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Cefaleia

Curso de Medicina
Unievangélica
6º período

Waleska Meireles Carneiro


Epidemiologia
 Uma das queixas mais comuns nos ambulatórios de clínica médica
 Diagnóstico mais frequente no ambulatório de neurologia
 95% das pessoas têm ou terão um episódio de dor de cabeça ao
longo da vida
Anamnese
 Início
 Intensidade
 Localização
 Forma de instalação
 Fatores desencadeantes
 Premonitórios/Pródromos
 Fatores atenuantes
 Fatores de piora
 Duração
 Sintomas associados
 Irradiação
 História familiar
Exame cefaliátrico
 Inspeção
 Palpação
 Pontos sensíveis/gatilho
 Avaliar ATM, dentes
 Fundo de olho
 Manobra de Naffziger: suspeita de hipertensão craniana
Cefaleias primárias
Migrânea/enxaqueca
 Cefaleia recorrente em ataques que duram de 4 a 72h
 Localização unilateral, pulsátil, intensidade moderada ou severa,
exacerbação por atividade física rotineira e associada à náusea e/ou
fotofobia e fonofobia
 Subgrupos
 Com aura (migrânea clássica, oftálmica, migrânea hemiplégica ou afásica,
migrânea complicada)
 Sem aura: mais incapacitante
Critérios diagnósticos
 Enxaqueca sem aura
A. Pelo menos 5 episódios preenchendo os critérios de B a D
B. Episódios de cefaleia com duração de 4 a 72h (não tratada ou tratada sem
sucesso)
C. A cefaleia tem pelo menos duas das quatro características seguintes:
1. Localização unilateral
2. Pulsátil
3. Dor moderada ou grave
4. Agravamento por atividade física de rotina
D. Durante a cefaleia, pelo menos, um dos seguintes:
1. Náuseas e/ou vômitos
2. Fotofobia e fonofobia
E. Não melhor explicada por outro diagnóstico da ICHD-3 beta
Critérios diagnósticos
 Enxaqueca com aura
A. Pelo menos dois episódios preenchem os critérios B e C
B. Um ou mais dos seguintes sintomas de aura, totalmente reversíveis:
1. Visual
2. Sensitivo
3. Fala e/ou linguagem
4. Motor
5. Tronco cerebral
6. Retiniano
C. Pelo menos duas das quatro características seguintes:
1. Pelo menos um sintoma de aura alastra durante gradualmente em 5 ou mais minutos,
e/ou dois ou mais sintomas aparecem sucessivamente
2. Cada sintoma individual de aura dura 5 a 60 minutos
3. Pelo menos um sintoma de aura é unilateral
4. A aura é acompanhada, ou seguida em 60 minutos, por cefaleia
D. Não melhor explicada por outro diagnóstico do ICHD-3 beta e foi excluído um
AIT
Enxaqueca
 Em crianças, as crises podem durar de 2 a 72h
 É geralmente bilateral
 Enxaqueca sem aura é o subtipo mais comum
 Tem uma frequência de ataques maior e normalmente é mais incapacitante
que enxaqueca com aura
 Migrânea crônica- está presente em mais de 15 dias por mês, durante
mais de 3 meses, e em pelo menos 8 dias por mês a dor adquire
aspectos migranosos
Tratamento
 Crise aguda
 Medidas gerais
 Evitar fatores desencadeantes
 Tratar doenças concomitantes
 Atividade física regular
 Padrão regular de sono
 Incentivar o preenchimento do diário de cefaleia
 Evitar uso excessivo de analgésicos
 Farmacológico
 Profilático
Tratamento farmacológico
 Analgésicos e AINES
 Paracetamol, dipirona, AAS, diclofenaco, naproxeno, ibuprofeno
 Derivados da ergotamina
 Cefalium, cefaliv
 Triptanas
 Naratriptana, rizatriptana, sumatriptana, zolmitriptana
Tratamento profilático
 Frequência das crises
 Grau de incapacidade
 Falência da medicação abortiva
 Subtipos especiais de migrânea (basilar, hemiplégica)
 Ineficácia da profilaxia não farmacológica
Tratamento profilático
 Episódico
 Subagudo
 Crônico

 Betabloqueadores
 Propranolol, atenolol
 Antidepressivos
 Amitriptilina, nortriptilina
 Bloqueadores dos canais de cálcio
 Flunarizina, cinarizina
Cefaleia tipo tensional
 É considerada o tipo mais comum de cefaleia primária
 Prevalência de 14 a 78% na população geral
 Subdivida em:
1. Cefaleia tipo tensão episódica pouco frequente
2. Cefaleia tipo tensão episódica frequente
3. Cefaleia tipo tensão crônica
4. Cefaleia tipo tensão provável
Critérios diagnósticos
Critérios diagnósticos
Dor miofascial
 Disfunção dolorosa muscular difusa dentro das estruturas miofasciais,
envolvendo dor referida dos pontos gatilho ou trigger points (TP)
 Pontos gatilho- área hipersensível localizada em uma banda tensa de
um músculo, tendão ou ligamento
Movimentos
repetitivos

