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Universidade Metodista de Angola

Faculdade de Engenharia
Curso de Engenharia Civil

Organização e Gestão de Obras

Professor: Deodato Mariata

Luanda, Agosto de 2016


Aula 1
1.1 - Introdução
1.1.1 – O que é a gestão?
1.1.2 - A importância do tema Gestão de Obras.
1.2 - Organização de empresas de construção civil.
1.2.1 – Introdução.
1.2.2 – Noções base de organização.
1.2.3 – Industria da construção civil em Angola
1.2.4 – Principais orgãos numa empresa de construção
civil
1.2.5 – Descrição detalhada das funções
1.2.5.1 – Nascimento de uma nova obra
1.2.5.2 – Preparação de obra
1.2.5.3 – Execução da obra
1.2.5.4 – Controlo de produção
1.2.5.5 – Remuneração do trabalho da empresa
1.2.5.6 – Contabilidade e finanças
1.2.5.7 – Contencioso
1.2.5.8 – Coordenação inter-sectorial
1.3 – Exemplo de organograma real de empresa Angolana
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1.1 – Objectivo da disciplina

A gestão é fundamental pois o estudante deve conhecer quais os


objectivos a atingir tanto a nível técnico, administrativo,
económico e financeiro, como no cumprimento do prazo
disponível para a execução da obra.
O estudante deve perceber que a quando responsável de uma obra
deverá estudar todos os detalhes de uma boa gestão, tendo a
atenção os seguintes pontos
O projecto; o local de execução; A área disponível para o
estaleiro; os meios necessários; o controlo de custos; o controlo
de prazos; o controlo da qualidade e segurança.

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1.1 – Programa da disciplina

 Orçamentos (com referência às Medições); rendimentos; custos:


directos, de estaleiro e indirectos; fichas de preços compostos;
dimensionamento das instalações do estaleiro;
 Técnicas de planeamento temporal e financeiro: diagrama de
Gantt, métodos PERT e CPM; diagramas de carga: de mão de obra
e de materiais; cronogramas financeiros; revisão de preços.
 Fundamentos da segurança no trabalho; análise de riscos;
trabalhos em profundidade, em altura e movimentação de cargas;
dispositivos de protecção colectiva e individual; prevenção e luta
contra incêndios no local de trabalho; o ruído e as vibrações no
local de trabalho; riscos eléctricos; sinalização; plano de
segurança.

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1.2 – Metodologia de avaliação

 1ª Frequência, 2ª Frequência, Exame e


Recurso.

 Avaliação dos trabalhos dsenvolvidos ao


longo das aulas..

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1.2 – Planeamento das aulas.

 13 semanas de aulas;
- 4 aulas teóricas / semana de 1h00m;

- 1 Aula teórica / semana de 1h00m


- grupos de 3 alunos;
- máximo de 8 grupos por turma prática.

 A aula prática não tem apresentação geral.


São esclarecidas dúvidas sobre o trabalho que
está a ser realizado, normalmente de forma
individual a cada grupo.

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1.1 - Introdução
A gestão e direcção de obra é um tema muito vasto e com
alguma complexidade, dado ser uma actividade que envolve
muitos recursos e diversos, sendo estes um somatório de
pessoas, serviços e bens indispensáveis para a realização de
uma dada empreitada.

De facto, um dos principais meios a considerar são os


humanos, dado que estão envolvidos em todas as fases do
processo e para além do término ou conclusão da obra1, pois
estão presentes desde o estudo preliminar até à vistoria
definitiva (no final do legal prazo de garantia).

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1.1.1 – O que é a gestão?

A noção de gestão tem evoluído ao longo dos anos. Até final


dos anos 50, a gestão, num sentido estrito, era considerada
como a simples execução das tarefas quotidianas nas
empresas privadas.

Esta concepção já não se usa: a gestão não é mais considerada


como um trabalho rotineiro de modestos segundos planos,
mas como a realização de actos criativos, a níveis diversos,
em toda a organização, quer se trate de uma empresa ou da
Administração Pública, duma associação ou sindicato, dum
partido político ou mesmo duma Igreja..

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Se definirmos gestão como a decisão racional e informada,
gerir consiste em governar uma organização:

• Tornando precisos os objectivos que nos propomos atingir;


• Seleccionando e pondo em acção os meios que permitem
atingir os objectivos que fixámos.

Gerir implica também a capacidade de ajuizar o fundamento


correcto das decisões que convém tomar, graças a uma
recolha de informações tão rápidas, completas, claras e
abundantes quanto possível.

