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ATC JURÍDICOS

DIREITO ADMINISTRATIVO

Professor: Sérgio Brito


Email: sergioabrito@yahoo.com.br

PODERES ADMINISTRATIVOS
PODERES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA –
CONCEITOS INICIAIS:
• Os poderes administrativos são os meios (instrumentos)
através dos quais os sujeitos da Administração Pública
(entidades administrativas, órgãos e agentes públicos)
exercem a atividade administrativa na gestão dos interesses
coletivos (finalidade pública). São, na verdade, poder-dever.
• José dos Santos Carvalho Filho – poderes administrativos
são “o conjunto de prerrogativas de direito público que a
ordem jurídica confere aos agentes administrativos para o
fim de permitir que o Estado alcance seus fins”
• Todos esses poderes encerram prerrogativas de autoridade,
que só podem ser exercidas dentro dos limites da lei,
respeitados os direitos dos administrados.
• São poderes instrumentais. Não são poderes estruturais.
PODERES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA -
CARACTERÍSTICAS:
• Obrigatoriedade (é poder-dever): o seu exercício é
obrigatório. Mas pode haver discricionariedade em algumas
situações (conveniência e oportunidade).
• São irrenunciáveis: não se pode abrir mão da prerrogativa
(poder). Contudo, pode haver delegação em alguns casos.
Na delegação, não há renúncia de competência.

• Limites - No exercício do poder, deve-se respeitar os


limites da lei (limites de competência e as sujeições
contidas nos princípios do regime jurídico-administrativo).
• Responsabilização do agente público: se extrapolar os
limites legais, o agente pode ser responsabilizado nas três
esferas (administrativa, civil e penal).
PODER VINCULADO OU REGRADO
 É o poder que a lei confere à Administração Pública para
a prática de ato de sua competência, determinando desde
logo os elementos e requisitos necessários à sua
formalização. Em suma, é o poder para a prática de atos
vinculados (todos os elementos do ato estão previamente
estabelecidos na lei).

 Não há margem de liberdade para agente público


quanto à apreciação de aspectos relacionados à
oportunidade e conveniência.

 No exercício de atividade vinculada só há uma solução,


que é aquela que está descrita na lei. Não existe margem
de escolha para o administrador.
PODER DISCRICIONÁRIO
• É a faculdade de que dispõe a Administração Pública para,
diante de certa situação concreta, escolher uma entre as
várias soluções juridicamente possíveis e admitidas pelo
Direito (=poder para praticar e revogar ato discricionário).
• Há liberdade para o agente quanto à apreciação de aspectos
relativos à oportunidade e conveniência.
• Qual a razão de existir o poder discricionário? Impossibilidade
de o legislador prever todas as possibilidades (contingências).

• A discricionariedade pode ocorrer de duas formas:


• Quando a lei expressamente confere liberdade de agir ao
administrador, dentro de certos limites (margem de atuação);
• No caso de utilização, pela lei, de conceitos jurídicos
indeterminados (conceitos vagos e abertos que permitem ao
administrador, no caso concreto, construir a solução
adequada ao interesse público, ex: decoro, bons costumes,
boa-fé)
PODER DISCRICIONÁRIO
• Mérito administrativo - é o juízo de oportunidade e conveniência
que a Administração Pública pode exercer em dada situação, no
desempenho de uma competência discricionária.
• Cuidado: o mérito administrativo não pode ser controlado pelo
JUDICIÁRIO. Ele é insindicável.

• O controle judicial dos atos discricionários se dá com base nos


princípios da razoabilidade e proporcionalidade (ou seja, o ato
administrativo deve ser razoável e proporcional).

• Discricionariedade x Arbitrariedade.

• Competência e finalidade – são sempre vinculados.


• Motivo, objeto e forma – podem ser discricionários ou vinculados.
A discricionariedade pode abranger a valoração do motivo e a
escolha do objeto do ato, além da forma em alguns casos.
PODER VINCULADO E DISCRICIONÁRIO
• DI PIETRO (CRÍTICA) – Os chamados poderes
discricionário e vinculado não existem como
poderes autônomos. São, em verdade, atributos de
outros poderes ou competências da Administração.
• Ademais, o “poder vinculado” não encerra
prerrogativa do Poder Público, mas, ao contrário,
está ligado à ideia de restrição por se sujeitar à lei
em praticamente todos os aspectos da atividade
administrativa”.
• As várias competências exercidas pela
Administração com base nos poderes regulamentar,
disciplinar e de polícia, serão vinculadas ou
discricionárias, dependendo da liberdade, deixada
ou não, pelo legislador à Administração Pública.
PODER HIERÁRQUICO
• Este poder confere à Administração Pública a capacidade de
ordenar, coordenar, controlar (fiscalizar) e corrigir as atividades
administrativas no âmbito interno da Administração.

