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Noções de Biossegurança

Prof. Me. Hudson Holanda


DEFINIÇÃO
• Conjunto de medidas voltadas para
prevenção, minimização ou eliminação de
riscos

• Isso deve comprometer a saúde do homem,


dos animais, do meio ambiente ou a
qualidade dos trabalhos desenvolvidos
 BIOSSEGURANÇA:Vida+Segurança
As normas de biossegurança englobam
medidas que visam evitar:

• RISCO: perigo mediado pelo conhecimento!

• PERIGO: é o desconhecido!

ACIDENTES!
64%► Foram com agulhas;
46%► Descarte de
materiais perfurocortantes;

72%► Ocorreram em UTI, PS, Centro cirúrgico


e Salas de quimioterapias e radioterapias
39%► Não usava equipamento de proteção;
11%► Eram pacientes soropositivos.
Dentro dos hospitais a grande
preocupação é com as doenças infecto-
contagiosas (hepatites, AIDS, pneumonias,
etc.)
A biossegurança são normas de
procedimentos seguros para funcionários
pacientes e acompanhantes.
A preocupação veio no final de 1980.

O que temos hoje a nosso favor?


Introdução da CCIH – Comissão de Controle
de Infecções Hospitalares.

Estabelecida pela lei federal nº9.431/1997


Portaria no MS nº2.616/1998

*Essa legislação determina que todos os


ambientes da área da saúde devem:
•Prevenir infecções;
•Controlar as infecções existentes;
•Zelar pela saúde de profissionais e pacientes.
Dentre as diretrizes da lei temos:

•Uso obrigatório de materiais descartáveis;


•Programa de imunização de funcionários;
•Controle de epidemias;
•Medicina do trabalho ou CIPA
•Notificação de acidente de trabalho.

Equipamento de Proteção Individual

O objetivo é minimizar a disseminação de


microrganismos e proteger o corpo.
Proteção contra agentes infecciosos, tóxicos,
corrosivos, calor, etc.
Equipamento de Proteção Individual
Todo dispositivo de uso individual, destinado à proteção de
uma pessoa.

 Os EPI´s podem ser divididos de acordo com sua


funcionalidade:

Cabeça
Olhos e nariz
Ouvidos
Braços, mãos e dedos
Tronco
Pernas e pés
Corpo inteiro
Equipamento de Proteção Individual

Cabe ao empregador:
• Adquirir o EPI adequado;
• Exigir seu uso;
• Fornecer somente EPI aprovado;
• Orientar e treinar o trabalhador sobre o uso
adequado;
• Substituição;
• Higienização e manutenção periódica.
Equipamento de Proteção Individual

Cabe ao empregado:
• Usar corretamente;
• Responsabilizar-se pela guarda e conservação;
• Comunicar ao empregador qualquer alteração
que o torne impróprio para uso:
• Cumprir as determinações do empregador sobre
o uso adequado.
•Luvas – Reduz a transmissão de doenças
entre profissional-paciente ou vice versa;
*Exemplos de luvas: procedimento, cirúrgica,
vinil e luva de borracha nitrílica.
•Máscaras – Prevenção de doenças
infecciosas por vias aéreas.
*Podem ser de algodão ou descartáveis.
Óculos de proteção – Proteção contra
perdigoto, respingo de sangue e outros
líquidos.
OBS- jamais devem ser usados contra gases
ou líquidos voláteis. Ex: formol, xilol, ácido
sulfúrico,etc.
Jaleco – devem ser de manga comprida
E deve permanecer abotoado e seu
tamanho deve cobrir a maior parte
possível do corpo .
•Touca – Serve para conter o volume de
cabelo e proteger o mesmo.
Após o uso só retirar da cabeça após lavagem
das mãos.

