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19 filmes que todo engenheiro deveria ver

Confira as sugestões de filmes feitas por 6 engenheiros de diferentes áreas e


especialidades
1. Conceitos e lições interessantes para
engenheiros
São Paulo – Os engenheiros podem até não ter
caído nas graças de Hollywood, como os
policiais e os advogados, por exemplo, mas o
seu trabalho é o ponto de partida para o
enredo de dezenas de filmes. EXAME.com
consultou seis engenheiros da área civil, de
produção, mecânica, de tráfego e de
computação para saber quais filmes trazem
lições ou conceitos interessantes para quem já
é da carreira de engenharia ou para quem
ainda pretende seguir na profissão. O
resultado é a lista com 19 filmes que vão do
clássico “Tempos Modernos”, de Charlie
Chaplin ao filme “A Rede Social”, que mostra a
criação do Facebook. Clique nas fotos e confira
as indicações:
2. Tempos Modernos

Um dos filmes mais famosos de Charles Chaplin, Tempos Modernos


é, segundo Manoel Fernandez, responsável de excelência
operacional na Rhodia um filme com forte viés crítico que todo
engenheiro de produção deveria assistir. Ele, que é engenheiro
mecânico formado pelo Instituto Mauá de Tecnologia, mas trabalha
como engenheiro de produção, explica que o filme mostra bem as
ideias do engenheiro Frederick Taylor, que foram usadas depois do
Henry Ford, considerado o primeiro a implantar um sistema de
produção em série. “É um clássico que ilustra bem a visão tayloriana,
essa ideia de especialização do trabalho. O Ford usou essas ideias do
Taylor na linha de montagem”, diz Fernandez. Tempos Modernos
Diretor: Charlie Chaplin
Ano:1936
Duração: 87 min
3. A Ponte do Rio Kwai

O clássico e premiado filme de 1957 conta a


história de prisioneiros britânicos que, durante
a Segunda Guerra Mundial, são obrigados a
construir uma ponte para passagem de trens
sobre o Rio Kwai na Tailândia. Com grandes
lições para engenheiros, principalmente civis, a
indicação é do professor do curso de
especialização em gestão de projetos da
Fundação Vanzolini, Ricardo Buonanni. “O
filme é uma lição sobre liderança. De como
encontrar caminhos para motivar pessoas,
mesmo nas situações mais adversas e tendo
que realizar um projeto com poucos recursos e
com prazo muito apertado”, diz Buonanni. A
Ponte do Rio Kwai
Diretor: David Lean
Ano: 1957
Duração: 161 min
4. 2001- Uma Odisseia no Espaço

Considerado pelos críticos como uma das


grandes obras primas do cinema, o filme
produzido e dirigido por Stanley Kubrik é,
segundo o coordenador do curso de
engenharia de computação do Instituto Mauá
de Tecnologia, Éverson Denis, e os professores
João Carlos Lopes Fernandes e Sergio Ribeiro
Augusto, do Instituto Mauá de Tecnologia,
interessante para quem deseja seguir esta
especialidade.
“O filme lida com elementos de tecnologia, tais
como efeitos de projeção frontal, técnicas de
fotografia Slit-scan e inteligência artificial”,
ressaltam professores. 2001- Uma Odisseia no
Espaço
Diretor: Stanley Kubrick
Ano: 1968
Duração: 142 min
5. Exterminador do futuro

Conceitos de inteligência artificial são o


destaque do clássico de ficção científica
indicado pelos professores de engenharia de
computação do Instituto Mauá de Tecnologia.
Arnold Schwarzenegger interpreta um
ciborgue – androide cujo esqueleto é
recoberto por tecido vivo – que é transportado
no tempo com o objetivo de mudar o curso da
história e o futuro. Exterminador do Futuro
Diretor: James Cameron
Ano: 1984
Duração: 108 min
6. Jovem Einstein

A sátira australiana conta a histótia de jovem


caipira, Einstein, que vive na Tasmânia e que,
um dia descobre a teoria da relatividade ao
fazer bolhas para a cerveja de seu pai. Um
cientista rival rouba sua fórmula e, com ela,
constrói um reator atômico em um barril de
chopp que apresenta em um congresso
científico presidido por Charles Darwin.
O longa, de acordo com os professores do
Instituto Mauá de Tecnologia, traz conceitos de
física que podem ser usados nos dois primeiros
anos do curso de engenharia, o ciclo
fundamental. Jovem Einstein
Diretor: Yahoo Serious
Ano: 1988
Duração: 91 min
7. Apollo 13