• Organização administrativa = distribuição de competência +


definição de hierarquia.
• Hierarquia – é a relação de coordenação e subordinação entre
os órgãos (ou agentes) da Administração Pública. Difere de
vinculação (AP Direta → AP Indireta).

• Recurso hierárquico impróprio: a rigor, não cabe recurso perante a


Administração Direta, contra atos praticados por entidades da
Administração Indireta. Todavia, em casos excepcionais, quando
houver previsão legal expressa, será possível o recurso, que nesse
caso será chamado de recurso hierárquico impróprio, pois não há
relação de hierarquia entre a entidade que editou o ato recorrido e
aquela com competência para examinar o recurso.
PODER HIERÁRQUICO

• Decorrem do poder hierárquico:


• dever de obediência (mas as ordens
manifestamente ilegais – não devem ser
cumpridas);
• possibilidade de aplicação de sanção
disciplinar (poder disciplinar);
• o controle (fiscalização) que poderá resultar
na revisão do ato do subordinado. No
exercício do poder hierárquico - o controle
abrange legalidade (anulação) e mérito
(revogação).
• avocação e delegação de funções.
PODER HIERÁRQUICO

• Delegação = A competência é irrenunciável, mas pode


ocorrer delegação (=transferência de atribuição do
agente/órgão superior para o subordinado).
• Cuidado: é possível a delegação para órgão/agente
não subordinado (delegação horizontal)!!!!

• Lei 9.784/99: Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular


poderão, se não houver impedimento legal, delegar parte
da sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda
que estes não lhe sejam hierarquicamente
subordinados, quando for conveniente, em razão de
circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica
ou territorial.
PODER HIERÁRQUICO
• Matérias indelegáveis: (art. 13 da Lei. 9.784/99):
• a edição de atos de caráter normativo,
• a decisão de recursos administrativos e
• as matérias de competência exclusiva do órgão ou
autoridade.

• Questão: No caso de delegação, a responsabilidade pelo ato


praticado pelo delegado recai sobre o agente delegado ou
delegante? Sobre o delegado, salvo se a delegação foi ilegal.
• Na delegação a autoridade delegante continua competente
para a prática do ato.
• O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela
autoridade delegante.
PODER HIERÁRQUICO
• Avocação – o superior hierárquico chama para si a execução de
atribuições cometidas originariamente a seus subordinados. Cuidado –
só é possível em caráter excepcional. Nos termos do art. 15 Lei
9.784/99:
“Será permitida, em caráter excepcional e por motivos
relevantes devidamente justificados, a avocação temporária de
competência atribuída a órgão hierarquicamente inferior”.
• Poder disciplinar – também é consequência do poder hierárquico.
Entretanto, pode existir também poder disciplinar sem hierarquia (ex:
aplicação de pena administrativa ao concessionário).

• Cuidado - O poder hierárquico é inerente à intimidade da AP Direta e de


cada entidade da AP Indireta. É de natureza interna.
• Ente estatal x PJ da AP Indireta – não há hierarquia, mas só
vinculação. Não há poder hierárquico. Controle finalístico.
PODER HIERÁRQUICO
• Nos Poderes Judiciário e Legislativo não existe hierarquia no sentido
de relação de coordenação e subordinação, no que diz respeito às
suas funções institucionais (funções típicas ou atividade-fim).
Contudo, nesses Poderes também existem órgãos administrativos
com relação de hierarquia tal como ocorre no Poder Executivo.
• DELEGAÇÃO VERTICAL - os agentes superiores delegam funções
aos subordinados. Decorre da hierarquia. Não se admite a recusa
de funções delegadas (dever de obediência), salvo se não permitida
ou contrária à lei. Ao delegante não caberá qualquer
responsabilização pelo ato praticado, visto que o delegado não age
em nome do delegante, mas sim no exercício da competência que
recebeu.
• DELEGAÇÃO HORIZONTAL – quando não há hierarquia entre o
delegante e o delegado.
• A delegação pode decorrer de portaria, decreto ou qualquer outro ato
de efeitos internos.
PODER DISCIPLINAR
• Atribuição de que dispõe a Administração Pública de apurar as
infrações administrativas e punir:
• seus agentes públicos (ex: servidores) ; e
• demais pessoas sujeitas à disciplina administrativa, que
contratam com a Administração ou se sujeitam a ela (ex:
concessionário de serviço público).

