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Primeiros socorros

Aula IV
O que é RCP?

Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP), consiste na combinação


de respiração boca a boca com compressões externas sobre o
peito.
Técnicas e Procedimentos
(RCP em adultos)
Verifique se está consciente.
Chame o Pronto Socorro Imediatamente.
Deite a pessoa.
Abra as vias aéreas.
Verifique se há respiração ( espere 3-5 segundos)
Dê 2 sopros moderados.
Verifique o pulso.
Choque
• Def.: Situação de falência do sistema
cardiocirculatório em manter suficiente sangue
circulando para todos os órgãos do corpo.
• Condição de extrema gravidade

• Uma vez que o estado de choque atinja certo nível de


severidade, o paciente não será salvo
Choques
Muitos ferimentos envolvem algum grau de choque.
O choque ocorre quando o sistema circulatório falha
em mandar sangue para as diversas partes do corpo.

Tipos de Choques:
Hipovolêmico, cardiogênico, neurogênico,
anafilático e séptico.
Hipovolêmico

O choque hipovolêmico resulta da perda de líquidos e


fluídos corporais, quando relacionado com perda de
sangue, é conhecido como Choque Hemorrágico.
Sinais e Sintomas
Respiração e pulso rápido;
Palidez;
Pele fria;
Transpiração forte;
Pupilas dilatadas;
Ânsia, vômito e náusea;
Perda da consciência em choque profundo.
Primeiros Socorros
Mesmo que os sinais do estado de choque ainda não
tenham aparecido numa vítima, trate-a apropriadamente.

Socorristas podem prevenir o estado de choque , mas não


podem revertê-lo.
Choque anafilático
Este processo ocorre em questão de minutos ou em segundos,
causando inclusive a morte de vítima, caso ela não seja assistida
imediatamente.
Uma das causas mais comuns de morte por choque anafilático,
e que representa 24% do total, é a insuficiência de circulação de
sangue no corpo devido a obstrução dos vasos sanguíneos.
Sinais e Sintomas
Tosse e espirros;
Dificuldade para respirar;
Aperto e inchaço na garganta;
Aperto no peito;
Coceira, queimação, empolação, erupção severa ou vermelhidão;
Face,pálpebras, língua e boca inchadas;
Hemorragias e Ferimentos

A maioria das hemorragias envolvem mais do que um


tipo de vaso sanguíneo.
Cada tipo de vaso sanguíneo contém sangue com
diferentes tonalidades de vermelho.
As hemorragias estão basicamente divididas em
internas e externas.
Quanto ao tipo de vaso envolvido

Hemorragia arterial

• O sangue que sai das artérias é vermelho vivo


• Esguicha em jatos conforme o batimento cardíaco
• São hemorragias arteriais são as mais perigosas e
difíceis de controlar
Quanto ao tipo de vaso envolvido

Hemorragia venosa

• O sangue que sai das veias flui uniformemente (fluxo


contínuo)
• Possui coloração escura
• Quando sai dos capilares o sangue flui bem devagar
Hemorragias Externas
Nesse tipo de hemorragia o sangue que sai dos vasos
pode ser visto.
Na maioria dos casos as hemorragias podem ser
interrompidas em 5-10 minutos com aplicação dos
procedimentos corretos de primeiros socorros.
Hemorragias Internas

Ocorre sem que a pele seja rompida e portanto


o sangue que sai não pode ser visto
extravasando para o interior do próprio corpo,
dentro dos tecidos e cavidades naturais.
Sinais e Sintomas
Sangue pela boca (junto com o vômito ou saliva), nas fezes
e na urina;
Pulso rápido;
Frio e pele úmida;
Pupilas dilatadas;
Vômito e náuseas;
Infecções transmitidas pelo sangue
As doenças transmissíveis pelo sangue são
caracterizadas pela presença de microorganismos que podem
estar presentes em seres humanos. Dessas doenças, duas são
significativamente preocupantes: Hepatite B (HBV) e a AIDS
(HIV).
Como proceder
1) Mantenha os cortes abertos cobertos com bandagem, tecidos ou
plásticos evitando contato com o sangue da vítima;

2) Use luvas de látex para evitar contato direto com o sangue ou fluídos
corporais da vítima;

3) Se não houver disponibilidade de conseguir luvas de látex, pode-se


utilizar sacos plásticos;
Em contato com o sangue:
Caso o socorrista tenha sido exposto ao sangue e
fluídos deve:
1) Lavar imediatamente o local com água corrente e
sabão, enxaguando vigorosamente a região;
2) Comunicar o incidente imediatamente à
autoridade sanitária de sua região;
3) Procurar atendimento médico especializado.
Fatores que determinam a gravidade
da hemorragia

Volume perdido:

• Considerado graves perdas acima de 1,5L em adultos


e 200ml em crianças
Calibre do vaso rompido

• Vasos no pescoço, tórax, abdômen e coxa provocam


hemorragias severas – morte entre 1 a 3 min.
Tipo do vaso lesado:

• Sangramentos arteriais são considerados de maior gravidade

• Veias estão mais próximas da superfície sendo de mais fácil


acesso

• Sangramentos de capilares coagulam espontaneamente em 6


a 8min.
Velocidade da perda de sangue:

• Quando a perda de sangue é lenta, o organismo


desenvolve mecanismos de compensação,
suportando melhor a situação
Sinais e sintomas de hemorragias
• A hemorragia externa, por ser visualizada, é
facilmente reconhecida.

• As evidências mais comuns de sangramento interno


são áreas extensas de contusão na superfície
corpórea.
Outros sinais que sugerem hemorragia
severa
• Pulso fraco e rápido;
• Pele fria e úmida (pegajosa);
• Queda da pressão arterial;
• Paciente ansioso, inquieto e com sede;
• Perda de consciência e parada respiratória
• Choque
Métodos de controle de hemorragia externa

• Pressão direta

• Quase todas hemorragias externas são controladas


por pressão direta na ferida (interrompe o fluxo
sanguíneo e formação de coágulo)
• Pressionar por 10 a 30min.
Elevação de extremidade traumatizada

• Quando uma extremidade é elevada, de forma que a


• área lesionada fique acima do nível do coração, a
• gravidade ajuda a diminuir o fluxo de sangue
Pressão digital:

• É a pressão aplicada com os dedos sobre os pontos


de pulso de uma artéria contra uma superfície óssea.
Aplicação de gelo:

• O uso de compressas de gelo diminui o sangramento


• interno ou mesmo interrompe sangramento venosos e
capilares

• Nas contusões, a aplicação de gelo previne a


• equimose (mancha arroxeada)
Torniquetes

• Deve ser considerado como o último recurso


• O torniquete só será utilizado se todos os outros
métodos falharem
• Deve ser considerado nos casos de amputação de
extremidades ou com sangramento severo.
• Colocado em torno de uma extremidade até que o
fluxo sanguíneo pare por completo
Métodos de controle da hemorragia interna
• Os traumas contusos são as principais causas de
hemorragias internas (acidentes de trânsito, quedas,
chutes e explosões).
Reações alérgicas
• As reações alérgicas são situações de
hipersensibilidade mediadas pelo sistema
imunológico
• São classificadas como reações do tipo antígeno-
anticorpo podendo acometer vários órgãos.
• Estas reações podem ter efeito imediato ou tardio
moderado ou severo podendo mesmo ser letal.
Etiologia

• Estima-se que 10 a 15% da população é portadora de


algum tipo de alergia.
CLASSIFICAÇÃO DAS REAÇÕES ALÉRGICAS

• No consultório dentário as mais frequentemente


apresentadas são situações simples tipo urticária e
situações mais complexas tipo choque anafilático
• Estão relacionadas com anestésicos locais – lidocaína
• Analgésicos, antiinflamatório e antimicrobianos –
derivados da penicilina, dipirona...
INTENSIDADE DAS REAÇÔES

• PODEM SER LOCALIZADAS OU GENERALIZADAS


• LOCALIZADAS:

• Apresentam manifestações cutâneas


• Sinais como eritema, urticária, prurido
• GENERALIZADAS:

• Além do quadro cutâneo podem apresentar


• Broncoespasmo
• Edema de laringe
• Hipotensão arterial
• Colapso vasomotor
• Pode levar a morte do paciente necessitando de diagnostico e intervenção rápida
• As reações anafiláticas são as mais comuns de
ocorrerem no consultório odontológico
• O grau de gravidade estará na dependência da
rapidez de aparecimento dos sintomas
TRATAMENTOS

• O tratamento deve ser iniciado de imediato


interrompendo os cuidados dentários e removendo
todos materiais da boca
• Colocar o paciente em posição supina
• Pernas ligeiramente levantadas – facilitar a circulação
sanguínea para o cérebro
• Administrar oxigênio e avaliar sinais vitais até a
chegada do socorro
REAÇÕES A ANESTÉSICOS LOCAIS

• Reações alérgicas com anestésicos locais são


raras e menor que 1%
• No entanto, quando ocorrem, podem progredir
rapidamente.
• Esta resposta indesejada pode ser devido a
vários fatores. Tais como: concentração sérica
excessiva, injeção em vaso sanguíneo, rápida
absorção sistêmica.
TRATAMENTO
• O tratamento deverá começar pela cessação imediata
do tratamento dentário
• Monitoramento dos sinais vitais
• Colocação do paciente em uma posição confortável
• Se no monitoramento dos sinais vitais foi registrado uma
queda de pressão arterial ou frequência cardíaca então
este deve ser colocado numa posição supina com as
pernas ligeiramente elevadas.
• Em situações de maior gravidade

• Deve ser pedida assistência médica imediata.


