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NATUREZA FÍSICA DOS MATERIAIS

A MATÉRIA
A MATERIA:
• O Universo conhecido manifesta-se basicamente através de duas formas:
matéria ou energia. Esses dois aspectos, embora diferentes, pertencem à
mesma realidade. Cientificamente, matéria é tudo que tem massa e ocupa
espaço. De modo mais simples, matéria é tudo aquilo que tem existência
física, algo real. Água, terra, ar, borracha, porcelana e papel são exemplos
de matéria. Ao contrário do quem muitos pensam a matéria não se apresenta
apenas na forma sólida, mas também na forma líquida e gasosa.
• A matéria pode ser vista sob duas óticas: a quantidade e a qualidade.
Quando a analisamos sob a ótica da qualidade, ela é
denominada substância. Toda substância tem uma determinada composição e
um conjunto de propriedades definido. O cloreto de sódio, por exemplo, é
composto por 39,34% de sódio e 60,66% de cloro. A junção de duas ou mais
substâncias é denominada mistura: queijo, água etc.
• Ao analisarmos a matéria do ponto de vista da qualidade ela passa a ser
denominada como substância. Grosso modo, podemos dizer que substância é a
matéria prima: madeira, ouro, ferro. Uma substância poderá ser trabalhada,
modelada, de forma a servir as necessidades humanas. Por exemplo: da
madeira pode-se fazer a cadeira para que possamos sentar, do ouro pode-
se fazer uma variedade de ornamentos e do ferro podem-se fazer portões
que protegem as casas.
• A matéria, embora não pareça, é mutável, isto é, está sempre passando por transformações.
As transformações podem alterar ou não a natureza da matéria. Dentro desse contexto
encontram-se os fenômenos físicos e químicos.
• É importante frisar que fenômeno é toda e qualquer transformação da matéria, apenas o
tipo de fenômeno é que muda. Quando o fenômeno provoca a modificação natural da
matéria, alterando a sua composição, ele é denominado fenômeno químico. E quando o
fenômeno não altera a composição da matéria é chamado de fenômeno físico.
• Resumindo, temos:
• Fenômeno químico: é a transformação da matéria que provoca alteração na sua
composição. Exemplos: combustão, ferrugem, fotossíntese, etc.
• Fenômeno físico: é a transformação da matéria que NÃO provoca alteração na sua
composição. Exemplos: mudanças de estado físico (fusão, evaporação, etc), propagação de
calor, etc.
PROPRIEDADES DOS MATERIAIS
• O estudo das propriedades físicas e químicas dos materiais ajuda a compreender as
transformações que ocorrem na natureza, como, por exemplo, a formação de fósseis, a
atividade vulcânica, a constituição das rochas, a formação de grutas calcárias, a
degradação de monumentos de pedra calcária pela erosão e pelas chuvas ácidas, a
precipitação de sal nas salinas, enfim, a atividade natural da Terra e a que é devida à
intervenção humana. Os químicos e físicos trabalham ao lado de engenheiros, médicos,
biólogos, bioquímicos e outros, estudando as propriedades dos materiais conhecidos, com
vista a adequá-los para certos fins e a produzir novos materiais, tendo em vista a melhor
qualidade de vida e a sustentabilidade do planeta."

Fig.1-O grafite é mole Fig.2-O açúcar é solúvel Fig.3- O vidro é quebradiço


PROPRIEDADES FÍSICAS E PROPRIEDADES QUÍMICAS DOS
MATERIAIS
• COMPETÊNCIAS
• •Compreender que os materiais apresentam propriedades que os permitem distinguir.
• •Compreender o significado de propriedades caraterísticas.
• •Compreender que as propriedades caraterísticas podem ser físicas ou químicas.
• •Compreender o conceito de densidade.
• •Efetuar cálculos simples relativos a densidade de materiais sólidos e líquidos.
• •Conhecer os diferentes estados físicos da matéria;
• •Saber identificar mudanças de estado físico.
• •Definir ponto de fusão e ponto de ebulição.
• •Compreender que se podem identificar substâncias através de ensaios físico-químicos.
• Que propriedades podemos referir para um material?
• As substâncias apresentam diversas propriedades como cor, brilho, estado
físico, dureza,…
• O cobre é uma substância sólida, castanho--avermelhada, com brilho, boa
condutora do calor e da corrente elétrica.
• O sulfato de cobre(II) hidratado é uma substância sólida, azul, solúvel em
água e insolúvel em álcool etílico (etanol).
• A grafite é uma substância sólida, cinzenta, sem brilho, risca facilmente o
papel e é boa condutora da corrente elétrica.
• As substâncias têm propriedades características; são estas propriedades
que permitem distingui-las umas das outras.
• As propriedades características de uma substância podem ser:

Propriedades físicas Propriedades químicas

São as caraterísticas que se podem observar sem Referem-se à capacidade de uma substância se
mudar a identidade dessa substância; relacionam-se poder transformar noutra substância; relacionam-se
com transformações físicas. com transformações químicas.
Cor, dureza, estado físico, temperatura, massa, ponto Combustibilidade
de fusão, ponto de ebulição, densidade, etc..

Por exemplo:
A grafite é mole – propriedade física
O magnésio arde na presença do oxigénio – propriedade química
QUE PROPRIEDADES FÍSICAS PODEM IDENTIFICAR UMA
SUBSTÂNCIA?

• As propriedades físicas características de uma substância, mais facilmente


detetáveis, são:
• massa volúmica;
• estados físicos;
• temperatura de fusão ou ponto de fusão;
• temperatura de ebulição ou ponto de ebulição.
MASSA VOLÚMICA DE UMA SUBSTÂNCIA

• Os três cubos, um de alumínio, outro de cobre e outro de chumbo, todos


com 1 cm3 de volume (a 20 ºC), têm massas diferentes:
• O cubo de alumínio tem a massa de 2,7 g
• O cubo de cobre tem a massa de 8,9 g
• O cubo de chumbo tem a massa de 11,4 g
• Como volumes iguais de alumínio, cobre e chumbo têm massas diferentes,
dizemos que as suas massas volúmicas são diferentes.
MASSA VOLÚMICA DE UMA SUBSTÂNCIA
• massa volúmica (ρ) de uma substância é igual à razão entre a massa (m) de substância e o volume (V) que ocupa:
•ρ=m/v
• Unidades SI:
• Massa – quilograma (kg)
• Volume – metro cúbico (m3)
• Densidade – quilograma por metro cúbico (kg/m3)
• Cada substância tem um valor característico para a sua massa volúmica, a uma dada temperatura, e esses valores estão
tabelados.
• Por exemplo:
• Cada substância tem um valor característico para a sua massa volúmica, a uma dada temperatura, e esses valores estão
tabelados.
• ρalumínio = 2,7 g/cm3 ; ρcobre = 8,9 g/cm3 ; ρchumbo = 11,4 g/cm3 ;
• chumbo tem massa volúmica superior à do cobre e este tem massa volúmica superior à do alumínio.
• No dia-a-dia dizemos que:
• O chumbo é mais denso do que o cobre e que este é mais denso do que o alumínio.
MASSA VOLÚMICA DE UMA SUBSTÂNCIA
ESTADO FÍSICO SUBSTÂNCIA DENSIDADE (g/cm3)
GASOSO Azoto 0,00125
(a 0ºC e à pressão normal Dióxido de carbono 0,00198
Hélio 0,00018
Oxigénio 0,00143
LÍQUIDO Água (a 4ºC) 1,0
(a 20ºC e à pressão normal) Água 0,998
Álcool etílico 0,789
Mercúrio 13,6
SÓLIDO Alumínio 2,7
Cobre 8,0
Ferro 7,8
Prata 10,5
Ouro 19,3
• Exemplo 1:
• Uma moeda, encontrada no espólio de um galeão naufragado, tem uma massa de 35,8 g e
um volume de 3,4 cm3.
• Qual será o material de que a moeda é constituída?
• Justifica com cálculos apropriados.
• Dados: m = 35,8 g , V = 3,4 cm3.
• d= m/v = 35,8/3,4 = 10,5 g/cm3.
• Consultando uma tabela de densidades(como a da página 41 do manual) pode-se concluir
que a moeda é constituída por prata.