• Supremacia especial: O poder disciplinar abrange só as pessoas


que possuem algum vínculo específico com a administração (= estão
na intimidade da administração). Fora disto, a pena é aplicada com
base no poder de polícia (supremacia geral).

• Formas de punição dos servidores federais (Lei n. 8.112):


advertência; suspensão; demissão; cassação de aposentadoria ou de
disponibilidade; destituição de cargo em comissão e destituição de
função de confiança.
PODER DISCIPLINAR

• Devido processo legal - a apuração da infração e a


aplicação de qualquer sanção disciplinar dependem da
observância do devido processo legal, com a instauração do
processo administrativo disciplinar, assegurando-se ao
suposto infrator o contraditório e a ampla defesa.

• Motivação - O ato de aplicação de penalidade disciplinar


deve ser sempre motivado (Art. 50 Lei n. 9.784/99).

• Proporcionalidade - A sanção deve ser proporcional à


gravidade da infração administrativa.
PODER DISCIPLINAR
• PRINCÍPIO DA ATIPICIDADE E INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS
• Por força do princípio da legalidade, o ilícito administrativo tem
que ter previsão legal. Nesse sentido, grande parte da doutrina
defende o princípio da tipicidade na esfera administrativa, como
decorrência do princípio da legalidade e aplicação analógica do
princípio do direito penal do nullum crimen, nulla poena sine lege
(não existe crime nem pena sem lei que o preveja).
• No entanto, o princípio da tipicidade nem sempre está presente,
tendo em vista que muitas infrações administrativas ainda que
previstas em lei, não são descritas com precisão, ou seja, não
correspondem a um modelo definido em lei. Por exemplo, a pena
de demissão, prevista na Lei n. 8.112/90, para o caso de "conduta
escandalosa" do servidor federal no recinto da repartição, em que
a definição da infração fica sujeita à apreciação da Administração
Pública, que deverá decidir diante das circunstâncias de cada
caso concreto.
• Em razão disso, Di Pietro afirma que, no Direito Administrativo, o
princípio da tipicidade ainda é aplicado de forma limitada, se
comparado com o direito penal. A autora inclusive fala em
princípio da atipicidade.
PODER DISCIPLINAR
• Prescrição (Lei n. 8.112/90, art. 142): o direito de punir do Estado
está sujeito a prazos prescricionais.
• 180 dias – pena de advertência.
• 2 anos – pena de suspensão.
• 5 anos – demais penas.
• Se o fato constituir crime = será a prescrição do crime.
• O prazo de prescrição é contado do conhecimento do fato e não na
data do fato.
• Poder disciplinar é discricionário ou vinculado? Depende:
• Uma vez verificada a prática de infração funcional, a autoridade
tem obrigação de instaurar processo. Não pode o administrador
decidir se instaura ou não instaura (ato vinculado).
• Na aplicação da sanção (dosimetria da pena) – existe certa
discricionariedade quanto, por exemplo, ao número de dias de
suspensão, mas desde que não viole a razoabilidade ou
proporcionalidade (ato discricionário).
PODER DISCIPLINAR

