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Direito Penal Econômico

e Tributário
Prof. Ramon Olímpio de Oliveira
Bem Jurídico e interesses protegidos
pelo Direito Penal Econômico
 O bem jurídico tutelado pelo Direito Penal Econômico é todo
aquele que se relaciona com a manutenção da ordem econômica,
ou seja, a economia popular, o sistema financeiro, o sistema
tributário, o sistema previdenciário, as relações de consumo.
Legislação Específica e seus
respectivos bens tutelados
 - Lei 8.137, de 1990: Delitos contra a ordem econômica (arts. 4º a
6º): BEM JURÍDICO: livre concorrência e livre iniciativa,
fundamentos basilares da ordem econômica.

 - Lei 8.137, de 1990: Delitos contra as relações de consumo (art.


7º): BEM JURIDICO: nos incisos I a IX, os interesses econômicos
ou sociais do consumidor (indiretamente, a vida, a saúde, o
patrimônio e o mercado);

 - Lei 8.137, de 1990: Delitos contra a ordem tributária (arts. 1º a


3º): BEM JURIDICO: erário público, como bem supraindividual,
de cunho institucional; proteção da política socioeconômica do
Estado.
Legislação Específica e seus
respectivos bens tutelados
 Lei 8.176, de 1991: Trata de delitos contra a ordem econômica.
BEM JURÍDICO: fontes energéticas.

 Lei 8.078, de 1990: Trata dos crimes contra as relações de


consumo – Código de Defesa do Consumidor; BEM JURÍDICO:
relações de consumo, relação jurídica de consumo.
Legislação Específica e seus
respectivos bens tutelados
 Lei 7.492, de 1986: Trata dos crimes contra o sistema financeiro
nacional; BEM JURÍDICO: proteção pública aos valores
mobiliários (públicos e das empresas privadas que atuam nesse
setor) e o patrimônio de terceiros (investidores); a higidez da
gestão das instituições financeiras; a fé pública; fé pública de
documentos; veracidade dos demonstrativos contábeis das
instituições; regular funcionamento do sistema financeiro;
reservas cambiais;
Legislação Específica e seus
respectivos bens tutelados
 Código Penal Brasileiro, de 1940: nos artigos 359-A a 359-H, trata
dos crimes contra as finanças públicas; BEM JURIDICO: finanças
públicas;

 Código Penal Brasileiro, de 1940: nos artigos 168-A e 337-A, trata


dos crimes contra o sistema previdenciário; BEM JURÍDICO:
interesse patrimonial da previdência social;
Legislação Específica e seus
respectivos bens tutelados
 Código Penal Brasileiro, de 1940: artigo 334; BEM JURÍDICO:
prestígio da administração pública e o interesse econômico do
Estado;

 - Lei 9.613, de 1998: Lavagem ou ocultação de bens. BEM


JURÍDICO: administração da justiça e a ordem socioeconômica
(ordem econômico-financeira);
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 - CF
 - Lei 4595/64 - Aspectos administrativos
 - Lei 7492/86 – “Lei dos crimes de colarinho branco”
 - Lei 6385/76 – “Lei do mercado de capitais”
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Bem jurídico: Sistema financeiro nacional: artigo 192,
CF. Bem jurídico que possui um papel relevantíssimo na
implementação da política econômica.
 Aspectos do sistema financeiro:
 Confiança: a base de um sistema financeiro é a confiança.
Ex. as pessoas entregarão o dinheiro a um banco, na
medida em que confiem nessas instituições. A queda da
bolsa ocorreu devido a uma quebra de confiança na
economia.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 - Transparência: para que exista confiança deve haver
transparência, não há espaço para a dúvida, para
obscuridade no sistema financeiro. Ex. os bancos devem
divulgar seus balanços em jornais. Ex. artigo 3º, artigo 10,
artigo 11, todos da Lei 7492/86. No sistema financeiro
“caixa dois” é crime. Uma instituição financeira não pode
ter uma contabilidade paralela, ou seja, o balanço não
pode ser parcial.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 - Regulação: o sistema financeiro precisa estar regulado.
Há riscos por excelência no sistema financeiro. Para que
se mantenha a confiança e a transparência é necessário
regulamentar o sistema para manter o risco em margens
aceitáveis. Ex. quando um gerente vai emprestar um
recurso deve observar os requisitos exigidos pela
instituição (renda, aval).
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Sistemática de proteção: dada a sua importância merece
proteção penal. É um bem jurídico de natureza
transindividual. Um tipo penal só se justifica pela medida
da sua ofensividade. Grande parte dos crimes cometidos
contra o sistema financeiro são crimes de perigo, não se
espera que o banco quebre, que as pessoas percam
dinheiro, antecipa-se à consumação. Evita-se o dano,
criminalizando o risco.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Autoria (gerência, condições subjetivas): artigo 25, Lei
7492/86
 - controlador, gerente, diretor, gestor, interventor,
liquidante...
 Embora a lei defina os responsáveis, a responsabilidade
não é objetiva, deve haver uma participação culposa ou
dolosa. As regras de autoria do artigo 29, CP continuam
valendo. Muitas vezes os crimes são cometidos pela pessoa
jurídica, por isso deve-se analisar se essas pessoas
arroladas cometeram o crime. Para tanto, utiliza-se a
teoria do domínio do fato.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Teoria do domínio do fato: quem conhece o fato, sabe
que a conduta está ocorrendo, tem pela sua condição o
poder de cessar a conduta, mas não o faz e acaba
aderindo à conduta. Assemelha-se à figura do garante. O
gerente quando tem o domínio sobre a situação e se
omite, irá responder pelo crime. O gerente ou equiparado
deve evitar o risco.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Há muitos crimes próprios na Lei 7492/86, entretanto é
possível o particular concorrer para o crime, se o
particular conhece essa circunstância. Ex. gerente simula
contemplações para o dono de uma empresa de veículos,
ambos responderão por gestão fraudulenta. Essa condição
subjetiva é um elemento do tipo.

 Equivalente aos casos de babá e infanticídio.


CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Conceito de Instituição Financeira para fins penais: a
Lei 7492/86, no seu artigo 1º tem um conceito próprio.
Não é o mesmo conceito administrativo. “Considera-se
instituição financeira para efeitos desta lei, a pessoa
jurídica de direito público ou privado, que tenha como
atividade principal ou acessória, cumulativamente ou não,
captação, intermediação ou aplicação.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Captar: ocorre quando a instituição financeira busca
recursos no mercado
 Intermediar: ocorre quando a instituição financeira
transfere recursos de uma pessoa à outra.
 Aplicar: ocorre quando a instituição concede um
financiamento, um crédito consignado, faz um
empréstimo.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Recursos de terceiro: a interferência deve ser com recursos de
terceiros. Não comporta a expressão recursos próprios que foi vetada.
Em moeda nacional ou estrangeira ou a custódia de valores
mobiliários (artigo 2º, Lei 6385/76).
 Pessoa física: A lei expande o conceito quando inclui a pessoa física
que exerça quaisquer das atividades referidas, ainda que de forma
eventual.
 Irrelevância da habitualidade: basta um ato para que se caracterize
o crime. Há muitos crimes habituais impróprios.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Atividade equiparada:
 - factoring em sentido estrito não é atividade típica de instituição financeira.
 - administração de cartão de crédito, a jurisprudência também entende que não
é atividade típica de instituição financeira, assim não se submetem à limitação
de juros, porque na verdade é uma atividade de facilitação de pagamento.
 - estados-membros também não são instituições financeiras, essa dúvida surgiu
em razão de escândalos de precatórios, na verdade é uma operação de finanças
públicas.
 - previdências privadas possuem atividades típicas de instituição financeira.
 - previdência pública não é atividade típica de instituição financeira.
 - consórcio é atividade típica de instituição financeira
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Principais crimes:
 a) Crime de gestão fraudulenta e gestão temerária: artigo 4º, Lei 7492/86
Praticar atos de gestão com fraude. Ardil, simulação, mesmo a omissão, pode
caracterizar o crime. O ato de gestão é o ato que implica a realização de atos
típicos. A lei não exige habitualidade, por isso, um ato de gestão fraudulento
consuma o crime. A doutrina tem classificado como crime habitual impróprio.
Mesmo havendo habitualidade, a repetição não configura concurso de crimes.
Há quem critique esse tipo penal, afirmando que é muito amplo, sendo o
risco excessivo. Risco é um conceito normativo, não é uma norma penal em
branco.
 É um crime de perigo, não há necessidade de haver prejuízo ou dano, o
crime se consuma independentemente do resultado.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 b) Crime de Apropriação: artigo 4º, Lei 7492/86
 É um crime próprio, crime material, diferentemente da maioria dos
outros crimes da Lei 7492/86, na medida que exige a inversão da
posse, ou seja, a saída do recurso financeiro. O bem jurídico é o
sistema financeiro subsidiariamente. A competência é da Justiça
Federal.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 c) Crime de Operação de Instituição Financeira sem autorização ou com
autorização mediante fraude: artigo 16, Lei 7492/86
 Ocorre em relação a qualquer atividade do artigo 1º, Lei, então a pessoa
física pode incorrer nesse crime. Crime formal, de perigo, ou seja, basta a
conduta, não interessa se houve prejuízo. A jurisprudência afirma que é um
crime habitual impróprio.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 d) Crime de obter financiamento em instituição mediante fraude: artigo
19, Lei 7492/86
 A dúvida que surgiu refere-se ao elemento normativo “financiamento”. A
doutrina bancária, financeira afirma que financiamento e mútuo não são
sinônimos. Mútuo é o conceito genérico de concessão de créditos, o
empréstimo é o mútuo sem vinculação, isto é,empresta-se o dinheiro para a
pessoa fazer o que quiser com o dinheiro. Já o financiamento tem um fim
específico. Ex. financiamento de veículo, financiamento de capital de giro de
pessoa jurídica, financiamento agrícola.
 A discussão está na abrangência do conceito de financiamento. Princípio da
tipicidade, da legalidade estrita. O que está e proteção não é o patrimônio da
instituição financeira, mas o sistema financeiro, o papel que a sistema
financeiro exerce.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Conflito de competência 37187, STF. Financiamento não
é empréstimo. Sendo financiamento a competência é da
Justiça Federal, não sendo, será competência da Justiça
Estadual.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Crimes cambiais:
 Protege-se o sistema de câmbio. A proteção é quanto ao controle do câmbio.
É possível mandar dinheiro para fora do Brasil se for observado os requisitos
da lei. A pessoa deve informar para haver controle de câmbio, há também o
interesse tributário para saber a origem do dinheiro. São crimes formais.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 e) Crime de Falso em operação de câmbio: artigo 21, Lei 7492/86
 Recomenda-se que as pessoas guardem as notas de compras feitas no exterior
por cinco anos. Prestar uma informação falsa nessas operações caracteriza o
crime. É um crime de perigo, formal, comum, ou seja, qualquer pessoa pode
praticá-lo.

 f) Crime de Evasão de divisas: artigo 22, Lei 7492/86


 Conceito de divisas: são as moedas ou aquilo que permite a imediata conversão
em moeda, ex. ouro, cheques de viagem, títulos ao portador que possam ser
convertidos em moda estrangeira. Segundo a jurisprudência “mercadoria” não
é divisa. Há um elemento subjetivo específico: “para o fim de evadir divisas”.
É um crime comum, ou seja, qualquer pessoa pode praticar.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 § único, artigo 22, Lei 7492/86: a qualquer título promover a saída da divisa
sem autorização. Entende-se que é uma progressão do caput. A outra conduta
é “manter no estrangeiro um depósito sem autorização”. Se o objetivo é o
controle, deve-se comunicar à autoridade federal competente. Para o Banco
Central o valor mínimo é cem mil dólares. Para Receita Federal é qualquer
valor na declaração de imposto de renda de pessoa física e pessoa jurídica. No
que se refere à saída física da divisa, o valor é de dez mil reais, não é em
dólar. Em relação a depósitos acima de cem mil dólares, deve-se informar ao
Banco Central em 31 de dezembro. É necessária a dupla comunicação para que
não caracterize o crime.
 1º conduta: material e comum: deve haver um resultado, a fronteira deve ser
evadida
 2º conduta: formal e permanente: basta não comunicar
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Peculiaridades
 Prisão preventiva: em razão da magnitude da lesão que causa ao sistema
financeiro. Deve-se analisar juntamente com o artigo 312 do CPP.
 Multa: artigo 23, Lei. Pode ser até dez vezes superior à multa do Código
Penal, porque se trata de uma criminalidade econômica.
 Ação penal pública incondicionada: promovida pelo Ministério público
perante a Justiça Federal. Não há necessidade de exaurimento da via
administrativa.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Competência: Justiça Federal, artigo 26, Lei. A rigor a competência da
Justiça Federal é de natureza constitucional. Por exclusão o que não for da
competência da Justiça Federal, será da Justiça Estadual. O fundamento da
competência nos crimes contra o sistema financeiro está no artigo 109, VI,
CF. O STJ tem um entendimento de que alguns crimes para ser da
competência da Justiça Federal deve ser expressa, o que não reflete as regras
de competência previstas na Constituição Federal.
 Lavagem de dinheiro. HC 86860, Informativo 506, STF. Criação de varas
especializada é constitucional.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

