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Compra e Venda Internacional

A Convenção de Viena de 1980

Trabalho realizado por:


• Ana Cláudia Oliveira Moreira (nº36271)
• Catarina Sofia Moreira Martins (nº36266)
• Marta Beatriz de Matos Coelho (nº36152)

IMP.GE.86.0
IMP.GE.86.0
ANTECEDENTES
• UNIDROIT – proposta de lei uniforme sobre a
venda de mercadorias;

• CONVENÇÕES DE HAIA DE 1964 - duas leis:

Lei Uniforme sobre a Lei Uniforme sobre a


Venda Internacional de Formação dos Contratos de
Mercadorias Venda Internacional de
Mercadorias

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• CNUDCI (1966) – revisão do Direito
uniforme sobre a compra e venda
internacional

• Conferência Diplomática em Viena (1980)

• Convenção da ONU sobre os Contratos


de Compra e Venda Internacional de
Mercadorias

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OBJETIVOS GERAIS
• Promoção de relações amistosas entre os
Estados;

• Uniformização de regras sobre a compra e


venda;
• Eliminação de obstáculos às trocas comerciais;

• Desenvolvimento do comércio internacional;

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OBJETIVO PRIMORDIAL

“Unificar o Direito da Compra e Venda na medida do


necessário à eliminação de eventuais obstáculos
jurídicos ao desenvolvimento do comércio
internacional e com respeito pela diversidade dos
sistemas sociais, económicos e jurídicos nacionais.”

Incerteza quanto ao regime aplicável;


Dificuldade de determinação da lei;
Desconhecimento da lei aplicável

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ÂMBITO DE
APLICAÇÃO

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• I PARTE – Arts. 1º a 13º

• II PARTE – Arts. 14º a 24º


CONVENÇÃO
DE VIENA 1980
• III PARTE – Arts. 25º a 88º

• IV PARTE – Arts. 89º a 101º

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ÂMBITO ESPACIAL – ART.1º

ÂMBITO TEMPORAL – ART. 100º

ÂMBITO MATERIAL – ART. 3º

EXCLUSÃO DE
MATÉRIAS – ART. 2º
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CONSIDERAÇÕES GERAIS
A Convenção rege apenas a formação dos contratos e os
direitos e obrigações das partes – art. 4º.

• Exclusão de questões como a validade e a


transmissão da propriedade – art. 4º al. a) e b).

• Exclusão da responsabilidade do vendedor por danos


causados pelas mercadorias à contraparte – art. 5º.
Quer seja, simultaneamente, fabricante e vendedor;

Quer seja intermediário entre o produtor e o comprador.

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• Possibilidade de as partes excluírem, derrogarem ou
modificarem as disposições da Convenção – art.6º.

Carácter supletivo

Com exceção do artigo 12º

Afastar II parte Art. 92º

Afastar III parte

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• Interpretação das normas convencionais – art. 7º.

• Carácter internacional e uniformidade.

• Respeito pela boa-fé

Proteger o desenvolvimento
do comércio internacional.

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• Integração de lacunas – art. 7º/2

1º - A questão é solucionada pela Convenção

2º - Recurso aos Princípios Gerais que inspiraram a


Convenção

3º - Integração de acordo com a lei aplicável segundo


as regras de DIP.

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• Interpretação da conduta das partes – art. 8º

1º - Feita de acordo com a sua intenção sempre que


for conhecida ou não puder ser ignorada pela outra
parte.

2º -deverá ser seguida a interpretação que lhe daria


uma pessoa razoável, com idêntica qualificação e
colocada na mesma posição do declaratário

Proteção especial da posição do


Artigo 236º CC declaratário
(teoria da impressão do destinatário)

vontade conhecida do
IMP.GE.86.0 declaratário
• Usos e hábitos relevantes – art. 9º

Carácter vinculativo

as partes podem afastar


Supletivo os usos por acordo.

Os usos conhecidos ou cognoscíveis pelas partes e amplamente


seguidos no comércio internacional

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• Pluralidade ou ausência de estabelecimento – art. 10º

Uma ou ambas as partes não têm (ou têm vários) estabelecimentos.

O estabelecimento é substituído Aquele que se encontrar em


pela residência habitual. relação mais estreita com o
contrato e a sua execução.

