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ALIENAÇÃO

PARENTAL
Contextualização Sócio-histórica
 Bauman bem ensina sobre o que tem ocorrido na sociedade contemporânea. Tal sociedade e
as ações humanas que dela derivam se demonstram fragilizadas e em constantes mudanças.
A instabilidade reina e as pessoas são consideradas objetos descartáveis, obsoletos e
disponíveis. Assim, a regra é evitar compromissos a longo prazo e fixações identitárias. O
sexo é visto como uma coleção de experiências. Ele não é mais visto como um sustentáculo
para uniões conjugais e não visa a criar direitos e obrigações. (Bauman, 1998). É o “amor
confluente”. Vive-se hoje a segunda revolução sexual, em que há o desmantelamento de
tudo o que a primeira revolução construiu (a família tradicional e o sexo institucionalizado).
Há uma gradual desintegração do “ninho” familiar (Próchno; Paravidini; Cunha, 2017, p.
1473)
CONCEITO

 ALIENAÇÃO PARENTAL
 Nesses problemas de desmoralização, um cônjuge age num propósito de destruição
do outro, mas, também, de si mesmo (Próchno; Paravidini; Cunha, p. 1478).
 EFEITOS

 SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL


 GARDNER
Viés Jurídico
 Família x divórcio
 Com o divórcio, ocorre o término do subsistema conjugal, permanecendo ainda o
subsistema parental (Akel, 2008; Carter, & McGoldrick, 2008).
 O contexto de divórcio litigioso, por exemplo, favorece o aparecimento ou agravamento
de discordâncias dos genitores quanto às práticas educativas em relação aos filhos e
pode gerar disputa judicial de guarda destes (Ferreira, 2012).
LEGISLAÇÃO