 No que tange aos aspectos históricos é um crime recente. Começou a ser


identificado nos EUA, a partir dos anos 30. É um aspecto crucial para o
combate ao crime organizado. Normas processuais de investigação
diferenciadas são necessárias como: infiltração de testemunhas, delação
premiada, proteção de testemunhas...
 A lavagem de dinheiro é o momento em que o crime organizado se expõe. Ex.
máfia italiana utilizou lavanderias para ter uma aparência de licitude.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 A partir dos anos 70, com o crescimento do tráfico de drogas, potencializado
nos anos 90 com a queda do Muro de Berlim, a lavagem de dinheiro tornou-se
um fenômeno pernicioso na economia mundial. Por isso foram variados vários
organismos internacionais de informação para combater o crime de
organizado e proteger a economia mundial. GAFI é uma força tarefa criada
pelo G-8 para esse fim. Há 40 recomendações do GAFI que podem ser
acessado em sites da internet
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Nossa lei é considerada uma lei de segunda geração. As primeiras leis
vinculavam a lavagem de dinheiro ao tráfico de drogas. Depois vieram as
legislações de segunda geração, ou seja, em relação a um rol específico de
crimes. A Lei 9613 de 1998 tem um rol de crimes antecedentes. Já há leis de
terceira geração, isto é, não vinculam a nenhum crime específico, basta dar
aparência de licitude por meio de qualquer crime, caracteriza-se a lavagem
de dinheiro. No Brasil, há um projeto de lei nesse sentido
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Etapas do processo de lavagem de direito (processo fenomenológico)
 Colocação: cria-se um distância entre a origem ilícita. Afastar o dinheiro da sua
origem. Ex. comprar um quadro famoso
 Ocultação: cria embaraços, anteparos, cria-se uma proteção que não permita
identificar a origem. Ex. utilização de “laranjas”. Ex. 2 “smurf”, dividir o
dinheiro em quantidades que não sejam rastreáveis.
 Integração: trazer o recurso para a economia formal. Ex. ganhar em bingo,
ganhar na loteria. Há controle sobre sorteios para controlar a lavagem de
dinheiro, além de haver a questão tributária. Até mesmo rifas devem ser
autorizadas pela Receita Federal. Operação Uruguai, quando uma pessoa simula
um empréstimo. Atividade rural se presta muito à lavagem de dinheiro, até
porque é tributada em 15%. Comércio de obras de arte também se presta à
lavagem.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Lei 9613/98
 É uma lei de segunda geração. Dependem de ter havido um crime anterior
que tenha gerado proveito econômico. Os crimes de lavagem de dinheiro têm
um caráter acessório. A jurisprudência e doutrina entendem que
acessoriedade é limitada. São crimes diferidos, mas tem autonomia de
processo e julgamento. Não é necessário haver condenação transitada em
julgado do crime antecedente.

 Crimes antecedentes: artigo 1º, Lei 9613/98


CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 a) tráfico de drogas: apenas o tráfico “stricto senso”, então não entra o
crime de associação para o tráfico, o financiamento do tráfico (artigo 33, Lei
11343/06) também não está tipificado no inciso I.
 b) terrorismo: não há esse crime no Brasil. Há na lei de segurança nacional
“atos de terrorismo”. A doutrina entende que não existe esse crime
antecedente.
 c) contrabando ou tráfico de armas, munições: é o comércio internacional
ou interno de armas e munições, que são os crimes da Lei 10826 (Lei do
Desarmamento)
 d) extorsão mediante seqüestro: artigo 159, CP. É um crime típico do crime
organizado. A lei dos crimes hediondos (lei 8072/90) nasceu após o seqüestro
de um empresário que criou o “Rock in Rio”, chamado Roberto Medina.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 e) crimes contra a administração pública: é tecnicamente mal redigido.
Nossa legislação é inspirada na legislação internacional e nos modelos do GAFI

 f) crimes contra o sistema financeiro: Lei 7492/86 – “Lei dos crimes de


colarinho branco” e Lei 6385/76 – “Lei do mercado de capitais”.

 g) Crimes praticados por particular contra a administração pública


estrangeira: são os crimes dos artigos 337-B, 337-C, 337-D, do Código Penal.
Ex. brasileiro que pratica crime em uma licitação no estrangeiro, o lucro
obtido pode ser objeto de lavagem.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Cláusula de abertura
 Há uma cláusula de abertura na Lei quando fala que é possível haver lavagem de
dinheiro a partir de crimes praticados por organização criminosa. Alguns autores
afirmam que é um reflexo da terceira geração. A lei 9034/95 que trata dos
mecanismos para combate ao crime organizado. Entretanto a lei não define o que
é crime organizado. Utiliza-se o conceito da Convenção de Palermo que foi
internalizada pelo Decreto 5015/2004.