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• Forma do contrato – art. 11º

Princípio da Consensualidade (art. 219º e 405º CC)

Sem prejuízo do artigo 12º!

Artigo 96º

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FORMAÇÃO DO
CONTRATO
(II PARTE)

Art. 92º

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Generalidade de pessoas

Determinada Indeterminada

Oferta de contrato Oferta ao Mero convite a


público contratar

Art.16º Teoria da Receção


Possibilidade Art.15º
de revogar (art.224ºnº1 CC)
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ACEITAÇÃO DA PROPOSTA

Expressa Tácita Ao silêncio não é


atribuído valor
autónomo

Art. 18º/1
Art. 18º/1, in fine

Prazos: Art. 20º

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RECEÇÃO TARDIA DA ACEITAÇÃO

Convenção Código Civil


de Viena de português
1980 (Art. 229º)
(Art. 21º)

Proteção do negócio

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MODIFICAÇÃO DA PROPOSTA

Alteração Alteração não


substancial substancial

Contra - Proposta Proposta mantém-se

Salvo oposição expressa


do proponente

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CONCLUSÃO DO CONTRATO

Artigo 23º

“O contrato conclui-se no momento em que a


aceitação de uma proposta contratual se torna
eficaz em conformidade com as disposições da
presente Convenção.”

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COMPRA E VENDA DE
MERCADORIAS
(III PARTE)

Art. 92º

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“violação fundamental do contrato” – artigo 25º
=
808º CC
Prejuízo à contraparte

Mora do devedor
Frustração das expectativas (perda do interesse
da contraparte na prestação)

• Esclarecimento do conceito pelo legislador;


• Uniformidade dos conceitos (artigo 7º);

Proteção do negócio
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DECLARAÇÃO DE RESOLUÇÃO
DO CONTRATO
Artigo 26º - Produz eficácia com a notificação à contraparte

TEORIA DA RECEÇÃO?

Artigo 27º

Teoria da Expedição

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EXECUÇÃO ESPECÍFICA

Artigo 28º - Ordenada apenas se no direito interno de


um Estado, quanto à compra e venda, for admissível e o
tribunal do foro agir desse modo em face de casos
semelhantes não regulados pela Convenção.

Não há paridade de partes!

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MODIFICAÇÃO OU EXTINÇÃO
DO CONTRATO

Artigo 29º/1 406º CC


(Consensualidade ou
liberdade de forma)

O contrato pode ser


modificado por simples Regra
acordo entre as partes

Modificação unilateral Exceção

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Artigo 29º/2 Artigo 334º CC

As partes podem clausular


que a modificação ou
extinção é realizada por
escrito.

Ulteriormente, as partes não podem,


por outra forma, derrogar tal cláusula.

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OBRIGAÇÕES DO…
Vendedor Comprador
(art.30º a 52º) (art.53º a 65º)
• Entrega da coisa, assim como, • Pagamento do
documentos a ela relativos; preço;

• Aceitar a entrega
das mercadorias;

• Surgem deveres acessórios: • Podem ser


- Individualização das mercadorias; estipuladas outras
- Escolha ou contratação com a obrigações
transportadora; acessórias;
- Obter um seguro;

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Entrega da coisa Art.31º

• Elenca variadas hipóteses conforme aquilo que for acordado;

• Na falta de estipulação, considera-se como lugar da entrega


da coisa, o domicílio do devedor (art.31º al.c));

Lei Portuguesa:

 Não se vislumbra tanta especificidade;

 Regra: lugar da entrega é o lugar do seu envio ao comprador.


Art. 772 e seguintes CC.

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PRAZO PARA O CUMPRIMENTO

 Cabe às partes determinar este prazo;

 Se nada for dito, este recaí a favor do devedor da


prestação, podendo este eleger o momento da
entrega;

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INCUMPRIMENTO DO CONTRATO PELO
VENDEDOR

O comprador Execução
pode requerer Específica

Pode ainda pedir Resolver o contrato


cumulativamente
uma indemnização
por perdas e danos
Redução do preço
(mesmo tendo pago a
totalidade)

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EM CASO DE INCUMPRIMENTO
PARCIAL …

Art.51º

Admite a resolução parcial relativa à


parte que não foi cumprida, caso se
verifiquem os requisitos do art.49º.

A resolução parcial é afastada se o


incumprimento constituir uma violação
fundamental do contrato.