Propé – São para uso em centros cirúrgicos,


UTIs ou evitar o contato de sangue e outros
líquidos no calçado.
1. Sempre usar jaleco;
2. Sapato fechado e de couro/sintéticos;
3. Evitar o uso de saias mesmo longas;
4. Cabelos presos;
5. Unhas curtas;
6. Não retirar cutículas;
7. Não manipular secreções/sangue se tiver
algum corte;
8. Lavar as mãos;
9. Evitar o uso de adereços (cordões, brincos,
etc.).
10.Não comer nem mascar chiclete em
ambiente hospitalar.
Lavagem das mãos

A mão e o maior veículo de contaminação


dentro do ambiente hospitalar.
•Sempre lavar após contato direto com paciente;
•A mão é microbiota de muitos microrganismos
dentre eles o Staphylococcus aureus;
•Pacientes e acompanhantes também devem
lavar as mãos após sair do ambiente hospitalar,
ambulatório ou laboratórios.
Microbiota residente

Bactérias que residem na mão e ficam


viáveis por um longo período.
•Não são facilmente removidas com lavagem e
anti-sépticos;
•É muito patogênica para pessoas com
imunidade baixa e com portas de entradas na
pele;
•Localizam-se em maior quantidade entre os
dedos e ao redor das unhas;
Microbiota transitória

São microrganismos viáveis por um curto


tempo.
•Facilmente removida por se encontrar na
superfície da pele junto a lipídeos e sujidades;
•Normalmente transmitidos através de contatos
direto “profissional/paciente, objeto/pessoas”
•Muito responsáveis pela infecção hospitalar.
Ex: Escherichia coli, Staphylococcus
saprophyticos, Shigella desenteriae
Finalidade da lavagem das mãos

•Remoção mecânica de bactérias (residentes


ou transitórias);
•Remoção de células de descamação;
•Retirar o suor, sujidade e oleosidade;
•Evitar disseminação de patologias;
•Proteção ao profissional e paciente.

Os materiais mais comuns para lavagem


são: Detergente líquido ou PVPI (Polivinil
Pirrolidona Iodo)
 Jamais deve se usar sabão em barra,
pois o mesmo acumula resíduos e
bactérias.

Técnica comum de lavagem:


1. Abrir a torneira;
2. Molhar as mãos e passar o detergente
3. Friccionar bem (palma, dorso, dedos,
unhas);
4. Enxaguar bem as mãos inclusive a torneira;
5. Secar a mão com papel toalha;
6. Fechar a torneira com o papel toalha.
Tipos de lavagens existentes

Lavagem e anti-sepsia das mãos: Uso de


anti-séptico detergente e água ou água e
detergente e depois álcool 70%.

Anti-sepsia direta sem lavagem prévia:


Somente usado quando estiver longe do
lavatório de mão ou tiver que aplicar
imediatamente álcool a 70%.
Exemplos: Respingo de sangue, perfuração
com agulhas, etc.
Controle de IRAS
(Infecções relacionadas a assistência de saúde)
Vias de contaminações hospitalares

•Infecções cruzadas (contato das mãos);


•Falha técnica nos procedimentos
invasivos;
•Transmissão de um paciente para outro;
•Contaminação de alimento, medicamentos
e água;
•Falha nos procedimentos de limpeza
desinfecção e esterilização.
Dentre estas normas temos os setores
considerados como:

Áreas críticas: São aquelas onde existem


os riscos muito altos de transmissão;
Exemplo:
Áreas semi-críticas: São as áreas
ocupadas por pacientes com doenças
infecciosas de baixo potencial e doenças
não infecciosas;
Áreas não críticas: São aquelas onde não
se tem a presença de pacientes;
Dentre estas norma temos também os
equipamentos classificados como:

Artigos críticos: são materiais invasivos


que podem atingir pele e tecidos sub-
epiteliais;
Swab Sonda
Mascara

Artigo semi-critico: são todos aqueles


que entram em contato direto com a pele
ou mucosa;
Artigos não críticos: são aqueles que
entram em contato apenas com a pele
integra do paciente.
Quais são os procedimentos realizados?

