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DIEGO ANDRES PARRA

JOÄO VINICIUS MARQUES

A FORMAÇAO DA
ANTROPOLOGIA
AMERICANA
1883 - 1911
INTRODUÇAO
OS PRESSUPOSTOS BASICOS DA ANTROPOLOGIA DE BOAS
George W. Stocking Jr.
GEORGE W. STOCKING JR.
(1929 – 2013)

- GRADUADO EM HARVARD (1949) AREA DE PESQUISA


- MEMBRO DO PARTIDO COMUNISTA
(1949-1956)
- PHD NA UNIVERSIDADE DA HISTORIA DA ANTROPOLIGIA
PENSILVANYA / TESE “CIÊNCIA
SOCIAL AMERICANA E TEORIA
RACIAL DE 1890 A 1915” (1960) “THE SHAPING OF AMERICAN
- PROFESSOR DA UNIVERSIDADE DE ANTROPOLOGY”
CHICAGO (1974) (1974)
FRANZ BOAS
(1858 – 1942)

- ESTUDOS EM GEOGRAFIA E EM FÍSICA - UNIVERSIDADE DE HEILDELBERG,


BONN, KIEL (ALEMANIA)
- DOUTORADO (1881) – TESE “CONTRIBUIÇÕES PARA O RECONHECIMENTO DA
COR DA ÁGUA DO MAR – PROPUNHA QUESTÖES DO CONHECIMENTO SOBRE O
EFEITO DO PONTO DE VISTA DO OBSERVADOR”
- PÓS-DOUTORADO EM PSICOFISICA, GEOGRAFIA, ETNOLOGIA
- PROFESSOR NA UNIVERSIDADE DE COLUMBIA – DEPARTAMENTO DE
ANTROPOLOGIA (1886)
PESQUISAS

ORIENTAÇAO ANTROPOLOGICA
ANTROPOLOGIA AMERICANA

QUESTÕES DE DEBATE

1. Causalidade e a Classificação
2. Natureza dos conjuntos e dos elementos
3. Relação dos métodos histórico e físico

NAO EXISTE CORRESPONDENCIA


CAUSALIDADE E A CLASSIFICAÇÃO
CRITICA DA NOÇÃO “Causas semelhantes
Otis Mason
EVOLUCIONISTA produzem efeitos
John W Powers
TRADICIONAL semelhantes”

AXIOMA NÃO REVERSIVEL

“Efeitos semelhantes
PLURALIDADE DAS CAUSAS näo tem causas
semelhantes”

IMPLICITO O PROBLEMA GERAL DA CLASIFICAÇAO

“As Limitações do método


comparativo em antropología”
(1891-1896)
SELVAGERIA
1. INCONVENIÊNCIA DA ABSTRAÇÃO RAÇAS
BARBÁRIE
(ABSTRAÇÕES RÍGIDAS) EUROPEIAS
CIVILIZAÇAO

CLASSIFICAÇÃO
PREMATURA OU ARBITRÁRIA

Possibilidade de definir Ele näo partia de definição


previamente o que eram “efeitos PARTICULARISMO
conceitual (…) mas da distribuição
semelhantes”. Quanto maior o HISTORICO real dos fenômenos em particular.
número de fatores, maior a “Na etnologia, tudo é
arbitrariedade individualidade”

2. CLASIFACAÇAO CONDICIONADA
PELA EXPERIENCIA ANTERIOR E PELO
PONTO DE VISTA DO OBSERVADOR

Arbitrariedade da (A aparência exterior dos


PREOCUPAÇÃO COM OS
classificação tradicional fenômenos pode ser
SIGNIFICADOS DOS
e a inadequação de idêntica, mas sua
CONJUNTOS CULTURAIS E
classificações baseadas causalidade e essência
RELAÇÃO COM OS
en analogias e podem ser diferentes)
ELEMENTOS
semelhanças aparentes (A individualidade do elemento
no seu “meio ambiente”)
NATUREZA DOS CONJUNTOS E
DOS ELEMENTOS
NIVEIS DE INTEGRAÇÃO DE
ELEMENTOS NOS CONJUNTOS

Racionalizações do
NÍVEL CONSCIENTE EXPLICAÇAO LIMITADA
comportamiento
SECUNDARIA ARBITRÁRIA
habitual