 CF/88 - Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à


criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à
vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à
cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e
comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
 ECA - Art. 19. É direito da criança e do adolescente ser criado e educado no
seio de sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a
convivência familiar e comunitária, em ambiente que garanta seu
desenvolvimento integral.
 Lei 12.318/10 - dispõe sobre alienação parental
LEGISLAÇÃO
 LEI 12. 318/10
 Art. 2o Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou
do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a
criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que
cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.
 Art. 5o Havendo indício da prática de ato de alienação parental, em ação autônoma ou incidental, o
juiz, se necessário, determinará perícia psicológica ou biopsicossocial.
 Art. 7o A atribuição ou alteração da guarda dar-se-á por preferência ao genitor que viabiliza a efetiva
convivência da criança ou adolescente com o outro genitor nas hipóteses em que seja inviável
a guarda compartilhada
 CPC
 Art. 699. Quando o processo envolver discussão sobre fato relacionado a abuso ou a alienação
parental, o juiz, ao tomar o depoimento do incapaz, deverá estar acompanhado por especialista.
DOUTRINA
 Mapeamento dos comportamentos alienantes (Baker e Darnall 2006)
 Falso abuso
 FALSA MEMÓRIA
 "A narrativa de um episódio durante o período de visitas que possa configurar indícios de
tentativa de aproximação incestuosa é o que basta. Extrai-se deste fato, verdadeiro ou
não, denúncia de incesto. O filho é convencido da existência de um fato e levado a repetir
o que lhe é afirmado como tendo realmente acontecido". (MARIA BERENICE DIAS, 2008)
JURISPRUDÊNCIA
 AGRAVO DE INSTRUMENTO nº 70015224140
 DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR. ABUSO SEXUAL. SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL.
Estando as visitas do genitor à filha sendo realizadas junto a serviço especializado, não
há justificativa para que se proceda a destituição do poder familiar. A denúncia de abuso
sexual levada a efeito pela genitora, não está evidenciada, havendo a possibilidade de se
estar frente à hipótese da chamada síndrome da alienação parental. Negado provimento.
PERÍCIA
 Os profissionais da Psicologia são convocados para atuação no contexto forense para
avaliações periciais que auxiliem inclusive na identificação de AP (Brasil, 2010))
 A inserção de psicólogos em questões jurídicas no Brasil remonta à década de 1940;
 Apenas nos anos 1990 foram realizados concursos para psicólogos nos tribunais de justiça do
país (Brito, 2012);
 O CFP reconheceu e regulamentou essa área da Psicologia em meados de 2003 e em 2010
publicou resoluções diretamente relacionadas ao campo (Brito, 2012; CFP, 2010).
 Tem como objetivo auxiliar os juízes em suas decisões e sentenças por meio de perícias,
avaliações psicológicas e elaboração de laudos psicológicos (Costa, Penso, Legnani, &
Sudbrack, 2009; Santos & Costa, 2010).
LAUDO
 O laudo é o produto final da perícia psicológica e tem como objetivo expressar
conclusões referentes a uma determinada avaliação (Coimbra, 2004; Silva & Alchieri,
2011)
 Não devem sugerir sentenças ou medidas judiciais (Brito, 2012; Lago et al., 2009)) e
devem possuir linguagem e terminologias adequadas, acessíveis e compreensíveis para o
requerente (Silva & Alchieri, 2011; CFP, 2003b)
 De acordo com a Resolução nº 007/2003 do CFP, a elaboração dos laudos psicológicos
deve seguir as normas do Manual de elaboração de documentos decorrentes de
avaliações psicológicas (CFP, 2003b), assim como o Código de Ética Profissional do
Psicólogo (CFP, 2005).
LAUDO
 Pesquisa realizada por Cardoso (2005), em que foram analisados documentos produzidos
por psicólogos(as) presentes em processos judiciais entre os anos de 1996 e 2003,
localizados em Varas de Família, notou-se que além de os psicólogos não explicitarem a
teoria na qual se baseavam para a realização da avaliação, sugestões e recomendações
explícitas foram feitas pelos(as) psicólogos(as) aos operadores do Direito e familiares da
criança nos laudos sobre litígio familiar.
 Pesquisa realizada por Fermann (2017) foram analisados processos judiciais, o que
permitiu a identificação de oito laudos psicológicos emitidos por psicólogos(as) peritos(as)
nomeados pelos juízes que compuseram a amostra do estudo.
 Nenhum dos laudos analisados estava de acordo com as diretrizes de elaboração de
documentos do Manual de Elaboração de Documentos do CFP (Resolução no 007/2003).
 Muitas informações exigidas não constavam nos laudos, como por exemplo, a quem se
destinava a avaliação, o assunto que motivava a avaliação, bem como a descrição da
demanda, número de encontros realizados, instrumentos utilizados pelos profissionais,
referencial teórico adotado, interpretação e conclusões referentes ao processo de
avaliação.
LAUDO
 Um estudo realizado nas regiões Sudeste, Sul, Nordeste, Norte e Centro-Oeste do Brasil objetivou
investigar por meio de um questionário online, a formação extracurricular, conhecimento e
opinião de psicólogos atuantes em casos de Direito de Família sobre os assuntos emergentes
desta área, constatou a necessidade de maior especialização dos psicólogos(as) que atuam no
contexto forense de forma geral, no que diz respeito à qualificação técnica, teórica e ética.
VÍDEO
CRÍTICAS
 Sobre o tema, a escassez de debates e estudos acerca do conceito de SAP, bem como a
ausência de questionamentos sobre a ideia de um distúrbio infantil ligado às situações de
disputa entre pais separados, vêm contribuindo para a naturalização do assunto de forma
acrítica. Tal cenário colabora, ainda, com a visão de que muitos casos de litígio conjugal têm
como consequência o surgimento da denominada síndrome.(MARTINS; TORRACA, 2011)
 O assunto, com efeito, parece não ter sido motivo de análise detalhada pelos profissionais da
área. No Brasil, verifica-se que a SAP não foi objeto de estudo da psiquiatria, haja vista a
ausência de pesquisas e publicações científicas dessa área sobre o assunto (Sousa, 2010)
 O conceito de SAP se acha ligado a uma corrente da psiquiatria norte-americana que tem como
um dos seus representantes Richard Gardner, que se baseou antes em elementos supostamente
lógicos na defesa de sua teoria do que na realização de estudos sobre o fenômeno que tentava
apreender. (Escudero et al., 2008)
 Interessa notar, ainda, a expectativa – presente nos escritos de Gardner – de que a denominada
SAP fosse incluída na próxima revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais, DSM-V, pela Associação Americana de Psiquiatria.
PATOLOGIZAÇÃO, PUNIÇÃO E LUGAR DE
CLASSE DA PSICOLOGIA
 Interessa notar, ainda, a expectativa – presente nos escritos de Gardner – de que a
denominada SAP fosse incluída na próxima revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais, DSM-V, pela Associação Americana de Psiquiatria.
 Vale mencionar que diversas categorias diagnósticas listadas no referido manual têm
contribuído para o incremento de pesquisas com vistas a que se disponibilizem novos
medicamentos no mercado (Martins, 2008)
 No que tange às dificuldades que atingem as relações parentais quando há exacerbado
conflito conjugal, cabe destacar que, de certa forma, estas já teriam sido abarcadas por
aquele manual (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais ou DSM)
 SABER MÉDICO+JURÍDICO