Traumas
Dor Postura
inadequada
miofascial

Estresse
Tratamento
 Abordagem multidisciplinar
 Avaliação odontológica, fisioterápica, psicológica
 Medidas gerais
 Hábitos saudáveis de vida, prática de exercício físico aeróbico, regularidade
do sono
 Analgesia
 Analgésicos simples ou combinados
 AINES (naproxeno, ibuprofeno)
 Profilaxia
 Antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina)
Cefaleias trigeminoautonômicas
 Cefaleia em salvas
 Hemicrania paroxística
 Cefaleia de curta duração, unilateral, neuralgiforme, com hiperemia
lacrimal e lacrimejo (SUNCT)
 Cefaleia de curta duração, unilateral, neuralgiforme, com sintomas
autonômicos cranianos (SUNA)
 Hemicrania contínua
Cefaleia em salvas
Cefaleia histamínica
Nevralgia ciliar
Eritromelalgia da cabeça
Epidemiologia
 Rara
 Prevalência 0,09 a 0,4%
 6% dos casos de cefaleia
 Mais comum em homens (2,5:1)
Quadro clínico

 Crises de dor forte, estritamente unilateral, orbitária, supraorbitária,


temporal ou qualquer combinação destes locais, durando de 15 a 180
minutos, ocorrendo desde uma vez em cada 2 dias até 8 vezes por dia
 As crises ocorrem em séries, durando semanas ou meses (períodos de
salva) separados por períodos de remissão que duram meses ou anos
 A dor está associada a hiperemia conjuntival ipsilateral, lacrimejo,
congestão nasal, rinorreia, sudorese da região frontal e face, miose,
ptose e/ou edema de pálpebra e/ou inquietação ou agitação
Critérios diagnósticos
Fisiopatologia
 Disfunção hipotalâmica resultando em alterações do sistema nervoso
autônomo
 Hipofunção simpática- miose e ptose
 Hiperatividade parassimpática-hiperemia conjuntival e obstrução nasal
 Liberação de neuropeptídios-vasodilatação e caráter pulsátil da dor
Tratamento
 Abortamento da crise
 Oxigênio úmido a 100% sob máscara a 7-8 L/min por 20 minutos
 Sumatriptana
 Prevenção das crises
 Verapamil
 Lítio
 Divalproato de sódio
 Topiramato
 Gabapentina
Hemicrania paroxística
 Intensa dor de severidade excruciante
 Pulsátil, em pontadas ou em queimação
 Durando de 2 a 30 minutos
 Ocorrendo de 1 a 40 vezes ao dia
 Ocorrem sinais autonômicos
Critérios diagnóstico
Tratamento
 Indometacina 150 a 225 mg/dia
SUNCT
 Cefaleia de curta duração, unilateral, neuralgiforme com hiperemia
conjuntival e lacrimejo
 Crises de cefaleia moderada a grave, estritamente unilateral, que dura
segundos a minutos, ocorrendo pelo menos uma vez ao dia
 Associada a lacrimejo proeminente e hiperemia do olho ipsilateral
SUNCT
SUNA
 Cefaleia de curta duração, unilateral, neuralgiforme, com sintomas
autonômicos cranianos
Hemicrania contínua
 Cefaleia persistente, estritamente unilateral, associada a hiperemia
conjuntival ipsilateral, lacrimejo, congestão nasal, rinorreia, sudorese
facial e da região frontal, miose, ptose, e/ou edema de pálpebra e/ou
inquietação ou agitação
 Presente por > 3 meses
 Sensível a indometacina
Outras cefaleias primárias
 Cefaleia primária da tosse
 Cefaleia primária do exercício
 Cefaleia primária associada à atividade sexual
 Cefaleia explosiva primária
 Cefaleia por estímulos frios
 Cefaleia por compressão externa
 Cefaleia primária em guinada
 Cefaleia numular
 Cefaleia hípnica
 Cefaleia diária persistente desde o início
Cefaleia secundária

