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Escala de Risco Familiar como

instrumento de
Priorização das Visitas Domiciliares

MSc. Eline F. Mendonça


O QUE CONSIDERAMOS UMA QUAL É O CONCEITO DE
FAMÍLIA, QUANDO HÁ VÁRIAS PESSOAS FAMÍLIA ACEITO
QUE HABITAM O MESMO LAR OU ATUALMENTE?
COMPARTILHAM O MESMO TERRENO?

PESSOAS QUE HABITAM


O MESMO LAR CONSTITUEM
UMA FAMÍLIA, MESMO QUE
E PARA EFEITO DE NÃO SEJAM PARENTES
CADASTRO NA AB? CONSANGUÍNEOS?

PAIS SEPARADOS
QUANDO DUAS E SEUS FILHOS PODEM
PESSOAS SE UNEM, SER CONSIDERADOS UMA
PASSAM A CONSTITUIR FAMÍLIA?
UMA FAMÍLIA?
O Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatísticas (IBGE) define família como o
“conjunto de pessoas ligadas por laços de
parentesco, dependência doméstica ou
normas de convivência, residente na mesma
unidade domiciliar, ou pessoa que mora só
em uma unidade domiciliar”.
O conceito de
vulnerabilidade
é muitas vezes
Risco Vulnerabilidade
aplicado
erroneamente
no lugar de
Usado pelos epidemiologistas em risco refere-se aos indivíduos e às suas
suscetibilidades ou predisposições a
associação a grupos e populações
respostas ou consequências negativas

(Janczura, 2012)
Mutável através de
políticas públicas de
RISCO COLETIVO largo espectro

Mutável pelo
INDIVIDUAL empoderamento e
VULNERABILIDADE enfrentamento de
situações que cercam
CONTEXTUAL
casa/família/pessoa

(Yunes e Szymanski, 2001)


• Estratégia Saúde da Família como
tentativa de reorganizar a atenção básica
no país

• Visita Domiciliar como instrumento


diferencial da atuação da Equipe de família
(umas das bases do tripé de ferramentas:
visita domiciliar/acolhimento/ abordagem
familiar).
• Realidade: sobrecarregada por uma população de
cobertura que excede os parâmetros internacionais e
nacionais

• Segundo a PNAB (2012):


 O número de ACS deve ser suficiente para cobrir 100% da população cadastrada,
com um máximo de 750 pessoas por ACS
 Cada equipe de Saúde da Família deve ser responsável por, no máximo, 4.000
pessoas, sendo a média recomendada de 3.000, respeitando critérios de
equidade para essa definição”.
Seria possível privilegiar
famílias de maior risco Ao realizar cobertura de
sem perder a qualidade da todas ou a maioria das
atenção as famílias de famílias, estaríamos
menor risco? desprivilegiando a mais
necessitada?

Operacionalização da
Equidade
Quem visitar
primeiro?
Proposta de Sistematização de Critérios
Escala de avaliação de risco (vulnerabilidade) familiar –
Escala de Coelho e Savassi –

• Baseada na Ficha A do SIAB, que utiliza sentinelas de risco


avaliadas na primeira VD pelo ACS
• Instrumento simples, não necessitando a criação de uma
nova ficha ou escala burocrática
• Criada como uma tentativa de sistematização da VD na
APS/ESF
O que é a ECRCS?
• Instrumento que auxilia na avaliação da vulnerabilidade
(principalmente social) da família

• Instrumento de grande importância no planejamento da


equipe, e por isto mesmo, é dinâmico

• Um índice que auxilia a equipe no processo de


entendimento e identificação de elementos importantes
que cercam o contexto familiar
O produto: Visita Domiciliar
• Segundo Coelho (2002), ha duas formas de visita: A visita
domiciliar fim, com objetivos específicos de atuação, e a
visita domiciliar meio, na qual iremos realizar a busca
ativa, promoção e prevenção da saúde.