• PRAZOS PARA FINALIZAÇÃO DO PAD (Processo


Administrativo Disciplinar):
• O julgamento fora do prazo previsto na lei não implica
nulidade do processo.
• Entretanto, convém mencionar jurisprudência do STJ no
que toca à interrupção da prescrição:
• Jurisprudência do STJ - após o prazo de 140 dias -
prazo máximo para conclusão e julgamento do PAD a
partir de sua instauração - o prazo prescricional volta
a correr por inteiro.
PODER NORMATIVO OU REGULAMENTAR
• O que é poder regulamentar? Difere de poder normativo? Doutrina
majoritária considera como sinônimos.
• O poder regulamentar tem como objetivo normatizar, disciplinar,
regular, complementando a previsão legal e permitindo a sua fiel
execução.
• A regulamentação é feita por atos que fixam normas gerais e
abstratas, mas que não inovam no mundo jurídico (Cuidado).
• Regulamento x Decreto - decreto é a espécie de ato (a sua forma =
é ato exclusivo do Chefe do Poder Executivo) e regulamento é o
conteúdo do ato (é ato normativo = norma geral e abstrata).
• Decreto Regulamentar = é o decreto que veicula um regulamento.
Trata-se de exercício do poder regulamentar em sentido estrito.
• Limitações ao Poder Regulamentar - o ato normativo não pode
contrariar a lei, nem criar direitos ou impor obrigações, proibições ou
penalidades que nela não estejam previstos (i.e, o ato normativo não
pode dispor contra ou extra legem, só secundum legem).
• AGÊNCIAS REGULADORAS – possuem poder normativo.
PODER NORMATIVO OU REGULAMENTAR
• ATOS NORMATIVOS ORIGINÁRIOS X ATOS NORMATIVOS
DERIVADOS
• Atos normativos originários = são expedidos por um órgão
estatal em virtude de competência própria, outorgada
diretamente pela Constituição, para a criação de regras
instituidora de direito novo. Quer dizer, criam direito novo.
São as leis e as medidas provisórias. A CF também é ato
normativo orginário. (ROGAI)

• Atos normativos derivados = não criam direito novo. São


editados para explicitar o conteúdo normativo de atos
normativos preexistentes, visando à sua execução. Exemplo:
o regulamento (ROGA).
• CF/88 - art. 49, V, é da competência exclusiva do Congresso
Nacional sustar os atos normativos do Poder Executivo
que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de
delegação legislativa.
REGULAMENTO AUTÔNOMO (OU INDEPENDENTE) X
REGULAMENTO EXECUTIVO

• REGULAMENTO EXECUTIVO – é aquele que regulamenta a lei. Ou seja,


é o que complementa a previsão legal permitindo a sua fiel execução: CF
=> Lei => Regulamento Executivo.

• REGULAMENTO ou DECRETO AUTÔNOMO – é aquele que tem


fundamento direto na Constituição e inova na ordem jurídica (Art. 84, VI, da
CF/88). CF => Regulamento Autônomo. É fonte primária. Só em duas
possibilidades poderá ser editado este tipo de decreto:
a) organização e funcionamento da administração federal,
quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de
órgãos públicos; (Cuidado - a extinção ou criação de órgãos públicos só
por meio de lei !!!!!!!!)
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; (cai
sempre em concurso – veja só a extinção de cargo e função e mesmo
assim quando vagos, não pode o decreto determinar a criação de funções
ou cargos).
REGULAMENTO AUTORIZADO
• É aquele que complementa disposições da lei em razão de expressa
determinação contida na própria lei, para que o Poder Executivo
assim o faça. Não se confunde com a lei delegada.

• O STF veda a chamada “delegação legislativa em branco” (ocorre


quando o legislador autoriza o Executivo a disciplinar matérias que são
reservadas à lei).

• A autorização do legislador (regulamento autorizado) pode dizer


respeito somente a matérias não reservadas à lei. Nesse caso, a lei
estabelece as condições, os limites e os contornos da matéria a ser
regulamentada, deixando a cargo do Executivo apenas a fixação de
normas técnicas (complementação técnica).

• Essa competência normativa pelo Poder Executivo é chamada de


discricionariedade técnica.
REGULAMENTO AUTORIZADO

• DESLEGALIZAÇÃO ou DELEGIFICAÇÃO:

• É a retirada, pelo próprio legislador, de certas matérias


do domínio da lei, passando-as para o domínio de
regulamentos de hierarquia inferior.

• Nos limites da deslegalização operada pelas leis


específicas que criam agências reguladoras, tais
entidades exercem poder normativo e emitem normas
genéricas e abstratas a serem observadas no âmbito do
segmento objeto da regulação.
REGULAMENTO AUTORIZADO

• DELEGAÇÃO (CF/88, art. 84) = O Presidente da República


poderá delegar as seguintes atribuições aos Ministros de
Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-
Geral da União, que observarão os limites traçados nas
respectivas delegações:
• dispor sobre: (a) organização e funcionamento da
administração federal, quando não implicar aumento de
despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; e (b)
extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
• conceder indulto e comutar penas, com audiência, se
necessário, dos órgãos instituídos em lei;
• prover os cargos públicos federais, na forma da lei.
PODER DE POLÍCIA
• Sentido amplo: poder de polícia é toda atividade estatal que
condiciona a liberdade e a propriedade visando a adequá-las aos
interesses coletivos. Nessa acepção ampla, o poder de polícia
abrange: atos legislativos (leis) + atos administrativos
(geralmente, do Poder Executivo).

