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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS

ASPECTOS VULCANOLÓGICOS DOS TRAQUIDACITOS DA


REGIÃO DE PIRAJU ± OURINHOS (SP)

Ana Carolina Franciosi Luchetti

Orientador: Prof. Dr. Gergely Andres Julio Szabó


INTRODUÇÃO

Cretáceo Inferior: grande manifestação vulcânica de natureza básica, em


decorrência da quebra do continente de Gondwana ĺ Província
Magmática do Paraná.

90% - basaltos toleíticos

7% - composição intermediária (andesitos toleíticos e lati-andesitos)

3% - composição ácida (dacitos, riodacitos, quartzo latitos e riolitos)

A Província Magmática do Paraná corresponde à Formação Serra Geral


e se encontra na Bacia do Paraná.

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Estas rochas não são exclusivas da
Bacia do Paraná, ocorrendo
também no continente africano na
Bacia do Etendeka (Namíbia),
Formações Tafelberg e Awahab no
sul, e as Formações Khumib e
Skeleton Coast, no norte e, nas
bacias de Cuanza e Namibe, sul de
Angola, onde as exposições estão
melhor preservadas, devido ao
clima árido da região, (Marsh et al.,
2001; Nardy et al., 2008).

   
   
 

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Rochas vulcânicas ácidas da Formação Serra Geral:

Membro Palmas - levemente porfiríticas a afíricas, apresentando geralmente


fenocristais e microfenocristais de plagioclásio, pigeonita, ortopiroxênio e
titanomagnetita, ocorrendo por vezes obsidianas.

Membro Chapecó - porfiríticas, contendo macrofenocristais de plagioclásio


(dimensões de até 20 mm) que podem constituir até 30% do volume da rocha,
além de fenocristais e microfenocristais de plagioclásio, augita, pigeonita e
titanomagnetita.

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Na região de Piraju ± Ourinhos,
estas rochas são a única
ocorrência do vulcanismo ácido
no Estado de São Paulo,
formando uma faixa que se
estende por pouco mais de 60
km ao longo da calha do rio
Paranapanema.

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CORPOS EXTENSOS DE VULCÂNICAS ÁCIDAS:

FLUXOS DE LAVA DE GRANDE VOLUME

OU

IGNIMBRITOS REOMÓRFICOS

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LAVAS FÉLSICAS:
‡ alto conteúdo de sílica (SiO2) ĺ aumento da polimerização ĺ alta viscosidade;
‡ erupções costumam ser explosivas e associadas com a geração de tefra e
fluxos piroclásticos;
‡ Mas, às vezes, os gases dissolvidos no magma se esgotam, promovendo a
subida desse magma à superfície de modo menos violento, como lava dacítica a
riolítica ĺ domos ou ˜ lées

C lées de Mono Craters (esquerda) e Chao (direita). H  v l˜an es


 

Domo de Novarupta, Alaska. USGS


Entretanto, a existência de corpos vulcânicos ácidos extensos e de grande
volume (10 ± 100 km3), aparentemente consolidados a partir de lavas, tem
causado controvérsias se:

Ɣ Ignimbritos reomórficos (ou reoignimbritos) ĺ as altas temperaturas


provocam a remoção das feições texturais clásticas originais através de um
fluxo viscoso secundário (Schmincke & Swanson, 1967).

Ɣ Fluxos de lava ĺ a distribuição extensa pode ser atribuída à sua posição


original sobre um r tsp t continental, o qual pode promover uma alta taxa de
fusão da crosta, gerando líquidos superaquecidos e de baixa viscosidade, que
extravasam de maneira fluida, produzindo, assim, derrames volumosos de lava
riolítica (H e Page de Camp ± H  v l˜an es  ).
Melhores feições para distinguir tufos reomórficos de lavas félsicas extensas
(Henry & Wolff, 1992):

Å Depósitos basais (brechas)  


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Å Margens de fluxo
Å Resposta à topografia
Å Fonte @
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Características diagnósticas para fluxos de lava riolítica (Bonnichsen &
Kauffman, 1987):

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Graus (gade) de ignimbritos propostos por Walker (1983), segundo Branney &
Kokelaar (1992):

Intensamente soldados, Predominantemente Contém zonas Mostram pouca ou


mesmo suas partes soldados, com zonas soldadas e nenhuma soldagem
superiores, incluindo intensamente soldadas não soldadas
litofácies texturalmente e reomórficas
indistinguíveis de lavas

Grau moderado Baixo grau


Grau extremamente alto Alto grau
Estruturas como púmices e srads, quando não preservadas

Complicam/prejudicam a interpretação de ignimbritos de graus alto a


extremamente alto (lava-lie) e de lavas ácidas extensas
Rochas vulcânicas ácidas da Formação Serra Geral - controvérsias sobre o seu
modo de erupção e colocação:

Quartzo latitos das unidades do sul do Etendeka (correspondentes aos riolitos


do tipo Palmas) ĺ reoignimbritos, segundo Milner et al. (1992), baseado em
raras texturas piroclásticas preservadas em margens de fluxo (fiaés e
texturas eutaxíticas).