 Crime organizado: abrange a quadrilha ou bando, as associações criminosas


existentes e as que vierem a ser criadas e todos os crimes por ela praticados. As
Cortes Superiores já decidiram que deve ficar excluída do conceito de crime
organizado a quadrilha bagatelar, assim entendida a que pratica delitos de baixa
lesividade.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Bem jurídico
 Foi um tema polêmico na doutrina. Inicialmente entendeu-se que seria o
mesmo bem jurídico do crime antecedente, então o crime acessório seria
mero exaurimento do crime antecedente. Depois se entendeu que o bem
jurídico tutelado é a ordem econômico-social, mas hoje prevalece que o bem
jurídico tutelado é a ordem econômico-financeira.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Tipos
 Crime de ocultar ou dissimular bens, direitos ou valores: artigo 1º, Lei
9613/98. O conceito de bens, direitos ou valores encontra-se na Convenção
de Viena. Não há lavagem de dinheiro em relação aos instrumentos do crime.
É um tipo misto alternativo. Não é necessário praticar todas as condutas,
basta uma para sua configuração.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Crime de acessoriedade limitada. Tem autonomia de processo e julgamento.
É um crime de mera conduta, crime comum, pode ser praticado até mesmo
pelo autor do crime antecedente. É possível concurso de pessoas.
 A tentativa é possível, mesmo sendo um crime de mera conduta, porque o
“iter criminis” pode ser fracionado.
 Homicídio mediante paga pode ser objeto de lavagem de dinheiro.
 A ocultação de simulação pode ser de pequena monta.
 A jurisprudência admite o dolo eventual, pois basta que a pessoa assuma o
risco.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 O artigo 2º contempla hipóteses específicas do crime de lavagem. Há um
elemento subjetivo do injusto no artigo 2º, inciso I, “para ocultar ou dissimular a
origem dos bens ilícitos”. No inciso III “importar bens”, simular que o ingresso
foi maior, assim o lucro é irreal.
 Dolo direto: § 2º, do artigo 2º, contempla hipótese de dolo direto.
 Causa especial de aumento: § 4º, artigo 2º, Lei 9613.
 Delação Premiada: § 5º, artigo Lei 9613.
 Aspectos processuais: rito comum ordinário, independência de processamento e
julgamento.
 Competência: quando o crime antecedente for da Justiça Federal, o crime de
lavagem também será. Se for crime de evasão de divisas, mesmo que o
antecedente não seja competência da Justiça Federal, esse crime será.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Sequestro ou apreensão de bens: medida assecuratória, artigo 4º, Lei 9613.
Prazo dessas medidas: 120 dias. Se o MP não oferecer a denúncia, os bens
devem ser liberados.
 A Lei 9613, no artigo 6º, afirma que não se aplica o artigo 366, CPP,
entretanto a doutrina tem entendido que essa regra é inconstitucional,
porque a regra do CPP é processual, ademais a prescrição fica suspensa e a
própria lei de lavagem refere o artigo 366, CPP.
 Efeitos da condenação: artigo 7º (perda de bens, de cargo público,
interdições)
 Sistema de controle das atividades financeiras: artigos 9 a 11 regulam o
sistema de controle das atividades financeiras, a fim de detectar indícios de
lavagem de dinheiro.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 A Lei 9.613/1998, que criminalizou a conduta de lavagem de capitais e dispôs
sobre as obrigações ligadas à prevenção de lavagem, tinha, como principais
características, aquelas típicas das legislações de segunda geração. Trazia
uma lista fechada de crimes antecedentes, que não incluía, por exemplo, os
crimes de evasão fiscal ou crimes econômicos (em sentido estrito), ou os
tradicionais crimes contra o patrimônio. A pena para quem ocultasse ou
dissimulasse natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou
propriedade de bens, direitos ou valores oriundos da prática daqueles
precisos crimes antecedentes era de três a dez anos, e multa.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Lei 12.683/2012
 O relatório da última avaliação do Brasil pelo GAFI foi apresentado em junho
de 2011. Entre outras críticas, foram citadas:
 - poucas condenações finais por lavagem de dinheiro;
 - problemas sistêmicos no sistema judiciário dificultam seriamente a
capacidade de se obter condenações finais e penas;
 - pequena variedade de crimes antecedentes;
 - falta de responsabilização civil ou administrativa direta às pessoas jurídicas
por crimes de lavagem de dinheiro;
 - o número de confiscos é muito baixo, dado o tamanho da economia e o risco
da lavagem de dinheiro
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 - os sistemas de gerenciamento de ativos são deficientes, o que deprecia os
bens apreendidos;
 - a não colocação de advogados, tabeliães, outras profissões jurídicas
independentes, contadores, prestadores de serviços de assessoria e
consultoria de empresas e corretores de imóveis pessoas físicas como
“pessoas obrigadas”;(2)
 - as instituições financeiras não são expressamente proibidas de estabelecer
ou manter relações de correspondência bancária com bancos “de fachada”; e
 - estatísticas insuficientes sobre investigações, denúncias e condenações por
lavagem de dinheiro, bem como sobre o número de casos e os valores dos
bens confiscados.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 A aprovação pelo Congresso Nacional do texto que altera a Lei 9.613/1998 sana
algumas dessas críticas apontadas pelo GAFI. Merecem destaque nesse novo texto:
 1. Término do rol de crimes antecedentes
 Alinhando-se às legislações mais modernas, e aos padrões recomendados pelo GAFI,
o Brasil excluiu o rol de crimes antecedentes à lavagem de dinheiro. Segundo o novo
art. 1.º da Lei 9.613/198, com redação dada pela Lei 12.683/2012, a lavagem de
dinheiro será caracterizada por:
 “Art. 1.º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição,
movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou
indiretamente, de infração penal”.
 Importante destacar que o legislador escolheu usar a expressão infração penal de
forma que as contravenções penais também podem ser antecedentes ao crime de
lavagem de dinheiro.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 2. Previsão da alienação antecipada
 Nos termos do § 1.º do art. 4.º do novo Diploma Legal, “§ 1.º Proceder-se-á à
alienação antecipada para preservação do valor dos bens sempre que estiverem
sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou quando houver
dificuldade para sua manutenção”.
 Sem sombra de dúvida, essa é uma medida de extrema utilidade prática. A
alienação antecipada é a medida de precaução mais adequada a ser realizada, pois
é a que representa menor risco de depreciação do valor do bem, possibilitando uma
melhor preservação do seu valor real até o final da prestação jurisdicional. Segundo
o Conselho Nacional de Justiça, em julho de 2011, esse Conselho “aferiu, por meio
do SNBA, que, desde a implantação do sistema, houve o cadastramento de R$
2.337.581.497,51 em bens. ‘Deste valor, 0,23% foi objeto de alienação antecipada,
representando R$ 5.330.351,89, e 1,85%, correspondendo a R$ 43.334.075,60, houve
perdimento em favor da União e dos Estados.’
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Além disso, em 4,43% desses valores, importando R$ 103.452.804,44, ocorreu
a restituição dos bens, e em 0,15%, ou seja, R$ 3.404.456,34, restou a
destruição. A conclusão que se extrai com esses dados é que o alto percentual
de 93,35% dos bens apreendidos ainda permanece aguardando destinação,
com situação ‘a definir’, representando o expressivo valor de R$
2.182.059.809,24 sob a responsabilidade do Poder Judiciário” (Manual de
bens apreendidos, CNJ, 2011, p. 4).
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 3. Utilização dos bens após o perdimento
 De acordo com o § 1.º do art. 7.º, a União e os Estados, no âmbito de suas
competências, regulamentarão a forma de destinação dos bens, direitos e
valores cuja perda houver sido declarada, assegurada, quanto aos processos de
competência da Justiça Federal, a sua utilização pelos órgãos federais
encarregados da prevenção, do combate, da ação penal e do julgamento dos
crimes previstos nesta Lei, e, quanto aos processos de competência da Justiça
Estadual, a preferência dos órgãos locais com idêntica função.
 Tal determinação vem ao encontro das diretrizes internacionais no sentido de
que os bens retirados dos criminosos devem ser utilizados pelo Estado para
aparelhar as instituições responsáveis pelo combate ao crime organizado. A
melhor forma de estimular e fortalecer as instituições de Estado é dando-lhes
efetivas condições de trabalho.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 4. Aumento do rol de “pessoas obrigadas”
 A Lei 9.613/1998 procura coibir a lavagem de dinheiro no Brasil. Para isso,
além de criar os tipos penais, a lei traz um regime administrativo de combate
à lavagem de dinheiro, de forma que tal combate é feito de forma
compartilhada entre o Estado e os setores da economia mais frequentemente
utilizados na prática deste crime.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 As chamadas pessoas obrigadas estão previstas no art. 9.º da Lei 9.613/1998. Com a aprovação das alterações na
lei, passam, entre outras, também a ter as obrigações mencionadas:
 - as bolsas de valores, as bolsas de mercadorias ou futuros e os sistemas de negociação do mercado de balcão
organizado;
 - as pessoas físicas ou jurídicas que exerçam atividades de promoção imobiliária ou compra e venda de imóveis;
 - as pessoas físicas ou jurídicas que comercializem bens de luxo ou de alto valor, intermedeiem a sua
comercialização ou exerçam atividades que envolvam grande volume de recursos em espécie;
 - as juntas comerciais e os registros públicos;
 - as pessoas físicas ou jurídicas que prestem, mesmo que eventualmente, serviços de assessoria, consultoria,
contadoria, auditoria, aconselhamento ou assistência, de qualquer natureza, em operações:
 I. de compra e venda de imóveis, estabelecimentos comerciais ou industriais ou participações societárias de
qualquer natureza;
 II. de gestão de fundos, valores mobiliários ou outros ativos;
 III. de abertura ou gestão de contas bancárias de poupança, investimento ou de valores mobiliários;
 IV. de alienação ou aquisição de direitos sobre contratos relacionados a atividades desportivas ou artísticas
profissionais;
 - pessoas físicas ou jurídicas que atuem na promoção, intermediação, comercialização, agenciamento ou
negociação de direitos de transferência de atletas, artistas ou feiras, exposições ou eventos similares.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 5. Aumento da multa pecuniária para as “pessoas obrigadas”
 Conforme supraexposto, as “pessoas obrigadas”, listadas no art. 9.º, devem
manter cadastro atualizado dos clientes, comunicar a realização ou proposta de
realização de operações suspeitas e atender as requisições formuladas pelo
Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), entre outras obrigações.
 Aquelas pessoas que deixarem de cumprir seus deveres, são passíveis de algumas
sanções, quais sejam: advertência, multa pecuniária, inabilitação temporária e
cassação da autorização para operação ou funcionamento.
 A lei vigente estabelece um limite de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), sendo
que o novo texto aumentará esse valor para R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de
reais), trazendo a possibilidade de punição equivalente ao porte da pessoa física
ou jurídica que deixar de cumprir suas obrigações. O valor anterior, dependendo
da situação, era muito baixo e, para determinadas empresas, valia a pena o risco
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 6. Acesso da autoridade policial e do Ministério Público a dados cadastrais
 O novo texto legal cria o art. 17-B a seguir transcrito: “Art. 17-B. A autoridade
policial e o Ministério Público terão acesso, exclusivamente, aos dados cadastrais
do investigado que informam qualificação pessoal, filiação e endereço,
independentemente de autorização judicial, mantidos pela Justiça Eleitoral, pelas
empresas telefônicas, pelas instituições financeiras, pelos provedores de internet e
pelas administradoras de cartão de crédito”.
 A criação deste artigo teve por objetivo esclarecer a determinadas empresas que os
dados cadastrais dos investigados devem ser disponibilizados para a autoridade
policial ou para o Ministério Público, independentemente de autorização judicial. O
que vem ocorrendo nos dias atuais é que empresas de um mesmo ramo de atuação
se comportam de forma diferente quando recebem solicitações de tais dados.
Algumas os disponibilizam e outras alegam a violação ao direito da intimidade para
negá-los.
CRIMES CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO
 Tal fato gera uma situação surreal. Como é possível diversas empresas de
concessão de crédito ou mesmo pessoas jurídicas que assinam determinados
serviços a elas disponibilizados terem acesso aos dados cadastrais de clientes
ou potenciais clientes e as autoridades públicas necessitarem de autorização
judicial? Por que haveria violação ao direito da intimidade ao disponibilizar os
dados cadastrais para a autoridade policial ou para o Ministério Público e não
haveria essa violação ao disponibilizar os mesmos dados para empresas
comerciais?
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária SUPRIMIR OU REDUZIR
tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes
condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000)         
 Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 SONEGAÇÃO FISCAL EM SENTIDO PRÓPRIO
 Trata-se de CRIME MATERIAL E DE DANO, que exige a produção do
resultado naturalístico para sua consumação: efetiva supressão ou redução
de tributo, que deve ser produto de um comportamento fraudulento
anterior.
 BEM JURÍDICO TUTELADO: é a veracidade da ordem tributária em seu
aspecto material; é a regularidade da ordem tributária, que somente
funciona se houver a veracidade das declarações, dos documentos e dos
lançamentos por homologação.
 SUJEITO ATIVO: é qualquer pessoa.
 SUJEITO PASSIVO: é o Estado/Fazenda Pública.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 A revogada lei 4502/1964 conceituava sonegação:
 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou
retardar, total ou parcialmente, o CONHECIMENTO por parte da autoridade
fazendária:
 I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua
natureza ou circunstâncias materiais;
 II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a
obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 INFORMATIVO Nº 570/STF - PLENÁRIO
 SÚMULA VINCULANTE Nº 24:
 “NÃO SE TIPIFICA CRIME MATERIAL CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA,
PREVISTO NO ART. 1º, INCISOS I A IV, DA LEI Nº 8.137/90, ANTES DO
LANÇAMENTO DEFINITIVO DO TRIBUTO.”
 PLENÁRIO, 02.12.2009.  
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 HC 81611/DF. Relator(a):  Min. SEPÚLVEDA PERTENCE. Julgamento: 
10/12/2003. Órgão Julgador:  Tribunal Pleno.
 EMENTA: I. Crime material contra a ordem tributária (L. 8137/90, art. 1º):
lançamento do tributo pendente de decisão definitiva do processo
administrativo: falta de justa causa para a ação penal, suspenso, porém, o
curso da prescrição enquanto obstada a sua propositura pela falta do
lançamento definitivo.
 1. Embora não condicionada a denúncia à representação da autoridade fiscal
(ADInMC 1571), falta justa causa para a ação penal pela prática do crime
tipificado no art. 1º da L. 8137/90que é material ou de resultado - enquanto
não haja decisão definitiva do processo administrativo de lançamento, QUER
SE CONSIDERE O LANÇAMENTO DEFINITIVO UMA CONDIÇÃO OBJETIVA DE
PUNIBILIDADE OU UM ELEMENTO NORMATIVO DE TIPO.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 2. Por outro lado, admitida por lei a extinção da punibilidade do crime
pela satisfação do tributo devido, antes do recebimento da denúncia (L.
9249/95, art. 34), princípios e garantias constitucionais eminentes não
permitem que, pela antecipada propositura da ação penal, se subtraia do
cidadão os meios que a lei mesma lhe propicia para questionar, perante o
Fisco, a exatidão do lançamento provisório, ao qual se devesse submeter
para fugir ao estigma e às agruras de toda sorte do processo criminal
 3. No entanto, enquanto dure, por iniciativa do contribuinte, o processo
administrativo suspende o curso da prescrição da ação penal por crime
contra a ordem tributária que dependa do lançamento definitivo.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Os crimes contra ordem tributária, previstos no art. 1.º, incisos I a IV, da
Lei n.º 8.137/90, não se tipificam antes do lançamento definitivo do
tributo, nos termos da Súmula Vinculante n.º 24. Todavia, constatada a
materialidade delitiva no decorrer do processo administrativo, com a
consequente constituição do crédito tributário, mostra-se prescindível a
realização de ulterior perícia contábil, mormente no caso em que o Juízo
sentenciante consigna que a sonegação fiscal se encontrava devidamente
comprovada mediante outros elementos de convicção constantes dos
autos.
 (RHC 28.568/MG, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, DJe
23/11/2012)
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 A constituição definitiva do tributo sonegado é condição de
procedibilidade nas ações penais em que se apura os crimes contra a
ordem tributária. (...) 3. A pendência de procedimento administrativo em
que se discuta eventual direito de compensação de débitos tributários com
eventuais créditos perante o Fisco não tem o condão, por si só, de
suspender o curso da ação penal, eis que devidamente constituído o
crédito tributário sobre o qual recai a persecução penal.(AgRg no REsp
1233411/DF, Rel. Min. JORGE MUSSI, QUINTA TURMA,DJe 14/09/2012)
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Informativo nº 0502/STJ
 Quinta Turma
 Não há nulidade na decretação de medidas investigatórias para apurar
crimes autônomos conexos ao crime de sonegação fiscal quando o crédito
tributário ainda pende de lançamento definitivo.
 Conforme a jurisprudência do STF, à qual esta Corte vem aderindo, não há
justa causa para a persecução penal do crime de sonegação fiscal antes do
lançamento do crédito tributário, sendo este condição objetiva de
punibilidade.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 No caso, foram decretadas medidas investigatórias (interceptação
telefônica, busca e apreensão e quebra de sigilo bancário e fiscal) antes do
lançamento do crédito tributário.
