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Perfil dos escravizados

“De primeiro a escravidão era quando


trabalhava apanhando. Hoje é quando
trabalha humilhado.”
Perfil dos escravizados

De acordo com o levantamento, em geral, o


trabalhador exposto à escravidão
contemporânea no Brasil é homem, negro,
analfabeto funcional, tem idade média de
31,4 anos e renda declarada mensal de 1,3
salário mínimo. A grande maioria, 77%,
nasceu no Nordeste.
Um estudo citado pela Organização Internacional do
Trabalho (OIT), com 121 trabalhadores resgatados de
quatro estados, principalmente Pará e Mato Grosso,
mostrou que a maioria deles se desloca constantemente e
apenas 25% residem no estado de nascimento.

Quase todos começaram a trabalhar antes dos 16 anos e


mais de um terço, antes dos 11 anos, em geral para ajudar
os pais nas fazendas.
40% foram recrutados por meio de amigo ou conhecido e 27%, por meio de
agente de recrutamento, o chamado “gato”, ou diretamente na fazenda.

Dados da ONG Repórter Brasil informam que 95,5% das pessoas que
trabalham em regime semelhante ao da escravidão são homens. Do total,
40,1% são analfabetos. Apenas 27,9% chegaram a cursar os primeiros anos
do ensino fundamental, sem, no entanto, completarem o quinto ano (antiga
quarta série). Outros 21,2% prosseguiram os estudos, mas sem concluírem o
ensino fundamental.

A maioria dos trabalhadores (63%) estava entre os 18 e 34 anos no momento


do resgate, idade em que teriam, em tese, completado os ensinos
fundamental e médio.
Previsto no Artigo 149 do Código
Penal Brasileiro, o crime de trabalho
análogo ao de escravo é punido com
reclusão de dois a oito anos e multa.
A Lei define, ainda, que “a pena é
aumentada de metade, se o crime é
cometido contra criança ou
adolescente”.
Dados do Ministério do Trabalho e Previdência Social
(MTPS) mostram que, em 2015, 1.010 trabalhadores
foram resgatados em todo país. No mesmo ano, as
libertações no meio urbano foram maiores do que no
meio rural.
O Congresso Nacional aprovou, em 2014, a
expropriação de terra onde houver flagrante de
trabalhadores em situação análoga à escravidão.
Depois de tramitar por quinze anos, a proposta de
emenda à Constituição do Trabalho Escravo
determina que os proprietários devem destinar suas
terras à reforma agrária ou a programas de
habitação popular. A PEC alterou o artigo 243. Com
a nova regra, todos os bens apreendidos em
decorrência da exploração do trabalho escravo
serão confiscados e destinados a um fundo especial.