Porém, as inclusões de quartzito (> 50 cm de diâmetro), com margens em forma


cúspide, distribuídos aleatoriamente nos quartzo latitos seriam produzidos pelo
transporte em uma lava, e não em um fluxo piroclástico (Henry & Wolff, 1992) .
- Na Bacia do Paraná, devido ao clima, texturas piroclásticas estariam menos
preservadas, sendo exceção uma fina camada (50 cm) de material piroclástico no
extremo oeste, onde afloram rochas do tipo Palmas (Garland et al., 1995)

- Nenhuma estrutura de caldeira é observada na Formação Serra Geral

- Cratera de Messum, no sul do Etendeka ĺ seria um possível conduto com


caldeira, para as rochas vulcânicas ácidas B-Ti do tipo Palmas-Etendeka (Milner
& Ewart, 1989)
Seções colunares ideais, segundo Nardy et al. (2008)

Palmas Chapecó
Garland et al. (1995)

câmaras magmáticas rasas - modo explosivo


extrudidos rapidamente da crosta inferior por meio de
(reoignimbritos), ou modo efusivo (lavas de baixa
fissuras profundas - fluxos de lavas - estágio final do
viscosidade) - estágio de espessamento crustal, sob taxas
rifteamento continental
baixas de extensão.
Branney et al. (2008) - feições do
vulcanismo do tipo SR (Snake
River):
‡ associação bimodal de basaltos
com riolitos metaluminosos
‡ anidros
‡ elevado conteúdo de HFSE e
630m halógenos
‡ baixa viscosidade
‡ reomorfismo intenso
‡ fácies lava-lie
‡ altas temperaturas de erupção
‡ altas taxas de fluxo
‡ retenção de voláteis dissolvidos
Viscosidade de magmas ácidos

Propriedade mais importante que governa os processos magmáticos


(atividade vulcânica explosiva a efusiva)

Magmas dacíticos e riolíticos (McBirney e Murase, 1984; Stevenson et al., 1998):

- Conteúdos de água relativamente baixos

- Viscosidades pré-eruptivas de 108,5 a 1013 P

- Temperaturas entre 700 e 1000°C


Alguns fatores que podem contribuir para a diminuição/aumento da viscosidade
em magmas ácidos:

Água
- Mudanças de apenas 1% podem mudar a viscosidade calculada em uma
ordem de magnitude (Stevenson et al., 1998);

Halógenos (Dingwell et al., 1985; Dingwell & Hess, 1998; Barber & Whittington,
2007)
- F e Cl agem como agentes modificadores da rede ĺ depolimerização

Degaseificação (Cline & Bodnar, 1991; Kirstein et al., 2001)


- Profunda = alta salinidade ĺ diminuição da viscosidade
- Rasa = baixa salinidade ĺ aumento da viscosidade
Composição do líquido
- Magmas peralcalinos e peraluminosos = viscosidade baixa ĺ AlVI e o
excesso de álcalis agem como modificadores da rede (Dingwell, 1986)
- Alto conteúdo de Fe e baixo estado de oxidação = contribuem para baixar a
viscosidade (Mysen e Virgo, 1989)

Conteúdo de bolhas
- Presença de bolhas em riolitos aumenta a viscosidade efetiva (Jaupart,
1991; Stein & Spera, 1992)
- Presença de bolhas reduz a viscosidade efetiva (Bonnichsen & Kauffman,
1987; Bagdassarov & Dingwell, 1992)
CARACTERIZÇÃO LITOESTRUTURAL DAS ROCHAS
VULCÂNICAS ÁCIDAS
DA REGIÃO DE PIRAJU - OURINHOS
As rochas vulcânicas ácidas (círculos vermelhos) e básicas (círculos verdes) da
região de Piraju ± Ourinhos no diagrama TAS (LeBas et al., 1986), segundo
Freitas (2009)
Quatro variedades principais de traquidacitos (características texturais, como a
quantidade de material vítreo e de devitrificação):

Traquidacito µchocolate¶ - rocha porfirítica; matriz afanítica (> 60% vidro e/ou material

devitrificado); maciça, mas na


maioria dos casos apresenta grande
quantidade de vesículas (10 a 40%
em volume) = estrutura escoriácea.