 Porém, buscava-se apurar não apenas crimes contra a ordem tributária,
mas também os de formação de quadrilha e falsidade ideológica. Portanto,
não há ilegalidade na autorização das medidas investigatórias, visto que
foram decretadas para apurar outros crimes nos quais não há necessidade
de instauração de processo administrativo-tributário
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Nesse caso, incumbe ao juízo criminal investigar o esquema criminoso,
cabendo à autoridade administrativo-fiscal averiguar o montante de
tributo que não foi pago.
 Assim, a Turma entendeu que não são nulas as medidas decretadas, pois
atenderam os pressupostos e fundamentos de cautelaridade, sobretudo
porque, quando do oferecimento da denúncia, os créditos tributários já
tinham sido definitivamente lançados. Precedentes do STF: HC 81.611-DF,
DJ 13/5/2005, e do STJ: RHC 24.049-SP, DJe 7/2/2011. HC 148.829-RS,
Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 21/8/2012.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 MEIOS E MODOS DE EXECUÇÃO
 A sonegação é crime de ação múltipla, que pode ser realizada mediante as
condutas fraudulentas indicadas no art. 1º, incisos I a V e p. único).
 Deve-se buscar o inciso que melhor se enquadre na situação fática, não
havendo que se falar em concurso de crimes se várias condutas
fraudulentas são empregadas numa única sonegação.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 I – omitir (ocultar, não mencionar) informação, ou prestar (transmitir,
comunicar) declaração falsa às autoridades fazendárias;
 Ex1: o sujeito declara que o estabelecimento é microempresa, mas tem
faturamento superior;
 Ex2: exportações e importações: o sujeito declara falsamente a origem do
produto ou usa empresa fictícia e recebe incentivos fiscais, resultando
redução de tributo.
 Ex3: declaração de imposto de renda: o sujeito declara falsamente ou
omite os valores tributáveis, dependentes, rendimentos etc, resultando
redução ou supressão de tributo.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Caso
 1. Na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Física, o sujeito passivo da
obrigação tributária presta ao Fisco todas as informações relativas às
hipóteses de incidência do referido tributo no prazo previsto na legislação
aplicável, para que seja conhecida a base de cálculo sobre a qual irá incidir a
alíquota respectiva.
 2. Sem olvidar o entendimento consolidado no enunciado n. 24 da Súmula
Vinculante do Supremo Tribunal Federal, eventual omissão ou declaração com
a intenção de reduzir ou suprimir tributo se verifica no momento em que a
legislação tributária atribui ao próprio contribuinte o dever de fornecer ao
Fisco as informações necessárias à apuração e definição da exação.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 3. A declaração falsa inserida na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de
Renda da Pessoa Física nada mais é do que a representação da informação
contida no documento ideologicamente falsificado, do qual se utiliza o agente
para obter a redução ou supressão do referido tributo, circunstância que
impede a incidência dos tipos penais previstos no artigo 299 e 304 do Código
Penal, para que não ocorra o vedado bis in idem.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 4. O fato do sujeito passivo da obrigação tributária apresentar o documento
ideologicamente falsificado à autoridade fazendária, quando chamado a
comprovar as declarações prestadas em momento anterior, se trata de mero
exaurimento da conduta necessária para a configuração do delito de
sonegação fiscal, já que desprovido, neste momento, de qualquer outra
potencialidade lesiva que exija a aplicação autônoma do delito descrito no
artigo 304 do Estatuto Repressor.
 (RHC 26.891/MG, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, DJe
01/08/2012)
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Informativo nº 0502/STJ - Quinta Turma
 Constitui mero exaurimento do delito de sonegação fiscal a apresentação de
recibo ideologicamente falso à autoridade fazendária, no bojo de ação fiscal,
como forma de comprovar a dedução de despesas para a redução da base de
cálculo do imposto de renda de pessoa física (IRPF), (Lei n. 8.137/1990).
 Segundo se afirmou, o falso teria sido cometido única e exclusivamente com o
objetivo de reduzir ou suprimir o pagamento do imposto de renda.
 Assim, em consonância com o enunciado da Súm. n. 17 desta Corte, exaurida
a potencialidade lesiva do documento para a prática de outros crimes, a
conduta do falso ficaria absorvida pelo crime de sonegação fiscal.
 HC 131.787-PE, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 14/8/2012.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Obs.: sonegação de rendas auferidas através de atividades ilícitas (ex. IR de
traficante de drogas). A tributação não recai sobre o exercício da atividade criminosa
em si, mas sobre o benefício obtido (STF HC 77530/RS)
 Art. 118, CTN. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se:
 I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes,
responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos;
 A jurisprudência da Corte, à luz do art. 118 do Código Tributário Nacional, assentou
entendimento de ser possível a tributação de renda obtida em razão de atividade
ilícita, visto que a definição legal do fato gerador é interpretada com abstração da
validade jurídica do ato efetivamente praticado, bem como da natureza do seu
objeto ou dos seus efeitos. Princípio do non olet. Vide o HC nº 77.530/RS, Primeira
Turma, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 18/9/98.
 (HC 94240, Relator(a):  Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, PUBLIC 13-10-2011)
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 II - fraudar (enganar) a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos,
ou omitindo operação de qualquer natureza (falsidade ideológica), em
documento ou livro (credibilidade) exigido pela lei fiscal;
 Ex1: ICMS – Lançamento de notas fiscais no livro de registro de saída de
mercadorias com valores inferiores aos constantes nas notas fiscais;
 Ex2: lançamento de várias notas fiscais ao mesmo tempo com valores
lançados inferiores ao valor da soma total delas, na expectativa de que o
fiscal não confira nota por nota.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 III - falsificar ou alterar (falsidade material) nota fiscal, fatura, duplicata,
nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável
(operações isentas não são alcançadas);
 Trata-se de falsidade material que recai sobre documento relativo à operação
tributável (nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda etc).
 Ex: utilização de notas fiscais paralelas. A simples impressão é ato
preparatório. O ato de execução é o uso da nota falsa, dando ensejo á
redução ou supressão de tributo.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 IV – ELABORAR (preparar, confeccionar, organizar), DISTRIBUIR (repartir,
espalhar), FORNECER (abastecer, guarnecer), EMITIR (exprimir, publicar,
expedir, por em circulação) ou UTILIZAR (fazer uso, empregar com vantagem)
documento que SAIBA (dolo direto) ou DEVA SABER (dolo eventual) falso ou
inexato;
 A figura típica visa combater o comércio ilegal de documentos para a
sonegação, sendo direcionada a coibir as quadrilhas especializadas em lesar o
fisco.
 Ex: venda de créditos frios através de notas fiscais de empresas fantasmas
(inexistentes ou baixadas de ofício).
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 V - NEGAR (conduta comissiva - recusa expressa em fornecer) ou DEIXAR DE
FORNECER (conduta omissiva – não emitir - obrigação tributária acessória),
quando obrigatório, NOTA FISCAL OU DOCUMENTO EQUIVALENTE (ex.: recibo
de pagamento de honorários pela prestação de serviço), relativa a venda de
mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou FORNECÊ-LA
EM DESACORDO (conduta comissiva) com a legislação (lei em sentido formal).
 A rigor, o inciso V já estaria abrangido pelo inciso II.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo
de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou
menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da
exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V.
 É modalidade especial de desobediência que cria obstáculo à ação fiscal.
 Sanciona-se o descumprimento de ordem legal de autoridade no sentido de
colaborar com a fiscalização, apresentando documentos, livros etc.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 INFORMATIVO Nº 417/STJ – 6ª TURMA
 O STJ já firmou o entendimento de que o delito de supressão ou redução de
tributo é material (art. 1º da Lei n. 8.137/1990), consumando-se, portanto,
no momento da efetiva supressão ou redução consubstanciadas na vantagem
auferida ou no prejuízo causado com a evasão tributária.
 Por sua vez, o delito previsto no parágrafo único do referido dispositivo (de
descumprir exigência da autoridade fazendária) também tem essa natureza.
 Portanto, para sua configuração, é necessário que haja a redução ou
supressão de tributo tal qual definido no caput daquele artigo, o que não
ocorreu na hipótese. REsp 1.113.460-SP, Rel. Min. Celso Limongi, julgado em
24/11/2009.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000)
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