• Exercício 1:
• Uma amostra de mercúrio apresenta a massa de 58,6 g. determina o volume do mercúrio,
sabendo que a sua densidade é de 13,6g/cm3.
ESTADOS FÍSICOS
• Os materiais podem-se encontrar em três estados físicos diferentes:
• Estado sólido :
• Têm forma definida,
• Tem um volume constante;
• Não são compressíveis.
• Estado líquido :
• Tem forma variável (a do recipiente);
• Tem volume constante (a temperatura constante);
• São dificilmente compressíveis.
• Estado gasoso :
• Têm forma variável (a do recipiente);
• Tem um volume variável;
• São facilmente compressíveis.
• Os materiais podem existir nos três estados físicos,
• dependendo da pressão e da temperatura a que se encontram.
TEMPERATURAS DE FUSÃO E DE EBULIÇÃO
• Quando se aquece ou arrefece um material, pode ocorrer uma mudança de
estado.
• Estado sólido Estado líquido Fusão
• Estado líquido Estado sólido Solidificação
• Estado líquido Estado gasoso Vaporização
• Estado gasoso Estado líquido Condensação
• Estado sólido Estado gasoso Sublimação
• Estado gasoso Estado sólido Sublimação
A QUE TEMPERATURA FUNDE UMA SUBSTÂNCIA?
• A temperatura de fusão de uma substância é a temperatura à qual essa
substância passa do estado sólido ao estado líquido. Enquanto se dá a
fusão da substância (pura) a temperatura mantém-se.

Gráfico da variação da temperatura da água (inicialmente gelo) durante o tempo de aquecimento.

Cada substância tem um valor característico para a sua temperatura de fusão.


QUAL O EFEITO DA PRESENÇA DE IMPUREZAS NO
PONTO DE FUSÃO DE UMA SUBSTÂNCIA?
• A presença de impurezas numa substância faz baixar a temperatura de
fusão dessa substância.
• Exemplo:
• O gelo funde a 0 ºC (à pressão normal).
• O gelo com sal funde a uma temperatura inferior a 0 ºC (à pressão normal).
• Obs:
• Nas estradas com neve adiciona-se muitas vezes “sal” para evitar a
formação de gelo.
A QUE TEMPERATURA ENTRA EM EBULIÇÃO UMA
SUBSTÂNCIA?
• A temperatura de ebulição de uma substância é a temperatura à qual essa
substância passa do estado líquido ao estado gasoso. Enquanto se dá a ebulição
de uma substância (pura) a temperatura mantém-se.

Cada substância tem um valor


característico para a sua
temperatura de ebulição.

• Gráfico da variação da temperatura da água durante o tempo de aquecimento.


