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Deus Uno e Trino

Aula 7
As Relações Divinas
Aulas previstas:
1. A Revelação de Deus (8 slides) 6. As Processões Divinas (7 slides)
2. Unicidade e Transcendência (9 slides) 7. As Relações Divinas (8 slides)
3. Deus Vivo (11 slides) 8. As Pessoas Divinas ( 10 slides)
4. A Santíssima Trindade no NT (12 slides) 9. As Missões Divinas (8 slides)
5. Formulação Dogmática (13 slides) 10. A Economia Divina (14 slides)
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 Entende-se por relação a referência de uma pessoa ou de uma coisa


a outra pessoa ou outra coisa. Toda a relação está constituída por três
elementos: o sujeito, o termo e o fundamento.
 O sujeito é a pessoa ou a coisa que se relaciona
com outro (termo “a quo”). O termo é a pessoa ou
a coisa até à qual tende o sujeito da relação (termo
“ad quem”). O fundamento é o facto em que se ba-
seia a relação de uma pessoa ou coisa com outro.
Exemplos de fundamentos em relações interpes-
soais: amor conjugal, amizade, geração, etc.

 Uma relação é real se os três elementos são reais.


Exemplos de relações não reais: entre conceitos,
comparação do ente com o nada, do presente com
o futuro, etc.
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 A analogia exige despojar as relações divinas do carácter acidental das


relações que se dão entre os homens. Em Deus não há “acidentes”
em sentido metafísico; por exemplo não há um antes, nem um depois
de ser Pai.

 Assim, ao aplicar a analogia ficamos com o que é uma relação em si


mesma (uma referência) e negamos em Deus o aspecto acidental das
relações humanas. O próprio da relação que consideramos em Deus é
pura alteridade, “esse ad”. Mas as relações em Deus são subsistentes,
não acidentes: existem em si mesmas e identificam-se com a substân-
cia divina. Os homens têm relações, em Deus a relação é Deus.
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Quem gera é o Pai, não a substância, e quem espira é o Pai e o Filho,


não a substância.

 Latrão IV ensina que as três Pessoas se identificam com a substância divina


e se distinguem exclusivamente pelas suas relações de origem.

 “Relação” e “substância” são dois conceitos distintos, que em Deus se


identificam. Mas as relações em Deus distinguem-se realmente entre si.

 “Dado que há duas processões reais em Deus (gerar e espirar), há quatro


relações reais: Paternidade, Filiação, Espiração activa (sujeito: Pai e Filho,
e termo: Espírito Santo), e Espiração passiva (sujeito: Espírito Santo, e termo:
Pai e Filho).
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Segundo a filosofia, duas relações opõem-se quando trocam sujeito e termo,


sendo o fundamento o mesmo. Assim por exemplo, paternidade e filiação
opõem-se porque o pai é sujeito da paternidade e termo da filiação, e o filho é
sujeito da filiação e termo da paternidade, sendo o fundamento igual (geração).

 Concílio de Florença (1442):


Em Deus “tudo é uno, onde não houver
oposição de relação”.

 Vamos pois ver quais das relações divinas se opõem


entre si.
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Vimos que em Deus se dão quatro relações reais, mas nem todas se opõem.

 Paternidade e Filiação opõem-se conforme vimos: distinguem o Pai e o Filho.


Espiração activa e passiva também se opõem segundo vimos: distinguem
juntamente o Pai e o Filho, do Espírito Santo.

 A Espiração activa consiste em espirar: Pai e Filho podem espirar o Espírito


Santo, sem contradição com o facto de serem Pai e Filho. A Espiração activa
não se opõe nem à Paternidade nem à Filiação. Segundo o Concílio de Flo-
rença, se não há oposição, Paternidade e Espiração activa não se distinguem
em Deus, bem como tão pouco a Filiação e a Espiração activa. O Pai gera o
Filho e ama-O espirando o Espírito Santo, e o Filho é gerado pelo Pai e ama-O
espirando junto com Ele o Espírito Santo.
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 A Espiração passiva consiste em ser espirado. O Pai não o pode ser dado que
é sem princípio. O Filho também não pode ser espirado porque já é gerado. Só
o Espírito Santo pode ser espirado. Assim, Paternidade opõe-se a Espiração
passiva e Filiação também se opõe a Espiração passiva, duas oposições que
distinguem: o Pai e o Espírito Santo uma e o Filho e o Espírito Santo, a outra.

 Portanto, das quatro relações reais em Deus,


só três se opõem entre si: a Paternidade, a Filiação
e a Espiração passiva coincidindo com o Pai, o Filho
e o Espírito Santo.
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As relações divinas são o modelo da vida e das relações humanas.

 À luz das relações divinas, a Trindade


revela-se-nos como a mais perfeita realiza-
ção da ‘comunhão entre distintos’ e, como
tal, é luz que ilumina as relações humanas
interpessoais. Por isso, a família é imagem
da comunhão trinitária.

 Na Última Ceia, Jesus revela-nos a unidade


das três Pessoas divinas como origem e
modelo para a união entre os homens: “Que todos sejam um, como Tu, Pai,
estás em mim e eu em ti, para que também eles sejam um em nós” (Jo 17, 21).
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 Bibliografia
 Estes Guiões são baseados nos manuais da Biblioteca de Iniciación
Teológica de Editorial Rialp (editados em português pela editora Diel)

 Slides
 Originais - D. Serge Nicoloff, disponíveis em www.agea.org.es (Guiones
doctrinales actualizados)
 Tradução para português europeu - disponível em inicteol.no.sapo.pt