O filme que narra a história verídica da missão Apollo 13, da


NASA, traz, segundo Dario Rais Lopes, professor da Escola de
Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e assessor
especial do Grupo Ecorodovias, a essência da engenharia, com
aplicação dos conceitos da física, o trabalho em equipe, a
criatividade a construção do novo e a sua reconstrução em
circunstâncias emergenciais. “Foi o filme que mais me tocou
como engenheiro. A cena da construção do filtro de ar adaptado
do módulo de comando para o módulo lunar, feito pelos
engenheiros na NASA, mas só com os materiais que havia na
nave, para que os astronautas pudessem reproduzir, é um dos
exemplos mais bonitos da prática da engenharia”, diz Lopes
ressaltando que um bom engenheiro sabe descontar a pieguice a
dramaticidade do filme. Apollo 13
Diretor: Ron Howard
Ano: 1995
Duração: 140 min
8. Armageddon

O filme que conta a história de uma equipe


que é enviada para destruir asteroide quique
está em rota de colisão com a Terra e que pode
acabar com a vida no planeta é uma ficção
científica que pode ser interessante do ponto
de vista dos conceito de engenharia que são
abordados. Técnicas de engenharia civil,
mecânica e aeronáutica são o destaque do
filme, de acordo com os professores do
Instituto Mauá de Tecnologia. Armageddon
Diretor: Michael Bay
Ano: 1998
Duração: 151 min
9. Piratas da Informática

O filme mostra como o co-fundador da Apple,


Steve Jobs, e o co-fundador da Microsoft, Bill
Gates, mudaram o jeito de as pessoas viverem
e se comunicarem com a criação das duas
maiores empresas de informática do mundo e
seus sistemas operacionais. De acordo com os
professores do Instituto Mauá de Tecnologia, o
filme utiliza conceitos importantes para
engenharia de empreendedorismo –
administração, economia e gestão de
negócios- para telecomunicações – engenharia
eletrônica – para sistemas operacionais ,
design de sistemas e produto e também para
programação – engenharia de computação.
Piratas da Informática
Diretor: Martyn Burke
Ano: 1999
Duração: 95 min
10. U-571 Batalha no Atlântico
O filme retrata o período inicial da Segunda
Guerra Mundial, quando navios aliados eram
atacados e afundados pelos submarinos
alemães. No comando do submarino S-33, dos
aliados, um tenente recebe ordens para se
aproximar de um submarino alemão, o U-571,
de forma camuflada o objetivo é conseguir
uma máquina de escrever que ajudará a
decifrar os códigos alemães usados na guerra.
Para Manoel Fernandez, a relevância do filme
do ponto de vista da engenharia é retratar a
importância da padronização de medidas.
“Tem uma cena em que as aliados conseguem
entrar no submarino alemão e se deparar com
medições em metro, diferente da que eles
usavam, e não entendem nada”, diz Fernandez.
U-571 Batalha no Atlântico
Diretor: Jonathan Mostow
Ano: 2000
Duração: 120 min
11. Hackers 2- Caçada Virtual

Esse filme também revela a importância da


segurança da informação, segundo os
professores do Instituto Mauá de Tecnologia. O
longa, baseado em uma história real, conta a
trajetória de um hacker que consegue acesso
aos arquivos do FBI, tornando-se um dos
cybercriminosos mais procurados dos Estados
Unidos. Caçada Virtual
Diretor: Joe Chappelle
Ano: 2000
Duração: 92 min
12. Uma Mente Brilhante

O filme que conta a história do matemático John Forbes Nash é interessante, de


acordo com Manoel Fernandez, porque ilustra bem a questão da diferença entre
competição e colaboração. “A cena do bar em que Nash está com os amigos e
entram umas mulheres é que mostra bem esta questão, quando eles ameaçam
competir para quem vai ficar com a moça mais bonita, baseados na teoria da
competição proposta Adam Smith e Nash contraria essa teoria”, diz Fernandez.
Para Nash, se todos fossem tentar ficar com a mulher mais bonita do grupo, ela
iria provavelmente dar o fora neles e, ao tentarem ficar com as outras moças, eles
também fracassariam já que mulher alguma gosta de ser a segunda opção. Mas se
eles colaborassem entre si e fossem conversar com as outras mulheres e
deixassem a loira sozinha as chances de terminarem a noite acompanhados
seriam maiores. “Isso serve para qualquer empresa ou indústria, não adianta nada
se as áreas ou departamentos quiserem resolver seus problemas sem
cooperarem”, explica Fernandez. Uma Mente Brilhante
Diretor: Ron Howard
Ano: 2001
Duração: 135 min
13. Revolution OS

