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CENTRO DE ESTUDOS DA
CULTURA AFRO-AMERICANA
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CURSOS E APOSTILAS SOBRE OS CULTOS
AFRO-DESCENDENTES
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Centro de Estudos da Cultura Afro-Americana

• CURSO DE JOGO DE BÚZIOS

A técnica de amarração de igbos.

A mojuba de abertura.

Interpretação dos Odu-Ifá

O jogo pelo 16 Odu Meji

Introdução aos 256 Odu-Ifá


Os 16 Odu Meji
• Significado e interpretação.
• A ordem de chegada e nomes em Ifá.
• Mensagens, recomendações e
interdições.
• Itans, folhas e ebós específicos.
• Caminho dos Orixás.
Curso de Jogo de Búzios.
• Conheça a técnica de amarração dos
igbos, através da qual você estabelece
um diálogo seguro com as entidades
espirituais por intermédio de
Elegbara.
• Odu positivo ou negativo? Esclareça
definitivamente esta questão.
Concorrência
• Não seja “mais um” na
multidão de inaptos que, sem
o conhecimento básico, se
aventuram a consultar o
sagrado Oráculo de Ifá.
Posicionamento
• Apenas o conhecimento
adquirido através de um estudo
sério, ministrado por quem
sabe, poderá proporcionar-lhe
o respeito que você merece.
Os dezesseis Odus de Ifá no
Merindilogun
• 1 - Okanran Meji
• 2 - Eji Oko
• 3 - Etáogundá
• 4 - Irosun Meji
• 5 - Oxe Meji
• 6 - Obará Meji
• 7 - Odi Meji
• 8 - Ejionile
9 - Osá Meji
10 - Ofun Meji
11 - Owónrin Meji
12 - Ejilaxeborá
13 - Ejiologbon
14 - Iká Meji
15 - Ogbeogundá
16 - Aláfia
Cada Odu no jogo de búzios é identificado pelo
número de búzios abertos que, de 1 a 16
correspondem respectivamente a cada um deles de
acordo com a ordem anteriormente apresentada.
Assim, se numa caída tivermos 6 búzios abertos, o
Odu que se apresenta é Obará Meji. Se for 8 o
número de búzios abertos, o Odu é Ejionile e assim
por diante.
Se porventura, todos os búzios cairem fechados, não
representam nenhum Odu. Esta caída chama-se
“opirá” e determina que o jogo seja imediatamente
fechado.
Algumas providências serão tomadas prontamente e
o jogo permanecerá fechado e em repouso durante
sete dias.
É necessário que se saiba que o número de búzios abertos
serve apenas para identificar cada um dos Odus no jogo de
búzios. Independente disto, o Odu não é o número que o
identifica, da mesma forma que uma pessoa não é o número
que existe em sua carteira de identidade e que serve para
identificá-la junto à autoridade.
Assim sendo, toda e qualquer tentativa de se estabelecer o
Odu de alguém ou mesmo de uma consulta através de
cálculos onde utilizam-se datas de nascimento ou o valor
numérico das letras que formam o nome da pessoa, torna-se
inconsistente e sem fundamentos dentro do sistema oracular
de Ifá.
Odu se acessa somente através do jogo, quer seja de búzios,
de opelê ou de ikins, sabendo-se que estes dois últimos
sistemas são de uso exclusivo dos sacerdotes de Orunmilá, os
babalaôs.
OS ODUS EM IFÁ E SEUS
CORRESPONDENTES NO MERINDILOGUN

Vamos agora fazer um estudo comparativo sobre os Odus de


Ifá e seus correspondentes no jogo de búzios.
Alguns deles mudam de nome e todos têm as suas ordens de
chegada alteradas, mas continuam a ser os mesmos e suas
características permanecem inalteradas.
Esta orientação é indispensável, principalmente para aqueles
que pretendem futuramente, dedicar-se a um estudo mais
completo deste sistema oracular.
Sabemos que o sistema é composto de 16 Odus principais,
chamados Meji, por serem duplos em suas configurações ou
representações indiciais. Ao se juntarem, dois a dois, estes
Odus ensejam o surgimento de 240 outros, denominados
“Omó Odu” ou Odu-filhos.
Configuração indicial dos Odus Meji em Ifá e seus nomes no
merindilogun (Tabela 1)
Ejiogbe I I Oyeku I I I I Iwori I I I I Odi I I
I I Meji I I I I Meji I I Meji II II
I I I I I I I I II II
I I I I I I I I I I I I
corresponde corresponde a corresponde a corresponde a
a Ejionile Ejiologbon Ejilaxeborá Odi Meji