Em Relação à Linguagem Fundada em ideias


INTEGRAÇÃO Näo em condiciones externas.
PSICOLÓGICA Em categorias internalizadas
inconscientemente.
NÍVEL INCONSCIENTE
Todas as línguas classificavam as
INTEGRAÇÃO ações em termos de tempo e
HISTÓRICA espaço. Elas se desenvolveriam
inconscientemente como um reflexo
histórico
RELAÇÃO DOS MÉTODOS
HISTÓRICO E FÍSICO
FÍSICO = “Compara una serie de fatos similares, dos
quais isola o fenómeno geral que é comum a todos.
Enfatiza a lei geral”
CONCEPÇOES SOBRE A
NATUREZA DA PESQUISA
CIENTÍFICA
HISTORICO = “O historiador negava que a deduçao
de leis a partir dos fenómenos fosse a única
DUALISMO abordagem. Tambem o conhecimiento de sua
RADICAL existencia e de sua evoluçao no espaço e no tempo”

QUESTIONAMENTO DA SE OPUNHA AOS


ANÁLISE ISOLADA DA MÉTODOS RELAÇÃO DE
CIÊNCIA NATURAL DEDUCTIVOS E MISTURA E
POSITIVISTA ANALÓGICOS INIBIÇÃO MÚTUA
LIGAÇÃO SEQÜÊNCIA
RAÇA - CULTURA HIERÁRQUICA

CRÍTICA À IDEIA DE EVOLUÇAO


ETNOCÊNTRICA - EUROCÊNTRICA

CRÍTICA
RELATIVISTA

RECONSTRUÇÃO HISTÓRICA
PARTICULAR DE CADA SOCIEDADE
BASEADA NO TRABALHO DE CAMPO

ÊNFASE EM
HERCOVITS ESTUDOS
DISCÍPULOS MARGARET MEAD EMPIRICOS
ESTRITOS RUTH BENEDICT DISTRIBUÇAO REAL - GEOGRAFICA
EVOLUÍDOS LOWIE
REBELDES KROEBER
SAPIR MÉTODO
INDUTIVO
RELATIVISTA
ELABORAÇÃO DO
PLURALISTA HISTORICAMENTE
CONCEITO DE CULTURA
HOLISTICA CONDICIONADO
COMO UMA ESTRUTURA
INTEGRADA

ÊNFASE NA DIMENSÃO SUBJETIVA DA CULTURA


(CULTURALISMO) REDFIELD

CRÍTICA

ÊNFASE EMPIRICA SUPRIME A PREOCUPAÇÃO


COM A PRODUÇAO DE CONCEITOS GERAIS
“Texto 8 - Os objetivos da
etnologia” e “Texto 9 –
Sobre Sons Alternantes”
In.: BOAS, Franz; STOCKING Jr,
George. A formação da antropologia
americana, 1883-1911: antologia. Rio de
Janeiro, Brasil, 2004. pp. 93-104
Pontos de Vista Antropológicos
Básicos

 Quais princípios básicos de Boas atravessam os dois textos?