 SONEGAÇÃO FISCAL IMPRÓPRIA


 Trata-se de condutas ilícitas antecedentes à efetiva supressão ou redução do
tributo.
 São crimes formais, cuja consumação ocorre com a prática das condutas
descritas, independentemente do efetivo resultado de supressão ou redução
de tributo.  
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 I - FAZER DECLARAÇÃO FALSA ou OMITIR DECLARAÇÃO sobre rendas, bens ou
fatos, ou EMPREGAR OUTRA FRAUDE, para eximir-se (especial fim de agir),
total ou parcialmente, de pagamento de tributo;
 BEM JURÍDICO: veracidade das declarações sobre rendas, bens ou fatos.
 A fraude é empregada não para afastar o fato gerador, mas para eximir-se
(especial fim de agir) total ou parcialmente do pagamento do tributo (não há
menção a acessórios).
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 II - DEIXAR DE RECOLHER (não depositar), no prazo legal, valor de tributo ou
de contribuição social, DESCONTADO (ex.: IR na fonte) ou COBRADO (ex.: IOF
em empréstimo), na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria
recolher aos cofres públicos;
 Basta a omissão do recolhimento, não se exigindo o animus rem sibi habendi.
 Trata-se de conduta omissiva (deixar de recolher), em que o sujeito passivo
da obrigação tributária deixa de proceder ao recolhimento do tributo (IR, IOF,
IPI) ou contribuição social (CIDE).
 Não há crime se o sujeito DEIXAR DE DESCONTAR ou COBRAR O TRIBUTO. É
mero ilícito tributário pelo descumprimento da obrigação
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 III – EXIGIR (cobrar, reclamar, impor como obrigação), PAGAR OU RECEBER,
para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer PERCENTAGEM sobre a
parcela dedutível ou deduzida de IMPOSTO OU DE CONTRIBUIÇÃO como
incentivo fiscal;
 O sujeito ativo é o particular.
 Incentivo fiscal é o subsídio outorgado pelo Estado na forma de renúncia de
parte de receita tributária, visando investimento em atividades,
empreendimentos ou operações de seu interesse (cultura, meio ambiente,
esporte).
 Ex.: IPI reduzido para veículos movidos a GNV.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 IV - DEIXAR DE APLICAR (desvio de finalidade), ou APLICAR EM DESACORDO
com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão
ou entidade de desenvolvimento;
 Há desvio de finalidade do incentivo fiscal, vinculado a políticas de
desenvolvimento de determinadas regiões.
 As parcelas liberadas e os incentivos fiscais ligam-se a um projeto de
viabilidade técnico-financeira, assumindo seu beneficiário o compromisso
formal de aplicá-los nos investimentos e custos específicos.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 V - utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao
sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa
daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública.
 O crime é formal e subsidiário: pune-se a mera utilização e divulgação de
programa que permita dois controles contábeis.
 Se a utilização do programa gerar supressão ou redução de tributos, aplica-se
o art. 1º.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Art. 3° Constitui CRIME FUNCIONAL CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA, além dos
previstos no Decreto-Lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal
(Título XI, Capítulo I):
 Incisos I e II - Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.
 Inciso III - Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 I – EXTRAVIAR (desencaminhar – crime permanente) livro oficial, processo
fiscal ou qualquer documento, de que tenha a guarda em razão da função
(deve haver nexo causal); SONEGÁ-LO (omissão - deixar de apresentar,
ocultar), ou INUTILIZÁ-LO (tornar inútil), total ou parcialmente,
ACARRETANDO PAGAMENTO INDEVIDO OU INEXATO DE TRIBUTO OU
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL (é necessário o resultado naturalístico);
 O sujeito ativo é funcionário da fazenda pública.
 O elemento subjetivo é o dolo.
 Figura especial em relação ao delito do artigo 314, CP.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 II - EXIGIR, SOLICITAR OU RECEBER, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de iniciar seu exercício,
mas EM RAZÃO DELA (deve haver nexo funcional), VANTAGEM INDEVIDA; ou
ACEITAR PROMESSA de tal vantagem, PARA DEIXAR DE LANÇAR OU COBRAR
TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO SOCIAL, OU COBRÁ-LOS PARCIALMENTE (especial
fim de agir).
 O sujeito ativo é funcionário da fazenda pública.
 Figura especial em relação aos delitos dos artigo 316 (concussão) e 317
(corrupção passiva), do CP, agregando-se o especial fim de agir “para
deixar de lançar ou cobrar cobrá-los parcialmente” ao elemento subjetivo.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 III – patrocinar (advogar, proteger, facilitar), direta ou indiretamente,
interesse privado (mesmo que legítimo) perante a administração fazendária,
valendo-se da qualidade de funcionário público.
 Figura especial em relação à advocacia administrativa (art. 321, CP).
 O sujeito ativo pode ser qualquer funcionário público, desde que o
patrocínio se desenvolva perante a administração fazendária.
 Não se exige que a atuação seja motivada pelo interesse de obter
vantagem.
 A pena é mais grave do que no Código Penal, não havendo diferença se o
interesse é legítimo ou ilegítimo.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Art. 12. São circunstâncias que podem agravar de 1/3 (um terço) até a
metade as penas previstas nos arts. 1°, 2° e 4° a 7°:
 CAUSAS DE AUMENTO DE PENA
 I - ocasionar grave dano à coletividade;
 II - ser o crime cometido por servidor público no exercício de suas funções;
 III - ser o crime praticado em relação à prestação de serviços ou ao comércio
de bens essenciais à vida ou à saúde.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 AÇÃO PENAL
 Art. 15. Os crimes previstos nesta lei são de ação penal pública, aplicando-
se-lhes o disposto no art. 100 do Decreto-Lei n° 2.848, de 7 de dezembro
de 1940 - Código Penal.
 SÚMULA Nº 609/STF:
 É PÚBLICA INCONDICIONADA A AÇÃO PENAL POR CRIME DE SONEGAÇÃO
FISCAL.
 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público
nos crimes descritos nesta lei, fornecendo-lhe por escrito informações
sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os
elementos de convicção.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Informativo nº 0527/STJ- Terceira Seção
 Compete à Justiça Estadual – e não à Justiça Federal – o julgamento de
ação penal em que se apure a possível prática de sonegação de ISSQN pelos
representantes de pessoa jurídica privada, ainda que esta mantenha
vínculo com entidade da administração indireta federal. 
 Isso porque, nos termos do art. 109, IV, da CF, para que se configure hipótese
de competência da Justiça Federal, é necessário que a infração penal viole
bens, serviços ou interesses da União ou de suas entidades autárquicas ou
empresas públicas, o que não ocorre nas hipóteses como a em análise, em
que resulta prejuízo apenas para o ente tributante, pessoa jurídica diversa da
União – no caso de ISSQN, Municípios ou DF. 
 CC 114.274-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/6/2013.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 DELAÇÃO PREMIADA
 Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha
ou co-autoria, o co-autor ou partícipe que através de confissão espontânea
revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua
pena reduzida de um a dois terços.
 (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995)
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Lei 9249/95
 Art. 34. Extingue-se a punibilidade dos crimes definidos na Lei nº 8.137,
de 27 de dezembro de 1990, e na Lei nº 4.729, de 14 de julho de 1965,
quando o agente promover o pagamento do tributo ou contribuição social,
inclusive acessórios, antes do recebimento da denúncia.
 CONTROVÉRSIA:
 1) STJ (3ª SEÇÃO) e maioria da doutrina: com o parcelamento extingue-se
a punibilidade, pois parcelar corresponde a promover o pagamento.
 2) STF e STJ (5ª Turma): Somente o pagamento integral do débito antes do
recebimento da denúncia extingue a punibilidade.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 À luz da pacífica jurisprudência do STJ e do STF, acerca da aplicação do
artigo 34 da Lei 9.249/95, não há falar em extinção da punibilidade do
crime se a adesão ao regime de parcelamento deu-se na vigência das Leis
nºs 9.964/00 e 10.684/03, como ocorre in casu.
 (AgRg no REsp 1274719/PR, Rel. Ministro ADILSON VIEIRA MACABU, QUINTA
TURMA, DJe 26/03/2012)
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Lei 9964 de 10/04/2000 – REFIS I
 Art. 15. É suspensa a pretensão punitiva do Estado, referente aos crimes
previstos nos arts. 1o e 2o da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e
no art. 95 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, durante o período em
que a pessoa jurídica relacionada com o agente dos aludidos crimes estiver
incluída no Refis, desde que a INCLUSÃO NO REFERIDO PROGRAMA TENHA
OCORRIDO ANTES DO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA CRIMINAL.
 § 1o A prescrição criminal não corre durante o período de suspensão da
pretensão punitiva.
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TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 § 2o O disposto neste artigo aplica-se, também:
 I – a programas de recuperação fiscal instituídos pelos Estados, pelo
Distrito Federal e pelos Municípios, que adotem, no que couber, normas
estabelecidas nesta Lei;
 II – aos parcelamentos referidos nos arts. 12 e 13.
  § 3o Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos neste artigo quando a
pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o pagamento integral dos
débitos oriundos de tributos e contribuições sociais, inclusive acessórios,
que tiverem sido objeto de concessão de parcelamento antes do
recebimento da denúncia criminal.
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TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Lei 10684/2003 PAES/REFIS II
 Art. 9º É suspensa a pretensão punitiva do Estado, referente aos crimes
previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e
nos arts. 168-A e 337-A do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de
1940 - Código Penal, durante o período em que a pessoa jurídica
relacionada com o agente dos aludidos crimes estiver incluída no regime
de parcelamento.