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INCUMPRIMENTO DO CONTRATO PELO
COMPRADOR
O vendedor Resolver o contrato,
se for uma violação
pode requerer fundamental do
contrato OU se o
comprador não pagar
o preço ou não
aceitar a mercadoria
no prazo adicional.

Fixação de Indemnização por


Execução Especificação danos e perdas
um prazo
específica das coisas
suplementar

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TRANSFERÊNCIA DO RISCO
(art.66º a 70º)

Problema: determinação do momento em


que esta opera

Caráter supletivo
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TRANSFERÊNCIA DO RISCO

Artigo 66
“A perda ou a deterioração das mercadorias ocorrida
após a transferência do risco para o comprador não
libera este da obrigação de pagar o preço,…

…salvo se a perda ou a deterioração se ficarem


a dever a ato ou omissão do vendedor.”

RESTRIÇÃO
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TRANSFERÊNCIA DO RISCO:
CONTRATO QUE IMPLIQUE
TRANSPORTE DE MERCADORIAS

Art. 67º

DUAS REGRAS
DISTINTAS

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MERCADORIAS VENDIDAS EM
TRÂNSITO

Vendedor Comprador

Transportadora

Art. 68º
Art.938º nº1 c) CC

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REGRA GERAL DA TRANSFERÊNCIA DO
RISCO (ART.69º)

• Quando o comprador tomar conta das


mercadorias;

OU
Nº1
• Quando as mercadorias forem postas à disposição
do comprador e este recusa a aceitação das
mercadorias, violando o contrato;

IMP.GE.86.0
REGRA GERAL DA TRANSFERÊNCIA DO
RISCO (ART.69º)

Nº2 - A mercadoria encontra-se em lugar diverso,


estando na posse de terceiros sendo que o risco se
transfere a partir do momento em que o comprador saiba
que o bem está à sua disposição;

Nº3

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RISCO EM CASO DE VIOLAÇÃO
FUNDAMENTAL DO CONTRATO

Art.70º
“Se o vendedor cometeu uma violação fundamental
do contrato, as disposições dos artigos 67, 68 e 69
não prejudicam o recurso aos meios de que o
comprador dispõe em virtude daquela violação
contratual.”

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Portugal Não ratificou

E agora?

Como são reguladas as Compras e Vendas Internacionais com

Estados que aplicam a Convenção de Viena? Será que é deixado ao

arbítrio das partes? Aplicamos o Direito Interno de um dos Estados?

Quid Iuris?

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QUE LEI APLICAR?
• Princípio da Autonomia da Vontade das Partes:
I. Escolha de Lei Nacional
II. Escolha do Direito Interno do outro Estado contraente;

• Cláusula de Arbitragem a que as partes sujeitam o


contrato;

• Regulamento Roma I;

• Aplicação da Convenção por força do jogo das


normas de conflitos.

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EM SÚMULA:
Apesar de Portugal Não podemos excluir,
ainda não ter ratificado imediatamente a sua
a Convenção de Viena aplicação da nossa Ordem
de 1980 Jurídica.

Escolha efetuada:
•pelo Arbitro;
•pelas Partes ao abrigo do Princípio da
Autonomia da Vontade; A Convenção pode
•por força do Regulamento Roma I; ser aplicada
•por força da designação feita pelo indiretamente
Elemento de Conexão das Normas de
Conflitos.
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A Convenção de Viena e a
sua compatibilidade/relação
com outros diplomas de
Direito…

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DIREITO INTERNO
(na hipótese de Portugal ratificar)

• Artigo 8º nº2 Constituição da República Portuguesa

“As normas constantes nas convenções internacionais


regularmente ratificadas ou aprovadas vigoram na
ordem interna após a sua publicação oficial e
enquanto vincularem internacionalmente o Estado
Português.”

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DIREITO DA UNIÃO EUROPEIA
Artigo 351º do Tratado Funcionamento da União Europeia

“ As disposições dos Tratados não prejudicam os direitos e obrigações


decorrentes de convenções concluídas antes de 1 de janeiro de 1958 ou, em
relação aos Estados que aderem à União, anteriormente à data da respetiva
adesão, entre um ou mais Estados-Membros, por um lado, e um ou mais Estados
terceiros, por outro.