• Proteger os membros e a cabeça do paciente
• Desapertar todas as roupas
• Casos de convulsões

• Todas as medidas anteriores


• Atenção a permeabilidade das vias aéreas
• Administrar anticonvulsivantes – 5mg de midazolam
por via intramuscular
• Fornecer ao paciente informações quanto a
substância e a dose que desencadeou a reação
• Histórico dos sintomas
• Outras substâncias com possibilidade de
interação reação
• Risco de ocorrência de outros episódios
• Orientá-lo a uma avaliação com médico
especialista
HIPOGLICEMIA
• Diminuição da glicose sanguínea, atingindo
valores iguais ou inferiores a 40miligramas por
decilitro
EM JEJUM 70 – 99mg/dL

APÓS REFEIÇÕES 70 – 140mg/dL


Fatores promotores

• Aumento da utilização metabólica da glicose


• Casos como jejum
• Atividade física
• Stress causado pelo tratamento dentário
• Doses excessivas de insulina e hipoglicemiantes
orais
Para avaliação

• Realizar teste de glicemia capilar através de


glicosímetro
• Através de uma ponta chamada lanceta
obtemos uma gota de sangue
• Coloca-se a gota sobre uma tira reagente que
será inserida e avaliada pelo glicosímetro
Conduta

• Níveis de glicose inferiores ao normal


• Administração de substâncias açucaradas de
absorção rápida
Lembrando riscos

• Episódio de início rápido e,em situações


agudas, pode colocar em risco a vida do
paciente, uma vez que o suprimento de energia
ao cérebro está comprometido
Distúrbios respiratórios
• O inconveniente potencial para distúrbios
respiratórios deve ser sempre considerado na
prática dentária
Asma
• Doença inflamatória crônica das vias aéreas
inferiores
• Caracterizada pela obstrução brônquica
generalizada
• Pode ser revertida espontaneamente ou por
tratamento farmacológico
Distinção entre asma alérgica e não alérgica
• Asma alérgica – característica de histórico
familiar da doença
• Asma não alérgica – reativa a diferentes
estímulos (exercícios físicos, inalação de ar
quente, emoções, exposição a fumo, stress,
refluxo
• Todos pacientes asmáticos têm o risco de
exacerbação da doença
sintomas

• Tosse, sibilância, constrição torácica, diminuição


do fluxo respiratório (podendo variar de um
quadro leve a um quadro moderado a grave que
pode colocar em risco a vida do paciente)
• Preocupante os sintomas de evolução rápida
causas

• Desencadeável por exercícios, fármacos e


stress gerando uma obstrução brônquica
intensa
• Fármacos mais associados – AINES e AAS
Momentos mais críticos para ocorrência de uma
crise asmática:

• Injeção de anestésico local


• Procedimentos que causam stress como
cirurgias e endodontias
Sintomas secundários associados

• Frequência cardíaca superior a 120bpm


• Frequência respiratória superior a 30
movimentos/min
• Incapacidade de falar
• Sudorese
• Cianose
conduta

• Suspender imediatamente o tratamento dentário


• Remover todo material dentário da boca
• Colocar o paciente numa posição confortável
sentado
• Tentar acalmá-lo
• Realizar abertura de vias aéreas
• Pedir ao paciente que inale medicação
(salbutamol)
• Administrar oxigênio mantendo monitoramento e
avaliação do paciente
• Caso sintoma não regrida administrar adrenalina
(0,01mg/kg de peso – via subcutânea) e notificar
o suporte avançado de vida
• A melhor forma de lidar com a asma é preveni-la
• Identificar e remover todas possíveis causas
desencadeadoras
• Solicitar que o paciente traga seu
broncodilatador
Hiperventilação
• Situação bastante comum no consultório
odontológico
• Caracterizada pelo aumento da quantidade de
oxigênio inspirado por minuto, excedendo a
quantidade necessária para o metabolismo
celular normal
• Resulta também na maior eliminação de CO²
em relação aos níveis ideais.
• Resultado – vasoconstricção celular e alcalose
respiratória.
Causas

• Distúrbios respiratórios, psiquiátrico, fisiológicos,


ansiedade/stress
Sintomas

• Gera uma sensação de sufoco


• Dispneia
• Aumento da frequência respiratória (25 a 30
ciclos/min.
• Sensação de anestesia, tremores, extremidades
frias
• Tonturas
• Vertigens
• Perda de consciência
• Perturbações visuais
• Dores de cabeça
• Dor abdominal,
Classificação

