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RETINOPATIA DIABÉTICA

Marisa Oliveira

Disciplina de Oftalmologia
UEPG
PLANO DE AULA
• Introdução;
• Fisiopatologia;
• Fatores de risco;
• Classificação;
• Diagnóstico;
• Tratamento;
• Referências.
Introdução

• O Diabetes mellitus (DM) é uma epidemia


global

• A Retinopatia diabética (RD) é uma


complicação microvascular específica da DM
Introdução

• Principal causa de cegueira em pessoas com idade


entre 20 e 74 anos

• 20 anos de doença:
– 90% dos diabéticos tipo 1
– 60% dos diabéticos tipo 2

• Acomete aproximadamente 2 milhões de brasileiros

• Aproximadamente 12% dos novos casos de cegueira


legal

• Prevalência x Dx precoce
Fatores de risco

• Tempo de doença e controle da glicemia


– Diagnóstico precoce e tratamento adequado: risco de cegueira cai
a menos de 5%
– Redução da HbA1c em 1%: diminuição no risco de aparecimento
da retinopatia de 35% e de progressão de 39%

• Controle da PA
– Redução de 10 mmHg da PAS: havia uma diminuição de 13% do
risco de evolução para qualquer complicação microvascular

• Perfil lipídico
Fisiopatologia

• Captação de glicose pelo tecido retiniano


– Independe da insulina
– Equilibrio com a glicemia plasmática
• Excesso: ativa via dos poliois
– Glicose >>> sorbitol >>> frutose

• Aumento da concentração intracel de sorbitol


– Efeitos osmóticos adversos
• Influxo de líquido
• Alterações na permeabilidade da membrana

• Diminuição da síntese de óxido nítrico


– Vasoconstrição
– Redução do fluxo sanguíneo
– Isquemia
– Lesão tissular
Classificação

• Forma não proliferativa

• Forma proliferativa

• Maculopatia diabética
Classificação - Não proliferativa

Alterações na microvasculatura retiniana:


– Perda de celulas endoletiais e de pericitos
– degeneração e espessamento da membrana basal endotelial

Fraqueza de microvasos
Aumento da permeabilidade vascular
– Edema retiniano ou macular
– Microaneurismas
– Exsudatos

Fase precoce:
– Microaneurismas
– Exsudatos duros
– Hemorragias puntiformes

Fase avançada
– Isquemia retiniana
– Hemorragia em chama de vela
– Manchas algodonosas
– Veias em rosário
– Anormalidades microvasculares intraretinianas
Classificação – Não proliferativa

Muito leve • Poucos microaneurismas

• Microaneurismas e/ou hemorragias intra- retinianas


Leve: leves em menos que 4 quadrantes do olho

• Microaneurismas e/ou hemorragias intra-retinianas


Moderada leves nos 4 quadrantes, ou severas em menos que 4
quadrantes

• Usa-se a “regra do 4-2-1”: microaneurismas e/ou


hemorragias intra-retinianas severas nos quatro
Severa quadrantes, ensalsichamento venoso em 2 quadrantes
ou IRMAs em 1 quadrante

• 2 ou mais características da retinopatia diabética não


Muito severa proliferativa severa
Classificação – Não proliferativa

Retinopatia Diabética não proliferativa com edema macular


clinicamente significativo. Presença de exsudatos duros e hemorragias
Classificação – Proliferativa

• Isquemia retiniana se acentua


– Neovasos
• Veias retinianas – nível da papila óptica
• camada superficial da retina
• infiltram a face posterior do corpo vítreo

• Perda visual
– Abrupta
• Hemorragia vítrea
– Ruptura dos neovasos
• Descolamento de retina
Classificação – Proliferativa

Neovascularização
Classificação – Maculopatia diabética

• Causa de grave deficiência visual em DM.


• extravasamento de fluido – permeabilidade capilar
– Edema de mácula

• Metamorfopsia
• Borramento visual
• Escotoma central
• Redução na acuidade visual
Diagnóstico

• Diabetes tipo 1
– Puberdade ou 5 anos após o inicio do quadro
sistêmico

• Diabetes tipo 2
– No momento do diagnostico
– Acompanhamento anual ou semestral

• Gestantes
– trimestralmente

Viera AJ et al., 2005


Diagnóstico

Anamnese
Duração DM
Controle glicêmico
Medicação
Doenças sistêmicas
Histórico Ocular

Sintomatologia
Moscas volantes
Borrões
Áreas escuras na visão
Dificuldade de distinguir cores
Diagnóstico

Exame físico

Acuidade visual
Pressão intra-ocular
Oftalmoscopia direta – triagem
Oftamoscopia indireta
Angiografia com fluoresceína
edema macular, areas isquemicas e neovasos.

Ultrassonografia
Tomografia de coerência óptica
Diagnóstico
Diagnóstico – fundo de olho

Fundo de Olho

Hemorragias puntiformes
• Microaneurismas (?)

Hemorragias de mancha
• Obstrução de aglomerados de capilares
Diagnóstico – fundo de olho

• Pontos algodonosos
Axônios interrompidos
Diagnóstico – fundo de olho

Neovasos
Diagnóstico – fundo de olho

Hemorragia pré-retiniana anterior


Neovasos
Diagnóstico – fundo de olho

Cicatrizes de fotocoagulação
Diagnóstico

Método Vantagens Desvantagens


Oftalmoscopia Móvel, barata Campo diminuto, requer
direta dilatação, baixa
sensibilidade
Oftalmoscopia Móvel, campo amplo, Requer dilatação, baixa
indireta relativamente barata sensibilidade

Biomicroscopia Campo amplo Dilatação, imóvel, requer


com lâmpada de lentes especiais
fenda

Fotografia Campo amplo, sem dilatação, Relativamente caro, exige


retiniana não alguns portáteis, imagem espaço escuro
midriática armazenada, permite
comparação
Tratamento

Controle glicêmico
• Fotocoagulação a laser
• Parafoveal se maculopatia – regressão do edema
• Panretiniana se RDP ou RDNP grave
• Vitrectomia
• Se hemorragia vítrea e/ou descolamento de retina
• Não responsivos a fotocoagulação
Estabilizam o quadro -> objetivam evitar progressão
• Farmacológico
• Antiangiogênicos: bevacizumab, ranibizumab, aflibercept
• Corticoide
• Análogos somatostatina?
• AAS?
Tratamento
Considerações Finais

 O Diabetes mellitus (DM) é uma epidemia global


 Principal causa de perda de visão em populações
adultas ativas
 Importante instaurar programas de rastreio
 Suspeita diagnóstica deve partir do clínico geral
 Importante classificação adequada da doença
 Saber reconhecer as principais alterações do fundo
de olho relacionado com a RD
Referências

Bosco, A; Lerário, A C; Soriano, D; et al. Retinopatia


Diabética: Revisão. Arq Bras Endocrinol Metab vol 49 nº 2
Abril 2005
Diretrizes do Conselho Internacional de Oftalmologia
(Internacional Council of Ophthalmology - ICO) para o
Tratamento do Olho Diabético. 2014. Acesso 03/04/17.
Disponível em: http://www.icoph.org/downloads/URG-
Traducao.pdf
Diretrizes SBD. 2014-15. p. 149-53
Esteves, J; Laranjeira, A F; Roggia M F; et al. Fatores de Risco
para Retinopatia Diabética. Arq Bras Endrocrinol Metab
2008;52/3
Rebelo, T. Retinopatia diabética: Uma revisão bibliográfica.
Tese de Mestrado, 2008