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CENTRO DE CAPACITAÇÃO DE BOMBIROS VOLUNTÁRIOS DE JARAGUÁ DO SUL-SC

CAPACITAÇÃO PARA OS LIDERES DE BRIGADA DE EMERGÊNCIA


COMANDO E CONTROLE EM OPERAÇÕES DE COMBATE A INCÊNDIO

INTRODUÇÃO
Sabemos que a era da informação colocou o conhecimento como o recurso mais
importante de nossas organizações.

Exatamente por isso, o segredo de uma organização bem sucedida está em


consolidar e atualizar o conhecimento entre seus profissionais em todos os níveis.

O problema está em como agir diante desse novo modelo de trabalho, desse novo
mundo que nos trás uma carga de informações cada vez maior.
Como fazer com que as pessoas possam tirar proveito dessas novas tecnologias,
já que as organizações de agora exigem que as pessoas produzam cada vez mais e
melhor.
Talvez a solução esteja centrada no conceito de que as pessoas precisam de
ajuda e de orientação para poderem trabalhar melhor e, nesse contexto, o
treinamento permanente é algo fundamental.
Talvez a solução esteja centrada no conceito de que as pessoas precisam de
ajuda e de orientação para poderem trabalhar melhor e, nesse contexto, o
treinamento permanente é algo fundamental.
suas habilidades conceituais, com a necessidade da fundamentação em princípios
doutrinários que lhe permitam orientar adequadamente sua conduta e gerenciar as
ações dos profissionais sob suas ordens.
Sem dúvida alguma, que o que diferencia um bom comandante ou líder de um
bombeiro operativo, é que o primeiro sabe analisar e resolver situações complexas,
pois aprendeu a pensar sistematicamente e planejar em termos estratégicos,
enquanto o segundo, somente aprendeu a executar tarefas rotineiras de maneira
mais imediatista e ainda não foi adequadamente preparado para assumir funções
de comando.
Mas como tornamos um bom comandante ou líder de operações de combate a
incêndio uma realidade palpável dentro de nossas organizações de bombeiro?
Afinal, toda ocorrência atendida por bombeiros tem características particulares,
no entanto, existem nelas um fator em comum que é a necessidade do
planejamento, coordenação, direção e controle das ações de combate ao fogo.
De modo geral, aceitamos hoje essas quatro responsabilidades como as funções
básicas de um administrador profissional.
Traçando um paralelo com a atividade de bombeiro, podemos afirmar que o
desempenho dessas quatro funções representa o papel do comandante de
operações (CO) numa zona de incêndio.
Sabemos que todo serviço de bombeiro, especialmente o de combate a
incêndio, representa uma atividade de risco e, como, tal, deve ser encarada
profissionalmente.
Por isso sugerimos a adoção de um modelo de sistema de comando único
que permita um trabalho seguro e em equipe.
Esse mesmo sistema de comando poderá ser adaptado e utilizado pelas
organizações de bombeiro para controlar outros tipos de ocorrências, tais como
acidentes de trânsito, emergências envolvendo produtos perigosos e outras, no
entanto, por questões didáticas, abordaremos a questão do emprego do sistema
de comando único apenas sob a ótica do combate a incêndio estrutural.
A primeira vista, tudo isso pode parecer um pouco confuso, teórico demais para um
bombeiro combatente, mas na verdade, esse sistema de comando é algo bem simples,
que servirá para indicar o responsável pela operação, estabelecer uma hierarquia de
comando e controle e ainda, facilitar o planejamento e a execução das tarefas
necessárias para a extinção do incêndio.
E afinal, aproveitando a geniosa frase de Kurt Lewin "nada é mais prático do
que uma boa teoria".
Infelizmente, nossa realidade ainda registra uma série de confrontos, até físicos,
entre profissionais de diversas organizações, o que nos indica que a questão "quem
manda" ainda assombra a maioria dos serviços de emergência.
Tudo isso só reforça a ideia de que o conceito de comando e controle precisa ser
rapidamente incorporado por nossas organizações.
Certamente, a partir da padronização de condutas através de protocolos escritos, e,
aceitos pelas organizações, as controvérsias sobre quem está no comando serão
esquecidas.
O PAPEL DO COMANDANTE DE OPERAÇÃO