O documentário discute software livre,


GNU/Linux, Unix e a cultura hacker, temas
muitos presentes nos cursos de engenharia da
computação, de acordo com os professores do
Instituto Mauá de Tecnologia. Revolution OS
Diretor: J. T. S. Moore
Ano: 2001
Duração: 85 min
14. Minority Report

As engenharias de computação e eletrônica


são destaque do filme que traz conceitos de
design de carros do futuro, sistemas de
biometria com scanners de retina e pequenas
mídias de armazenamento. “A cena clássica em
que o personagem de Tom Cruise abre e
arrasta imagens na tela gigante de vidro foi
uma antecipação do que seria a tecnologia já
disponível hoje em iPhones, iPads e grandes
telões interativos, onde o usuário usa a ponta
dos dedos para arrastar imagens, ampliar
fotografias e mudar páginas de livros virtuais”,
destacam Éverson Denis, João Carlos Lopes e
Sergio Ribeiro Augusto, do Instituto Mauá de
Tecnologia Minority Report
Diretor: Steve Spielberg
Ano: 2002
Duração: 145 min
15. Prenda-me se for capaz
É um filme interessante do ponto de vista da engenharia de
computação. Os disfarces e os golpes milionários aplicados por Frank
Abagnale Jr. (Leonardo DiCaprio) retratados no filme têm forte apelo
na engenharia social revelam a importância da segurança da
informação, destacam os professores do Instituto Mauá de
Tecnologia. A engenharia social, conforme explicar os especialistas,é
técnica antiga e muito popular que pode ser traduzida, grosso modo,
como a ação de enganar as pessoas. A ideia é que o engenheiro social
, como é chamado quem usa essa técnica, manipule pessoas para que
eles revelem informações ou que para que façam algo que seja
interessante para ele. “Empresas e órgãos governamentais investem
muito dinheiro em segurança por meio de inovações tecnológicas:
antivírus, firewall, proxy, sistemas para detectar invasões,
autenticação por biometria. Tudo isso custa caro e, por incrível que
pareça, pode ser completamente inútil se os funcionários que
trabalham com essas tecnologias não tiverem o treinamento
adequado”, explicam os professores do Instituto Mauá de Tecnologia.
Prenda-me se for Capaz
Diretor: Steven Spielberg
Ano:2002
Duração: 140 min
16. Adeus, Lênin!

O longa, que mostra a hercúlea missão de


jovem em meio à queda do Muro de Berlim de
esconder da mãe, entusiasta socialista, a
implantação do sistema capitalista na
Alemanha Oriental, é uma indicação
interessante para os engenheiros de produção,
segundo Manoel Fernandez. “Mostra a força
do aporte de capital para a inovação
tecnológica e para capacidade produtiva, afinal
a Alemanha capitalista tinha uma capacidade
de produção muito maior do que o lado
comunista”, diz Fernandez. Adeus Lênin
Diretor: Wolfgang Becker
Ano: 2003
Duração: 121 min
17. Código Da Vinci

O uso da criptografia para esconder e proteger


as informações é o destaque do filme sob a
ótica da engenharia de computação. “É um
conceito muito importante em engenharia de
computação, sistemas de grandes corporações,
bancos, órgãos governamentais”, destacam
Éverson Denis, João Carlos Lopes e Sergio
Ribeiro Augusto, do Instituto Mauá de
Tecnologia. Código Da Vinci
Diretor: Ron Howard
Ano: 2006
Duração: 150 min
18. Não por Acaso

O filme brasileiro que conta a história de engenheiro de trânsito,


vivido pelo ator Leonardo Medeiros e de um jogador de bilhar,
interpretado por Rodrigo Santoro é interessante principalmente
para quem é da área de engenharia de tráfego. “É provavelmente o
único filme do mundo que aborda a profissão do engenheiro de
tráfego”, diz João Cucci, professor de engenharia de tráfego da
Universidade Presbiteriana Mackenzie, que foi consultor técnico do
filme. “Para o engenheiro, além da visão da operação do tráfego de
uma cidade como São Paulo, que é algo muito mais complexo do
que a maioria das pessoas imagina, o interesse no filme é a
abordagem do aspecto psicológico do controle sobre as coisas. O
engenheiro e seu pensamento cartesiano muitas vezes acha que
qualquer coisa pode ser controlada, o que está longe de ser
verdade”, explica Cucci. Não por Acaso
Diretor: Philippe Barcinski
Ano: 2007
Duração: 90 min
19. A Rede Social

