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MENINGITES

Gustavo Kirschnick Cardeal Santos


Médico Residente de Neurologia
MENINGITES
 AGENTES:
 Bacteriana
 Viral
 Tuberculosa
 Fúngica
MENINGITES
 Inflamação das meninges
 Meningite

 Inflamação do parênquima
 Encefalite

 Ambos: meningoencefalite
MENINGITES
 Cerca de 1,2 milhões de casos de meningite bacteriana
ocorrem anualmente em todo o mundo ( 90 % --- Crianças
de 1 mês a 5 anos)

 Meningite está entre as dez mais comuns causas infecciosas


de morte e é responsável por aproximadamente 135.000
mortes em todo o mundo a cada ano.

 Sequelas neurológicas são comuns entre os sobreviventes


MENINGITES
 História Natural:

Bacteremia silenciosa, originada por germes da orofaringe


(mais comum)

Disseminação hematológica (endocardite infecciosa,


pneumonia, tromboflebite).

Infecção por extensão de um foco próximo


Sinusite
Otite
Trauma
Neurocirurgia
MENINGITES
MENINGITES
 Etiologia:

 Recém nascido e Lactente até 3 meses ( S. agalactiae, Listeria


monocytogenes, bacilos gram-negativos entéricos)

 3 meses a 18 anos (meningococos, pneumococos e H.


influenzae)

 18 a 50 anos (pneumococos, meningococos e H. influenzae)

 > 50 anos (pneumococos, Listeria, bacilos gram-negativos)


Meningite Bacteriana - Clínica:
História de IVAS ou diarréia, otite,
celulite periorbitária, pneumonia

Febre, prostração, hipoatividade, letargia/ alteração do nível de


consciência, cefaléia, náuseas, vômitos em jato

Associados a sinais de irritação meníngea


(dor e rigidez cervicais)
MENINGITES
 Síndrome toxêmica( Febre, mal estar, adinamia)

 Síndrome de irritação meníngea

 Síndrome de hipertensão intracraniana( Cefaleia, confusão mental,


fotofobîa, vômitos)
COMO SE APRESENTA
 Cefaléia ( 94%)

 Febre ( 81%)

 Rigidez de nuca ( 94%)

de Gans J, van de Beek D, European Dexamethasone in Adulthood Bacterial Meningitis Study


Investigators. Dexamethasone in adults with bacterial meningitis. N Engl J Med 2002;
347:1549.
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COMO SE APRESENTA
 Febre

 Rigidez de nuca

 Confusão mental

A tríade clássica está sempre presente

• 44 %

van de Beek D, de Gans J, Spanjaard L, et al. Clinical features and prognostic factors in adults with
bacterial meningitis. N Engl J Med 2004; 351:1849.

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COMO SE APRESENTA
 95 por cento apresentaram pelo menos dois dos quatro
sintomas

 Febre
 Cefaléia
 Rigidez de nuca
 Alteração do estado mental

 van de Beek D, de Gans J, Spanjaard L, et al. Clinical features and prognostic


factors in adults with bacterial meningitis. N Engl J Med 2004; 351:1849.

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Sinais de irritação meníngea
 Rigidez de nuca

 Kernig

 Brudzinski
Sinais de irritação meníngea

 Sensibilidade 5 % para cada sinal


 30 % para rigidez de nuca,

 a especificidade foi de 95 % para cada sinal


 68 % para rigidez de nuca

Thomas KE, Hasbun R, Jekel J, QuagliarelloVJ. The diagnostic accuracy of Kernig's sign, Brudzinski's sign, and
nuchal rigidity in adults with suspected meningitis. Clin Infect Dis 2002; 35:46.

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PUNÇÃO LOMBAR

Todo paciente com suspeita de meningite deve ter o LCR


obtida
a menos que a punção lombar (LP) seja contra-indicado.
Diagnóstico
 Clínico
 Punção liquórica : realizado na região lombar entre L1 – S1, sendo
mais indicados os espaços L3 – L4 ; L4 – L5 ou L5 – S1

 Contra-indicações:

 Infecção no local da punção (piodermite) ( ABSOLUTA)


 Papiledema
 Alteração no nível de consciência
 Déficit neurológico focal
Resultado do líquor
• Líquido turvo, purulento
• Celularidade alta: 100 a 2000
• 90% de neutrofilos
• Proteinas totais: 80 a 1000
• Glicose muito baixa

• Aglutinação pelo látex (Especificidade. 95- 100% para


Pneumo e Meningo; Sensibilidade 33- 70% Meningo; 70-95%
Pneumo)

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Resultado do líquor

• A administração prévia de agentes


antimicrobianos tende a ter efeitos mínimos sobre
os resultados da bioquímica, da citologia e o do
PCR, mas pode reduzir o rendimento da cultura
e coloração de Gram.