Limpeza: Remoção mecânica de


microrganismos em superfícies;
Desinfecção: Eliminação de formas vegetativas
existentes em superfícies inanimadas;
Degermação: Redução e/ou remoção dos
microrganismos da pele, ou outros tecidos.
Método quimiomecânico (sabão ou detergente);
Esterilização: processo de destruição de todas
as formas de vida
Anti-sepsia: desinfecção química da pele,
mucosa e tecidos vivos. Somente elimina
as formas vegetativas e não esporulativas.

Exemplos:
•Álcool a 70%;
•Soluções iodadas (tintura de iodo 2% -
iodo e iodeto de potássio em etanol);
•PVPI (Polivinil Pirrolidona Iodo)

Assepsia: É o conjunto de medidas para a


ausência de microrganismo em uma área.
Descarte de resíduos hospitalares

A incineração do lixo hospitalar não é


obrigatória;
Porém é usada pelos seguintes fatores:

1. Reduz drasticamente o volume de resíduo;


2. O processo é simples apesar de crítico;
3. A desvantagem é a emissão de compostos
tóxicos(dioxina, furano, chumbo,benzeno);
4. Se a usina for projetada e operada
adequadamente os riscos diminuem muito.
Potencial do lixo hospitalar

•Risco muito alto à saúde e meio ambiente;


•Presença de material biológico, químico ,
radioativo, perfurocortantes;
•Seu tratamento adequado previne infecções
cruzadas.

Classificação do lixo hospitalar


Resíduo sólido (resto alimentar, papel toalha);
Infectante (Resíduos grupo A)
Pois apresentam risco devido à presença de
agentes biológicos
Os principais são:

•Sangue;
•Excreções, secreções e líquidos;
•Meios de cultura;
•Resíduos de isolamento e alimentos (UTI);
•Resíduos de laboratório de análises clínicas
•Resíduos de sanitários;
•Objetos perfurocortantes (agulhas, lancetas,
tubos capilares, vidrarias quebradas)
Os resíduos se dividem em:
Material de isolamento – Pois existe um
nível muito alto de doenças infecciosas
(sangue, secreções,etc.);
Material biológico – Pois contem meios de
culturas, inoculo de microrganismos,etc.;
Sangue humano – Bolsa de sangue,
amostras de sangue, plasma,etc.
Procedimentos para descarte

O lixo deve ser acondicionado em sacos


plásticos brancos para o tipo 1.
*Sua capacidade é de 100 litros e tem que ter
a indicação da ABNT (NBR 9190)
Devem ser totalmente fechado e não podem
rasgar ou derramar mesmo se virados para
baixo.
 Se houver derramamento ou rompimento do
saco deve-se jogar uma solução
desinfectante sobre o mesmo e depois lavar
o local;
 Todos os sacos devem ser
identificados(laboratório, hospital, data
descarte e responsável);
 As lixeiras devem ser de tampa tipo
acelerador;
•O lixo considerado infectante deve ser
recolhido a cada 24 horas;
•Já os restos de alimentos, papeis, plásticos
de seringas, tubo de soro devem ser dias
alternados.

Caixa de perfurocortantes:

Devem ser confeccionadas em material de


parede rígida e que suportem a temperatura do
autoclave.
Devem ficar em local estratégico e jamais
devem ser aberta;
•Não se deve encher acima do risco de volume
total imposta pelo fabricante;
•Para manusear usar luvas e pegar pelas
alças;

 Por normas de segurança jamais se deve


encapar ou retirar a agulha da seringa.
SIMBOLOGIA

RADIAÇÃO RISCO ARMA


BIOLÓGICO QUÍMICA
IRRITANTE

INFLAMÁVEL
PERIGO AO MEIO
AMBIENTE

TÓXICO
COMBUSTÍVEL
CORROSIVO

EXPLOSIVO
RADIAÇÃO A LASER RADIAÇÃO IONIZANTE

RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE RISCO BIOLÓGICO


BAIXA
SUPERFÍCIE
TEMPERATURA
AQUECIDA

CAMPO
MAGNÉTICO GÁS
COMPRIMIDO
CAIXA DE PRIMEIROS
SOCORROS LAVA OLHOS
RISCO DE CHOQUE ELÉTRICO
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Via de Exposição Procedimento de risco

