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O Músculo Cardíaco

Monitoria: Sistema Circulatório – Fisiologia


Monitor: Wesley Rafael
Data: 23/09/2016
O coração
• O coração é formado por duas bombas separadas
• Coração direito: pequena circulação
• Coração esquerdo: Grande circulação
• Cada bomba é composta por:
• Um átrio: Bomba de escorva para o ventrículo
• Um Ventrículo: Fornece força de bombeamento para a grande
circulação
Fisiologia do músculo cardíaco
• O coração é composto por três músculos principais:
• Músculo atrial e ventricular: Contraem-se semelhantemente ao músculo
esquelético
• Fibras especializadas excitatórias e condutoras:
• Contraem-se fracamente (poucas fibras contráteis)
• Controlam o movimento cardíaco: Apresentam descargas elétricas
rítmicas automáticas (na forma de potenciais de ação), ou propagam
esses potenciais
Anatomia fisiológica do músculo cardíaco
• Características histológicas:
• Fibras dispostas em malha
• Músculo cardíaco é estriado
• Filamentos de actina e miosina
• Discos intercalados
Velocidade da condução do sinal no miocárdio
• Fibras musculares atriais e ventriculares: Velocidade de condução de 0,3
a 0,5m/s. Isso corresponde a aproximadamente 1/250 da velocidade de
fibras nervosas e 1/10 da velocidade de fibras musculares esqueléticas
• Sistema condutor especializado do coração (fibras de purkinje): A
velocidade de condução é de 4m/s na maior parte do sistema
Período refratário do miocárdio
• Intervalo de tempo que um impulso
cardíaco normal não pode reexcitar uma
área já excitada do miocárdio
• Período refratário do ventrículo: 0,25 a
0,3 segundo
• Período refratário do átrio: 0,15
• Período refratário relativo: Intervalo de
tempo (cerca de 0,05 segundos) que é
mais difícil de excitar o músculo em
condições normais, mas que ainda é
possível através de um impulso mais
intenso (contração prematura)
Acoplamento Excitação-Contração - A Função dos Íons
Cálcio e dos Túbulos Tranversos
Acoplamento Excitação-Contração

Mecanismo pelo qual o potencial de ação


provoca a contração das miofibrilas

Inicialmente, liberação de íons cálcio pelo retículo sarcoplasmatico de


maneira análoga ao musculo esquelético

Em contrapartida, difusão de íons Cálcio a partir dos próprios


túbulos T

Necessários para a adequada


força da contração cardíaca
Ciclo Cardíaco
• Definição: conjunto dos eventos que ocorrem entre
o início de um batimento e o começo do próximo
(a)Cada ciclo se inicia pela geração espontânea de
potencial de ação no Nodo Sinusal
• Difusão do potencial por ambos os átrios e, depois,
por meio do Feixe A-V para os ventrículos
• Conceitos importantes:
1. Diástole → Período de relaxamento no qual o
coração se enche de sangue
2. Sístole → Período de contração no qual o coração
expulsa o sangue
Eventos do ciclo cardíaco (ex:ventrículo esquerdo)
Efeito da Frequência Cardíaca na Duração do Ciclo Cardíaco
• Aumento da frequência cardíaca → Duração de cada ciclo diminui
Logo,
1. Diminuição das fases de sístole e diástole;
2. Duração do potencial de ação e o período de contração (sístole) diminuem;
3. Período de diástole apresenta o maior decréscimo.
Explicando: Para uma frequência de 72BPM → A sístole corresponde por 40% de todo o ciclo
Para uma frequência 3x maior → A sístole corresponde por 65% de todo o ciclo
Aumento do tempo de sístole e diminuição do tempo da diástole
Não enchimento completo das câmaras
Função dos Átrios como Bomba de Escova
• Geralmente, o sangue flui de modo contínuo vindo das grandes veias para os
átrios → 80% do sangue diretamente dos átrios para os ventrículos.
• Contração atrial → 20% adicionais para encher o que resta dos ventrículos
• Átrios como bomba de escova → Melhora a eficácia do bombeamento em até no
máximo 20%