• A presença de impurezas numa substância faz aumentar a temperatura de
ebulição dessa substância.
TIPOS DE LIGAÇÕES DOS ÁTOMOS
• Quando um átomo forte (com grande eletronegatividade) se liga a um átomo fraco (com baixa eletronegatividade), há
transferência definitiva de elétron do mais fraco para o mais forte. Se tirarmos um elétron de um átomo, ele deixa de ser
neutro, pelo desequilíbrio entre seu número de prótons e de elétrons.
• Quando um átomo perde elétron, ele fica com mais prótons do que elétrons, e sua carga passa a ser positiva. Se o átomo
ganhar elétrons, também haverá um desequilíbrio de cargas e, como ele terá mais elétrons do que prótons, ele será
eletricamente negativo. Um átomo que deixa de ser eletricamente neutro, se tornando positivo ou negativo, passa a ser
chamado de íon. Aproximando um átomo altamente eletronegativo de um de baixa eletronegatividade, ele captura elétrons
tornando-se um íon negativo e tornando o outro um íon positivo. Como cargas elétricas opostas se atraem, eles ficarão
ligados por atração eletromagnética e o tipo de ligação será chamada de ligação iônica. e aproximarmos dois átomos de
forte eletronegatividade, um não terá força para capturar o elétron do outro permanentemente. Ele captura o elétron mas o
outro consegue capturá-lo de volta e, além de retomá-lo, captura um elétron do outro. Esse jogo fica se repetindo fazendo
com que o par de elétrons (um de cada átomo) fique orbitando pelos dois átomos. É importante perceber que nesse caso
não há formação de íons. Esse tipo de ligação, onde não há transferência definitiva de elétrons, e sim compartilhamento do
par, é designada ligação covalente.
NATUREZA ELÉTRICA DA MATÉRIA
• Segundo a visão atomista do universo, todos os corpos são constituídos por partículas elementares que formam átomos. Estes,
por sua vez, se enlaçam entre si para dar lugar às moléculas de cada substância. As partículas elementares são o próton e o
nêutron, contidos no núcleo, e o elétron, que gira ao seu redor e descreve trajetórias conhecidas como órbitas.
• A carga total do átomo é nula, ou seja, as cargas positiva e negativa se compensam porque o átomo possui o mesmo número
de prótons e elétrons – partículas com a mesma carga, mas de sinais contrários. Os nêutrons não possuem carga elétrica.
Quando um elétron consegue vencer a força de atração do núcleo, abandona o átomo, que fica, então, carregado
positivamente. Livre, o elétron circula pelo material ou entra na configuração de outro átomo, o qual adquire uma carga
global negativa.
• Os átomos que apresentam esse desequilíbrio de carga se denominam íons e se encontram em manifestações elétricas da
matéria, como a eletrólise, que é a decomposição das substâncias por ação da corrente elétrica. A maior parte dos efeitos
de condução elétrica, porém, se deve à circulação de elétrons livres no interior dos corpos. Os prótons dificilmente vencem as
forças de coesão nucleares e, por isso, raras vezes provocam fenômenos de natureza elétrica fora dos átomos.
CLASSIFICAÇÃO DOS MATERIAIS QUANTO À
NATUREZA ELÉTRICA
• Os materiais podem ser classificados em 04 (quatro) tipos:

• Condutores; Isolantes; Semicondutores; Supercondutores.

• 1.1.1 - Condutores:
• Dizemos que um material é condutor, quando os elétrons são fracamente ligados ao núcleo e ao serem submetidos a uma diferença de potencial passam a se locomover
no interior do material, permitindo dessa forma a condução de corrente elétrica

• Podemos citar como exemplo o ouro, a prata, o cobre e outros.

• 1.1.2 - Isolantes:

• Dizemos que um material é isolante, quando os elétrons se encontram fortemente presos em suas ligações, evitando a circulação desses elétrons, não permitindo a
condução de corrente elétrica

• Podemos citar como exemplo, a borracha, a mica, a porcelana, etc.

• 1.1.3 - Semicondutores:

• Dizemos que um material é semicondutor se sua resistência se encontra entre a dos condutores e a dos isolantes. No seu estado natural os semicondutores não conduzem
corrente elétrica, para que ocorra a condução se faz necessário que o material sofra ação de um fator externo, tal como atrito, aquecimento ou polarização, sendo a
polarização a maneiro utilizada nos circuitos elétricos. Os principais semicondutores utilizados são: Silício (Si) e Germânio (Ge)

• A principal característica dos semicondutores é a de possuir 04 (quatro) elétrons em sua última camada, camada de valência. Isto permite aos átomos do material
semicondutor a formação entre si de ligações covalentes.

• 1.1.4 – Supercondutores:

• supercondutividade é uma propriedade física que certos materiais apresentam quando são esfriados a temperaturas extremamente baixas, podendo conduzir corrente
elétrica sem resistências e nem perdas de energia. Esse fenômeno foi descoberto em 1911 pelo físico holandês Heike Kamerlimgh-Onnes, quando observou que a
resistência elétrica do mercúrio desaparecia ao ser resfriado a 4K, o que corresponde a – 269,15 °C, dessa forma, ele acabava de tornar o mercúrio um material
supercondutor. Esse fenômeno, conseguido com o mercúrio, foi verificado para outros metais, no entanto não foi permitida a aplicação, pois eram necessários muitos
gastos para conseguir manter temperaturas muito baixas.