Vesículas: tamanhos variados


(milimétricas a grandes cavidades);
formas arredondadas a estiradas,
devido ao movimento do fluxo, e à
expansão de vesículas maiores que
deformam vesículas menores em
volta; amígdalas = preenchidas por
zeólitas e minerais do grupo da sílica.
Traquidacito cinza vítreo - zonas inferior e superior, entre a borda µchocolate¶ e a zona
central tipo µsal e pimenta¶ dos corpos vulcânicos mais espessos; vesículas (máximo de
15% em volume), esparsas e em menor quantidade e, na maioria das vezes, esféricas;

pouco porfirítico a porfirítico; matriz pode variar de


totalmente vítrea a porções devitrificadas em meio ao
material vítreo.
Traquidacito µsal e pimenta¶ - zona central das unidades espessas, intermediário
a um traquidacito vítreo e o mais cristalino; matriz inequigranular fina a
porfirítica ± manchas pintalgadas, dando à rocha uma textura do tipo µsal e
pimenta¶; esferulitos e texturas micropoiquilíticas; vesículas esparsas, esféricas
e pouco abundantes (6 5% em volume).
Traquidacito bandado/laminado - apresenta bandas claras (maior concentração
de material cristalino/devitrificado) e bandas escuras (material vítreo)
interpretadas como bandamento ou laminação de fluxo; as bandas podem ser
grossas a bem finas (lâminas); parte basal dos corpos vulcânicos, logo acima
do traquidacito µchocolate¶ escoriáceo do topo do corpo inferior.
Traquidacito granular - descrito por Reis (2006), Janasi et al. (2007) e Freitas (2009), não
sendo observado neste trabalho; característico da porção mais central do depósito
vulcânico, textura porfirítica; matriz fanerítica fina, praticamente holocristalina e
granofírica (quartzo, plagioclásio, clinopiroxênio, feldspato alcalino, minerais opacos e
apatita); material de devitrificação representa menos de 30%; vesículas pequenas e
esféricas, ocorrendo em menor proporção.

Traquidacito granular do afloramento OU 09 (figura 1 de Janasi et al., 2007)


Ɣ Porfiríticos (5 a 15% de fenocristais)

Ɣ Plagioclásio (andesina ± An50-40 - Freitas,


2009) - macrofenocristais, que podem chegar a
um pouco mais de 5 mm; fenocristais, e
microfenocristais, com até 0,1 mm

(obj. 4x, Pol X, lado maior = 3,25 mm)


Ɣ subordinadamente clinopiroxênios (augita e
pigeonita), minerais opacos (titanomagnetita e
magnetita) e apatita

Ɣ glomerocristais

Ɣ texturas em peneira (sieve)

obj. 1,25x, Pol //, lado maior = 10,40 mm


Matriz: variação no grau de cristalinidade - texturas vítreas a holocristalinas
conforme a localização no perfil do corpo vulcânico e a espessura do mesmo.

Aumento da quantidade de material cristalino/devitrificado

(obj. 4x, Pol //, lado maior (obj. 4x, Pol X, lado maior = 3,25 mm)
= 3,25 mm)

Quanto mais espesso o corpo vulcânico, mais


intensa é a devitrificação = crescimento de
cristalitos muito finos de minerais do grupo da
sílica (cristobalita ou quartzo) e feldspato alcalino;
intercrescimento entre feldspato potássico e
quartzo (formas vermiculares, globulares,
dendríticas ou irregulares) - textura granofírica.

(obj. 4x, Pol X, lado maior = 3,25 mm)


Devitrificação de alta temperatura (Lofgren, 1971):

- Textura micropoiquilítica (cristais de quartzo


englobando pequenos cristais de feldspato)

- Esferulitos com fibras longas

Feições típicas de resfriamento rápido


(Èen˜ring): cristais de plagioclásio com
µcauda de andorinha¶ e ocos

(obj. 10x, Pol X, lado maior = 1,30 mm)

(obj. 10x, aumento inter. 2x, Pol X, lado (obj. 10x, Pol //, lado maior = 1,30 mm)
maior = 0,65 mm)
ESTRUTURAS

Arranjo de porções distintas de uma rocha (por exemplo, bandada ou maciça)


bem como suas feições macroscópicas (observadas em escala de amostra de
mão a escala de afloramento), sem levar em consideração a natureza dos seus
constituintes mineralógicos.

