Você está na página 1de 33

A SOCIEDADE

Prof: Gileno Félfili


Conceito de Sociedade
• O vocábulo sociedade tem sido
empregado, conforme assinala um
sociólogo americano, como a palavra mais
genérica que existe para referir “todo o
complexo de relações do homem com
seus semelhantes”.
Segundo Tonnies...
• Diz que a sociedade é um grupo derivado
de um acordo de vontades, de membros
que buscam, mediante o vínculo
associativo, um interesse comum
impossível de obter-se pelos esforços
isolados dos indivíduos.
• É um conceito mecanicista.
Segundo Del Vecchio...
• Entende por Sociedade o conjunto de
relações mediante as quais vários
indivíduos vivem e atuam solidariamente
em ordem a formar uma entidade nova e
superior.
• É um conceito organicista.
Duas Teorias
• Duas Teorias principais disputam a
explicação correta dos fundamentos da
Sociedade: a teoria orgânica e a teoria
mecânica.
Teoria organicista
• Os organicistas procedem do tronco
milenar da filosofia grega. Descendem de
Aristóteles e Platão.
Segundo Aristóteles...
• Assinala, com efeito, o caráter social do
homem.
• A natureza fez do homem o “ser político”,
que não pode viver fora da Sociedade.
Tendência da Teoria Organicista...
• Os organicistas, na teoria da sociedade e
do Estado, se vêem arrastados quase
sempre, por conseqüência lógica, as
posições direitistas e antidemocráticas, ao
autoritarismo, às justificações reacionárias
do poder, à autocracia, até mesmo
quando se dissimulam em concepções de
democracia orgânica (concepção que é
sempre a dos governos e ideólogos
predispostos já à ditadura).
Teoria Mecanicista
• A teoria mecânica é predominantemente
filosófica e não sociológica.
• Das teses contratualistas, da postulação
que estas fazem, infere-se que a base da
Sociedade é o assentimento e não o
princípio de autoridade.
Desdobramentos do mecanicismo
• A democracia liberal e a democracia
social partem desse postulado único e
essencial de organização social, de
fundamento a toda a vida política: a razão,
como guia da convivência humana, com
apoio na vontade livre e criadora dos
indivíduos.
Sociedade e Comunidade
• Tomando a sociedade como dado
sociológico, eminentes estudiosos da
Ciência Social têm posto mais ênfase na
distinção conceitual entre Sociedade e
Comunidade.
Segundo Tonnies

• Em Sociedade e Comunidade, o sociólogo


estuda essas duas formas básicas de
convivência humana.
A sociedade
• Segundo ele a sociedade supõe a ação
conjunta e racional dos indivíduos no seio
da ordem jurídica e econômica: nela, “os
homens, a respeito de todos os laços,
permanecem separados”.
A Comunidade
• Segundo o sociólogo, a Comunidade é
dotada de caráter irracional, primitivo,
munida e fortalecida de solidariedade
inconsciente, feita de afetos, simpatias,
emoções, confiança, laços de
dependência direta e mútua do “individual”
e do “social”.
Comunidade x Sociedade
• Na Comunidade, a vontade se torna essencial,
substancial, orgânica.
• Na Sociedade, arbitrária.
• A Comunidade surgiu primeiro. A Sociedade apareceu
depois.
• A Comunidade é matéria e substância, a Sociedade é
forma e ordem.
• Na Sociedade, há solidariedade mecânica, Na
Comunidade, orgânica.
• A Sociedade se governa pela razão, a Comunidade,
pela vida e pelos instintos.
• A Comunidade é um organismo, a Sociedade, uma
organização.
Comunidade x Sociedade

• Tendo a Comunidade antecedido a


Sociedade, que é um estádo mais
adiantado da vida social, esta não
eliminou àquela.
A Sociedade e o Estado

• A Sociedade vem primeiro. O Estado


depois.
Sociedade-Estado
• Com o declínio e dissolução do
corporativismo medievo e conseqüente
advento da burguesia, instaura-se no
pensamento político do Ocidente, do
ponto de vista histórico e sociológico, o
dualismo Sociedade-Estado.
Conceito de Estado
• O estado como ordem política da
Sociedade é conhecido desde a
Antiguidade aos nossos dias. Todavia
nem sempre teve essa denominação, nem
tampouco encobriu a mesma realidade.
• A polis dos gregos ou a civitas e as res
publica dos romanos eram vozes que
traduziam a idéia de Estado
Imperium e Regnum
• No Império Romano, durante o apogeu da
expansão, e mais tarde entre os
germânicos invasores, os vocábulos
Imperium e Regnum, então de uso
corrente, passaram a exprimir a idéia de
Estado, nomeadamente como
organização de domínio e poder.
“Laender”
• Daí se chega à Idade Média, que,
empregando o termo Laender (“Países”)
traz na idéia de Estado sobretudo a
reminência do território.
“Estado”
• O emprego moderno do nome Estado
remonta a Maquiavel, quando este
inaugurou O Príncipe com a frase célebre:
“Todos os Estados, todos os domínios
que têm tido ou têm império sobre os
homens são Estados, e são repúblicas ou
principados”.
Acepção filosófica de Estado
• Hegel
• Definiu Estado como a “realidade da idéia
moral”, a substância ética consciente de si
mesma”, a “manifestação visível da
divindade”.
Acepção jurídica de Estado
• Vê no Estado apenas o ângulo jurídico, ao
concebê-lo como a “reunião de uma
multidão de homens vivendo sob as leis
do Direito”.
Acepção sociológica de Estado
• O Estado, pela origem e pela essência, não
passa daquela “instituição social”, que um grupo
vitorioso impôs a um grupo vencido, com um
único fim de organizar o domínio do primeiro
sobre o segundo e resguardar-se contra
rebeliões intestinas e agressões estrangeiras.
• O Estado constitucional moderno não se
desvinculou na teoria de Oppenheimer de sua
índole de organização da violência e do jugo
econômico a que uma classe submete a outra.
Marx e Engels
• O conceito marxista de Estado é de cunho
Sociológico.
• Marx e Engels explicam o Estado como
fenômeno histórico passageiro, oriundo da
aparição da luta de classes na Sociedade,
desde que, da propriedade coletiva se
passou à apropriação individual dos meios
de produção. Instituição portanto que nem
sempre existiu e que nem sempre existirá.
Estado Moderno
• O Estado Moderno racionalizou o
emprego da violência, ao mesmo passo
que o fez legítimo.
Max Weber
• Célebre conceito de Estado de Max Weber:
“Aquela comunidade humana que, dentro de
um determinado território, reivindica para si,
de maneira bem-sucedida, o monopólio da
violência física legítima”.
O conceito de uma ordem jurídica legítima
racionalizou, por sua vez as regras
concernentes à aplicação da força,
monopolizada pelo Estado.
Elementos constitutivos do Estado

• Elementos de ordem formal e de


ordem material.
De ordem formal
• Há o poder político na Sociedade, que
surge do domínio dos mais fortes sobre os
mais fracos.
De ordem material
• O elemento humano, que se qualifica em
graus distintos, como população, povo e
nação, bem como o elemento território.
Conceito irrepreensível de Estado

• Jellinek: “O Estado é a corporação


de um povo, assentada num
determinado território e dotada de
um poder originário de mando”.
DUVIDAS........
É SO FALAR OU GRITAR