 § 1º A prescrição criminal não corre durante o período de suspensão da


pretensão punitiva
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 § 2º Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos neste artigo quando a
pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o pagamento integral dos
débitos oriundos de tributos e contribuições sociais, inclusive acessórios.
 “É entendimento jurisprudencial desta Corte Superior que com o advento
da Lei n.º 10.684/03 o pagamento do tributo a qualquer tempo extingue a
punibilidade quanto aos crimes contra a ordem tributária. Habeas corpus
concedido para sobrestar a execução do feito até que se julgue a Revisão
Criminal”.
 (HC 232.376/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, DJe
15/06/2012)
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TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 1. Com o advento da Lei n. 10.684/03, no exercício da sua função constitucional e
de acordo com a política criminal adotada, o legislador ordinário optou por retirar
do ordenamento jurídico o marco temporal previsto para o adimplemento do débito
tributário redundar na extinção da punibilidade do agente sonegador, nos termos do
seu artigo 9º, § 2º, sendo vedado ao Poder Judiciário estabelecer tal limite.
 2. Não há como se interpretar o referido dispositivo legal de outro modo, senão
considerando que o pagamento do tributo, a qualquer tempoaté mesmo após o
advento do trânsito em julgado da sentença penal condenatória, é causa de
extinção da punibilidade do acusado.
 3. Como o édito condenatório foi alcançado pelo trânsito em julgado sem qualquer
mácula, os efeitos do reconhecimento da extinção da punibilidade por causa que é
superveniente ao aludido marco devem ser equiparados aos da prescrição da
pretensão executória. (HC 180.993/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA,
DJe 19/12/2011)
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TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Lei no 11.941, de 27/05/2009 – “REFIS DA CRISE”
 Art. 67.  Na hipótese de parcelamento do crédito tributário ANTES DO
OFERECIMENTO da denúncia, essa somente poderá ser aceita na
superveniência de inadimplemento da obrigação objeto da denúncia. 
 Art. 68.  É suspensa a pretensão punitiva do Estado, referente aos crimes
previstos nos arts. 1o e 2o da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e
nos arts. 168-A e 337-A do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de
1940 - Código Penal, limitada a suspensão aos débitos que tiverem sido
objeto de concessão de parcelamento, enquanto não forem rescindidos os
parcelamentos de que tratam os arts. 1o a 3o desta Lei, observado o
disposto no art. 69 desta Lei. 
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TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Parágrafo único.  A prescrição criminal não corre durante o período de
suspensão da pretensão punitiva. 
 Art. 69.  Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos no art. 68 quando
a pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o pagamento integral
dos débitos oriundos de tributos e contribuições sociais, inclusive
acessórios, que tiverem sido objeto de concessão de parcelamento. 
 Parágrafo único.  Na hipótese de pagamento efetuado pela pessoa física
prevista no § 15 do art. 1o desta Lei, a extinção da punibilidade ocorrerá
com o pagamento integral dos valores correspondentes à ação penal. 
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TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996
 (ALTERADA PELA LEI Nº 12.382, DE 25 DE FEVEREIRO DE 2011)
 Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra
a ordem tributária previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de
dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos
arts. 168-A e 337-A do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940
(Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de
proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal
do crédito tributário correspondente. (
Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010)
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TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 § 1o Na hipótese de concessão de parcelamento do crédito tributário, a
representação fiscal para fins penais somente será encaminhada ao
Ministério Público após a exclusão da pessoa física ou jurídica do
parcelamento.
 § 2o É suspensa a pretensão punitiva do Estado referente aos crimes
previstos no caput, durante o período em que a pessoa física ou a pessoa
jurídica relacionada com o agente dos aludidos crimes estiver incluída no
parcelamento, desde que o pedido de parcelamento tenha sido
formalizado antes do recebimento da denúncia criminal.
DOS CRIMES CONTRA A ORDEM
TRIBUTÁRIA (Lei 8.137)
 § 3o A prescrição criminal não corre durante o período de suspensão da
pretensão punitiva.
 § 4o Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos no caput quando a
pessoa física ou a pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o
pagamento integral dos débitos oriundos de tributos, inclusive acessórios,
que tiverem sido objeto de concessão de parcelamento.
 § 5o O disposto nos §§ 1o a 4o não se aplica nas hipóteses de vedação legal
de parcelamento.
 § 6o As disposições contidas no caput do art. 34 da Lei nº 9.249, de 26 de
dezembro de 1995, aplicam-se aos processos administrativos e aos
inquéritos e processos em curso, desde que não recebida a denúncia pelo
juiz."