O filme conta a história do surgimento do


Facebook e seus desdobramentos. De acordo
com os professores do Instituto Mauá de
Tecnologia, é um filme interessante para quem
é da área de engenharia de computação,
engenharia de empreendedorismo.
“É um filme com conceitos importante de
administração, economia, gestão de negócios,
sistemas operacionais, programação,
segurança da informação”, destacam os
professores. A Rede Social
Diretor: David Fincher
Ano: 2010
Duração: 121 min
20. Apollo 18
O filme de ficção científica conta a história de
uma missão que levou o homem à Lua para
coletar amostras, estudar a força da gravidade,
o clima e o solo a Lua entre, outras coisas. Para
isso, o longa utiliza conceitos de física – ação
da gravidade - engenharia civil e mecânica – a
partir da estrutura da nave – engenharia
química com as amostras coletadas. Há
também conceitos de engenharia eletrônica,
de controle e automação e de computação
utilizados nos sistemas embarcados, sistemas
autônomos e computador de bordo, apontam
os professores do Instituto Mauá de
Tecnologia. Apollo 18
Diretor: Gonzalo López-Gallego
Ano: 2011
Duração: 86 min
CARREIRA - VOCÊ S/A
Os dois engenheiros que serão mais disputados em 2018
A Catho e a Michael Page apontaram dois cargos em alta para engenheiros para o
próximo ano. salário pode chegar a 20 mil reais
Por Camila Pati
access_time 19 dez 2017, 06h00

São Paulo – Engenheiros com foco no agronegócio e profissionais da área de segurança do