Na medida em que tais convenções não sejam compatíveis com os Tratados, o


Estado ou os Estados-Membros em causa recorrerão a todos os meios
adequados para eliminar as incompatibilidades verificadas. Caso seja
necessário, os Estados-Membros auxiliar-se-ão mutuamente para atingir essa
finalidade, adotando, se for caso disso, uma atitude comum.”

(…)

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COM O REGULAMENTO ROMA I
(Regulamento (CE) Nº 593/2008 do Parlamento Europeu e do Conselho de
17 de Junho de 2008)

• Artigo 25º - Relações com convenções internacionais existentes

“1. O presente regulamento não prejudica a aplicação das


convenções internacionais de que um ou mais Estados-Membros
sejam parte na data de aprovação do presente regulamento e que
estabeleçam normas de conflitos de leis referentes a obrigações
contratuais.

2. Todavia, entre Estados-Membros, o presente regulamento


prevalece sobre as convenções celebradas exclusivamente entre
dois ou vários Estados-Membros, na medida em que estas incidam
sobre matérias regidas pelo presente regulamento.”

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Pode suceder, que haja um conflito de leis
relativamente a determinação de lei aplicável por
estes 2 instrumentos legislativos.

Prevalece o Regulamento Roma I ou a Convenção de


Viena?

Artigo 90º Convenção de Viena


“A presente Convenção não prevalece sobre qualquer acordo
internacional, já concluído ou a concluir, que contenha
disposições relativas às matérias reguladas pela presente
Convenção, desde que as partes no contrato tenham o seu
estabelecimento nos Estados partes nesse acordo.”
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A Convenção cede face Aplicamos o
ao Regulamento Roma Regulamento Roma I.
I, ex vi artigo 90º da CV
1980.

Esse mesmo Estado


Pode suceder que a lei
pode aplicar a Compra
aplicável seja a de um
e Venda Internacional a
dos Estados que é
Convenção de Viena.
parte no contrato
Para tal se verifique é necessário que:

•As matérias estejam incluídas no âmbito material do


Regulamento Roma;
•As partes não tenham escolhido lei aplicável;
•Pelo menos um dos Estados, outorgantes no contrato, tenha
ratificado a Convenção de Viena, artigo 1º, nº1 a) CV 1980.

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Será que, atualmente, a
ratificação seria vantajosa para
Portugal?

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• Portugal mantém relações comerciais
maioritariamente com Estados fazem parte da CV
1980;
• Não existem incompatibilidades com o nosso
Direito material.
• Bastantes similitudes com a nossa Compra e
Venda;
• Favorecia a internacionalização das empresas
portuguesas;
• Maior certeza e segurança jurídica nas trocas
comerciais;

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BIBLIOGRAFIA

•Barrocas, Manuel Pereira. A Lei Portuguesa e a Convenção de Viena de


1980. Lisboa, Portugal. Janeiro de 2013.
•Brito, Professora Doutora Maria Helena. Direito do Comércio
Internacional. Convenção de Viena de 1980 sobre Contratos de Compra
e Venda Internacional (...).
•Código Civil e Diplomas Complementares. 17º Edição. Quid Juris, 2015.
978-972-724-725-7.
•Constituição da República Portuguesa. 2ª Edição. Coimbra. Almedina,
2014. 978-972-40-5321-9.
•Convenção da ONU Sobre os Contratos de Compra e Venda
Internacional de Mercadorias.

IMP.GE.86.0
•Pinto, Carlos Alberto da Mota, Monteiro, António Pinto e Pinto, Paulo Mota.
Teoria Geral do Direito Civil. 4ª Edição. Coimbra Editora, 2012. 978-972-32-
2102-2.
•Portugal, Confederação Empresarial de. Convenção de Viena de 1980 sobre a
Compra e Venda Internacional de. Lisboa. 15 de Setembro de 2011.
•Portugal e a Convenção de Viena sobre a Compra e Venda Internacional de
Mercadorias. Costa, Mariana. 8 de Março de 2012, Visão.
•Soares, Maria Ângela Bento e Ramos, Rui Manuel Moura. Contratos
Internacionais. Compra e Venda. Cláusulas Penais. Arbitragem. Coimbra.
Livraria Almedina, 1995.
•Vicente, Dário Moura. Direito Internacional Privado. Ensaios II. Coimbra.
Almedina, 2005. 972-40-2470-9
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