É por isso que o ensino da gestão comporta, sempre que


possível, uma formação aplicada – um estágio – que consiste
em mostrar o funcionamento das empresas ao futuro gestor,
com o intuito de lhe proporcionar uma primeira experiência.
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De facto, o exercício da gestão é mais a atitude do homem dos
tempos modernos que ambiciona resolver um número cada
vez maior de problemas práticos, tendo em vista melhorar as
suas condições de vida material e alargar o seu poder, do que
a utilização de procedimentos científicos para administrar
uma empresa.

Para realizar este projecto, o gestor nos seus actos, nos seus
passos, apela às ciências, aos seus resultados, aos seus
métodos, sem perder de vista o essencial: aumentar a eficácia
e a eficiência da empresa ou da organização à qual se dedica.
.

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1.1.2 - A importância do tema Gestão de Obras.

A actividade das empresas e profissionais ligados à Construção


Civil, como qualquer outra, tem como objectivo último a
obtenção de remunerações e lucros realizando “obras”,
construções imprescindíveis ao desenvolvimento da actividade
humana de abrigo, lazer, produção ou outras.

Para esse efeito, em qualquer construção é fundamental controlar


de forma eficiente os principais recursos (também chamados
factores de produção) básicos: mão-de-obra, materiais,
equipamentos e subcontratos, a que acresce um outro recurso
essencial a qualquer investimento que é o dinheiro.

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O principal objectivo a atingir em qualquer construção consiste
assim em construir com um adequado nível de qualidade e
segurança, no prazo previsto, minimizando o custo e garantindo
um total respeito pelos condicionalismos ambientais e de gestão
do território definidos em legislação apropriada.

A optimização desses factores (qualidade, segurança, prazo,


custo, ambiente) é extremamente complexa dada a interligação
que naturalmente existe entre elas podendo no entanto um ou
outro ter um carácter predominante consoante o tipo de obras
envolvidas, sem no entanto deixar de entender que todos devem
simultaneamente ser respeitados para que a obra executada atinja
patamares mínimos de eficiência à luz dos modernos critérios
usados na avaliação das actividades, nomeadamente o de
sustentabilidade das intervenções humanas sobre o habitat

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A qualidade da construção é um factor ao qual se atribui cada
vez mais importância. Pode ser atingida com a implementação de
sistemas que consistem em reduzir preventivamente os riscos de
anomalias nas obras, através de mecanismos que garantam,
mediante controlo, a realização dos trabalhos com a qualidade
adequada ao uso.

A segurança na construção está relacionada com o valor da vida


dos profissionais envolvidos na realização das obras e das
pessoas e bens que possam vir a ser afectados pela sua eventual
ruína precoce.

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O custo da construção é outro parâmetro fundamental. É
necessário realizar obras de acordo com os recursos financeiros
disponíveis. Este é um problema recorrente da construção
Angolana: a realização de obras com custos superiores ao
orçamentado. É fundamental, ao nível das empresas que
promovem e executam as obras, definir procedimentos de
orçamentação e controlo que garantam o cumprimento do
objectivo de realizar as obras de acordo com os custos
orçamentados e com produtividades cada vez maiores.

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O prazo de execução constitui muitas vezes o principal objectivo
devido à existência de uma data fixada com grande antecedência
para a entrada em funcionamento da construção que se pretende
realizar. Tal é, por exemplo, fundamental na concretização de
uma indústria que necessita começar a produzir ou na abertura de
um Centro Comercial onde se celebraram acordos com lojistas
que prevêem enormes multas e indemnizações em casos de
atrasos na abertura.

Em todos os casos, os atrasos têm sempre enormes custos para o


promotor já que não é possível pôr a obra em utilização antes da
sua conclusão não sendo assim possível ao promotor obter as
receitas de todos os tipos que justificaram a execução da obra.

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O ambiente. É do senso comum que o desenvolvimento ocorrido
no século XX e principio do século XXI representou um processo
de utilização irracional e exagerado dos recursos naturais
existentes na Terra. Isso materializou-se por exemplo no nosso
país na destruição da fauna e flora e também na deposição
irracional de lixos e tantos outros atentados ao ambiente que urge
controlar.
O factor ambiente é hoje assim um critério essencial a respeitar
na realização das obras. De forma muito simplificada, pode
afirmar-se que se fala hoje de construção sustentável como
sinónimo de uma construção amiga do ambiente e auto-reciclável
aos níveis económico, social e ambiental, que garante a
renovação dos recursos utilizados, a sua utilização de forma
eficiente e a utilização racional dos principais recursos básicos
disponíveis tais como a água, a energia e o ar.