Como vimos anteriormente, toda ocorrência de bombeiro, especialmente as de


incêndio, tem características particulares, no entanto, existem nelas um fator em comum
que é a necessidade do planejar, coordenar, dirigir e controlar as ações de combate ao
fogo.
O desempenho dessas quatro funções básicas constitui o processo administrativo.
Considerando que o comandante da operação (CO) deva ser tratado como um
administrador profissional, podemos concluir que o desempenho dessas quatro funções
representa o seu papel na zona do incêndio.
Portanto, na sequência, abordaremos cada uma dessas quatro funções, sob a ótica
do combate ao fogo e veremos que esse processo administrativo ou o comando e
controle de uma operação de combate ao fogo é algo dinâmico e interativo que exigirá
do comandante de operações (CO) um perfil de profissional dedicado, integro, sereno,
disciplinado e tecnicamente muito bem preparado.
PLANEJAMENTO:

As organizações de bombeiro não podem trabalhar na base da improvisação.


O planejamento figura como a primeira das funções básicas do CO, por ser
exatamente aquela que serve de base para as demais funções.
O planejamento determina antecipadamente quais são os objetivos que devem
ser atingidos e como se deve fazer para alcançá-los.
ORGANIZAÇÃO:

A palavra organização significa qualquer empreendimento humano, no caso do


Co, moldado intencionalmente para atingir determinados objetivos.
A função básica da organização se baseia em uma divisão de tarefas racionais
para que os objetivos possam ser alcançados, os planos, executados e as pessoas
possam trabalhar de forma eficiente.
Os bombeiros sabem que para trabalharem seguros e conseguirem atingir seus
objetivos precisam trabalhar em equipe e de maneira lógica.
DIREÇÃO:

Definido o planejamento e estabelecida a organização, resta ao Co fazer as


coisas andarem e acontecerem.
A função básica da direção está relacionada com a ação e tem muito a ver
com as pessoas, pois se refere as relações em todos os níveis da organização.
Dirigir significa interpretar os planos para os outros e dar as instruções
sobre como executá-los em direção aos objetivos a atingir.
CONTROLE:

O controle depende do planejamento, da organização e da direção para


formar o processo administrativo.
A finalidade do controle é assegurar que os resultados daquilo que foi
planejado, organizado e dirigido se ajustem tanto quanto possível aos objetivos
previamente estabelecidos.
Em termos de comando e controle em operações de combate a incêndio, podemos
resumir essas quatro funções da seguinte forma:
Durante o planejamento o Co necessita:
1. Fixar objetivos (saber onde se pretende chegar para se saber exatamente como
chegar até lá);
2. Definir a estratégia de combate ao incêndio (ofensiva ou defensiva);
3. Definir um plano de ação para alcançar os objetivos pré-estabelecidos.
Em seguida, durante a organização, o Co precisa:
1. Dividir o trabalho (dividir as tarefas que precisam ser cumpridas);
2. Designar as pessoas (equipes de bombeiros) para a execução dessas tarefas;
3. Alocar recursos e coordenar esforços para a correta execução das tarefas
determinadas.
Depois, durante a direção, o Co precisa:
1. Dirigir seus esforços para que as pessoas executem o plano e atinjam os
objetivos pré-estabelecidos;
2. Guiar as pessoas para a ação, dando instruções claras sobre como executar o
plano;
3. Manter a motivação incentivando o trabalho coordenado, seguro e, em equipe.
Finalmente, durante o controle, o Co precisa:
1. Avaliar o desempenho das equipes de bombeiro;
2. Corrigir ações (se necessário);
3. Tornar a avaliar, de forma a assegurar que os resultados daquilo que foi
planejado, organizado e dirigido realmente atinjam os objetivos previamente
estabelecidos.
DOUTRINA DE COMANDO E CONTROLE EM INCÊNDIOS