• Importância Clínica: O coração pode continuar trabalhando, na maioria das


circunstâncias, mesmo sem os 20% adicionais. (Capacidade de Bombear 300% -
400% a mais de sangue do que o necessário).
• Logo, quando os átrios deixam de funcionar normalmente é difícil notar → Sinais
agudos de insuficiência cardíaca podem ocorrer em situações de exercício.
Função dos Ventrículos como Bombas
• Primeiro ⅓ da diástole, ocorre o
período de enchimento rápido
ventricular → valvas AV estão fechadas,
grande quantidade de sangue se
acumula nos átrios; altas pressões nos
átrios forçam abertura das valvas AV.
• Segundo ⅓ da diástole → pequena
quantidade de sangue flui para os
ventrículos, vindo das veias.
• Último ⅓ da diástole → contração dos
átrios, dando impulso adicional ao fluxo
sanguíneo para os ventrículos (~20%
do enchimento ventricular total em
cada ciclo cardíaco).
Esvaziamento Ventricular durante a Sístole
• Período de Contração Isovolumétrica (imediatamente após o início da
contração ventricular): a pressão nos ventrículos sobe abruptamente → valvas
AV se fecham. Mais 0,02-0,03s para que o ventrículo gere pressão suficiente para
abrir as válvulas semilunares (aórtica e pulmonar). Portanto, os ventrículos estão
se contraindo, mas não ocorre esvaziamento.
• Período de Ejeção: quando a pressão no interior do ventrículo esquerdo atinge
~80mmHg (e a do ventrículo direito atinge ~8mmHg) → valvas semilunares se
abrem. O sangue começa a ser imediatamente lançado para as artérias.
• Período de ejeção rápida (primeiro 1/3 do período de ejeção): ocorre 70% do
esvaziamento
• Período de ejeção lenta (⅔ restantes do período de ejeção): ocorre 30% restante
do esvaziamento.
Esvaziamento Ventricular durante a Sístole
• Período de Relaxamento Isovolumétrico: No fim da sístole, o
relaxamento ventricular começa repentinamente, diminuindo assim as
pressões intraventriculares direita e esquerda. As altas pressões nas
artérias que acabaram de ser cheias de sangue voltam a empurrá-lo de
volta para os ventrículos, causando o fechamento das valvas aórtica e
pulmonar. Durante mais 0,03-0,06s o músculo ventricular continua a
relaxar, mesmo sem alteração no volume (período de relaxamento
isovolumétrico). Ao longo desse período, as pressões intraventriculares
regridem rapidamente para os valores diastólicos. Então, as valvas AV se
abrem e inicia-se um novo ciclo de bombeamento ventricular.
Esvaziamento Ventricular durante a Sístole

• Volume Diastólico Final, Volume Sistólico Final e Débito Sistólico:


• Volume diastólico final: aumenta dos volumes ventriculares para 110-120ml
• Débito sistólico: à medida que os ventrículos se esvaziam durante a sístole, o
volume diminui ~70ml
• Volume sistólico final: quantidade restante em cada ventrículo (40-50ml)
• Quando o coração se contrai fortemente, o volume sistólico final pode chegar a
10-20ml. Nesse caso, os volumes diastólicos finais podem chegar a 150-180ml.
Assim, pela capacidade de aumentar o VDF e diminuir o VSF, o débito sistólico
resultante pode ser aumentado até mais de 2x do normal.
FUNCIONAMENTO DAS VALVAS

• Valvas AV (tricúspide e mitral): evitam refluxo de sangue dos ventrículos


para os átrios durante a sístole
• Valvas Semilunares (pulmonar e aórtica): impedem o refluxo da aorta e
das aa. pulmonares para os ventrículos durante a diástole.

• Ambas as valvas abrem e fecham passivamente, dependendo do


gradiente de pressão.

• Função dos mm. papilares: contraem-se simultaneamente às paredes


ventriculares, evitando que as valvas sejam muito abauladas para trás.
FUNCIONAMENTO DAS VALVAS

• Valvas das aa. Pulmonar e Aórtica:


diferem das valvas AV por alguns
motivos
• Fechamento repentino;
• Aberturas menores → velocidade
da ejeção do sangue muito maior
(extremidades sujeitas a
desgaste);
• Valvas AV são contidas pela
cordoalha tendínea, enquanto as
valvas semilunares não são.
Curva da Pressão Aórtica
• A entrada de sangue na artéria, a partir da
sístole, provoca distensão de suas paredes
e consequente aumento da pressão para
aprox. 120mmHg;

• Do final da sístole até a diástole, a


propriedade elástica das paredes aórticas
mantém a pressão elevada;

• Incisura: leve depressão da pressão


aórtica no momento em que a válvula
aórtica se fecha.
• Causada por pequeno fluxo sanguíneo
retrógrado imediatamente antes do
fechamento valvar, seguida pela
cessação abrupta desse refluxo
Curva da Pressão Aórtica
• Após o fechamento da valva aórtica, a pressão aórtica cai vagarosamente
até 80 mmHg durante a diástole, devido ao fluxo do sangue em direção às
artérias periféricas;

• Pressão Sistólica: 120 mmHg


• Pressão Diastólica: 80 mmHg (⅔ P.S.)