• Aguda – associada a ataques de pânico –


relacionada a fatores orgânicos e asma

• Crônica – associada a outras patologias e


apresenta episódios periódicos
Conduta

• Suspender o tratamento dentário


• Remover todos materiais odontológicos da boca
• Promover controle de ansiedade do paciente
• Coloca-lo numa posição mais vertical e
saudável
• Pedir ao paciente que respire dentro de um saco
de papel para reestabelecer os níveis de CO²
Em caso de perca de consciência
• Manter a permeabilidade das vias aéreas
• Colocar o paciente em posição supina até
recuperação.
• NÃO ADMINISTRAR OXIGÊNIO
• Se necessário prescrever ansiolítico antes da
consulta – diazepam
Afogamento
• É de um tipo de trauma que ocorre com a
aspiração de liquido não corporal, causado por
submersão ou imersão.
• Aspirar refere-se a entrada de líquido nas vias
aéreas (traqueia, ou pulmões)
Epidemiologia

• No mundo: 500 mil mortes anualmente


• Homens 5 vezes mais frequente que mulheres
• Primeira causa de morte nos homens de 5 a 14
anos
Locais de afogamento

• Rios
• Lagoas
• Banheiras
• Mar
Causas

• 36,2% ligadas ao álcool


• 18,1% crises convulsivas
• Traumas, doenças cardiopulmonares...

• O uso do álcool é considerado o fator mais
importante na causa
• de afogamento.
• A falta de conhecimento dos métodos seguros
para ajudar pessoas que precisam de socorro
na água
Como reconhecer

• Angustia

• Perda de suas energias

• Braços estendidos lateralmente
• Em submersão a criança resiste de 10 a 20 seg.
• Adulto até 1min.
As causas de óbito estão ligadas a:

• Hidrocussão – diferença de 5° entre temperatura da


agua e o corpo – morte súbita

• A síndrome de imersão (Hidrocussão) é uma


síncope desencadeada pela exposição súbita à
água com uma temperatura 5°C abaixo da
temperatura corporal, provocada por uma arritmia
• Morte por hipotermia – queda da temperatura
corporal a menos q 35,5°

• Morte por inundação pulmonar
Classificação dos afogamentos
Grau I

• Vítimas aspira quantidade mínima de água


• Geralmente encontram-se lúcidas
• Apresentam-se com frio, FR e FC aumentadas
pelo esforço e pelo estresse do afogamento
Tratamento:

• Repouso e aquecimento
Grau II

• Vítima aspira uma pequena quantidade de água,


• suficiente para alterar a troca de O2 -CO2 pulmonar
• Apresentam-se lúcidas, agitadas ou desorientadas
• Na ausculta pulmonar, apresentam estertores de leve a
• moderada intensidade em alguns campos do pulmão;
• Necessitam de atendimento de Suporte
Avançado de Vida,
• oxigenoterapia, prevenção de hipotermia e
apoio psicológico.
Grau III

• Vítimas que aspiram quantidade importante de água


• Sinais de insuficiência respiratória (cianose em
mucosas e extremidades, secreção nasal e oral em
forma de espuma)
• Taquicardia
• Despertar através de fortes estímulos
• Tratamento: mascara de oxigênio a 15L/min
Grau IV

• Vítima em coma
• Taquicardia e hipotensão menor que 90mmHg

Grau V

• Parada respiratória, mas com pulso arterial presente


• Pode ser reanimado através de ventilação artificial
• Grau VI

• Parada cardiorespiratória

• Iniciar RPC – manter protocolo ABC


Suporte básico de vida

• Checar responsividade do paciente


• Checar respiração e pulso
• Abrir Vias Aéreas e ofertar Oxigênio
suplementar
• Realizar ventilação de resgate por pressão positiva
(AMBÚ), se a vítima estiver inconsciente;

• Compressões abdominais e manobra de Heimlich


são desnecessárias, pois podem causar
regurgitação e aspiração, e estão associadas a
lesões fatais (fazer essas manobras APENAS se
houver OVACE).
• Se a vítima estiver consciente posicione-a
lateralmente e aplique o tratamento apropriado
para o grau de afogamento
Condutas indispensáveis

• Remover a vítima da água o mais rapidamente


possível
• Não tentar resgates aquáticos se não for
treinado e estiver em boas condições físicas;
• A prevenção permanece sendo a mais poderosa
intervenção terapêutica e pode evitar quase
85% dos casos de afogamento
• Colocação do paciente em posição lateral de
segurança

• Em casos de inconsciência onde ocorre o


relaxamento da musculatura da base da língua
e a obstrução das vias aéreas superiores
• As vantagens desta posição é não necessitar
hiperestender o pescoço e redução da
incidência de aspiração de vomito