• Sentido estrito: poder de polícia é a atividade administrativa, a


cargo dos órgãos e das entidades da Administração Pública, que
se destina a condicionar e restringir o exercício das liberdades
individuais e o uso, gozo e disposição da propriedade,
objetivando ajustá-lo aos interesses coletivos e ao bem-estar
social da comunidade. Aqui, fala-se em poder de polícia
administrativa.

• Não se confunde com a polícia de segurança pública (polícia


judiciária e de manutenção da ordem pública). Esta é exercida
pelos órgãos de segurança (polícia civil, militar e federal) e
incide sobre as pessoas.
PODER DE POLÍCIA

• Conceito legal: contido no Código Tributário


Nacional:
• Art. 78 do CTN: Considera-se poder de polícia
atividade da administração pública que, limitando
ou disciplinando direito, interesse ou liberdade,
regula a prática de ato ou abstenção de fato, em
razão de interesse público concernente à
segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à
disciplina da produção e do mercado, ao exercício
de atividades econômicas dependentes de
concessão ou autorização do Poder Público, à
tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade
e aos direitos individuais ou coletivos.
• O exercício regular do poder de polícia pode
constituir fato gerador de TAXA.
PODER DE POLÍCIA
• Fundamento do poder de policia: o exercício do poder de polícia
administrativa decorre de uma supremacia geral da Administração
Pública sobre os administrados (ex: multa de trânsito, vigilância
sanitária). Isso significa que não há, no exercício do poder de
polícia, um vínculo especial ou de subordinação (ex: relação interna
do servidor público com a AP – não é poder de polícia).
• DI PIETRO: o fundamento do poder de polícia é o princípio da
predominância do interesse público sobre o particular, que dá a
Administração posição de supremacia sobre os administrados

• Finalidade do poder de polícia: prevenir ou obstar (paralisar)


atividades contrárias ou nocivas aos interesses públicos e sociais.

• Objeto do poder de polícia: A pessoa não é objeto do poder de


polícia, mas só “bem, direito ou atividade”. O poder de polícia incide
sobre o exercício da liberdade e uso, gozo e disposição da
propriedade.
• Liberdade – não significa apenas liberdade de ir e vir.
MANIFESTAÇÕES DO PODER DE POLÍCIA
ADMINISTRATIVA

1) Atos normativos ou gerais - A Administração


Pública expede atos gerais e abstratos restringindo o
exercício da liberdade e o uso, gozo e disposição da
propriedade por parte dos administrados para o fim de
ajustá-las ao interesse público (Ex.: regulamento que
disciplina horário de venda de bebidas alcoólicas).

2) Atos concretos ou individuais - São determinações


que a AP faz sobre a liberdade de um indivíduo ou
sobre uma propriedade específica (Ex.: interdição de
uma fábrica poluente, apreensão de remédio fora do
prazo de validade, interdição de uma boate).
MANIFESTAÇÕES DO PODER DE POLÍCIA
ADMINISTRATIVA

3) Atos de fiscalização - São manifestações que previnem ou


acautelam possíveis danos que podem decorrer da ação dos
administrados (ex.: fiscalização de restaurantes, bares e lanchonetes,
concernente à higiene). Essas manifestações normalmente
materializam-se por meio da autorização e da licença, que se
veiculam por meio de instrumento formal chamado de alvará.
- Autorização – ato administrativo discricionário e precário,
em que predomina o interesse do particular. Ex: autorização para
o uso especial de um bem público.
- Licença – ato administrativo vinculado e definitivo pelo qual a
AP reconhece que o particular detentor de um direito subjetivo
preenche as condições para seu gozo. Ex: licença para construção
de um edifício no terreno do administrado.
Da fiscalização, poderá também resultar aplicação de sanções
(punições), que devem ser previstas na lei (ex: multa, advertência,
interdição de estabelecimento, demolição)
PODER DE POLÍCIA
ESPÉCIES: O poder de polícia pode ser:
a) preventivo - ex: edição de normas, concessão de licença ou
autorização; ou
b) repressivo - ex: aplicação de sanção e apreensão de mercadoria.