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A Construção Sustentável é fundamental para garantir um melhor
futuro às gerações dos nossos descendentes e insere-se numa
preocupação mais geral de Sustentabilidade das actividades
humanas que constitui o principal desafio do Homem do Século
XXI.
É urgente introduzir o ambiente como uma das preocupações
fundamentais a respeitar em pé de igualdade com os restantes
critérios principais de gestão na promoção e execução de obras de
Construção Civil.

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1.2 - Organização de empresas de construção civil.
Apesar de poder ser considerada como indústria é grande a
distância que separa o sector da Construção Civil dos restantes
sectores industriais.

A principal razão para esse facto reside no carácter fixo das


instalações produtivas das indústrias transformadoras e o carácter
extremamente variável das equivalentes instalações no sector da
construção civil. Nestas, as instalações produtivas finais são as
obras propriamente ditas que obviamente variam
permanentemente de local e tipo. A apoiar as obras, produzem-se
trabalhos em estaleiros centrais, em unidades autónomas de
produção (centrais de betão pronto, serralharias, carpintarias, …)
e actualmente de uma forma muito intensa em pequenas unidades
de fabrico de sub-empreiteiros.

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Em qualquer organização, existem no entanto diversos aspectos
que são perfeitamente repetitivos e que não dependem da
estrutura produtiva. Estes situam-se essencialmente nas Direcções
Comercial e Administrativa. É então na Produção que a
Construção Civil se distingue. Tentaremos neste trabalho
clarificar as principais especificidades das organizações das
empresas de Construção Civil integrando-as devidamente em
conceitos de carácter mais geral aplicáveis a todas as
organizações.

Nesse sentido ao longo desta aula organiza-se da seguinte forma:

 Começa-se por apresentar algumas noções base de organização


de empresas: essencialmente os conceitos de órgão, função e
organograma;

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 Em seguida, é feita uma caracterização muito resumida da
Indústria da Construção em Angola;
 Apresenta-se então um organograma envolvente das empresas
de Construção Civil; não se aborda a questão das organizações
de grupos de empresas; esclarece-se desde já que o
organograma apresentado é exemplificativo sendo possível
encontrar em serviço organizações com organogramas não
enquadráveis no apresentado;
 Desenvolvem-se em seguida os principais órgãos de uma
empresa de Construção Civil;
 No ponto seguinte descrevem-se as funções desenvolvidas
integrando-as nos órgãos correspondentes;
 Finalmente apresenta-se um organograma real relativamente
actual de uma empresa de Construção Civil Angolana.

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– Noções Base de Organização.
A organização de uma empresa pode ser representada
esquematicamente num ORGANOGRAMA. Um organograma é
um esquema representativo da organização de uma empresa onde
se identificam as ligações horizontais de comunicação/informação
e as verticais de chefia. Os organogramas desenvolvem-se em
níveis conforme se ilustra na figura abaixo. (Níveis de um
Organograma)

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– Noções Base de Organização.
Um organograma identifica os órgãos da empresa. Órgão é uma
qualquer célula do organograma, ou seja um sub-sector da
organização onde se realizam determinadas funções específicas.

Função é uma actividade específica que se desenvolve num


órgão.

O primeiro nível das empresas é ocupado pelo órgão de gestão


que define a estratégia da empresa: A Administração nas
sociedades anónimas ou a Gerência nas sociedades por quotas.

Em geral, em todas as organizações no nível 2 identificam-se as


Direcções que geralmente são 3: Direcção de Produção (ou
Técnica), Direcção Comercial e Direcção Administrativa e
Financeira (ver figura abaixo – estrutura organizativa corrente de
uma empresa de média-grande dimensão). 17
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Abaixo das Direcções identificamos no nível 3 as Divisões e no
nível 4 as Secções.

As três Direcções apresentadas agrupam os órgãos por tipos.

Na Direcção de Produção agrupam-se todos os órgãos directamente


relacionados com a concretização das obras e serviços.

A Direcção Comercial trata de angariação de obras.

A Direcção Administrativa e Financeira associa-se às funções de


gestão geral da empresa: tesouraria, seguros, gestão do pessoal,
contratos, questões jurídicas, documentação, impostos,
comunicação com Estado, etc.

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Abaixo das Direcções identificamos no nível 3 as Divisões e no
nível 4 as Secções.

As três Direcções apresentadas agrupam os órgãos por tipos.

Na Direcção de Produção agrupam-se todos os órgãos directamente


relacionados com a concretização das obras e serviços.

A Direcção Comercial trata de angariação de obras.

A Direcção Administrativa e Financeira associa-se às funções de


gestão geral da empresa: tesouraria, seguros, gestão do pessoal,
contratos, questões jurídicas, documentação, impostos,
comunicação com Estado, etc.

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Obrigado.