• A curva de pressão na artéria pulmonar é semelhante à da aorta, embora


com valores 6 vezes menores;
Relação entre os Sons e o Bombeamento Cardíaco
• Ao auscultar o coração, se ouve o fechamento das valvas, que é quando
os folhetos valvares e os líquidos que as banham vibram sob efeito da
variação abrupta de pressão, originando sons;

• O processo de abertura das valvas, normalmente, não produz sons;

1º Som Cardíaco: Fechamento das Valvas A.V. (Sístole); Timbre baixo e


longa duração

2º Som Cardíaco: Fechamento das Valvas Aórtica e Pulmonar (Diástole);


“Rápido estalido”
Produção de Trabalho pelo Coração
• Trabalho Sistólico do Coração: quantidade de energia que o coração converte em
trabalho a cada batimento, ao bombear o sangue para as artérias.
• Trabalho Sistólico-Minuto: quantidade total de energia convertida em trabalho em 1
minuto; resultado do trabalho produzido multiplicado pela frequência cardíaca.

2 Componentes:
1. Trabalho Volume-Pressão ou Externo: utilizado para impulsionar o sangue venoso, de
baixas pressões, para o arterial, de pressões elevadas. Consome a maior parte da energia.
2. Energia Cinética do Fluxo Sanguíneo: utilizado para acelerar o sangue até a velocidade de
ejeção, pelas valvas aórtica e pulmonar. Consome quantidade mínima de energia.

• Trabalho Externo do V.E. = 6x Trabalho Externo do V.D. (Diferença de 6 vezes entre as


pressões diastólicas);
• Produção de trabalho para criar a energia cinética do fluxo, no V.E., é de cerca de 1% da
produção de trabalho total do ventrículo;
Análise da Mecânica do Bombeamento Ventricular
• Curva da Pressão Diastólica: volumes
progressivamente crescentes de sangue
preenchem o ventrículo;
• Curva da Pressão Sistólica: durante a
diminuição do volume ventricular, decorrente
da expulsão do sangue;

• Até o volume de 150 ml, a pressão diastólica


não chega a aumentar muito, e o sangue pode
fluir livremente do átrio para o ventrículo;
• Acima desse valor, a pressão sobe
rapidamente porque o tecido fibroso cardíaco
não pode se distender mais e o pericárdio
chegou ao seu limite de volume;
Análise da Mecânica do Bombeamento Ventricular
• A pressão sistólica se eleva mesmo com
volumes baixos, e atinge seu máximo com
volumes entre 150 e 170 ml;
• Acima desses valores, a pressão sistólica tende
a diminuir porque os filamentos de actina e
miosina das fibras cardíacas ficam muito
afastados, reduzindo a força de contração de
cada fibra;
• A pressão sistólica máxima para o V.E. normal
fica entre 250 e 300 mmHg, e para o V.D.
normal entre 60 e 80 mmHg, variando para
cada pessoa em função da força cardíaca e do
grau do estímulo para inervação cardíaca.
Diagrama Volume-pressão durante o ciclo cardíaco;
O trabalho cardíaco.
• Diagrama volume-pressão do ciclo cardíaco
para o funcionamento normal do ventrículo
esquerdo;
• Fase 1 - Período de enchimento: Período em
que o sangue flui do AE para o VE esquerdo.
(Diástole)
• Início: P. Diastólica de 2 a 3 mmHg e
Volume sistólico final de 50ml.
• Final: Volume diastólico final - 120 mL e
pressão aumentada para cerca de 5 a 7
mmHg.
Diagrama Volume-pressão durante o ciclo cardíaco;
O trabalho cardíaco.
• Fase 2 - Período de contração isovolumétrica:
• Volume ventricular não se altera pois
todas as valvas estão fechadas
• A pressão interna aumenta até atingir a
pressão aórtica de, aproximadamente,
80 mmHg.
• Fase 3 - Período de ejeção:
• A pressão aumenta ainda mais, pois o
VE continua a se contrair. A alta pressão
obtida na fase anterior, abre a valva
aorta, permitindo o fluxo sanguíneo.
• O volume no ventrículo diminui.
Diagrama Volume-pressão durante o ciclo cardíaco;
O trabalho cardíaco.
• Fase 4 - Período de relaxamento isovolumétrico :
• Valva aórtica se fecha
• Pressão ventricular retorna ao valor da
pressão diastólica.
• Não há variação de volume.
• Cerca de 50 mL residuais de sangue no
interior

• A área delimitada pelo diagrama representa a


produção efetiva de trabalho externo do VE
durante o ciclo de contração.
Conceitos de Pré-carga e Pós-carga