trabalho estão com boas perspectivas de trabalho em 2018, segundo consultorias de
recrutamento consultadas.
De acordo com a equipe da Catho, engenheiros chegam a ganhar mais de 13 mil reais no
setor de agronegócio, um dos segmentos mais promissores do pais, de maneira geral.
A profissionalização do setor e o ritmo de crescimento do mercado de orgânicos são
fatores que explicam a maior demanda pelos engenheiros na cadeia do agronegócio, que
abrange os setores de agronomia, agropecuária, aquicultura, agrimensura, ambiental,
florestal e de pesca.
Na indústria, engenheiros de segurança do trabalho devem encontrar melhores
perspectivas de emprego em 2018,
De acordo com a expectativa da consultoria de recrutamento Michael Page, o cargo de
gerente de saúde, segurança e meio ambiente deve ser o mais demandado. Para essa
posição, salários devem variar entre 15 mil e 20 mil reais.
Confira mais detalhes das funções mais promissoras para engenheiros no próximo ano:
Engenheiro com foco em agronegócio
O que faz: pode atuar em toda cadeia produtiva rural, desde gestão e análise de
operações para o preparo e cultivo do solo, controle de pragas, estudo de melhores
procedimentos de adubação e irrigação até planejamento de alimentação/ reprodução
de animais e também manejo dos produtos depois do abate. Também podem
desenvolver ações focadas em aproveitamento sustentável do meio ambiente.
Perfil: formações focadas em agronegócio, gestão ambiental, zootecnia, agronomia,
engenharia de alimentos e até mesmo cursos ligados à cadeia produtiva rural, segundo a
equipe da Catho.
Por que está em alta: necessidade de modernização do agronegócio para ajudar a
aumentar a produção de alimentos e garantir a preservação de recursos naturais dá
destaque para a carreira. A expansão do mercado de orgânicos também puxa a demanda
por esse profissional, segundo a Catho.
Gerente de saúde, segurança e meio ambiente
O que faz: gerencia todo sistema de saúde, segurança e meio ambiente da
companhia, e por vezes também sustentabilidade.
Perfil: formação em engenharia de segurança do trabalho, capaz de assegurar o
cumprimento de regulamentos, implementar e defender políticas ambientais e
garantir a segurança de seus colaboradores. Visão estratégica é um requisito.
Por que está em alta: preocupação maior com segurança e com sustentabilidade dá
destaque para profissionais da área, segundo a equipe da consultoria Michael Page.
CARREIRA - VOCÊ S/A
Por que os engenheiros conseguem trabalho em diversas áreas?
Existem muitas possibilidades de atuação para os engenheiros e obstáculos e o grau
de dificuldade do processo de formação podem explicar a versatilidade
Por Suria Barbosa, do Na Prática
access_time 13 abr 2018, 14h00
As possibilidades de formação em Engenharia são tantas, que só a
Escola Politécnica da USP – uma das faculdades de Engenharia
mais reconhecidas – possui 17 cursos diferentes. No entanto, para
além das divisões tradicionais (como o campo da Civil, Mecânica e
Elétrica), muitos engenheiros atuam em outras indústrias,
inclusive não relacionadas.
Um dos motivos da versatilidade, segundo André Abram, sócio de
consultoria especialista em recrutamento de executivos, é o grau
de dificuldade dos cursos. Os obstáculos “tanto para passar,
quanto para fazer” ajudam a atestar a qualidade do profissional,
diz ele, que também é Líder da Fundação Estudar.
De fato, os engenheiros passam por um processo intensivo de
aprendizagem na faculdade. Tanto é que uma pesquisa realizada
pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que mais
da metade dos estudantes abandona estes cursos. Entre as razões
está a dificuldade em acompanhar o conteúdo por conta de
deficiência na formação básica em Matemática e Ciências.
Habilidades versáteis
As competências desenvolvidas na graduação em Engenharia também
facilitam a migração dos engenheiros para outras áreas, e os tornam
requisitados nos mais diversos mercados. O Financeiro e o ramo da
consultoria estratégica são dois deles. Ambos precisam de profissionais
com grande capacidade de raciocínio lógico e analítico. Isso porque estas
habilidades são ligadas à solução de problemas, um dos principais desafios
no ambiente de negócios, segundo André. Saiba mais: Dá para ser feliz no
trabalho?
De acordo com Dan Reicher, principal da consultoria estratégica Boston
Consulting Group (BCG), apesar de a tecnologia fazer com que o
aprendizado técnico em Engenharia e de quaisquer cursos tenham grandes
chances de se tornarem obsoletos, algumas competências serão cada vez
mais valorizadas. Além da capacidade de criar soluções, ele cita como
exemplos a de liderança e aprendizado, que “são muito bem desenvolvidas
por cursos de Engenharia”.
Nanci Bertani, coordenadora de recrutamento do BCG, acrescenta às
características que trazem versatilidade aos engenheiros o raciocínio lógico
e facilidade de lidar com números. Outras funções que requerem estas
mesmas aptidões estão ligadas ao empreendedorismo, aos trabalhos em
vendas e compras, à gestão empresarial e pública.
Qualidades desenvolvidas pela persistência
Para o especialista em recrutamento de executivos, uma terceira
explicação vem das qualidades que se desenvolvem quando os
profissionais passam por processos de aprendizados intensos, como
são os da formação em Engenharia. André fala em grit, palavra que,
em inglês, denota o traço de quem tem perseverança e se orienta
para objetivos a longo prazo.
Sob outros termos, como “motivação para tarefa” ou
“conscienciosidade”, este conceito vem tendo seu impacto cada vez
mais estudado pelos psicólogos, segundo o The Economist. A maior
parte dos pesquisadores concorda que talento requer
desenvolvimento e que, além da inteligência, isso deveria envolver
a promoção da capacidade de trabalhar “arduamente”, o que
desenvolve grit – assim como fazem os engenheiros.
CARREIRA - VOCÊ S/A
O que fazer com um diploma de engenharia no Brasil?
Professor da Unicamp analisa o mercado de engenharia para quem vai começar a
carreira
Por Ana Pinho, do Na Prática
access_time 27 jun 2017, 15h00