• Princípios importantes na VD meio


Em equipe/perspectiva multiprofissional
Agendar ou Não? Espontaneidade X Invasão de privacidade
A Ficha A do SIAB
• Preenchida na primeira VD do
ACS

• Reconhecer indicadores
demográficos, socioeconômicos
e nosológicos referidos nas
famílias da sua área de
abrangência

• Realizar o planejamento
estratégico
Ficha A - Frente
Ficha A – Verso – Sentinelas para avaliação
de situações de risco
• A partir da pontuação das
sentinelas estabelece-se, de
acordo com o Escore total, a
classificação de risco, que varia
de R1 risco menor a R3 risco
máximo.
Justificativa para as sentinelas de risco
adotadas

(Savassi, Lage & Coelho, 2011)


Definições Técnicas das Sentinelas
• Acamado: segundo a OMS, define-se como “toda pessoa restrita ao seu próprio
domicílio, por qualquer inabilidade e/ou incapacidade de locomover-se por si só
a qualquer centro de atenção à saúde“

• Deficiências Física e Mental: conforme o manual para preenchimento da ficha


A do SIAB, é o “defeito ou condição física ou mental de duração longa ou
permanente que, de alguma forma, dificulta ou impede uma pessoa da
realização de determinadas atividades cotidianas, escolares, de trabalho ou de
lazer. Isto inclui desde situações em que o indivíduo consegue realizar sozinho
todas as atividades que necessita, porém com dificuldade ou através de
adaptações, até aquelas em que o indivíduo sempre precisa de ajuda nos
cuidados pessoais e outras atividades”
Definições Técnicas das Sentinelas
• Baixas condições de saneamento: o conceito utilizado é o de saneamento
ambiental, que segundo a OMS define: “Saneamento constitui o controle de
todos os fatores do meio físico do homem, que exercem ou podem exercer
efeitos deletérios sobre seu estado de bem estar físico, mental ou social”

São utilizados os seguintes itens relacionados no verso da ficha A do SIAB: destino


do lixo, tratamento da água no domicílio e destino de fezes e urina e a sentinela é
pontuada como (3) quando presentes ao menos uma das seguintes situações: lixo a
céu aberto, água sem tratamento e esgoto a céu aberto.
Definições Técnicas das Sentinelas
• Desnutrição Grave: segue a classificação por percentil de Peso/Idade proposta
pelo Sistema de Vigilância Nutricional (SISVAN) estabelecidos para crianças
menores de 7 anos: Percentil menor que 0,1: Peso Muito Baixo para a Idade;

• Drogadição: Utilização compulsiva de drogas lícitas e /ou ilícitas, que


apresentem potencial para causar dependência química. Neste grupo inclui-se o
álcool, tabaco, benzodiazepínicos, barbitúricos e drogas ilícitas.

• Analfabetismo: Segundo manual SIAB define como alfabetizado “o indivíduo


que sabe ler e escrever no mínimo um bilhete. O indivíduo que apenas assina o
nome não é considerado alfabetizado” Toda situação distinta a esta definição é
considerada como analfabetismo, a partir da idade escolar.
Definições Técnicas das Sentinelas
• Desemprego: segundo a definição do manual da ficha A do SIAB, o item
ocupação refere-se a: “tipo de trabalho que exerce, independente da profissão de
origem ou de remuneração, mesmo que no momento do cadastramento o
indivíduo esteja de férias, licença ou afastado temporariamente por qualquer
motivo.
• A realização de tarefas domésticas caracteriza o trabalho doméstico, ainda que
este não seja remunerado.
• Se o indivíduo referir mais de uma ocupação, deverá ser anotada aquela a que
ele dedica o maior número de horas na semana, no seu período de trabalho.

Portanto , define-se como desemprego qualquer situação que não se encaixe


neste critério.
Definições Técnicas das Sentinelas
• Relação morador/cômodo: É definida pelo número de moradores do domicílio
dividido pelo nº de cômodos na residência .

• O número de cômodos é contado conforme descrito no manual da Ficha A do


SIAB: “todos os compartimentos integrantes do domicílio, inclusive banheiro e
cozinha, separados por paredes, e os existentes na parte externa do prédio,
desde que constituam parte integrante do domicílio, com exceção de corredores,
alpendres, varandas abertas e outros compartimentos utilizados para fins não
residenciais como garagens, depósitos etc.”
Definições Técnicas das Sentinelas
• Menor de seis meses: todo lactente com idade até 5 meses e 29 dias.
• Maior de 70 anos: toda pessoa com 70 anos completos.
• Hipertensão Arterial Sistêmica
• Diabetes Mellitus

No caso das sentinelas de caráter individual (por exemplo acamado, deficiência


física, etc.), quando ela estiver presente em mais de um indivíduo na mesma
família, esta recebe a pontuação referente a cada indivíduo portador da condição.
Exemplo
• Uma família possui dois acamados, sendo que um deles é
um idoso de 75 anos de idade e hipertenso. O outro
acamado é deficiente físico (amputação traumática de
membros inferiores). Ambos são analfabetos. Não existem
outras sentinelas de risco nesta família.
• O escore familiar final é 13 (3+3+1+1+3+1+1).
Aplicação da Escala
• Familiarizar-se com o instrumento

• A Equipe deve ter em mente que esta classificação tem um


caráter dinâmico.