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PUNÇÃO LOMBAR

Se não puder fazer a punção logo

antibiótico e dexametasona

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Tratamento - princípios

 Evitar atraso no antibiótico, espectro adequado

 Uso de drogas bactericidas

 Drogas que penetram em SNC

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Tratamento - princípios
 Regime x idade
 < 3 meses (S. agalactiae, Listeria monocytogenes, bacilos gram-negativos
entéricos)
Ampicilina + Cefotaxima ( Ceftriaxone*)

 3 meses a 18 anos (meningococos, pneumococos e H. influenzae)


Ceftriaxona 2g EV 12 em 12h

 18 a 50 anos (pneumococos, meningococos e H. influenzae)


Ceftriaxona 2g EV 12 em 12h

 > 50 anos (pneumococos, Listeria, bacilos gram-negativos)


Ampicilina 500mg EV 6 em 6h
Ceftriaxona 2g EV 12 em 12h
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Antibioticoterapia x germe
 Meningococo
 Penicilina cristalina 4.000.000UI 4 em 4 horas por 07 dias

 Ampicilina 3g EV 6 em 6h

 Haemophilus sp
 Ceftriaxona 2g EV 12 em 12h, por 07 a 10 dias

 Pneumococo
 Penicilina cristalina 4.000.000UI 4 em 4 horas por 14 dias
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Uso de corticoide

 Dexametasona 10mg EV 6 em 6h por 02 a 04 dias

 Diminui taxa de perda auditiva, complicações neurológicas e


mortalidade;

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Complicações
 Coma
 Choque Séptico
 Comprometimento de pares cranianos
 Secreção inapropriada do ADH
 Efusão subdural estéril
 Empiema subdural
 Ventriculite
 Hidrocefalia
 Sequelas (Surdez, Epilepsia, Cegueira, Hemiplegia, Retardo psicomotor,
déficit intelectual...)
Quimioprofilaxia Meningococo
 Nas primeiras 48h do caso índice
 Quando
 Contactantes do mesmo domicílio;
 Contatos de creches (adultos ou crianças)
 Compartilham o mesmo dormitório
 Diretamente expostas às secreções do paciente

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Medicina Intensiva - CREMEC/CFM 25
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Quimioprofilaxia Haemophilus
 Nas primeiras 48h do caso índice
 Quando
 No domicílio, para os contatos próximo de qualquer idade,
que tenham contato com criança < 4 anos não vacinada;
 Crianças, e cuidadores, que partilham orfanato e creches,
diante da ocorrência de um segunda caso confirmado

 Rifampicina:

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Meningite viral – Agente Etiológicos
 Enterovírus - 80%
 Herpes simples
 EBV
 Varicela zoster
 Vírus da caxumba
 Sarampo
 Arbovírus
Meningite Viral - Quadro clínico
 Síndrome clínica clássica
 Irritação meníngea
 Hipertensão intracraniana: cefaléia, náuseas vômitos
 Toxemia: febre, mal estar
 Sinais menígeos: Kerning e Brudsinsk
 Rash cutâneo e diarréia no caso de enteroviroses
 Manifestaçoes do envolvimento do encéfalo: agitação,
rebaixamento do nivel de consciencia e crises convulsivas
 Curso benigno e auto limitado
Meningite Viral
 Os principais exames para o esclarecimento diagnóstico de
casos suspeitos de meningite viral dependem do agente
etiológico:

• Sorologia ( pesquisa de IgG e IgM )- Soro


• Isolamento viral em cultura celular- Líquor e fezes
• PCR- LCR, soro e outras amostras
Meningite Viral - Tratamento
 Suporte com reposição hidroeletrolítica
 Controle das convulsões quando presentes
 Isolamento respiratório em caso de meningites pelo
vírus da caxumba ou enquanto durar o aumento das
parotidas ou até 9 dias do inicio da doença
 Acyclovir EV
 Meningites por Herpes Vírus
Comparação dos achados liquóricos
Bibliografia
de Gans J, van de Beek D, European Dexamethasone in Adulthood
Bacterial Meningitis Study Investigators. Dexamethasone in adults with
bacterial meningitis. N Engl J Med 2002; 347:1549.

van de Beek D, de Gans J, Spanjaard L, et al. Clinical features


and prognostic factors in adults with bacterial meningitis. N Engl
J Med 2004; 351:1849.

Thomas KE, Hasbun R, Jekel J, Quagliarello VJ. The diagnostic accuracy of Kernig's sign,
Brudzinski's sign, and nuchal rigidity in adults with suspected meningitis. Clin Infect Dis
2002; 35:46.
Muito Obrigado