https://exame.abril.com.br/carreira/o-que-fazer-com-um-diploma-de-engenharia-no-
brasil/
Em 2010, cerca de 40 mil engenheiros se formavam por ano no Brasil em campos tão
diversos quanto Computação, Elétrica, Mecânica, Eletrônica, Aeronáutica, Naval e Civil – para
citar algumas das mais de 30 engenharias disponíveis no país. Em 2015, este número já tinha
saltado para mais de 80 mil, de acordo com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado de São Paulo).
Embora pareça uma grande quantia, o Conselho Nacional de Engenharia e Agronomia
(Confea) aponta que outras nações têm muito mais desses profissionais essenciais para o
desenvolvimento nacional: Índia e China formam, respectivamente, 220 mil e 650 mil novos
engenheiros por ano.
Mesmo em tempos menos auspiciosos, quando há empresas encerrando milhares de vagas e
gigantes nacionais sob investigação, ainda são muitas as possibilidades para engenheiros
qualificados no mercado – o que se torna especialmente para quem também está disposto a
aplicar seus conhecimentos de outras maneiras.
Isso porque um engenheiro é treinado para entender e solucionar problemas, e sua
capacidade de raciocínio lógico e analítico é muito bem vinda tanto no mercado financeiro
quanto num hangar de aviões, numa ONG, em uma startup, na gestão pública ou em uma
consultoria estratégica, por exemplo.
“A Engenharia é basicamente a arte de engenhar, ou seja, pensar e desenvolver soluções
baseadas em conhecimentos pré-existentes ou no desenvolvimento de nova tecnologias”,
resume Carlos Marmorato, professor e coordenador associado da graduação da Engenharia
Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma das melhores do país.
“O curso oferece ao aluno um conhecimento amplo em diversas áreas. Evidentemente, o
profissional acaba se especializado, mas todo conteúdo adquirido propicia ao engenheiro
uma visão mais abrangente e importante no exercício profissional.”
Carreira em engenharia: destaque para os bons profissionais
Esse não é, porém, o único fator em jogo para quem se forma agora: o salto brasileiro no
número de formandos não se reflete necessariamente na qualidade dos profissionais que
chegam ao mercado.
O setor privado, responsável por ampliar em quase 600% a quantidade de formandos em
Engenharia entre 2000 e 2015, acabou inundando o mercado com novos profissionais – mas
nem todos são cursos bem qualificados pelo Ministério de Educação.
Os diversos rankings de melhores universidades de Engenharia do país costumam ser
dominados pelas universidades públicas (federais e estaduais), com exceções de instituições
particulares como PUC, FEI, Unisinos, Mackenzie e Mauá.
Num cenário como o atual, destaca-se com facilidade o jovem que estiver bem preparado.
Para Marmorato, o engenheiro mais valioso é aquele que detém o conhecimento e “zela pelo
bom exercício profissional, com ética e profissionalismo”.
Ou seja, o ideal é que o profissional busque ampliar seus conhecimentos sempre que
possível, investindo em estudos e especializações que estão em alta no mercado, como
análise de dados e desenvolvimento de negócios, para conquistar empresas cada vez mais
exigentes.
No início dos anos 2010, muito se falava sobre um possível “apagão de engenheiros” no
Brasil, que apresentava então fortes índices de crescimento e investia pesado em obras de
infraestrutura, preparando-se para sediar uma série de eventos e aquecendo a economia.
O medo era de que faltassem engenheiros.
Com a recessão e operações como a Lava Jato, que paralisaram projetos e atingiram
construtoras e fontes de financiamento, o quadro mudou de figura.
Não deixam de ser dois lados da mesma moeda – a demanda impulsionada pelo setor
público –, e o cenário tende a se tornar menos sombrio conforme o país se recupera.
Marmorato explica o porquê: há uma dependência de investimentos públicos para que
grandes obras aconteçam aqui, o que acaba causando ansiedade entre alunos de
Engenharia que se formam em tempos de crise. Mas o aumento da demanda é questão de
tempo.
Ao comparar o Brasil de hoje com aquele de seu tempo de estudante, nos anos 1990, ele
vê os mesmos gargalos de infraestrutura em áreas como saneamento, transporte e
habitação, entre outras, onde há muito trabalho ainda por fazer e que eventualmente terá
que ser feito – especialmente por engenheiros.
“É um segmento que pode ter ciclos que demandam mais ou menos profissionais”, diz o
professor. “A questão do mercado de trabalho depende mesmo da época na qual o aluno
vai se inserir no mercado.”
Segundo especialistas, há hoje setores em alta que merecem atenção de engenheiros,
como energia, telecomunicação e tecnologia, que investem constantemente em soluções
inovadoras e na criação de processos mais eficazes – perfeito para profissionais curiosos e
capazes de se adaptar.
Com crise ou sem crise, uma coisa é certa: um bom engenheiro, que se esforça
constantemente para aprender mais e melhor, sempre encontra espaço no mercado.