Irosun I I Owónrin I I I I Obará I I Okanran I I I I


Meji I I Meji I I I I Meji I I I I Meji I I I I
I I II I I I I I I I I I I
I I II I I I I I I I I
corresponde a corresponde a corresponde a corresponde a
Irosun Meji Owónrin Meji Obará Meji Okanran Meji
Configuração indicial dos Odu Meji em Ifá e seus nomes no
merindilogun (Tabela2)

Ogunda I I Osá I I I I Iká I I I I Oturukpon I I II


Meji I I Meji I I Meji I I II II
I I I I I I I I I I
II II I I I I I I II II
corresponde a corresponde a corresponde a corresponde a
Etaogundá Osá Meji Iká Meji Ejioko
Otura I I Irete I I Oxe I I Ofun I I I I
Meji I I I I I I Meji I I I I Meji I I
I I I I I I I I I I I I
I I I I I I I I I I
corresponde a corresponde a corresponde a corresponde a
Aláfia Ogbeogundá Oxe Meji Ofun Meji
Como vimos, os Odus não são representados por
algarismos e sim por sinais duplos ou simples, sobrepostos
numa coluna composta de quatro deles.
Trata-se de um sistema binário ainda hoje utilizado nos
mais avançados programas de informática onde os sinais
duplos e simples são substituídos por 1 ou 0.
É da combinação das 16 figuras apresentadas que surgirão
as 240 novas possibilidades oraculares que, somadas às 16
que lhes dão origem, totalizam 256.
Como exemplo, apresentaremos alguns Omó Odus para
que, através de uma simples visualização, o leitor tenha a
oportunidade de saber de que maneira são formados.
Quando dois Odus Meji se encontram, proporcionam o surgimento
de um outro Odu que, por ser composto de duas colunas diferentes
é denominado Omó Odu ou Amolú.
Assim, se num Omó Odu encontramos Ogundá na primeira coluna
ou perna e Obará na segunda, teremos o Odu denominado
Ogundabara: I I
I I I
I I I
segunda perna I I I I primeira perna
Obará + OGUNDA =
OGUNDABARA

(Considera-se como primeira coluna a que fica no lado direito da


figura, levando-se em conta que, em Ifá, tudo é lido e escrito da
direita para a esquerda)
A marcação dos Odus é feita da direita para a esquerda e de
cima para baixo de acordo com a ordem do gráfico seguinte:
2a 1a
4a 3a
6a 5a
8a 7a

Esta é a seqüência que deverá ser observada:


2a marcação: I 1a marcação: I
4a marcação: I 3a marcação: I I
6a marcação: I 5a marcação: I
8a marcação: I I 7a marcação: I I
OGUNDÁ + OFUN = OGUNDAFUN