EXEMPLOS DE SETORES DA POLÍCIA ADMINISTRATIVA: Polícia


de vigilância sanitária - voltada à proteção da saúde pública
(ANVISA); Polícia de pesos e medidas - destinada à fiscalização dos
padrões de medida, em defesa da economia popular e da segurança
pessoal (INMETRO); Polícia edilícia - relativa às edificações; Polícia
de trânsito - para garantia da segurança e ordem nas vias e rodovias
(SMTT).

CONTROLE: A polícia administrativa se sujeita à autotutela (feita pela


AP) e ao controle judicial.
PRESCRIÇÃO – para aplicar sanção decorrente do exercício do poder
de polícia há prazo de prescrição de 5 anos (Art. 1º, Lei n. 9.873/99).
PODER DE POLÍCIA
ATRIBUTOS DO PODER DE POLÍCIA:
• presunção de legitimidade e veracidade – a
presunção é relativa (iuris tantum).
• imperatividade (ou coercibilidade) – impõe
obrigação ao particular independente de sua
concordância (sua imposição é unilateral).
• auto-executoriedade – permite a execução direta
pela administração, independente de ordem judicial
prévia.
• Cuidado: há exceção (ex: multas devem ser cobradas na via
judicial).

• Divergência doutrinária: há autores que dividem a auto-


executoriedade em dois atributos: executoriedade (meio de
coerção direto) e exigibilidade (meio de coerção indireto).
Nesse sentido, a multa tem o atributo da exigibilidade.
PODER DE POLÍCIA

• É ato discricionário ou vinculado? Em geral, é


discricionário, mas pode ser vinculado também em alguns
casos quando a lei assim estabelecer (ex: concessão de
licença).

• Pode ser delegado o poder de polícia ao particular?


Não. STF - o poder de policia é atividade exclusiva do
Estado. Só pode ser delegado (outorgado) para PJ de
Direito Público.
• Mas, se admite a delegação para o particular de atos
meramente materiais (ex: demolição do prédio interditado;
medição de velocidade dos veículos e fotos para depois serem
lavradas as multas de trânsito pelo agente público).
PODER DE POLÍCIA
STJ - REsp 817.534/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, 2ª TURMA: DELEGAÇÃO DO PODER DE POLÍCIA:
• As atividades que envolvem a consecução do poder de polícia
podem ser sumariamente divididas em quatro grupo, a saber: (i)
legislação (ordem de polícia), (ii) consentimento, (iii) fiscalização
e (iv) sanção.
• No âmbito da limitação do exercício da propriedade e da
liberdade no trânsito, esses grupos ficam bem definidos: o CTB
estabelece normas genéricas e abstratas para a obtenção da
Carteira Nacional de Habilitação (legislação); a emissão da
carteira corporifica a vontade o Poder Público (consentimento);
a Administração instala equipamentos eletrônicos para verificar
se há respeito à velocidade estabelecida em lei (fiscalização); e
também a Administração sanciona aquele que não guarda
observância ao CTB (sanção).
• Somente o atos relativos ao consentimento e à fiscalização são
delegáveis, pois aqueles referentes à legislação e à sanção
derivam do poder de coerção do Poder Público.
ABUSO DE PODER

ABUSO DE PODER – é atuar em desconformidade com o Direito,


violando normas jurídicas e os direitos e garantias do cidadão.
Pode levar ao dever de indenizar se causar dano ao administrado.
Ocorre de duas formas:
Excesso de poder = ocorre quando o agente exorbita no uso
de suas faculdades administrativas. Atua fora dos limites de suas
atribuições (competência). Ofende o requisito da competência.
Desvio de poder ou finalidade = o agente público, embora
dentro de sua competência, afasta-se do interesse público ou da
finalidade prevista na lei para a prática do ato. Ofende o requisito
da finalidade.
- Nas duas situações, o ato contém vício de ilegalidade.
=> É possível abuso de poder na forma omissiva? Sim, abuso de
poder é possível no caso de ação (forma comissiva) ou de
omissão (forma omissiva).