Pipetagem com a boca


- Ingestão Consumir alimentos no lab.
Colocar dedos ou objetos contaminados
na boca

Acidentes com agulhas


- Inoculação Acidentes materiais cortantes
Arranhão, mordidas de animais
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Via de Exposição Procedimento de risco

Fluidos bocas, olhos, nariz, pele


- Pele / mucosa
Objetos / Equipamentos com
superfícies contaminadas

- Inalação Aerossóis
TEMOS QUATRO NÍVEIS LABORATORIAIS

NB1 - Se aplica aos laboratórios de ensino


básico, onde são manipulados os
microrganismos de baixo potencial;
• Constituído de bancada, equipamentos
específicos e equipamentos de proteção;
• O acesso é restrito a funcionários do setor;
•Laboratório simples

NB 1 sem ante-sala;
•Chuveiro e lava
olhos;
•Capela de
exaustão simples;
•Local externo para
guardar roupas e
objetos pessoais
Capela de exaustão
•Aparelho de
pipetagem
•Centrífuga de
segurança

Agentes descritos como não causadores


de doenças e não constituem risco para o
meio ambiente. Baixo risco individual e
coletivo
NB2 – Se aplica as mesmas normas do NB1
mais:
• Os profissionais devem ter um treinamento
específico, pois tem contato com material
patogênico;
• Supervisão de um cientista competente e
acesso limitado ao laboratório durante
manuseio de materiais infectados;
• Usar fluxo para material que forme aerossóis;
NB2

•Fluxo laminar; •Caixa de perfurocortante.


•Fluxo de exaustão;
•Autoclave
NB3 - Se aplica as mesmas normas dos NB1 e
NB2;
• Porem o número de patógenos é maior e de
aerossóis também;
• É o chamado laboratório de confinamento;
• Existe uma ante sala e o ar deve ser filtrado
antes de ser expelido;
• O jaleco não pode sair do laboratório;
• Todo procedimento é feito dentro da capela;
• Fluxo de ar direcional para dentro do
laboratório;
• Portas trancadas;
• Parede, piso e teto impermeáveis e de fácil
desinfecção;
•Porta dupla;
• A utilização de proteção respiratória se
torna obrigatória;
•Agentes infecciosos associados com doença
humana e podendo causar graves
enfermidades aos profissionais de laboratório.
• Risco individual elevado e risco coletivo
baixo.
Ex. Laboratórios para pesquisa de AIDS e
tuberculose
NB4
•Vão manipular
patógenos que causam
graves Doenças;
•Representam sério
risco para os
profissionais e para
a coletividade.
Ex: Vírus Ebola
Práticas especiais em cada laboratório

NB - 1
Construção (Barreira Secundária)
Requerimentos:
Localização - não separada;
Estrutura – construção normal;
Ventilação – sem;
Práticas especiais em cada laboratório

NB - 2
Construção (Barreira Secundária)
Requerimentos:
•Capela segurança classe II
• Localização – Separada de áreas públicas
• Estrutura – Construção normal
• Ventilação direcional
Práticas especiais em cada laboratório

NB - 3
Prédio separado ou local isolado
• Porta dupla;
• Fluxo de ar direcional para dentro do
laboratório;
• Cabines de segurança para equipamentos
geradores de aerossol;
• Portas trancadas;
• Parede, piso e teto impermeáveis e de fácil
desinfecção.
Práticas especiais em cada laboratório

NB – 4

NB-1, NB-2, NB-3, mais:


•Prédio separado;
•Porta duplas conectadas de maneira que
somente uma pode ser aberta de cada vez;
•Equipamento de exaustão, vácuo e
descontaminação;
•Autoclaves de porta dupla;
•Portas permanentemente travadas