Os sinais simples e duplos marcados no exemplo acima foram


escolhidos aleatoriamente.
O QUE É ODU?
Esta é uma pergunta que, com toda a certeza, a maioria das pessoas
não sabe responder.
Em nossos cursos temos verificado que poucos são aqueles que
sabem definir corretamente “Odu”.
Costumamos apresentar a questão deixando que cada um escolha,
dentro das opções que se seguem, a definição correta de “Odu”.
Tente também.
A - Odu é uma entidade espiritual, com individualidade e
personalidade própria como um Orixá.
B - Odu é um caminho que nos é apresentado durante uma consulta
ao Oráculo de Ifá e que deverá ser trilhado para que se consume a
consulta.
C - Odu é uma espécie de balizamento dentro do qual o indivíduo
deverá vivenciar o seu destino no decorrer de sua vida.
Se você escolheu a opção “A” é sinal de que precisa inteirar-se
melhor sobre o assunto. Das três opções apresentadas esta é a
única que está errada.
As opções “B” e “C” estão corretas. Se você escolheu uma
delas, parabéns e, se escolheu as duas, melhor ainda!
Odu pode ser uma figura oracular que serve de orientação à
uma consulta. É através desta orientação que o olhador
buscará contatar o problema vivenciado pelo cliente assim
como a forma de resolvê-lo, quer seja ritualisticamente, quer
seja por intermédio de orientações comportamentais. Neste
caso o Odu é trazido por Exú e, dentro de suas especificações
estarão o problema e as formas de solucioná-lo.
Da mesma forma, pode ser uma espécie de balizamento onde
encontram-se as orientações necessárias para que a vida da
pessoa transcorra de forma equilibrada, sem grandes
transtornos, tratando-se, aí, do Odu individual.
Quer dizer, então que Odu não é uma individualidade
ou entidade espiritual?
Não! Odu não é nenhum tipo de entidade espiritual !
Esta afirmativa nos leva a uma conclusão que joga por
terra muita coisa errada que se faz em relação aos Odus.
Se não são entidades, não podem ser cultuados,
alimentados, agradados, assentados ou despachados.
Infelizmente, o desconhecimento dos verdadeiros
fundamentos de Ifá induziram inúmeras pessoas à
práticas erradas como as aqui referidas. Odu não se
assenta, despacha, alimenta ou presenteia.
Assentar um Odu é tão ou mais absurdo quanto assentar
o signo zodiacal de alguém. E quem já ouviu falar de
alguma pessoa que despache o seu signo do zodíaco ou
que lhe faça oferendas?
Um outro absurdo é o costume que tem proliferado entre
estas pessoas de oferecerem presentes e comidas a Obará
no dia 06 do mês 06 (junho), achando que assim poderão
adquirir fortuna da noite para o dia.
Os Odus não possuem datas comemorativas e, se usarmos
um mínimo de lógica, podemos provar isto.
Digamos que, a exemplo de Obará, resolva-se comemorar
cada Odu nas datas cujos algarismos correspondam ao
número de búzios que os identificam.
No dia 01 de janeiro (mês 01) comemoraria-se Okanran; no
dia 02/02, Ejioko e, consecutivamente, iríamos
comemorando, agradando e alimentando cada Odu até o
dia 12/12 quando Ejilaxebora seria homenageado.
Parece perfeito, não?
Mas aí surge uma barreira!
Quando iríamos, então, comemorar Ejiologbon, Iká,
Ogbeogundá e Aláfia se não existem os dias 13/13, 14/ 14,
15/15 nem 16/16?
Como vemos, tal procedimento é ilógico e não passa de uma
invenção de algum espertalhão que consegue, com isto,
auferir algum lucro.
Da mesma forma, se os cálculos de data de nascimento que
muitos fazem para determinar o Odu de alguém, não passa
de uma grande tolice, prova de incompetência e
desconhecimento dos mais elementares fundamentos de Ifá.
Para que, então, serviriam os jogos de búzios, okpele e ikins?
Uma máquina de calcular seria suficiente para a prática
oracular, com a vantagem de ter um custo operacional muito
mais baixo!
Obará não é melhor que qualquer outro Odu, da mesma
forma que Odi não é pior. Não existem Odus melhores ou
piores entre si, todos eles apresentam aspectos positivos e
negativos, todos eles podem ser portadores de coisas boas ou
más.
Não se faz ebó “para” o Odu e sim “através” do Odu, por
isto Odu é também um caminho.
Os ebós determinados numa consulta serão sempre para Exú
ou, eventualmente para um Orixá ou Egun.
Em suma, os Odus são abstrações às quais não se destinam
cultos ou oferendas. São portadores de mensagens,
indicações, orientações, aconselhamentos e determinações
litúrgicas e comportamentais. Indicam quais são os Orixás
do consulente, se a pessoa possui um cargo dentro da religião
e que tipo de cargo é este.
Determinam as folhas litúrgicas ideais para cada indivíduo,
suas interdições, vocações e tendências. São portadores,
ainda, de ensinamentos religiosos e de orientações morais,
sempre reveladas através de seus itans, contos ou poemas
que compõem o corpo literário de Ifá.
O conhecimento sobre a matéria exige dedicação, pesquisa e
estudos permanentes, despidos das alegorias e das sandices
que foram criadas em relação a um assunto tão sério quanto
sagrado.

Estudar Ifá é buscar a sabedoria que


diferencia o adepto eleito por Orunmilá do
homem vulgar.
Saber Ifá é mais do que ser iluminado, é ser
fonte de Luz!
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CULTURA AFRO-AMERICANA
CURSO DE JOGO DE BÚZIOS POR ODU
FIM DO PRIMEIRO
MÓDULO

SEGUNDO MÓDULO:
A TÉCNICA DO JOGO