O modelo tradicional de comando e controle sempre se baseou num comando e


controle orientados numa única direção, ou seja, de cima para baixo (comandantes
impondo o comando e controle naqueles sob seu comando ou comandantes no
comando de seus subordinados e subordinados sob o controle de seus
comandantes).
No entanto, entendendo que o comando e controle representam um processo
dinâmico, onde todas as partes de um sistema complexo se relacionam, e
influenciam e são influenciadas pelo ambiente, propomos uma visão diferenciada
para esse conceito, ou seja, sugerimos um novo modelo baseado na visão do
comando como um exercício da autoridade e do controle como um processo de
realimentação (feedback) do comando baseado nos efeitos das ações determinadas
e realizadas.
Assim o comando e controle acabam se transformando num processo interativo,
que envolve todas as partes do sistema e trabalha em todas as direções.
O resultado é um sistema de suporte mútuo, mais dinâmico, mais flexível, onde o
comando e controle passa a interagir e se complementar, assegurando que o todo
possa melhor se adaptar às exigências das incertezas e das contínuas mudanças.
No entanto, não podemos nos esquecer que a base para todo o comando e
controle está na autoridade investida do comandante sobre seus subordinados.
Essa autoridade deriva de duas fontes, ou seja, o poder legal estabelecido pela
organização (determinada por critérios objetivos e estabelecidos em lei) e o poder da
autoridade pessoal (estabelecida pela influência pessoal e apoiada em fatores
diversos onde se destacam a experiência, as habilidades, o carisma e o exemplo
pessoal).
A autoridade legal (oficial) fornece o poder e a legitimidade para agir, mas isso nem
sempre é o bastante, pois a maioria dos comandantes eficazes possuem também, um
elevado grau de autoridade pessoal.
Os comandantes de operações devem sempre ter em mente que onde há uma
autoridade, deve existir também uma responsabilidade compatível, ou seja, da mesma
forma que os subordinados têm a responsabilidade de buscar resultados e acatar
determinações, a autoridade deve indicar as melhores estratégias ou caminhos para
se chegar a esses resultados.
Outra grande novidade deste novo modelo doutrinário está centrada na visão de
que o comando e controle não são mais uma tarefa restrita a comandantes ou
profissionais de alta patente.
Um comando e controle efetivo é responsabilidade de todos os bombeiros
presentes na zona do incêndio e deve guiar esses profissionais em todos os níveis de
atuação (estratégico, tático e operativo).
Essa nova forma de atuação passa a ser natural se considerarmos os incêndios
sob a ótica dos sistemas complexos, ou em outras palavras, situações com muitas
variáveis (fogo, ventilação, pessoas em perigo, falta de iluminação, riscos de
colapso, etc.), onde é muito difícil fazermos previsões sobre a evolução do evento no
tempo sem o risco de errarmos e tomar decisões incorretas.
Devemos também considerar que as palavras "comando" e "controle" além de
substantivos, são verbos, e usados dessa forma descrevem um processo ou um
conjunto de atividades relacionadas.
Existe aqui uma distinção importante entre o antigo e o novo modelo de comando e
controle, pois um processo ou um conjunto de atividades relacionadas é diferente de
um simples procedimento, entendido este último como a sequência de passos para
acompanhar uma tarefa específica.
O comando e controle podem até incluir procedimentos padronizados para executar
determinadas tarefas, mas não é só isso.
O comando e controle é algo que estamos sempre fazendo e inclui a coleta e a
análise de informações, a tomada de decisões, a organização de recursos, o
planejamento, o repasse de instruções e informações, a direção, o monitoramento
de resultados e ações de controle e correção de ações.
Na verdade, o que transforma o comando e controle em algo tão complexo é
que o responsável por essa tarefa tem sempre que tratar com a incerteza e agir sob
a influência do tempo, do risco e da necessidade constante de recursos.
Não fosse isso, o comando e o controle seriam uma simples tarefa de controle
de recursos humanos e materiais.
. PRINCÍPIOS OPERACIONAIS
Ao conduzir o comando e controle das ocorrências de incêndio, o Co deverá se guiar
pelos seguintes princípios operacionais:
PRINCÍPIO DO PLANEJAMENTO
É o planejamento das ações ou operações de bombeiro deverá ser feito através de
objetivos claros e exequíveis, descritos em um plano de ação verbal ou escrito.
PRINCÍPIO DA ORGANIZAÇÃO
O CO deverá adotar uma organização modular (que cresce ou diminui conforme a
necessidade e a disponibilidade de recursos) e flexível (adequada às peculiaridades da
ocorrência) promovendo a delegação de autoridade e responsabilidade para garantir o
melhor comando e controle na zona do incêndio.
A IMPORTÂNCIA DO SISTEMA DE COMANDO ÚNICO
Uma efetiva operação de combate a incêndio deverá estar centrada na figura do Comandante de
Operações (CO).
Este, utilizando-se de um sistema de comando, organizará de acordo com suas necessidades
administrativas e operacionais, as atividades de combate ao fogo necessárias para controlar a
situação emergencial.
A magnitude da ocorrência determinará o tamanho e a complexidade do sistema de comando.
É fundamental que o primeiro comandante de bombeiro que chegar no local da ocorrência
assuma formalmente o comando da operação através da rede de rádio.
Este profissional permanecerá na função de Co durante todo o tempo, a não ser que seja
substituído por outro de maior hierarquia ou qualificação profissional.
A falta de um CO específico geralmente produz a carência total de comando,
situação onde todos atuam sem uma coordenação central e transformam a operação
numa anarquia.
Bombeiros experientes conhecem bem outra situação igualmente preocupante,
denominada múltiplos comandos, onde a cena da emergência é ocupada por vários
profissionais de elevada graduação ou patente, cada um com um plano diferente.
Nestes casos, os ditos comandantes, ficam rondando pelo local do incêndio,
emitindo ordens conflitivas e gerando uma competição entre os presentes.
Sabemos que a falta de conhecimentos adequados de como agir através de um
comando único, certamente afetará mais a operação de combate do que qualquer outro
problema de manejo individual. Portanto, as principais vantagens conseguidas a partir
da adoção de um sistema de comando central estão na fixação da responsabilidade de
comando numa única pessoa, bem como no estabelecimento de um esquema de
trabalho que delimita claramente os objetivos e as funções de cada um no local da
emergência.
A experiência nos indica que as organizações de bombeiro que atendem
suas ocorrências sem a adoção de um sistema de comando único, de forma
geral, acabam apresentando deficiências em sete áreas distintas, quais sejam:
• Comando;
• Planejamento;
• Organização;
• Direção;
• Controle;
• Comunicações; e
• Segurança.
COMANDO:

Situação problema: Nas ocorrências sem comando, onde todos agem por sua
própria conta e risco, ou ainda, naquelas onde as ações desenvolvam-se através de
comandos múltiplos, normalmente, observa-se o desencadeamento de ações
perigosas e ineficazes.
Solução: Uma ordem clara, antecipada e direta, emanada de um indivíduo
responsável pelo controle de toda a operação de emergência, certamente,
possibilitará a mobilização mais adequada de toda a equipe de resposta.
Para isto, é necessária a utilização de um modelo de gerenciamento que aponte
um responsável único (normalmente chamado de Comandante de Operação ou
CO), devidamente apoiado por sua organização e bem preparado para um correto
desempenho das funções de comando.
PLANEJAMENTO:

Situação problema: A luta efetiva contra o fogo requer um planejamento que seja
baseado em uma análise de como está a situação no momento da chegada da primeira
equipe de resposta (momento atual) e de como a situação evoluirá (momento futuro).
Se a ocorrência não conta com a figura do CO, não haverá nenhum planejamento e
as ações não serão devidamente desencadeadas e reavaliadas. Igualmente, se
existirem mais de um comandante, os planos de ação (caso sejam executados)
possivelmente não serão coordenados apropriadamente.
a Solução: Com a adoção de um sistema de comando único, o CO fixa objetivos para
saber onde pretende chegar. Após avaliar a situação, o Co deverá definir uma estratégia
de enfrentamento ao fogo e, logo após, definir um plano de ação para alcançar seus
objetivos pré-estabelecidos.
A formulação deste planejamento estratégico deverá ser realizada com base na
adequada capacitação técnica e na experiência profissional do CO.
ORGANIZAÇÃO:

Situação problema: Sem um planejamento único e global das ações é muito


difícil que os envolvidos executem seus trabalhos de forma apropriada e segura.
Esta confusão na realização de tarefas específicas para o efetivo combate
ao fogo representa o resultado de ações descoordenadas na cena da
emergência.
Solução: O CO deverá dividir as tarefas a serem cumpridas e designar as
pessoas para a execução dessas determinadas tarefas.
Cabe a ele alocar recursos e coordenar esforços para a correta execução
das tarefas necessárias ao sucesso da operação.
Num incêndio de maiores proporções, o Co poderá dividir a zona de
incêndio em setores, descentralizando a direção dos trabalhos, sem no entanto,
perder o comando da operação.
DIREÇÃO:

Situação problema: Quando as ordens emanadas não estão integradas em um plano único, elas
facilmente se perdem numa série de ações independentes.
Estas ações, raras vezes consideram as capacidades coletivas das guarnições de combate
existentes na cena.
Tal situação possibilita o surgimento de objetivos cruzados e desmotiva os bombeiros
combatentes, que vêem seus esforços resultarem em ações inúteis.
Solução: Todas as tarefas devem ser conduzidas em conformidade com um plano único.
- O CO deverá dirigir seus esforços no sentido de fazer com que os profissionais envolvidos
executem o plano e atinjam seus objetivos.
- Cabe a ele guiar as pessoas para a ação, manter a motivação do grupo e proporcionar instruções
claras sobre como executar o plano.
- Baseado no princípio da direção, a meta do CO é conseguir a máxima produtividade de todos os
talentos humanos e recursos materiais colocados à sua disposição, fazendo-os trabalhar juntos e
organizados num mesmo propósito.
CONTROLE:

Situação problema: Nem sempre os envolvidos no combate ao fogo desempenham suas


tarefas conforme se espera.
É possível encontrarmos bombeiros atuando de forma isolada e sem conhecimento do plano
idealizado pelo CO.
E igualmente possível, que fatores adversos alterem a situação na zona sinistrada, forçando o
Co a rever seu planejamento e corrigir ações.
Solução: Cabe ao Co a obrigação de avaliar o desempenho de seus comandados, corrigir
ações e voltar a avaliar, de forma a assegurar os resultados daquilo que foi planejado.
É importante também considerar que em muitas situações, os esforços dos profissionais
envolvidos no combate ao fogo não são suficientes e reforços de pessoal e logística são
necessários.
Esta constante reavaliação deve ser considerada parte natural do esquema do comando de
uma operação.
COMUNICAÇÕES:

Situação problema: As dificuldades com comunicação, geralmente, são um


reflexo de outros problemas organizacionais que aparecem durante uma
operação de combate e extinção de incêndio.
Quando as ordens emanadas pelo CO deixam de fluir adequadamente,
quer seja porque caminham muito lentas, quer porque modificam-se do
momento inicial até seu recebimento, começam a confusão e os problemas.
Solução: Um sistema eficiente de comunicações é fundamental para o bom
andamento das ações de comando.
O CO deverá comunicar-se e repassar suas ordens com base no princípio da
unidade de comando.
As comunicações deverão sempre seguir um fluxo conhecido desde o CO até
os níveis operativos
SEGURANÇA:

Situação problema: Infelizmente, alguns profissionais trabalham de forma descuidada


e negligenciam as regras de segurança.
Essas ações propiciam a produção de inúmeras lesões previsíveis e desnecessárias.
Tais ações podem por em perigo vidas humanas ou ocasionar maiores danos a
propriedade sinistrada.
Solução: O CO deverá planejar e dirigir todas as ações sob um rigoroso controle de
segurança.
Para tal, deverá designar um profissional para responder pela função de segurança, o
qual ficará responsável por supervisionar todas os envolvidos e todas as ações realizadas
na zona do incêndio.
PRINCIPAIS RESPONSABILIDADES DOCOMANDANTE DE OPERAÇÕES

O comandante de operações (CO) na zona do incêndio é o líder sobre quem recai toda a
responsabilidade pelo comando e controle da operação.
Seu papel é o de um administrador profissional.
O termo "profissional” faz referência a formação técnica, a dedicação e ao desejo de
executar com excelência suas habilidades.
O papel do CO exige que este comande todas as ações no local da ocorrência.
Dele se espera uma postura muito mais gerencial, do que uma postura operacional, pois
seu trabalho situa-se no escalão do comando (nível estratégico).
Suas quatro principais responsabilidades como comandante das operações são:
• Garantir a segurança do efetivo bombeiro empregado na operação;
• Realizar o salvamento das pessoas em perigo no local da ocorrência; Extinguir o incêndio;
• Preservar as propriedades durante e depois das ações de combate ao fogo.
FUNÇÕES BÁSICAS DO COMANDANTE DE OPERAÇÕES(CO)

