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UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA

PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E POS-GRADUAÇÃO


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS
ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: LITERATURA, ARTES E CULTURA REGIONAL

WAYAURÎ PANTONÎ
AS HISTÓRIAS DO JABUTI DE CAETANO RAPOSO

Mestranda: Sonyellen Fonseca Ferreira


Orientador: Prof. Dr. Devair Antônio Fiorotti

BOA VISTA
2016
 INTRODUÇÃO
 CAPÍTULO I: Uma sequência de jabutis pelo mundo afora
• Sobre cascos e artimanhas
• Ipicui auti maiaué
• O carumbé
• A Onça
 CAPÍTULO II: Da voz à letra
• A fábula e as formas narrativas
• Panton: literatura indígena
• A prática discursiva
 CAPÍTULO III: Hã'! Hã'! Hã'!– E o Jabuti ri
• O riso do Jabuti
• O riso do Raposo
• A performance
 CONSIDERAÇÕES FINAIS
 REFERÊNCIAS
INTRODUÇÃO

 Projeto de pesquisa Panton Piá: Registro e Análise na


Terra Indígena do Alto São Marcos e Raposa Serra do
Sol, coordenado pelo prof. Dr. Devair Fiorotti (2007);
 O que torna estas narrativas tão particulares dentre as
demais que se nos apresentaram ao longo do tempo e do
espaço, já que com seu casco-escudo, o quelônio pode ser
encontrado em narrativas que vão da mitologia hindu,
passando pelas fábulas esópicas, às narrativas indígenas
dos povos caribe e aruak?
 Método: História Oral (entrevista, transcrição, conferência de fidelidade e
copidesque)
 A História Oral enquanto método não compreende o processo de
transformar em linguagem vivências como uma tradução direta da
realidade, mas sim que “conhecimentos e ideias tornam-se realidade à
medida que, e porque, se fala. O sentido se constrói na própria narrativa;
por isso se diz que ela constitui (no sentido de produzir) racionalidades”
(ALBERTI, 2003. p.01).
 Esta perspectiva reconhece a importância destes narradores enquanto
produtores de conhecimento e de contestar a representação do indígena
emudecido, silenciado.
CAPÍTULO I: Uma sequência de jabutis pelo mundo
afora

• Sobre cascos e artimanhas: um breve e incompleto


rastreamento da presença dos quelônios em narrativas
engendradas por diversas culturas espalhadas ao longo do
tempo e das latitudes.
• Ipicui auti maiaué:

• Luís da Câmara Cascudo (1984);


• Charles Frederik Hartt (1988);
• José Vieira Couto de Magalhães (2013);
• Silvio Romero (1865);
• Theodor Koch-Grünberg(1981);
• Michael Pollak (1981).
• O carumbé:
• Caetano Raposo (1946 -);
• Macuxi, oriundo da região da Terra Indígena Raposa Serra
do Sol;
• Líder indígena tuxaua por 38 anos, foi vereador, vice-
prefeito por um mandato;
• Apesar de evangélico estudou com os padres da Prelazia;
• Acompanhou as lutas que confluíram na demarcação da
Terra Indígena Raposa Serra do Sol;
• Narrador inato;
• Semelhanças com as de Koch-Grünberg (1981) Iwaleká y
Oazamuli, dos Tenetehara, Esopo, Charles Frederik Hartt.
• A Onça
• Antagonista que se destaca dos demais.
• Em muitas mitologias surge como personagem de destaque.
• Betty Mindlin (2002);
• Pedro Agostinho (2009);
• Curt Nimuendaju (1987);
• Charles Weagley & Eduardo Galvão (1961);
• Julio Cezar Melatti (1989);
• Marc Civrieux (2005);
• Kehiri (1995);
• Herbert Baldus (1946);
• Devair Fiorotti (2007);
• Alberto Mussa (2009);
• João Guimarães Rosa (1985).
CAPÍTULO II: Da voz à letra

• A fábula e as formas narrativas:


• discutir a dificuldade em classificar as narrativas de origem
oral indígenas.
• André Jolles (1972);
• Eleazar Mielintiski (1987);
• Theodor Koch-Grünberg (1981);
• Sérgio Medeiros (2002);
• Jerome Rothenberg (2006);
• Dell Hymes (2004);
• Dennis Tedlock (1999);
• Barre Toelke (1987).
• Panton: literatura indígena:
• Devair Fiorotti (2015);
• Paulo Santilli (2001);
• Frei Cesáreo Armellada (2012; 2013);
• Vicente Amódio & Emanuelle Pira (2007);
• Celino Raposo (2008);
• Mário de Andrade (1988);
• Jaci Guilherme Vieira (2014);
• Claude Lévi-Strauss (1982);
• Peter Rivière (1972);
• Marcos Lanna (2009).
• A prática discursiva:
• Aristóteles (2007);
• Maria Celeste Consolin Dezotti (1999; 2003);
• Alceu Dias Lima (1984).
CAPÍTULO III: Hã'! Hã'! Hã'!– E o Jabuti ri

• O riso do Jabuti:
• George Minois (2003);
• Johan Huizinga (2000);
• Vladimir Propp (1992);
• Henri Bergson (1983);
• Ariano Suassuna (2013);
• Mikhail Bakhtin (1987).
• O riso do Raposo:
• Paulo Santilli (2010);
• Els Lagrou (2006);
• George Minois (2003);
• Fernando Ortiz (1987);
• Pierre Clastres (2012);
• Betty Mindlin (2001);
• Viveiros de Castro (2011; 2012).
• A performance:
• Analisa os expedientes vocais demandados pelo
narrador no momento da apresentação das narrativas
• mudanças de tom de voz na alternância de turnos de
fala
• recursos estilísticos utilizados tais como,
paronomásias, aliterações, supressões silábicas e
onomatopeias.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
• Introdução;
• Narrador ativo e criativo capaz de recriar as narrativas em
dimensões estéticas, literárias e performáticas;
• Reabilitar o humano para a capacidade de sensibilizar o outro.
REFERÊNCIAS

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OBRIGADA!!!!