Rochas efusivas ĺ refletem as principais características da consolidação das


lavas, dadas pelo grau de resfriamento (compacta, perlítica, esferulítica, fratura
conchoidal, entre outras), variações locais nas condições de cristalização,
escape de gases (vesicular, amigdaloidal, escoriácea, pumícea) e movimentação
(cordada, fluidal, almofadada)
Juntas ± se formam durante e depois dos estágios finais do movimento do fluxo,
podendo ser de baixo ângulo e de alto ângulo.

Juntas de baixo ângulo:


‡ porções inferiores e superiores - pouco espaçadas, disposição cerrada (sreeting
j ints); rochas com aspecto placoso
‡ em direção ao centro do corpo vulcânico ± se tornam mais espaçadas, podendo até
desaparecer na porção central
‡ ocorrem paralelas às bandas
‡ apresentam variações de atitudes, formando ondulações, e também circundam
blocos mais maciços

Juntas de alto ângulo:


‡ mais características das zonas centrais, podendo também estar mais ou menos
espaçadas
‡ juntas de contração (srinage j ints)
Juntas do tipo µlápis¶ (pen˜il j ints) - porções intermediárias, entre as zonas
externas (inferior e superior) e central ĺ intersecção das juntas de baixo
ângulo e alto ângulo.
Escape de gases ĺ vesículas

ŹA quantidade varia de acordo com a localização no corpo vulcânico, proporcionando à


rocha estruturas desde escoriácea, vesiculada ou amigdaloidal e pouco vesiculada a
maciça;

ŹCostumam ser abundantes nas porções externas (base, topo e margens) e mais esparsas
no restante do corpo;

ŹTamanhos variados - menores que 1 mm até cavidades µgigantes¶, podendo chegar a mais
de 1 m;

ŹFormas: arredondadas, alongadas, com base plana e topos dômicos, forma de gota e
outras mais irregulares - deformadas, seja pelo movimento do fluxo ou pela expansão das
vesículas maiores;

ŹCoalescência de vesículas;

ŹPreenchimento por zeólitas, minerais do grupo da sílica e carbonatos ± amígdalas e


geodos.
Bandas de fluxo
Bandas claras = material cristalino/devitrificado
Bandas escuras = material vítreo

Várias hipóteses:

Ɣ Cisalhamento no magma ácido ĺ zonas de temperaturas diferenciadas e com isso diferentes taxas de
oxidação (Nelson, 1981);

Ɣ Cavidades de gás extremamente estiradas pelo cisalhamento do fluxo e preenchidas por cristais da
fase vapor após cessado o movimento (Hausback, 1987);

Ɣ Processos ocorridos no conduto, como o cisalhamento e as diferenças de viscosidade próximo às


paredes do conduto (Polacci et al., 2001, púmices brancas e cinzas produzidas pela erupção do vulcão
Pinatubo);

Ɣ ³Zonas de súbitas diferenças em concentrações de cristais´ formadas por achatamento (Smith, 2002);

Ɣ µCicatrização¶ do magma riolítico, devido ao fraturamento repetido (Tuffen et al., 2003, Gonnermann &
Manga, 2003 e Tuffen e Dingwell, 2005);

Ɣ Deformação do magma que continha zonas com diferentes concentrações de água (vesículas ou proto-
vesículas) - degaseificação e fragmentação do magma no conduto, ou essas zonas já existiam no magma
antes dele fluir no conduto, com a deformação e o cisalhamento das µproto-vesículas¶ (Seaman et al.,
2009).
(obj. 1,25x, pol //, lado maior = 10,40 mm)

(obj. 4x, pol. //, lado maior = 3,25 mm)


Estruturas de interação com sedimentos
Brechas de interação traquidacitos-arenitos
Brechas de interação traquidacitos-arenitos
Diques clásticos
de preenchimento? - preenchimento de fraturas pelos
sedimentos que estão migrando sobre o corpo
vulcânico:
contração devido ao resfriamento ± mm a cm
tectonismo extensional - > 1 m de larg. e vários m de
profundidade
Brecha traquidacítica

Brecha do tipo j stle - camadas de vitrófiros pretos do topo resfriado, que se fragmentam
em blocos, do tamanho de seixos, devido ao movimento da massa fluida abaixo e que ficam
envoltos por uma matriz de vitrófiro vermelho oxidado (Bonnichsen & Kauffman, 1987).
Perfis
ƒ Porção inferior do pacote vulcânico (primeiros materiais produzidos pelo evento eruptivo)
= predomínio de traquidacito µchocolate¶ vesiculado a escoriáceo alternado com o
traquidacito cinza vítreo em escala de poucos metros - preencheram os baixos topográficos
(vales interdunas), sendo mais difíceis de correlacionar;