Por maiores que sejam as dificuldades, o Co deve atuar de maneira serena e segura.
Sua primeira função no local da emergência reside na assunção do comando da
operação e, caso seja necessário, na instalação de um posto de comando (PC).
A segunda função básica de um CO diz respeito as comunicações.
Cabe a ele, iniciar, manter e controlar todo o processo de comunicação na zona do
incêndio.
Em seguida, o CO deve avaliar e dimensionar a situação e os riscos potenciais
existentes no local da ocorrência, sua terceira função.
A quarta função reside na escolha da melhor estratégia de enfrentamento ao fogo e
na priorização de seus enfoques táticos.
A quinta função é representada pela organização dos recursos disponíveis para
enfrentar da melhor maneira possível a situação adversa e, finalmente, a sexta e
última função diz respeito a constante reavaliação de suas ações.
A seguir, abordaremos mais detalhadamente cada uma dessas seis
importantes funções básicas de um Comandante de Operações.
COMUNICAÇÕES NA ZONA DO INCÊNDIO:

A função básica de um Comandante de Operações é iniciar, manter e controlar todo


o processo de comunicação na zona do incêndio.
Os problemas decorrentes das falhas de comunicação são consideradas os
obstáculos operacionais mais comuns dos organizações de bombeiro, por afetarem
diretamente a eficiência e a eficácia do serviço de combate e extinção dos incêndios.
As formas de comunicação existentes numa cena de emergência podem ser
agrupadas em:
COMUNICAÇÃO DIRETA
= é a comunicação de pessoa a pessoa, cara a cara. Sempre que possível, o Co
deverá emitir ordens claras utilizando a forma de comunicação direta.
Esta é, sem dúvida, a melhor forma de comunicação, pois permite ao emissor da
mensagem a possibilidade de olhar e falar diretamente ao receptor e, com isso,
aumentar a possibilidade de comunicação com a utilização de gestos, expressões
faciais e a emissão de sons.
COMUNICAÇÃO VIA RÁDIO
= é um meio que possibilita a comunicação através da transmissão de sons a
distância por meio do emprego de rádios portáteis, fixos ou móveis.
Atualmente, este é o meio de comunicação mais largamente utilizado pelos CO
para a transmissão de ordens e mensagens.
COMUNICAÇÃO VIA REDE DE DADOS
= Esse tipo de comunicação possibilita uma série de vantagens na transmissão
de dados através de linhas de comunicação via satélite ou telefônicas.
Através do emprego de computadores e softwares que permitem a troca de
dados entre dois ou mais pontos, além do arquivamento e recuperação de uma série
de informações preciosas ao CO.
De forma geral, as emergências são atendidas por centrais de comunicação,
denominadas de Centros de Operações, os quais recebem as solicitações de
emergência, empenham e despacham as guarnições de combate a incêndio,
acompanham e apoiam o andamento das ocorrências.
Esses centros são responsáveis também por registrar os atendimentos e manter
arquivos sobre as atividades desenvolvidas pelas organizações.
Observação:
Os procedimentos operacionais padrão (POPs) também podem ser
considerados como uma ferramenta de comunicação, pois uniformizam e
simplificam as condutas durante o atendimento de uma emergência.
Os POPs podem ser um poderoso e efetivo instrumento de auxílio nas
comunicações do CO.
Os POP poderão ser modificados durante os pré-planos ou sempre que as
situações ditarem um curso de ação diferente.
É fundamental que logo no primeiro contato (comunicação) com o Centro de
Operações, o CO informe, de forma clara e sucinta, os seguintes pontos:
• Confirmação do comando da operação;
• Tamanho e tipo de ocupação da edificação sinistrada;
• Condições de fumaça e fogo; Existência de vítimas; e
• Necessidade de reforços ou presença de equipes especializadas.
ANÁLISE DA SITUAÇÃO/DIMENSIONAMENTO DA CENA:
A função básica no manejo de uma ocorrência de incêndio diz respeito a análise da situação ou
dimensionamento da cena.
O comando de uma operação de combate e extinção de incêndio é um processo de difícil manejo,
pois, de forma geral, todos estão nervosos, a comunicação torna-se problemática (ninguém olha,
mas todos gritam) e muitos dos profissionais envolvidos tendem a querer por em prática seus
próprios planos.
Um dos maiores problemas do CO durante o comando da ocorrência é a necessidade constante de
coordenar uma quantidade ilimitada de fatores, o que acaba transformando-o em um processador de
informações.
Portanto, este dimensionamento (avaliação da situação) deverá basear-se num processo sistemático
(passo a passo) o qual consistirá numa rápida, porém detalhada consideração de todos os fatores
críticos existentes na cena de emergência.
É importante que o CO saiba que, para decidir, deverá aliar intuição a racionalidade, porém,
utilizando-se de um modelo ordenado de planejamento evitará tomar decisões que exijam o auxílio
da sorte.
Recomenda-se que, sempre que possível, o Co ao aproximar-se do local do incêndio, utilize
uma rota que lhe permita visualizar a emergência como um todo, pois isso lhe permitirá uma melhor
impressão das reais condições do cenário e a localização do melhor ponto para a instalação do
posto de comando.
Somente quem aprendeu a pensar sistematicamente, não vai se perder na inevitável confusão
que acompanha todas as ocorrências de incêndio.
Primeiramente, o CO deverá "identificar o problema", criar uma série de possíveis soluções para
esse problema, ou seja "analisar a situação", decidir o que irá fazer ou "tomar uma decisão", e,
finalmente, "planejar suas ações" definindo-as em tarefas de forma que seu plano possa ser
executado com sucesso.
Portanto, a avaliação de um incêndio inicia pela dimensionamento da situação e
termina com a elaboração de um plano de ação.
Esse processo consiste de quatro passos fundamentais, a saber:
1) Identificação do problema;
2) Análise da situação e possíveis soluções;
3) Tomada de decisão; e
4) Elaboração de um plano de enfrentamento ao fogo.

