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O ANO 1000: TEMPO DE MEDO OU

DE ESPERANÇA?
Hilário Franco Junior
O TEMPO ESSE DESCONHECIDO
 A maior parte dos historiadores acredita que a população
aguardava o fim do mundo.
 Por que?

 A resposta parece estar na concepção de tempo do


cristianismo
 Tempo linear : criação e juízo
 Surge em um contexto pagão e agrário
 Fim do Império Romano – Invasões Barbaras
 Tempo Circular: Dois aspectos – liturgia e o ciclo das
estações - natureza
 Tempo espiralado : caminhava para o seu fim absoluto porém
não de forma direta, e sim por meio de oscilações repetitivas.
 O Deus que se tornara homem era central na
concepção de mundo do cristianismo, daí a vitória
social da religião ter gerado uma cronologia
baseada naquele personagem
 Sistema da era Cristã – abade Dionísio,
fundamentava-se no nascimento de Cristo que se
acreditava ter ocorrido em 25 de dezembro. Mas o
inicio do primeiro ano cristão foi adiado para 1 de
janeiro seguinte, para coincidir com o ponto de
partida do calendário romano
 O sistema dionisíaco fez foi colocar nos quadros
referencias do cristianismo um dado presente em
todos os calendários : uma data que marca o
começo da vida coletiva, da identidade cultural de
cada povo;
 Reforma de Gregório p. 11

 Calendário é forma de controle social e pode


causar resistência cultural – gregoriano
 Século – XVI que surge o conceito de século p. 12

 1700 generalizou
 Passado, Presente e futuro para o cristianismo
 Cada presente mantém uma relação diferenciada
com o tempo...
 O tempo é, enfim, uma realidade psicológica

 O imaginário cristão
 “Há em suma, um extremismo interpretativo que
na base apenas reproduz a tradicional dupla
visão sobre a Idade Media – a depreciativa dos
renascentistas e iluministas, e a idealizadora dos
românticos” (FRANCO, 1999, p. 17). De acordo
com Hilário Franco Junior como a historiografia
pode alcançar um produto cultural não apenas de
um grupo, e sim uma expressão da sensibilidade
coletiva.
 Hilário Franco Junior adverte que para
evitarmos extremismos interpretativos e as
deficiências historiográficas devemos examinar o
ano 1000 por meio de três olhares. Cite e explique
cada um desses olhares.
 De acordo com o texto estudado quais os ricos de
não se considerar uma cultura intermediária?
AS DORES DE PARTO DA EUROPA
 A crise do século X foi o trabalho de parto do qual
nasceria a Europa após gestação de mais ou
menos um século, resultante do encontro entre o
esfacelado Império Carolíngio, a debilitada Igreja
Católica e novos invasores;
 “Gritos de dor” para o nascimento da Europa;
 NO PLANO POLÍTICO
 Decadência do Império Carolíngio interrompia o
sonho de unidade política européia e estimulava o
reaparecimento da inquietação apocalíptica (castigos
divinos)
 Milanarismo – mentalidades
 Feudalismo – estruturas econômicas
 NO PLANO ESPIRITUAL
 As dificuldades da época estavam relacionadas a crise
da igreja
 “Sob o domínio dos leigos”
 O baixo padrão moral e cultural do clero p.24
 Situação eclesiástica acentuada pela desorganização
do Estado e do direito – permitiu a reemergência de
antigos ídolos pagãos
 O diabo ganhava papel central ... Não definido em
séculos anteriores
 NO PALNO MATERIAL
 A produção se revigorava graças a uma suavização do
clima, a uns poucos porém eficazes aperfeiçoamentos
das técnicas agrícolas, aos progressos da nova
organização sociopolítica feudal [...]
 O recuo do poder monárquico permitia que as novas
riquezas geradas fossem concentradas nas mãos de
um pequeno grupo.
 O quase desaparecimento do campesinato livre, o que
acentuava a sensação de instabilidade, de fragilidade
social
 NO PLANO CULTURAL
 Fragmentação manifestou-se na sua organização lingüística,
que o tornava uma nova Torre de Babel.
 Latim deixava de ser a língua viva, apenas o clero cristão;
 O clero era bilíngue, utilizavam o latim no estudo, na liturgia e
na comunicação com os colegas o dialeto local (românico ou
germânico)
 Por essa via muitos elementos da língua falada popular
acabavam passando, depois de certa adaptação morfológica, para
o latim escrito, que pretendia homogeneidade, assumindo em
cada local contornos lexicais próprios devido a influencia da
língua vernácula
 Grandes áreas lingüísticas que iriam estavam subdivididas em
diversos falares, que iriam precisar de quatro ou cinco séculos
para se reagrupar e dar origem as línguas nacionais em fins da
Idade Média
 As dificuldades acima comentadas eram prenúncios de “um novo
mundo”p. 26
A “REVOLUÇÃO FEUDAL”
 A crise do século X quebrava os padrões sob os
quais se tinha vivido durante pelo menos
duzentos anos, a sociedade cristã ocidental
buscou uma nova organização.
 O processo de implantação desse modelo social,
nascido de uma inovadora articulação de
inúmeras instituições e práticas preexistentes foi
chamado por George Duby de “Revolução feudal”
– conjunto de mudanças pleno de consequências
históricas importantes, “revolucionárias”
 Essas mudanças constituíam-se no pano de fundo
da vida na passagem do século X para XI
 NO PLANO POLÍTICO
 Conclui-se um longo processo de fragmentação do
poder central
 Crise do Império Romano no século III e reforçada pelo
desmembramento do Império Carolíngio no século IX
 Transferência do poder para particulares
 NO PLANO INSTITUCIONAL
 Desde o século VI desenvolviam as relação
feudovassálicas, sintoma e estímulo da fraqueza do
Estado;
 Estilhaçava-se o poder tanto do rei quanto dos
duques, marqueses, condes e viscondes, gerando
milhares de verdadeiros “micro-Estados”, os feudos
 NO PLANO SOCIAL
 Nos séculos V e VI hierarquização sexual de três
níveis - Virgens, continentes, casadas. Estabelecida
por São Jerônimo, Santo Augustinho e Gregório
Magno – Conotação Moral
 Em 1027 o bispo Adalberon de Laon dividiu a
sociedade em três camadas relativamente inflexível,
decorrentes do desejo divino e chamadas por isso de
“ordens”: oradores (clerigos), bellatores(guerreiros),
laboratores(trabalhadores)
 NO PLANO ECONOMICO
 O caráter agrário foi acentuado pela longa decadência
do Estado, pelo enfraquecimento da vida urbana, pela
menor intensidade das trocas comerciais e pelo recuo
da economia monetária