na
determinação recíproca a partir da outra e na outra.
 O Idealismo Alemão inaugura filosoficamente o
paradigma da historicidade do pensamento
filosófico. A referência não é mais o ser em sua
absoluta perfeição, Deus em sua absoluta
transcendência, a subjetividade em sua radical
interioridade, mas a Filosofia na mediação da
História humana.

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 Para o Idealismo Alemão não há mais filosofia pura
separada do mundo real, mas a filosofia é
construída dentro da História e a partir dela.
 Nesta nova compreensão filosófica, os filósofos
sistematizaram filosoficamente a autocompreensão
histórica do homem traduzida nos rigores da
argumentação sistemática da filosofia.
 O Idealismo Alemão também caracteriza a
concepção típica de um sistema filosófico
constituído a partir da evolução histórica do próprio
pensamento filosófico.

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 O Idealismo Alemão integra sinteticamente os
principais movimentos de formação do pensamento
clássico, os seus principais conceitos, os principais
paradigmas, as principais obras, e sistematiza
metodicamente estes elementos numa atual
compreensão filosófica.
 Uma das principais razões do surgimento do
Idealismo Alemão é a crítica à subjetividade
moderna. Fichte, Schelling e Hegel sustentam que a
subjetividade centrada em sua interioridade e no
pensamento próprio está destinada ao fracasso.

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 Para esta nova perspectiva do pensamento
filosófico, a subjetividade somente é possível
quando mediatizada com outra subjetividade,
numa perspectiva comunitária, política e
histórica.
 Para o Idealismo Alemão, a subjetividade não
é eliminada, mas constituída na dinâmica do
reconhecimento, do desenvolvimento histórico
e da consciência histórica.

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 Na perspectiva da Idealismo Alemão, o sujeito
humano é uma estrutura complexa que
compreende uma dimensão corpórea, física,
orgânica, mental, intelectual e espiritual, realizando
estruturalmente a dialética da subjetividade e da
objetividade.
 A realidade da Natureza, do mundo, da História e
do Cosmos são portadores de uma racionalidade
intrínseca, realizando a dinâmica da dialética da
subjetividade e da objetividade.

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 Uma das intenções básicas do Idealismo
Alemão é a superação das antinomias
kantianas separadoras de razão teórica e
razão prática, de númeno e fenômeno,
sensível e inteligível, liberdade e natureza.
 Para esta nova forma de sistematização
filosófica estas antinomias kantianas são
conciliadas num único mundo constituído
pela subjetividade e objetividade, pela
liberdade e natureza, pelo númeno e
fenômeno, pelo sensível e inteligível.

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 Para o Idealismo Alemão não há um mundo
inteligível sobreposto ao mundo sensível, pois o
inteligível é a própria estrutura dinâmica do mundo
sensível. Não há uma natureza contraposta à
liberdade, pois a natureza é racional na sua própria
estrutura de autodeterminação. Não há uma
filosofia contraposta à realidade histórica empírica,
porque o pensamento filosófico emana da histórica
e porque a própria filosofia está na história e tem
uma história. Não há um Deus absoluto contraposto
ao mundo relativo, mas a absoluticidade é a
estrutura do todo em movimento.

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 O Idealismo Alemão desenvolveu-se em base a uma
resposta aos dualismos clássicos e kantianos com
a finalidade de expor uma visão unitária e
sistemática de razão.
 Uma primeira resposta foi dada por Fichte que
formulou um sistema de Idealismo Subjetivo. O seu
sistema está baseado numa subjetividade universal
como base de fundamentação de um sistema de
objetividade. Esta subjetividade primeira é base de
sustentação e de organização de um conjunto de
sentenças e ciências particulares.

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 Uma segunda configuração é o idealismo objetivo
de Schelling. O filósofo formula uma estética, um
idealismo transcendental e uma Filosofia da
Natureza.
 Contra a tendência da modernidade e do
Iluminismo que contrapõem Natureza e liberdade, a
natureza compreende a auto-organização nos
processos físicos, químicos, materiais e biológicos.
A Natureza não é contraposta à subjetividade livre,
mas ela própria é um sistema de subjetividade na
autoconstituição racional da estrutura global da
Natureza.

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 O projeto de Hegel dá sequência aos modelos de
Fichte e de Schelling. O Idealismo de Hegel pode
ser denominado de absoluto ou sistemático. A
peculiaridade do projeto hegeliano é a estruturação
da razão e do real em várias esferas, regiões
conceituais sistematicamente interconectadas.
 O sistema filosófico hegeliano é constituído por
várias partes integradas num sistema complexo, em
movimentos filosóficos integrados por Lógica e
Filosofia do Real, sistematicidade e historicidade,
absoluticidade e relatividade, natureza e liberdade,
movimento de estabilidade etc.

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 O período filosófico do Idealismo Alemão
tenta realizar a síntese entre a substância de
Espinosa e o eu livre e transcendental de
Kant.
 Na síntese a substância deixa de ser imóvel e
estática e o eu livre deixa de ser
transcendental. Nos sistemas do Idealismo a
substância é suprassumida na sistemática do
real e o eu livre e transcendental é
suprassumido no movimento e na
racionalidade do próprio real.

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 A filosofia do Idealismo Alemão é motivada por uma
razão política importante, a unificação alemã. Na
primeira metade do século XIX, países como França
e Inglaterra estavam consolidados como Estados e
como potências econômicas.
 A Alemanha ainda estava dividida em pequenos
feudos isolados, sem unidade política e sem
estrutura de nação. A unidade e coerência filosófica
dos sistemas do Idealismo estabelece analogia
direta com o projeto de unidade política alemã.

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AS PRINCIPAIS OBRAS
ALGUMAS OBRAS SOBRE O IDEALISMO
ALEMÃO