Antes de planejar a ação, o CO deverá estar convicto de sua decisão


estratégica.
De forma geral, o Co analisa o problema com base na situação do incêndio e
nos seus recursos disponíveis, para tal deverá levar em consideração o seguinte:
Quanto à situação:

Tipo e intensidade do incêndio (tipo de ocupação, material que está queimando,


duração do incêndio, tamanho do incêndio, localização do fogo, etc.);
• Necessidade ou não do salvamento de pessoas;
• Riscos potenciais (riscos de propagação, desabamento, eletricidade, explosões,
substâncias tóxicas à respiração, produtos perigosos, etc.) ;
• Pontos críticos (local no interior da edificação onde encontram-se pessoas, local de
maior dificuldade para controlar a propagação do fogo, etc.).
Quanto aos recursos disponíveis:
• Pessoal (quantidade e qualificação técnico-profissional);
• Equipamentos e viaturas (quantidade de mangueiras, EPIs, EPRs, capacidade das
bombas de incêndio, etc.);
• Meios de extinção (tipo de agente e quantidade disponível, localização, etc.).
SITUAÇÃO RECURSOS
Tipo e intensidade; Pessoal;
• Necessidade de resgate; • Equipamentos e viaturas;
• Riscos potenciais; • Meios de extinção.
• Pontos críticos.

PLANO
•Identificar os objetivos;
•Dividir as tarefas;
•Designar as pessoas.
Modelo para análise/reconhecimento da situação.
Após analisar esses fatores críticos, o Co deverá desenvolver um planejamento estratégico e tático,
converter esse plano em tarefas e, determiná-las para serem operacionalizadas pelas guarnições de serviço
presentes no local.