• O grau de tensão do músculo quando ele começa a se


contrair é chamado de pré-carga. Já a carga contra a qual o
músculo exerce sua força contrátil denomina-se pós-carga.
• Pré-carga: geralmente é considerada como a pressão
diastólica final quando o ventrículo está cheio.
• Pós-carga: é a pressão na aorta à saída do ventrículo, cerca
de 80 mmHg. Às vezes, a pós-carga é praticamente
considerada como a resistência da circulação, em lugar da
pressão.
Energia química necessária para a contração cardíaca
• O miocárdio utiliza energia química para realizar trabalho de
contração.
• 70% a 90% dessa energia vem do metabolismo oxidativo dos ácidos
graxos. Os 10% a 30% restantes são provenientes de outros
nutrientes, como lactato e glicose.
• Assim, a intensidade de consumo do oxigênio está diretamente
relacionada a quantidade de trabalho realizado pelo coração.
• Índice tensão-tempo: o consumo de oxigênio é quase proporcional à
tensão que ocorre no M. cardíaco durante a contração, multiplicada
pela duração do tempo que a contração persiste.
• Pela tensão ser alta quando a pressão sistólica é alta,
correspondentemente mais oxigênio é usado.
Eficiência da contração cardíaca
• Durante a contração do músculo cardíaco, a maior parte da energia
química consumida é convertida em calor, e em menor proporção, em
trabalho.

• Eficiência de contração cardíaca: proporção entre o trabalho realizado e a


energia química total consumida
• Eficiência máxima: de 20% a 25%;
• Na insufiência cardíaca essa eficiência cai para 5% a 10%.
Regulação do Bombeamento Cardíaco
• Regulação do Bombeamento:
• Mecanismo de Frank-Starling (regulação intrínseca);
• Regulação pelo sistema nervoso autônomo.
Regulação Intrínseca
• Dentro de limites fisiológicos, o coração
bombeia todo o sangue que a ele retorna
pelas veias.
• Retorno venoso
Débito sistólico
• Retorno venoso
• Explicação: o músculo estriado distendido
produz mais trabalho até seu estado
contraído
Curva do Volume
Ventricular
Regulação pelo SNA
Excitação pelos Nervos Simpáticos
• Estímulos simpáticos aumentam:
• Força de contração;
• Frequência cardíaca.
• Inibição simpática reduz em até 30% esses fatores.
• Mecanismo de Frank-Starling + Estimulação Simpática =
Aumento do Débito Cardíaco
Estimulação Parassimpática (Vagal) do Miocárdio
• Fibras localizadas principalmente nos átrios
• Estímulo forte pode diminuir em 20 a 30% a força de contração
miocárdica
• Coração pode parar de bater por alguns segundos
• Enquanto estímulo continua, 20 a 40 bpm
• Bombeamento ventricular diminuido em 50% ou mais
Efeitos dos estímulos
simpáticos e
parassimpáticos na curva da
função cardíaca
• Pressão do átrio direito e
débito cardíaco na saída do
sangue do ventrículo
esquerdo para a aorta
• Débito cardíaco - sobe
durante maiores estímulos
simpátios/ cai durante
estimulos parassimpáticos
• Variações de frequência e
de força contrátil
Efeitos dos íons potássio e cálcio no funcionamento
cardíaco
• Efeitos dos íons potássio
• Excesso de potássio nos líquidos extracelulares:
• diminui o potencial de repouso das membranas das fibras
miocárdicas (despolariza parcialmente a membrana)
• Potencial de membrana diminui = potencial de ação diminui
• Coração dilatado e flácido
• Diminuição da frequência de batimentos
• Bloquio da condução do impulso pelo feixe A-V
Potenciais de ação no músculo cardíaco
Efeitos dos íons potássio e cálcio no funcionamento
cardíaco
• Efeitos dos íons cálcio
• Excesso de cálcio:
• Efeitos quase opostos aos dos íons potássio
• Contrações espásticas do coração
• Flacidez cardíaca (semelhante ao excesso de potássio)
• Raramente estes efeitos se apresentam na clínica
Efeito da temperatura no funcionamento cardíaco
• Aumento de temperatura/ Aumento da frequência
• Diminuição de temperatura/ Diminuição da frequência
• Calor aumenta permeabilidade das membranas do músculo cardíaco aos
íons que controlam a frequência
• Exercício aumenta a força contrátil
• Aumento por longo tempo = exaustão dos sistemas metabólicos
O Aumento da Pressão
Arterial (até Certo Limite)
não Reduz o débito
cardíaco
• Em pressões sistólicas
consideradas normais (entre 80
e 140 mmHg), débito cardíaco
determinado quase
inteiramente pela facilidade
com que o fluxo sanguíneo se
escoa através dos tecidos
corpóreos
Referências
•GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª ed. Rio de Janeiro,
Elsevier Ed., 2012

•SILVERTHORN, D.U. Fisiologia Humana. 5.ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.


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