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Síntese

Unidade 2

Poesia dos
heterónimos e
Bernardo Soares
Síntese - Unidade 2
Poesia dos heterónimos e Bernardo Soares

Alberto Caeiro Ricardo Reis Álvaro de Campos


O poeta bucólico O poeta clássico O poeta da modernidade
Síntese - Unidade 2
Poesia dos heterónimos e Bernardo Soares

Alberto Caeiro
O poeta bucólico
• Concebido como camponês praticamente desprovido
de educação literária.

• Recusa a abstração e a especulação metafísica, porque


vive no seio da Natureza e capta a realidade pelos
sentidos.

• Descobre constantemente novidade nas coisas


observadas, atribuindo-lhes um sentido denotativo e
concreto.
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Poesia dos heterónimos e Bernardo Soares

Alberto Caeiro
O poeta bucólico
• O primado das sensações: as sensações são para
Caeiro a única forma de alcançar o conhecimento, pois
ver além do visível é não ver, é especular.

• O panteísmo sensual: o panteísmo fá-lo ver Deus em


todas as coisas; o próprio Universo é Deus.

• O conhecimento e todas as faculdades decorrem das


sensações, daí que afirme “ver é conhecer”.
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Poesia dos heterónimos e Bernardo Soares

Alberto Caeiro Linguagem, estilo e estrutura


O poeta bucólico

• Revela uma certa infantilidade e simplicidade,


privilegiando a coordenação, expressões familiares,
comparações “comezinhas”.

• Quanto à forma, apresenta variedade estrófica e


métrica.
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Ricardo Reis
O poeta clássico

• Adota o epicurismo e o estoicismo como filosofias de


vida.

• Acredita no Destino como força superior aos próprios


deuses, ao qual também ele se submete.
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Ricardo Reis
O poeta clássico
• A consciência da brevidade da vida fá-lo seguir
Epicuro na busca da ataraxia, procurando, no presente,
a felicidade relativa.

• A encenação da mortalidade resulta do medo e da


certeza da inexorabilidade do tempo.

• A sua conceção classicista fá-lo privilegiar temas do


lirismo clássico, como o carpe diem, a aurea
mediocritas, o fatum.
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Ricardo Reis Linguagem, estilo e estrutura


O poeta clássico

• Aproxima-se de Caeiro no paganismo, mas escreve


odes à maneira de Horácio.

• Tem um discurso intelectualizado, um vocabulário


culto, erudito e arcaico, e usa uma sintaxe alatinada.

• Recorre à gradação, à metáfora, à anáfora, à


apóstrofe…
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Álvaro de Campos
O poeta
da modernidade

• Canta entusiasticamente a civilização industrial, numa


euforia que leva o sensacionismo ao paroxismo.
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Poesia dos heterónimos e Bernardo Soares

Álvaro de Campos
O poeta
da modernidade • Num discurso esfuziante reflete-se o arrebatamento
do canto, no qual se encontra o imaginário épico, dado
que a exaltação do Moderno constitui matéria épica.

• A adoção do futurismo não o inibiu de aceitar o


passado e o futuro, fazendo-os confluir no presente.

• A deceção com o mundo civilizado não se fez esperar


e, por isso, cai no abatimento.
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Poesia dos heterónimos e Bernardo Soares

Álvaro de Campos
O poeta
da modernidade

• Tendo plena consciência do tempo, sabe que não


poderá recuperar o passado, mas evoca-o e manifesta a
nostalgia da infância, irrecuperável, aproximando-se do
ortónimo.
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Álvaro de Campos Linguagem, estilo e estrutura


O poeta
da modernidade
• Expressa a vitalidade, o amor ao belo feroz, o êxtase
sensacionista.

• Os seus poemas apresentam grande variedade


estrófica, versos longos, desordenados.

• Recorre a onomatopeias, enumerações, interjeições,


apóstrofes, metáforas…
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Poesia dos heterónimos e Bernardo Soares

Bernardo
Soares • Escreve em prosa as reflexões mais íntimas do seu
criador no Livro do desassossego.

Mutilação de
Fernando Pessoa

Semi-heterónimo
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Poesia dos heterónimos e Bernardo Soares

Livro do desassossego
de Bernardo Soares

• Trata-se de um “não-livro” ou um “livro às avessas”,


que não tem uma ordem lógica, um princípio, meio e
fim.

• É uma espécie de diário, cheio de visões subjetivas do


quotidiano de um guarda-livros solitário, discreto, que
anda num vaivém constante entre o real e o sonho.

• Corresponde ao lado confessional e autobiográfico de


Pessoa.
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Poesia dos heterónimos e Bernardo Soares

Livro do desassossego
de Bernardo Soares

A deambulação
A perceção e
O imaginário e o sonho: o
O quotidiano transfiguração
urbano observador
poética do real
acidental

Significação
Referências
Motivo de metafórica,
paisagísticas Meditação de
devaneio, tal subjetiva, e
e humanas da caráter
como em correlação
cidade de existencial.
Cesário Verde. entre o real e o
Lisboa.
imaginário.
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Poesia dos heterónimos e Bernardo Soares

Livro do desassossego
de Bernardo Soares

Linguagem, estilo e estrutura

Discurso dominantemente
Caráter lírico-narrativo
reflexivo

Vocabulário simbólico-
Frases longas
conotativo

Espécie de prosa poética