Desenvolvendo um plano estratégico

Determine a necessidade de resgate

Avalie as condições estruturais da edificação

Estime
Situação x Recursos

Planeje uma ação ofensiva Ou Planeje uma ação defensiva

Formule o pano estratégico


PLANEJAMENTO DAS ESTRATÉGIAS E TÁTICAS DE COMBATE AO FOGO

Esta é uma função básica do CO na zona do incêndio e o planejamento das


estratégias de enfrentamento ao fogo e a priorização de seus enfoques táticos.
Em termos de combate a incêndio, podemos definir estratégia como a mobilização
dos recursos de uma determinada organização visando o alcance de objetivos
maiores, enquanto a tática é um esquema específico de emprego de recursos dentro
de uma estratégia geral.
Cada estratégia implica na proliferação de ações ou medidas táticas.
A diferença entre estratégia e tática reside basicamente nos seguintes aspectos: a
estratégia é composta de várias táticas, simultâneas e integradas entre si.
A estratégia se refere a operação como um todo, pois procura alcançar uma
determinada finalidade (expressão global dos objetivos da operação), enquanto a tática refere-
se a ações específicas, pois procura alcançar objetivos isolados.
Podemos considerar ainda que, a estratégia é definida pelo Co, enquanto a tática é partilhada com os
comandantes de guarnições ou chefes de setores.
As decisões estratégicas objetivam basicamente determinar se as operações de combate ao fogo
se conduzirão de um modo ofensivo ou defensivo.
OPERAÇÕES OFENSIVAS:
Durante uma operação ofensiva (também chamada de ataque interno) as condições do incêndio
permitem a realização de um ataque interior, rápido ou cauteloso. Em geral, essas ações são
desenvolvidas de um modo agressivo e objetivam a rápida extinção do incêndio no interior da
edificação.

OPERAÇÕES DEFENSIVAS:
Também chamadas de operações de defesa, são utilizadas quando as condições do incêndio
impedem a entrada de bombeiros e um ataque interior, de modo que o Co deverá determinar o
posicionamento de linhas de proteção de grosso calibre (2 1/2") entre o foco de incêndio e as outras
estruturas vizinhas para prevenir a propagação do fogo. Este trabalho deverá ser orientado muito mais
para ações de isolamento do local incendiado, do que propriamente para a extinção do incêndio.
OPERAÇÕES MARGINAIS:
Representam as mais difíceis e perigosas situações de combate ao fogo para os
bombeiros, pois ocorrem quando as condições do sinistro estão perto do fim de uma
operação ofensiva e no princípio de uma operação de defesa (situação limite).
Nesses casos, o CO deverá iniciar um ataque ofensivo, mas necessitará reavaliar
constantemente as condições do sinistro e os efeitos produzidos pelo ataque
empreendido pelas guarnições, pois a qualquer momento, poderá ter de alterar sua
decisão estratégica e determinar a retirada dos bombeiros do interior da edificação em
chamas.
A opção pelo combate marginal não significa a mistura de ambas as estratégias de
enfrentamento ao fogo, ou seja, ela caracteriza-se por uma ação ofensiva, extrema
mente cautelosa.
Para decidir sobre a melhor estratégica de combate ao fogo, particularmente entendo
que o CO deva utilizar um modelo padronizado de referência.
O modelo adotado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Santa Catarina
utiliza uma tabela onde ficam registradas as etapas do incêndio.
Esse modelo é igualmente recomendado por associações internacionais de proteção
contra incêndio, tais como a National Fire Protection Association (NFPA) e a International
Fire Service Training Association (IFSTA).
ETAPA SITUAÇÃO AÇÃO OPERACIONAL

01 Não se vê nada Investigue

02 Vê-se somente fumaça Ataque interior rápido.

03 Vê-se fumaça e pouco fogo Ataque interior rápido e agressivo.

04 Fogo em desenvolvimento Ataque interior cauteloso.

05 Fogo ativo Ataque interior muito cauteloso.

06 Fogo marginal Ataque interior muito cauteloso, preparando-se para uma ação

07 Totalmente em chamas Operação defensiva (exterior).

08 o fogo começa a descer Operação defensiva preparando-se para um possível colapso


estrutural

09 o fogo atinge a base Operação defensiva com provável colapso estrutural.

10 Destruição total Retirar o pré-plano do arquivo.


A estratégia ofensiva é utilizada sempre que o incêndio encontrar-se entre as etapas 1 a 5.
A etapa 6 requer o emprego de uma estratégia marginal.
Já no caso das etapas 7 a 10, a melhor opção do CO é conduzir-se de forma defensiva.

3 4 5
1 2

6 7 8 9 10