ƒ Em direção ao topo do pacote ĺ corpos mais estruturados - bandamento e laminação de


fluxo na base, associados às juntas de baixo ângulo cerradas (sreeting j ints) - gradando
para o traquidacito cinza vítreo - intersecção das juntas de alto ângulo (srinage j ints)
com as de baixo ângulo = juntas do tipo lápis (pen˜il j ints);

ƒ Grau de cristalinidade aumenta em direção ao centro - traquidacitos tipo µsal e pimenta¶ e


granular - juntas de baixo e alto ângulo mais espaçadas conferindo uma estrutura em
blocos - estrutura maciça e textura predominantemente cristalina a holocristalina;

ƒ Topo - traquidacito cinza vítreo que grada para µchocolate¶ vesiculado a escoriáceo -
vitrófiros laminados, ocasionalmente com brechas do tipo j stle.
Viscosidade

Métodos de Shaw (1972) e Bottinga & Weill (1972) e Giordano et al. (2008).

Possíveis viscosidades dos traquidacitos, usando-se composições químicas de rocha total


(Freitas, 2009 e Piccirillo & Melfi, 1988), temperatura de erupção (média de 1000°C - Janasi et
al., 2007) e conteúdo de água (1, 2 e 3%).

Viscosidades médias:

5,79 .105 P 1% de H2O

1,19 .105 P 2% de H2O

3,67 .104 P 3% de H2O


Conclusões

1) Traquidacitos porfiríticos
-Fenocristais principalmente de plagioclásio (andesina), além de
clinopiroxênios (augita e pigeonita), minerais opacos (titanomagnetita, magnetita)
e apatita
- Matriz vítrea (holohialina) a hipocristalina
- Fenocristais intactos, formando muitas vezes glomerocristais

- Shards, fragmentos de púmices e líticos, fiaés e zonas soldadas não


foram observados
- Devitrificação bem desenvolvida: intercrescimento granofírico de quartzo e
feldspato, textura micropoiquilítica e esferulitos com fibras longas
- Feições típicas de resfriamento rápido (Èen˜ring): cristais de plagioclásio
com µcauda de andorinha¶, ocos, com inclusões vítreas
2) Estruturas
- Juntas de baixo ângulo (comuns em corpos ígneos tabulares ĺ contração
durante o resfriamento ou alívio de pressão) paralelas á laminação ou
bandamento de fluxo ĺ mecanismo de colocação de derrames (fluxo laminar da
lava)
- brechas formadas pela interação dos traquidacitos com os sedimentos e
rochas sedimentares ĺ dinâmicas de fluxos de lava quentes sobre sedimentos
inconsolidados a parcialmente consolidados (estruturas parecidas com
peperitos)
- volume de vesículas incomum para rochas desta composição ĺ corroboram
as estimativas de viscosidade (significativamente mais baixas que as registradas
para magmas dacíticos) ± apesar da sua influência sobre a viscosidade de
líquidos ácidos permanecer controversa
- Vitrófiros característicos de topo de derrame
3) Na região de Piraju - Ourinhos não há evidências estruturais nem
morfológicas da presença de uma eventual caldeira
- são observados diversos diques de composição básica com orientação NW-
SE, mesma disposição do pacote de traquidacitos paralelo à calha do rio
Paranapanema ĺ estilo efusivo de erupção através de fissuras na crosta,
relacionadas à quebra do continente de Gondwana.

4) O modo de colocação mais provável para os traquidacitos de Piraju ± Ourinhos


é na forma de lavas ácidas que, devido às suas baixas viscosidades e altas
temperaturas e taxas de efusão, foram capazes de fluir por longas distâncias
5) Espessamento da pilha vulcânica ĺ derrames mais estruturados:
- zona basal constituída de traquidacito bandado ou laminado com juntas de
baixo ângulo cerradas paralelas ao bandamento na parte inferior, gradando para
traquidacito cinza vítreo com juntas mais espaçadas
- A zona central formada por traquidacito µsal e pimenta¶ a granular com juntas
de baixo e alto ângulo espaçadas, formando blocos
- zona superior formada por traquidacito cinza vítreo com juntas de baixo
ângulo cerradas e traquidacito µchocolate¶ vesiculado a escoriáceo, com vitrófiro
na parte superior
- porção intermediária (entre a zona central e as zonas basal e superior)
caracterizada por traquidacito cinza vítreo, que apresenta um aumento do grau de
cristalinidade em direção à zona central e juntas do tipo lápis (pen˜il j ints)

Obs: derrames pouco espessos - este zoneamento não se desenvolve por


completo