Os objetivos da Etnologia
 A compreensão de Boas se situa entre as ciências da natureza e o
conhecimento histórico: nesse texto, essa convergência se dá por e
através o advento da Teoria da Evolução de Darwin.
 A história para Boas é o grande fator de transmissão das invenções e
valores das sociedades de sua época;
 A etnologia está essencialmente ligada com a análise nesta dimensão
histórica das culturas dos povos humanos, com a necessidade também
de buscar as leis gerais do desenvolvimento humano;
 As limitações ao método histórico com os quais Boas se deparou o
induz a tirar conclusão das semelhanças disponíveis acerca dos povos;
 O estudo de tais semelhanças entre povos diversos leva ao estudo da
mentalidade humana, a psicologia dos povos
 Embora cético da evolução linear e da hipótese da mesma causalidade
dos fenômenos semelhantes, Boas não abre mão da investigação
acerca das leis gerais subjacentes à manifestação de instituições bem
amplas presentes em todas as sociedades estudadas: arte, religião,
organização social, família, convenções sociais e proibições;
 Como bem observa Stocking Jr., no presente texto é possível observar
também como o trabalho de Boas se baseia uma produção
comparativa e “colecionadora” de fatos e artefatos de outras culturas,
muito embora suas proposições assumam uma preocupação
particularista histórica;
Os objetivos da Etnologia
 Com a preocupação histórica de Boas, no entanto, a perspectiva
comparada tende a voltar-se para a causalidade (e, por isso, da perspectiva
de Boas, para a anterioridade histórica) dos elementos culturais
comparados. Tal preocupação é seguida da atenção aos “pontos de vista” e
os seus vieses sobre a produção científica na etnologia.
 É nesse sentido que Boas discorre acerca da família nas diferentes culturas:
embora a instituição familiar esteja presente em todas as culturas, os
antecedentes particulares no interior de cada cultura são diversos.
 É assim que, argumenta Boas, enquanto as famílias patriarcais das
sociedades indo-europeias seriam as instituições embrionárias da
coletividade e do Estado, as demais sociedades por ele estudadas teriam
uma linha de transmissão matrilinear, de precedência tribal à origem
familiar.
 Essa diversidade, para Boas, tende a ser ignorada pelo olhar do
pesquisador que venha analisá-la assumindo a história de sua própria
cultura como ponto de partida, dado que a história das sociedades
ocidentais seriam bastante diferentes e particulares das tradições de outras
sociedades.
 Para Boas, o contato com essas particularidades culturais se daria apenas
por meio da etnologia, que permitiria separar o comum à humanidade das
particularidades da história e das tradições comumente assumidas
universais na perspectiva do(a) pesquisador(a).
Sobre sons alternantes

 Se, em “Os objetivos da Etnologia”, Boas menciona os


efeitos nocivos da história à objetividade na compreensão do
“espírito” e das particularidades das culturas dos povos
antigos, “Sobre sons alternantes” discorre acerca das
distorções da história e da aprendizagem social sobre a
percepção das particularidades dos sons.
 É possível notar neste texto um esforço mais aprofundado
de demonstração de Boas do alcance de conformação da
cultura e da história sobre as capacidades de apreensão e
percepção da realidade pelo ser humano;
 Investigando os efeitos da estruturação da cultura e da
linguagem sobre a percepção humana dos sons, Boas testa
a confiança sobre a objetividade dos juízos humanos na
fronteira tênue entre os valores culturais e o mundo natural
da apreensão sensorial, tal como já fizera em sua tese de
doutorado, acerca da percepção da cor da água
(Contribuição ao Estudo da Cor da Água)
Sobre sons alternantes
 Sobre o problema da percepção humana das diferenças dos timbres e
tonalidades dos sons, Boas articula os achados empíricos relacionados aos
conhecimentos da fisiologia da voz e da audição para argumentar que a
audição está relacionada à identificação dos sons percebidos sempre em
relação e por semelhança aos demais sons já conhecidos na história e nas
convenções de referência do(a) ouvinte.
 Assim, Boas distingue entre os referidos sons alternantes das demais
modalidades de distorções sensoriais a apreensões propriamente
fisiológicas, designando o problema dos sons alternantes no campo das
distorções “psíquicas”
 Como demonstração, Boas exemplifica por analogia o caso da apreensão
das cores e se vale de alguns dos problemas de filólogos na tradução de
algumas línguas nativas, cujos casos a transcrição das línguas induziriam
aos equívocos de atribuição de sons diferentes ao mesmo som do contexto
nativo. Inversamente, Boas observava o mesmo acontecimento quando
solicitava-se a um estrangeiro leigo a reproduzir determinado som ou
fonema característico da língua inglesa: eram imputados sons próprios do
contexto do ouvinte, mas que eram diversos do som ou do fonema
recebido.
 Em ambos os casos Boas demonstrava a incidência da cultura e, em
particular, da linguagem sobre a produção das possibilidades perceptivas do
sujeito.
Questões para Refletir
 O hibridismo de Franz Boas entre as ciências
naturais e a produção etnológica, citado por
Stocking Jr., limita ou amplia suas tendências
relativistas?
 Há um desenvolvimento universal em Boas?
“Sobrevivências” evolucionistas, anacronismos na
crítica ao Boas e níveis mais baixos de cultura no
relativismo boasiano.
OBRIGADO PESSOAL!!