Sinais de alarme das cefaleias secundárias

Cefaleia de instalação súbita

Cefaleia de caráter progressivo

Cefaleia que inicia após os 40 anos

Cefaleia de instalação recente em pacientes portadores de neoplasias e/ou HIV +

Cefaleia associada a sinal neurológico ou doença sistêmica

Cefaleia que apresente mudança de padrão


Cefaleias secundárias
 Cefaleia atribuída a lesão ou TCE e/ou cervical
 Cefaleia atribuída a perturbação vascular craniana ou cervical
 Cefaleia atribuída a perturbação intracraniana não vascular
 Cefaleia atribuída a uma substância ou sua privação
 Cefaleia atribuída a infecção
 Cefaleia atribuída a uma perturbação da homeostasia
 Cefaleia ou dor facial atribuída a uma perturbação do crânio, pescoço,
olhos, ouvidos, nariz, seios perinasais, dentes, boca ou outra estrutura do
crânio ou da face
 Cefaleia atribuída a uma perturbação psiquiátrica
Casos clínicos
1. LAO, 30 anos, feminino, procurou atendimento emergencial com
quadro de cefaleia de forte intensidade (9), pulsátil, em região
frontotemporal direita, iniciada há cerca de 6 horas. Relata ainda
náuseas, fotofobia e fonofobia associados. Refere melhora parcial
com uso de analgésicos comuns (paracetamol) e piora com
atividade física. Já apresentou quadros semelhantes, com início na
adolescência. Atualmente, apresenta cerca de 5 crises ao mês, com
duração média de 3 dias apesar do tratamento com sintomáticos e
prejuízo importante da qualidade de vida. Refere que está passando
por problemas familiares, referindo humor depressivo e insônia.
Caso clínico 01
 Qual o diagnóstico?
 Qual o tratamento a ser instituído a nível emergencial?
 Existe a necessidade de iniciar profilaxia?
 Se sim, qual a opção terapêutica?
Casos clínicos
2. RSC, 32 anos, masculino, atendido na UPA às 03:00h, com quadro
de cefaleia de forte intensidade (10), unilateral, em região orbitária, em
pontada, com duração de 30 minutos até o momento do atendimento,
que o acordou na madrugada. Associado ao quadro apresenta
hiperemia conjuntival, lacrimejo, ptose, miose ipsilateral e agitação
psicomotora. Relata que este é o terceiro episódio que ocorre no dia.
Refere quadro semelhante há cerca de 1 ano, com 5 crises na mesma
semana e com remissão sem tratamento instituído.
Caso clínico 02
 Qual o diagnóstico?
 Qual o tratamento a ser instituído a nível emergencial?
Casos clínicos
3. JM, 18 anos, feminino, atendida no ambulatório do HGG com
queixa de cefaleia de moderada intensidade, em aperto, em região
frontal, bilateral. Refere que a cefaleia ocorre no final do dia e não está
associada a foto ou fonofobia. Refere melhora com uso de analgésicos
simples. Nega fatores de piora. Nega sintomas que precedem o quadro
álgico. Relata uma frequência de 5 crises por semana, com duração de
1 a 2 horas.
Caso clínico 03
 Qual o diagnóstico?
 Qual o tratamento na fase aguda?
 Existe indicação de profilaxia?
 Se sim, qual seria uma opção terapêutica?
Casos clínicos
4. AOM, 70 anos, feminino, atendida no HUGO com quadro de
cefaleia de forte intensidade, excruciante, em região temporal
esquerda, atingindo intensidade máxima em cerca 5 minutos. Refere
parestesia em membros superior e inferior direito associado ao quadro.
Nega fatores de melhora ou piora. Relata que há 1 ano vem
apresentando cefaleia, de moderada intensidade, em mesma
topografia, mas que houve mudança na intensidade da dor.
Caso clínico 04
 Qual o diagnóstico?
 Existe necessidade de realização de exame complementar?
 Quais os sinais de alerta?
 Qual um possível diagnóstico diferencial?
Casos clínicos
5. OBL, 55 anos, feminino, com queixa de dor súbita, de forte
intensidade, em “choque”, na região maxilar direita, com duração de
segundos, com recorrência em minutos e aumento da intensidade da
dor ao longo do tempo. Refere que a dor era desencadeada pela
mastigação e que por esse motivo, se alimentava pouco por medo de
desencadear a dor. Relata que o quadro teve início há 6 meses. Nega
fatores de melhora ou piora durante a crise.
Caso clínico 05
 Qual o diagnóstico?
 Qual o tratamento?
 Qual a principal causa?
Critérios diagnósticos
A. Pelo menos 3 episódios de dor facial unilateral preenchendo os critérios
de B a D
B. Ocorrendo em uma ou mais divisões do nervo trigêmeo e sem irradiação
para além da distribuição do trigêmeo
C. A dor tem, pelo menos, três das seguintes características:
1. Recorrente em acessos paroxísticos, durante de uma fração de segundos a 2
minutos
2. Intensidade grave
3. Tipo choque elétrico, fisgada, facada ou guinada
4. Desencadeada por estímulos inócuos no lado afetado da face
D. Não há déficit neurológico clinicamente evidente
E. Não melhor explicada por outro diagnóstico ICHD-3
Neuralgia do trigêmeo

Aneurismas

Esclerose Compressão Infecções


múltipla
vascular

Lesões
tumorais
FIM!