• Inserção do risco familiar no prontuário da família


Aplicação da Escala

• Áreas com alta prevalência de determinadas sentinelas de


risco, como por exemplo, baixa condição de saneamento:
recomenda-se que a sentinela seja desconsiderada para fins
de priorização, sendo feita a devida ressalva no relatório
final.
A classificação passa a ser de área de risco para aquela
sentinela.
Aplicação da Escala

• Áreas onde as famílias apresentem escore familiar final


muito elevado, como por exemplo, zona rural precária, ou
aglomerados não urbanizados: recomenda-se elevar o ponto
de corte para a priorização das famílias, e considerar aquela
microárea (ou área) como de risco.
O que muda?
O que muda?
• Cisão das fichas de cadastro Domiciliar X Individual
O que muda?
• Inclusão de mais informações sobre o domicílio
O que muda?
• Não modifica as sentinelas pré-existentes mas aumenta a
possibilidade de novas sentinelas
O que muda?
• Registro de número de famílias que moram no domicílio
(Boa sentinela de vulnerabilidade – processo de
“aglomerização” vigente)
O que muda?
• Presença de animais no domicílio
O que muda?
• Novas possibilidades de pesquisa
e-SUS Atenção Básica
e-SUS Atenção Básica
Ficha de
Atendimento
Individual /
CDS
Ficha de
Atividade
Coletiva /
CDS
e-SUS Atenção Básica
Fluxo de Informação
e-SUS Atenção Básica
Desafios do e-SUS Atenção Básica

 Formação de Capacidades: Técnica Saúde e TI

 Adequação dos sistemas de informação

 Informatização e conectividade

 Ampliação do uso de prontuário eletrônico


e-SUS Atenção Básica

http://dab.saude.gov.br/portaldab/esus.php
Adaptação Escala de Risco
• A ECRCS proporciona uma rica experiência de reflexão e
prática, a partir de um conjunto de fatores que nem sempre
estão explícitos para os membros das equipes de saúde.

• Ao incluir componentes sociais, ambientais e clínicos,


mobiliza a relação equipe-paciente-família, e fomenta o uso
do conceito de risco ampliado na abordagem das
necessidades de saúde da população adscrita.
Situação Problema – Família 1

• Família com 6 pessoas, sendo um idoso de 73 anos,


diabético e hipertenso e uma criança de 2 meses. Apenas 2
pessoas da casa são alfabetizadas, os 2 adolescentes de 14 e
16 anos. O adolescente de 14 anos é surdo-mudo mas
consegue desenvolver suas atividades normalmente. O
domicílio tem apenas 4 cômodos e com baixas condições de
saneamento.
Situação Problema – Família 2

• Família composta por 3 pessoas, sendo uma gestante


adolescente de 28 semanas de gestação, analfabeta. Seu
marido é tabagista e etilista, e está desempregado há 6
meses. O filho do casal, uma criança de 8 anos, nunca
frequentou a escola e está obeso. O domicílio tem 4
cômodos e é numa área onde tem saneamento básico.
Situação Problema – Família 3

• Família composta por 07 pessoas. Dois idosos, sendo um


deles acamado. Três adultos alfabetizados, um deles
desempregos há 2 anos, que tornou-se usuário de drogas
(maconha). As duas crianças frequentam a escola, sendo
uma delas está desnutrida e está acompanhamento na UBS.
Situação Problema – Família 4
• Uma domicílio onde vivem três famílias. Totalizando 9
pessoas. Sendo quatro crianças (2 meses, 2, 3 e 5 anos de
idade), todas com vacina atrasada. Uma idosa, 65 anos,
analfabeta, hipertensa, diabética e que nunca fez exame
preventivo (ca de colo e nem de mama). Os 04 adultos são
alfabetizados, um deles portador de doença mental e outra
está gestante, mas não realiza o pré-natal. A família tem 2
cachorros e um pequena criação de porcos. O domicílio tem
6 cômodos e higiene precária, apesar de saneamento básica
presente.